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Notas do tema

As palavras do Mestre para o nosso tempo

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EMF 13.8-11

O Evangelho como me foi revelado

Citação

13.8 Jesus diz:

– Que é que diz o livro da Sabedoria, cantando os louvores dela? “Na sabedoria está, de fato, o espírito da inteligência, santo, único, multíplice, sutil.” E continua enumerando os dotes dela, para terminar o período com estas palavras: “… que tudo pode, tudo prevê, que compreende todos os espíritos, inteligente, puro, sutil. A sabedoria penetra com sua pureza, é um vapor da virtude de Deus… por isso nada há de impuro… imagem da bondade de Deus. Mesmo sendo única, tudo pode, imutável, renova todas as coisas, comunica-se às almas santas e forma os amigos de Deus e os profetas.”

13.9 Tu viste como José, não por uma cultura humana, mas por uma instrução sobrenatural, sabe ler no livro selado da virgem imaculada, e como ele se aproxima das verdades proféticas com a sua “visão” de um mistério sobre-humano, no qual os outros viam apenas uma virtude. Impregnado dessa sabedoria, que é vapor da virtude de Deus, e uma certa emanação do Onipotente, ele se dirige com espírito seguro no mar desse mistério de graça que é Maria, aprofunda-se com ela em conversações espirituais, nas quais, mais do que com os lábios, são seus dois espíritos que falam um ao outro, no sagrado silêncio das almas, onde só Deus ouve as vozes, e só as percebem aqueles que são agradáveis a Deus, porque são seus servos fiéis, e Dele estão plenos.

A sabedoria do justo, que aumenta pela união e proximidade daquela que é a toda graça, prepara-o para penetrar nos segredos mais altos de Deus, e para poder cuidar e defendê-los das insídias do homem e do demônio. Por enquanto a sabedoria lhe dá um novo vigor. Do justo faz um santo, do santo faz um guardião da esposa e do Filho de Deus.

Sem faltar com a reverência para com o selo de Deus, ele, o casto, que agora leva a sua castidade até um heroísmo angelical, pode ler a palavra de fogo escrita sobre o diamante virginal, pelo dedo de Deus. Nele lê aquilo que a sua prudência não diz, mas que é muito maior do que o que Moisés leu nas tábuas de pedra. E, para que nenhum olho profano, nem de leve, se atreva a tocar no Mistério, ele se põe como selo sobre o selo, como o arcanjo de fogo sobre a entrada do Paraíso, dentro do qual o Eterno acha as suas delícias, “passeando à brisa da tarde”, e falando com aquela que é o seu amor, bosque de lírios em flor, aura impregnada de aromas, aragem fresca da manhã, estrela de rara beleza, delícia de Deus. A nova Eva está lá, diante dele, não osso de seus ossos, nem carne de sua carne, mas companheira de sua vida, Arca viva de Deus, a qual é recebida por ele de Deus para que a guarde, e a entregue a Deus, tão pura como quando a recebeu.

“Esposa de Deus” era o que estava escrito naquele livro místico de páginas imaculadas… E quando, na hora da prova, a suspeita assobiou para ele, para atormentá-lo, como homem e como servo de Deus, sofreu como nenhum outro, pela suspeita de ter havido um sacrilégio. Contudo, essa foi a prova que estava por vir. Por enquanto, nesse tempo de graça, ele vê e se coloca ao serviço sincero de Deus. Depois, virá a tempestade da provação, como para todos os santos, a fim de serem provados e transformados em cooperadores de Deus.

13.10 O que se lê no Levítico? “Diz a Arão, teu irmão, que ele não en tre, em momento algum, no santuário, além do Véu, diante do propiciatório, que está sobre a Arca, porque Eu apareço sobre o propiciatório em uma nuvem, e ele poderá morrer, se antes não tiver feito estas coisas: oferecer um novilho pelo pecado e um carneiro em holocausto. Vestir a túnica de linho e com calças de linho cobrir sua nudez.”

Com efeito, José entra quando Deus quer e quanto Deus quer no santuário de Deus, além do véu que encobre a Arca, e sobre a qual paira o Espírito de Deus, e se oferece a si mesmo, oferecendo o Cordeiro, holocausto pelo pecado do mundo e expiação por esse pecado. E assim faz, estando vestido de linho, e com os seus membros viris mortificados, para abolir a sensualidade que, uma vez, no princípio dos tempos, triunfou, lesando o direito de Deus sobre o homem, mas que agora vai ser calcada no Filho, na mãe e no pai adotivo, para reconduzir os homens à graça e reintegrar a Deus o seu direito sobre o homem. E faz isso com a sua perpétua castidade.

José não estava no Gólgota? Pensais, então que ele não estava entre os corredentores? Em verdade, vos digo que ele foi o primeiro dos corredentores e, por isso, ele é grande aos olhos de Deus. Grande pelo sacrifício, pela paciência, pela constância e pela fé. Qual fé foi maior do que a de quem acreditou , sem ter visto os milagres do Messias?

13.11 Louvor seja dado ao meu pai adotivo, exemplo para vós naquilo que mais vos falta: pureza, fidelidade e amor perfeito. Ao magnífico leitor do Livro selado, instruído pela Sabedoria para saber compreender os mistérios da graça e eleito para guardar a salvação do mundo contra as insídias de todos os inimigos.

