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Notas da palavra-chave

Bíblia - Evangelho de Mateus

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EMF 46.1-10

O Evangelho como me foi revelado

Citação

46.1 Vejo à minha esquerda, a solidão rochosa, que eu já vi, na visão do batismo de Jesus no Jordão. Mas devo ter penetrado bastante nela, porque não vejo inteiramente o belo rio, vagaroso e azul, nem a veia verde que o acompanha em suas duas margens, como que alimentada por aquela artéria de água. Aqui só se vê solidão, grandes pedras, uma terra de tal maneira árida, que está reduzida a um pó amarelado que, de vez em quando o vento levanta em pequenos redemoinhos, parecidos com o sopro de alguma boca febril, de tão quente e seco. Eles incomodam, porque a sua poeira nos penetra as narinas e a garganta. Há algumas pequenas moitas de espinheiros, muito raras, que não se sabe como é que podem resistir, nessa desolação. Parecem os últimos fios de cabelo numa cabeça calva. Acima, um céu, impiedosamente azul; em baixo, o solo árido; ao redor, penhascos e silêncio. Eis o que vejo como natureza.

46.2 Encostado à uma grande pedra, que pela sua forma, feita para

cima e para baixo assim como tento desenhá­-la, parece um princípio de caverna, está Jesus, sentado sobre numa outra pedra, que foi arrastada para dentro da caverna +. Protege-se assim do sol ardente.

Meu monitor interior me avisa que aquela pedra, sobre a qual o Senhor está sentado, é também o seu genuflexório e o seu travesseiro, quando Ele tira suas breves horas de repouso, envolto em seu manto, à luz das estrelas e exposto ao ar frio da noite. De fato, a sacola está perto dele, a mesma que eu o vi pegar, antes de partir de Nazaré. É tudo o que Ele tem. E, como está dobrada e frouxa, compreendo que está vazia, sem aquele pouco alimento que Maria havia posto nela.

Jesus está muito magro e pálido. Está sentado com os cotovelos apoiados nos joelhos e os antebraços estendidos para a frente, com as mãos unidas e os dedos entrelaçados. Ele está meditando. De vez em quando, ergue o olhar, e o gira ao seu redor, olha para o sol alto, quase à pino, no céu azul. De vez em quando, e especialmente depois de ter girado o olhar ao redor e de tê-lo erguido em direção à luz solar, Ele fecha os olhos e se apóia ao penhasco, que lhe serve de abrigo, como se estivesse sendo tomado por uma vertigem.

46.3 Vejo, então, aparecer a cara feia de Satanás. Não que ele se apresente na forma com que nós costumamos figurá-lo com chifres, rabo, etc. Parece um beduíno, envolto em sua veste e em seu grande manto, como um dominó mascarado. Na cabeça tem um turbante, cujas extremidades brancas descem como uma proteção sobre os ombros e ao longo dos lados do rosto. De modo que deste aparece um pequeno triângulo muito moreno, de lábios finos e sinuosos, de olhos muito pretos e encavados, cheios de brilhos magnéticos. São duas pupilas que te perscrutam até o fundo do coração, mas nas quais não lês nada, somente esta palavra: mistério. O oposto dos olhos de Jesus, também estes magnéticos e fascinantes e que perscrutam os corações, mas nos quais tu também podes ler que no seu coração há amor e bondade para contigo. O olhar de Jesus é uma carícia para a alma. Enquanto que o olhar de Satanás é como um duplo punhal que te perfura e te queima.

46.4 Ele se aproxima de Jesus:

– Estás sozinho?

Jesus olha para ele, e não responde.

– Como vieste parar aqui? Estás perdido?

Jesus o olha novamente, e continua calado.

– Se eu tivesse água no odre, eu te daria. Mas eu também estou sem. Meu cavalo morreu, e eu vou indo a pé até o vau do Jordão. Lá eu beberei, e hei de encontrar alguém que me dê um pão. Eu sei o caminho. Vem comigo. Eu te guiarei.

Jesus não levanta nem mesmo o olhar.

– Não respondes? Sabes que, se ficares aqui, morrerás? O vento está começando a soprar. Vai vir uma tempestade. Vem comigo.

Jesus une as mãos em muda oração.

– Ah! Então, és Tu mesmo? Há tanto tempo que te procuro! Agora faz tempo que te venho observando. Desde o momento em que foste batizado. Estás chamando o Eterno? Ele está longe. Agora estás sobre a terra e em meio aos homens. No meio dos homens, quem reina sou eu. Eu também tenho dó de ti e te quero socorrer, porque és bom, e vieste sacrificar-te à toa. Os homens te odiarão pela tua bondade. Eles só entendem, se lhes falares de ouro, comida e sentidos. Sacrifício, dor, obediência, são para eles palavras mortas mais do que esta terra, que está ao redor de nós. Eles são ainda mais áridos do que esta poeira. Só a serpente pode esconder-se aqui, esperando a hora de dar o bote; e o chacal, a hora de despedaçar sua vítima. Vem, vamos embora. Não mereces sofrer por eles. Eu os conheço melhor­ do que Tu.

Satanás sentou-se de frente a Jesus e o examina com esse seu olhar­ horrível, sorrindo com a sua boca de serpente. Jesus continua calado, rezando mentalmente.

46.5 – Tu estás desconfiando de mim. Fazes mal. Eu sou a sabedoria da terra. Posso ser teu mestre, para te ensinar a triunfar. Vê: o importante é triunfar. Depois, quando nos impusermos e o mundo ficar fascinado, então o levaremos para onde quisermos. Mas antes, é necessário fazer o que agrada a eles. Ser como eles. Seduzi-los, fazendo-os crer que nós os admiramos e os acompanhamos em seus pensamentos.

Tu és jovem e belo. Começa pela mulher. É sempre por ela que se deve começar. Eu errei, induzindo a mulher à desobediência. Eu devia tê-la aconselhado de outro modo. Eu teria feito dela um instrumento melhor, e teria vencido a Deus. Eu fui apressado. Mas Tu! Vou te ensinar, porque houve um dia em que eu olhei para Ti com um júbilo angelical, e um resto daquele amor ainda ficou, mas Tu, escuta-me, aproveita-te da minha experiência! Arruma uma companheira. Porque o que não conseguires, ela conseguirá. Tu és o novo Adão: deves ter a tua Eva.

Além disso, como podes compreender e curar as doenças da sensualidade, se não sabes o que elas são? Não sabes que aí é que está o ponto central do qual nasce a planta da cobiça e da prepotência? Para que é que o homem quer reinar? Para que é que quer ser rico e poderoso? Para possuir a mulher. Ela é como a cotovia. Ela precisa do bri­lho para ser atraída. O ouro e o poder, são as duas faces do espe­lho que atraem as mulheres e são as causas do mal no mundo. Olha bem: atrás de mil delitos de diversas faces, há, pelo menos novecentos que têm suas raízes na fome da posse da mulher, ou na vontade de uma mulher, que arde num desejo que o homem ainda não conseguiu satisfazer ou não mais satisfaz. Se quiserdes saber o que é a vida procura a mulher. Só depois, saberás cuidar e curar as doenças da humanidade.

