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Notas da palavra-chave

Bíblia - Evangelho de Mateus

Tema: Livros do Novo Testamento · Página 6 de 7

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EMF 180.4-6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Pedro parece que está para ter um ataque de apoplexia, de tão vermelho que ficou. Ele fica calado por uns momentos, e depois diz:

– Está bem. Então, dá-me o prêmio. A parábola de hoje cedo…

Os outros também se unem a Pedro, dizendo:

– É verdade. Tu nos prometeste. As parábolas servem bem para fazer-nos compreender as comparações. Mas nós achamos que elas têm um sentido superior às comparações.

180.5

Por que falas a eles em parábolas?

– Porque não lhes foi concedido entender mais do que o que eu explico. A vós foi concedido muito mais, porque vós, meus apóstolos, deveis conhecer o mistério; e por isso vos é concedido entender os mistérios do Reino dos Céus. Por isso, Eu vos digo: “Perguntai, quando não entenderdes o sentido de uma parábola.” Vós dais tudo, e tudo vos é dado, para que, por vossa vez, possais dar tudo. Vós dais tudo a Deus: afetos, tempo, interesse, liberdade, vida. Deus tudo vos dá para compensar-vos e tornar-vos capazes de dar tudo, em nome de Deus, a quem vos seque. Assim, a quem deu, será dado com abundância. Mas a quem não deu, ou só deu parcialmente, ou não deu nada, até o que ele tem lhe será tirado.

Eu lhes falo em parábolas para que vendo, vejam apenas o que a sua vontade de aderir a Deus os faz ver. É ouvindo, sempre, por aquela mesma vontade de adesão, ouçam e compreendam. Vós estais vendo! Muitos ouvem a minha palavra, mas poucos aderem a Deus. Seus espíritos estão carentes de boa vontade. Neles se cumpre a profecia[2] de Isaias: “Ouvireis com os ouvidos, e não entendereis; olhareis com os olhos, e não vereis.” Porque este povo tem um coração insensível, duro de ouvido, e tem os olhos fechados para não verem e não ouvirem, para não entenderem com o coração e não se converterem, para que Eu os cure. Mas vós sois felizes por vossos olhos que vêem e pelos vossos ouvidos que ouvem e pela vossa boa vontade! Em verdade Eu vos digo, que muitos Profetas e muitos justos desejaram ver o que estais vendo, e não viram, ouvir o que estais ouvindo, e não ouviram. Eles se consumiram no desejo de compreender o mistério das palavras, mas, ao apagar-se a luz das profecias, eis que as palavras ficaram como carvões apagados até para o santo que as tinha recebido.

Somente Deus revela-se a Si mesmo. Quando a sua luz se retrai, tendo atingido a sua meta, que era a de fazer brilhar a luz do mistério, a incapacidade de entender cobre a real verdade da palavra recebida, como as faixas de uma múmia. Por isso é que Eu te disse hoje cedo: “Um dia virá em que encontrarás tudo o que Eu te dei.” Agora, não podes reter tudo na memória. Mas depois a luz virá sobre ti, e não só por um instante, mas por um inseparável conúbio do Espírito Eterno com o teu, pelo qual se tornará infalível o teu ensinamento no que se refere ao Reino de Deus. Assim como em ti, também nos teus sucessores, se viverem de Deus como de um único pão[3].

180.6

Agora, ouvi o sentido da parábola.

Temos quatro espécies de campos: os férteis, os espinhosos, os pedregosos e os cheios de trilhas. Temos também quatro espécies de espíritos.

Temos os espíritos honestos, os espíritos de boa vontade, preparados por ela e pelos bons trabalhos de um apóstolo, de um “verdadeiro” apóstolo; porque há apóstolos que têm o nome, mas não o espírito de apóstolos, e são mais mortíferos para as vontades em formação, do que os passarinhos, os espinhos e as pedras. Eles fazem uma tal desordem com as suas intransigências, com as suas pressas, com as suas censuras, com suas ameaças, que afastam os outros para sempre de Deus. Outros espíritos são o oposto com uma rega contínua de benignidades intempestivas, fazem murchar as sementes em um terreno frouxo demais. Com sua desvirilização, desvirilizam as almas de que cuidam. Mas fiquemos com os verdadeiros apóstolos, isto é, com os de Deus. Esses são paternais, misericordiosos, e, ao mesmo tempo, fortes como é o seu Senhor. Pois bem. Os espíritos preparados por eles e pela sua própria boa vontade, são comparáveis aos campos férteis, limpos de pedras e espinhos, sem grama e joio, e neles prospera a palavra de Deus, e toda palavra — a semente — cria haste e espiga, dando cem, ou sessenta e além ou ainda trinta por cento. Entre os que Me seguem, haverão esses? Certamente. E serão santos. Entre eles haverá pessoas de todas as castas e de todos os lugares, e até pagãos, que darão cem por cento pela sua boa vontade, unicamente por ela, pela boa vontade de um apóstolo ou discípulo que os prepara.

Os campos espinhosos são aqueles nos quais o descuido deixou penetrar os espinhosos enredos dos interesses pessoais, que sufocam a boa semente. É preciso que se vigie sempre, sempre, sempre. Não digas nunca: “Oh! Eu já estou formado, semeado, e por isso, posso ficar tranquilo, que hei de dar semente de vida eterna.” É preciso que se vigie: a luta entre o Bem e o Mal é continua. Já tereis observado uma tribo de formigas que quer fazer seu ninho em uma casa? Ora, elas estão em cima do fogão. A mulher não deixa mais as comidas lá, mas as coloca na mesa; e elas, então, farejam o ar, e vão dar um assalto à mesa. A mulher põe as comidas no guarda-comida, e elas, pelo buraco da fechadura, passam para dentro do guarda-comida. A mulher pendura no forro as suas provisões. e elas fazem um comprido trilho ao longo das paredes e dos sarrafos, descem pela corda e comem. A mulher as queima, escalda, envenena. Depois disso fica sossegada, pensando ter acabado com elas. Oh! Se não vigiar, que surpresa! Aí vêm vindo as últimas que nasceram, e vamos começar tudo de novo. Assim é, enquanto se vive. É preciso que se vigie para extirpar as plantas daninhas, logo que germinam. Caso contrário, elas formam uma coberta de espinheiros e sufocam o trigo. Os cuidados com as coisas do mundo e o engano das riquezas criam o enredo, sufocam a planta da semente de Deus, e não deixam que ela produza espiga.

Eis agora os campos cheios de pedras. Quantos haverá em Israel! São aqueles que pertencem aos “filhos das leis”, como disse o meu irmão Judas com muita exatidão. Não está neles a pedra única do Testemunho, não está a Pedra da Lei. Está o pedregal das pequenas, pobres e humanas leis criadas pelos homens. São tantas, que o seu peso transforma a Pedra da Lei em cacos. É uma ruína que impede qualquer enraizamento de semente. A raiz não é mais nutrida. Não há terra. Não há seiva. A água a faz murchar, porque está sobre um pavimento de seixos, o Sol enche de forte calor aqueles seixos, queimando as plantinhas. São os espíritos dos substituidores da simples doutrina de Deus por suas complicadas doutrinas humanas. Eles até que recebem com alegria a minha palavra. No momento ficam emocionados e seduzidos por ela. Mas depois… Precisa um esforço heróico para aplainar e limpar o campo, a alma e a mente de todo aquele pedregal de retóricos. Só assim a semente criaria raiz e se tornaria uma planta vigorosa. Mas assim como está… não produz nada. Basta um simples medo de represália humana. Basta a reflexão: “E depois? Que farão de mim os homens poderosos?” E a pobre semente, não nutrida, fica agonizante. Basta que todo aquele pedregal comece a agitar-se com seu som vazio de centenas e centenas de preceitos, que tomam o lugar do Preceito, para que o homem pereça logo junto com a semente recebida… Israel está cheio destes. Isto vem explicar-nos que ir para Deus é uma coisa que está na razão inversa da potência humana.

Finalmente, há os campos cheios de trilhas, de poeira e desnudos. São os campos dos mundanos, dos egoístas. A comodidade é a sua lei, e o prazer é o seu fim. Nada de fadiga, mas dormir, rir, comer… O espírito do mundo reina sobre estes. A poeira do mundanismo cobre o terreno deles, que se torna baldio. Os passarinhos, ou seja, as dissipações, precipitam-se sobre os mil caminhos abertos para lhes tornar mais fácil a vida. O espírito do mundo, isto é, o Maligno, bica e destrói todas as sementes que caem neste terreno, aberto a todas as sensualidades e leviandades.

Detalhe

Jesus acaba de elogiar Pedro e Simão, e o irmão de André aproveita a oportunidade para pedir uma explicação sobre a parábola do semeador.

Anotação

Dá-me a recompensa. A parábola desta manhã... Pedro recorda a Jesus a sua promessa de lhes explicar a parábola do semeador.(EMV 179.5). (Ver Mateus 13,10-11).

Evangelho de Mateus 13, 10-23

Mt 13,10-23 : Os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: "Porque lhes falas por parábolas? Ele respondeu: "A vós é dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus, mas não a eles. A quem tem, ser-lhe-á dado, e terá em abundância; a quem não tem, ser-lhe-á tirado até o que tem. Falo-lhes por parábolas, porque olham mas não vêem, e ouvem mas não ouvem nem compreendem. Assim se cumpre para eles a profecia de Isaías: Ouvireis, mas não compreendereis. Podeis olhar, mas não vereis. O coração deste povo tornou-se pesado, tornou-se duro de ouvido, fechou os olhos, para que os seus olhos não vejam, os seus ouvidos não ouçam, o seu coração não compreenda, não se converta - e eu curá-lo-ei. Mas, quanto a vós, bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem. Em verdade vos digo que muitos profetas e justos quiseram ver o que vedes e não o viram, e ouvir o que ouvis e não o ouviram.