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Depois de dar a visão do noivado de José e Maria, Jesus fala do seu suposto pai e diz

EMF 15.1-4

O Evangelho como me foi revelado

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Jesus diz:

– O ciclo terminou. E, com este ciclo tão doce e suave, o teu Jesus te fez sair, sem sobressaltos, para fora do tumulto destes dias. Como um menino enfaixado em lãs macias, colocado sobre fofas almofadas, tu também foste enfaixada por estas felizes visões, para que não sentisses, com terror, a ferocidade dos homens, que se odeiam[1], em vez de se amarem. Não poderias mais suportar certas coisas, eu não quero que morras por causa delas, mas tomo conta da minha “porta-voz.”

15.2

Está para terminar no mundo a causa pela qual as vítimas foram torturadas por todo tipo de desespero. Também para ti, Maria, cessa, por isso, o tempo do tremendo sofrimento causado por razões tão diferentes do teu modo de entender. Não cessará o teu sofrimento, pois és vítima. Mas, uma parte dele, sim: essa parte cessa. Depois chegará o dia em que Eu te direi, como disse a Maria de Magdala, quando estava morrendo[2]: “Repousa. Agora é teu tempo de repousar. Dá-me teus espinhos. Agora é tempo de rosas. Repousa e espera. Eu te abençôo, bendita.”

Isto eu te dizia, e era uma promessa, que tu não chegaste a compreender, quando estava chegando o tempo em que terias ficado mergulhada, revolvida, acorrentada, repleta até o mais profundo do teu ser, com espinhos… Eu te repito isto agora, com uma alegria que só o Amor que Eu sou, é capaz de fazer experimentar, ao cessar uma dor de um seu filho querido. Isto Eu te digo agora, quando cessa aquele tempo de sacrifício. Eu, que sei, te digo, para o mundo que não sabe, para a Itália, para Viareggio, esta pequena aldeia, à qual tu me levaste. Medita no sentido destas palavras, medita no agradecimento que se deve aos holocaustos, pelo sacrifício deles.

15.3

Quando Eu te mostrei Cecília, a virgem-esposa, te disse que ela se impregnou dos meus perfumes, arrastando o marido, o cunhado, os escravos, os parentes e amigos. Tu não o sabes, mas Eu que sei, te digo que fizeste a parte de Cecília neste mundo enlouquecido. Tu te saciaste de Mim, da minha palavra. Levaste os meus ideais entre as pessoas, das quais, as que são melhores compreenderam estes ideais, surgindo muita gente atrás de ti, oferta como vítima. A partir daí, portanto, não aconteceu uma ruína completa de tua pátria ou dos lugares que a ti são tão caros, porque tantas hóstias se consumaram, seguindo o teu exemplo e o teu ministério.

Obrigado, bendita. Mas, continua ainda. Tenho muita necessidade de salvar a terra. De comprar de novo a terra. E as moedas sois vós, como vítimas.

15.4

A sabedoria que instruiu os santos, e te instruiu com um magistério direto, te eleve sempre mais ao compreender a ciência da vida e colocá-la em prática. Levanta a tua pequena tenda junto à casa do Senhor. Finca as estacas da tua própria morada, na morada da sabedoria, sem saíres nunca mais dela. Repousarás debaixo da proteção do Senhor, que te ama, como um passarinho por entre ramos em flor, e Ele será teu abrigo, contra todas as intempéries espirituais, e estarás na luz da glória de Deus, do qual descerão para ti, palavras de paz e de verdade.

Vai em paz. Eu te abençôo, bendita”.

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Jesus mostra a Maria o Evangelho e dá-lhe o seguinte ditado.

A visão de Maria Madalena a morrer encontra-se nos Cahiers de 1944 (30 de março de 1944). Cécile, a virgem esposa, é vista nas visões e ditados de 22 e 23 de julho de 1944.

EMF 15.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

15.2 Está para terminar no mundo a causa pela qual as vítimas foram torturadas por todo tipo de desespero. Também para ti, Maria, cessa, por isso, o tempo do tremendo sofrimento causado por razões tão diferentes do teu modo de entender. Não cessará o teu sofrimento, pois és vítima. Mas, uma parte dele, sim: essa parte cessa. Depois chegará o dia em que Eu te direi, como disse a Maria de Magdala, quando estava morrendo: “Repousa. Agora é teu tempo de repousar. Dá-me teus espinhos. Agora é tempo de rosas. Repousa e espera. Eu te abençôo, bendita.”

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16 de setembro de 1944. Jesus profetiza o fim da Segunda Guerra Mundial.

O ditado de Maria Madalena moribunda encontra-se nos Cadernos de 1944, na visão de 30 de março de 1944.

EMF 15.5

O Evangelho como me foi revelado

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Logo depois, Maria diz:

– A Maria o presente da mãe, para a sua festa. Uma porção de presentes. E, se algum espinho estiver entremeado com eles, não te lamentes ao Senhor, que te amou, como poucos.

Eu te havia dito, desde o princípio: “Escreve sobre mim. Toda pena tua será consolada.” Estás vendo que era verdade. Este dom estava reservado a ti neste tempo de agitação, porque não cuidamos apenas do espírito, mas também da matéria, que não é rainha, mas uma serva útil ao espírito, a fim de que ele possa cumprir a sua missão.

Sê grata ao Altíssimo, que para ti é verdadeiramente Pai, até mesmo no sentido afetivo e humano, afagando-te com êxtases suaves, para ocultar o que poderia assustar-te.