A mulher é bonita, como sabes! Não há nada de mais belo no mundo. O homem tem o pensamento e a força. Mas, a mulher! O seu pensamento é um perfume, seu contato é carícia de flores, sua graça é como um vinho que desce, sua fraqueza é como uma meada de seda ou anel de cabelo de bebê nas mãos do homem, sua carícia é uma força que se derrama sobre a nossa inflamando-a. Acaba-se a dor, o cansaço, a aflição, quando nos colocamos perto de uma mulher, pois ela, nos nossos braços, é como um feixe de flores.

46.6 Mas, que tolo que eu sou! Tu estás com fome, e eu te falando da mulher. O teu vigor está esgotado. É por isso que essa fragrância da terra, essa flor da criação, esse fruto que dá e suscita o amor, te parece uma coisa sem valor. Mas olha estas pedras, como são redondas e lisas, como são douradas sob à luz do sol que desce. Não parecem pães? Tu, Filho de Deus, só precisas dizer: “Eu quero”, para que elas se transformem em pães cheirosos, como aqueles que as donas de casa tiram do forno para o jantar de seus familiares. E estas acácias, tão secas, se Tu queres, não podem encher-se de maçãs doces e de tâmaras com gosto de mel? Sacia-te, ó Filho de Deus! Tu és o Senhor da terra. Ela se inclina para pôr-se aos teus pés, matando a tua fome.

Não vês que empalideces e vacilas, só de ouvires falar em pão? Pobre Jesus! Estás tão fraco, a ponto de não poderes mais tampouco fazer um milagre? Queres que eu o faça por Ti? Não sou igual a ti. Mas alguma coisa eu posso fazer. Ainda que por um ano eu fique privado das minhas forças, eu as juntarei todas, pois eu te quero servir, porque Tu és bom e eu sempre me lembro de que és o meu Deus, mesmo tendo eu desmerecido agora de poder chamar-te assim. Ajuda-me com a tua oração para que eu possa….

– Cala-te! “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que vem da boca de Deus.”

O demônio estremece de raiva. Range os dentes e fecha os punhos. Mas ele se contém, e muda o ranger de dentes em um sorriso.

– Compreendo. Tu estás acima das necessidades da terra e tens aversão a servir-te de mim. Bem que eu mereci isto.

46.7 Mas, vem, então, e vê o que está acontecendo na Casa de Deus. Vê como até os sacerdotes não se recusam a fazer transações entre o espírito e a carne. Porque, afinal, eles são homens, não são anjos. Faz um milagre espiritual. Eu te levo até o pináculo do Templo, e Tu, transfigura-te em beleza lá em cima, depois, chama a multidão de anjos, e diz a eles que façam de suas asas entrelaçadas, uma esteira para os teus pés, e que Te levem para desceres no pátio principal. Que todos Te vejam e se lembrem de que Deus existe. De vez em quando é necessária uma manifestação, porque o homem tem uma memória muito fraca, especialmente nas coisas espirituais. Bem sabes como os anjos se sentirão felizes por poderem oferecer um apoio aos teus pés e uma escada para desceres!

– Está escrito: “Não tentes ao Senhor teu Deus.”

– Compreendes que, mesmo com a tua aparição, não se mudariam as coisas, e o Templo continuaria a ser um lugar de mercado e cor­rupção. A tua divina sabedoria bem o sabe, como os corações dos ministros do Templo são um ninho de víboras, que se dilaceram, contanto que consigam prevalecer. Só podem ser dominados com força humana.

46.8 Então, vem. Adora-me. Eu te darei a terra. Alexandre, Ciro, César, todos os maiores dominadores do passado ou do presente serão semelhantes a chefes de umas mesquinhas caravanas, se comparados a Ti, que terás sob o teu cetro todos os reinos da terra. Com os reinos, terás todas as riquezas, todas as belezas da terra, mulheres, cavalos, forças armadas e templos. Poderás erguer em qualquer lugar o teu Sinal, quando serás o Rei dos reis e Senhor do mundo. Então, serás obedecido e venerado pelo povo e pelo sacerdócio. Todas as castas te honrarão e te servirão, porque serás o Poderoso, o Único, o Senhor.

Adora-me, ainda que por um só momento! Tira-me esta sede que eu tenho de ser adorado! Foi ela que me perdeu. Mas ela ficou em mim, queimando-me. As chamas do inferno são como o ar fresco da manhã, comparado a este ardor que me queima interiormente. Esta sede é o meu inferno. Um momento, um momento só, ó Cristo, Tu que és bom! Um momento de alegria para o eterno Atormentado! Deixa-me sentir o que quer dizer ser deus, e eu serei teu devoto e servo obediente por toda a vida, para todas as tuas obras. Um momento! Um só momento, e não te atormentarei mais!

Satanás se põe de joelhos, suplicando.

46.9 Jesus, ao contrário, se levantou. Tendo-se tornado mais magro nestes dias de jejum, parece ainda mais alto. Seu rosto está cheio de severidade e poder. Seus olhos são duas safiras ardentes. Sua voz é como um trovão, que se repercute na cavidade do penhasco, espanlhando-se sobre o pedregal e a planície desolada, ao dizer:

– Vai-te, Satanás. Está escrito: “Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás!”

Satanás, com um urro de condenado e com um ódio indescritível, levanta-se com ímpeto, tremendo, ao ver-se na sua furiosa e fumante figura. Depois, desaparece, com um novo urro de maldição.

46.10 Jesus se assenta, cansado, apoiando atrás a cabeça no penhasco. Parece estar exausto. Está suando. Mas os seres angélicos vêm soprar levemente, com suas asas no mormaço da caverna, purificando-o e refrescando-o. Jesus abre os olhos, e sorri. Eu não o vejo comer. Eu diria que Ele se nutre do aroma do Paraíso, saindo revigorado.

O sol desaparece no poente. Jesus pega o alforje vazio e, acompa­nhado pelos anjos que, suspensos acima de sua cabeça, produzem uma luz suave, enquanto a noite cai rapidamente, se encaminha para o leste, ou melhor, para o nordeste. Já retomou sua expressão habitual, o passo firme. Só resta, como lembrança do seu longo jejum, um aspecto mais ascético no rosto magro e pálido e nos olhos, arrebatados, numa alegria que não é desta terra.

Anotação

Mateus 4:1-11:

Então Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demónio. Depois de ter jejuado durante quarenta dias e quarenta noites, teve fome.

O tentador aproximou-se dele e disse: "Se és o Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães. Mas Jesus respondeu: "Está escrito: Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.

Então o diabo levou-o para a Cidade Santa, colocou-o no cimo do Templo e disse-lhe: "Se és o Filho de Deus, atira-te para baixo, porque está escrito: "Ele dará ordens aos seus anjos e eles levar-te-ão nas suas mãos: E eles levar-te-ão nas mãos, para que o teu pé não tropece em alguma pedra. Jesus disse-lhe: "Também está escrito: 'Não porás à prova o Senhor teu Deus'.

O Diabo levou-o de novo para um monte muito alto e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a sua glória, dizendo-lhe: "Tudo isto te darei, se te prostrares a meus pés e te curvares perante mim. Então Jesus disse-lhe: "Afasta-te, Satanás, porque está escrito: 'Adorarás o Senhor teu Deus e só a ele prestarás culto'.

Então o demónio deixou-o. E eis que chegaram os anjos e o serviam.

Marcos 1:12-13:

Imediatamente o Espírito levou Jesus para o deserto, e ele ficou lá quarenta dias, sendo tentado por Satanás. Vivia entre os animais selvagens, e os anjos serviam-no.

