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Notas do tema

Factos sobre a sociedade

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EMF 184.8 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Ficai certos de que Deus vê as vossas lutas e vos premia mais por um egoísmo vencido, por uma palavra profana retida, por uma exigência não imposta, do que se estivésseis numa batalha, matando o inimigo. O Reino dos Céus, do qual sereis possuidores, se viverdes como justos, é construído com as pequenas coisas de cada dia. Com a bondade, com a moderação, com a paciência, com o contentar-vos com o que tendes, com a tolerância recíproca, com o amor, o amor, o amor.

EMF 188.10 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

O homem, que caminha próximo a Jesus, e que se sente cansado sob o seu saco, atrai a curiosidade de Pedro.

– Mas, que há de tão pesado aí dentro? –ele pergunta.

– Minhas roupas… e alguns livros… Os meus amigos, depois dos frangos. Não pude separar-me. E pesam.

– É, a ciência pesa! E se pesa! E a quem ela agrada, então!

– Foram os livros que não deixaram que eu ficasse doido.

– É! Deves mesmo querer-lhes bem. Mas, que livros são?

– Filosofia, história, poesia grega e romana…

– Bonitos, bonitos. Devem ser bonitos. Mas achas que vais poder andar com eles nas costas?

– Talvez eu consiga até separar-me deles. Mas, tudo de uma vez, não se pode fazer, não é mesmo, Messias?

– Chama-me Mestre. Sim. Não se pode. Mas Eu vou arrumar um lugar onde poderás dar abrigo aos teus amigos, os livros. Eles te poderão servir para discutires com os pagãos sobre Deus.

– Oh! Como tens o pensamento livre de toda restrição!

Jesus sorri, e Pedro exclama:

– Mas, sem dúvida alguma. Ele é a própria Sabedoria!

– E a Bondade, podes crer. E tu és culto?

– Eu? Oh! Sou muito culto. Eu já distingo uma carpa de uma sardinha e a minha cultura para ai. Eu sou pescador, meu amigo!

E Pedro se ri, humilde e sincero.

– Sê um homem honesto. Esta é uma ciência que cada um por si aprende. Mas é muito difícil de se conseguir. Tu me agradas.

– Tu também me agradas. Porque és sincero. Até em te acusares. Eu perdôo tudo, ajudo a todos. Mas sou um inimigo desapiedado dos falsos. Eles me dão arrepios.

– Tens razão. O falso é um delinquente.

– Um delinquente. Assim disseste. Dize-me, não terás confiança em mim, para me entregares um pouco esse saco? E, fica certo de que eu não vou fugir com os livros… Tu me pareces estar muito cansado.

– Vinte anos de trabalho na mina acabam com a gente. Mas, por que queres cansar-te tu?

– Porque o Mestre nos ensinou a amar-nos como irmãos. Dá aqui. E segura estes meus trapos. O meu é leve. Nele não há história, nem poesia. A minha história, a minha poesia é diferente do que falaste: é Ele, o meu Jesus, o nosso Jesus.

Anotação

Vou arranjar-vos um lugar para guardarem os vossos amigos, os livros. Poderão ser-te úteis quando falares de Deus com os pagãos. Alusão a Antioquia da Síria, onde João de En-Dor foi obrigado a exilar-se, mas onde, com a ajuda de Síntique, foi fundada a futura comunidade cristã descrita nos Actos dos Apóstolos.

EMF 191.8 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Eu desejaria ajudar-vos a todos até com bens materiais, mas não posso, e esta é a minha dor. Eu só posso mostrar-vos o Céu. Não posso senão ensinar-vos a grande sabedoria da resignação e prometer-vos o Reino futuro. (...) É melhor serdes Lázaros do que Epulões, podeis acreditar. Procurai chegar a crer nisto e sereis bem-aventurados.

EMF 195.1-2 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Eu sou um velho mestre e… um velho aluno. Desde que nasci, estou aprendendo. Primeiro, eu aprendi a vegetar, depois fui observando a vida, depois conheci as amarguras da vida, procurei exercitar-me inutilmente numa justiça, a de ir “sozinho” contra Deus e contra a sociedade. Deus me castigou com o remorso, a sociedade com os grilhões e, por isso justiçado, por fim, acabei sendo eu. Mas agora eu aprendi, estou aprendendo a “viver.” Agora, sendo mestre e aluno, bem podes entender que me seja natural ficar repetindo as lições.

