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Notas do tema

Novo Testamento

Página 141 de 189

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EMF 173.7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

E por isso vos digo: não vos preocupeis por receio de terdes pouco. Vós tereis sempre o necessário. Não fiquem preocupados, pensando no futuro. Ninguém sabe quanto de futuro tem ainda à sua frente. Não fiqueis pensando no que havereis de comer para sustentar-vos na vida, nem com que vos vestireis para esquentar o vosso corpo. A vida do vosso espírito é bem mais preciosa do que o ventre e os membros e vale muito mais do que o alimento e as vestes. E o vosso Pai sabe disso. Que vós também o saibais. Olhai as aves do céu: não semeiam, nem colhem, nem acumulam nos celeiros e, no entanto, não morrem de fome, porque o Pai do Céu as nutre. Vós, homens, criaturas prediletas do Pai, valeis muito mais do que elas.

Quem de vós, com toda a vossa inteligência, seria capaz de aumentar um côvado em vossa altura? Se não conseguis aumentar a vossa altura nem um palmo, como podeis pensar em mudar as vossas condições futuras, aumentando as vossas riquezas, para garantir uma longa e próspera velhice? Podeis dizer à morte “Tu só me virás buscar quando eu quiser?” Não o podeis. Para que então, viver preocupados com o amanhã? Por que ficar tristes por medo de não ter o que vestir? Olhai como crescem os lírios do campo: eles não se cansam, não fiam, nem tecem, não visitam os vendedores de tecidos para suas compras, no entanto, Eu vos asseguro que nem mesmo Salomão, com toda a sua glória, nunca se vestiu como um deles. Ora, se Deus veste assim a erva, que hoje existe e amanhã irá servir para aquecer o forno, ou para a pastagem do rebanho, terminando sempre em cinza, ou esterco, quanto mais não proverá para vós, que sois seus filhos?

Não sejais pessoas de pouca fé. Não vos angustieis, porque o futuro é incerto, nem dizei: “Quando eu ficar velho, que é que vou comer? Que é que vou beber? Com que vou me vestir?” Deixai essas preocupações para os pagãos, que não têm a sublime certeza da paternidade divina. Vós a tendes e sabeis que o Pai conhece as vossas necessidades, e vos ama. Confiai, pois, nele. Procurai primeiro as coisas verdadeiramente necessárias: a fé, a bondade, a caridade, a humildade, a misericórdia, a pureza, a justiça, a mansidão, as três e as quatro virtudes principais, e todas as outras também, de modo que possais ser amigos de Deus com direito ao seu Reino: Eu vos asseguro que tudo o mais vos será dado em acréscimo, sem que vós o peçais. Não há rico mais rico nem seguro mais seguro do que o santo. Deus está com ele. E o santo está com Deus. Para o seu corpo não pede nada e Deus o provê do necessário. Mas ele trabalha para o seu espírito, e Deus se dá a Si Mesmo a ele aqui neste mundo, e lhe dá o Paraíso, depois desta vida.

Não fiqueis sofrendo por algo que não merece o vosso sofrimento. Afligi-vos, sim, por serdes imperfeitos, mas não por terdes poucos bens terrenos. Não vos preocupeis com o dia de amanhã. O dia de amanhã pensará a por si mesmo, e vós pensareis nele quando o estiverdes vivendo. Por que pensar nele desde hoje? A vida já não está bem cheia das lembranças tristes de ontem e dos pensamentos desagradáveis de hoje, para sentirdes ainda necessidade de viver com o pesadelo do dia de amanhã? Deixai para cada dia os seus problemas! Existirão sempre mais sofrimentos, do que nós quereríamos nesta vida, sem que precisemos aumentar os sofrimentos presentes com o pensamento do futuro! Dizei sempre a grande palavra de Deus: “Hoje.” Sede seus filhos à sua semelhança. Dizei, pois com Ele: “Hoje.”

Anotação

Amanhã ele pensará em si mesmo. Este pensamento, que se tornou proverbial, está registado em Mateus 6:34. É novamente mencionado por Jesus em EMV 584.15.

EMF 173.7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Não há rico mais rico nem seguro mais seguro do que o santo. Deus está com ele. E o santo está com Deus. Para o seu corpo não pede nada e Deus o provê do necessário. Mas ele trabalha para o seu espírito, e Deus se dá a Si Mesmo a ele aqui neste mundo, e lhe dá o Paraíso, depois desta vida.