Lucas 4,1-13:

Jesus, cheio do Espírito Santo, deixou as margens do Jordão e, no Espírito, foi conduzido pelo deserto, onde durante quarenta dias foi tentado pelo demónio. Durante esses dias, não comeu nada e, quando chegou o fim do tempo, teve fome.

O diabo disse-lhe: "Se és o Filho de Deus, manda que esta pedra se transforme em pão. Jesus respondeu: "Está escrito: Nem só de pão vive o homem.

Então o diabo levou-o para um lugar mais alto e, num instante, mostrou-lhe todos os reinos da terra. Disse-lhe: "Eu dou-te todo este poder e a glória destes reinos, porque me foram entregues e eu dou-os a quem eu quiser. Por isso, se te curvares perante mim, terás todas estas coisas. Jesus respondeu-lhe: "Está escrito: 'Adorarás o Senhor teu Deus e só a ele prestarás culto'.

Então o diabo levou-o para Jerusalém, colocou-o no cimo do Templo e disse-lhe: "Se és o Filho de Deus, atira-te daqui para baixo, porque está escrito: "Ele dará ordens aos seus anjos para te guardarem"; e ainda: "Eles levar-te-ão nas mãos, para que o teu pé não bata numa pedra". Jesus respondeu: "Está dito: 'Não porás à prova o Senhor teu Deus'.

Tendo assim esgotado todas as formas de tentação, o demónio afastou-se de Jesus até à hora marcada.

EMF 47.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Se o mundo tem ainda um pouco de luz, isto se deve aos puros que ainda há no mundo. São esses os servos de Deus, que sabem compreender a Deus e repetir as palavras Dele. Eu disse: “Felizes os puros de coração, porque verão a Deus.” Mesmo desde esta terra. Eles, cujo pensamento não é perturbado pela fumaça da sensualidade, é que “vêem” a Deus e O ouvem, O seguem, e O indicam aos outros.

Anotação

Mt 5,8: "Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus".

EMF 60.1-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

60.1 Pedro fala a Jesus:

– Mestre, eu queria pedir-te que vás à minha casa. Não tive coragem de dizer isso no sábado passado. Mas… queria que fosses.

– Em Betsaida?

– Não, aqui… na casa de minha mulher, quero dizer, a casa nativa.

– Por que tens esse desejo, Pedro?

– Ah!… por muitas razões… e, além disso, hoje me disseram que minha sogra está doente. Se quisesses curá-la, talvez te…

– Acaba de falar, Simão.

– Eu queria dizer… se Tu te aproximasses, ela acabaria… sim, em suma, Tu sabes, uma coisa é ouvir falar de alguém e outra é vê-lo e ouvi-lo e, se essa pessoa depois fica sã, então…

– Então, também o ódio se acaba, queres dizer.

– Não, ódio não. Mas Tu sabes… o povoado está dividido em muitos pareceres e ela… não sabe a quem dar razão. Vai, Jesus.

– Eu vou. Vamos. Avisarás aos que estão esperando que da tua casa falarei a eles.

60.2 Vão até uma casa baixa, mais baixa ainda do que a de Pedro em Betsaida e ainda mais próxima ao lago. Está separada deste por uma pequena faixa da margem e creio que nas borrascas as ondas ve­nham a morrer contra as paredes da casa que, se é baixa, é em compensação bem espaçosa, como se fosse habitada por mais pessoas.

Na horta-pomar, que está à frente da casa, perto do lago, nada mais há do que uma videira já velha e nodosa que se estende em uma rústica parreira e uma velha figueira que os ventos do lago curvaram em direção à casa. A fronde despenteada da árvore roça as paredes e bate contra as venejiadas das janelinhas que estão fechadas para servirem de proteção contra o sol forte que bate sobre a baixa casa. Nada mais há além desta figueira e desta videira e de um poço raso com um muro esverdeado.

– Entra, Mestre.

Algumas mulheres estão na cozinha, umas ocupadas em consertar as redes, outras em preparar a comida. Elas saúdam a Pedro e depois se inclinam confusas diante de Jesus; entretanto, olham-no de soslaio, com curiosidade.

– A paz esteja nesta casa. Como vai a doente?

– Fala, tu que és a nora mais velha –dizem três mulheres a uma que está enxugando as mãos na barra da veste.

– A febre está forte, muito forte. Nós fizemos com que o médico a visse, mas ele disse que ela está velha para sarar e que quando aquele mal dos ossos chega ao coração e dá febre, especialmente naquela idade, o doente morre. Ela não está comendo mais… Eu procuro fazer-lhe comidas boas, mesmo agora, vê Simão? Eu lhe estava preparando aquela sopa de que ela gostava tanto. Escolhi o peixe melhor que peguei com os cunhados. Mas acho que ela não vai poder comer. E depois… está tão inquieta! E se lamenta, grita, chora, pragueja…

– Tende paciência, como se fosse vossa mãe e tereis merecimento diante de Deus.

60.3 Levai-me a ela.

– Rabi… Rabi… não sei se ela irá querer te ver. Não quer ver a ninguém. Eu nem tenho coragem de dizer-lhe: “Agora vou te trazer o Rabi.”

Jesus sorri sem perder a calma. Depois se vira para Pedro:

– Cabe a ti, Simão. Tu és homem, e o mais velho dos genros, como me disseste. Vai.

Pedro faz uma careta muito significativa mas obedece. Ele atravessa a cozinha, entra em um quarto; através da porta fechada atrás dele, eu o ouço conversar com uma mulher. Depois, põe a cabeça e uma mão fora da porta e diz:

– Vem, Mestre. Anda depressa!

E acrescenta, em voz mais baixa, só o tanto necessário para ser entendido:

– Antes que ela mude de idéia.

Jesus atravessa rápido a cozinha e abre a porta toda. De pé, à porta, Ele diz a sua doce e solene saudação:

– A paz esteja contigo.

Em seguida, entra, não obstante não tenha recebido resposta. Vai para perto da enxerga sobre a qual está estendida uma pequena mulher toda grisalha, descarnada e ofegante pela forte febre que lhe torna corado o rosto abatido.

Jesus se inclina para o pequeno leito e sorrindo para a velhinha, diz:

– Que estás sentindo?

– Eu estou morrendo!

– Não. Não estás morrendo. Podes crer que Eu te posso curar?

– E por que irias fazer isso? Não me conheces.

– Por causa de Simão, que pediu a mim… e também por causa de ti, para dar tempo à tua alma de ver e amar a Luz.

– Simão? Ele faria melhor em… Como Simão foi capaz de pensar em mim?

– Porque ele é melhor do que pensas. Eu o conheço e sei. Eu o conhe­ço e estou contente por vir atendê-lo.

– E, então, tu me curarias? Não vou mais morrer?

– Não, mulher. Por enquanto não morrerás. Podes crer em Mim?

– Creio, creio. Basta-me não morrer!

60.4 Jesus sorri ainda. E a pega pela mão. A mão enrugada e de veias inchadas desaparece na mão juvenil de Jesus que se endireita e toma aquele aspecto de quando faz um milagre; exclama:

– Sê curada! Eu quero! Levanta-te!

Solta-lhe a mão que recai sem que a velha se lamente, enquanto que antes, mesmo tendo-a Jesus pegado com muita delicadeza, só de tê-la movido já tinha sido causa de um lamento por parte da enferma.