Procura querer-me sempre bem. Eu te mostrei os segredos dos meus primeiros anos. Agora sabes tudo de mim como mãe. Procura querer-me bem como filha e como irmã, na qualidade de vítima. Ama a Deus Pai, a Deus Filho, a Deus Espírito Santo com perfeição de amor.

A bênção do Pai, do Filho e do Espírito Santo que passa pelas minhas mãos, perfuma-se com o meu amor materno, desça e repouse em ti. Que sejas sobrenaturalmente feliz.

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Jesus acaba de dar um ditado a Maria.

EMF 17

O Evangelho como me foi revelado

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Título do capítulo : A desobediência de Eva e a obediência de Maria

Data dos ditados : Domingo, 5 de março de 1944 (EMV 17.1 a 17.7) e quarta-feira, 8 de março de 1944 (EMV 17.8 a 17.21)

Ciclo: Nascimento e infância de Jesus

Resumo: Jesus dá o seu primeiro ditado. Ele parte do Génesis e explica qual deve ser o domínio do homem: ele deve dominar a carne, mas também o carácter moral e espiritual. Cristo fala então da alma e das discussões que poderíamos ter com ela, e depois volta especificamente à Queda de Adão e Eva. Fala também de Lúcifer e da origem do Mal.

Num segundo ditado, Maria fala das suas várias alegrias no momento da Anunciação. A alegria de ser mãe. A alegria de ser aquela por quem a paz reconciliou o céu e a terra. A alegria de ter feito Deus feliz. Alegria de ser crente num Deus cheio de alegria. A Mãe de Cristo fala então da desobediência de Eva e da obediência que a Imaculada praticou em todas as ocasiões. Ela pronunciou o seu Fiat em todas as ocasiões e convidou Maria a ser um trampolim para que outras almas se elevassem até Deus.

Por fim, Jesus dá um último ditado. Depois de se dirigir àqueles que não acolhem a Obra ou que são cépticos em relação a ela, volta à árvore do conhecimento do bem e do mal e dá-lhe uma conotação simbólica. O Mestre detém-se também na condenação de Adão e Eva, que pode parecer demasiado severa. O Salvador debruça-se sobre o fruto proibido, bem como sobre a plenitude da graça.

Conteúdo do capítulo: 17.1: Pergunta à tua alma pelas verdades celestes. 17.2: O homem foi chamado a dominar tudo. 17.3: O nascimento do mal em Lúcifer. 17.4: A procriação desejada por Deus. 17.5: Satanás desperta a carne em Eva, que não se volta para o Pai. 17.6: Uma condenação maior pesa sobre a mulher. 17.7: A graça contra as três concupiscências. 17.8: O meu espírito alegra-se. 17.9: Eu não sabia que não tinha mácula. 17.10: A alegria de ser mãe de um homem e de Deus. 17.11: A alegria de ter feito Deus feliz. 17.12: A desobediência de Eva e as suas consequências. 17.13: Obedeci com alegria e com dor. 17.14: O meu "sim" apagou o "não" de Eva à ordem de Deus. 17.15: Ser um trampolim para que outros consigam caminhar em direção à Cruz. 17.16: A árvore metafórica ou simbólica. 17.17: A gravidade do primeiro pecado. 17.18: O amor dos homens devia ser sem luxúria. 17.19: Eva acreditou em Satanás e desejou o que não era bom sem remorsos. 17.20 : Receber a Luz. 17.21 : Os animais selvagens ultrapassam-vos na honestidade dos seus amores.

EMF 17.1-7

O Evangelho como me foi revelado

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Não se lê no Gênesis que Deus fez o homem para dominar tudo o que havia sobre a terra, ou seja, tudo, com exceção de Deus e dos seus ministros angélicos? Não se lê que fez a mulher para ser compa­nheira do homem na alegria e na dominação de todos os seres vivos? Não se lê que eles podiam comer de tudo, menos da árvore da ciência do Bem e do Mal? Por quê? O que está sub-entendido nas palavras “para que domines”? O que está sub-entendido na árvore da ciência do Bem e do Mal? Nunca vos fizestes tais perguntas, vós que viveis perguntando tantas coisas inúteis, mas não indagam vossa alma a respeito das verdades celestes?

A vossa alma, se estivesse viva, vos responderia. Quando ela está na graça de Deus, está bem segura, como uma flor entre as mãos do vosso anjo. Quando está na graça de Deus, é como uma flor beijada pelos raios do sol, borrifada por um orvalho do Espírito Santo, que a aquece e ilumina, que a irriga e adorna com suas luzes celestes. Quantas verdades vos diria a vossa alma, se soubésseis conversar com ela, se a amásseis, como se ama alguém que voz faz semelhantes a Deus, que também é Espírito. Que grande amiga teríeis, se amásseis a vossa alma, em vez de odiá-la, ao ponto de matá-la? Que grande e sublime amiga com a qual poderíeis falar das coisas do céu, vós que gostais tanto de falar, e vos arruinais reciprocamente, com amizades que, se não são indignas, pelo menos são quase sempre inúteis, transformando-se num vazio vão e nocivo de palavras, totalmente terrenas.