EMF 174.2-7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A multidão põe-se em movimento, para dividir-se assim em três partes: os que estão doentes, os que são pobres e os que somente desejam a doutrina.

Mas, entre estes últimos, primeiro dois e depois três, parecem ter necessidade de alguma coisa, que não é a saúde nem o dinheiro, mas, é mais necessária do que estas coisas. Uma mulher e dois homens. Olham, olham para os apóstolos e não ousam falar. (...)

Jesus está inclinado sobre os doentes, e os hosanas da multidão festejam cada milagre. Uma mulher, que parece estar sofrendo muito, ousa puxar João pela veste, enquanto ele está conversando alegremente com André. Ele se inclina e pergunta:

– Que queres, mulher?

– Desejaria falar com o Mestre…

– Tens alguma doença? Pobre não és…

– Não tenho doença e não sou pobre. Mas estou precisando dele… porque existem doenças sem febre e misérias sem pobreza. E a minha… a minha… –e chora.

– Escuta, André. Esta mulher tem um sofrimento em seu coração e desejaria ir dizê-lo ao Mestre. Como faremos?

André olha para a mulher, e diz:

– Certamente é alguma coisa que faz sofrer ao revelar-se…

A mulher faz com a cabeça o sinal que sim. Então, André continua:

– Não chores… João, procura levá-la atrás da nossa tenda. Eu levarei o Mestre até lá.

João, com seu sorriso, pede que abram caminho para ele poder passar, enquanto André vai na direção oposta, para Jesus. Aqueles movimentos deles são observados por dois homens aflitos, e um deles parou João e o outro André e, pouco depois, tanto um como o outro estão juntos com João e com a mulher detrás do tapume de ramos que serve de parede para a tenda.

André alcança Jesus, no momento em que este está curando um aleijado, que levanta as muletas como dois troféus, ágil como um bailarino, apregoando a sua bênção. André sussurra:

– Mestre, lá atrás do nossa tenda, há três que estão chorando. Mas o mal deles é do coração, e não pode ser conhecido por outros…

– Está bem. Tenho ainda esta menina e esta mulher. Depois irei. Vai dizer-lhes que tenham fé.

André vai (...).

Os doentes já foram todos atendidos, e são eles que gritam com mais força no meio daquela multidão que aplaude ao “Filho de Davi, glória de Deus e nossa.”

Jesus vai agora para a tenda.

Judas de Keriot grita:

– Mestre, e estes?

Jesus se vira, e diz:

– Esperem onde estão. Eles também serão consolados.

Com passos rápidos, se dirige para trás do tapume, ao lugar onde estão, André e João e os sofredores.

– Primeiro, a mulher. Vem comigo entre estas sebes. Fala sem medo.

– Senhor, meu marido me abandonou por uma prostituta. Eu tenho cinco filhos, e o último está com dois anos… Minha dor é grande… penso nos filhos… Não sei se ele os quererá, ou se os deixará comigo. Os filhos homens, pelo menos o primeiro, quererá que fique com ele… e eu, que o dei a luz, não poderei mais ter a alegria de vê-lo? E, que ficarão eles pensando do pai e de mim? De um dos dois eles hão de pensar mal. E eu não gostaria que eles ficassem julgando o seu pai…

– Não chores. Eu sou o Senhor da Vida e da Morte. Teu marido não se casará com aquela mulher. Vai em paz, e continua a ser boa.

– Mas… não o vais matar? Oh! Senhor, eu o amo!

Jesus sorri:

– Eu não matarei ninguém. Mas haverá quem faça o seu trabalho. Fica sabendo que o demônio não é mais que Deus. Retornando à tua cidade, saberás que alguém matou a criatura maldosa, de tal modo, que o teu marido compreenderá o que estava fazendo e te amará com um renovado amor.

A mulher beija-lhe a mão, que Jesus pôs sobre sua cabeça, e vai embora.

174.6

Vem um dos dois homens.

– Eu tenho uma filha, Senhor. Infelizmete, ela foi a Tiberíades com algumas amigas e foi como se ela houvesse aspirado um veneno. Voltou para casa como ébria. Agora quer ir embora com um grego… e depois… Mas, por que me nasceu esta filha? Sua mãe está com tamanha dor que talvez morrerá… Eu… somente as tuas palavras, que eu ouvi no inverno passado é que ainda me impedem de matá-la. Mas, eu te confesso, o meu coração já a amaldiçoou.