Houve um breve tempo de silêncio. Depois a velha exclama com voz forte:

– Oh! Deus de nossos pais! Mas eu não tenho mais nada! Estou curada! Vinde! Vinde!

Acorrem as noras.

– Mas olhai! –dizia a velha–. Eu me movo, e não sinto mais dor! E não tenho mais febre! Vede como estou com saúde. E o coração não se parece mais com o martelo do ferreiro. Ah! Não vou mais morrer!

E não tem nenhuma palavra para o Senhor!

Mas Jesus não leva isso em consideração. Ele diz à mais velha das noras:

– Vesti-a para que se levante. Ela já pode levantar-se.

E vai-se encaminhando para sair.

Simão, mortificado, se vira para a sogra:

– O Mestre te curou. E não lhe dizes nada?

– Está certo! Não pensei nisso. Obrigada. Que posso fazer para mostrar-te o meu agradecimento?

– Ser boa, muito boa. Porque o Eterno foi bom para contigo. E, se não te for muito incômodo, deixa-me repousar hoje em tua casa. Percorri nesta semana todos os povoados vizinhos e cheguei ao despertar desta manhã. Estou cansado.

– Certo! Certo! Fica, sim, se assim te agrada.

Mas não existe muito entusiasmo em suas palavras.

60.5 Jesus, com Pedro, André, Tiago e João vai sentar-se no pomar.

– Mestre!…

– Que há, meu Pedro?

– Eu estou mortificado.

Jesus faz um gesto, como se dissesse: “Deixa para lá.” Depois, diz:

– Não é esta a primeira nem será a última que não sinto um reconhecimento imediato. Mas Eu não peço reconhecimento. Basta-me dar às almas o modo de se salvarem. Faço o meu dever. A elas cabe fazer o delas.

– Ah! Então já houve outros assim? Onde?

– Simão curioso! Mas Eu quero te contentar, embora não goste de curiosidades inúteis. Foi em Nazaré. Lembras-te da mãe de Sara? Estava muito doente quando chegamos a Nazaré e nos disseram que a menina estava chorando. Para não fazer dela, que é boa e dócil, uma órfã e amanhã uma enteada, fui procurar a mulher… Eu queria curá-la. Mas, ainda não tinha posto os pés na casa dela, quando o seu marido e um irmão me expulsaram, dizendo: “Vai embora, vai embora! Não queremos aborrecimentos com a sinagoga.” Para eles, para muitos, Eu já sou um rebelde… mas Eu a curei do mesmo jeito… por causa de seus filhos. E à Sara, que estava na horta, Eu disse, acariciando-a: “Eu curo tua mãe. Vai para casa. Não chores mais.” E a mulher ficou curada no mesmo instante; a menina foi dizer isso a ela, e também ao pai e ao tio… E foi castigada por ter falado Comigo. Eu sei, porque a menina veio correndo atrás de Mim, quando Eu já ia deixando o povoado… Mas não importa.

– Eu faria com que ela ficasse doente de novo!

– Pedro!

Jesus está severo:

– É isso que Eu ensino a ti e aos outros? Que foi que ouviste dos meus lábios desde a primeira vez que me ouviste? De que é que Eu tenho sempre falado como primeira condição para serdes meus verdadeiros discípulos?

– É verdade, Mestre. Eu sou um verdadeiro animal. Perdoa-me. Mas… não posso suportar que não te amem!

– Ó Pedro, verás um desamor bem maior! Quantas surpresas terás, Pedro! Há pessoas que o mundo chamado “santo” despreza como publicanos, e que, ao invés, serão exemplos para o mundo, e um exemplo não seguido por aqueles que as desprezam. Há gentios que estarão entre os meus maiores fiéis. Há meretrizes que se tornam puras, por vontade e por penitência. Pecadores que se emendam…

– Escuta, que se emende um pecador… ainda pode ser. Mas uma meretriz e um publicano!…

– Tu não acreditas?

– Eu não.

– Estás errado, Simão.

60.6 Mas, eis tua sogra que está vindo a nós.

– Mestre… eu te peço que te assentes à minha mesa.

– Obrigado, mulher. Deus te recompense por isto.

Entram na cozinha e se assentam à mesa e a velha serve aos homens com grande distribuição de peixe ensopado e assado.

– Não há mais do que isso –ela se desculpa.

E, para não perder o costume, diz a Pedro:

– Os teus cunhados fazem até demais, sozinhos como ficaram, desde quando foste para Betsaida! E ao menos se prestasses a fazer mais rica a minha filha… Mas ouço dizer que freqüentemente estás ausente e que não vais pescar.

– Eu sigo o Mestre. Estive com Ele em Jerusalém e aos sábados estou com Ele. Não perco o tempo em farras.

– Mas não ganhas nada com isso. Farias melhor, já que queres ser o servo do Profeta, que venhas para cá de novo. Pelo menos aquela pobre criatura, que é a minha filha, enquanto tu ficas aí te fazendo de santo, terá os parentes que lhe matem a fome.

– Mas, não te envergonhas de falar assim diante Dele que te curou?

– Eu não o critico. Ele faz o seu trabalho. Eu critico é a ti, que vives como um mandrião. Afinal, tu não serás nunca um profeta, nem um sacerdote. És um ignorante e um pecador, és um bom para nada.

– Tens razão, porque Ele está aqui, senão…

– Simão, tua sogra te deu um ótimo conselho. Podes pescar também aqui. Pescavas também antes em Cafarnaum, pelo que ouço. Podes voltar até agora.

– E morar aqui de novo? Mas Mestre, Tu não…

– Bom, meu Pedro, se ficares aqui estarás no barco sobre o lago, ou Comigo. Por isso, para ti que diferença há entre estar ou não estar nesta casa?

Jesus pôs a mão sobre o ombro de Pedro e parece que a calma de Jesus passa para Pedro que já estava fervendo.

– Tens razão. Sempre tens razão. É assim que eu vou fazer. Mas… e estes? –e mostra João e Tiago, seus sócios.

– Não poderão vir eles também?

– Oh! O nosso pai, e principalmente a nossa mãe, estarão sempre mais felizes, se souberem que estamos Contigo, do que com eles. Eles não criarão obstáculos.

– Talvez também Zebedeu virá –diz Pedro.

– É mais que provável. E com eles outros. Viremos, Mestre. Viremos sem falta.

Detalhe

Nota: Há dois milagres neste extrato, o da sogra de Pedro e o da mãe de Sara em Nazaré (cf. 60.5).

Anotação

Mateus 8:14-15

Quando Jesus entrou em casa de Pedro, viu a sogra dele deitada na cama com febre. Ele tocou-lhe na mão e a febre deixou-a. Ela levantou-se e serviu-o. Ela levantou-se e serviu-o.

Marcos 1, 29-31

Depois de terem saído da sinagoga, foram com Tiago e João a casa de Simão e André. A sogra de Simão estava de cama com febre. Eles contaram imediatamente a Jesus sobre ela. Jesus veio, pegou-lhe na mão e levantou-a. A febre deixou-a, e ela passou a servir os outros. A febre deixou-a, e ela passou a servi-los.

Lucas 4:38-39

Jesus saiu da sinagoga e entrou em casa de Simão. A sogra de Simão estava com febre alta, e eles pediram a Jesus que fizesse alguma coisa por ela. Ele inclinou-se sobre ela, ameaçou a febre, e esta deixou-a. Imediatamente a mulher levantou-se e serviu-os.

