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Notas da palavra-chave

Bíblia - Evangelho de Lucas

Tema: Novo Testamento · Página 6 de 8

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EMF 175.1-2 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

No meio das numerosas flores que perfumam os campos e alegram a nossa vista, ergue-se o espectro horrível de um leproso, todo cheio de feridas, exalando um forte mau cheiro, todo corroído pela doença.

As pessoas gritam de espanto e voltam para trás, indo morro acima, subindo pelas encostas. Alguns apanham pedras para atirarem no pobre homem incauto.

Mas Jesus se vira, com os braços abertos, e grita:

– Paz! Ficai onde estais e não tenhais medo. Joguem as pedras no chão. Tende piedade do nosso pobre irmão. Ele também é filho de Deus.

Então, todos obedecem, dominados pelo poder do Mestre. Ele se adianta, pelo meio dos prados floridos, até a poucos passos do leproso que, por sua vez, tendo compreendido que Jesus o protegia, aproxima-se dele. Depois de ter chegado perto de Jesus, prostra-se por terra e as plantas, todas em flor, parecem acolhê-lo e fazer que ele mergulhe nelas como em uma água fresca e perfumada. As flores, ao soprar do vento, fazem ondas, e parecem querer reunir-se para formar um véu que cobrre aquela miséria, que veio esconder-se nelas. Somente a voz dele, lamuriante ecoa lá de dentro, fazendo que as pessoas se lembrem de que há um ser pobre e infeliz ali. Sua voz diz:

– Senhor, se queres, podes purificar-me. Tem piedade de mim também!

Jesus responde:

– Levanta o teu rosto e olha para Mim. O homem deve olhar para o Céu, se acredita nele. E tu acreditas, porque estás pedindo.

As ervas se movem e se abrem de novo. Aparece, então, uma coisa como a cabeça de um náufrago, que está acabando de sair do mar, a cabeça do leproso, já sem cabelos e sem barba. É uma caveira, não ainda completamente despojada de alguns restos de carne. Contudo, Jesus não se esquiva de pôr as pontas dos dedos naquela fronte, nos pontos em que elaestá limpa, isto é, sem feridas, onde se vê ainda uma pele cinza, enrugada entre duas erosões purulentas, uma das quais já destruiu todo o couro cabeludo, enquanto que a outra abriu um buraco onde era o olho direito, de modo que eu nem saberia dizer se, entre aquele enorme buraco, que vai das têmporas até o nariz, deixando a descoberto o zigoma e a cartilagem nasal, cheio de sujeira, não saberia se ainda existe o globo ocular ou não.

Jesus diz, conservando sua bela mão apoiada pelas pontas dos dedos sobre a fronte dele:

– Eu quero. Fica limpo.

É como se o homem não estivesse todo corroído e cheio de feridas, mas somente recoberto de sujeiras, como se sobre elas tivesse sido derramada água com detergente, a lepra desapareceu. Primeiro, as feridas se fecharam, depois a pele ficou clara, o olho direito tornou a aparecer por debaixo da pálpebra, que nasceu de novo. E os lábios voltaram a fechar-se sobre os dentes amarelecidos. Só os cabelos e a barba não apareceram, mas apenas umas moitinhas de pelos, nos lugares em que antes havia ainda pequenas áreas de epiderme sadia.

As pessoas do povo gritam de assombro. E o homem percebe que está curado, ao ouvir aqueles gritos de alegria. Ele levanta as mãos, até então escondidas pelas ervas e toca com a mão em seu próprio olho, em cujo lugar estava antes o grande buraco; ele toca também na cabeça, onde antes estava a grande ferida, que punha a descoberto o osso do crânio e sente-se agora com uma nova pele. Depois se levanta e olha para o próprio peito, para os quadris… Tudo está são e limpo. O homem torna a agachar-se no prado florido, chorando de alegria.

– Não chores. Levanta-te e escuta-me. Volta para a vida, depois que tiveres cumprido o rito, e não fales a ninguém, enquanto não o tiveres cumprido. Vai mostrar-te, quanto antes, ao sacerdote, faze a oferta prescrita por Moisés, para que sirva de testemunho do milagre que aconteceu em tua cura.

– É a Ti que eu deveria dar esse testemunho, Senhor!

– Tu me darás, amando a minha doutrina. Vai.

175.2

A multidão se aproxima de novo e, guardando ainda a devida distância, felicita o curado pelo milagre. Não falta quem sinta necessidade de dar-lhe uma ajuda para a viagem, jogando-lhe algumas moedas. Outros lhe jogam pães e alimentos, e um deles, vendo que a veste do leproso não é mais do que um trapo que se desfia, deixando-lhe o corpo todo visível, tira a própria capa, faz com ela uma trouxa, como se faz com um lenço grande, e a joga para o leproso, que com ela pode cobrir-se de maneira decente. Um outro ainda, visto que a caridade é contagiosa quando é feita em comum, não resiste ao desejo de oferecer-lhe suas sandálias, tira-as dos pés e lhas joga.

– Mas, e tu? –pergunta-lhe Jesus, que viu tudo.

– Oh! Eu moro aqui perto. Posso caminhar descalço. Mas ele tem um grande caminho a percorrer!

– Deus te abençoe a ti e a todos os que ajudaram o irmão. Homem, tu rezarás por eles.

– Sim, sim, por eles e por Ti, para que o mundo tenha fé em Ti.

– Adeus, Vai em paz.

O homem vai-se afastando dali, mas depois se vira, e grita:

– Mas, ao sacerdote eu posso dizer que Tu me curaste?

– Não é preciso. Dize só isto: “O Senhor teve misericórdia de mim”, pois tudo isso é verdade e nada mais é preciso dizer.

Detalhe

Cura de um leproso.

Anotação

Expondo o zigoma: Maria Valtorta foi enfermeira na sua juventude, por isso sabe uma ou duas coisas sobre anatomia.

Eu quero-o. Ser purificado. Este milagre, relatado em Mateus 8:1-3, é frequentemente confundido pelos estudiosos bíblicos com a cura de Abel, o leproso (Marcos 1:40-42; Lucas 5:12-13), que é descrita em EMV 63:1/5.

"Posso dizer ao padre que tu me curaste?

- Não, não podes. Diz-lhe apenas: 'O Senhor teve piedade de mim. "Essa é a verdade. Nada mais. A partir daí, a reputação de Jesus foi crescendo e ele quis evitar o mais possível qualquer conflito com os notáveis do templo.

Evangelho de Mateus 8,1-4

Mt 8,1-4: Quando Jesus desceu do monte, seguia-o uma grande multidão. Aproximou-se um leproso e prostrou-se diante dele, dizendo: "Senhor, se quiseres, podes purificar-me. Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: "Quero, fica purificado. E imediatamente ele ficou limpo da sua lepra. Jesus disse-lhe: "Tem cuidado, não digas nada a ninguém, mas vai e mostra-te ao sacerdote. E dá a oferta que Moisés ordenou: será um testemunho para o povo".

Evangelho de Marcos 1, 40-45

Mc 1,40-45 : Um leproso aproximou-se dele, suplicou-lhe, pôs-se de joelhos e disse: "Se quiseres, podes purificar-me". Tomado de compaixão, Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: "Quero; fica limpo". Imediatamente a lepra o deixou e ele ficou limpo. Jesus mandou-o embora com firmeza, dizendo-lhe: "Tem cuidado, não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e dá pela tua purificação o que Moisés prescreveu na Lei: será um testemunho para o povo. Depois de se ter ido embora, este homem começou a anunciar e a espalhar a notícia, de tal modo que Jesus já não podia entrar abertamente numa cidade, mas mantinha-se afastado em lugares desertos. Mas as pessoas vinham ter com ele de todo o lado.

Evangelho de Lucas 5, 12-14

Lc 5,12-14 : Jesus estava numa cidade, quando apareceu um homem coberto de lepra que, ao ver Jesus, se prostrou com o rosto em terra e lhe implorou: "Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo. Jesus estendeu a mão e tocou-o, dizendo: "Eu quero; fica limpo. A lepra deixou-o imediatamente. Então Jesus ordenou-lhe que não contasse a ninguém: "Em vez disso, vai mostrar-te ao sacerdote e dá pela tua purificação o que Moisés ordenou; isso será um testemunho para todos."

