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Notas do tema

Lugares do Evangelho tal como me foi revelado

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EMF 39.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

39.2 Vejo Maria inclinada sobre um alguidar, ou melhor, sobre uma bacia de cerâmica, misturando alguma coisa que solta fumaça no ar frio e sereno que enche o pomar de Nazaré.

Deve ser pleno inverno, porque, a não ser as oliveiras, todas as outras plantas estão nuas, desprovidas de folhas. No alto, um céu muito limpo, e também um belo sol. Mas não consegue amenizar o vento do Norte, que puxa e faz bater uns nos outros os ramos despojados de folhas e ondular os pequenos ramos verde-cinzentos das oliveiras.

EMF 40

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

A Sagrada Família dirige-se ao Templo de Jerusalém. Depois de rezar, José e Jesus dirigem-se a uma sala onde Jesus é examinado por doutores da Lei. José apresenta-lhes o seu Filho e, em seguida, os homens dirigem-se ao Menino. Ele dá o seu nome e diz que sabe ler os símbolos e o verdadeiro sentido das Escrituras. Ouvindo-o, os doutores recomendaram a José que o confiasse a Hilled ou Gamaliel.

Cristo foi obrigado a ler uma parte do Decálogo. Teve de continuar de cor e, de cada vez que pronunciava o nome do Senhor, fazia uma vénia. Disse que, se nos curvamos perante os reis da terra, que não passam de pó, devemos curvar-nos ainda mais perante o Rei dos Reis, de quem depende toda a criatura.

Foi-lhe então feita uma pergunta sobre a lei do sábado e a santificação das festas. A galinha que põe um ovo ou a ovelha que dá à luz nesse dia comete um pecado? Não, porque o animal obedece às leis do Criador e não comete pecado. Se o homem o faz trabalhar no sábado, é o seu dono que carrega o seu pecado.

Os médicos ficaram impressionados. Fizeram-lhe uma última pergunta, pedindo-lhe que lesse uma passagem do segundo livro das Crónicas. Esta passagem, que se passa alguns séculos antes, fala do escriba Safã. Ele lê um livro do sacerdote Elquias diante do rei e rasga as suas vestes porque o povo já não segue as instruções do Senhor e a sua cólera é grande. Há algum símbolo neste texto? Jesus responde que é raro que não haja, e diz que o que é eterno não deve ser circunscrito no tempo. A Palavra declara que Israel já não tem a sabedoria que vem de Deus, apesar dos seiscentos e treze preceitos, pois conhece-os mas já não os põe em prática.

Os médicos declaram que a criança é perfeita e maior de idade. A festa termina e José e Jesus voltam para junto de Maria.

EMF 40.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

40.1 O Templo está como em dias de festa. A multidão, entra e sai, atravessa os pátios, os átrios, e pórticos, desaparece nesta ou naquela construção situada nos diversos patamares, sobre os quais está espa­lhado o aglomerado do Templo.

As pessoas da comitiva da família de Jesus entram também, cantando salmos em voz baixa. Primeiro, todos os homens, depois, as mulheres. A eles se uniram também outros, que talvez sejam de Nazaré, ou amigos que moram em Jerusalém. Não sei.

José se afasta, depois de ter, junto com os outros, adorado o Altíssimo, daquele ponto de onde os homens podiam ficar (as mulheres pararam no patamar logo abaixo) e com o Filho, José atravessa novamente os pátios, dobra para um lado, entrando numa grande sala, que parece ser uma sinagoga. Não sei como pode ser isso. Haveria sinagogas também no Templo? José fala com um levita e este desaparece atrás de uma cortina listrada, para voltar depois com uns sacerdotes anciãos, penso que são sacerdotes, certamente mestres no conhecimento da Lei, designados para examinar os fiéis.