EMF 64.1.3-4.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

64.1 Vejo as margens do lago de Genezaré. E vejo os barcos dos pescadores, arrastados para a margem. Junto a eles estão Pedro e André, ocupados em consertar as redes, que os empregados levam, gotejantes, depois de as terem enxaguado no lago, para limpá-las dos detritos que nelas ficaram presos. À distância de uns dez metros, João e Tiago, encurvados sobre seu barco, estão ocupados a pô-lo em ordem, ajudados por um empregado e por um homem de seus cinqüenta a ciqüenta e cinco anos, que eu penso ser Zebedeu, porque o empregado o chama de “patrão”, e porque ele é muito parecido com Tiago.

Pedro e André, de costas para o barco, trabalham em silêncio para reatar os fios e as bóias de sinal. De vez em quando, trocam algumas palavras, a respeito do trabalho deles que, pelo que eu pude entender, foi infrutífero.

Pedro se queixa, não pela bolsa vazia, nem pelo trabalho inútil, mas diz:

– Isso me aborrece porque… como faremos para alimentar aqueles pobrezinhos? A nós só são feitas raras ofertas, e aquelas dez moedas e sete dracmas que recolhemos nestes quatro dias, nelas eu não toco. Só o Mestre me deve indicar a quem e como vão ser dadas aquelas moedas. E até o sábado Ele não volta! Se eu tivesse feito uma boa pesca!… O peixe mais miúdo, eu o cozinharia, e o daria àqueles pobres… e, se alguém em casa resmungasse, eu não daria importância a isso. Os sãos podem ir procurá-lo. Mas os doentes!…

– Aquele paralítico, por exemplo!… Andaram tanto para trazê-lo aqui… –diz André.

(...) [Jesus volta para junto dos seus discípulos e o Mestre profere um sermão na casa do seu apóstolo.]

O povo se aglomera na grande sala posterior, destinada às redes, cabos, cestas, remos, velas e provisões. Vê-se que Pedro a colocou à disposição de Jesus, amontoando tudo em um canto, para dar mais espaço. O lago não se vê daqui. Ouve-se dele apenas o marulho lento. O que se vê é só o muro esverdeado do pomar, onde está a velha videira e a figueira frondosa. As pessoas estão até na estrada, transbordando da sala para o pomar, e deste para a estrada.

64.4 Jesus começa a falar. Na primeira fila — tendo aberto caminho com gestos prepotentes e graças ao temor que deles tem o povo — estão cinco pessoas… influentes. Paludamentos, vestes ricas e soberba, os denunciam como fariseus e doutores. (...)

64.5 – Mestre! – grita Pedro do meio da multidão–, aqui estão os doentes. Dois podem esperar que Tu saias, mas este está comprimido por esta multidão e, além disso, não se aguenta mais… E nós não podemos passar. Devo mandá-lo de volta?

– Não. Descei-o pelo telhado.

– Está bem. Vamos fazer isso já.

Ouve-se o barulho dos pés sobre o telhado baixo da sala que não sendo propriamente uma parte da casa não tem por cima nenhum assentamento com argamassa, mas somente um telhadinho de madeira coberto de cascalhos semelhantes a ardósia. Mas não sei que pedra era. Eles fazem uma abertura e, por meio de cordas, fazem descer a pequena padiola sobre a qual está o doente. Desce exatamente diante de Jesus. O povo se aglomera mais ainda para ver.

– Tiveste grande fé, e contigo também quem te trouxe.

– Oh! Senhor! Como não ter fé em Ti?

– Portanto, Eu te digo: filho (o homem é muito jovem) são-te perdoados todos os teus pecados.

O homem o olha chorando… talvez se sinta um pouco decepcionado, porque esperava a cura do corpo.

Os fariseus e os doutores cochicham entre si, torcendo o nariz, a fronte e a boca, com desdém.

– Por que estais murmurando, e mais ainda com o coração do que com os lábios? Segundo vós é mais fácil dizer ao paralítico: “Estão perdoados os teus pecados”, ou dizer-lhe: “Levanta-te, pega a tua cama e anda”? Vós pensais que só Deus pode perdoar os pecados. Mas não sabeis responder o que é mais importante, porque este, tendo perdido a tal ponto a saúde do corpo, gastou seus haveres para recuperá-la, sem nada conseguir. Não o pode, a não ser por Deus. Ora, para que saibais que tudo Eu posso, para que saibais que o Filho do homem tem poder sobre a carne e sobre a alma, na terra e no Céu, Eu digo a este: “Levanta-te, toma a tua cama e anda. Vai para a tua casa e sê santo.”

O homem sente um choque, dá um grito, põe-se de pé, lança-se aos pés de Jesus, beija-os e os acaricia, chora e ri; com ele os parentes e a multidão que, depois, se abre para deixá-lo passar, como se fosse em triunfo, e o segue toda festiva. A multidão, não os cinco invejosos, que vão-se embora, altivos e duros como estacas.

Anotação

Mateus 9:1-8

Jesus entrou num barco, fez a travessia de novo e foi para a sua cidade natal, Cafarnaum.

Trouxeram-lhe um homem paralítico, deitado numa maca. Vendo a fé deles, Jesus disse ao paralítico: "Acredita, meu filho, os teus pecados estão perdoados. E eis que alguns dos escribas diziam entre si: "Este homem blasfema.

Mas Jesus, conhecendo os seus pensamentos, perguntou-lhes: "Porque pensais mal? O que é que é mais fácil? Dizer: "Os teus pecados estão perdoados", ou dizer: "Levanta-te e anda"? Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados... - Então Jesus disse ao paralítico: "Levanta-te, pega na tua maca e vai para casa". Ele levantou-se e foi para casa.

Quando as multidões viram isto, ficaram aterrorizadas e deram glória a Deus, que tinha dado tal poder aos homens.

Marcos 2, 1-12

Alguns dias depois, Jesus regressou a Cafarnaum e chegou a notícia de que estava em casa. Tinha-se juntado tanta gente que não havia lugar nem mesmo diante da porta, e ele estava a pregar-lhes a Palavra.

Chegaram algumas pessoas e trouxeram-lhe um homem paralítico, transportado por quatro homens. Como não podiam aproximar-se dele por causa da multidão, abriram o teto por cima dele, fizeram uma abertura e baixaram a maca onde estava deitado o paralítico. Vendo a fé deles, Jesus disse ao paralítico: "Filho, os teus pecados estão perdoados.

Mas alguns dos escribas estavam ali sentados e pensavam: "Porque é que este homem fala assim? Ele blasfema. Quem é que pode perdoar os pecados senão Deus? Jesus viu imediatamente o que eles estavam a pensar e disse-lhes: "Porque é que vocês estão a pensar assim? O que é que é mais fácil? Dizer a este paralítico: "Os teus pecados estão perdoados", ou dizer-lhe: "Levanta-te, pega na tua maca e anda"? Pois bem! Para que saibam que o Filho do Homem tem autoridade para perdoar pecados na terra... - Jesus disse ao paralítico: "Digo-te que te levantes, pegues na tua maca e vás para casa". Ele levantou-se, pegou imediatamente na maca e saiu à frente de toda a gente. Todos ficaram admirados e deram glória a Deus, dizendo: "Nunca vimos nada assim.