– Não. Deus, que é Pai, não amaldiçoa senão um pecado completo e obstinado. Que queres de Mim?

– Que tu a faças cair em si.

– Eu não a conheço, e ela certamente não vem até Mim.

– Mas Tu podes mudar o coração dela também de longe! Sabes quem me manda a Ti? Joana de Cusa. Estava partindo para Jerusalém, quando eu fui ao seu palácio para perguntar se conhecia esse grego infame. Eu pensava que ela não o conhecesse, porque é boa, ainda que more em Tiberiades, mas, como Cusa lida com os pagãos… Não o conhece. Mas me disse: “Vai até Jesus. Ele, estando bem longe de mim, fez voltar o meu espírito e me curou da minha tuberculose com aquele gesto. Ele curará também o coração da tua filha. Eu rezarei e tu, tem fé. Eu tenho fé.” Tu estás vendo. Tem piedade, Mestre.

– Tua filha, nesta tarde, irá chorar sobre os joelhos de sua mãe, pedindo perdão. E tu também, sê bom, como a mãe: perdoa. O passado morreu.

– Sim, Mestre. Seja como Tu queres, e que sejas bendito.

Ele se vira para ir embora… mas depois volta a trás:

– Perdoa, Mestre, mas estou com muito medo… A luxúria é um verdadeiro demônio! Dá-me um fio da tua veste. Eu o colocarei no travesseiro de minha filha. Enquanto ela estiver dormindo, o demônio não a tentará.

Jesus sorri, e sacode a cabeça… mas atende ao homem, dizendo-lhe:

– É para que fiques tranquilo. Mas podes crer que, quando Deus diz “Eu quero”, o diabo vai-se embora, sem que seja preciso mais nada. Quer dizer que terás isto como uma lembrança de Mim –e lhe dá um pequeno floco de suas franjas.

174.7

Vem o terceiro homem:

– Mestre, meu pai morreu. Mas nós pensávamos que ele possuísse riqueza em dinheiro. Mas nada disso encontramos. Isso ainda seria um mal menor, porque entre nós irmãos não nos falta o pão. Mas eu, sendo o primogênito, morava com meu pai. Agora os outros dois irmãos estão me acusando de ter feito desaparecer as moedas e querem mover uma ação contra mim, como se eu fosse ladrão. Tu estás vendo o meu coração. Eu não roubei nem um vintém. Meu pai guardava seu dinheiro em um cofre, dentro de uma caixinha de ferro. Quando ele morreu, abrimos a caixinha e nela nada havia. Então eles disseram: “Esta noite, enquanto estávamos dormindo, tu a apanhaste.” Não é verdade. Ajuda-me a manter a paz e a estima entre nós.

Jesus olha para ele, fitando-o bem, e sorri.

– Por que estás sorrindo, Mestre?

– Porque o culpado foi o teu pai, uma culpa de criança quando esconde o seu brinquedo, por medo de que o apanhem.

– Mas ele não era avarento. Podes crer. Ele fazia o bem.

– Eu sei… Mas já estava muito velho… São doenças de velhos. Ele queria conservar o dinheiro para vós e vos pôs em choque, por causa de um amor exagerado. Mas a caixinha está enterrada aos pés da escada da adega. Eu te digo isto, para que fiques sabendo que Eu sei. Enquanto Eu estou te falando, por um mero acaso, o teu irmão menor estava batendo no chão, com raiva, e fez que a caixa vibrasse e a descobriram, ficando eles confusos e arrependidos por te terem acusado. Volta para casa tranquilo e sê bom para com eles. Não lhes digas nada pela falta de estima deles para contigo.

– Não, Senhor. Eu nem irei agora. Eu ficarei aqui para te ouvir. Irei amanhã.

– E se ficarem com o teu dinheiro?

– Tu dizes que não devemos ser avarentos. Eu não quero ser. Basta-me que haja paz entre nós. Afinal, eu nem sabia quanto dinheiro havia na caixinha e não ficarei aflito com nenhuma notícia que me derem, mesmo que seja diferente da verdade. Penso até que aquele dinheiro podia estar perdido… Como eu teria vivido antes, viverei agora, se eles me negarem o que é meu. Basta que não me chamem de ladrão.

– Estás já bem adiantado no caminho de Deus. Segue assim, e a paz esteja contigo.

