EMF 45
O Evangelho como me foi revelado
Tradução em curso
Notas do tema
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EMF 45
Tradução em curso
EMF 47.5
Há uma virgindade desejada, ou seja, aquela dos que se consagram ao Senhor, num impulso de vontade. Bela virgindade! Sacrifício agradável a Deus! Mas nem todos sabem permanecer naquele candor do lírio que está firme em seu pedúnculo, estendido ao céu, sem conhecer a lama do chão, aberto somente ao beijo do sol de Deus e de seus orvalhos.
Muitos permanecem fiéis, materialmente, ao voto feito. Mas infiéis em seu pensamento, que lamenta e deseja aquilo que eles sacrificaram. Estes são virgens só pela metade. Se a carne está intacta, o coração não está. Seu coração fermenta, ferve, exala fumaças de uma sensualidade, tanto mais refinada e reprovada, quanto mais ela foi sendo criada por um pensamento que acaricia, alimenta e aumenta continuamente imagens de satisfações ilícitas, até para quem está livre, e quanto mais para quem está consagrado por votos a Deus.
Aparece então, a hipocrisia do voto. Em aparência, ele existe, mas de fato, em substância, não. E, em verdade, eu vos digo que, entre quem vem a Mim com o seu lírio despedaçado pela imposição de um tirano e quem vem com o seu lírio não materialmente despedaçado, mas coberto pela baba, pelo transbordamento de uma sensualidade acariciada e cultivada, para poder encher com ela as horas de solidão, Eu chamo de “virgem” ao primeiro, e de “não virgem” ao segundo. Ao primeiro, dou coroa de virgem e uma dupla coroa de martírio: uma, pela carne ferida; e outra, pelo coração ferido por uma mutilação não desejada.
Jesus fala da virgindade, daquelas que são verdadeiramente virgens e daquelas que são hipócritas e têm paixões no seu coração, nomeadamente através dos seus pensamentos e da sua imaginação desenfreada.
EMF 49.2
– Tens pai e mãe, irmãos, irmãs, tens tua vida, e, com a vida, a mulher e o amor. Como farás para deixar tudo isso por Mim?
– Mestre… não sei… mas me parece, se não for soberba dizer isso, que a tua predileção tomará para mim o lugar de pai, mãe, irmãos, irmãs, e também da mulher. De tudo, sim, de tudo estarei saciado, se me amares.
– E se o meu amor te trouxer dores e perseguições?
– Não haverá de ser nada, Mestre, se Tu me amares.
Jesus interroga João.
EMF 49.2
– E no dia em que Eu tivesse que morrer…?
– Não. És ainda jovem, Mestre… Por que morrer?
– Porque o Messias veio para pregar a Lei em sua verdade e para cumprir a Redenção. A Lei aborrece o mundo, que também não quer redenção. Por isso persegue os enviados de Deus.
– Oh! Que isto não aconteça! Não digas a quem te ama, este prognóstico de morte!… Mas, se Tu tiveres que morrer, eu Te amarei ainda. Deixa que eu te ame.
João tem o olhar suplicante. Mais inclinado que nunca, ele vai caminhando ao lado de Jesus, parecendo estar mendigando amor.
Jesus pára. Olha para ele, traspassa-o com o olhar de seus olhos profundos, e depois lhe põe a mão sobre a cabeça inclinada.
– Quero que tu me ames.
– Oh! Mestre!
João está feliz. Ainda que seus olhos estejam brilhando pelas lágrimas, ele está sorrindo; com sua boca jovem e bem desenhada, pegando a mão divina, beija-a nas costas e a aperta junto ao coração.
Jesus fala com João.
EMF 50.7
Quem ama não quer causar dor.
EMF 51.4
Eu vos digo que acima da terra está o céu, acima dos interesses do mundo está a causa de Deus. Precisais mudar vosso modo de pensar. Quando souberdes fazer isso, sereis perfeitos.
EMF 56.6
– (...) Vem, tu que estás envergonhado na sombra. Não temas.
– Meu Senhor!
O ex-leproso está aos pés de Jesus.
– Levanta-te. Qual o teu nome?
– Simão.
– Qual a tua família?
– Senhor… era poderosa… eu também era poderoso… mas o ódio de seitas e… erros da juventude estragaram o seu poder. Meu pai… Oh! Devo falar contra ele que me custou lágrimas, e não para o céu. Tu o vês, já viste que presente ele me deu!
