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Notas da palavra-chave

Mundo

Tema: Guerra espiritual: discernimento e tentação · Página 3 de 4

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EMF 174.8 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

[Resisti] aos aliciamentos da sensualidade, do mundo, da ciência e do demônio. A meia fé, os comprometimentos, os pactos entre os opostos, deixai-os para os homens do mundo. Não deviam existir nem mesmo entre os homens honestos. Mas vós, pelo menos vós, ó homens de Deus, não os tenhais. Nem com Deus, nem com Mamon podeis fazer esses pecar, porém façam nem convosco mesmos, porque não teriam valor. As vossas ações mescladas do que é bom com o que não é bom, não teriam nenhum valor. As ações completamente boas viriam a ser depois anuladas pelas não boas. As más vos levariam diretamente aos braços do inimigo. Não as façais, pois. Mas, sede leais no vosso serviço.

Ninguém pode servir a dois senhores que pensem diferentemente. Ou amará a um para odiar o outro, ou vice-versa. Não podeis ser igualmente de Deus e de Mamon. O espírito de Deus não pode conciliar com o espírito do mundo. Um sobe, o outro desce. Um santifica, o outro corrompe.

EMF 176.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Deus é o Pai, os homens são os filhos. Deus mostra o bem, e diz: “Eis que eu te ponho nesta contingência para o teu bem.” Também quando o Maligno e os homens seus servos procuram infelicidade para os homens, Deus diz: “Eis que nesta hora penosa tu ages assim, e, assim fazendo, este mal vai servir para um eterno bem.” Ele vos aconselha. Mas não vos força. Então se alguém, mesmo sabendo qual é a vontade de Deus, prefere fazer o contrário, pode-se dizer que esse oposto seja a vontade de Deus? Não.

Amai a vontade de Deus. Amai-a mais do que a vossa e segui-a contra as seduções e potências das forças do mundo, da carne e do demônio. Também essas coisas têm as suas vontades. Mas em verdade Eu vos digo que é bem infeliz quem se apega a elas.

EMF 178.2 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– As raposas têm suas tocas e os pássaros do ar os seus ninhos. Mas o Filho do Homem não tem onde possa pousar a cabeça. A minha casa é o mundo, por toda parte onde houver espíritos necessitados de instrução, ou misérias para aliviar, ou pecadores para redimir.

– Por toda parte, então?

– É como disseste.

EMF 180.6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Os campos espinhosos são aqueles nos quais o descuido deixou penetrar os espinhosos enredos dos interesses pessoais, que sufocam a boa semente. É preciso que se vigie sempre, sempre, sempre. Não digas nunca: “Oh! Eu já estou formado, semeado, e por isso, posso ficar tranquilo, que hei de dar semente de vida eterna.” É preciso que se vigie: a luta entre o Bem e o Mal é continua. Já tereis observado uma tribo de formigas que quer fazer seu ninho em uma casa? Ora, elas estão em cima do fogão. A mulher não deixa mais as comidas lá, mas as coloca na mesa; e elas, então, farejam o ar, e vão dar um assalto à mesa. A mulher põe as comidas no guarda-comida, e elas, pelo buraco da fechadura, passam para dentro do guarda-comida. A mulher pendura no forro as suas provisões. e elas fazem um comprido trilho ao longo das paredes e dos sarrafos, descem pela corda e comem. A mulher as queima, escalda, envenena. Depois disso fica sossegada, pensando ter acabado com elas. Oh! Se não vigiar, que surpresa! Aí vêm vindo as últimas que nasceram, e vamos começar tudo de novo. Assim é, enquanto se vive. É preciso que se vigie para extirpar as plantas daninhas, logo que germinam. Caso contrário, elas formam uma coberta de espinheiros e sufocam o trigo. Os cuidados com as coisas do mundo e o engano das riquezas criam o enredo, sufocam a planta da semente de Deus, e não deixam que ela produza espiga.

