Ir para o conteúdo

Notas do tema

A Criação

Página 18 de 19

Conforto de leitura

Aa

EMF 206.6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Como é fulgente a fé, e que doce amiga ela é! Produz uma chama brilhante, como uma estrela, uma chama que ri, porque tem segurança em sua certeza, uma chama que torna luminoso até o instrumento que a rege. Até a carne do homem, nutrido pela fé, parece, desde esta terra, tornar-se mais luminosa e espiritual e imune de uma murchidão precoce. Porque quem crê, se rege pelas palavras e pelas ordens de Deus, para chegar a possuir a Deus, que é o seu fim e, por isso, foge de toda corrupção, não sofre perturbações, nem temores, nem remorsos, e não é obrigado a nenhum esforço, para recordar-se de suas mentiras, ou para esconder suas más ações, e se conserva belo e jovem pela bela incorrupção de santo. Uma carne e um sangue, uma mente e um coração limpos de toda luxúria, para conterem o azeite da fé e para produzirem uma luz sem fumaça. Uma constante vontade para alimentar sempre esta luz. A vida de cada dia, com as suas desilusões, verificações, contatos, tentações, atritos, tende a diminuir a fé. Não. Não deve acontecer. Ide cada dia às fontes do azeite suave, do azeite espiritual, do azeite de Deus.

Lâmpada pouco alimentada pode ser apagada pelo menor vento, pode ser apagada pelo pesado orvalho da noite. A noite… A hora das trevas, do pecado e da tentação, chega para todos. É a noite para a alma. Mas, se esta se conserva a si mesma cheia de fé, não pode a chama ser apagada pelo vento do mundo, pela caligem da sensualidade.

EMF 208.5-6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Os três grandes vales escavados na rocha do monte, obra verdadeiramente grandiosa, brilham na superfície limpidíssima e na queda d’água que cai do primeiro vale para o segundo, e deste para o terceiro, que já é, na verdade um pequeno lago, que depois canaliza a água por vários tubos, que vão para cidades distantes. Mas, pela umidade do solo nesta área, desde a nascente até às piscinas, e destas até o solo, todo o monte é de uma fertilidade incrível, e possue flores mais compostas do que aquelas selvagens, rindo pelas encostas verdes, juntamente com ervas perfumadas e raras. Parecem até terem sido aqui semeadas pelo homem, como as flores dos jardins e as ervas perfumadas que, com o sol que as aquece, espargem pelo ar seus aromas de canela, cânfora, cravo, alfazema e outros odores sutis, fragrantes, fortes, suaves, numa fusão maravilhosa dos melhores odores da terra. Eu diria que é uma sinfonia de perfumes, porque realmente é o poema das ervas e das flores, em suas cores e fragrâncias.

Todos os apóstolos estão sentados à sombra de uma árvore carregada de grandes flores brancas cujo nome eu não sei, com enormes campânulas de esmalte branco, penduradas, balançando ao menor sopro de vento e, a cada sopro, é uma onda de fragrância que se espalha. Não sei qual é o nome desta árvore. Pela flor, ela me faz lembrar daquele arbusto que há na Calábria e ao qual lá dão o nome de “bottaro”, mas certamente no tronco não, porque esta aqui é uma árvore alta, de tronco robusto, mas não um arbusto.

Jesus os chama, e eles acorrem.

– Encontramos quase de repente José, que estava voltando de uma feira. Esta tarde estarão todos em Betsur. Nós aqui nos reunimos, chamando-nos em altas vozes, e aqui ficamos nesta sombra fresca –explica Pedro.

– Que lugar bonito! Parece um jardim! Entre nós estávamos discutindo se é mesmo natural, ou não, e uns teimam em uma opinião e outros na outra –diz Tomé.

– A terra da Judeia tem essas maravilhas –diz Iscariotes, que em tudo se sente inevitavelmente levado a ensoberbecer-se, até com as flores e as ervas.

– Sim, mas…eu creio que se, por exemplo, o jardim de Joana de Tiberíades ficasse abandonado e se tornasse selvagem, a Galileia também teria a maravilha de esplendidas rosas, por entre ruínas

–diz Tiago de Zebedeu.

– E não estás errado. Nesta zona é que ficavam os jardins de Salomão, tão célebres no mundo daquele tempo como os seus palácios. Talvez foi aqui que ele sonhou o Cântico dos Cânticos, aplicando à Cidade Santa todas as belezas que cresceram aqui por sua vontade

–diz Jesus.

– Então, eu tinha razão! –diz Tadeu.