Escutai, pois, o que significa a parábola do semeador. Quando alguém ouve a palavra do Reino sem a compreender, o Maligno vem e leva o que foi semeado no seu coração: ele é o campo semeado à beira da estrada. O que recebeu a semente em terreno pedregoso é aquele que ouve a Palavra e a recebe imediatamente com alegria; mas não tem raízes, é o homem do momento: quando vem a angústia ou a perseguição por causa da Palavra, tropeça imediatamente. Aquele que recebeu a semente nos espinhos é o que ouve a Palavra; mas os cuidados do mundo e o engano das riquezas sufocam a Palavra, e ela não dá fruto. O que recebeu a semente em boa terra é o que ouve a Palavra e a compreende: dá fruto a cem, a sessenta ou a trinta por um."

Evangelho de Marcos 4, 10-20

Mc 4,10-20 : Quando ficou sozinho, os que o rodeavam com os Doze interrogaram-no acerca das parábolas. Ele respondeu-lhes: "O mistério do Reino de Deus é-vos dado a conhecer, mas aos que estão de fora tudo é apresentado sob a forma de parábolas. E assim, como diz o profeta: "Podem olhar com todos os olhos, mas não verão; podem ouvir com todos os ouvidos, mas não compreenderão; ou então converter-se-ão e receberão o perdão".

Então ele disse-lhes: "Não compreendeis esta parábola? Então, como é que entendereis todas as parábolas? O semeador semeia a Palavra. Há aqueles que estão à beira do caminho onde a Palavra é semeada: quando a ouvem, Satanás vem imediatamente e tira-lhes a Palavra semeada. Da mesma forma, há aqueles que receberam a semente em lugares pedregosos: quando ouvem a Palavra, recebem-na imediatamente com alegria; mas não têm raiz em si mesmos, são pessoas de um momento; se vem a angústia ou a perseguição por causa da Palavra, tropeçam imediatamente. E há outros que receberam a semente nos espinhos: estes ouvem a Palavra, mas os cuidados do mundo, o engano das riquezas e todas as outras concupiscências invadem-nos e sufocam a Palavra, que não dá fruto. Mas há aqueles que receberam a semente na terra boa: ouvem a Palavra, aceitam-na e dão fruto: trinta, sessenta, cem, por um."

Evangelho de Lucas 8, 4-18

Lc 8,4-18 : Enquanto se reunia uma grande multidão e vinham ter com Jesus pessoas de todas as cidades, ele contou uma parábola: "O semeador saiu a semear e, enquanto semeava, uma parte caiu à beira do caminho. Os transeuntes pisaram-na e as aves do céu comeram-na toda. Caiu também sobre as pedras; cresceu e secou, porque não tinha humidade. Caiu também entre as silvas, e as silvas, crescendo com ela, sufocaram-na. Por fim, uma parte caiu na terra boa, e cresceu e deu cem vezes mais fruto". Enquanto dizia isto, levantou a voz: "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!

Os seus discípulos perguntaram-lhe o que significava esta parábola. Ele disse-lhes: "A vós é dado conhecer os mistérios do Reino de Deus, mas os outros só têm parábolas. Por isso, como está escrito: "Olham mas não vêem, ouvem mas não compreendem". É isto que significa a parábola. A semente é a palavra de Deus. Depois vem o demónio e tira-lhes a Palavra do coração, para os impedir de acreditar e de se salvarem. Há aqueles que estão sobre as pedras: quando ouvem, acolhem a Palavra com alegria; mas não têm raízes, acreditam por um momento e depois, no momento da prova, desistem. Os que caíram nos espinhos são as pessoas que ouviram, mas são sufocadas no caminho pelas preocupações, pelas riquezas e pelos prazeres da vida, e não atingem a maturidade. E o que caiu em terra boa são os que ouviram a Palavra com um coração bom e generoso, que a retêm e dão fruto pela sua perseverança. (...)

Cuidado com a vossa escuta. Porque a quem tem, ser-lhe-á dado; e a quem não tem, ser-lhe-á tirado até o que julga ter".

Evangelho de Lucas 10, 23-24

Lc 10,23-24 : Depois, voltando-se para os seus discípulos, disse-lhes em particular: "Felizes os olhos que vêem o que vós vedes! Porque eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que vedes e não o viram, e ouvir o que ouvis e não o ouviram.

EMF 180.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A vós foi concedido muito mais, porque vós, meus apóstolos, deveis conhecer o mistério; e por isso vos é concedido entender os mistérios do Reino dos Céus. Por isso, Eu vos digo: “Perguntai, quando não entenderdes o sentido de uma parábola.” Vós dais tudo, e tudo vos é dado, para que, por vossa vez, possais dar tudo. Vós dais tudo a Deus: afetos, tempo, interesse, liberdade, vida. Deus tudo vos dá para compensar-vos e tornar-vos capazes de dar tudo, em nome de Deus, a quem vos seque. Assim, a quem deu, será dado com abundância. Mas a quem não deu, ou só deu parcialmente, ou não deu nada, até o que ele tem lhe será tirado.

Anotação

Evangelho de Mateus 13, 10-12

Mt 13, 10-12 : Os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: "Porque lhes falas por parábolas? Ele respondeu: "A vós é dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus, mas não a eles. Àquele que tem, ser-lhe-á dado, e terá em abundância; àquele que não tem, até o que tem lhe será tirado."

Evangelho de Mateus 25, 29

Mt 25,29 : A quem tem, ser-lhe-á dado mais, e terá em abundância; mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado.

Evangelho de Marcos 4, 25

Mc 4, 25 : A quem tem, ser-lhe-á dado; mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado.

Evangelho de Lucas 8,18

Lc 8, 18 : "Portanto, tende cuidado com o que escutais, porque a quem tem, ser-lhe-á dado; mas a quem não tem, ser-lhe-á tirado até o que julga ter."

Evangelho de Lucas 19, 26

Lc 19,26: "Digo-vos que a quem tem, ser-lhe-á dado; mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado."

EMF 180.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Em verdade Eu vos digo, que muitos Profetas e muitos justos desejaram ver o que estais vendo, e não viram, ouvir o que estais ouvindo, e não ouviram. Eles se consumiram no desejo de compreender o mistério das palavras, mas, ao apagar-se a luz das profecias, eis que as palavras ficaram como carvões apagados até para o santo que as tinha recebido.

Somente Deus revela-se a Si mesmo. Quando a sua luz se retrai, tendo atingido a sua meta, que era a de fazer brilhar a luz do mistério, a incapacidade de entender cobre a real verdade da palavra recebida, como as faixas de uma múmia. Por isso é que Eu te disse hoje cedo: “Um dia virá em que encontrarás tudo o que Eu te dei.” Agora, não podes reter tudo na memória. Mas depois a luz virá sobre ti, e não só por um instante, mas por um inseparável conúbio do Espírito Eterno com o teu, pelo qual se tornará infalível o teu ensinamento no que se refere ao Reino de Deus. Assim como em ti, também nos teus sucessores, se viverem de Deus como de um único pão[3].

Detalhe

Sobre a infalibilidade papal e o ditado de Jesus, ver a anotação abaixo.

Anotação

Muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não o viram, ouvir o que ouvis e não o ouviram. Na continuidade do texto relatado por Mateus.

Mt 13, 16-17: Mas bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem. Em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não o viram, e ouvir o que ouvis e não o ouviram.

Lucas apresenta-o num outro contexto (Lc 10,24).

Lc 10, 23-24: Depois, voltando-se para os seus discípulos, disse-lhes em particular: "Felizes os olhos que vêem o que vós vedes! Porque eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que vedes e não viram, e ouvir o que ouvis e não ouviram.

Épor isso que vos disse esta manhã: " Este é o tipo de pormenor que parece insignificante, mas que é muito útil para estabelecer a cronologia.

Mais tarde, a luz virá sobre vós, não por um instante, mas por uma união indissolúvel do Espírito eterno com a vossa alma, que tornará o vosso ensino infalível em matéria de Reino de Deus. O mesmo acontecerá com os teus sucessores, como aconteceu contigo, se viverem de Deus como único pão.

Nota de maria-valtorta.org :

Esta condição colocada à infalibilidade papal deve ter dado origem a uma objeção por parte do Padre Migliorini. Maria Valtorta observa:

"Depois de ter submetido a Jesus P. M(igliorini) a objeção à infalibilidade papal, contrária à frase da p. ... ficheiro ... linha ... de ..., Jesus responde: "Respondo à tua pergunta do seguinte modo:

É verdade que a infalibilidade do Papa em matéria espiritual é uma verdade definitiva. Ela existe em cada um dos meus vigários, independentemente da sua forma de vida e do seu grau de virtude. Mas é igualmente verdade que não encontrareis um dogma definido e proclamado por Papas que estejam - notoriamente ou não - privados da minha graça. A alma que não está em estado de graça não pode estar na amizade do Espírito Santo.

Quem pensa que tal coisa é possível, está a pensar como um herege!

Deus é justo: como trata os pobres, trata os ricos, como trata o leigo, trata o Soberano Pontífice. Infelizmente, há zonas obscuras na história da minha Igreja. Querer fechar os olhos e não ver esses pontos obscuros é viver nas trevas sobre toda a Igreja, mesmo sobre os muitos tempos angelicalmente luminosos, divinamente luminosos, gloriosos da minha Igreja.

Porque também nós devemos ser sinceros nestas coisas, como eu fui com os meus apóstolos, os meus discípulos e aqueles que me seguiam. Muitas multidões, nem todas santas, nem todas mornas, nem todas perversas. Reconheci o mérito ou o demérito de cada um, dei a cada um o que merecia, sem ter em conta razões emocionais particulares. A verdade é a verdade, em todas as coisas.

Isto também é verdade no estudo da história. E no estudo da história da minha Igreja. A história, para ser história e não fábula, deve ser imparcial. As idades das trevas, aliás, são as preditas nas alusões proféticas ao pastor-ídolo e a este Sebna, prefeito do Templo (esta personagem será solenemente repetida na mensagem a Pio XII de 23 de dezembro de 1948). Que arde e queima, admito. Mas não se pode dizer "Anátema" a uma verdade.

Confiai nesta certeza: os dogmas são verdadeiros e a infalibilidade existe porque eu não concedo dogmas a quem não os merece. Era isto que estava incluído na frase que deu origem à objeção.