EMF 176.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Vós me chamais Messias e Senhor. Vós dizeis que me amais e me cantais hosanas. Vós me seguis, e isso parece amor. Mas, em verdade, Eu vos digo que nem todos entrarão comigo no Reino dos Céus. Mesmo entre os mais antigos e próximos discípulos meus, haverá aqueles que não entrarão, porque muitos farão a sua vontade e a vontade da carne, do mundo e do demônio, mas não a do meu Pai. Não quem me diz: “Senhor! Senhor!” entrará no Reino dos céus, mas os que fazem a vontade de meu Pai. Somente esses entrarão no Reino de Deus.

EMF 176.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Dia virá no qual Eu, que vos estou falando, depois de ter sido Pastor, serei Juiz. Que não vos iluda o aspecto atual. Agora, meu cajado reúne todas as almas dispersas e é doce para vos convidar a vir às pastagens da Verdade. Mas o cajado será substituído pelo cetro do Juiz Rei, o meu poder vai ser bem outro. Não com doçura, mas com uma justiça inexorável, é que Eu irei separar as ovelhas apascentadas pela Verdade das que misturaram a Verdade com o Erro ou nutriram-se somente do Erro. Eu farei isso, uma primeira vez, e depois ainda uma outra. Ai daqueles que, entre a primeira e a segunda aparição diante do Juiz, não tiverem se purificado, pois não poderão mais purificar-se dos seus venenos. A terceira categoria não se purificará. Pena alguma conseguiria purificá-la. Ela quis somente o erro, e que no erro fique.

E mesmo entre estes, ainda haverá quem gema, dizendo: “Mas como, Senhor? Nós não profetizamos em teu nome, em teu nome expulsamos os demônios, em teu nome fizemos muitos prodígios?” E Eu, naquele momento, com toda a clareza, lhes direi: “Sim. Vós ousastes revestir-vos com o meu Nome a fim de parecerdes ser quem não éreis. Quisestes fazer passar o vosso satanismo[3], como se estivésseis vivendo vossa vida em Jesus. Mas o fruto de vossas obras vos acusa. Onde estão os que vós salvastes? As vossas profecias, onde foi que se cumpriram? Os vossos exorcismos, a que conclusão chegaram? Os vossos prodígios, que cúmplice tiveram? oh! bem que tem poder o meu inimigo! Mas não é maior do que o meu. Ele vos ajudou, mas foi para fazerdes maior presa e, por vosso trabalho, o círculo dos pervertidos crescer muito. Sim, pela heresia vós fizestes prodígios. E até, aparentemente, maiores do que os dos verdadeiros servos de Deus, os quais não são histriões para fazerem as multidões ficarem maravilhadas, mas têm uma humildade e uma obediência que maravilharam os anjos. Os meus verdadeiros servos, com suas imolações, não criam fantasmas, mas os destroem nos corações; os meus verdadeiros servos, não se impõem aos homens, mas mostram Deus às almas dos homens. Eles não fazem mais que a vontade do Pai, e levam outros a cumpri-la, assim como a onda impele e atrai a onda que a precede e a que a segue, sem precisar colocar-se em um trono, para dizer: ‘Prestai atenção!’ Os meus verdadeiros servos, fazem o que Eu digo, sem pensar senão em fazê-lo e as suas obras têm um sinal meu, uma paz inconfundível, de humildade e de ordem. Por isso, Eu posso dizer-vos: estes são os meus servos; a vós, Eu não vos conheço. Ide embora, para longe Mim, vós todos, praticantes de iniquidades.”

Isso será o que direi, então. E esta será uma palavra terrível. Tomai cuidado para que não a mereçais, e vinde pelo caminho seguro, ainda que difícil, da obediência, para alcançardes a glória do Reino dos céus.

Anotação

Evangelho de Mateus 7, 21-23

Mt 7,21-23 : Nem todo aquele que me diz: "Senhor, Senhor", entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus. Naquele dia, muitos me dirão: "Senhor, Senhor, não profetizámos em teu nome, não expulsámos demónios em teu nome e não fizemos muitos milagres em teu nome? Então eu dir-lhes-ei: Nunca vos conheci. Afastai-vos de mim, obreiros da iniquidade.

Evangelho de Lucas 13, 26-27

Lc 13, 26-27 : Então começareis a dizer: 'Comemos e bebemos diante de ti, e tu ensinaste nos nossos lugares públicos'. E ele responderá: Digo-vos que não sei de onde vindes; apartai-vos de mim, vós todos os que praticais a iniquidade.

Não é com doçura, mas com justiça inexorável que eu, então, separarei as ovelhas alimentadas com a Verdade daquelas que misturaram a Verdade e o Erro ou que se alimentaram apenas do Erro. Uma e outra vez terei este papel. Afirmação dos dois juízos: o juízo particular e o juízo final. (Ver Catecismo n° 1021 e n° 1038).

O vosso satanismo: Maria Valtorta anota numa cópia dactilografada: Dirige-se particularmente àqueles que se dedicam às ciências ocultas ou pertencem a seitas anti-cristãs, etc., ou seja, aos pecadores contra o primeiro mandamento.

EMF 177.1-5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Vindo das campinas, Jesus entra em Cafarnaum. Estão com Ele somente os doze, ou melhor, os onze apóstolos, porque João não está. As saudações costumeiras do povo são de uma gama muito variada em suas expressões, desde aquelas que guardam toda a simplicidade das crianças, àquelas um pouco tímidas das mulheres, aquela extasiada dos miraculados até aquelas dos curiosos ou irônicos. Há delas para todos os gostos. Jesus responde a todos, conforme é saudado: com carícias às crianças; bênçãos às mulheres; sorrisos aos miraculados e com respeito profundo pelos outros.

Mas desta vez àquela série une-se a saudação do centurião do lugar, creio. Ele o saúda com o seu “Salve, Mestre”, ao qual Jesus responde com o seu “Que Deus venha a ti.”

O romano prossegue, enquanto a multidão se aproxima curiosa de ver como vai ser aquele encontro:

– Fazem muitos dias que Te espero. Tu não me reconheces entre os ouvintes do monte. Eu estava vestido como civil. Não me perguntas porque vim?

– Não te pergunto isto. Que queres de Mim?

– A ordem é seguir aqueles que promovem ajuntamentos de pessoas, porque muitas vezes Roma teve que arrepender-se por ter dado licença para reuniões, que eram só de aparência honesta. Mas, depois de ver e ouvir, fiquei pensando em Ti como alguém… como alguém.

177.2

Tenho um servo doente, Senhor. Ele jaz em minha casa, no seu leito, paralisado por uma doença nos ossos e sofre terrivelmente. Os nossos médicos não o curam. Os vossos, que convidei a vir porque são males que vem dos ares corrompidos destas regiões, e vós as sabeis curar com as ervas do solo pantonoso da praia onde estagnam as águas antes de serem bebidas pelas areias do mar, se recusaram a vir. E sofro por ele, porque se trata de um servo fiel.

– Eu irei e o curarei.

– Não, Senhor. Não peço que faças tanto. Eu sou um pagão, sujeira para vós. Se os médicos hebreus temem contaminar-se ao pôr os pés em minha casa, com mais razão seria contaminação para Ti, que és divino. Eu não sou digno de que Tu entres sob o meu teto. Mas se Tu dizes daqui mesmo uma só palavra, o meu servo ficará são, porque Tu comandas a tudo o que existe. Ora se eu, que sou um homem colocado sob tantas autoridades, das quais a primeira é Cesar, pelo qual devo fazer, pensar e agir como me é mandado, por minha vez posso mandar sobre os soldados que estão sob as minhas ordens e se digo a um “Vai” e a outro “Vem”, e ao meu servo “Faze isto”, um vai onde mandei, o outro vem porque chamo e o terceiro faz aquilo que digo, Tu que és quem és, serás logo obedecido pela doença, e ela irá embora.

– A doença não é um homem… –objeta-lhe Jesus.