– Tinhas razão. Sabes, Mestre? Ele estava citando Eclesiastes, reunindo a ideia dos jardins à dos vales, e terminava dizendo[1]: “Mas ele percebeu que tudo é vaidade, e nada dura sob o sol, a não ser a Palavra do meu Jesus” –diz o outro irmão Tiago.

– Eu te agradeço. Mas agradeçamos também a Salomão, sejam ou não dele as flores originais certamente são dele os tanques que fornecem água às ervas e aos homens. Seja ele bendito. Vamos agora até aquele grande roseiral desgrenhado, que já foi uma galeria florida, entre uma árvore e outra. Lá nós pararemos. Já estamos quase com meio caminho feito.

208.6 … E a viagem recomeça, por volta da hora nona, quando as sombras se alongam, a partir de cada árvore desta zona tão bem cultivada por toda parte. Parece que o caminho vai passando por um imenso jardim botânico, porque todas as espécies de plantas, as que têm troncos ou frutas, ou as que são ornamentais estão aqui representadas. Os trabalhadores da terra estão por todos os lados, mas não se interessam pela comitiva, que vai passando. Aliás, não é uma só. Pois outros grupos de hebreus estão pela estrada, de volta das festas pascais.

A estrada é muito boa, apesar de ter sido aberta por entre os montes, e os panoramas, sempre variados, tiram a monotonia da viagem. Pequenos rios e torrentes são como vírgulas de prata, que escorrem e vão escrevendo palavras, que depois eles cantam em seus mil meandros, que se entrecortam, que mergulham pelos bosques abaixo ou vão esconder-se em cavernas, para depois saírem delas ainda mais belos. Parece que estão brincando com as plantas e as pedras, como crianças alegres.

EMF 212.2 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Mas Cristo se refugia nos corações fiéis e de lá olha, de lá fala, de lá abençoa a Humanidade, e depois… e depois se dá a esses corações e eles atingem o Céu com sua bem-aventurança, ainda que permaneçam aqui, mas incendiando-se, até terem com isto um delicioso tormento em todo o seu ser: nos sentidos e nos órgãos, nos sentimentos e no pensamento e, finalmente, no espírito… Lágrimas e sorrisos, gemidos e canto, o desfalecimento e até uma pressa de viver são os nossos companheiros, mais do que companheiros, são o nosso próprio ser, porque, como os ossos estão na carne, e as veias e os nervos por baixo da epiderme, e tudo faz um só homem, assim, igualmente, todas essas coisas incendiadas, nascidas por ter-se dado Jesus a nós, estão em nós, na nossa pobre humanidade. E, que somos nós, naqueles momentos que não poderiam durar para sempre, porque, se durassem mais do que aquele tanto, morreríamos queimados e despedaçados? Nós não somos mais homens. Não somos mais os animais dotados de razão, que vivem sobre a terra.. Somos, somos, ó Senhor! Deixa que eu o diga uma vez, não por soberba, mas para cantar as tuas glórias, porque o teu olhar me queima, e me faz delirar…E, então, nos tornamos serafins. E por que de mim não saem chamas e ardores sensíveis para as pessoas e a matéria, assim como é nas aparições dos condenados? Por que, se é verdade que o fogo do inferno é tão forte, que, só um reflexo, saído de um condenado, pode queimar a madeira e derreter os metais, que não será o teu fogo, ó Deus, que tens tudo o que há de infinito e perfeito?

Não morremos de febre, não nos queimamos com ela, não nos consumimos de febre pelos males da carne. Tu é que és nossa febre, ó Amor. E com este nos queimamos, com este morremos, com este nos consumimos, com este e por este se dilaceram as fibras do coração, que não pode resistir a tudo isso. Mas, eu disse mal, porque o amor é um delírio, o amor é uma cascata que arrebenta os diques, e desce derrubando tudo o que não é ele, o amor é um apinhar-se de sensações, todas elas verdadeiras, na mente, todas presentes, mas nossa mão não pode transcrevê-las, de tão rápida que é a mente em traduzir o pensamento e os sentimentos que o coração experimenta. Não é verdade que morremos. Nós vivemos. E de uma vida decuplicada. De uma vida dupla, vivendo como homens e como bem-aventurados: a vida da terra e a vida do Céu. Alcança-se e se supera, Oh! disso estou certa, uma vida sem defeitos, sem diminuições nem limitações que Tu, Pai, Filho e Espírito Santo, Tu, Deus Criador, Uno e Trino, tinhas dado a Adão, como um prelúdio da vida depois da assunção a Ti, para gozar no Céu, depois de uma tranquila passagem do Paraíso Terrestre para o Celeste, e uma passagem feita nos amorosos braços dos anjos, assim como foi o doce sono e o doce surgir de Maria ao Céu, para ir a Ti, a Ti, a Ti! Vivemos a verdadeira vida.