Não disse[3] Eu: “Quem me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e viremos a ele e faremos nele morada”? A alma no estado de graça possui o amor, possuindo então Deus, ou seja, o Pai que mantém esta alma, o Filho que a ensina, o Espírito que a ilumina. Possui, portanto, o Conhecimento, a Ciência, a Sabedoria. Possui a Luz. Pensai, então, nas conversações sublimes que vossa alma poderia entabular convosco. São os diálogos que encheram os silêncios dos calabouços, das celas, dos ermos, dos aposentos dos enfermos santos. Souberam confortar os que estavam encarcerados, à espera do martírio, os enclausurados por amor à busca da Verdade, os ermitãos ansiosos pelo conhecimento antecipado de Deus, os enfermos pela suportação. Em suma, souberam ensinar o amor à cruz.

17.2

Se soubésseis fazer perguntas à vossa alma, ela vos diria que o significado verdadeiro, exato, vasto como a criação, da palavra “domina” é este: “O homem deve dominar tudo, em todos os estados: o estado inferior, que é o animal; o estado mediano, que é o moral e o estado superior, que é o espiritual. O homem usa os três estados[4] para atingir um único fim, que é possuir a Deus.” Merecer isto através deste férreo domínio, que subjuga as forças do eu, tornando-as escravas deste único objetivo: merecer a possessão de Deus. Vossa alma vos diria que Deus proibira o conhecimento do Bem e do Mal, porque o Bem tinha sido dado por Ele às suas criaturas gratuitamente, mas Ele desejava que o Mal vós não conhecêsseis, porque é um fruto doce ao paladar, mas que, descendo para o sangue, desperta uma febre que mata, produzindo uma tal ardência, que quanto mais se bebe daquele suco mentiroso, mais se tem sede dele.

17.3

Vós me objetareis: “Então, por que o Mal foi colocado diante de nós?” Porque é uma força que nasceu por si mesma, como nascem certos males monstruosos até nos corpos mais sadios.

Lúcifer era um anjo, o mais belo dos anjos. Espírito perfeito, inferior somente a Deus. No entanto em seu ser luminoso nasceu uma sombra de soberba, que ele não tratou de dispersar, mas, ao contrário, procurou condensar, incubando-a. Dessa incubação, nasceu o Mal. Este existia, antes que o homem fosse criado. Deus havia precipitado o maldito incubador do Mal para fora do Paraíso, que tinha se maculado com este Mal. Não podendo mais sujar o Paraíso, o eterno incubador do Mal sujou a Terra.

17.4

A planta metafórica quer demonstrar esta verdade. Deus tinha dito ao homem e à mulher: “Vós conheceis todas as leis e os mistérios da criação. Mas não queirais usurpar-me o direito de ser o Criador do homem. Para propagar a raça humana, bastará o meu amor, que circulará entre vós, sem libido de sensualidade, mas pelo impulso da caridade, que suscitará novos Adãos. Tudo eu vos dou. Só me reservo este mistério da formação do homem.”

17.5

Satanás quis tirar esta virgindade intelectual do homem e, com sua língua serpentina, aplacou, acariciando membros e olhos da Eva, fazendo surgir neles reflexos e sagacidades, que antes não tinham, quando a malícia não os tinha intoxicado ainda.

Ela “viu.” E quis experimentar. A carne foi despertada. Oh! se tivesse chamado por Deus! Se tivesse corrido para ir dizer-lhe: “Pai, eu estou doente. A Serpente me acariciou, e estou perturbada.” O Pai a teria purificado, e curado com o seu hálito, que podia infundir-lhe novamente a inocência, como lhe havia infundido a vida, fazendo-a esquecer-se do tóxico da Serpente, colocando nela a repugnância por ela, como acontece com aqueles que foram assaltados por algum mal, guardando uma instintiva repugnância dele. Mas Eva não foi ao Pai. Ela voltou à Serpente. Aquela sensação foi doce para ela: “Vendo que o fruto da árvore era bom para se comer, bonito de se ver e agradável ao aspecto, foi apanhá-lo, e comeu.”

E “compreendeu.” A malícia já tinha começado a morder-lhe as entranhas. Ela passou a ver com outros olhos, e a ouvir com outros ouvidos, os usos e as vozes dos irracionais. Passou a desejá-los com uma louca cobiça.

17.6

Ela iniciou sozinha o pecado. E o terminou com o seu companheiro. Por isso é que sobre a mulher pesa uma pena maior. Foi por meio dela que o homem se tornou rebelde a Deus e que ele conheceu a luxúria e a morte. Foi por ela que ele não soube mais dominar os três reinos: do espírito, porque permitiu que o espírito desobedecesse a Deus; da moral, porque permitiu que as paixões o dominassem; e da carne, porque o aviltou, submetendo-o às leis instintivas que regem os brutos. “A Serpente me seduziu”, diz Eva. “A mulhe­r me ofereceu o fruto, e eu o comi”, diz Adão. A tríplice concupiscência rouba os seus três reinos do homem.

17.7

Somente a Graça pode desacorrentar o homem preso àquele monstro impiedoso. Mas, se a Graça é viva, mantida sempre assim pela vontade do filho fiel, ela chega a destroçar o monstro, e não é preciso temer mais nada: nem os tiranos internos, isto é, a carne e as paixões; nem os tiranos externos, ou seja, o mundo e os poderosos dele. Nem as perseguições. Nem a morte. É como diz o Apóstolo Paulo[5]: “Nenhuma destas coisas eu temo, nem amo a minha vida mais do que a mim mesmo, contanto que eu leve a bom termo a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, que é o de dar testemunho do Evangelho da Graça de Deus.”