– Tu também não és um homem, mas és o Homem. Podes, portanto, dar ordens até aos elementos e às febres, pois tudo está sujeito ao teu poder.

177.3

Alguns dos maiorais de Cafarnaum levam Jesus para um lado, e lhe dizem:

– Ele é um romano, mas Tu, ajuda-o, pois é um homem de bem, e ele nos respeita e ajuda. Basta dizer que ele próprio construiu a nossa sinagoga e manda que seus soldados não fiquem zombando de nós aos sábados. Faze, pois, este favor a ele, por amor à tua cidade, para que ele não fique decepcionado e irritado, e o seu amor não se transforme em ódio contra nós.

Jesus, tendo ouvido tudo, vira-se, sorrindo, para o centurião, e diz:

– Vai indo à frente, que Eu vou depois.

Mas o centurião torna a dizer:

– Não, Senhor, eu já disse: Grande honra para mim seria que Tu entrasses sob o meu teto, mas eu não mereço tudo isso. Dize somente uma palavra, e o meu servo ficará curado.

– Assim seja. Vai com fé. Neste mesmo instante a febre o está deixando e a vida está voltando aos seus membros. Faze que também à tua alma venha a vida. Vai.

O centurião faz a saudação militar, depois se inclina, e vai.

177.4

Jesus o vê partir e depois dirige-se aos presentes e diz:

– Em verdade, Eu vos digo que jamais encontrei uma fé tão grande em Israel! Oh! É mesmo verdade![1] “O povo, que ia caminhando nas trevas, viu uma grande luz. Sobre os que moravam na escura região da morte, a luz resplandeceu”, e ainda: “O Messias, tendo erguido sua bandeira sobre as nações, as irá reunir!” Oh! Meu Reino! Verdadeiramente, elas afluirão para ti em um número incalculável! Muito mais que todos os camelos de Madiã e de Efa e os transportadores do ouro e incenso de Sabá, mais numerosos do que todos os rebanhos de Cedar, e os carneiros de Nabaiot, numerosos serão aqueles que hão de vir a ti, e o meu coração se dilatará de alegria, quando Eu vir que estão vindo a Mim os povos do mar e as potências das nações. As ilhas me estão esperando para Me adorar e os filhos dos estrangeiros é que construirão as paredes de minha Igreja, cujas portas estarão sempre abertas para acolher os reis e a força das nações e para santificá-las em Mim. Isto, que Isaías viu, certamente vai-se cumprir[2]. Eu vos digo que muitos virão do Oriente e do Ocidente para sentarem-se com Abraão, Isaac e Jacó no Reino dos Céus, enquanto que os filhos do Reino serão lançados nas trevas lá fora, onde haverá choro e ranger de dentes.

– Então, será que estás profetizando que os pagãos serão iguais aos filhos de Abraão?

– Iguais, não. Superiores. Não vos desgosteis com isso, isso vai ser por culpa vossa. Não Eu, mas os Profetas o dizem, e os sinais já o confirmam.

177.5

Agora, alguém de vós vá até a casa do centurião, para verificar como de fato o servo dele está curado, pois a fé do romano o merecia. Vamos. Talvez em casa haja doentes esperando a minha ida.

Jesus com os apóstolos e mais um ou outro vão à casa em que Ele tem ficado nos dias em que está em Cafarnaum, pois a maior parte do povo, com um grande vozerio, se dirige precipitadamente para a casa do centurião.

Anotação

Ele saúda-o com: "Ave, Mestre! Salve no original italiano, como na Salve Regina, e não Ave como naAve Maria.

Há vários dias que estou à vossa espera. Não me reconheces, mas eu estava entre os que te ouviam na montanha. Estava vestida à civil. De facto, Maria Valtorta tinha-se apercebido da sua presença na terça-feira(EMV 171.1).

São doenças que vêm do ar corrompido dessas regiões: As febres dos pântanos (febre amarela ou paludismo) causaram graves epidemias na Antiguidade. São mencionadas várias vezes na obra. Durante séculos, essas febres foram atribuídas à insalubridade do ar (aria cattiva, de onde vem a palavra italiana mala aria = mau ar), sem nunca fazer a ligação com os mosquitos. Maria Valtorta está a relatar uma opinião que está perfeitamente de acordo com a crença romana e que não está relacionada com os seus conhecimentos de enfermeira.

Sabeis curá-los com ervas do solo febril da costa, onde as águas estagnam antes de serem absorvidas pela areia do mar. Trata-se, sem dúvida, da agrimónia (agrimonia eupatoria), que cresce nos pântanos. Plínio menciona-o. A sua infusão é utilizada para combater a malária (de palus = pântano, em latim). O pântano à beira-mar mencionado pelo centurião pode ter sido Dor (atualmente Al Tantura), a sul do Monte Carmelo. Só foi drenado em 1892. O paludismo era aí abundante.

Pensa-se que foi ele que mandou construir a sinagoga. Lucas 7,5 menciona este pormenor.

Garanto-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e sentar-se-ão com Abraão, Isaac e Jacob no Reino dos Céus, enquanto os filhos do Reino serão lançados nas trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes. Este é o fim do relato de Mateus 8,11-12, mas Lucas menciona-o noutro lugar (Lucas 13,28-29).

Jesus, acompanhado pelos apóstolos e por outras pessoas, dirigiu-se para a casa onde habitualmente se hospedava quando estava em Cafarnaum. A casa de Tomé de Cafarnaum. Tomé era provavelmente um parente afastado de Jesus.

Evangelho de Mateus 8, 5-13

Mt 8,5-13 : Quando Jesus entrou em Cafarnaum, aproximou-se dele um centurião que lhe pediu: "Senhor, o meu servo está em casa paralítico e sofre muito. Jesus disse-lhe: "Eu próprio vou curá-lo. O centurião respondeu: "Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu teto, mas basta dizeres uma palavra e o meu criado ficará curado. Eu próprio, que tenho autoridade, tenho soldados às minhas ordens; a um digo: 'Vai', e ele vai; a outro: 'Vem', e ele vem; e ao meu escravo: 'Faz isto', e ele faz." Jesus ficou admirado com estas palavras e disse aos que o seguiam: "Em verdade vos digo que não encontrei em Israel uma fé assim. Por isso vos digo que muitos virão do Oriente e do Ocidente e ocuparão os seus lugares com Abraão, Isaac e Jacob no banquete do Reino dos Céus, mas os filhos do Reino serão lançados nas trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes. E Jesus disse ao centurião: "Vai para casa e faça-se em ti segundo a tua fé. E o servo ficou curado naquela mesma hora.

Evangelho de Lucas 7, 1-10

Lc 7, 1-10 : Quando Jesus acabou de explicar todas as suas palavras ao povo, entrou em Cafarnaum. Havia ali um centurião cujo escravo estava doente e prestes a morrer, e o centurião gostava muito dele. Quando ouviu falar de Jesus, mandou alguns judeus notáveis pedir-lhe que viesse salvar o seu escravo. Quando chegaram ao pé de Jesus, suplicaram-lhe encarecidamente: "Ele merece isto de ti. Ele ama a nossa nação: foi ele que construiu a sinagoga para nós". Jesus ia a caminho com eles e já não estava longe da casa, quando o centurião mandou alguns amigos dizer-lhe: "Senhor, não te incomodes, porque não sou digno de que entres debaixo do meu teto. Por isso não me autorizei a ir ter contigo. Mas dize uma palavra e que o meu servo fique curado! Eu estou subordinado a uma autoridade, mas tenho soldados sob as minhas ordens; a um digo: 'Vai', e ele vai; a outro: 'Vem', e ele vem; e ao meu escravo: 'Faz isto', e ele faz." Ao ouvir isto, Jesus ficou admirado com ele. Ao ouvir isto, Jesus ficou admirado. Voltou-se e disse à multidão que o seguia: "Digo-vos que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé! Quando regressaram a casa, encontraram o escravo de boa saúde.

Evangelho de Lucas 13, 28-29

Lc 13, 28-29 : Então haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac e Jacob e todos os profetas no Reino de Deus, enquanto vós sois expulsos. Eles virão do Oriente e do Ocidente, do Aquilão e do Sul, e tomarão lugar no banquete do Reino de Deus.