E depois nos encontramos aqui e nos envergonhamos de ter andado por tantos outros lugares, e dizemos: “Senhor, eu não sou digno de tudo isso. Perdoa, Senhor”, e batemos no peito, porque aterrorizados pelo temor de termos tido soberba, e descemos um véu mais espesso sobre o esplendor que, se não continua a chamejar de novo, com um ardor poderoso, por ter dó do nosso ser limitado, recolhe-se, porém, ao centro do nosso coração, pronto a reinflamar-se poderoso para um novo momento de bem-aventurança querida por Deus. Desce-se o véu sobre o Sacrário, onde está Deus ardente em seus fogos, em suas luzes, em seus amores… e extenuados e também regenerados, recomeçamos a andar como…embriagados por um vinho forte e suave, que não torna obtusa a nossa razão, mas nos preserva de ter olhos e pensamentos para o que não seja o Senhor, Tu, meu Jesus, anel de união entre a nossa miséria e a Divindade, meio de redenção para a nossa culpa, Criador de felicidade para a nossa alma, Tu, Filho que, com tuas mãos feridas, colocas as nossas mãos entre as mãos espirituais do Pai e do Espírito, para que estejamos em Vós, agora e sempre. Amém.

EMF 212.6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Meditai: o homem é obrigado a conhecer a Deus por um dever de gratidão e por respeito para com a sua própria inteligência.

Por gratidão: Deus criou o homem, dando-lhe o dom inefável da vida e provendo-o do dom superinefável da graça. Perdida esta por própria culpa, o homem ouve que lhe é feita uma grande promessa: “Eu te darei de novo a Graça.” É Deus que foi ofendido, que fala assim ao seu ofensor, como se fosse ele, Deus, o culpado, obrigado a dar uma reparação. E Deus mantém a promessa. Eis que aqui estou para dar de novo a Graça ao homem. Deus não se limita a dar o sobrenatural, mas faz descer até nós sua Essência Espiritual, a fim de prover às grosseiras necessidades da carne e do sangue do homem, dá-lhe o calor do sol, o refrigério da água, os grãos dos cereais, as videiras, as árvores de todas as espécies, os animais de todas as espécies. Assim o homem recebeu de Deus todos os meios para conservar a vida. Deus é o seu Benfeitor. É preciso que lhe sejamos reconhecidos e lhe mostremos isso, esforçando-nos por conhece-lo.

Por respeito para com nossa própria razão. O mentecapto e o idiota não são gratos para com quem cuida deles, porque não compreendem os cuidados em seu verdadeiro valor, e há quem os lava ou lhes põe a comida na boca, a quem os guia ou os põe na cama, a quem os vigia para que não se exponham aos perigos. Eles ainda lhes tem ódio, porque, bestiais como são por causa de sua doença, acham ainda que aqueles cuidados são torturas. O homem que está em falta contra Deus é alguém que se desonra a si mesmo, a um ser dotado de razão. Só os idiotas e os doidos é que não conseguem distinguir o seu pai de um estranho, o benfeitor de um inimigo. Mas o homem inteligente conhece o seu pai e o seu benfeitor e se compraz em conhecê-lo sempre melhor, mesmo naquelas coisas que ele ignora, porque aconteceram antes que ele nascesse ou que recebesse os benefícios do pai ou do benfeitor. Assim deve-se fazer também com o Senhor, a fim de mostrar-lhe que somos inteligentes, e não brutos. Mas muitos em Israel são semelhantes a estes doidos que não reconhecem o seu pai e o seu benfeitor.

EMF 216.1 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Uma planície batida pelo sol, que abrasa os grãos maduros e extrai deles um odor que já lembra o do pão. É o odor do sol, das barrelas, das messes. É o odor do verão.