EMF 41

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Jesus está sozinho em Jerusalém. Maria viu-o a olhar numa determinada direção, mas a visão foi muito breve. A visão recomeça mais tarde e a mística descobre o interior do Templo. Estavam lá doutores da Lei, incluindo Gamaliel, Hillel e Shammai, que discutiam a profecia de David e do Messias. Os dois primeiros defendiam que o Salvador já estava na Terra, enquanto o outro afirmava que a escravatura de Israel só tinha aumentado e que "a paz que deveria ser trazida por aquele a quem os profetas chamam 'o Príncipe da Paz' está longe de reinar sobre o mundo". Jesus intervém e declara que Gamaliel tem razão. Perguntam-lhe em que é que se baseiam e, durante algum tempo, as personagens falam da Natividade e do massacre dos Inocentes. Depois, Hillel pergunta de onde vem a sabedoria do rapaz e querem examiná-lo devidamente. É-lhe dado um pergaminho e surge o tema do Precursor. Jesus diz que ele já está na terra e que em breve precederá Cristo. Além disso, o Filho de José profetiza sobre o Reino de Deus e a realeza de Cristo, que é inteiramente espiritual. Disse mesmo que o santuário de Deus não seria mais cortado e destruído, e Hillel compreendeu as suas palavras citando outra passagem do livro de Ageu.

Gamaliel fala-lhe então da Paz de que fala o profeta e Jesus responde-lhe com as palavras do Glória: "Paz aos homens de boa vontade". Mas Israel não tem essa boa vontade, pelo que não terá a Paz e rejeitará o seu Messias. Por fim, Jesus regressa de novo ao Precursor, na sequência de uma observação de Shammai, dizendo que ele precederá em breve o Cristo. Termina dizendo que, se todos fossem como Hillel, a salvação chegaria a Israel. Hillel oferece-se para ficar com ele, mas o Menino diz que deve permanecer na solidão. E assim termina a visão.

Maria explica então como soube quem eram Hillel e Gamaliel (graças à voz do seu conselheiro interior). Por fim, Jesus dá um ditado sobre a recuperação de Jesus e Maria no Templo e a dor de Maria e José. Volta à famosa pergunta: "Meu filho, porque nos fizeste isto?"

EMF 41.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

41.1 Vejo Jesus. Já é um adolescente. Está vestido com uma túnica muito branca, que me parece de linho, comprida até os pés. Sobre ela está posto um manto retangular vermelho claro. Jesus está com a cabeça descoberta, os longos cabelos descendo até a metade das orelhas­, e mais escuros do que quando o vi menino. É um rapaz robusto, muito alto para a sua idade e que, como seu rosto está mostrando, é ainda a de um jovem.

Ele olha para mim, sorri, estendendo-me as mãos. É porém, o seu, um sorriso parecido com aquele que nele vejo quando já homem feito: doce e um tanto sério. Ele está sozinho. Por enquanto, não vejo outra pessoa. Está encostado a um muro que fica acima de uma estradinha cheia de altos e baixos, pedras e com uma cavidade ao centro, por onde certamente se forma um córrego, no tempo da chuva. Mas agora ela está seca, porque o dia está claro.

Tenho a idéia de ir-me encostar também ao muro, e de lá olhar ao redor e para baixo, como Jesus está fazendo. Estou vendo um aglomerado de casas. É um aglomerado desordenado. As casas são, umas altas, outras baixas, e foram construídas sem a preocupação de fazê-las num mesmo alinhamento. Fazendo uma comparação muito simples, mas com muita semelhança, parece um punhado de pedras brancas, jogadas sobre um terreno escuro. As ruas e vielas são como veias, no meio daquela brancura. Aqui e ali algumas árvores estendem suas copas sobre os muros. Muitas delas estão em flor, e muitas também já estão cobertas de folhas novas. Deve ser primavera.

À esquerda, para quem olhar de onde estou, há um grande aglomerado disposto em três ordens de terraços repletos de construções e torres, pátios e séries de pórticos. No centro se ergue uma construção mais alta, majestosa, com cúpulas redondas que brilham ao sol, como se estivessem cobertas de metal: cobre ou ouro. O conjunto é cercado por uma muralha guarnecida de ameias, na forma de um,

como uma fortaleza. Uma das torres é mais alta do que as outras, e está construída no fim de uma rua estreita e em aclive, dominando aquele grande aglomerado. Parece uma sentinela atenta.