EMF 180.6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Finalmente, há os campos cheios de trilhas, de poeira e desnudos. São os campos dos mundanos, dos egoístas. A comodidade é a sua lei, e o prazer é o seu fim. Nada de fadiga, mas dormir, rir, comer… O espírito do mundo reina sobre estes. A poeira do mundanismo cobre o terreno deles, que se torna baldio. Os passarinhos, ou seja, as dissipações, precipitam-se sobre os mil caminhos abertos para lhes tornar mais fácil a vida. O espírito do mundo, isto é, o Maligno, bica e destrói todas as sementes que caem neste terreno, aberto a todas as sensualidades e leviandades.

Detalhe

Jesus explica a parábola do semeador.

EMF 181.4-5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Num sentido universal, a parábola tem esta aplicação: o campo e o mundo. A semente boa são os filhos do Reino de Deus, semeados por Deus sobre o mundo, à espera de chegarem ao seu limite, quando serão cortados pela Falcífera, e levados ao Dono do mundo, para que entrem novamente em seus celeiros. O joio são os filhos do Maligno, espalhados, por sua vez, pelo campo de Deus, com a intenção de causar tristeza ao Dono do mundo e de estragar as espigas de Deus. O Inimigo de Deus o semeou de propósito, através de um sortilégio, porque o diabo verdadeiramente desnatura o homem, até fazer dele uma criatura sua, que semeia, para tirar do caminho a outros, que ele ainda não foi capaz de tornar seus escravos. A colheita, ou melhor, a formação dos feixes e o transporte dos mesmos até os celeiros é o fim do mundo. Os que fazem essa tarefa são os anjos. Foi mandado a eles que reúnam as criaturas cortadas, e separem o trigo do joio e, como na parábola ele é queimado. Assim serão queimados no fogo eterno no Juízo Final os condenados.

O Filho do homem mandará que sejam tirados do seu Reino todos os causadores de escândalos e de iniquidades. Porque então o Reino será no Céu e na terra, e entre os cidadãos do Reino na terra estarão misturados muitos filhos do Inimigo. Estes atingirão, como foi dito[1] também pelos Profetas, a perfeição do escândalo e da abominação em todos os ministérios da terra, e darão grandes aborrecimentos aos filhos do espírito. No Reino de Deus, nos Céus, já terão sido expulsos os corruptos, porque a corrupção não entra no Céu. Agora, pois, os Anjos do Senhor e, impunhando a foice por entre as fileiras da última colheita, cortarão e separarão o trigo do joio, e jogarão este na fornalha ardente, onde há choro e ranger de dentes, mas levando consigo os justos, o trigo escolhido, para a Jerusalém Eterna, onde eles brilharão como sóis no Reino de meu e vosso Pai

Isto, no sentido universal..

Detalhe

Jesus acaba de contar a parábola do trigo bom e do joio e de a explicar aos apóstolos. O texto do Evangelho está disponível sob a forma de anotação.

Anotação

Chegarão, como anunciam os profetas, à perfeição do escândalo e da abominação em toda a sua atividade terrena. Como anunciam, por exemplo: Daniel 9, 27; 11, 31.36; 12, 11.

Dn 9,27: Ele fará uma aliança firme com um grande número durante uma semana; e no meio da semana fará cessar o sacrifício e a oblação, e sobre a asa das abominações virá um destruidor, até que a destruição e o que foi decretado sejam derramados sobre os devastados.

Não encontrámos quaisquer versículos convincentes nas outras referências dadas.

Dn 11, 31.36: Tropas enviadas por ele estarão ali; profanarão o santuário e a fortaleza; acabarão com o sacrifício perpétuo e levantarão a abominação do destruidor.

Dn12,11: A partir do momento em que o sacrifício diário for interrompido e a abominação do destruidor for levantada, haverá mil duzentos e noventa dias.

Este é, portanto, o sentido universal: Jesus já tinha comentado o sentido da parábola na sua catequese de 27 de outubro de 1943.