Estás satisfeito. Vá em paz. Dei-lhe este esclarecimento imediatamente, porque sou o autor destas palavras e, portanto, conheço-as e recordo-as, mesmo que o ditado não esteja presente".

30-6-45, 8 horas da manhã".

Encontramos a mesma ideia nas palavras de Jesus ao apóstolo Tiago, filho de Alfeu, em EMV 258.6: "Deus dará a sua luz de acordo com o grau que tiveres atingido. Deus não deixará que a luz te falte, a menos que o pecado venha e extinga a graça em ti."

Esta doutrina da infalibilidade, querida por Cristo, foi reafirmada 20 anos mais tarde na Constituição Apostólica sobre a Igreja, Lumen gentium, § 25: "Esta infalibilidade, com a qual o divino Redentor quis que a sua Igreja fosse dotada na definição da doutrina relativa à fé ou aos costumes, estende-se até ao conteúdo da Revelação divina, que deve ser guardada com veneração e fielmente exposta. O Romano Pontífice, chefe do Colégio dos Bispos, possui esta infalibilidade em virtude do seu cargo...".

Nota da segunda edição:

Se viverem de Deus como único pão: esta condição colocada à infalibilidade papal deve ter suscitado uma objeção por parte do Padre Migliorini, a quem Maria Valtorta transmitiu esta resposta de Jesus (datada de 30 de junho de 1945). Citamos as passagens principais: [...] Jesus respondeu-me: "É verdade que a infalibilidade do Papa em matéria espiritual é uma verdade definitiva. Ela existe em cada um dos meus vigários, independentemente da sua forma de vida e do seu grau de virtude. Mas é igualmente verdade que não encontrareis um dogma definido e proclamado por Papas que estejam - notoriamente ou não - privados da minha graça. A alma que não está em estado de graça não pode estar na amizade do Espírito Santo. [...] Confiai, pois, nesta certeza: os dogmas são verdadeiros e a infalibilidade existe porque eu não concedo dogmas a quem não os merece. É isto que está incluído na frase que deu origem à objeção [...]. "A mesma ideia pode ser encontrada nas palavras de Jesus ao apóstolo Tiago, filho de Alfeu, em 258.6: "Deus dará a sua luz de acordo com o grau que tiveres alcançado. Deus não deixará que a luz vos falte, a menos que o pecado extinga a graça que há em vós. "

EMF 181.3-7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Ainda neste belo tempo dos trigais que estão soltando espigas, Eu vos quero propor uma parábola, tomada dos grãos. Ouvi-a.

O Reino dos Céus é semelhante a um homem que semeou boa semente em seu campo. Mas, enquanto o homem e seus empregados dormiam, veio um inimigo dele, espalhou sementes de joio nos sulcos e foi-se embora. A princípio, ninguém percebeu nada. Veio o inverno com as chuvas e as geadas, veio o fim do mês de Tebet, e as sementes germinaram. Era um verdor de grandes folhas tenras, que mal tinham despertado. Em sua infância inocente, pareciam todas iguais. Veio o mês de Shebat, depois o de Adar, e as plantas se formaram, e começaram a mostrar suas espigas. Aí é que se viu que aquele verdor não era só do trigo, mas também do joio, que estava bem enroscado, com seus tentáculos, fininhos e pegajosos, nas hastes do trigo.

Ao verem isso, os empregados foram, à casa do patrão e lhe disseram: “Senhor, que semente foi que semeaste? Não foi uma semente escolhida, separada de quaisquer outras sementes?”

“Certamente. Eu escolhi os grãos todos iguais em suas formas. E, se houvesse outras sementes, eu as teria visto.”

“Como é, então, que nasceu tanto joio no meio do trigo?”

O patrão pensou, depois disse: “Algum inimigo meu fez isso para prejudicar-me.”

Os empregados ainda lhe perguntaram: “Não queres que nós vamos por entre os sulcos e, com paciência, apanhemos as espigas do joio e arranquemos? Manda, que iremos.”

Mas o patrão lhes respondeu: “Não. Vós poderíeis, ao fazer o que dizeis, arrancar junto o trigo e, certamente, ofenderíeis as espigas ainda tenras. Deixai, pois que um e outro fiquem juntos até o fim da colheita. Naquela ocasião, eu direi aos ceifadores: ‘Passai a foice em tudo junto; depois, antes de amarrar os feixes, agora que a secura do tempo tornou quebradiças as hastes do joio e que, ao mesmo tempo já estão bem formadas e duras as espigas, agora, sim, separai o joio do trigo, e fazei com ele uns feixes à parte. Vós os queimareis depois, e eles vão servir de adubo para o solo. Ao mesmo tempo, vós levareis o trigo puro para os celeiros, e ele vai servir para se fazer um pão muito bom, e para humilhar o inimigo, que só terá ganhado isto: ficar abjeto aos olhos de Deus pelo seu ódio’.”

Agora, refleti entre vós como frequentemente acontece, e como é grande a semeadura do Inimigo em vossos corações. Compreendei como é preciso vigiar, com paciência e constância, para fazer que seja pouco o joio que se misture ao trigo escolhido. O destino do joio é ser queimado. Quereis vós ser queimados, ou tornar-vos cidadãos do Reino? Pois bem. Que saibais sê-lo. O bom Deus vos dá a Palavra. O Inimigo está vigiando para torná-la nociva, porque a farinha de trigo misturada com a farinha de joio dá um pão amargo que faz mal ao estômago. Saibais, com boa vontade, se houver joio em vossa alma, separá-lo para jogá-lo fora, a fim de que não sejais indignos de Deus.

Ide, meus filhos. A paz esteja convosco.

181.4

As pessoas se afastam lentamente. No pequeno jardim ficaram os oito apóstolos com Elias, seu irmão, a mãe e o velho Isaac, que sente a alma alimentar-se, quando olha para o seu Salvador.

– Vinde ao Meu redor, e ouvi. Eu vos explico o sentido completo da parábola, que tem ainda dois aspectos, além daquele de que Eu falei à multidão.

Num sentido universal, a parábola tem esta aplicação: o campo e o mundo. A semente boa são os filhos do Reino de Deus, semeados por Deus sobre o mundo, à espera de chegarem ao seu limite, quando serão cortados pela Falcífera, e levados ao Dono do mundo, para que entrem novamente em seus celeiros. O joio são os filhos do Maligno, espalhados, por sua vez, pelo campo de Deus, com a intenção de causar tristeza ao Dono do mundo e de estragar as espigas de Deus. O Inimigo de Deus o semeou de propósito, através de um sortilégio, porque o diabo verdadeiramente desnatura o homem, até fazer dele uma criatura sua, que semeia, para tirar do caminho a outros, que ele ainda não foi capaz de tornar seus escravos. A colheita, ou melhor, a formação dos feixes e o transporte dos mesmos até os celeiros é o fim do mundo. Os que fazem essa tarefa são os anjos. Foi mandado a eles que reúnam as criaturas cortadas, e separem o trigo do joio e, como na parábola ele é queimado. Assim serão queimados no fogo eterno no Juízo Final os condenados.

O Filho do homem mandará que sejam tirados do seu Reino todos os causadores de escândalos e de iniquidades. Porque então o Reino será no Céu e na terra, e entre os cidadãos do Reino na terra estarão misturados muitos filhos do Inimigo. Estes atingirão, como foi dito[1] também pelos Profetas, a perfeição do escândalo e da abominação em todos os ministérios da terra, e darão grandes aborrecimentos aos filhos do espírito. No Reino de Deus, nos Céus, já terão sido expulsos os corruptos, porque a corrupção não entra no Céu. Agora, pois, os Anjos do Senhor e, impunhando a foice por entre as fileiras da última colheita, cortarão e separarão o trigo do joio, e jogarão este na fornalha ardente, onde há choro e ranger de dentes, mas levando consigo os justos, o trigo escolhido, para a Jerusalém Eterna, onde eles brilharão como sóis no Reino de meu e vosso Pai.

181.5

Isto, no sentido universal. Mas para vós há um outro ainda, e vem responder às perguntas que, especialmente como ontem à tarde, costumais fazer. Vós estáveis perguntando a vós mesmos: “Mas, então, no meio do grupo dos discípulos pode existir traidores?”, e tremeis de horror e de medo em vossos corações. Eles podem existir. Disso Eu estou certo.

O Semeador espalha a boa semente. Neste caso, mais do que espalhar, poder-se-ia dizer que ele “colhe.” Porque o Mestre, que seja Eu ou que tenha sido o Batista, havia escolhido os seus discípulos. Como foi que houve extraviados? Não, mas pelo contrário, eu falei mal quando chamei os discípulos de sementes. Vós poderíeis entender-me mal. Eu vou chamá-los, então de “campo.” Tantos discípulos, tantos campos escolhidos pelo Mestre para formarem a área do Reino de Deus, os bens de Deus. Com esses o mestre se afadiga, para cultivá-los, a fim de que produzam cem por cento. Ele toma todos os cuidados. Todos. Com paciência. Com amor.Com sabedoria. Com canseiras. Com constância. Ele olha também as tendências más deles. A aridez e cobiça deles. Vê as teimosias e as fraquezas deles. Mas, fica esperando, espera sempre, e fortalece a sua esperança com a oração e a penitência porque os quer levar à perfeição.

Mas os campos estão abertos. Não são um jardim fechado, cercado por muros como uma fortaleza, do qual só o mestre é o dono, e no qual só ele pode penetrar. Estão abertos. Colocados no centro do mundo, no meio do mundo e todos podem aproximar-se deles, todos podem entrar neles. Todos e tudo. Oh! Oh! Mas não é só o joio que é a semente má semeada. O joio: este poderia ser o símbolo da leviandade amarga do espírito do mundo. Mas aí nascem, lançados pelo Inimigo, todas as outras sementes. Aí estão as urtigas. Aí as tiriricas. Aí as cuscutas. Aí os cipós-chumbo. Aí, enfim as cicutas e os tóxicos. Por quê? Por quê? Que são eles?