Lucas 5:17-26

Um dia, quando Jesus estava a ensinar, estavam presentes fariseus e doutores da Lei, vindos de todas as aldeias da Galileia e da Judeia, e também de Jerusalém; e o poder do Senhor actuava para que ele fizesse curas.

Chegaram algumas pessoas que traziam numa maca um homem paralítico e procuravam trazê-lo para o colocar diante de Jesus. Mas, como não viam como o fazer por causa da multidão, subiram ao telhado e, afastando as telhas, baixaram-no com a maca mesmo em frente de Jesus. Quando Jesus viu a fé deles, disse: "Homem, os teus pecados te são perdoados. Os escribas e os fariseus começaram a discutir: "Quem é este homem? Ele diz blasfémias! Quem é que pode perdoar os pecados senão Deus? Mas Jesus, compreendendo os seus pensamentos, respondeu-lhes: "Porque estão estes pensamentos nos vossos corações? O que é mais fácil? Dizer: "Os vossos pecados estão perdoados", ou dizer: "Levanta-te e anda"? Pois bem! Para que saibam que o Filho do Homem tem na terra autoridade para perdoar pecados", Jesus dirigiu-se ao paralítico: "Eu digo-te: levanta-te, pega na tua maca e volta para tua casa.

Jesus disse ao paralítico: "Levanta-te, pega na tua maca e vai para tua casa. Imediatamente ele se levantou à frente deles, pegou na sua cama e foi para casa, dando glória a Deus. Todos ficaram admirados e deram glória a Deus. Cheios de medo, diziam: "Hoje vimos coisas extraordinárias!

EMF 80.8-11

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Ouvi. Uma vez houve alguém, um homem, que me perguntou[2] se Eu nunca tinha sido tentado. Perguntou-me se nunca tinha pecado. Perguntou-me se nunca tinha caído em tentação. E ele se admirou de que Eu, o Messias, pedisse a ajuda do Pai para resistir, quando dizia: “Pai, não me deixes cair em tentação.”

Jesus fala baixo e calmo, como se narrasse um fato que todos ignoravam… Judas abaixa a cabeça como quem está embaraçado. Mas os outros estão tão atentos, olhando para Jesus, que nem veem Judas.

Jesus continua:

– Agora vós, meus amigos, podereis saber o que só levemente aquele homem ficou sabendo. Depois do batismo — Eu estava limpo, mas nunca se é limpo bastante diante do Altíssimo, e a humildade de dizer: “Sou homem e pecador” já é um batismo que purifica o coração — Eu vim até aqui. Fui chamado “o Cordeiro de Deus”, por aquele que, santo e profeta, via a Verdade e via descer o Espírito sobre o Verbo e torná-lo Ungido pelo seu carisma de amor, enquanto a voz do Pai enchia os céus com o seu som, dizendo: “Eis o meu Filho dileto no qual Eu me comprazo.” Tu, João, estavas presente, quando o Batista repetiu as palavras… Depois do batismo, se bem que limpo por natureza e limpo pelo aspecto, Eu quis “preparar-me.” Sim, Judas. Olha para Mim. Que meus olhos te digam o que a boca ainda se cala. Olha para Mim, Judas. Olha para o teu Mestre que não se sentiu superior ao homem por ser o Messias, e que, ao contrário, sabendo-se o Homem, quis sê-lo em tudo, exceto em condescender com o mal. Isso mesmo.

Agora Judas levantou o rosto e olha Jesus que está à sua frente. A luz das estrelas faz brilhar os olhos de Jesus, como se fossem duas estrelas fixas em um rosto pálido.

80.9

– A fim de se prepararem para serem mestres é preciso que tenham sido alunos. Como Deus, Eu sabia tudo. A minha inteligência me podia também fazer entender as lutas do homem, por um poder intelectivo e de modo intelectual. Mas um dia algum pobre amigo meu, algum pobre filho meu poderia dizer-me e o diria: “Tu não sabes o que é ser homem e ter sensualidade e paixões.” E seria uma censura justa. Eu vim até aqui, ou melhor, lá, sobre aquele monte, para me preparar… não somente para a missão… mas para a tentação. Estais vendo? Aqui, onde vós estais, Eu fui tentado. Por quem? Por um mortal? Não. Muito fraco teria sido o seu poder. Eu fui tentado por satanás diretamente.

Estava esgotado. Havia quarenta dias que não comia… Mas, enquanto estava imerso na oração, tudo se tinha anulado na alegria de falar com Deus, mais que anulado: tornado suportável. Eu o sentia como um incômodo da matéria, circunscrito apenas na matéria… Depois, Eu voltei ao mundo… pelos caminhos do mundo… e senti as necessidades de quem está no mundo. Tive fome. Tive sede. Senti o frio cortante das noites no deserto. Senti o corpo abatido pela falta de descanso, de cama, e pelo longo caminho feito em condições de exaustão tal, que me impediam de continuar…

Porque Eu também tenho uma carne, meus amigos. Uma verdadeira carne. E ela está sujeita às mesmas fraquezas que todas as carnes têm. E, com a carne, Eu tenho um coração. Sim. Do homem Eu peguei a primeira e a segunda das três partes que fazem o homem. Eu assumi a matéria com as suas exigências e o moral com as suas paixões. E, se, por minha vontade, dominei em seu nascimento todas as paixões não boas, deixei que crescessem, poderosas como os cedros seculares, as santas paixões do amor filial, do amor pátrio, das amizades, do trabalho, de tudo o que é ótimo e santo. Aqui senti saudade de minha mãe, que estava longe, aqui senti necessidade dos seus cuidados em minha fragilidade humana. Aqui senti renovar-se a dor de haver-me apartado da única que me amava perfeitamente, aqui pressenti a dor que me estava reservada e a dor pela sua dor, pobre mãe, que não terá mais lágrimas, de tantas que terá que derramar pelo seu Filho e por obra dos homens. E aqui senti o cansaço do herói e do asceta que, em uma hora de premonição, se apercebe da inutilidade do seu esforço… Chorei… A tristeza… chamariz mágico usado por satanás. Não é pecado estar triste, se a hora é penosa. É pecado ceder demais à tristeza, e cair na inércia ou no desespero. satanás vem sem demora, quando vê que alguém cai na fraqueza de espírito.

Veio. Vestido como um bondoso viajante. Toma sempre ares de bondade… Eu tinha fome… e tinha os trinta anos no sangue. Ofereceu-me ajuda. E, antes, me disse: “Diz a estas pedras que se transformem em pão.” Mas, antes ainda… sim… antes ainda me tinha falado da mulher… Oh! Ele sabe falar. Conhece-a a fundo. Foi o primeiro a corrompê-la, para fazer dela sua aliada na corrupção. Não sou somente o Filho de Deus. Sou Jesus, o operário de Nazaré. Disse àquele homem, que falara então Comigo, perguntando se Eu conhecia a tentação, e quase me acusava de ser injustamente feliz, por não haver pecado: “O ato aplaca com a satisfação. A tentação rejeitada não cai, mas se torna mais forte, mesmo porque satanás a estimula.” Repeli a tentação, tanto da fome de mulher, como da fome de pão. E ficai sabendo que satanás me apresentava a primeira, e humanamente falando, não estava enganado, como a melhor aliada para quem quer vencer no mundo.