EMF 17.8-15

O Evangelho como me foi revelado

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17.8 Maria diz:

– Estou na alegria, pois, desde que compreendi a missão a que Deus me destinava, fiquei repleta de alegria. O meu coração se abriu como um lírio que desabrocha e o sangue derramou dele, como ter­reno para o Embrião do Senhor.

17.9 Alegria de ser mãe.

Eu me tinha consagrado a Deus desde a mais tenra idade, porque a luz do Altíssimo me havia feito conhecer a causa do mal no mundo e eu quis, por quanto estava em meu poder, anular, por mim mesma, o plano de satanás.

Eu ainda não sabia que não possuía a mancha do pecado. Nem eu podia pensar nisso,pois, teria sido presunção e soberba, dado que, nascida de pais humanos, não me era lícito pretender que logo eu é que seria a escolhida para não ter mácula.

O Espírito de Deus me tinha instruído sobre a dor do Pai, diante da corrupção de Eva, que tinha querido aviltar-se, pois, sendo criatura por graça, desceu ao nível de uma criatura inferior. Havia em mim a intenção de amenizar aquela dor, reconduzindo a minha carne à pureza angélica, conservando-me inviolada por pensamentos, desejos e contactos humanos. Só por Ele o meu coração palpitava de amor, só a Ele eu consagrava o meu ser. Mas, se não havia em mim o ardor da carne, contudo ainda havia o sacrifício de não ser mãe.

A maternidade, livre de tudo o que agora a avilta, tinha sido concedida assim pelo Pai Criador também a Eva. Uma doce e pura maternidade, sem o peso da sensualidade! Eu a experimentei! De quantas vantagens Eva se despojou, quando renunciou a uma riqueza de tal porte! Essa riqueza era muito mais do que a imortalidade. E que não vos pareça um exagero dizer isso. De fato, o meu Jesus, e com Ele eu, sua mãe, tivemos de passar pelos langores da morte. Eu passei por ela, como alguém que, cansado, adormece docemente, e Ele, por meio do atroz sofrimento de quem está morrendo, porque foi condenado a isso. Portanto, também para nós houve morte. Mas a maternidade sem pesos e sem violações só aconteceu comigo, a nova Eva, a fim de que ela pudesse dizer ao mundo que doçura teria sido para a mulher chamada a ser mãe, se não sentisse dor em sua carne. Ora, o desejo dessa maternidade pura estava também na virgem toda de Deus, pois a maternidade é a glória da mulher. Se pensardes, então, na honra que era ser mãe para a mulher israelita, ainda mais podereis compreender o meu sacrifício, ao consagrar-me a Deus, com a privação da maternidade.

Mas o Eterno Bem quis dar à Sua serva este dom, sem deixá-la perder o candor que a revestia, tornando-a uma flor no seu trono. Eu me sentia jubilosa com a dupla alegria de poder ser a mãe de um homem e, ao mesmo tempo, ser a mãe de Deus.

17.10 AAlegria de ser aquela pela qual a paz se estabelecia entre o Céu e a Terra.

Oh! Ter tanto desejado essa paz, por amor de Deus e do próximo, e saber que através de mim, uma pobre serva do Todo-Poderoso, é que tal paz viria ao mundo! Poder dizer: “Ó homens, não choreis mais, pois eu trago em mim o segredo que vos fará felizes. Não posso lhes comunicar este segredo, porque está selado no meu coração, assim como o Filho no meu ventre inviolado. Mas já O trago em meio a vós, e cada hora que passa, fica mais perto o momento em que o vereis, e conhecereis seu Nome Santo”.

17.11 A Alegria de ter contentado a Deus: a alegria do fiel que faz feliz o seu Deus.

Oh! Sim! Ter tirado do coração de Deus a amargura da desobediência de Eva! Da soberba de Eva! Da sua incredulidade!

17.12 Meu Jesus me explicou a culpa com que o primeiro casal se manchou. Eu anulei aquela culpa, refazendo de modo retroativo as etapas da descida deste casal, para depois subir de novo.

O princípio da culpa estava na desobediência: “Não comais daquela árvore, e não toqueis nela”, Deus havia dito. Mas o homem e a mulher não levaram em conta aquela proibição. Eles que eram os reis da criação, podiam tocar em tudo, comer de tudo, menos daquela árvore, pois Deus queria torná-los inferiores só aos anjos.

A árvore: meio para provar a obediência dos filhos.

O que é a obediência ao mandamento de Deus? É um bem, porque Deus só exige o bem. O que é a desobediência? É um mal, porque põe a alma na disposição de rebeldia, oferecendo a satanás um campo propício para as suas operações.

Eva vai até à árvore, da qual receberia o bem, ao evitá-la, ou o mal, aproximando-se dela. Ela é arrastada por uma curiosidade infantil que deseja ver o que a árvore tem de especial. É levada pela imprudência, que lhe faz conceber o mandamento de Deus como inútil, pois se sente forte e pura, rainha do Éden, no qual tudo lhe obedece, onde nada lhe fará mal. Esta presunção causa sua ruína. A presunção é um fermento da soberba.