As urtigas: são os espíritos irritantes, indomáveis, que ferem, por uma superabundância de venenos, e causam tanto mal-estar. As tiriricas significam os parasitas que esgotam o mestre, pois só sabem rastejar e sugar, aproveitando-se do trabalho dele e prejudicando aos cheios de vontade, que certamente colheriam maiores frutos, se seu mestre não fosse perturbado e distraído pelos cuidados que dele exigem as tiriricas. Os cipós-chumbo, inertes, que só se levantam do chão, aproveitando-se do trabalho dos outros. As cuscutas são um tormento no caminho, já difícil, do mestre, e um tormento para os discípulos fiéis que o acompanham. Elas se agarram a nós, espetam, ferem, arranham, só causam desconfiança e sofrimento. Os tóxicos: são os delinquentes que estão entre os discípulos, aqueles que chegam a trair e a apagar a vida, como a cicuta e outras ervas venenosas. Por acaso, já tereis visto como elas são bonitas com as suas florzinhas, que depois se transformam em bolinhas brancas, vermelhas ou roxo azuladas? Quem diria que aquela corola estrelada, cândida ou levemente rosada, com seu coraçãozinho de ouro, quem haveria de dizer que aqueles corais de todas as formas, tão parecidos com aquelas frutinhas que são a delícia dos passarinhos e das crianças, sejam capazes de, quando maduras, dar a morte? Ninguém. Mas os inocentes aí caem. Crêem que todos são bons como eles… colhem os frutos, comem e morrem.

Acham que todos são bons como eles! Oh! que verdade que sublima o mestre e condena o seu traidor! Como? A bondade não desarma? Não torna inofensivo o querer-mal? Não. Não o torna mais assim, porque o homem, que tombou como presa do Inimigo, tornou-se insensível a tudo o que é superior. E tudo o que é superior muda de aspecto para ele. A bondade é vista como uma fraqueza, em que é permitido pisar, e refina sua má vontade, refina o desejo de degolar, como, em uma fera, só o sentir cheiro do sangue. Também o mestre é sempre um inocente, e deixa que seu traidor o envenene, porque não quer e não deixa os outros pensar que um homem seja capaz de dar a morte a quem é inocente.

181.6

Dos discípulos, que são os campos do mestre, é que vêm os inimigos. E são muitos. O primeiro é satanás. Os outros são os servos dele, isto é, os homens, as paixões, o mundo e a carne. Aí está o discípulo mais fácil de ser atingido por eles, porque ele não está completamente ao lado do Mestre, mas está em cima do muro, entre o Mestre e o mundo. Ele não sabe, não quer separar-se completamente das coisas do mundo, da carne, das paixões e do demônio, para estar completamente com quem o leva para Deus. Sobre ele o mundo e a carne, as paixões e o demônio espalham suas sementes. O ouro, o poder, a mulher, o orgulho, um medo de ser mal julgado pelo mundo e um espírito de utilitarismo. “Os grandes é que são os mais fortes. E por isso eu os sirvo, para tê-los como amigos.” E se tornam delinquentes e condenados por causa de coisas tão mesquinhas!…

Por que o Mestre, que está vendo a imperfeição do discípulo, ainda que não queira render-se a este pensamento: “Este vai ser o meu matador”, não o elimina imediatamente do meio dos discípulos? Isto vós perguntais:

Porque é inútil fazer isso.. Se o fizesse não impediria que ele continuasse seu inimigo e agora dupla e prontamente seu inimigo, pela raiva ou pela dor de ter sido descoberto, ou por ser expulso. Dor. Sim. Porque às vezes o mau discípulo não percebe que o é. É tão sutil a obra do demônio, que ele nem a percebe. Ele fica endemoninhado, sem nem suspeitar de que está sendo submetido a essa operação. Raiva. Sim. Raiva por estar sendo conhecido pelo que realmente é, quando ele não está inconsciente do trabalho de satanás, e de seus adeptos: são os homens que tentam o fraco em suas fraquezas, para tirar do mundo o santo, que, só por sua santidade, comparada às maldades deles, já os ofende. E, então, o santo ora e se abandona a Deus. “O que Tu permites se faça, seja feito”, diz ele. Somente acrescenta esta cláusula: “Contanto que sirva para o teu fim.” O santo sabe que virá a hora em que serão expulsos de suas colheitas os joios daninhos. Por quem? Pelo mesmo Deus, que não permite nada além do que é útil para o triunfo de sua vontade de amor.

181.7

– Mas, se Tu admites que sempre é satanás e os adeptos dele… parece que a responsabilidade do discípulo diminua –diz Mateus.

– Nem penses nisso. Se o Mal existe, existe também o Bem. E existe no homem o discernimento e, com ele, a liberdade.

– Tu dizes que Deus não permite nada além de tudo o que é útil para o triunfo de sua vontade de amor[2]. Portanto, também esse erro é útil, se Ele o permite, e serve para um triunfo da vontade divina

–diz Iscariotes.

– E tu argumentas, como Mateus, que isto justifica o delito do discípulo. Deus havia criado o leão sem ferocidade e a serpente sem veneno. Agora, um é feroz e a outra venenosa. Mas Deus os separou do homem por isso. Medita sobre isso e tira as conclusões.

Anotação

Nesta bela época do ano, em que as espigas de trigo se estão a formar, gostaria de sugerir uma parábola emprestada do grão de trigo. Escutem-na. A parábola do trigo e do joio é contada brevemente em Mateus 13,24-30 (ver abaixo). Na EMV 575.7, Jesus recorda esta parábola a João e a Tiago.

No fim do mês de Tebet, o trigo germinou e viu-se o verde tenro do joio que começava a crescer. No fim do mês de Tebet: início de janeiro; Shebat corresponde a janeiro/fevereiro, Adar a fevereiro/março. Ver o calendário para os meses e as explicações dadas aqui para o ano.

Vimos então que o verde não era apenas o grão, mas que havia também ervas daninhas enroladas com as suas gavinhas finas e tenazes à volta dos caules do trigo. O nome botânico do azevém é Lolium, próximo do Loglio italiano usado por Maria Valtorta. No entanto, a Vulgata utiliza a palavra Zizania (de onde provém a expressão semer la zizanie). Em latim, este termo pode ser genérico e designar uma erva daninha de acordo com o seu significado siríaco (Zizon) de onde provém. Os agrónomos chamam "ervas daninhas" a estas plantas indesejáveis e invasoras. Ver o comentário ao capítulo 181 em maria-valtorta.org(Pro e contro Maria Valtorta, La disputa tra Mir et Gregori, página 189 e seguintes).

Havia também o joio, que se enroscava nos pés de trigo, com as suas gavinhas finas e tenazes. Entre as "ervas daninhas" que Jesus menciona mais tarde, há várias plantas com gavinhas, como a trepadeira e a cuscuta da Palestina. Compreendemos que Jesus nos pede para não as arrancarmos, com receio de arrancarmos ao mesmo tempo o bom grão.

O inimigo está atento para o tornar nocivo, porque a farinha de grão misturada com a farinha de joio faz um pão amargo, prejudicial aos intestinos. (...) Agora, todas as outras sementes foram lançadas pelo inimigo e estão a germinar: aqui estão as urtigas, a erva-dos-prados, a cuscuta, a trepadeira, a cicuta e as ervas venenosas. A cuscuta tem propriedades laxantes e a trepadeira é um purgante suave. A farinha de azevém comum, misturada em pequenas quantidades com a farinha de trigo, impede a ação das leveduras. Quanto aos problemas intestinais mencionados por Jesus, devem ser causados pela cuscuta ou pela trepadeira, ou por outro tipo de azevém que não o azevém comum, que é por vezes utilizado como planta forrageira.

Estes atingirão, como anunciam os profetas, a perfeição do escândalo e da abominação em toda a sua atividade terrena. Por exemplo: Deuteronómio 9, 27; 11, 31.36; 12, 11.

Dt 9,27: Lembra-te dos teus servos, Abraão, Isaac e Jacob; não olhes para a teimosia deste povo, para a sua maldade e para o seu pecado.

Não encontrámos nenhum versículo convincente nas outras referências dadas.

Eis, portanto, o sentido universal: Jesus já tinha comentado o sentido da parábola na sua catequese de 27 de outubro de 1943.

Podeis perguntar: "Mas pode haver traidores entre os discípulos? "Ver o capítulo anterior, em EMV 180.8. A traição de um dos discípulos de João Batista, que levou à prisão do profeta, causou grande agitação.

Todas as outras sementes foram aí lançadas pelo inimigo: urtigas, erva-dos-prados, cuscuta, trepadeira, cicuta e ervas venenosas. A cuscuta palaestina é um parasita que envolve as plantas com numerosas ventosas. Ver conhecimentos botânicos notáveis.

Já alguma vez viste como são bonitas, com as suas pequenas flores que se transformam em bolinhas brancas, vermelhas, azuis e roxas? Bolinhas vermelhas: agridoce (Solanum dulcamara). Pensa-se que as suas bagas provocam dores abdominais, vómitos e dores de cabeça. Encontram-se no sul da Eurásia.

Bolas violeta-azuladas: É o caso da corriara myrtifolia (corriara myrtifolia). Os seus frutos azul-arroxeados são apetitosos, mas provocam uma intoxicação alcoólica nas manadas que os comem. Em certas condições, podem ser fatais. No entanto, esta planta só é comum no Mediterrâneo ocidental. O mesmo pode acontecer com a briónia dióica (Bryonia dioica). Planta trepadeira com gavinhas, pode provocar dermatites de diferentes graus de irritação em contacto com a pele. A ingestão de partes da planta (bagas, raiz) provoca vómitos e diarreia, podendo ter consequências graves (delírio, cãibras, etc.). Algumas dúzias de bagas de cores atraentes são suficientes para matar uma criança.

As pessoas boas acreditam que os outros são tão bons como elas! Ah, que verdade que eleva o mestre e condena aqueles que o traem! Durante a releitura do texto datilografado pelo padre Migliorini, Maria Valtorta anotou neste ponto "Trabalhar para redimir com bondade, trabalhar sem esperanças nem ilusões, por puro desejo de cumprir ao máximo o próprio dever, trabalhar para que os outros não percebam que este é mau, para que não o odeiem... Que lição divina o Divino Mestre dá aos guias espirituais e a todos os cristãos!"