Livro de Isaías, 9, 1

Is 9, 1 : Os povos que andavam nas trevas viram uma grande luz, e a luz brilhou sobre os que viviam na terra da sombra da morte.

Livro de Isaías 11, 10-12

Is 11, 10-12 : Naquele dia, a raiz de Jessé, erguida como estandarte para os povos, será procurada pelas nações, e a sua morada será gloriosa. Naquele dia, o Senhor estenderá pela segunda vez a sua mão para resgatar o resto do seu povo, o resto das terras da Assíria e do Egito, de Patros, da Etiópia, de Elão, de Sennaar, de Hamate e das ilhas do mar. Ele erguerá um estandarte para as nações e reunirá os desterrados de Israel; reunirá os dispersos de Judá desde os quatro confins da terra.

Livro de Isaías 60, 5-10

Is 60, 5-10 : Então vê-lo-ás e ficarás radiante; o teu coração saltará e expandir-se-á, porque as riquezas do mar virão ter contigo, os tesouros das nações virão ter contigo. Multidões de camelos te cobrirão, os dromedários de Midiã e de Efá; todos os de Sabá virão, trazendo ouro e incenso, e proclamarão os louvores de Javé. Todos os rebanhos de Cedar se juntarão a ti; os carneiros de Nabaiote servir-te-ão; subirão ao meu altar como oferta agradável, e eu glorificarei a casa da minha glória.

Quem são estes que voam como nuvens, como pombas para o seu pombal? Porque as ilhas esperam em mim, e os navios de Társis virão primeiro, para trazerem os teus filhos de longe, com a sua prata e o seu ouro, para honrarem o nome de Javé, teu Deus, e o Santo de Israel, porque ele te glorificou. Os filhos dos estrangeiros construirão os teus muros, e os seus reis serão os teus servos, porque te feri na minha ira, mas na minha bondade tive compaixão de ti.

EMF 178.1-4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Estou vendo Jesus, que se dirige para a beira do lago com seus onze, porque falta sempre João. Muitas pessoas o rodeiam: entre elas se encontram muitas que estavam na montanha, principalmente homens, que foram procurá-lo em Cafarnaum, para ouvirem ainda a sua palavra. Bem que gostariam de detê-lo ali. Mas Ele diz:

– Eu sou de todos. Há muitos que precisam ter-Me consigo. Voltarei. Vós Me encontrareis. Mas agora deixai-me partir.

Ele sente muita dificuldade para caminhar entre a multidão, que se apinha em um caminho estreito. Os apóstolos se esforçam, fazendo jogo de ombros para ver se conseguem abrir caminho. Mas é como que um chocar-se de alguém contra uma substância mole que, logo em seguida, toma a forma que tinha antes. Alguns ali se inquietam, mas não adianta nada.

178.2

A margem já está à vista, quando, depois de muito trabalho, um homem de meia idade e de condição civil consegue aproximar-se do Mestre e, para lhe chamar a atenção, toca em seu ombro.

Jesus se vira e para, dizendo:

– Que queres?

– Eu sou escriba. Mas o que há nas tuas palavras não pode ser comparado a nada de tudo o que há em nossos preceitos. Eu me senti conquistado por elas. Mestre, eu não Te deixo mais. Seguirte-ei para onde fores. Qual é o teu caminho?

– O caminho do Céu.

– Não é desse caminho que eu estou falando. O que estou perguntando é: Para onde vais? Depois destas, quais são as tuas casas, para que eupossa encontrar-Te sempre?

– As raposas têm suas tocas e os pássaros do ar os seus ninhos. Mas o Filho do Homem não tem onde possa pousar a cabeça. A minha casa é o mundo, por toda parte onde houver espíritos necessitados de instrução, ou misérias para aliviar, ou pecadores para redimir.

– Por toda parte, então?

– É como disseste. Poderias tu, doutor de Israel, fazer o que por amor de Mim estão fazendo estes pequeninos? Aqui o que se exige é sacrifício e obediência, caridade para com todos, espírito de adaptação em tudo e com todos. Porque a condescendência atrai. Porque, quem deseja curar, precisa inclinar-se sobre cada ferida. Depois teremos a pureza do Céu. Mas aqui ainda estamos na lama, e é preciso tirar da lama, na qual estamos pisando, as vítimas que estão submersas. Não cinjas as vestes, nem encurte-as porque em algum lugar a lama está mais funda. A pureza deve estar em nós. Estejamos saturados dela, de tal modo que em nós nada mais possa entrar. Podes fazer tudo isso?

– Pelo menos, deixa-me experimentar.

– Experimenta. Eu rezarei para que sejas capaz.

178.3

Jesus põe-se de novo em movimento e, atraído por dois olhos estãovoltados para Ele, diz a um jovem alto e robusto, que tinha parado para deixar passar o cortejo, mas parece estar se dirigindo para outra parte:

– Segue-me.

O jovem leva um susto, muda de cor, pisca os olhos como ofuscado por uma luz e depois abre a boca para falar, não encontrando-o logo resposta para dar. Enfim diz:

– Eu Te seguirei. Mas meu pai morreu em Corozaim, e preciso ir sepultá-lo. Deixa que eu vá fazer isso e depois virei.

– Segue-me. Deixa que os mortos sepultem os seus mortos. Tu já sentes um forte desejo da Vida. Há tempo que tens esse desejo. Não fiques chorando, por ter a Vida criado um vácuo ao redor de ti, a fim de ter-te como seu discípulo. As mutilações do afeto são raízes das asas que nascem no homem, que se transformou em servo da Verdade. Deixa que a corrupção siga os seus rumos. Levanta-te para o Reino do que é incorrupto. Nele encontrarás também a pérola incorruptível do teu pai. Deus chama e passa. Amanhã não encontrarás mais o coração que tens hoje e o convite de Deus. Vem. Vai anunciar o Reino de Deus.

O homem, encostado a um pequeno muro, está com os braços caídos, e neles estão penduradas algumas bolsas, cheias de unguentos e de tiras; sua cabeça está inclinada, mergulhada na dúvida entre dois amores: o devido a Deus e o devido a seu pai.

Jesus fica esperando e olhando para ele, depois segura uma criança e a aperta ao coração, dizendo:

– Fala comigo: “Eu Te bendigo, ó Pai, e invoco a tua luz para aqueles que choram nas névoas da vida. Eu Te bendigo, ó Pai, e invoco a tua força para quem é como uma criança, necessitada de ser carregada. Eu Te bendigo, ó Pai, e invoco o teu amor para que se esqueçam de tudo que não sejas Tu, todos aqueles que em Ti encontrariam, todo o seu bem aqui e no Céu, mas não sabem crer.”

E o menino, um inocente de quatro anos, repete com sua vozinha, as palavras santas, com suas mãozinhas juntas e postas em posição de oração pela mão direita de Jesus, que as segura pelo pulso gorducho como talos de flores.

O homem, então se decide. Dá a um companheiro os seus embrulhos e vai até Jesus, que põe no chão o menino, abraça depois o jovem, fazendo isso para animá-lo e ajudá-lo no esforço que está fazendo.

178.4

Um outro homem lhe pergunta:

– Eu também gostaria de ir contigo como ele. Mas, antes de ir, quereria ir despedir-me dos meus parentes. Tu me permites?

Jesus olha fixamente para ele, e responde:

– Muitas raízes estão fincadas no ser humano. Arranca-as e, se não o consegues, corta-as. Para o serviço de Deus deve-se ir com liberdade espiritual. Nada há de servir de armadilha para quem se doa.

– Mas, Senhor, a carne e o sangue são sempre carne e sangue! Pouco a pouco eu chegarei à liberdade de que estás falando…

– Não. Não o farias nunca. Deus é tão exigente, quanto é infinitamente generoso em recompensa. Se queres ser discípulo, precisas abraçar a cruz e vir. Se não for assim, fica-se no número dos simples fiéis. Não é um caminho cheio de pétalas de rosas o caminho do servo de Deus. Mas é um caminho intransigente em suas exigências. Ninguém, que tiver posto as mãos ao arado para arar os campos dos corações e semear a semente da doutrina de Deus, pode mais voltar atrás, para ir olhar o que deixou e o que perdeu, ou aquelas coisas que podia possuir, seguindo um caminho comum. Trabalha em ti mesmo. Torna-te mais viril contigo mesmo, e depois vem. Por enquanto, não.