Jesus olha fixamente para aquele lugar. Depois, volta à sua posição anterior, apóia as costas ao muro, como estava, olhando para um pequeno monte, na frente do aglomerado. O pequeno monte está tomado pelas casas, de alto a baixo. Vejo que ali termina uma rua com um arco, além do qual só há uma rua calçada com pedras quadrangulares, irregulares e desconexas. Não são muito grandes, não são como as pedras das estradas consulares romanas. Mais parecem as clássicas pedras das ruas de Viareggio (não sei se ainda existem aquelas pedras) colocadas sem nenhuma ligação entre si. É uma estrada ruim. O rosto de Jesus fica tão sério, que eu me ponho a procurar sobre aquele pequeno monte a causa de sua melancolia. Mas não encontro nada de especial. Vejo somente um monte despido de tudo. E basta. Enquanto isto, perco de vista Jesus, pois, quando me viro, Ele não está mais ali. Com esta visão eu adormeço.

EMF 41.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

(...) Me encontro em um lugar que eu nunca tinha visto antes. Nele há pátios e fontes, séries de pórticos e casas, ou melhor, pavilhões, pois têm mais características de pavilhões do que de casas. Há uma grande multidão de gente, vestida à antiga moda hebraica, num forte vozerio. Olhando ao meu redor, compreendo que estou dentro daquele aglomerado para o qual Jesus estava olhando, porque vejo a muralha com ameias que o rodeia, a torre que o vigia e a imponente construção, que se ergue no centro, e contra a qual vão-se estreitando os pórticos, muito bonitos e espaçosos, sob os quais há muita gente, tratando de uma coisa ou de outra.

Compreendo que estou no recinto do Templo de Jerusalém. Vejo fariseus com suas compridas vestes ondulantes, sacerdotes vestidos de linho e com uma placa preciosa na parte superior do peito e da fronte, e outros pontos brilhantes espalhados aqui e ali sobre diversas vestes muito amplas e brancas, ajustadas à cintura por um cinto precioso. Depois, vejo outros que estão menos ornados, mas que devem certamente pertencer à classe sacerdotal, e que estão rodeados por discípulos mais jovens. Compreendo que eles são os doutores da Lei. Entre todos estes personagens, eu me encontro desorientada, porque não sei ao certo o que estou fazendo aqui.

EMF 41.3-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Gamaliel, rodeado por um grupo numeroso de discípulos, fala da vinda do Messias e, apoiando-se na profecia de Daniel, sustenta que o Messias já deve ter nascido, porque já há cerca de dez anos que as setenta semanas profetizadas se completaram, desde que saiu o decreto da reconstrução do Templo. Shamai o combate, afirmando que, se é verdade que o Templo foi reedificado, também é verdade que a escravidão de Israel aumentou, e a paz, que haveria de trazer consigo Aquele que os Profetas chamavam “Príncipe da Paz”, está longe de existir no mundo, especialmente em Jerusalém, agora oprimida por um inimigo, que ousa levar a sua dominação até dentro do recinto do Templo, que está dominado pela torre Antônia, cheia de legionários romanos, prontos a reprimir com suas espadas qualquer levante de independência dos patriotas.

A disputa, cheia de cavilações, dá sinais de que irá prolongar-se. Cada um dos mestres faz ostentação de erudição, não só para vencer o rival, mas para impor-se à admiração dos ouvintes. Esta intenção é evidente.

41.4 Do numeroso grupo dos fiéis, ouve-se sair a voz jovem de um rapazinho:

– Gamaliel está certo!