Ele também parte contente.

EMF 174.3-4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Passa Bartolomeu, já ancião e muito sério; passa Mateus e Filipe, que levam nos braços um aleijado que teria tido muito trabalho para atravessar a multidão compacta; passam os primos do Senhor amparando um mendigo quase cego e uma velha pobrezinha, que chora enquanto conta a Tiago os seus males; passa Tiago de Zebedeu com uma pobre menina nos braços, certamente doente que ele tomou da mãe, que o segue aflita, para impedir que a multidão faça algum mal a ela. (...)

Jesus está inclinado sobre os doentes, e os hosanas da multidão festejam cada milagre. (...)

André alcança Jesus, no momento em que este está curando um aleijado, que levanta as muletas como dois troféus, ágil como um bailarino, apregoando a sua bênção. André sussurra:

– Mestre, lá atrás do nossa tenda, há três que estão chorando. Mas o mal deles é do coração, e não pode ser conhecido por outros…

– Está bem. Tenho ainda esta menina e esta mulher. Depois irei. Vai dizer-lhes que tenham fé.

André vai, enquanto Jesus se inclina sobre a menina, que a mãe tomou de novo no colo.

– Como te chamas? –pergunta-lhe Jesus.

– Maria.

– E Eu, como me chamo?

– Jesus –responde a menina.

– Quem sou Eu?

– O Messias do Senhor, que veio para fazer o bem aos corpos e às almas.

– Quem te disse isto?

– A mamãe e o papai, que esperam em Ti pela minha vida.

– Vive e sê boa.

A menina, que acho ter sido doente da espinha, pois mesmo com sete anos ou mais, não se movia senão com as mãos, e toda apertada em grossas e duras faixas, das axilas até os quadris (podem-se ver as faixas, porque a mãe abriu o vestidinho da menina para mostrá-las), fica ainda assim como estava há alguns minutos. Depois tem um sobressalto, desliza do colo materno para o chão, e corre até Jesus, que está curando a mulher, cujo caso não compreendo.

Os doentes já foram todos atendidos, e são eles que gritam com mais força no meio daquela multidão que aplaude ao “Filho de Davi, glória de Deus e nossa.”

EMF 174.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Como te chamas? –pergunta-lhe Jesus.

– Maria.

– E Eu, como me chamo?

– Jesus –responde a menina.

– Quem sou Eu?

– O Messias do Senhor, que veio para fazer o bem aos corpos e às almas.

– Quem te disse isto?

– A mamãe e o papai, que esperam em Ti pela minha vida.

– Vive e sê boa.

A menina, que acho ter sido doente da espinha, pois mesmo com sete anos ou mais, não se movia senão com as mãos, e toda apertada em grossas e duras faixas, das axilas até os quadris (podem-se ver as faixas, porque a mãe abriu o vestidinho da menina para mostrá-las), fica ainda assim como estava há alguns minutos. Depois tem um sobressalto, desliza do colo materno para o chão, e corre até Jesus, que está curando a mulher, cujo caso não compreendo.

Os doentes já foram todos atendidos, e são eles que gritam com mais força no meio daquela multidão que aplaude ao “Filho de Davi, glória de Deus e nossa.”

Detalhe

Jesus cura uma menina que proclama que ele é o Messias.

Palavras-chave

EMF 174.8-10 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– A paz esteja convosco.

Quando Eu vos explico os caminhos do Senhor é para que os sigais. Poderíeis vós, ao mesmo tempo, ir à direita e à esquerda? Não poderíeis. Porque, se tomais um, deveis abandonar o outro. Mesmo que se tratasse de dois caminhos próximos um do outro, poderíeis insistir em caminhar com um pé em um e o outro pé no outro, mas acabaríeis cansando-vos ou errando, ainda que se tratasse de uma aposta. Contudo, entre o caminho de Deus e o de satanás existe uma grande distância, que torna sempre maior, justamente como aqueles dois caminhos que desembocam aqui, mas que, a cada passo, ao descer para o vale, ficam sempre mais longe um do outro, porque um vai para Cafarnaum e o outro para Ptolomaida.