Chegaram à beira do lago. Jesus sobe para a barca de Pedro, ao qual, em voz baixa, diz algumas palavras. Vejo que Jesus está sorrindo e Pedro fica muito admirado. Mas não diz nada. Sobe também para a barca o homem que deixou de ir sepultar o seu pai para acompanhar a Jesus.

Detalhe

Dos três homens que queriam seguir Jesus, dois não foram identificados.

Anotação

Evangelho de Mateus 8, 18-22

Mt 8,18-22 : Quando Jesus viu uma multidão à sua volta, deu ordem para passar para o outro lado. Aproximou-se dele um escriba e disse: "Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores. Mas Jesus disse-lhe: "As raposas têm covis, as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.

Outro dos seus discípulos disse-lhe: "Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar o meu pai." Jesus respondeu-lhe: "Segue-me e deixa que os mortos enterrem os seus próprios mortos.

Evangelho de Marcos 4, 35-36

Mc 4,35-36: Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse aos seus discípulos: "Passemos para o outro lado". Deixando a multidão, levaram Jesus, tal como estava, no barco, e outros barcos o acompanharam.

Evangelho de Lucas 8, 22

Lc 8,22 : Um dia, Jesus entrou num barco com os seus discípulos e disse-lhes: "Vamos para a outra margem do lago". E fizeram-se ao mar alto.

Evangelho de Lucas 9, 57-62

Lc 9, 57-62 : No caminho, um homem disse a Jesus: "Seguir-te-ei para onde quer que fores". Jesus respondeu-lhe: "As raposas têm covis, as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. Depois disse a outro: "Segue-me. O homem respondeu: "Senhor, deixa-me ir primeiro enterrar o meu pai. Mas Jesus respondeu: "Deixa que os mortos enterrem os seus mortos. Vai tu e anuncia o Reino de Deus.

Outro homem disse-lhe: "Senhor, eu sigo-te, mas primeiro deixa-me despedir da minha família. Jesus respondeu: "Quem põe a mão no arado e depois olha para trás não é apto para o Reino de Deus".

EMF 178.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Um outro homem lhe pergunta:

– Eu também gostaria de ir contigo como ele. Mas, antes de ir, quereria ir despedir-me dos meus parentes. Tu me permites?

Jesus olha fixamente para ele, e responde:

– Muitas raízes estão fincadas no ser humano. Arranca-as e, se não o consegues, corta-as. Para o serviço de Deus deve-se ir com liberdade espiritual. Nada há de servir de armadilha para quem se doa.

– Mas, Senhor, a carne e o sangue são sempre carne e sangue! Pouco a pouco eu chegarei à liberdade de que estás falando…

– Não. Não o farias nunca. Deus é tão exigente, quanto é infinitamente generoso em recompensa. Se queres ser discípulo, precisas abraçar a cruz e vir. Se não for assim, fica-se no número dos simples fiéis. Não é um caminho cheio de pétalas de rosas o caminho do servo de Deus. Mas é um caminho intransigente em suas exigências. Ninguém, que tiver posto as mãos ao arado para arar os campos dos corações e semear a semente da doutrina de Deus, pode mais voltar atrás, para ir olhar o que deixou e o que perdeu, ou aquelas coisas que podia possuir, seguindo um caminho comum. Trabalha em ti mesmo. Torna-te mais viril contigo mesmo, e depois vem. Por enquanto, não.

Anotação

Só Lucas 9,61-62 relata este encontro. O evangelista evoca de forma sucinta a alegoria do lavrador que não olha para trás! Jesus menciona várias vezes o seu conselho(EMV 276.6 | EMV 302.1 e EMV 551.6).

Evangelho de Lucas 9, 61-62

Lc 9, 61-62 : Outro homem disse-lhe: "Senhor, eu sigo-te, mas primeiro deixa-me despedir-me da minha família. Jesus respondeu: "Quem põe a mão no arado e depois olha para trás não é apto para o Reino de Deus".

EMF 179.5-6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Ouvi, e talvez podereis compreender melhor como obter frutos diferentes de uma mesma obra.

Um semeador saiu para semear. Eram muitos campos e de diferentes qualidades. Ele tinha herdado de seu pai alguns onde havia deixado proliferar plantas espinhosas. Outros haviam sido adquiridos por ele, que os comprara do jeito em que estavam, de um dono negligente, deixando tais como eram. Outros ainda, haviam sido entrecortados por estradas, pois o homem era comodista e não queria andar muito para ir de um lugar para outro. Enfim, havia alguns, os mais próximos da casa, dos quais ele tomava cuidado, só para que dessem um aspecto agradável à frente da casa. Estes estavam limpos de pedregulhos, de espinhos, de grama e assim por diante.

O homem, pois, tomou o seu saco de grãos para ir semear grãos da melhor qualidade, e começou a semeadura. A semente caiu no terreno bom, fofo, arado, limpo e adubado, próximo à casa. Caiu também nos campos entrecortados por caminhos e trilhas, além de cortá-los, levava a sujeira da poeira árida na terra fértil. Outras sementes caíram sobre os campos, onde a inépcia do homem tinha deixado que crescessem plantas espinhosas. Agora o arado as havia revirado, e nem parecia que elas estivessem mais ali, mas estavam, porque somente o fogo é que é a radical destruição das ervas más, impedindo-as de nascer. As últimas sementes caíram nos campos comprados recentemente, e que ele tinha deixado como estavam, sem ará-los em profundidade, sem limpá-los de todas as pedras afundadas na terra, fazendo com ela um pavimento duro no qual não conseguiam agarrar-se as tenras raízes.

Depois, tendo semeado todas as sementes, voltou para casa, e disse: “Agora está tudo bem. É só esperar a colheita.”

179.6

E assim se alegrava quando, com o correr dos meses, podia ver, à frente de sua casa, o trigo que ia germinando e crescendo… oh! crescia como um tapete macio e já ia soltando espigas… Parecia um mar, amarelando e batendo espigas contra espigas, cantando hosanas ao sol. O homem dizia: “Como este campo, devem estar todos os outros. Preparemos as foices e os celeiros. Quanto pão! Quanto ouro!”

Estava feliz.

Cortou o trigo dos campos mais próximos, depois passou aos que herdou do pai, mas ele os tinha deixado virar mato. O homem ficou muito aborrecido. todos os grãos haviam nascido, porque os campos eram bons e a terra adubada pelo pai estava gorda e fértil. Mas sua fertilidade tinha sido boa também para as plantas espinhosas, que ficaram cobertas pela terra, reviradas com ela, mas não esterilizadas. Elas tinham renascido e formado um verdadeiro forro de ramagens cheias de espinhos, através das quais o trigo não tinha podido passar para cima, a não ser uma espiga aqui, outra acolá, e morreu quase todo sufocado.

O homem disse: “Eu fui negligente com este campo. Mas nos outros não havia espinheiros, e deverão estar melhores.” Passou então aos campos recentemente adquiridos. Lá seu espanto cresceu, até transformar-se em tristeza. Finas e já ressecadas, as folhas do trigo estavam espalhadas por toda parte, como feno seco. Feno seco! “Mas, como? Como foi isso?” Gemia o homem. “No entanto, aqui não há espinhos! Além disso, a semente do trigo era a mesma. Aqui também ela tinha nascido, e o trigal estava tão viçoso, que dava alegria ver! Pode-se ver ainda como suas folhas estavam bem formadas e em grande número. Por que será que aqui o trigo todo morreu sem produzir espigas?” E, com grande tristeza, pôs-se a cavar o solo, para ver se encontrava ninhos de toupeiras, ou outras pragas. Insetos e roedores, não havia nada. Mas, que quantidade de pedras! Um verdadeiro pedregal! Os campos estavam literalmente calcetados com escamas de pedras, e a pouca terra que as cobria era um engano. Oh! Se tivesse afundado mais o arado, enquanto era tempo! Oh! Se ele tivesse feito escavações, antes de aceitar aqueles campos e de comprá-los como se fossem bons! Oh! Pelo menos, depois daquele erro de adquirir o que era oferecido, sem ter-se informado da boa qualidade deles, se ele os tivesse melhorado, à custa do cansaço de seus rins! Mas agora já era tarde quaisquer queixumes eram inúteis.