Então começa um movimento no meio da multidão e do grupo dos doutores. Estão procurando quem foi que disse aquelas palavras. Mas não é preciso procurá-lo. Ele não se esconde, e vem abrindo caminho por entre a multidão, aproximando-se do grupo dos “rabinos.” Reconheço nele o meu Jesus adolescente. Ele está seguro do que diz, com aqueles seus dois olhos cintilando e cheios de inteligência. (...)

– Em que é que se baseia a tua segurança? –pergunta Hilel.

(Vou pôr os nomes antes das respostas, para abreviar e tornar-se mais claro).

Jesus:

– Na profecia, que não pode errar quanto à época e quanto aos sinais que a acompanham, quando chega o momento da verificação. É uma verdade que César nos está dominando. Mas o mundo estava tão em paz, e a Palestina em tão grande calma, quando se cumpriram as setenta semanas, que foi possível a César ordenar que se fizesse o recenseamento em seus domínios. Ele não teria podido fazer, se houvesse guerra no Império ou levantes na Palestina. Como aquele tempo se cumpriu, assim também está se cumprindo o outro tempo de sessenta e duas semanas mais uma, desde a realização do Templo, para que o Messias seja ungido e se confirme a continuação da profecia, para o povo que não o quis. Podeis ter dúvidas? Não vos lembrais que a estrela foi vista pelos Sábios do Oriente e que foi parar justamente no céu de Belém de Judá, e que as profecias e as visões, desde Jacó e após ele, indicam aquele lugar como o destinado a acolher o nascimento do Messias, filho do filho do filho de Jacó, através de Davi, que era de Belém? Não vos lembrais de Balaão? “Uma estrela nascerá de Jacó”. Os Sábios do Oriente, cuja pureza e fé tornavam abertos os seus olhos e seus ouvidos, viram a estrela e entenderam o seu nome: “Messias”, e vieram adorar a Luz que desceu ao mundo.

41.5

Shamai, com um olhar rancoroso:

– Tu dizes que o Messias nasceu no tempo da estrela, em Belém-Efrata?

Jesus:

– Eu o digo.

Shamai:

– Então, ele não existe mais. Não sabes, rapaz, que Herodes fez matar todos os meninos de um dia até dois anos de idade em Belém e nos arredores? Tu, que és tão sábio na Escritura, deves saber também isto: “Um grito se ouviu no alto… É Raquel, que está chorando os seus filhos.” Os vales e as colinas de Belém, que recolheram o pranto de Raquel, que estava morrendo, ficaram cheios de pranto, e as mães choravam também sobre seus filhos que foram mortos. Entre elas estava certamente também a mãe do Messias.

Jesus:

– Estás enganado, ó velho! O pranto de Raquel se transformou em hosana, porque lá onde ela deu à luz o “filho da sua dor”, a nova Raquel deu ao mundo o Benjamim do Pai celeste, o Filho da sua destra, Aquele que está destinado a reunir o povo de Deus sob o seu cetro, e livrá-lo da mais tremenda escravidão.

Shamai:

– E como, se Ele foi morto?

Jesus:

– Não leste a respeito de Elias? Ele foi arrebatado no carro de fogo. E não poderá o Senhor Deus ter salvo o seu Emanuel para que fosse o Messias do seu povo? Ele, que abriu o mar diante de Moisés, para que Israel passasse a pé seco para a sua terra, não terá podido mandar os seus anjos para salvarem o seu Filho, o seu Cristo, da ferocidade do homem? Em verdade, eu vos digo: o Cristo vive, e está entre vós, e, quando chegar a sua hora, Ele se manifestará em seu poder.

Jesus, ao dizer estas palavras, que eu sublinho, tem na voz um som que enche o espaço. Os seus olhos cintilam mais ainda e, com um gesto de império e de promessa, Ele estende o braço e a mão direita, e os abaixa, como fazendo um juramento. É um rapazinho, mas está solene como um homem.