Evangelho de Mateus 13, 23-30; 36-43

Mt 13, 23-30; Mt 13, 36-43: Aquele que recebe a semente em boa terra é o que ouve a Palavra e a compreende: dá fruto a cem, a sessenta ou a trinta por um". E contou-lhes outra parábola: "O Reino dos Céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo. Mas, enquanto o povo dormia, veio o seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi-se embora. Quando o pé cresceu e deu uma espiga de trigo, apareceu também o joio. Os servos do patrão foram ter com ele e disseram-lhe: "Senhor, não é este o bom grão que semeaste no teu campo? Então porque é que há joio? Ele respondeu-lhes: "Foi um inimigo que fez isto." Os servos perguntaram-lhe: "Queres que vamos lá tirá-lo?" Ele respondeu: "Não, se tirardes o joio, correis o risco de arrancar o trigo ao mesmo tempo. Deixai-os crescer juntos até ao tempo da ceifa; e, no tempo da ceifa, direi aos ceifeiros: "Arrancai primeiro o joio, atai-o em molhos para o queimar; quanto ao trigo, recolhei-o para o levar para o meu celeiro.""

Depois deixou as multidões e voltou para casa. Os seus discípulos aproximaram-se e disseram-lhe: "Explica-nos claramente a parábola do joio no campo. Ele respondeu-lhes: "O Filho do Homem é aquele que semeia a boa semente; o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do Reino; o joio são os filhos do Maligno. O inimigo que a semeou é o demónio; a colheita é o fim do mundo; os ceifeiros são os anjos. Tal como o joio é levado e lançado ao fogo, assim será no fim do mundo. O Filho do Homem enviará os seus anjos, que tirarão do seu reino todos os que causam tropeço e todos os que praticam o mal, e lançá-los-ão na fornalha, onde haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça!

EMF 181.5-7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Isto, no sentido universal. Mas para vós há um outro ainda, e vem responder às perguntas que, especialmente como ontem à tarde, costumais fazer. Vós estáveis perguntando a vós mesmos: “Mas, então, no meio do grupo dos discípulos pode existir traidores?”, e tremeis de horror e de medo em vossos corações. Eles podem existir. Disso Eu estou certo.

O Semeador espalha a boa semente. Neste caso, mais do que espalhar, poder-se-ia dizer que ele “colhe.” Porque o Mestre, que seja Eu ou que tenha sido o Batista, havia escolhido os seus discípulos. Como foi que houve extraviados? Não, mas pelo contrário, eu falei mal quando chamei os discípulos de sementes. Vós poderíeis entender-me mal. Eu vou chamá-los, então de “campo.” Tantos discípulos, tantos campos escolhidos pelo Mestre para formarem a área do Reino de Deus, os bens de Deus. Com esses o mestre se afadiga, para cultivá-los, a fim de que produzam cem por cento. Ele toma todos os cuidados. Todos. Com paciência. Com amor.Com sabedoria. Com canseiras. Com constância. Ele olha também as tendências más deles. A aridez e cobiça deles. Vê as teimosias e as fraquezas deles. Mas, fica esperando, espera sempre, e fortalece a sua esperança com a oração e a penitência porque os quer levar à perfeição.

Mas os campos estão abertos. Não são um jardim fechado, cercado por muros como uma fortaleza, do qual só o mestre é o dono, e no qual só ele pode penetrar. Estão abertos. Colocados no centro do mundo, no meio do mundo e todos podem aproximar-se deles, todos podem entrar neles. Todos e tudo. Oh! Oh! Mas não é só o joio que é a semente má semeada. O joio: este poderia ser o símbolo da leviandade amarga do espírito do mundo. Mas aí nascem, lançados pelo Inimigo, todas as outras sementes. Aí estão as urtigas. Aí as tiriricas. Aí as cuscutas. Aí os cipós-chumbo. Aí, enfim as cicutas e os tóxicos. Por quê? Por quê? Que são eles?