Junto à árvore, ela encontra o sedutor, que se aproveita da sua inexperiência, daquela inexperiência virgem e bela, tão mal protegida por ela mesma, para cantar-lhe a canção da mentira: “Crês tu que isso seja um mal? Não. Deus te disse isso porque vos quer conservar escravos do seu poder! Pensais que sois reis? Nem liberdade tendes, como a têm os animais. Pois aos animais foi concedido que se amem com verdadeiro amor. Mas a vós, não. Ao animal foi concedido tornar-se criador, como Deus. Ele gerará filhos e verá crescer sua família, à vontade. A vós, porém, é negada essa alegria. Porque, então, ser homem ou mulher, se tendes que viver desse modo? Sede deuses! Não sabeis que alegria é estarem ambos numa só carne, para que dessa união se crie uma terceira criatura, e depois muitas outras criaturas? Não acrediteis na promessa de Deus de que tereis alegria em vossos descendentes, vendo os vossos filhos criarem novas famílias, deixando pai e mãe, por causa delas. Deus vos deu apenas uma sombra de vida: a verdadeira vida é conhecer as suas leis. Então, sim, sereis semelhantes a deuses e podereis dizer a Deus: ‘Somos iguais a ti’.”

E a sedução continuou, porque não houve vontade de acabar com ela, pelo contrário, houve vontade de continuar conhecendo o que não era lícito ao homem conhecer. É aí que a árvore proibida se torna realmente mortífera para a raça humana, pois dos seus ramos está o fruto da amarga sabedoria, que vem de satanás. A mulher se torna fêmea e, com o fermento do conhecimento satânico no coração, corrompe o companheiro, Adão. Aviltada, pois, a carne, corrompida a moral, degradado o espírito, eles passaram a conhecer a dor e a morte do espírito, sem a graça, e morte da carne, sem a imortalidade. A ferida de Eva gerou o sofrimento, que não se aplacará, enquanto não se extinguir a vida do último casal, sobre a terra.

17.13 Eu percorri, de modo regressivo, os caminhos daqueles dois pecadores. Obedeci. Obedeci de todos os modos. Deus me pediu que eu permanecesse virgem. Eu obedeci. Tendo amado a virgindade, que me tornava pura como a primeira das mulheres, antes de conhecer satanás, Deus me pediu que fosse esposa. Eu obedeci, colocando o matrimônio naquele primeiro grau de pureza conforme o pensamento de Deus, quando criou o primeiro homem e mulher. Convicta de que estava destinada à solidão no matrimônio, a ser desprezada pelos outros, pela minha esterilidade voluntária, Deus me pedia para me tornar mãe. Eu obedeci. Eu acreditei que seria possível e que aquela palavra tinha vindo de Deus, pois, ao ouvi-la, difundiu-se em mim uma grande paz. Não fiquei pensando: “Eu mereci isto.” Não fiquei dizendo a mim mesma: “Agora, o mundo vai me admirar, pois sou semelhante a Deus, criando a carne de Deus.” Não. Eu me aniquilei na humildade.

A alegria brotou-me do coração, como um pedúnculo de roseira florida. Mas esta viu-se bem depressa ornada com agudos espinhos, apertada no emaranhado da dor, como aqueles ramos que ficam enrolados por alguma trepadeira. A dor pela dor do esposo: eis a angústia na minha alegria. A dor pela dor do meu Filho: eis o espinho na minha alegria.

Eva quis o gozo, o triunfo, a liberdade. Eu aceitei a dor, o aniquilamento, a escravidão. Renunciei à minha vida tranqüila, ao amor do meu esposo, à minha própria liberdade. Não conservei nada para mim. Fiz-me a serva de Deus na carne, na moral, no espírito, confiando-me a Ele, não só para a concepção virginal, mas para a defesa de minha honra, para a consolação do esposo, para o meio com o qual ele pudesse entender a purificação do matrimônio, de tal modo a fazer de nós dois os que haveriam de restituir a dignidade perdida ao homem e à mulher.

17.14 Abracei a vontade do Senhor, por mim mesma, pelo esposo e por meu Filho. Eu disse “sim” pelos três, certa de que Deus não teria faltado com sua palavra, quando prometeu me socorrer na minha­ dor de esposa, que está sendo julgada culpada, de mãe que gera um Filho para entregá-Lo à dor.

Eu disse sim, e basta. Aquele “sim” anulou o “não” de Eva ao mandamento de Deus. “Sim, Senhor, como quiseres. Conhecerei o que Tu queres. Viverei como Tu queres. Alegrar-me-ei, se Tu quiseres. Sofrerei o que Tu quiseres. Sim, sempre sim, meu Senhor, desde o momento em que o Teu raio me fez mãe, até o momento em que me chamaste para Ti. Sempre sim. Todas as vozes da carne, todas as paixões da moral, sob o peso deste meu perpétuo sim. Acima, como num pedestal de diamante, o meu espírito, ao qual faltam asas para voar a Ti, mas que é senhor de todo o eu domado, servo teu. Serva na alegria, serva na dor. Sorri, ó meu Deus! Sê feliz! A culpa foi vencida, excluída, destruída. Ela, agora sob o meu calcanhar, está lavada em meu pranto, destruída pela minha obediência. De meu ventre nascerá a árvore nova, que há de ter em si o Fruto, que conhecerá todo o Mal, por tê-lo padecido em Si, e que doará todo o Bem. Os homens poderão ir a Ele. Eu me darei por feliz, se eles colherem desse fruto, ainda que não se lembrem que este fruto está nascendo de mim. Contanto que o homem se salve, e que Deus seja amado, que se faça desta tua serva o que se faz do solo sobre o qual surge uma árvore: um degrau para subir.”