O homem pôs-se de pé, arrasado, e dali foi para os campos entrecortados por pequenos caminhos, feitos para sua comodidade… E rasgou suas vestes de tristeza. Aqui não havia nada. Absolutamente nada… A terra escura do campo estava coberta por uma ligeira camada de pó branco… O homem se agachou no chão, e gemia dizendo: “Mas, por quê? Aqui não há espinhos, nem pedras, pois estes campos, antes já eram nossos. Meu avô, meu pai, eu, sempre os possuímos e, por anos e anos, os fertilizamos. Neles eu abri estradas, terei tirado alguma terra do campo, mas isso não é o que o terá feito ficar estéril assim…” Ainda estava ele chorando, quando recebeu, para sua tristeza, a resposta, dada por um cerrado bando de passarinhos esfomeados, vindos dos campospara os caminhos a procura de sementes de trigo, e outras… O campo havia-se transformado numa rede de pequenos caminhos, em cujas beiras o trigo semeado tinha caído, atraindo muitos passarinhos, que, primeiro comeram os grãos na estrada e depois os plantados no campo, até o ultimo grão.

Desse modo, a semente, igual para todos os campos, havia produzido cem por um, em outro sessenta, em outro trinta e em outro nada. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

A semente é a Palavra: é igual para todos. O lugar onde cai a semente são os vossos corações. Cada um aplique a si a parábola e compreenda. A paz esteja convosco.

EMF 180.4-6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Pedro parece que está para ter um ataque de apoplexia, de tão vermelho que ficou. Ele fica calado por uns momentos, e depois diz:

– Está bem. Então, dá-me o prêmio. A parábola de hoje cedo…

Os outros também se unem a Pedro, dizendo:

– É verdade. Tu nos prometeste. As parábolas servem bem para fazer-nos compreender as comparações. Mas nós achamos que elas têm um sentido superior às comparações.

180.5

Por que falas a eles em parábolas?

– Porque não lhes foi concedido entender mais do que o que eu explico. A vós foi concedido muito mais, porque vós, meus apóstolos, deveis conhecer o mistério; e por isso vos é concedido entender os mistérios do Reino dos Céus. Por isso, Eu vos digo: “Perguntai, quando não entenderdes o sentido de uma parábola.” Vós dais tudo, e tudo vos é dado, para que, por vossa vez, possais dar tudo. Vós dais tudo a Deus: afetos, tempo, interesse, liberdade, vida. Deus tudo vos dá para compensar-vos e tornar-vos capazes de dar tudo, em nome de Deus, a quem vos seque. Assim, a quem deu, será dado com abundância. Mas a quem não deu, ou só deu parcialmente, ou não deu nada, até o que ele tem lhe será tirado.

Eu lhes falo em parábolas para que vendo, vejam apenas o que a sua vontade de aderir a Deus os faz ver. É ouvindo, sempre, por aquela mesma vontade de adesão, ouçam e compreendam. Vós estais vendo! Muitos ouvem a minha palavra, mas poucos aderem a Deus. Seus espíritos estão carentes de boa vontade. Neles se cumpre a profecia[2] de Isaias: “Ouvireis com os ouvidos, e não entendereis; olhareis com os olhos, e não vereis.” Porque este povo tem um coração insensível, duro de ouvido, e tem os olhos fechados para não verem e não ouvirem, para não entenderem com o coração e não se converterem, para que Eu os cure. Mas vós sois felizes por vossos olhos que vêem e pelos vossos ouvidos que ouvem e pela vossa boa vontade! Em verdade Eu vos digo, que muitos Profetas e muitos justos desejaram ver o que estais vendo, e não viram, ouvir o que estais ouvindo, e não ouviram. Eles se consumiram no desejo de compreender o mistério das palavras, mas, ao apagar-se a luz das profecias, eis que as palavras ficaram como carvões apagados até para o santo que as tinha recebido.

Somente Deus revela-se a Si mesmo. Quando a sua luz se retrai, tendo atingido a sua meta, que era a de fazer brilhar a luz do mistério, a incapacidade de entender cobre a real verdade da palavra recebida, como as faixas de uma múmia. Por isso é que Eu te disse hoje cedo: “Um dia virá em que encontrarás tudo o que Eu te dei.” Agora, não podes reter tudo na memória. Mas depois a luz virá sobre ti, e não só por um instante, mas por um inseparável conúbio do Espírito Eterno com o teu, pelo qual se tornará infalível o teu ensinamento no que se refere ao Reino de Deus. Assim como em ti, também nos teus sucessores, se viverem de Deus como de um único pão[3].

180.6

Agora, ouvi o sentido da parábola.

Temos quatro espécies de campos: os férteis, os espinhosos, os pedregosos e os cheios de trilhas. Temos também quatro espécies de espíritos.

Temos os espíritos honestos, os espíritos de boa vontade, preparados por ela e pelos bons trabalhos de um apóstolo, de um “verdadeiro” apóstolo; porque há apóstolos que têm o nome, mas não o espírito de apóstolos, e são mais mortíferos para as vontades em formação, do que os passarinhos, os espinhos e as pedras. Eles fazem uma tal desordem com as suas intransigências, com as suas pressas, com as suas censuras, com suas ameaças, que afastam os outros para sempre de Deus. Outros espíritos são o oposto com uma rega contínua de benignidades intempestivas, fazem murchar as sementes em um terreno frouxo demais. Com sua desvirilização, desvirilizam as almas de que cuidam. Mas fiquemos com os verdadeiros apóstolos, isto é, com os de Deus. Esses são paternais, misericordiosos, e, ao mesmo tempo, fortes como é o seu Senhor. Pois bem. Os espíritos preparados por eles e pela sua própria boa vontade, são comparáveis aos campos férteis, limpos de pedras e espinhos, sem grama e joio, e neles prospera a palavra de Deus, e toda palavra — a semente — cria haste e espiga, dando cem, ou sessenta e além ou ainda trinta por cento. Entre os que Me seguem, haverão esses? Certamente. E serão santos. Entre eles haverá pessoas de todas as castas e de todos os lugares, e até pagãos, que darão cem por cento pela sua boa vontade, unicamente por ela, pela boa vontade de um apóstolo ou discípulo que os prepara.

Os campos espinhosos são aqueles nos quais o descuido deixou penetrar os espinhosos enredos dos interesses pessoais, que sufocam a boa semente. É preciso que se vigie sempre, sempre, sempre. Não digas nunca: “Oh! Eu já estou formado, semeado, e por isso, posso ficar tranquilo, que hei de dar semente de vida eterna.” É preciso que se vigie: a luta entre o Bem e o Mal é continua. Já tereis observado uma tribo de formigas que quer fazer seu ninho em uma casa? Ora, elas estão em cima do fogão. A mulher não deixa mais as comidas lá, mas as coloca na mesa; e elas, então, farejam o ar, e vão dar um assalto à mesa. A mulher põe as comidas no guarda-comida, e elas, pelo buraco da fechadura, passam para dentro do guarda-comida. A mulher pendura no forro as suas provisões. e elas fazem um comprido trilho ao longo das paredes e dos sarrafos, descem pela corda e comem. A mulher as queima, escalda, envenena. Depois disso fica sossegada, pensando ter acabado com elas. Oh! Se não vigiar, que surpresa! Aí vêm vindo as últimas que nasceram, e vamos começar tudo de novo. Assim é, enquanto se vive. É preciso que se vigie para extirpar as plantas daninhas, logo que germinam. Caso contrário, elas formam uma coberta de espinheiros e sufocam o trigo. Os cuidados com as coisas do mundo e o engano das riquezas criam o enredo, sufocam a planta da semente de Deus, e não deixam que ela produza espiga.