Porque cada estação, eu poderia dizer cada mês, e até cada hora do dia, tem o seu odor, assim como cada localidade tem o seu para alguém que tiver os sentidos muito apurados e o sentido de observação muito agudo. É muito diferente o odor de um dia de inverno, com um vento cortante, do odor pastoso de um dia nublado de inverno, ou do odor que a neve espalha. E, como são diferentes desses o odor da primavera que está para chegar e que se prenuncia assim, com um perfume que não é perfume, mas que é bem diferente do odor do inverno. Levantamo-nos certa manhã, e sentimos que paira no ar um odor que antes não havia: é o primeiro suspiro da primavera. E acima, mais acima, vamos subindo e passando pelo odor das árvores frutíferas, que estão com flores, depois pelos dos jardins, das colheitas, até o odor quente das vindimas e, entre eles, como para um intervalo, o odor da terra depois de um temporal…

E as horas? Seria tolice dizer que o odor da aurora é como o do meio-dia e que este é como o da tarde, ou da noite. O primeiro é fresco e virginal, o outro é risonho e alegre, e o outro, ainda cansado é também saturado de tudo o que, durante o dia, exalou seus odores. O último, o da noite, é pacato, recolhido, como se a terra fosse um enorme berço, recolhendo seus pequeninos para o repouso.

E os lugares? Oh! o odor da beira-mar, tão diferente das manhãs e das tardes, dos meio-dias e das noites, das borrascas e do tempo sereno, das regiões pedregosas e daquelas do litoral plano! E o odor das algas, que ficam descobertas depois das marés, quando fica parecendo que o mar tenha aberto as suas vísceras, para fazer-nos aspirar o odor do seu fundo. Como é diferente este odor daquele das planícies do interior, e este daqueles das colinas, e este daquele dos altos montes.

É tão grande a imensidão do Criador, que só Ele foi capaz de imprimir um sinal ou de luz, ou de cor, ou de perfume, ou de som, ou de forma, ou de altura sobre cada uma das inumeráveis criaturas que criou. Ó Beleza Infinita do Universo, eu não te vejo mais do que assim, através das visões e da lembrança de tudo o que vi , amando a Deus e rezando a Ele, passando pelo meio de suas obras, e pela alegria, que só de vê-las os davam, como és imensa, poderosa, inexaurível e livre de cansaços! Disso não tens, e isso não dás. Pelo contrário, o homem até se renova, ao olhar para ti, ó Universo do meu Senhor, e se torna melhor, mais puro, e se eleva, e se esquece. Oh! Poder ficar sempre olhando para Ti e esquecer-nos dos homens em sua parte inferior e amá-los na e pela sua alma, e para conduzi-los a Deus!

E eis que, acompanhando Jesus, que vai com os apóstolos por esta planície cheia de messes, eu fico divagando de novo, deixando-me levar pela alegria de falar do meu Deus em suas esplêndidas obras. É amor também isto, porque a criatura louva nas criaturas o que nelas ama, ou louva, simplesmente à criatura que ela ama. E assim é também entre a criatura e o Criador. Quem o ama, o louva, e quanto mais o ama, tanto mais o louva em Si mesmo e por suas obras. Mas agora imponho silêncio ao meu coração, e vou atrás de Jesus, não como adoradora, mas como cronista fiel.

Detalhe

Maria Valtorta louva o Criador na Criação.

EMF 216.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Mestre… que pensas de Judas? No ano passado Tu choraste comigo por causa dele. Depois… não sei, não… Mestre, deixa lá aquelas duas libélulas, olha para mim, escuta-me. Eu não direi nada a ninguém. Nem aos companheiros. Nem aos amigos. Mas a ti, sim. Eu não consigo amar Judas. E me confesso disso. É ele mesmo quem rejeita o meu desejo de amá-lo. Não é que ele me despreze, não. Pelo contrário, ele até que trata com cortesia o velho Zelotes, que ele percebe ser mais experiente do que os outros no conhecimento dos homens. Mas é o modo como ele faz as coisas. Ele te parece sincero? Dize-o a mim.

Jesus fica em silêncio por um momento, como se estivesse fascinado pelas duas libélulas que, pousadas à flor d’água, fazem um pequeno arco-íris, com suas asas membranosas e iridescentes, um arco-íris muito útil, que serve para atrair algum mosquito curioso, que logo é pego por um dos dois animaizinhos que, por sua vez, logo também é pego no vôo por um sapo achatado, ou uma rã, que a pega no vôo e a devora junto com o mosquito que havia sido agarrado antes.

Jesus se move, levantando-se de novo, porque tinha ficado quase deitado para poder ver os dramas da natureza, e diz:

– Assim é. A libélula tem suas robustas maxilas para poder nutrir-se com as ervas, e suas asas robustas para derrubar os mosquitos. E a rã tem a garganta larga, para engolir as libélulas. Cada um tem o seu, e faz uso do que tem. Vamos, Simão. Os outros despertam.