"Deus não permite que nos oponhamos ao triunfo da sua vontade amorosa mais do que é útil". Numa folha inserida na cópia dactilografada, Maria Valtorta escreveu:

"Deus deu ao homem o intelecto para compreender, a razão para se orientar como criatura razoável, a consciência para aconselhar, a lei para saber regular-se, a liberdade para merecer o que quiser merecer: Deus e a glória, ou o inferno e a condenação.

Além disso, deu-lhe a graça, ou a predestinação à graça, para que esta seja um estímulo, ou um meio, de elevar as coisas abaixo enumeradas a um nível capaz de lhe dar um santo gosto pelo sobrenatural e por Deus.

Ora, no homem inteligente, razoável, consciente, livre e, sobretudo, instruído na Fé, conhecedor do seu fim último e da Lei divina, só deve haver as acções que a Lei prescreve e que o conhecimento do fim incita a praticar, tal como a razão e a consciência as indicam como boas para todos, mesmo para os que não conhecem a religião revelada, a fim deobter a recompensa eterna que o intelecto humano, tanto mais quando é iluminado pela Graça, é infinitamente superior a todas as concepções que um crente possa imaginar.

Mas acontece por vezes que o homem, agindo contra a razão, transforma a sua liberdade num jugo da mais cruel das escravidões: a do demónio e do pecado, preferindo o Mal ao Bem.

Mesmo que Deus permita que o homem faça o que quiser por sua livre vontade, para o julgar e confirmar na graça ou para julgar que merece castigo, nada diminui a culpa do homem. Com efeito, se é verdade que o homem, sob o impulso de Deus ou sob a instigação de Satanás, pode fazer o bem ou o mal, não é menos verdade que o homem deve seguir apenas Deus e os seus convites amorosos, pois é dele que recebeu todos os dons naturais, morais e sobrenaturais capazes de o tornar filho de Deus, herdeiro do Reino."

Evangelho de Mateus 13, 23-30; 36-43

Mt 13, 23-30; Mt 13, 36-43: O que recebeu a semente em boa terra é aquele que ouve a Palavra e a compreende: dá fruto à razão de cem, ou de sessenta, ou de trinta por um." E contou-lhes outra parábola: "O Reino dos Céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo. Mas, enquanto o povo dormia, veio o seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi-se embora. Quando o pé cresceu e deu uma espiga de trigo, apareceu também o joio. Os servos do patrão foram ter com ele e disseram-lhe: "Senhor, não é este o bom trigo que semeaste no teu campo? De onde veio o joio? Ele respondeu-lhes: "Foi um inimigo que fez isto." Os servos perguntaram-lhe: "Queres que vamos lá tirá-lo?" Ele respondeu: "Não, se tirardes o joio, correis o risco de arrancar o trigo ao mesmo tempo. Deixai-os crescer juntos até ao tempo da colheita; e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: "Tirai primeiro o joio, atai-o em molhos para o queimar; quanto ao trigo, recolhei-o para o levar para o meu celeiro.""

Depois deixou as multidões e voltou para casa. Os seus discípulos aproximaram-se e disseram-lhe: "Explica-nos claramente a parábola do joio no campo. Ele respondeu-lhes: "O Filho do Homem é aquele que semeia a boa semente; o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do Reino; o joio são os filhos do Maligno. O inimigo que a semeou é o demónio; a colheita é o fim do mundo; os ceifeiros são os anjos. Tal como o joio é levado e lançado ao fogo, assim será no fim do mundo. O Filho do Homem enviará os seus anjos, que tirarão do seu reino todos os que causam tropeço e todos os que praticam o mal, e lançá-los-ão na fornalha, onde haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça!

EMF 185.1-6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

185.1 Agora que todos estão dormindo, eu vou lhe contar a minha alegria.

Eu “vi” o Evangelho de hoje. Imagine que esta manhã, ao lê-lo, eu disse a mim mesma: “Eis um episódio evangélico que eu nunca chegarei a ver, porque ele pouco se presta para ser objeto de uma visão.” Ao contrário, quando menos eu estava pensando nele, justamente ele é que veio encher-me de alegria.

185.2 Eis aqui o que vi.

Um barco à vela, não grande demais, mas também não pequeno, um barco de pesca, dentro do qual poderiam comodamente mover-se cinco ou seis pessoas, vai sulcando as águas de um belo lago de uma cor azul intensa.

Jesus está dormindo na popa. Está vestido de branco, como de costume. Está com a cabeça encostada no braço esquerdo e, por baixo do braço e da cabeça, colocou o seu manto azul-escuro, dobrado em muitas dobras. Está sentado (não deitado) no fundo do barco, apoiando a cabeça naquela parte do tablado, que fica na extremidade da popa. Não sei que nome lhe dão os marinheiros. Dorme tranquilamente. Está muito cansado. Está tranquilo.

Pedro está no timão, André se encarregou das velas, João e mais dois outros, que eu não sei quem são, estão pondo em ordem as amarras e as redes no fundo do barco, como se tivessem a intenção de preparar-se para uma pesca, talvez à noite. Eu diria que já está chegando a tarde, pois o sol já vai descendo no ocidente. Os discípulos todos estão com as suas túnicas sungadas, fazendo que elas fiquem parecendo bolsas ao redor da cintura, presas por meio de um cinto, a fim de que eles possam ficar mais livres em seus movimentos,e para poderem passar para cá e para lá pelo barco, por cima dos remos e dos bancos, dos cestos e das redes, sem que as vestes os estorvem. Todos tiraram os seus mantos.

185.3 Vejo que o céu está escurecendo e que o sol vai-se escondendo atrás de nuvens negras de temporal, que apareceram de repente, surgindo por detrás da extremidade de uma colina. O vento as impele velozmente para o lago. Por enquanto, o vento está alto e o lago ainda se conserva tranquilo, só que vai ficando mais escuro e sua superfície começa a enrugar-se. Ainda não se formaram ondas, mas as águas já começam a encrespar-se.

Pedro e André observam o céu e o lago e predispõem as manobras para o acostamento à margem.

Mas o vento irrompe sobre o lago e, em poucos minutos, tudo ferve e espuma. São ondas, que se chocam umas contra as outras, que batem contra o barco, levam-no até o alto e o tornam a baixar, torcem-no para todos os lados, impedem as manobras com o timão, ao mesmo tempo que o vento não deixa que se possa fazer uso da vela, que é arriada.

Jesus dorme. Nem os passos dos apóstolos, nem suas vozes excitadas, e nem mesmo o chocar-se das ondas contra os lados e a proa, conseguem despertá-lo. Seus cabelos esvoaçam ao vento e alguns borrifos de água o atingem. Mas Ele dorme. João, da proa, vai correndo até a popa e o cobre com seu manto, que ele tirou de debaixo do tablado. E o cobre com um delicado amor.

A tempestade se torna cada vez mais perigosa. O lago está escuro, como se nele se tivesse derramado tinta, estriado pela espuma das ondas. O barco começa a encher-se de água e cada vez mais e é empurrado pelo vento para o mar alto. Os discípulos suam nas manobras e no jogar fora do barco a água que as ondas nele despejam. Mas nada adianta. Chapinham com suas pernas até a metade dentro d’água e a barca vai ficando cada vez mais pesada.

185.4 Aí Pedro perde a calma e a paciência. Entrega a seu irmão o timão e, cambaleando, vai até Jesus, e o sacode vigorosamente.

Jesus acorda e levanta cabeça.

– Salva-nos, Mestre, estamos para perecer! –lhe grita Pedro (é preciso gritar para se fazer ouvir).

Jesus olha fixamente para o seu discípulo, olha para os outros, e depois olha para o lago.

– Crês que Eu vos possa salvar?

– Vamos logo, Mestre –grita Pedro, enquanto uma verdadeira montanha de água, que veio lá do centro do lago, se dirige velozmente para o pobre barco. Parece mais uma tromba d’água, de tão alta e espantosa que é.

Os discípulos, que a estão vendo chegar, se ajoelham e se agarram onde e como podem, certos de que já chegou o seu fim.

Jesus se levanta. Fica de pé sobre o tablado da proa. É uma figura toda de branco sobre a cor de chumbo da tempestade. Ele estende os braços para o vagalhão, e diz ao vento:

– Firma-te e cala-te

E à água:

– Aquieta-te. Eu o quero.

E o vagalhão se desfaz em espuma, que cai sem fazer nenhum mal, dando um último rugido, que vai se atenuando até tornar-se um leve murmúrio, enquanto que o vento se transformava em um assobio e, depois, num último suspiro. E, sobre o lago, agora em paz, volta a serenidade do céu, a esperança e a fé nos corações dos discípulos.

Não posso descrever a majestade de Jesus. É necessário vê-la para a compreender. Com alegria a contemplo em meu interior, porque me está presente neste momento e fico pensando como era tranquilo aquele sono de Jesus e quão poderoso o seu império sobre os ventos e as ondas!

185.5 Jesus diz depois:

– Eu não comento para ti o Evangelho, no sentido em que todos o comentam. Eu te esclareço sobre o que vem antes da passagem evangélica. Por que é que Eu estava dormindo? Será que Eu não sabia que a borrasca estava para desabar? Sim, Eu o sabia. Só Eu o sabia. E, então por que dormia?

Os apóstolos eram homens, Maria. Animados de boa vontade, mas ainda tão “homens.” O homem se crê sempre capaz de tudo. E, quando ele é realmente capaz de uma coisa, age com uma conduta muito briosa e arrogante, confiando em sua “capacidade.” Pedro, André, Tiago e João eram bons pescadores e, por isso, se julgavam insuperáveis nas manobras como marinheiros. Eu para eles era um grande Rabi; mas, como marinheiro, era um nada.