A tentação, não vencida por aquelas minhas palavras: “Não só dos sentidos vive o homem”, falou-me, então, da minha missão. Ele queria seduzir o Messias, depois de ter tentado o Jovem. E passou a incitar-me a que, com um milagre, aniquilasse os indignos ministros do Templo… Não se pode dobrar o milagre, chama do céu, e fazer dele um arco de vime para coroar-se com ele… E não se tenta a Deus pedindo-lhe milagres para fins humanos. Isto queria satanás. O motivo apresentado era apenas um pretexto; a verdade era: “Gloria-te de seres o Messias”, para levar-me a outra concupiscência: a do orgulho.

Não vencido por aquelas minhas palavras: “Não tentarás o Senhor teu Deus”, circundou-me com a terceira força de sua natureza: o ouro. Oh! O ouro! Grande coisa é o pão, e maior é a mulher para quem tem o desejo de alimento ou de prazer. Coisa muito maior é a aclamação das multidões ao homem… por estas três coisas, quantos delitos se cometem! Mas o ouro… o ouro… é uma chave que abre, círculo que fecha, é o alfa e o ômega de noventa e nove por cento das ações humanas. Por causa do pão e da mulher o homem torna-se ladrão. Por causa do poder torna-se também homicida. Mas pelo ouro ele torna-se um idólatra. satanás, o rei do ouro, me ofereceu seu ouro, com a condição de que Eu o adorasse… Eu o traspassei com as palavras eternas: “Só ao Senhor teu Deus adorarás.”

Aqui. Foi aqui que aconteceu isso.

80.10

Jesus se levantou. Parece mais alto do que antes naquela terra plana que o circunda e sob aquela luz levemente fosforescente que desce das estrelas. Os discípulos também se levantam. Jesus continua a falar, fitando intensamente Judas.

– Então, vieram os anjos do Senhor… O Homem tinha vencido a tríplice batalha. O Homem sabia o que queria dizer ser homem, e tinha vencido. Estava exausto. A luta tinha sido mais desgastante do que o longo jejum… Mas o espírito se agigantava… Creio que com isto os céus se regozijaram, diante deste meu aperfeiçoamento de criatura dotada de conhecimento. Eu creio que, a partir daquele momento, veio a Mim o poder do milagre. Tinha sido Deus. Tornara-me o Homem. Agora, vencendo o animal, que estava ligado à natureza do homem, eis que Eu era o Homem-Deus. Eu sou. E, como Deus, tudo posso. E como Homem, tudo conheço. Fazei vós também como Eu, se quiserdes fazer o que Eu faço. E fazei-o em memória de Mim.

Aquele homem se admirava de que Eu tivesse pedido a ajuda do Pai. E que Eu lhe tivesse pedido que não me deixasse cair em tentação. Isto é, que não me deixasse entregue ao poder da tentação, além das minhas forças. Creio que aquele homem, agora que sabe, não se admirará mais. Fazei vós assim também, em memória de Mim, e para vencer como Eu, e não duvideis nunca, vendo-me forte em todas as tentações da vida, vitorioso na batalha dos cinco sentidos, do sentido e do sentimento, sobre a minha natureza de verdadeiro Homem, além do verdadeiro Deus. Lembrai-vos de tudo isso.

80.11

Tinha prometido levar-vos ao lugar em que teríeis podido conhecer o Mestre… desde a aurora do seu dia, uma aurora pura como esta que surge no meio dia da sua vida. O lugar de onde Eu parti, ao encontro da minha tarde humana… Eu disse a um de vós: “Eu também me preparei.” Vós estais vendo que era verdade. Agradeço-vos por me terdes feito companhia nesta volta ao meu lugar natal e penitencial. Os primeiros contatos com o mundo já me tinham causado náuseas e desconforto. É feio demais. Agora a minha alma nutriu-se com o tutano do leão: da união com o Pai, na oração e na solidão. E posso voltar ao mundo para tomar de novo a minha cruz, a minha primeira cruz de Redentor: aquela do contato com o mundo. Com o mundo no qual bem poucas são as almas que têm o nome de Maria e de João…

Detalhe

Resumo: Lição sobre a tentação de Cristo. Aborda-se aqui Satanás, a tentação do Senhor, o facto de Ele ser o Homem-Deus e, portanto, o Filho do Homem...

Anotação

Mateus 3, 13-17 e 4, 1-11: Então apareceu Jesus. Tinha vindo da Galileia até ao Jordão, até João, para ser batizado por ele. João tentou impedi-lo, dizendo: «Sou eu que preciso de ser batizado por ti, e és tu que vens ter comigo!» Mas Jesus respondeu-lhe: «Deixa por agora, pois convém que assim cumpramos toda a justiça.» Então João deixou-o fazer. Assim que Jesus foi batizado, saiu da água, e eis que os céus se abriram: viu o Espírito de Deus a descer como uma pomba e a pousar sobre ele. E dos céus, uma voz dizia: «Este é o meu Filho amado, em quem me agrado.»

Então Jesus foi levado pelo Espírito para o deserto, para ser tentado pelo diabo. Depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, sentiu fome.

O tentador aproximou-se e disse-lhe: «Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se transformem em pães.» Mas Jesus respondeu: «Está escrito: O homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.»

Então o diabo levou-o à Cidade Santa, colocou-o no cume do Templo e disse-lhe: «Se és Filho de Deus, atira-te para baixo; pois está escrito: Ele dará ordens aos seus anjos a teu respeito, e: “Eles sustentar-te-ão nas suas mãos, para que o teu pé não tropece numa pedra.” Jesus declarou-lhe: «Está ainda escrito: Não porás à prova o Senhor, teu Deus.»

O diabo levou-o ainda a um monte muito alto e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a sua glória. E disse-lhe: «Tudo isto te darei, se te prostrares aos meus pés e me adorares.» » Então, Jesus disse-lhe: «Afasta-te, Satanás! Pois está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás e só a ele servirás.»

Então o diabo afastou-se dele. E eis que se aproximaram anjos, que o serviam.

Marcos 1, 9-13

Naqueles dias, Jesus veio de Nazaré, cidade da Galileia, e foi batizado por João no Jordão. E, logo que saiu da água, viu os céus a rasgarem-se e o Espírito a descer sobre ele como uma pomba. Ouviu-se uma voz vinda dos céus: «Tu és o meu Filho amado; em ti tenho o meu prazer.» » Imediatamente, o Espírito levou Jesus para o deserto, onde permaneceu quarenta dias, sendo tentado por Satanás. Ele vivia entre os animais selvagens, e os anjos serviam-no.

Lucas 3, 21-22 e 4, 1-13: Enquanto todo o povo se fazia batizar e, depois de também ter sido batizado, Jesus orava, o céu abriu-se. O Espírito Santo, sob uma aparência corporal, como uma pomba, desceu sobre Jesus, e ouviu-se uma voz vinda do céu: «Tu és o meu Filho amado; em ti encontro a minha alegria.»

Jesus, cheio do Espírito Santo, partiu das margens do Jordão; no Espírito, foi conduzido pelo deserto, onde, durante quarenta dias, foi tentado pelo diabo. Não comeu nada durante esses dias e, quando esse tempo terminou, sentiu fome.

O diabo disse-lhe então: «Se és Filho de Deus, ordena que esta pedra se transforme em pão.» Jesus respondeu: «Está escrito: O homem não vive só de pão.»