– Ele era leproso?
– Não. Não era leproso, como eu também não. Mas era doente de uma enfermidade de outro nome, que nós de Israel costumamos pôr junto com outros diversos tipos de lepra. Ele… — naquele tempo a sua casta ainda triunfava — e ele viveu e morreu prestigiado em sua casa. Eu… se Tu não me tivesses salvado, iria morrer nos sepulcros.
– Tu és sozinho?
– Sozinho. Eu tenho um servo fiel que cuida de tudo o que me resta. Mandei já um aviso a ele.
– E tua mãe?
– Ela… morreu.
O homem parece embaraçado. Jesus o observa atentamente:
– Simão, tu me disseste: “Que devo fazer por Ti?” E agora Eu te respondo: “Segue-me”.
– Imediatamente, Senhor!… Mas… mas eu… deixa que eu Te diga uma coisa. Eu sou, eu era chamado “Zelote”[1] pela casta, e “cananeu” por minha mãe. Tu vês. Eu sou escuro. Em mim eu tenho sangue de escrava. Meu pai não tinha filhos de sua mulher e me teve de uma escrava. A mulher dele, boa mulher, me criou como filho e cuidou de mim em minhas muitas doenças até morrer…
– Aos olhos de Deus, não há escravos ou libertos. Aos seus olhos só há uma escravidão: a do pecado. E Eu vim para removê-la. Eu vos chamo a todos porque o Reino é de todos. Tens cultura?
– Tenho. Eu tinha também o meu lugar entre os grandes. Isso, enquanto o meu mal ficou escondido sob as roupas. Mas, quando subiu ao rosto… meus inimigos aproveitaram-se de meu mal para me confinarem entre os “mortos.” No entanto, como disse um médico de Cesaréia, romano, a quem eu fui consultar, a minha não era verdadeira lepra, mas uma impigem hereditária, pelo que bastava que eu não procriasse para não propagá-la. Posso eu não maldizer meu pai?
– Deves não maldizê-lo. Ele te fez todos os males…
– Oh, sim. Dilapidador dos bens, vicioso, cruel, sem coração nem afeto. Ele me negou a saúde, as carícias, a paz, me carimbou com um nome de desprezo e com uma doença que é uma marca de opróbrio… De tudo ele se fez dono. Também do futuro de seu filho. Tudo ele me tirou: até a alegria de ser pai.
– Por isso é que Eu te digo: “Segue-me.” Ao meu lado, e seguindo-me, encontrarás Pai e filhos. Levanta o olhar, Simão. Lá o verdadeiro Pai te está sorrindo. Olha pelos espaços da terra, pelos continentes, pelas regiões. Há neles filhos e filhos, filhos de alma para os sem filhos. Estão à tua espera e a espera de muitos outros como tu. Sob o meu sinal não há mais abandonos. No meu sinal não há mais solidões nem diferenças. É um sinal de amor. E amor dá.
EMF 56.7
Dizei aos doentes (...) que vai chegar Aquele que cura. Dizei aos povos que esperam, que o Messias está entre o seu povo. Dizei aos pecadores que já há quem perdoa a fim de dar a força para subir…
EMF 59.4
Mas arrependei-vos com vontade firme, que vos leve a mudar de vida, a entrar de novo na Lei do Senhor. O Reino dos Céus vos espera. Amanhã.
Amanhã? Estais perguntando. Oh! É sempre um amanhã solícito a hora de Deus, ainda que ela chegue ao fim de uma vida longa como a dos Patriarcas. A eternidade não tem por medida de tempo o correr lento da clepsidra. E aquelas medidas de tempo que vós chamais dias, meses, anos, séculos, são palpitações do Espírito eterno, que vos mantêm vivos. Mas, vós sois eternos em vosso espírito e deveis, para o vosso espírito, ter o mesmo método de medição do tempo que o vosso Criador tem. Então, dizeis: “Amanhã será o dia da minha morte.” Aliás, não morte para os fiéis. Mas repouso de espera, à espera do Messias, que abrirá as portas do Céu.
EMF 61.6
Não sejais cobiçosos. Que o vosso tesouro seja a vossa alma, não o dinheiro. Não sejais perjuros. Que a vossa linguagem seja sincera e honesta como as vossas ações. A vida não é eterna e a hora da morte chega. Vivei de modo que na hora da morte a paz possa estar em vosso espírito. A paz de quem viveu como um justo.