Por isso Me julgavam incapaz de ajudá-los e, quando subiam ao barco, para atravessar o Mar da Galileia, me pediam sempre que ficasse sentado, pois Eu não era capaz de fazer nenhuma outra coisa. É verdade que também o afeto deles era causa disso, porque não queriam que Eu me cansasse em trabalhos braçais. Mas a arrogância deles por sua capacidade superava até o seu afeto. Eu não me imponho, Maria, a não ser em casos excepcionais. Geralmente, Eu vos deixo livres, e espero. Naquele dia, cansado e tendo-me eles sugerido que descansasse, isto é,que deixasse que eles fizessem as manobras, pois eles tinham tanta prática, então Eu me pus a dormir. Ao meu sono estava misturada também a constatação de como o homem é “homem” e quer fazer tudo por si mesmo, sem perceber que Deus nada pede, a não ser ajudá-lo. Eu via naqueles “surdos espirituais”, naqueles “cegos espirituais” todos os surdos e cegos do espíritos, que, através de séculos e mais séculos, se arruinariam “por quererem fazer tudo por si mesmos”, quando eles tinham a Mim, inclinado sobre as necessidades deles, à espera de ser chamado por eles, para ajudá-los.

Quando Pedro gritou: “Salva-nos!”, minha angústia cessou, como cai uma pedra que se solta no ar. Eu não sou “homem”, sou o Deus-Homem. Não atuo como vós atuais. Vós, quando alguém rejeitou vosso conselho ou vossa ajuda, e o vedes depois em dificuldades, ainda que não sejais tão maus para vos alegrardes com aquilo, sempre o sois para ficardes desdenhosamente indiferentes olhando para ele, sem vos comoverdes com o seu grito de ajuda

E, com este modo de proceder, vós lhe estais querendo dizer: “Quando eu queria te ajudar, tu não o quiseste? Pois agora, vira-te!” Mas Eu sou Jesus. Sou o Salvador. E, de fato, Eu salvo, Maria. Salvo sempre, mal Me invocam.

185.6 Os pobres homens poderiam objetar: “E então, por que permites que se formem tempestades isoladas ou generalizadas?”

Se Eu, com o meu poder destruísse o Mal, qualquer que ele fosse, vós chegaríeis a acreditar que sois autores do Bem, o que na realidade seria um dom meu, e nunca mais vos lembraríeis de Mim. Nunca mais. Tendes necessidade da dor, ó meus pobres filhos, para fazer-vos lembrar de que tendes um Pai. Foi assim que aconteceu com o filho pródigo, que só se lembrou de que tinha um pai, quando a fome o afligiu.

As desventuras servem para que persuadidos do vosso nada: da vossa insensatez, que é a causa de tantos erros, da vossa maldade, que é causa de tantos lutos e dores; das vossas culpas, causa de punição, que dais a vós mesmos; e da Minha existência, do meu poder e da Minha bondade. Isto é o que vos diz o Evangelho de hoje. É o “vosso” Evangelho da presente hora, meus pobres filhos.

Chamai-Me. Jesus só dorme quando está angustiado, ao ver-se não amado por vós. Chamai-Me e virei.

[…].

Anotação

Agora que todos estão a dormir, gostaria de partilhar convosco a minha alegria. Eu "vi" o Evangelho de hoje. As catequeses diárias de Maria Valtorta, registadas na série dos "Cadernos", começaram em abril de 1943, mas as visões do Evangelho só começaram verdadeiramente em janeiro de 1944. Esta é, portanto, uma das primeiras visões. Lembrem-se que não estão por ordem cronológica.

Jesus está a dormir na popa. Na popa do barco.

Jesus levanta-se, de pé na prateleira da proa. O seu rosto branco destaca-se da tempestade lívida. Estende os braços para as ondas e diz ao vento: "Pára e cala-te" e à água: "Acalma-te. Quero que te acalmes. Segundo M.L., um leitor, este episódio da tempestade acalmada pode ser comparado com o Salmo 106 (hebraico 107), 23-30. Esta ligação deve ter estado depois presente no espírito dos apóstolos que, tal como os seus contemporâneos, conheciam de cor os Salmos. Este facto vem iluminar ainda mais os comentários de Jesus a Maria Valtorta.

Evangelho de Mateus 8, 23-27

Mt 8, 23-27: Quando Jesus entrou no barco, os seus discípulos seguiram-no. E eis que o mar ficou tão agitado que o barco foi coberto pelas ondas. Mas Jesus estava a dormir. Os discípulos foram ter com ele e acordaram-no, dizendo: "Senhor, salva-nos! Senhor, salva-nos! Estamos perdidos! Mas ele respondeu-lhes: "Porque temeis tanto, homens de pouca fé? Então Jesus levantou-se e repreendeu os ventos e o mar, e fez-se uma grande bonança. As pessoas ficaram admiradas e disseram: "Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?

Evangelho de Marcos 4, 37-41

Mc 4,37-41 : Houve uma tempestade violenta. As ondas batiam contra o barco, que já estava a encher-se. Jesus estava a dormir na almofada da popa. Os discípulos acordaram-no e disseram-lhe: "Mestre, estamos perdidos; não te importas? Despertado, ameaçou o vento e disse ao mar: "Silêncio, cala-te!" O vento amainou e fez-se uma grande calma. Jesus disse-lhes: "Porque tendes tanto medo? Ainda não tendes fé? Eles ficaram com muito medo e diziam uns aos outros: "Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?

Evangelho de Lucas 8, 23-25

Lc 8, 23-25 : Enquanto navegavam, Jesus adormeceu. O lago foi invadido por uma tempestade. Ficaram submersos e em grande perigo. Os discípulos foram ter com ele e acordaram-no, dizendo: "Mestre, mestre! Estamos perdidos! E ele acordou e repreendeu o vento e as ondas turbulentas. As ondas acalmaram-se e houve paz. Então Jesus perguntou-lhes: "Onde está a vossa fé? Cheios de medo, ficaram espantados e diziam uns aos outros: "Quem é este que dá ordens até aos ventos e às ondas, e eles obedecem-lhe?

EMF 186.2.5-8 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus, tendo atravessado o lago de noroeste para sudeste, recomenda a Pedro que faça o desembarque perto de Hipos. Pedro obedece sem discutir, descendo com a barca até a foz de um riozinho, que a primavera e o último temporal fizeram que ficasse cheio e barulhento, e que desemboca no lago, passando por uma garganta áspera e rochosa, como é a costa toda nesta região. Os empregados cuidam da segurança das barcas — há um deles em cada barca — e recebem a ordem de ficarem esperando até a tarde, para voltarem a Cafarnaum.

– E ficai como peixes com quem vos interroga –aconselha Pedro–. A quem vos perguntar onde está o Mestre, respondei firmes: “Eu não sei.” E a quem quiser saber para onde Ele foi, dizei o mesmo. Tudo é verdade. Vós não sabeis.

Separam-se, e Jesus começa a subida por um íngreme caminho, que cada vez mais se eleva, por entre os rochedos, até ficar quase a pino. Os apóstolos o acompanham por aquele caminho difícil, até chegarem ao alto da escarpa, que se estende por um planalto coberto de carvalhos, debaixo dos quais muitos porcos estão pastando.

– Que animais fedorentos! –exclama Bartolomeu–. Eles nos impedem a passagem…

– Não. Não nos impedem. Há lugar para todos –responde calmamente Jesus.

Afinal, os guardas dos porcos, vendo os israelitas, procuram juntar os animais debaixo dos carvalhos, deixando livre o caminho. E os apóstolos passam, fazendo mil caretas, por entre as sujeiras deixadas pelos porcos, que estão continuamente fuçando, já bem gordos e procurando engordar ainda mais.

Jesus passou, sem conversar com ninguém, mas apenas dizendo aos pastores da manada:

– Deus vos pague por vossa gentileza.

Os guardas, pobre gente pouco menos suja do que os seus porcos, mas, em compensação, muito mais magra do que eles, estão olhando, espantados, o que está acontecendo e depois cochicham entre eles. Um deles diz:

– Não é israelita?

E a isto os outros respondem:

– Não estás vendo as vestes com franjas?

O grupo dos apóstolos se reúne, agora que todos já podem andar em grupo, indo por uma vereda bem mais larga. (...)

186.5

– (...) Mas que desmoronamento é este?

Todos se afastam daquele lado do monte, porque pedras e terriço vêm rolando ou dando saltos pelo declive e, assombrados, olham em torno de si.

– Eis, Eis! Eis lá! Dois… completamente nus… eles vêm vindo para nós, e gesticulam. São doidos…

– Ou endemoninhados –responde Jesus a Iscariotes, que viu primeiro os dois possessos que vinham vindo para Jesus.

Eles devem ter saído de alguma das cavernas do monte. Estão urrando. Um deles, mais rápido na corrida, se precipita sobre Jesus. Parece um passarão estranho, despojado de penas, de tão ágil que é, e faz com os braços movimentos de vôo, como se seus braços fossem asas. E vem cair aos pés de Jesus, gritando:

– Quem és Tu, ó Dono do Mundo? Que tenho que fazer contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Terá já chegado a hora do nosso castigo? Por que vieste atormentar-nos antes do tempo?

O outro endemoninhado, ou porque estivesse privado da fala, ou porque possuído por um demônio que o faz ficar lerdo, não faz nada mais do que jogar-se de bruços e ficar chorando baixinho e depois, tendo ido sentar-se, fica como se fosse inerte, entretendo-se com as pedras e com seus pés desnudos. O demônio continua a falar pela boca do primeiro, que se contorce no chão, em um paroxismo de terror. Dir-se-ia que ele quer reagir, mas não pode fazer outra coisa senão adorar, atraído e, em seguida, repelido pelo poder de Jesus. Ele urra:

– Eu Te conjuro em nome de Deus, para de me atormentar. Deixa-me ir embora!

– Sim. Mas para fora deste homem. Espírito imundo, sai deles, e dize-me o teu nome.

– Legião é o meu nome, porque somos muitos. Dominamos estes, há muitos anos e, por meio deles, arrebentamos laços e correntes, e não há força humana que possa com os dois. Eles são um terror por causa de nós, que deles nos servimos para blasfemar contra Ti. Neles nós nos vingamos do teu anátema. Rebaixamos o homem abaixo das feras, para zombarmos de Ti, e não existe lobo, nem chacal ou hiena, nem abutre ou vampiro semelhante a estes, que são dominados por nós. Mas, não nos expulses. O inferno é horrível demais!…

– Saí! Em nome de Jesus, saí!