Eis agora os campos cheios de pedras. Quantos haverá em Israel! São aqueles que pertencem aos “filhos das leis”, como disse o meu irmão Judas com muita exatidão. Não está neles a pedra única do Testemunho, não está a Pedra da Lei. Está o pedregal das pequenas, pobres e humanas leis criadas pelos homens. São tantas, que o seu peso transforma a Pedra da Lei em cacos. É uma ruína que impede qualquer enraizamento de semente. A raiz não é mais nutrida. Não há terra. Não há seiva. A água a faz murchar, porque está sobre um pavimento de seixos, o Sol enche de forte calor aqueles seixos, queimando as plantinhas. São os espíritos dos substituidores da simples doutrina de Deus por suas complicadas doutrinas humanas. Eles até que recebem com alegria a minha palavra. No momento ficam emocionados e seduzidos por ela. Mas depois… Precisa um esforço heróico para aplainar e limpar o campo, a alma e a mente de todo aquele pedregal de retóricos. Só assim a semente criaria raiz e se tornaria uma planta vigorosa. Mas assim como está… não produz nada. Basta um simples medo de represália humana. Basta a reflexão: “E depois? Que farão de mim os homens poderosos?” E a pobre semente, não nutrida, fica agonizante. Basta que todo aquele pedregal comece a agitar-se com seu som vazio de centenas e centenas de preceitos, que tomam o lugar do Preceito, para que o homem pereça logo junto com a semente recebida… Israel está cheio destes. Isto vem explicar-nos que ir para Deus é uma coisa que está na razão inversa da potência humana.

Finalmente, há os campos cheios de trilhas, de poeira e desnudos. São os campos dos mundanos, dos egoístas. A comodidade é a sua lei, e o prazer é o seu fim. Nada de fadiga, mas dormir, rir, comer… O espírito do mundo reina sobre estes. A poeira do mundanismo cobre o terreno deles, que se torna baldio. Os passarinhos, ou seja, as dissipações, precipitam-se sobre os mil caminhos abertos para lhes tornar mais fácil a vida. O espírito do mundo, isto é, o Maligno, bica e destrói todas as sementes que caem neste terreno, aberto a todas as sensualidades e leviandades.

Detalhe

Jesus acaba de elogiar Pedro e Simão, e o irmão de André aproveita a oportunidade para pedir uma explicação sobre a parábola do semeador.

Anotação

Dá-me a recompensa. A parábola desta manhã... Pedro recorda a Jesus a sua promessa de lhes explicar a parábola do semeador.(EMV 179.5). (Ver Mateus 13,10-11).

Evangelho de Mateus 13, 10-23

Mt 13,10-23 : Os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: "Porque lhes falas por parábolas? Ele respondeu: "A vós é dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus, mas não a eles. A quem tem, ser-lhe-á dado, e terá em abundância; a quem não tem, ser-lhe-á tirado até o que tem. Falo-lhes por parábolas, porque olham mas não vêem, e ouvem mas não ouvem nem compreendem. Assim se cumpre para eles a profecia de Isaías: Ouvireis, mas não compreendereis. Podeis olhar, mas não vereis. O coração deste povo tornou-se pesado, tornou-se duro de ouvido, fechou os olhos, para que os seus olhos não vejam, os seus ouvidos não ouçam, o seu coração não compreenda, não se converta - e eu curá-lo-ei. Mas, quanto a vós, bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem. Em verdade vos digo que muitos profetas e justos quiseram ver o que vedes e não o viram, e ouvir o que ouvis e não o ouviram.

Escutai, pois, o que significa a parábola do semeador. Quando alguém ouve a palavra do Reino sem a compreender, o Maligno vem e leva o que foi semeado no seu coração: ele é o campo semeado à beira da estrada. O que recebeu a semente em terreno pedregoso é aquele que ouve a Palavra e a recebe imediatamente com alegria; mas não tem raízes, é o homem do momento: quando vem a angústia ou a perseguição por causa da Palavra, tropeça imediatamente. Aquele que recebeu a semente nos espinhos é o que ouve a Palavra; mas os cuidados do mundo e o engano das riquezas sufocam a Palavra, e ela não dá fruto. O que recebeu a semente em boa terra é o que ouve a Palavra e a compreende: dá fruto a cem, a sessenta ou a trinta por um."

Evangelho de Marcos 4, 10-20

Mc 4,10-20 : Quando ficou sozinho, os que o rodeavam com os Doze interrogaram-no acerca das parábolas. Ele respondeu-lhes: "O mistério do Reino de Deus é-vos dado a conhecer, mas aos que estão de fora tudo é apresentado sob a forma de parábolas. E assim, como diz o profeta: "Podem olhar com todos os olhos, mas não verão; podem ouvir com todos os ouvidos, mas não compreenderão; ou então converter-se-ão e receberão o perdão".

Então ele disse-lhes: "Não compreendeis esta parábola? Então, como é que entendereis todas as parábolas? O semeador semeia a Palavra. Há aqueles que estão à beira do caminho onde a Palavra é semeada: quando a ouvem, Satanás vem imediatamente e tira-lhes a Palavra semeada. Da mesma forma, há aqueles que receberam a semente em lugares pedregosos: quando ouvem a Palavra, recebem-na imediatamente com alegria; mas não têm raiz em si mesmos, são pessoas de um momento; se vem a angústia ou a perseguição por causa da Palavra, tropeçam imediatamente. E há outros que receberam a semente nos espinhos: estes ouvem a Palavra, mas os cuidados do mundo, o engano das riquezas e todas as outras concupiscências invadem-nos e sufocam a Palavra, que não dá fruto. Mas há aqueles que receberam a semente na terra boa: ouvem a Palavra, aceitam-na e dão fruto: trinta, sessenta, cem, por um."

Evangelho de Lucas 8, 4-18

Lc 8,4-18 : Enquanto se reunia uma grande multidão e vinham ter com Jesus pessoas de todas as cidades, ele contou uma parábola: "O semeador saiu a semear e, enquanto semeava, uma parte caiu à beira do caminho. Os transeuntes pisaram-na e as aves do céu comeram-na toda. Caiu também sobre as pedras; cresceu e secou, porque não tinha humidade. Caiu também entre as silvas, e as silvas, crescendo com ela, sufocaram-na. Por fim, uma parte caiu na terra boa, e cresceu e deu cem vezes mais fruto". Enquanto dizia isto, levantou a voz: "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!

Os seus discípulos perguntaram-lhe o que significava esta parábola. Ele disse-lhes: "A vós é dado conhecer os mistérios do Reino de Deus, mas os outros só têm parábolas. Por isso, como está escrito: "Olham mas não vêem, ouvem mas não compreendem". É isto que significa a parábola. A semente é a palavra de Deus. Depois vem o demónio e tira-lhes a Palavra do coração, para os impedir de acreditar e de se salvarem. Há aqueles que estão sobre as pedras: quando ouvem, acolhem a Palavra com alegria; mas não têm raízes, acreditam por um momento e depois, no momento da prova, desistem. Os que caíram nos espinhos são as pessoas que ouviram, mas são sufocadas no caminho pelas preocupações, pelas riquezas e pelos prazeres da vida, e não atingem a maturidade. E o que caiu em terra boa são os que ouviram a Palavra com um coração bom e generoso, que a retêm e dão fruto pela sua perseverança. (...)

Cuidado com a vossa escuta. Porque a quem tem, ser-lhe-á dado; e a quem não tem, ser-lhe-á tirado até o que julga ter".

Evangelho de Lucas 10, 23-24

Lc 10,23-24 : Depois, voltando-se para os seus discípulos, disse-lhes em particular: "Felizes os olhos que vêem o que vós vedes! Porque eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que vedes e não o viram, e ouvir o que ouvis e não o ouviram.