As urtigas: são os espíritos irritantes, indomáveis, que ferem, por uma superabundância de venenos, e causam tanto mal-estar. As tiriricas significam os parasitas que esgotam o mestre, pois só sabem rastejar e sugar, aproveitando-se do trabalho dele e prejudicando aos cheios de vontade, que certamente colheriam maiores frutos, se seu mestre não fosse perturbado e distraído pelos cuidados que dele exigem as tiriricas. Os cipós-chumbo, inertes, que só se levantam do chão, aproveitando-se do trabalho dos outros. As cuscutas são um tormento no caminho, já difícil, do mestre, e um tormento para os discípulos fiéis que o acompanham. Elas se agarram a nós, espetam, ferem, arranham, só causam desconfiança e sofrimento. Os tóxicos: são os delinquentes que estão entre os discípulos, aqueles que chegam a trair e a apagar a vida, como a cicuta e outras ervas venenosas. Por acaso, já tereis visto como elas são bonitas com as suas florzinhas, que depois se transformam em bolinhas brancas, vermelhas ou roxo azuladas? Quem diria que aquela corola estrelada, cândida ou levemente rosada, com seu coraçãozinho de ouro, quem haveria de dizer que aqueles corais de todas as formas, tão parecidos com aquelas frutinhas que são a delícia dos passarinhos e das crianças, sejam capazes de, quando maduras, dar a morte? Ninguém. Mas os inocentes aí caem. Crêem que todos são bons como eles… colhem os frutos, comem e morrem.

Acham que todos são bons como eles! Oh! que verdade que sublima o mestre e condena o seu traidor! Como? A bondade não desarma? Não torna inofensivo o querer-mal? Não. Não o torna mais assim, porque o homem, que tombou como presa do Inimigo, tornou-se insensível a tudo o que é superior. E tudo o que é superior muda de aspecto para ele. A bondade é vista como uma fraqueza, em que é permitido pisar, e refina sua má vontade, refina o desejo de degolar, como, em uma fera, só o sentir cheiro do sangue. Também o mestre é sempre um inocente, e deixa que seu traidor o envenene, porque não quer e não deixa os outros pensar que um homem seja capaz de dar a morte a quem é inocente.

181.6

Dos discípulos, que são os campos do mestre, é que vêm os inimigos. E são muitos. O primeiro é satanás. Os outros são os servos dele, isto é, os homens, as paixões, o mundo e a carne. Aí está o discípulo mais fácil de ser atingido por eles, porque ele não está completamente ao lado do Mestre, mas está em cima do muro, entre o Mestre e o mundo. Ele não sabe, não quer separar-se completamente das coisas do mundo, da carne, das paixões e do demônio, para estar completamente com quem o leva para Deus. Sobre ele o mundo e a carne, as paixões e o demônio espalham suas sementes. O ouro, o poder, a mulher, o orgulho, um medo de ser mal julgado pelo mundo e um espírito de utilitarismo. “Os grandes é que são os mais fortes. E por isso eu os sirvo, para tê-los como amigos.” E se tornam delinquentes e condenados por causa de coisas tão mesquinhas!…

Por que o Mestre, que está vendo a imperfeição do discípulo, ainda que não queira render-se a este pensamento: “Este vai ser o meu matador”, não o elimina imediatamente do meio dos discípulos? Isto vós perguntais:

Porque é inútil fazer isso.. Se o fizesse não impediria que ele continuasse seu inimigo e agora dupla e prontamente seu inimigo, pela raiva ou pela dor de ter sido descoberto, ou por ser expulso. Dor. Sim. Porque às vezes o mau discípulo não percebe que o é. É tão sutil a obra do demônio, que ele nem a percebe. Ele fica endemoninhado, sem nem suspeitar de que está sendo submetido a essa operação. Raiva. Sim. Raiva por estar sendo conhecido pelo que realmente é, quando ele não está inconsciente do trabalho de satanás, e de seus adeptos: são os homens que tentam o fraco em suas fraquezas, para tirar do mundo o santo, que, só por sua santidade, comparada às maldades deles, já os ofende. E, então, o santo ora e se abandona a Deus. “O que Tu permites se faça, seja feito”, diz ele. Somente acrescenta esta cláusula: “Contanto que sirva para o teu fim.” O santo sabe que virá a hora em que serão expulsos de suas colheitas os joios daninhos. Por quem? Pelo mesmo Deus, que não permite nada além do que é útil para o triunfo de sua vontade de amor.