A vida é assim, desliza lá do alto, entre o passado e o futuro, entre o mal e o bem. No centro está o homem, com a sua vontade e o seu livre arbítrio. Nas extremidades, de um lado está Deus e o Céu; do outro, está satanás e o Inferno. O homem pode escolher. Ninguém o obriga. Não se diga “satanás tenta”, como desculpa para as descidas pelo caminho de baixo. Também Deus tenta, com o seu amor que é bem forte; com as suas palavras, que são bem santas; com as suas promessas, que são bem sedutoras! Por que, então, deixar-se tentar só por um dos dois e logo por aquele que nenhum merecimento tem para ser escutado? As palavras, as promessas, o amor de Deus não serão suficientes para neutralizar o veneno de satanás?

Olhai bem como isto depõe contra vós. Quando alguém é física e fortemente são, não é imune aos contágios, mas os supera com facilidade. Contudo, se alguém está doente e, portanto, enfraquecido, perecerá quase com certeza, se alguma nova infecção lhe sobrevier e, ainda que ele sobreviva a ela, estará mais doente do que antes, porque não tem, em seu sangue, a força para destruir os germes infecciosos, completamente. O mesmo se diga para a parte superior. Se alguém é moral e espiritualmente são e forte, sabe que não está isento da tentação, mas o mal não criará raízes nele. Quando ouço alguém dizer: “Eu me aproximei disto e daquilo, lendo algo ou procurando convencer alguém do bem que tinha o mal na mente e no coração, ou no livro lido, isso penetrou em mim.” Concluo: “Demonstra assim que já tinhas preparado o terreno favorável para aquela penetração. Isso demonstra que és um fraco, sem energia moral e espiritual. Porque até de nossos inimigos devemos tirar algum bem. Observando os erros deles, devemos aprender a não cair nos mesmos. O homem inteligente não se torna joguete da primeira doutrina que ouve. O homem saturado de uma doutrina encontrar em si mesmo lugar para outras. Isto explica a dificuldade para persuadir pessoas que estão convictas de outras doutrinas a seguirem a verdadeira Doutrina. Mas se tu me dizes que mudas de pensamento, ao menor sopro de vento, Eu vejo que estás cheio do vazio, tens a tua fortaleza espiritual cheia de fendas, os diques do teu pensamento estão furados em mil pontos e por eles estão saindo as águas boas e entrando as contaminadas, e tu ficas tão pasmado e apático, que nem te dás conta do que está acontecendo, nem tomas providências. És um infeliz.”

Por isso, sabei escolher o bom entre os dois caminhos e prosseguir, resistindo, resistindo, resistindo aos aliciamentos da sensualidade, do mundo, da ciência e do demônio. A meia fé, os comprometimentos, os pactos entre os opostos, deixai-os para os homens do mundo. Não deviam existir nem mesmo entre os homens honestos. Mas vós, pelo menos vós, ó homens de Deus, não os tenhais. Nem com Deus, nem com Mamon podeis fazer esses pecar, porém façam nem convosco mesmos, porque não teriam valor. As vossas ações mescladas do que é bom com o que não é bom, não teriam nenhum valor. As ações completamente boas viriam a ser depois anuladas pelas não boas. As más vos levariam diretamente aos braços do inimigo. Não as façais, pois. Mas, sede leais no vosso serviço.

Ninguém pode servir a dois senhores que pensem diferentemente. Ou amará a um para odiar o outro, ou vice-versa. Não podeis ser igualmente de Deus e de Mamon. O espírito de Deus não pode conciliar com o espírito do mundo. Um sobe, o outro desce. Um santifica, o outro corrompe. Se estais corrompidos, como podereis agir com pureza? A sensualidade se acende nos corrompidos e, atrás da sensualidade, as outras fomes.

174.9

Vós já sabeis como Eva se corrompeu, depois Adão, por meio dela. Satanás beijou[1] os olhos da mulher e os seduziu assim, de modo que toda a aparência, até então pura, tornou-a impura, passando a despertar estranhas curiosidades. Em seguida, satanás beijou-lhe os ouvidos e os fez ficar abertos a palavras de uma ciência até então desconhecida: a dele. Também a mente de Eva quis conhecer o que não era necessário. Depois, satanás, aos olhos e à mente despertados para o Mal, mostrou o que antes não tinham visto nem compreendido, e tudo em Eva foi despertado e corrompido e a Mulher, indo ao Homem, revelou-lhe o seu segredo e persuadiu Adão a que provasse do novo belo fruto e que até agora era proibido. Beijou-o com a boca e as pupilas as quais havia então a desordem de satanás. A corrupção penetrou em Adão que viu, através dos olhos, desejando o que era proibido e o mordeu, com a companheira, caindo da grande altura em que estava, na lama.