Anotação

Daniel 9, 21-27: Estava eu ainda a falar em oração, quando Gabriel - o ser que eu tinha visto no início da visão - veio rapidamente ter comigo à hora da oferta da noite. Ele instruiu-me, dizendo: "Daniel, saí agora para te abrir o entendimento. Desde o início da tua súplica, surgiu uma palavra e eu vim anunciá-la a ti, pois és amado por Deus. Compreendei a palavra e procurai compreender a aparição.

Setenta semanas foram reservadas para o teu povo e para a tua cidade santa, para acabar com a perversidade e pôr fim ao pecado, para expiar a iniquidade e realizar a justiça eterna, para cumprir a visão e a profecia e para consagrar o Santo dos Santos. Conhecer e compreender! Desde o momento em que foi dada a ordem para reconstruir Jerusalém até à vinda de um messias, um líder, haverá sete semanas. Durante sessenta e duas semanas, reconstruirão as praças e os muros, mas será na angústia dos tempos. E após as sessenta e duas semanas, um messias será removido. O povo de um futuro chefe destruirá a cidade e o Lugar Santo. Depois, num dilúvio, chegará o seu fim. Até ao fim da guerra, as devastações decididas terão lugar.

Durante uma semana, esse chefe reforçará a aliança com uma multidão; durante metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta, e numa das alas do Templo estará a Abominação da Desolação, até que o extermínio decidido se derreta sobre o autor dessa desolação."

EMF 42

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Maria vê o banco do carpinteiro em Nazaré. Jesus está a trabalhar lá. Maria chega e chama o seu Filho: entram num quarto onde José está a morrer. Jesus aproxima-se do seu pai, tenta reanimá-lo e faz com que a sua Mãe se sente. Depois reza ao lado do moribundo e conforta-o. José morre tranquilamente nos seus braços, rodeado pelo seu Filho e pela sua Santíssima Esposa.

Jesus faz então um ditado e insiste no sofrimento de Maria naquele momento, porque ela amava verdadeiramente o seu José. Para encontrar força nesta prova e para dar o seu fiat, ela agarra-se a Jesus. Também ela se agarra a Deus na hora da provação.

Jesus convida-nos a fazer o mesmo e a invocá-lo na hora da nossa morte, porque, entre as suas meias, ela perde toda a sua dureza. Jesus disse por todos nós: "Senhor, nas tuas mãos entrego o meu espírito", por todos aqueles que morrem a pensar nele, para que as nossas agonias sejam aliviadas.

EMF 42.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Vejo o interior de uma oficina de carpinteiro. Parece-me que duas das paredes da oficina são formadas por paredes rochosas, como se tivesse sido aproveitada uma gruta natural, para com ela formar os cômodos da casa. Aqui estão justamente os lados norte e oeste, que são de rocha, enquanto que as duas outras paredes, do sul e do leste, são de reboco, como as nossas.

No lado norte, há uma curva côncava na superfície da rocha, que foi escavada para servir de lareira rudimentar, sobre a qual está uma panelinha com verniz ou cola, não sei bem. A lenha, queimada durante anos naquele lugar, tingiu tanto a parede, que ela parece alcatroada, de tão preta. Um buraco na parede, transposto por uma espécie de grande telha inclinada, fazia-se de chaminé aspirando a fumaça da lenha. Mas este buraco deve ter cumprido mal a sua tarefa, porque as outras paredes também estão muito enegrecidas, e no momento uma nuvem de fumaça, está sendo espalhada pela oficina toda.

EMF 42.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Entram no quarto ao lado, todo cheio da luz do sol, que entra por uma porta escancarada, que dá para um pequeno jardim cheio de luz e de verde, no qual voam pombos entre a agitação, causada pelo vento, de umas roupas que estão estendidas para secar. O quarto é pobre, mas arrumado. Há uma enxerga, coberta com pequenos colchões (eu digo pequenos colchões porque certamente são coisas altas e macias, mas não se trata de uma cama como a nossa). Sobre ela, apoiado em muitos travesseiros, está José. Está morrendo. Di-lo claramente o rosto lívido, o olhar apagado, o peito ofegante e a imobilidade do corpo todo.