181.7

– Mas, se Tu admites que sempre é satanás e os adeptos dele… parece que a responsabilidade do discípulo diminua –diz Mateus.

– Nem penses nisso. Se o Mal existe, existe também o Bem. E existe no homem o discernimento e, com ele, a liberdade.

– Tu dizes que Deus não permite nada além de tudo o que é útil para o triunfo de sua vontade de amor[2]. Portanto, também esse erro é útil, se Ele o permite, e serve para um triunfo da vontade divina

–diz Iscariotes.

– E tu argumentas, como Mateus, que isto justifica o delito do discípulo. Deus havia criado o leão sem ferocidade e a serpente sem veneno. Agora, um é feroz e a outra venenosa. Mas Deus os separou do homem por isso. Medita sobre isso e tira as conclusões.

Detalhe

Jesus acaba de nos dar a parábola do trigo e do joio, e o seu significado universal. Depois, volta à traição de João Batista por um dos seus discípulos.

Anotação

Perguntareis: "Mas pode haver traidores entre os discípulos? "Ver o capítulo anterior, em EMV 180.8. A traição de um discípulo de João Batista, que levou à prisão do profeta, causou grande celeuma.

Os bons acreditam que os outros são tão bons quanto eles! Ah, que verdade que eleva o mestre e condena o traidor! Durante a releitura do texto datilografado pelo padre Migliorini, Maria Valtorta anotou neste ponto "Trabalha para redimir com bondade, trabalha sem esperanças nem ilusões, por puro desejo de cumprir o teu dever até ao limite, trabalha para que os outros não se apercebam que este é mau, para que não o odeiem... Que lição divina o Divino Mestre dá aos guias espirituais e a todos os cristãos!"

"Deus não permite que ninguém se oponha ao triunfo da sua vontade amorosa mais do que é útil". Numa folha inserida na cópia dactilografada, Maria Valtorta escreveu:

"Deus deu ao homem o intelecto para compreender, a razão para se orientar como criatura razoável, a consciência para aconselhar, a lei para saber regular-se, a liberdade para merecer o que quiser merecer: Deus e a glória, ou o inferno e a condenação.

Além disso, deu-lhe a graça ou a predestinação para a graça, para que seja um estímulo ou um meio de elevar as coisas abaixo enumeradas a um nível capaz de lhe dar um santo gosto pelo sobrenatural e por Deus.

Ora, no homem inteligente, razoável, consciente, livre e, sobretudo, instruído na Fé, conhecedor do seu fim último e da Lei divina, só deve haver as acções que a Lei prescreve e que o conhecimento do fim incita a praticar, tal como a razão e a consciência as indicam como boas para todos, mesmo para os que não conhecem a religião revelada, a fim dea recompensa eterna que o intelecto humano, tanto mais quando iluminado pela Graça, é infinitamente superior a todas as concepções que um crente possa imaginar.

Mas acontece por vezes que o homem, agindo contra a razão, transforma a sua liberdade num jugo da mais cruel das escravidões: a do demónio e do pecado, preferindo o Mal ao Bem.

Mesmo que Deus permita que o homem faça o que quiser por sua livre vontade, para o julgar e confirmar na graça ou para julgar que merece castigo, nada diminui a culpa do homem. Com efeito, se é verdade que o homem, sob o impulso de Deus ou a instigação de Satanás, pode fazer o bem ou o mal, não é menos verdade que o homem deve seguir apenas Deus e os seus convites amorosos, pois é dele que recebeu todos os dons naturais, morais e sobrenaturais capazes de o tornar filho de Deus, herdeiro do Reino."