Então o diabo levou-o a um lugar mais elevado e mostrou-lhe, num instante, todos os reinos da terra. Disse-lhe: «Dar-te-ei todo este poder e a glória destes reinos, pois isto me foi entregue e eu dou-o a quem quero. Tu, portanto, se te prostrares perante mim, terás tudo isto.» Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: É perante o Senhor, teu Deus, que te prostrarás; a ele só rendarás culto.»

Depois, o diabo levou-o a Jerusalém, colocou-o no cume do Templo e disse-lhe: «Se és Filho de Deus, atira-te daqui para baixo; pois está escrito: Ele ordenará aos seus anjos que te guardem; e ainda: Eles te sustentarão com as mãos, para que o teu pé não tropece numa pedra.» Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: Não porás à prova o Senhor, teu Deus.»

Tendo assim esgotado todas as formas de tentação, o diabo afastou-se de Jesus até ao momento determinado.

João 1, 29-34: No dia seguinte, vendo Jesus a vir na sua direção, João declarou: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo; foi dele que eu disse: “O homem que vem depois de mim já me ultrapassou, pois antes de mim ele já existia”. E eu não o conhecia; mas, se vim batizar com água, foi para que ele fosse manifestado a Israel.» Então João prestou este testemunho: «Vi o Espírito descer do céu como uma pomba e repousar sobre ele. E eu não o conhecia; mas aquele que me enviou para batizar com água disse-me: “Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, esse é quem batiza no Espírito Santo.” Eu vi e dou testemunho: este é o Filho de Deus.»

EMF 80.8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Agora vós, meus amigos, podereis saber o que só levemente aquele homem ficou sabendo. Depois do batismo — Eu estava limpo, mas nunca se é limpo bastante diante do Altíssimo, e a humildade de dizer: “Sou homem e pecador” já é um batismo que purifica o coração — Eu vim até aqui. Fui chamado “o Cordeiro de Deus”, por aquele que, santo e profeta, via a Verdade e via descer o Espírito sobre o Verbo e torná-lo Ungido pelo seu carisma de amor, enquanto a voz do Pai enchia os céus com o seu som, dizendo: “Eis o meu Filho dileto no qual Eu me comprazo.” Tu, João, estavas presente, quando o Batista repetiu as palavras… Depois do batismo, se bem que limpo por natureza e limpo pelo aspecto, Eu quis “preparar-me.” Sim, Judas. Olha para Mim. Que meus olhos te digam o que a boca ainda se cala. Olha para Mim, Judas. Olha para o teu Mestre que não se sentiu superior ao homem por ser o Messias, e que, ao contrário, sabendo-se o Homem, quis sê-lo em tudo, exceto em condescender com o mal. Isso mesmo.

Anotação

Mateus 3, 13-17 e 4, 1-11: Então apareceu Jesus. Tinha vindo da Galileia até ao Jordão, até João, para ser batizado por ele. João tentou impedi-lo, dizendo: «Sou eu que preciso de ser batizado por ti, e és tu que vens ter comigo!» Mas Jesus respondeu-lhe: «Deixa por agora, pois convém que assim cumpramos toda a justiça.» Então João deixou-o fazer. Assim que Jesus foi batizado, saiu da água, e eis que os céus se abriram: viu o Espírito de Deus a descer como uma pomba e a pousar sobre ele. E dos céus, uma voz dizia: «Este é o meu Filho amado, em quem me agrado.»

Então Jesus foi levado pelo Espírito para o deserto, para ser tentado pelo diabo. Depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, sentiu fome.

O tentador aproximou-se e disse-lhe: «Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se transformem em pães.» Mas Jesus respondeu: «Está escrito: O homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.»

Então o diabo levou-o à Cidade Santa, colocou-o no cume do Templo e disse-lhe: «Se és Filho de Deus, atira-te para baixo; pois está escrito: Ele dará ordens aos seus anjos a teu respeito, e: “Eles sustentar-te-ão com as suas mãos, para que o teu pé não tropece numa pedra.” Jesus declarou-lhe: «Está ainda escrito: Não porás à prova o Senhor, teu Deus.»

O diabo levou-o ainda a um monte muito alto e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a sua glória. E disse-lhe: «Tudo isto te darei, se te ajoelhares aos meus pés e te prostrares perante mim. » Então, Jesus disse-lhe: «Afasta-te, Satanás! Pois está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás e só a ele rendarás culto.»

Então o diabo afastou-se dele. E eis que se aproximaram anjos, que o serviam.

Marcos 1, 9-13

Naqueles dias, Jesus veio de Nazaré, cidade da Galileia, e foi batizado por João no rio Jordão. E, logo que saiu da água, viu os céus a abrirem-se e o Espírito a descer sobre ele como uma pomba. Ouviu-se uma voz vinda dos céus: «Tu és o meu Filho amado; em ti tenho o meu prazer.» » Imediatamente, o Espírito levou Jesus para o deserto, onde permaneceu quarenta dias, sendo tentado por Satanás. Ele vivia entre os animais selvagens, e os anjos serviam-no.

Lucas 3, 21-22 e 4, 1-13: Enquanto todo o povo se fazia batizar e, depois de também ter sido batizado, Jesus orava, o céu abriu-se. O Espírito Santo, sob uma aparência corporal, como uma pomba, desceu sobre Jesus, e ouviu-se uma voz vinda do céu: «Tu és o meu Filho amado; em ti encontro a minha alegria.»

Jesus, cheio do Espírito Santo, partiu das margens do Jordão; pelo Espírito, foi conduzido pelo deserto, onde, durante quarenta dias, foi tentado pelo diabo. Não comeu nada durante esses dias e, quando esse tempo terminou, sentiu fome.

O diabo disse-lhe então: «Se és Filho de Deus, ordena que esta pedra se transforme em pão.» Jesus respondeu: «Está escrito: O homem não vive só de pão.»

Então o diabo levou-o a um lugar mais elevado e mostrou-lhe, num instante, todos os reinos da terra. Disse-lhe: «Dar-te-ei todo este poder e a glória destes reinos, pois isto me foi entregue e eu dou-o a quem quero. Tu, portanto, se te prostrares perante mim, terás tudo isto.» Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: É perante o Senhor, teu Deus, que te prostrarás; a ele só rendarás culto.»

Depois, o diabo levou-o a Jerusalém, colocou-o no cume do Templo e disse-lhe: «Se és Filho de Deus, atira-te daqui para baixo; pois está escrito: Ele ordenará aos seus anjos que te guardem; e ainda: Eles levar-te-ão nas suas mãos, para que o teu pé não tropece numa pedra.» Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: Não porás à prova o Senhor, teu Deus.»

Tendo assim esgotado todas as formas de tentação, o diabo afastou-se de Jesus até ao momento determinado.

João 1, 29-34: No dia seguinte, vendo Jesus a vir na sua direção, João declarou: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo; foi dele que eu disse: “O homem que vem depois de mim já me ultrapassou, pois antes de mim ele já existia”. E eu não o conhecia; mas, se vim batizar com água, foi para que ele fosse manifestado a Israel.» Então João prestou este testemunho: «Vi o Espírito descer do céu como uma pomba e repousar sobre ele. E eu não o conhecia; mas aquele que me enviou para batizar com água disse-me: “Aquele sobre quem vires o Espírito descer e repousar, esse é quem batiza no Espírito Santo.” Eu vi e dou testemunho: este é o Filho de Deus.»