17.15 Maria, é preciso saber sempre ser degrau, para que os outros subam para Deus. Se nos pisam, não faz mal. Contanto que consigam chegar à Cruz. É a nova árvore que tem o fruto do conhecimento do Bem e do Mal, pois diz ao homem o que é um e outro, a fim de que ele saiba escolher e viver. Esta árvore também tornar-se-a licor que cura os intoxicados do mal que quiseram saborear. O nosso coração esteja sob os pés dos homens, contanto que o número dos redimidos cresça, e que o Sangue do meu Jesus não seja derramado sem fruto. Eis a sorte das servas do Senhor. Depois mereceremos receber no ventre a Hóstia santa e, aos pés da Cruz, impregnada pelo Seu Sangue e pelo nosso pranto, dizer: “Eis aqui, ó Pai, a Hóstia imaculada, que te oferecemos pela salvação do mundo. Olha para nós, ó Pai, unidas com ela e pelos seus merecimentos infinitos, dá-nos a tua bênção.”

Eu te dou minhas carícias. Repousa, minha filha. O Senhor está contigo.

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Marie fez este ditado depois do capítulo sobre a Anunciação.

EMF 17.16-21

O Evangelho como me foi revelado

Citação

17.16 Jesus diz:

– A palavra de minha mãe deveria dissipar toda e qualquer titubeação de pensamento, até mesmo dos mais bloqueados com relação às fórmulas.

[…].

Eu chamei antes de “árvore metafórica.” Agora vou chamar de “árvore simbólica.” Talvez compreendais melhor. O símbolo é claro: assim como os dois filhos de Deus procederam a respeito desta árvore, se entende como estava neles a tendência para o Bem ou para o Mal. Como a água régia prova o ouro, a balança do ourives pesa os quilates de ouro, aquela árvore tinha assumido uma “missão” pela ordem de Deus a seu respeito, dando a medida de pureza do metal que era Adão e Eva.

17.17 Estou já ouvindo a vossa objeção: “Não foi rigorosa demais a condenação, e pueril o meio usado para condená-los?”

Não foi. Uma vossa desobediência hoje, que sois os herdeiros de Adão e Eva, é menos grave do que a deles. Vós fostes redimidos por Mim. Mas o veneno de satanás continua sempre pronto a se reerguer, como certas doenças que nunca saem totalmente do sangue. Os dois progenitores eram possuidores da graça, sem nunca terem sido nem tocados pela desgraça. Por isso eram mais fortes, mais amparados pela graça, que gerava neles inocência e amor. O dom que Deus lhes havia dado era infinito. A queda deles, portanto, foi bem mais grave, não obstante aquele dom.

17.18 O fruto oferecido e comido também é simbólico. Era o fruto de uma experiência que se quis fazer contra a ordem de Deus, por instigação satânica. Eu não havia proibido o amor aos homens. Queria unicamente que se amassem sem malícia; como Eu os amava com a minha santidade. Eles deviam amar-se na santidade de afetos, sem sujarem-se com a luxúria.

17.19 Não se há de esquecer que a graça é luz e quem a possui conhece o que é útil e bom. Aquela que é cheia de graça conheceu tudo, porque a Sabedoria a instruía. A sabedoria é graça, e ela soube guiar-se santamente. Eva conhecia o que lhe era bom conhecer. Não mais do que isso, porque é inútil conhecer o que não é bom. Não teve fé nas palavras de Deus e não foi fiel à sua promessa de obediência. Acreditou em satanás, infringiu a promessa, quis saber o que não é bom e o amou sem remorso, fazendo com que o amor, que Eu lhe tinha dado como algo santo, se corrompesse, se aviltasse. Anjo decaído, rolou na lama e no esterco, enquanto poderia cor­rer feliz entre as flores do Paraíso terrestre, vendo florescer a prole ao redor de si, assim como uma árvore que se cobre de flores, sem precisar curvar sua copa sobre o brejo.

17.20 Não fiqueis como os meninos tolos de que Eu falo no Evangelho os quais ouviram cantar, e taparam os ouvidos, ouviram tocar e não dançaram, ouviram chorar, e quiseram rir. Não sejais mesquinhos, não sejais negadores. Aceitai, aceitai a Luz sem malícia e teimosia, sem ironia e incredulidade. A respeito deste assunto, basta por enquanto.

17.21 Para fazer-vos compreender o quanto deveis ser gratos Àquele que morreu para elevar-vos ao céu e vencer a concupiscência de satanás, neste tempo de preparação para a Páscoa, Eu vos quis falar do primeiro elo da corrente com que o Verbo do Pai foi arrastado à morte, do Cordeiro Divino no matadouro. Eu vos quis falar disso, porque agora noventa por cento entre vós é semelhante à Eva, intoxicada pelo hálito, pela palavra de lúcifer, e não viveis para amar-vos, mas para saciar-vos de sensualidade, não viveis para o Céu, mas para a lama, não sois criaturas dotadas de alma e de razão, mas cães sem alma e sem razão. Vós já matastes a alma; já depravastes a razão. Em verdade, vos digo que os animais irracionais estão acima de vós, na honestidade dos seus amores.

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A parte em itálico é da edição de 1985. Não aparece na segunda edição.