Quando alguém está corrompido, arrasta o outro para a corrupção, a não ser que o outro seja um santo, no verdadeiro sentido da palavra.

Atentos com os vossos olhares, homens. Tanto com os olhares dos olhos como os da mente. Os olhos, uma vez corrompidos, não podem deixar de corromper o resto. Os olhos são a luz do corpo. Luz do coração é o teu pensamento. Mas, se os teus olhos não forem puros (pela sujeição dos órgãos ao pensamento, os sentidos se corrompem por um pensamento corrompido), tudo em ti ficará ofuscado, e névoas sedutoras criarão em ti fantasmas impuros. Tudo é puro naqueleque tem pensamentos e olhares puros. A luz de Deus desce como senhora onde não há obstáculos postos pelos sentidos. Mas se, por uma decisão, tu educaste os teus olhos a uma visão desordenada, tudo em ti se tornará trevas. Inutilmente olharás até para as coisas mais santas. No escuro, elas não serão mais do que trevas, e tu farás obras das trevas.

174.10

Por isso, filhos de Deus, guardai-vos contra vós mesmos. Vigiai-vos atentamente contra todas as tentações. Que sejamos tentados não é mal. O atleta se prepara para a vitória pela luta. Mal é ser vencidos por sermos despreparados e desatentos. Eu sei que tudo serve para tentar. Eu sei que a defesa enerva. Eu sei que a luta cansa. Mas coragem! Pensai no que podeis adquirir com estas coisas! Por uma hora de prazer, seja lá de que qualidade for, quereis perder uma eternidade de paz? Que é que vos deixa o prazer da carne, do ouro e do pensamento? Nada. Que é que adquiris, repudiando-os? Tudo. Eu falo a pecadores, porque o homem é pecador. Pois bem, dizei-me a verdade: depois de terdes satisfeito a sensualidade ou o orgulho, ou a avareza, vos sentistes mais viçosos, mais contentes, mais seguros? Na hora que vem depois daquela satisfação — e que é sempre uma hora de reflexão —, sereis mesmo, sinceramente, felizes? Eu não provei esse pão da sensualidade. Mas Eu respondo por vós: “Não! Paixão, descontentamento, incerteza, náusea, medo, inquietação. Eis o suco espremido da hora passada.” Mas Eu vos peço. Mesmo se digo “Nunca façais isto”, também vos digo: “Não sejais inexoráveis com os que erram.” Recordai-vos que sois todos irmãos, feitos de carne e de alma. Pensai que muitas são as causas pelas quais alguém é induzido a pecar. Sede misericordiosos para com os pecadores e com bondade levantai-os e conduzi-os a Deus, mostrando que o caminho por eles percorrido é cheio de perigos da carne, da mente e do espírito. Fazei isto, e recebereis um grande prêmio. Porque o Pai que está nos Céus é misericordioso com os bons, sabendo dar o cêntuplo por um. Por isso Eu vos digo…

(E aqui Jesus me diz que devo copiar a visão ditado, de 12 de agosto de 1944, B 961, da 35ª linha até o fim , isto é, até a partida de Madalena: “e ri de raiva e de escárnio.” Depois continuará o que vem em seguida, naturalmente omitindo[2] este parêntesis).

Detalhe

Esta é a primeira pregação de Cristo na MTS 174. São três no total.

EMF 174.8 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A vida (...) desliza lá do alto, entre o passado e o futuro, entre o mal e o bem. No centro está o homem, com a sua vontade e o seu livre arbítrio. Nas extremidades, de um lado está Deus e o Céu; do outro, está satanás e o Inferno. O homem pode escolher. Ninguém o obriga.

EMF 174.8 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

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Citação

Quando Eu vos explico os caminhos do Senhor é para que os sigais. Poderíeis vós, ao mesmo tempo, ir à direita e à esquerda? Não poderíeis. Porque, se tomais um, deveis abandonar o outro. Mesmo que se tratasse de dois caminhos próximos um do outro, poderíeis insistir em caminhar com um pé em um e o outro pé no outro, mas acabaríeis cansando-vos ou errando, ainda que se tratasse de uma aposta. Contudo, entre o caminho de Deus e o de satanás existe uma grande distância, que torna sempre maior, justamente como aqueles dois caminhos que desembocam aqui, mas que, a cada passo, ao descer para o vale, ficam sempre mais longe um do outro, porque um vai para Cafarnaum e o outro para Ptolomaida.

