Mateus nunca diz: “Levanta e pega tua mulher”; ele diz: “Pega a mãe Dele.” Antes diz: “Virgem desposada a José”, “José, seu esposo”.
35.11 Não me venham dizer que isso era um modo de falar dos hebreus, como se dizer a palavra “mulher” já fosse uma infâmia. Não, negadores da Pureza. Desde as primeiras palavras do Livro, se lê: “… e se unirá à sua mulher”. Ela é chamada “companheira”, até o momento da consumação sexual do casamento; mas depois é chamada “mulher”, em diversas passagens e em diversos capítulos. E assim acontece com as esposas dos filhos de Adão. É assim que Sara é chamada “mulher” de Abraão: “Sara, tua mulher”; e: “Toma tua mulher e as tuas duas filhas” foi dito a Ló. E no livro de Rute está escrito: “A moabita, mulher de Maalon.” E no primeiro livro dos Reis está dito: “Elcana teve duas mulheres”; e, ainda mais: “depois, Elcana conheceu sua mulher Ana”; e ainda: “Eli abençoou Elcana e a mulher dele.” E sempre no livro dos Reis foi dito: “Bate-Seba, mulher de Urias, o heteu, tornou-se mulher de Davi, e lhe deu um filho.” O que se lê no livro azul de Tobias, aquilo que a Igreja canta para vós nas vossas núpcias, para aconselhar-vos a serem santos no matrimônio? Lê-se: “Ora, quando Tobias chegou, com a mulher e com o filho…”; e ainda: “Tobias conseguiu fugir com o filho e com a sua mulher.”
Nos Evangelhos, isto é, nos tempos de Cristo, nos quais se escrevia relativamente àqueles tempos antigos em linguagem moderna, não havendo, portanto necessidade de se pensar em erros de transcrições, foi dito pelo próprio Mateus no cap. 22: “… o primeiro, tendo-a tomado por mulher, morreu e deixou a mulher ao irmão.” Marcos, no cap. 10: “Quem repudia a mulher…” Lucas chama Isabel de mulher de Zacarias, quatro vezes em seguida, e no oitavo capítulo diz: “Joana, mulher de Cusa.”
Como estais vendo, não era este nome um vocábulo proscrito para quem estava nos caminhos do Senhor, um vocábulo imundo que não era digno de ser proferido e, muito menos, escrito onde se trata de Deus e das suas admiráveis obras. O anjo, dizendo: “o Menino e a mãe Dele”, vos demonstra que Maria foi mãe verdadeira, mas não foi mulher de José. Ela permaneceu sempre: a virgem desposada a José.
Este é o último ensinamento destas visões. É uma auréola que resplende sobre a cabeça de Maria e de José. A virgem imaculada. O homem justo e casto. Os dois lírios entre os quais eu cresci, ouvindo só fragrâncias de pureza.
35.12 A ti, pequeno João, eu poderia falar sobre a dor de Maria por seu duplo afastamento de sua casa e de sua pátria. Mas não há necessidade de palavras. Compreendo que seja isso, e disso desfaleces. Dá-me a tua dor. Só quero isto. É mais do que qualquer outra coisa que me possas dar. Hoje é sexta-feira, Maria. Pensa na minha dor e na de Maria sobre o Gólgota, para que possas suportar a tua cruz.
A paz e o nosso amor fiquem contigo.