EMF 17.21

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Para fazer-vos compreender o quanto deveis ser gratos Àquele que morreu para elevar-vos ao céu e vencer a concupiscência de satanás, neste tempo de preparação para a Páscoa, Eu vos quis falar do primeiro elo da corrente com que o Verbo do Pai foi arrastado à morte, do Cordeiro Divino no matadouro. Eu vos quis falar disso, porque agora noventa por cento entre vós é semelhante à Eva, intoxicada pelo hálito, pela palavra de lúcifer, e não viveis para amar-vos, mas para saciar-vos de sensualidade, não viveis para o Céu, mas para a lama, não sois criaturas dotadas de alma e de razão, mas cães sem alma e sem razão. Vós já matastes a alma; já depravastes a razão. Em verdade, vos digo que os animais irracionais estão acima de vós, na honestidade dos seus amores.

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Jesus deu a Maria as visões do Evangelho durante a Páscoa.

EMF 18.7-10

O Evangelho como me foi revelado

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Maria diz:

– Querida filha, quando, depois de cessar o êxtase, que me havia enchido de inexprimível alegria, voltei ao uso dos sentidos nesta ter­ra, o primeiro pensamento que tive foi José, pensamento pungente como um espinho de roseira, me feria o coração, enfaixado , há alguns instantes, pelas rosas do Divino Amor, meu Esposo.

Eu já o amava, este meu santo e previdente guarda. Desde quando a vontade de Deus, por meio da palavra de seu Sacerdote, me tinha­ querido desposada a José, eu já pudera conhecer e apreciar a santidade deste justo. Unida a ele eu tinha sentido que cessava aquela minha desorientação de órfã, e já não tinha mais saudade do meu tempo de asilada no Templo. Para mim ele era tão bom, como meu falecido pai. Junto dele eu me sentia segura, como junto ao Sacerdote. Toda minha titubeação havia cessado, e não só cessado, mas ficado esquecida, de tal modo tranquilizava-me o coração de virgem, ao compreender que já não precisava mais titubear, pois não tinha que temer nada da parte de José. Mais segura do que um menino nos braços da mãe, assim estava a minha virgindade confiada a José.

18.8 Mas, e como dizer-lhe que eu era mãe? Eu procurava palavras para dizer-lhe isso, mas era uma tarefa árdua. Eu não queria louvar-me pelo dom de Deus, e não podia, de maneira alguma, justificar a minha maternidade, sem dizer: “O Senhor me amou mais do que todas as mulheres, e de mim, sua serva, me fez sua esposa.”

Enganá-lo, escondendo-lhe o meu estado, eu não queria também.

Mas, enquanto estava rezando, o Espírito, do qual eu estava plena, me disse: “Cala-te. Confia a Mim a tarefa de justificar-te perante o esposo.”

Mas, enquanto estava rezando, o Espírito, do qual eu estava plena, me disse: “Cala-te. Confia a Mim a tarefa de justificar-te perante o esposo.” Quando? Como? Estas coisas não lhe perguntei. Eu sempre me havia confiado a Deus, como uma flor na onda que a transporta. Nunca o Eterno me tinha feito ficar sem sua ajuda. Sua mão sempre me havia sustentado, protegido e guiado, até aqui. E iria fazer tudo isso também agora.

18.9 Minha filha, como é bela e confortável a fé em nosso eterno e bom Deus! Ele nos acolhe em seus braços como em um berço, nos leva ao luminoso porto do Bem, como num barco, nos aquece o coração, nos consola, nos nutre, nos dá repouso e alegria, nos dá luz e guia. A confiança em Deus é tudo, pois Deus tudo dá a quem tem confiança Nele. Ele se dá até a Si mesmo.

Naquela tarde levei a minha confiança de criatura à perfeição. Agora, eu o podia fazer, porque Deus estava em mim. Antes, tinha tido a confiança de uma pobre criatura. Sempre um nada, mesmo sendo tão amada, a ponto de ser sem mácula. Mas agora eu tinha uma confiança divina, porque Deus era meu: meu Esposo, meu Filho! Oh! Que alegria! Ser uma com Deus! Não para a minha glória, mas para amá-lo com uma união total e poder dizer-lhe: “Tu, só Tu, que estás em mim, aperfeiçoa com tua divina perfeição tudo o que eu faço.”

Se Ele não me tivesse dito: “Cala-te”, talvez eu até tivesse ousado, com o rosto em terra, dizer a José: “O Espírito penetrou em mim, e em mim está a Semente de Deus.” Ele teria acreditado em mim, porque me estimava e porque, como todos aqueles que não mentem nunca, ele acreditava que os outros também não lhe mentissem. Sim, contanto que eu não lhe causasse nenhuma dor no futuro, eu teria vencido a recusa de dar-me aquele louvor. Mas obedeci à ordem divina.

Durante muitos meses, a partir daquele momento, senti a primeira ferida em meu coração. Foi a primeira dor, na minha condição de co-redentora. Eu a ofereci e sofri para reparar e para dar-vos uma norma de vida nos momentos de sofrimento, quando há necessidade de silêncio em relação a algum acontecimento que vos dê aparência de culpados, aos olhos de quem vos ama.

18.10 Deixai a Deus a guarda do vosso bom nome e dos vossos interesses afetivos. Merecei com uma vida santa a tutela de Deus, e depois, caminhai tranqüilos. Ainda que todo o mundo estiver contra vós, Ele vos defenderá junto a quem vos ama, e fará com que a verdade apareça.

Repousa agora, minha filha. E sê sempre mais minha filha.

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Maria descreve as suas experiências após a Anunciação.