A vida é assim, desliza lá do alto, entre o passado e o futuro, entre o mal e o bem. No centro está o homem, com a sua vontade e o seu livre arbítrio. Nas extremidades, de um lado está Deus e o Céu; do outro, está satanás e o Inferno. O homem pode escolher. Ninguém o obriga. Não se diga “satanás tenta”, como desculpa para as descidas pelo caminho de baixo. Também Deus tenta, com o seu amor que é bem forte; com as suas palavras, que são bem santas; com as suas promessas, que são bem sedutoras! Por que, então, deixar-se tentar só por um dos dois e logo por aquele que nenhum merecimento tem para ser escutado? As palavras, as promessas, o amor de Deus não serão suficientes para neutralizar o veneno de satanás?

Olhai bem como isto depõe contra vós. Quando alguém é física e fortemente são, não é imune aos contágios, mas os supera com facilidade. Contudo, se alguém está doente e, portanto, enfraquecido, perecerá quase com certeza, se alguma nova infecção lhe sobrevier e, ainda que ele sobreviva a ela, estará mais doente do que antes, porque não tem, em seu sangue, a força para destruir os germes infecciosos, completamente. O mesmo se diga para a parte superior. Se alguém é moral e espiritualmente são e forte, sabe que não está isento da tentação, mas o mal não criará raízes nele. Quando ouço alguém dizer: “Eu me aproximei disto e daquilo, lendo algo ou procurando convencer alguém do bem que tinha o mal na mente e no coração, ou no livro lido, isso penetrou em mim.” Concluo: “Demonstra assim que já tinhas preparado o terreno favorável para aquela penetração. Isso demonstra que és um fraco, sem energia moral e espiritual. Porque até de nossos inimigos devemos tirar algum bem. Observando os erros deles, devemos aprender a não cair nos mesmos. O homem inteligente não se torna joguete da primeira doutrina que ouve. O homem saturado de uma doutrina encontrar em si mesmo lugar para outras. Isto explica a dificuldade para persuadir pessoas que estão convictas de outras doutrinas a seguirem a verdadeira Doutrina. Mas se tu me dizes que mudas de pensamento, ao menor sopro de vento, Eu vejo que estás cheio do vazio, tens a tua fortaleza espiritual cheia de fendas, os diques do teu pensamento estão furados em mil pontos e por eles estão saindo as águas boas e entrando as contaminadas, e tu ficas tão pasmado e apático, que nem te dás conta do que está acontecendo, nem tomas providências. És um infeliz.”

Por isso, sabei escolher o bom entre os dois caminhos e prosseguir, resistindo, resistindo, resistindo aos aliciamentos da sensualidade, do mundo, da ciência e do demônio. A meia fé, os comprometimentos, os pactos entre os opostos, deixai-os para os homens do mundo. Não deviam existir nem mesmo entre os homens honestos. Mas vós, pelo menos vós, ó homens de Deus, não os tenhais. Nem com Deus, nem com Mamon podeis fazer esses pecar, porém façam nem convosco mesmos, porque não teriam valor. As vossas ações mescladas do que é bom com o que não é bom, não teriam nenhum valor. As ações completamente boas viriam a ser depois anuladas pelas não boas. As más vos levariam diretamente aos braços do inimigo. Não as façais, pois. Mas, sede leais no vosso serviço.

Ninguém pode servir a dois senhores que pensem diferentemente. Ou amará a um para odiar o outro, ou vice-versa. Não podeis ser igualmente de Deus e de Mamon. O espírito de Deus não pode conciliar com o espírito do mundo. Um sobe, o outro desce. Um santifica, o outro corrompe.

EMF 174.8 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Não se diga “satanás tenta”, como desculpa para as descidas pelo caminho de baixo. Também Deus tenta, com o seu amor que é bem forte; com as suas palavras, que são bem santas; com as suas promessas, que são bem sedutoras! Por que, então, deixar-se tentar só por um dos dois e logo por aquele que nenhum merecimento tem para ser escutado? As palavras, as promessas, o amor de Deus não serão suficientes para neutralizar o veneno de satanás?

EMF 174.8 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Até de nossos inimigos devemos tirar algum bem. Observando os erros deles, devemos aprender a não cair nos mesmos.