Jesus tem uma voz de trovão e seus olhos dardejam esplendores.

– Deixa-nos pelo menos entrar[2] naquela manada de porcos, que encontraste lá atrás.

– Ide.

Com um urro infernal os demônios se separam dos dois infelizes e, por entre um repentino turbilhão de vento, que faz os carvalhos balançarem como se fossem frágeis hastes, caem sobre aquele grande número de porcos que, com estridores verdadeiramente demoníacos, põem-se a correr, endemoninhados que estão, chocando-se uns com os outros, ferindo-se, mordendo-se e, enfim, precipitando-se no lago quando, tendo chegado ao cume do alto rochedo, não encontram mais nenhum outro lugar para nele se refugiarem, a não ser na água, que está lá em baixo. Enquanto isso, os guardas dos porcos, profundamente perturbados e desolados urram de espanto, e os animais, em número de várias centenas vão, em precipitações sucessivas, caindo nas águas tranquilas, agitando-as e transformando-as em uma fervura de espumas, e vão-se submergindo aqui e flutuando, pondo à mostra suas barrigas redondas e seus focinhos pontudos, com uns olhos cheios de terror e, por fim, se afogam.

Os pastores, urrando ainda, correm para a cidade.

186.6

Os apóstolos, depois de terem ido ao lugar da calamidade, voltam dizendo:

– Não se salvou nenhum. Prestaste a eles um feio serviço!

Jesus, com calma, responde:

– É melhor que morram dois mil porcos do que um só homem. Arranjai umas vestes a estes. Não podem ficar assim.

O Zelotes abre um saco e dá uma de suas vestes. Tomé dá a outra. Os dois estão ainda um pouco aturdidos, como se tivessem acabado de sair de um sono pesado, cheio de pesadelos.

– Dai-lhes alimento. Que voltem a viver como homens.

E, enquanto os dois comem pão com azeitonas que lhes é dado e bebem do frasco de Pedro, Jesus os observa.

Finalmente, falam:

– Quem és Tu? –diz um deles.

– Jesus de Nazaré.

– Não te conhecemos, diz o outro.

– Mas a vossa alma me conheceu. Levantai-vos agora e ide para as vossas casas.

– Temos sofrido muito, penso eu, mas não me lembro bem. Quem é este? –diz o que falava por meio do demônio, e mostra seu companheiro.

– Eu não sei. Ele estava contigo

– Quem és? E por que estás aqui –pergunta ao companheiro.

O que tinha estado como mudo e que ainda é o mais lerdo, diz:

– Eu sou Demétrio. Aqui é Sidon?

– Sidon está à beira do mar, homem. Aqui estás do outro lado do lago da Galileia.

– E por que estou aqui?

Ninguém pode dar uma resposta.

186.7

Vêm chegando umas pessoas, acompanhadas pelos pastores. Parecem cheias de medo e curiosas. Mas, ao verem os dois já vestidos e bem dispostos, seu assombro aumenta.

– Aquele é Marcos de Josias. E aquele é filho do mercador pagão!…

– E aquele é o que os curou e fez perecer os nossos porcos porque os demônios entraram neles –dizem os guardas dos animais.

– Senhor, Tu és poderoso, nós o reconhecemos. Mas já nos fizeste mal demais. Foi um prejuízo de muitos talentos. Vai-te embora, nós te pedimos, e que o teu poder não vá fazer que se rache o monte, e que ele se afunde no lago. Vai-te embora…

– Eu vou. Eu não me imponho a ninguém –e Jesus volta pelo caminho já feito, sem discutir.

Acompanham-no, indo atrás dos apóstolos, o endemoninhado que falava. Atrás, a certa distância, muitos cidadãos, para verem se parte realmente.

186.8

Vão andando de novo pelo caminho íngreme e voltam à foz do riozinho, perto das barcas. Os habitantes da cidade ficam na beira, olhando. O que ficou livre vai descendo, atrás de Jesus.

Nas barcas os empregados estão aterrorizados. Eles viram a chuva dos porcos caindo no lago, e ainda estão vendo os corpos que vão boiando, sempre em maior número, cada vez mais inchados, com suas barrigas redondas viradas para cima e suas patas curtas, ressecadas como quatro estacas fincadas em uma grande bexiga cheia de gordura.

– Mas, que foi que aconteceu? –perguntam eles.

– Depois, vo-lo diremos. Agora, soltai as barcas, e vamos… Para onde, Senhor? –pergunta Pedro.

– Para o golfo de Tariqueia.

O homem, que os acompanhou, agora que os está vendo subir para as barcas, suplica:

– Leva-me contigo, Senhor.

– Não. Vai para tua casa; os teus têm o direito de te verem. E conta a eles as grandes coisa que te fez o Senhor e como Ele teve dó de ti. Essa gente do território precisa ter fé. Acende as chamas da fé, em reconhecimento para com o Senhor. Vai. Adeus.

– Conforta-me pelo menos com a tua bênção, e que o demônio não se apodere de mim outra vez.

– Não tenhas medo. Se não queres, ele não virá. Mas Eu te abençôo. Vai em paz.

As barcas se afastam da beira, indo em direção do leste para oeste. Somente agora, enquanto vão fendendo as ondas cobertas pelas vítimas suínas, é que os habitantes da cidade que não quiseram o Senhor se retiram da beira, e vão-se embora.

Aqui no verso está a figura do lugar.

Anotação

Os empregados amarram os barcos - há um por barco - e são instruídos a esperar até à noite para o regresso a Cafarnaum. São duas figuras anónimas, obviamente a fazer manobras. Estavam sem dúvida presentes na EMV 185.

Pelo menos, deixem-me entrar nesta manada de porcos: o texto original fala aqui, de facto, no singular: Lasciami. Este pedido singular é interpretado com ingenuidade por Pedro em EMV 203.3.

Evangelho de Mateus 8, 28-34

Mt 8, 28-34: Quando Jesus estava a chegar à outra margem do rio, ao país dos gadarenos, dois possessos saíram do meio dos túmulos para o encontrar; eram tão agressivos que ninguém podia passar por ali. E eis que começaram a gritar: "Que queres de nós, Filho de Deus? Vieste atormentar-nos antes do tempo determinado?" Ao longe, havia uma grande manada de porcos à procura de comida. Os demónios pediram a Jesus: "Se nos vais expulsar, manda-nos para a manada de porcos. Ele disse-lhes: "Vão. Eles saíram e entraram na manada de porcos; e eis que toda a manada se precipitou no mar, por cima do penhasco, e os porcos morreram nas ondas. As sentinelas fugiram e foram para a cidade contar tudo o que se passava e sobretudo o que tinha acontecido aos possessos. E eis que toda a cidade saiu ao encontro de Jesus e, ao vê-lo, o povo rogou-lhe que saísse da sua terra.

Evangelho de Marcos 5, 1-20

Mc 5,1-20 : E chegaram à outra margem do mar da Galileia, à terra dos gerasenos. Quando Jesus desceu do barco, saiu-lhe imediatamente ao encontro um homem com um espírito imundo, que vivia nos sepulcros, e já ninguém o podia prender, nem mesmo com uma corrente; na verdade, ele tinha sido muitas vezes preso com ferros para as pernas e com correntes, mas tinha quebrado as correntes e os ferros, e ninguém o podia prender. Andava todo o dia e toda a noite entre os túmulos e nos montes, gritando e ferindo-se com pedras. Quando viu Jesus ao longe, correu para ele, prostrou-se diante dele e gritou em alta voz: "Que queres de mim, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te por Deus que não me atormentes! Jesus disse-lhe: "Espírito impuro, sai deste homem! E perguntou-lhe: "Como te chamas? O homem respondeu-lhe: "Chamo-me Legião, porque somos muitos. E pediam a Jesus que não os expulsasse do país.

Ora havia uma grande manada de porcos na encosta, à procura de comida. Então os espíritos imundos pediram a Jesus: "Manda-nos a esses porcos, e nós entraremos neles. Ele permitiu-lhes que o fizessem. Então saíram do homem e entraram nos porcos. Eram cerca de dois mil, e estavam a afogar-se no mar. Espalharam a notícia na cidade e no campo, e as pessoas vieram ver o que tinha acontecido.

Quando se aproximaram de Jesus, viram o homem possuído, sentado, vestido e recuperando os sentidos, aquele que tinha tido a legião de demónios, e ficaram cheios de medo. Os que tinham visto tudo isto contaram-lhes a história do endemoninhado e do que tinha acontecido aos porcos. Então começaram a pedir a Jesus que saísse do seu território.

Quando Jesus entrou de novo no barco, o endemoninhado pediu-lhe que o deixasse ficar com ele. Ele não consentiu, mas disse-lhe: "Vai para casa, para junto da tua família, e conta-lhes tudo o que o Senhor fez por ti, pela sua misericórdia. O homem foi-se embora e começou a anunciar na região da Decápole o que Jesus lhe tinha feito, e todos se maravilhavam.

Evangelho de Lucas 8, 26-39

Lc 8, 26-39 : Chegaram à terra dos gerasenos, que fica em frente da Galileia. Quando Jesus desembarcou, um homem endemoninhado da cidade veio ao seu encontro. Há muito tempo que não vestia roupa e não vivia numa casa, mas nos túmulos. Quando viu Jesus, deu um grito, caiu aos seus pés e disse em voz alta: "Que queres de mim, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Por favor, não me atormentes. Jesus estava, de facto, a ordenar ao espírito imundo que saísse deste homem, pois o espírito tinha-se apoderado dele muitas vezes. Mantinham-no preso com grilhões nos pés, mas ele quebrava as amarras e o demónio arrastava-o para lugares desertos. Jesus perguntou-lhe: "Como te chamas? Ele respondeu: "Legião". Muitos demónios tinham entrado nele. E esses demónios pediam a Jesus que não os mandasse entrar no abismo. Havia no monte uma grande manada de porcos à procura de comida. Os demónios pediram a Jesus que os deixasse entrar nos porcos, e ele deixou. Eles saíram do homem e entraram nos porcos. Do alto do penhasco, a manada precipitou-se para o lago e afogou-se. Quando os pastores viram o que tinha acontecido, fugiram; espalharam a notícia na cidade e no campo, e as pessoas saíram para ver o que tinha acontecido.