– Senhor, não me respondeste. Não o quiseste fazer.

– Mas, sim que te respondi. Meu velho sábio, medita que encontrarás…

Jesus sobe do leito do rio e vai procurar os discípulos, que estão despertando e que já o estão procurando.

Detalhe

Simão, o Zelote, e Jesus estão sozinhos e foram observar duas libélulas que dançam sobre a água.

Anotação

No ano passado, choraste comigo por ele. Ver EMV 83.3/4.

«Reflexiona e encontrarás». Encontraremos a chave de interpretação ao relacionar a frase anterior: «Cada ser tem os seus meios e usa-os» à passagem deMateus 12,33-35(é pelos frutos que se reconhece a árvore) e ao textode EMV 219.4eEMV 222.5

________________________________________________________________________________________________

Evangelho segundo São Mateus 12, 33-35

Mt 12, 33-35: Ou dizeis que a árvore é boa e o seu fruto bom; ou dizeis que a árvore é má e o seu fruto mau; pois é pelos seus frutos que se conhece a árvore. Raça de víboras, como podeis dizer coisas boas, sendo tão maus como sois? Pois a boca fala da abundância do coração. O homem bom tira coisas boas do tesouro bom do seu coração, e o homem mau, de um tesouro mau, tira coisas más.

EMF 217.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Aqui está alguém que é muito maior do que o Templo, e pode apanhar o que quiser de tudo o que houver na natureza, porque Deus tudo fez para servir de escabelo para sua Palavra. E Eu, não só apanho, como dou. Assim, as espigas do Pai, colocadas nesta imensa mesa que é a Terra, como a Palavra, Eu apanho e dou. Aos bons, como aos maus. Porque Eu sou a Misericórdia. Mas vós não sabeis o que é Misericórdia. Se soubésseis o que quer dizer esse meu “ser Misericórdia”, compreenderíeis também que Eu não quero mais do que ela. Se vós soubésseis o que é a Misericórdia, não teríeis condenado os inocentes. Mas vós não sabeis. Vós não sabeis nem mesmo que Eu não vos condeno, vós não sabeis que Eu vos perdoarei, e que até pedirei perdão ao Pai por vós. Porque Eu quero a Misericórdia e não o castigo. Mas vós não sabeis. Não quereis saber. É este um pecado maior do que aquele que me atribuís e que dizeis que estes inocentes cometeram. Afinal ficai sabendo que o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado, e que o Filho do homem é dono até do sábado.

Detalhe

Jesus fala aos fariseus que lhe são hostis.

Anotação

Tanto aos bons como aos maus, pois eu sou a Misericórdia. Mas vocês não sabem o que é a misericórdia. Se soubessem o que isso significa, compreenderiam também que só quero isso. Cf . Oséias 6,6, também citado em Mateus 9,13.

EMF 217.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Vinde. Vamos procurar uma cama entre as areias, que já estão perto. Sempre teremos como companheiras as estrelas, e nos dará sustento o orvalho. Deus proverá, Ele que mandou o maná para Israel, alimentará a nós também, a nós pobres, mas fiéis a Ele.

E Jesus deixa assim no ar o grupo odiento, e lá se vai com os seus discípulos, enquanto a tarde vai chegando com as suas primeiras sombras violáceas…

Encontram finalmente uma sebe de figueiras da Índia, em cuja copa, arrepiada com suas pazinhas agressivas, estão figos, começando a ficar maduros Mas tudo é bom para quem está com fome. E, ferindo-se, os discípulos vão colhendo os mais maduros, e vão andando, até que os campos terminam em umas dunas arenosas. Ouve-se lá ao longe um rumor de mar.

– Permaneçamos aqui. A areia está fofa e quente. Amanhã, entraremos em Ascalon –diz Jesus e todos caem cansados aos pés de uma alta duna.

Detalhe

Objeção apresentada: as figueiras-da-barbária são um anacronismo. Ver a anotação.

Contextualização: Jesus afasta-se depois de ter sido abordado por um grupo hostil de fariseus.

Anotação

Acabam por encontrar uma sebe de figueiras-da-Índia, no topo das quais, repletas de espinhos, os figos começam a amadurecer. Esta referência intriga: diz-se que a figueira-da-Índia, ou figueira-da-Barbária, foi importada do México por Cristóvão Colombo. Trata-se de um anacronismo grosseiro ou de um conhecimento raro de Maria Valtorta? Veja o comentário, bem como um vídeo sobre o assunto.