EMF 180.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A vós foi concedido muito mais, porque vós, meus apóstolos, deveis conhecer o mistério; e por isso vos é concedido entender os mistérios do Reino dos Céus. Por isso, Eu vos digo: “Perguntai, quando não entenderdes o sentido de uma parábola.” Vós dais tudo, e tudo vos é dado, para que, por vossa vez, possais dar tudo. Vós dais tudo a Deus: afetos, tempo, interesse, liberdade, vida. Deus tudo vos dá para compensar-vos e tornar-vos capazes de dar tudo, em nome de Deus, a quem vos seque. Assim, a quem deu, será dado com abundância. Mas a quem não deu, ou só deu parcialmente, ou não deu nada, até o que ele tem lhe será tirado.

Anotação

Evangelho de Mateus 13, 10-12

Mt 13, 10-12 : Os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: "Porque lhes falas por parábolas? Ele respondeu: "A vós é dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus, mas não a eles. Àquele que tem, ser-lhe-á dado, e terá em abundância; àquele que não tem, até o que tem lhe será tirado."

Evangelho de Mateus 25, 29

Mt 25,29 : A quem tem, ser-lhe-á dado mais, e terá em abundância; mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado.

Evangelho de Marcos 4, 25

Mc 4, 25 : A quem tem, ser-lhe-á dado; mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado.

Evangelho de Lucas 8,18

Lc 8, 18 : "Portanto, tende cuidado com o que escutais, porque a quem tem, ser-lhe-á dado; mas a quem não tem, ser-lhe-á tirado até o que julga ter."

Evangelho de Lucas 19, 26

Lc 19,26: "Digo-vos que a quem tem, ser-lhe-á dado; mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado."

EMF 180.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Em verdade Eu vos digo, que muitos Profetas e muitos justos desejaram ver o que estais vendo, e não viram, ouvir o que estais ouvindo, e não ouviram. Eles se consumiram no desejo de compreender o mistério das palavras, mas, ao apagar-se a luz das profecias, eis que as palavras ficaram como carvões apagados até para o santo que as tinha recebido.

Somente Deus revela-se a Si mesmo. Quando a sua luz se retrai, tendo atingido a sua meta, que era a de fazer brilhar a luz do mistério, a incapacidade de entender cobre a real verdade da palavra recebida, como as faixas de uma múmia. Por isso é que Eu te disse hoje cedo: “Um dia virá em que encontrarás tudo o que Eu te dei.” Agora, não podes reter tudo na memória. Mas depois a luz virá sobre ti, e não só por um instante, mas por um inseparável conúbio do Espírito Eterno com o teu, pelo qual se tornará infalível o teu ensinamento no que se refere ao Reino de Deus. Assim como em ti, também nos teus sucessores, se viverem de Deus como de um único pão[3].

Detalhe

Sobre a infalibilidade papal e o ditado de Jesus, ver a anotação abaixo.

Anotação

Muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não o viram, ouvir o que ouvis e não o ouviram. Na continuidade do texto relatado por Mateus.

Mt 13, 16-17: Mas bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem. Em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não o viram, e ouvir o que ouvis e não o ouviram.

Lucas apresenta-o num outro contexto (Lc 10,24).

Lc 10, 23-24: Depois, voltando-se para os seus discípulos, disse-lhes em particular: "Felizes os olhos que vêem o que vós vedes! Porque eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que vedes e não viram, e ouvir o que ouvis e não ouviram.

Épor isso que vos disse esta manhã: " Este é o tipo de pormenor que parece insignificante, mas que é muito útil para estabelecer a cronologia.

Mais tarde, a luz virá sobre vós, não por um instante, mas por uma união indissolúvel do Espírito eterno com a vossa alma, que tornará o vosso ensino infalível em matéria de Reino de Deus. O mesmo acontecerá com os teus sucessores, como aconteceu contigo, se viverem de Deus como único pão.

Nota de maria-valtorta.org :

Esta condição colocada à infalibilidade papal deve ter dado origem a uma objeção por parte do Padre Migliorini. Maria Valtorta observa:

"Depois de ter submetido a Jesus P. M(igliorini) a objeção à infalibilidade papal, contrária à frase da p. ... ficheiro ... linha ... de ..., Jesus responde: "Respondo à tua pergunta do seguinte modo:

É verdade que a infalibilidade do Papa em matéria espiritual é uma verdade definitiva. Ela existe em cada um dos meus vigários, independentemente da sua forma de vida e do seu grau de virtude. Mas é igualmente verdade que não encontrareis um dogma definido e proclamado por Papas que estejam - notoriamente ou não - privados da minha graça. A alma que não está em estado de graça não pode estar na amizade do Espírito Santo.

Quem pensa que tal coisa é possível, está a pensar como um herege!

Deus é justo: como trata os pobres, trata os ricos, como trata o leigo, trata o Soberano Pontífice. Infelizmente, há zonas obscuras na história da minha Igreja. Querer fechar os olhos e não ver esses pontos obscuros é viver nas trevas sobre toda a Igreja, mesmo sobre os muitos tempos angelicalmente luminosos, divinamente luminosos, gloriosos da minha Igreja.

Porque também nós devemos ser sinceros nestas coisas, como eu fui com os meus apóstolos, os meus discípulos e aqueles que me seguiam. Muitas multidões, nem todas santas, nem todas mornas, nem todas perversas. Reconheci o mérito ou o demérito de cada um, dei a cada um o que merecia, sem ter em conta razões emocionais particulares. A verdade é a verdade, em todas as coisas.

Isto também é verdade no estudo da história. E no estudo da história da minha Igreja. A história, para ser história e não fábula, deve ser imparcial. As idades das trevas, aliás, são as preditas nas alusões proféticas ao pastor-ídolo e a este Sebna, prefeito do Templo (esta personagem será solenemente repetida na mensagem a Pio XII de 23 de dezembro de 1948). Que arde e queima, admito. Mas não se pode dizer "Anátema" a uma verdade.

Confiai nesta certeza: os dogmas são verdadeiros e a infalibilidade existe porque eu não concedo dogmas a quem não os merece. Era isto que estava incluído na frase que deu origem à objeção.

Estás satisfeito. Vá em paz. Dei-lhe este esclarecimento imediatamente, porque sou o autor destas palavras e, portanto, conheço-as e recordo-as, mesmo que o ditado não esteja presente".

30-6-45, 8 horas da manhã".

Encontramos a mesma ideia nas palavras de Jesus ao apóstolo Tiago, filho de Alfeu, em EMV 258.6: "Deus dará a sua luz de acordo com o grau que tiveres atingido. Deus não deixará que a luz te falte, a menos que o pecado venha e extinga a graça em ti."

Esta doutrina da infalibilidade, querida por Cristo, foi reafirmada 20 anos mais tarde na Constituição Apostólica sobre a Igreja, Lumen gentium, § 25: "Esta infalibilidade, com a qual o divino Redentor quis que a sua Igreja fosse dotada na definição da doutrina relativa à fé ou aos costumes, estende-se até ao conteúdo da Revelação divina, que deve ser guardada com veneração e fielmente exposta. O Romano Pontífice, chefe do Colégio dos Bispos, possui esta infalibilidade em virtude do seu cargo...".

Nota da segunda edição:

Se viverem de Deus como único pão: esta condição colocada à infalibilidade papal deve ter suscitado uma objeção por parte do Padre Migliorini, a quem Maria Valtorta transmitiu esta resposta de Jesus (datada de 30 de junho de 1945). Citamos as passagens principais: [...] Jesus respondeu-me: "É verdade que a infalibilidade do Papa em matéria espiritual é uma verdade definitiva. Ela existe em cada um dos meus vigários, independentemente da sua forma de vida e do seu grau de virtude. Mas é igualmente verdade que não encontrareis um dogma definido e proclamado por Papas que estejam - notoriamente ou não - privados da minha graça. A alma que não está em estado de graça não pode estar na amizade do Espírito Santo. [...] Confiai, pois, nesta certeza: os dogmas são verdadeiros e a infalibilidade existe porque eu não concedo dogmas a quem não os merece. É isto que está incluído na frase que deu origem à objeção [...]. "A mesma ideia pode ser encontrada nas palavras de Jesus ao apóstolo Tiago, filho de Alfeu, em 258.6: "Deus dará a sua luz de acordo com o grau que tiveres alcançado. Deus não deixará que a luz vos falte, a menos que o pecado extinga a graça que há em vós. "