Quando foram ter com Jesus, encontraram o homem que os demónios tinham deixado; estava sentado aos pés de Jesus, vestido e a recuperar os sentidos. E ficaram aterrorizados. Os que o tinham visto contaram-lhes como é que ele tinha sido salvo. Então todos os habitantes da região dos gerasenos pediram a Jesus que se fosse embora, porque tinham muito medo. Jesus entrou de novo no barco e regressou.

O homem que os demónios tinham deixado perguntou-lhe se podia estar com ele. Mas Jesus mandou-o embora, dizendo: "Volta para tua casa e conta a todos o que Deus fez por ti. Então o homem saiu e anunciou por toda a cidade o que Jesus tinha feito por ele.

EMF 206.11-13 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Mas, ouvi. E, então, compreendereis melhor como os requintes, as riquezas e as devassidões impedem a entrada no Reino dos Céus.

Uma vez um rei fez a festa do casamento de seu filho. Podeis imaginar que festa houve no palácio. Tratava-se do filho único do rei que, tendo-se tornado núbil, estava se casando com sua dileta. O rei, seu pai, quis que tudo fosse alegria, ao redor da alegria de seu filho e de sua bem amada. Entre os muitos atos do programa da festa, constava também um grande banquete. E ele o preparou com tempo, cuidando de todos os pormenores do mesmo, para que a festa saísse muito bonita e digna das núpcias de um filho do rei.

Mandou com antecedência a seus servos que fossem dizer aos amigos e aliados, e também aos magnatas do seu reino que o casamento estava marcado para aquela data de tarde, e que eles estavam convidados e que viessem abrilhantar as festas do filho do rei. Mas os amigos, os aliados e os magnatas do reino não aceitaram o convite.

Então o rei, na dúvida se os primeiros servos haviam ou não, falado como deviam, mandou ainda outros servos, para insistirem, dizendo: “Nós vo-lo pedimos. Vinde à festa. Já está tudo pronto. O salão está preparado, os vinhos mais preciosos já foram trazidos de diversos lugares, nas cozinhas já estão preparados os bois e os animais cevados para serem cozidos, as escravas já estão amassando a farinha para fazer os doces, e outras estão esmagando as amêndoas nos almofarizes, para confeitarem os mais finos petiscos aos quais elas misturam os mais raros aromas. As dançarinas e os melhores tocadores de instrumentos foram contratados para a festa. Portanto, vinde, a fim de que todos esses preparativos não tenham sido inúteis.”

Mas os amigos, os aliados e os grandes, uns se recusaram e outros disseram: “Nós temos mais o que fazer”, enquanto que outros ainda fingiram aceitar mas, na hora, foram tratar de seus interesses, uns no campo, outros em seus negócios, e outros em outras coisas de pouca importância. E, finalmente, houve também alguns que, aborrecidos com aquela insistência, pegaram os servos do rei e os mataram para os fazer calar, porque eles ficavam só repetindo: “Não negues ao rei uma coisa destas, porque poderias sair-te mal.”

Os servos voltaram ao rei e lhe contaram tudo e o rei se encheu de indignação, mandando seus soldados punir os assassinos de seus servos e castigar os outros que haviam desprezado o seu convite, e ficou esperando, para recebê-los bem, aos que prometeram ir. Mas, quando chegou a tarde do dia da festa, na hora marcada, ninguém havia chegado.

206.12

O rei, irado, chamou os seus servos e disse-lhes: “Não há de acontecer que meu filho fique sem os festejos nesta tarde de suas núpcias. O banquete está pronto, mas os convidados não são dignos dele. Seja como for, o banquete nupcial de meu filho haverá de realizar-se. Ide agora pelas praças e pelas estradas, colocai-vos nas encruzilhadas, fazei parar a quem estiver passando, reuni os que pararem e trazei-os todos para cá. E que o salão se encha com os que vêm para a festa.”

Os servos lá se foram. Tendo saído pelas estradas, e tendo-se uns espalhados pelas praças ou se colocado nas encruzilhadas, foram ajuntando a todos os que foram encontrando, bons e maus, ricos e pobres e os levaram para a morada do rei, fornecendo-lhes também os meios para que pudessem comparecer à festa e entrar no salão do banquete do casamento. Depois os fizeram entrar e o salão ficou cheio de convidados, como o rei queria.

Mas, resolvendo o rei entrar no salão, para ver se já se podia começar a festa, viu lá dentro um homem que, mesmo com a ajuda que os servos lhe haviam oferecido, não estava com a veste própria para uma festa de casamento. E o rei lhe perguntou: “Como foi que entraste aqui sem a veste de núpcias?” E o homem não soube o que responder, porque de fato não tinha motivos para desculpar-se. Então, o rei chamou os servos e lhes disse: “Pegai este homem, amarrai-o de pés e mãos e expulsai-o para fora de minha morada, que ele fique lá no escuro e na lama gelada. Que lá ele fique chorando e rangendo os dentes, como ele mereceu por sua ingratidão e pela ofensa que me fez, e mais do que a mim, ao meu filho, entrando aqui com esta veste andrajosa e suja, logo aqui no salão do banquete, onde só deve entrar quem é digno de estar neste lugar e na festa de meu filho.”

206.13

Como estais vendo, as preocupações do mundo, as avarezas, as sensualidades, as crueldades atraem a ira do rei e fazem que esses filhos das preocupações nunca mais entrem na casa do Rei. E vede também que, até entre os convidados pela bondade do seu filho, há castigados.

Quantos há assim, nos dias de hoje, nesta terra à qual Deus enviou o seu Verbo!

Aos aliados, aos amigos, aos grandes do seu povo Deus realmente os convidou, por meio dos seus servos, e mais ainda os fará convidar, com um convite insistente, à medida que a hora das minhas núpcias for-se avizinhando. Mas não aceitarão o convite, porque são falsos aliados, falsos amigos, não são grandes senão de nome, pois a baixeza mora neles.

Jesus vai elevando cada vez mais a voz, e seus olhos, à luz de um fogo, que foi aceso entre Ele e os ouvintes, para iluminar a noite, pois nela não há luar, estando a lua em minguante e levantando-se mais tarde, lançam uns lampejos de luz como se fossem duas pedras preciosas.

– Sim, a baixeza mora neles. Por tudo isso, eles não compreendem que é um dever e uma honra para eles que aceitem o convite do Rei.

Soberba, dureza e libidinagem formam um baluarte em seu coração. E — maus como são, — tem ódio de Mim, e por isso não querem vir às minhas núpcias. Não querem vir. Preferem às núpcias os conúbios com a política suja, com o dinheiro ainda mais sujo e com a sujíssima sensualidade. Eles preferem ir fazer os seus cálculos cheios de astúcia, ficar conspirando numa conspiração traiçoeira, preferem o ardil e o delito.

Eu condeno tudo isso em nome de Deus. Odeia-se por isso a voz que fala e as festas a que ela convida. É neste povo que devem ser procurados os que matam os servos de Deus: os Profetas, que são seus servos até hoje, os meus discípulos, que são os servos, de agora em diante. Neste povo é que são escolhidos os que querem trapacear com Deus, e dizem: “Sim, nós vamos”, enquanto, em seu interior, pensam assim: “Não vou, nem por sombra!” De tudo isso há em Israel.

E o Rei do Céu, a fim de que o Filho possa ostentar a magnificência de suas núpcias, mandará recolher nas encruzilhadas aqueles que nem são amigos, que nem são grandes, nem aliados, mas são simplesmente pessoas que vão passando. Já — por minha mão, pela minha mão de Filho e de servo de Deus — a colheita começou.

Sejam quais forem, eles virão… E já vieram. E Eu os ajudo a ficarem limpos e belos para a festa das núpcias. Mas haverá, Oh! para sua infelicidade, haverá quem até da generosidade de Deus, que lhe dá perfumes e vestes reais, para fazê-lo parecer o que ele não é: alguém rico e digno, haverá quem, de toda essa bondade se aproveitará para, como um indigno, seduzir, tirar vantagem… É um indivíduo vesgo de espírito, abraçado pelo polvo repugnante de todos os vícios… e até subtrairá alguns perfumes e vestes para obter com essas coisas algum lucro ilícito, usando delas não para as núpcias do Filho, mas para as suas núpcias com satanás.

Pois bem. Isto acontecerá. Porque muitos são os chamados, mas poucos os que, por saberem perseverar em atender ao chamado, chegam a ser eleitos. Contudo, também acontecerá que a estas hienas, que preferem as podridões a um nutrimento vivo, haverá de ser infligido o castigo de serem tocados para fora do salão do banquete para o meio das trevas e de uma lama de um brejo eterno, onde satanás faz ouvir a sua estridente e horrível risada por todos os triunfos conseguidos contra uma alma, e nos quais se ouve também o eterno pranto desesperado dos mentecaptos, que foram atrás do delito, em vez de acompanharem a Bondade, que os havia chamado.

EMF 209.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Em verdade, Eu vo-lo digo: Vinde a Mim todos os que estais angustiados, desgostosos, com o coração ferido, cansados, e Eu compartilharei da vossa dor e vos darei paz. Vinde, por meio dos meus apóstolos, por meio dos meus discípulos e discípulas, que cada dia aumentam com novos voluntários. Encontrareis o consolo em vossas dores, companhia em vossas solidões, o amor dos irmãos para fazer-vos esquecer o ódio do mundo, encontrareis, como mais alto do que todos, como mais consolador do que todos, como o companheiro perfeito, o amor de Deus. Não dúvidareis de mais nada. E nunca mais direis: “Para mim, tudo acabou!” Mas direis: “Tudo para mim está começando, num mundo sobrenatural, que abole as distâncias e acaba com as separações” e pelo qual os filhos órfãos serão reunidos aos seus pais, levados ao seio de Abraão, e os pais e as mães, as esposas e os viúvos, reencontrarão os filhos perdidos, e o consorte perdido.

Anotação

Evangelho de Mateus 11, 28-29

Mt 11, 28-29 : Vinde a mim, todos vós que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.