– Mas eu sou apóstolo…

– E eu sou um infeliz, eu sei, e não deveria tomar a liberdade de permitir-me ensinar a ti. Mas, vê bem: ninguém nunca sabe o que é que vai ser. Eu pensava que iria morrer como um honesto e venerado pedagogo em Chipre, e me tornei um homicida e um encarcerado. Mas, quando eu puxava minha faca para tirar vingança e quando arrastava minhas correntes odiando o universo, se alguém me tivesse dito que eu iria virar um discípulo do Santo, teria ficado em dúvida quanto à sanidade mental de quem o tivesse dito. E, no entanto, tu estás vendo! Por isso, quem sabe se a ti, apóstolo, eu não poderia dar alguma boa lição. Lição dada pela minha experiência. Não pela minha santidade. Eu nem penso nisso.

– Tem razão aquele romano de chamar-te de Diógenes.

– Está bem. Mas porém Diógenes procurava um homem e não o encontrou. E eu, mais feliz do que ele, encontrei uma serpente onde pensava que estivesse uma mulher e um cuco onde eu pensava que estivesse um homem amigo. Mas, depois de ter andado vagando durante tantos anos e de me ter tornado louco ao verificar isso, encontrei o Homem, o Santo.

– Eu não conheço outra sabedoria, a não ser a de Israel.

– Se assim é, já tens com que salvar-te. Mas é que agora tens também a ciência, a Sabedoria de Deus.

– É a mesma coisa.

– Oh! Não. É como um dia nublado, comparado a um cheio de sol.

– Afinal, o que queres é ensinar-me? Eu não tenho desejo disso.

– Deixa-me falar! Antes, falava aos meninos: eram distraídos. Depois, às sombras: me maldiziam. Depois eu falei aos frangos: eram já melhores do que os dois primeiros, muito melhores. Agora, eu falo comigo mesmo, porque ainda não posso falar com Deus. Por que queres impedir que o faça? Eu só tenho meia vista, uma vida estragada nas minas, um coração doente há tantos anos. Deixa, pelo menos, que não fique estéril a minha mente.

– Jesus é Deus.

– Eu sei disso, eu creio. Mais do que tu. Porque eu renasci por obra dele, e tu não. Mas, por mais que Ele seja o Bom, é sempre Ele: é Deus e o pobre infeliz que eu sou não ousa tratá-lo com a familiaridade com que tu o tratas. Fala-lhe a minha alma… mas o lábio não ousa. A alma, eu penso que Ele a ouça em seus prantos de reconhecimento e de penitente amor.

195.2

É verdade, João, Eu ouço a tua alma –diz Jesus, entrando no meio da conversa dos dois. Judas enrubesce de vergonha e o homem de Endor, de alegria–. Eu ouço a tua alma, é verdade. E também o trabalho da tua mente. Disseste bem. Quando estiveres formado em Mim, ficarás muito alegre por teres sido mestre e aluno atento. Fala, fala, até contigo mesmo…

Detalhe

Jean d'Endor exprime o ódio que tem no seu coração.

Anotação

- Este romano tem razão em chamar-te Diógenes. Em 192.6.

Palavras-chave

EMF 196.4.6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Há muitos amores e de diversas potências. Há um amor de primeira potência: é o que se dá a Deus. Depois, o amor de segunda potência: é esse amor materno, ou paterno, porque, se o primeiro é todo espiritual, este é espiritual em duas partes, e carnal por uma. É verdade que no homem se mistura, sim, o sentimento afetivo humano, mas sempre predomina o superior, porque um pai e uma mãe, sadia e santamente tais, não dão somente alimento e carícias à carne de seu filho, mas também alimento e amor à mente e ao espírito dele. E, tanto é verdade o que digo que quem se dedica à infância, ainda que seja apenas para instruí-la, acaba por amá-la como sua carne. (...) Existe o amor pela companheira: é um amor de terceira potência, porque é feito — falo sempre dos sadios e santos amores — pela metade de espírito e pela metade de carne. O homem para a esposa é um mestre e um pai, além de esposo. e a mulher, para o esposo, é um anjo e uma mãe, além de esposa. Estes são os três amores mais elevados. (...) O primeiro da segunda série, é o do próximo. Na realidade, é o quarto em potência. Segue o amor à ciência. Depois vem o amor ao trabalho.

Detalhe

Resumo dos diferentes poderes do amor (explicados em pormenor na presente nota).