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Notas do tema

Atributos do Homem

Página 25 de 31

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EMF 180.6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Eis agora os campos cheios de pedras. Quantos haverá em Israel! São aqueles que pertencem aos “filhos das leis”, como disse o meu irmão Judas com muita exatidão. Não está neles a pedra única do Testemunho, não está a Pedra da Lei. Está o pedregal das pequenas, pobres e humanas leis criadas pelos homens. São tantas, que o seu peso transforma a Pedra da Lei em cacos. É uma ruína que impede qualquer enraizamento de semente. A raiz não é mais nutrida. Não há terra. Não há seiva. A água a faz murchar, porque está sobre um pavimento de seixos, o Sol enche de forte calor aqueles seixos, queimando as plantinhas. São os espíritos dos substituidores da simples doutrina de Deus por suas complicadas doutrinas humanas. Eles até que recebem com alegria a minha palavra. No momento ficam emocionados e seduzidos por ela. Mas depois… Precisa um esforço heróico para aplainar e limpar o campo, a alma e a mente de todo aquele pedregal de retóricos. Só assim a semente criaria raiz e se tornaria uma planta vigorosa. Mas assim como está… não produz nada. Basta um simples medo de represália humana. Basta a reflexão: “E depois? Que farão de mim os homens poderosos?” E a pobre semente, não nutrida, fica agonizante. Basta que todo aquele pedregal comece a agitar-se com seu som vazio de centenas e centenas de preceitos, que tomam o lugar do Preceito, para que o homem pereça logo junto com a semente recebida… Israel está cheio destes. Isto vem explicar-nos que ir para Deus é uma coisa que está na razão inversa da potência humana.

Detalhe

Jesus explica a parábola do semeador e, ao falar de campos cheios de pedras, acaba por estabelecer uma ligação com Israel.

Anotação

Sobre as palavras de Judas, ver a nota seguinte.

EMF 181.3-7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Ainda neste belo tempo dos trigais que estão soltando espigas, Eu vos quero propor uma parábola, tomada dos grãos. Ouvi-a.

O Reino dos Céus é semelhante a um homem que semeou boa semente em seu campo. Mas, enquanto o homem e seus empregados dormiam, veio um inimigo dele, espalhou sementes de joio nos sulcos e foi-se embora. A princípio, ninguém percebeu nada. Veio o inverno com as chuvas e as geadas, veio o fim do mês de Tebet, e as sementes germinaram. Era um verdor de grandes folhas tenras, que mal tinham despertado. Em sua infância inocente, pareciam todas iguais. Veio o mês de Shebat, depois o de Adar, e as plantas se formaram, e começaram a mostrar suas espigas. Aí é que se viu que aquele verdor não era só do trigo, mas também do joio, que estava bem enroscado, com seus tentáculos, fininhos e pegajosos, nas hastes do trigo.

Ao verem isso, os empregados foram, à casa do patrão e lhe disseram: “Senhor, que semente foi que semeaste? Não foi uma semente escolhida, separada de quaisquer outras sementes?”

“Certamente. Eu escolhi os grãos todos iguais em suas formas. E, se houvesse outras sementes, eu as teria visto.”

“Como é, então, que nasceu tanto joio no meio do trigo?”

O patrão pensou, depois disse: “Algum inimigo meu fez isso para prejudicar-me.”

Os empregados ainda lhe perguntaram: “Não queres que nós vamos por entre os sulcos e, com paciência, apanhemos as espigas do joio e arranquemos? Manda, que iremos.”

Mas o patrão lhes respondeu: “Não. Vós poderíeis, ao fazer o que dizeis, arrancar junto o trigo e, certamente, ofenderíeis as espigas ainda tenras. Deixai, pois que um e outro fiquem juntos até o fim da colheita. Naquela ocasião, eu direi aos ceifadores: ‘Passai a foice em tudo junto; depois, antes de amarrar os feixes, agora que a secura do tempo tornou quebradiças as hastes do joio e que, ao mesmo tempo já estão bem formadas e duras as espigas, agora, sim, separai o joio do trigo, e fazei com ele uns feixes à parte. Vós os queimareis depois, e eles vão servir de adubo para o solo. Ao mesmo tempo, vós levareis o trigo puro para os celeiros, e ele vai servir para se fazer um pão muito bom, e para humilhar o inimigo, que só terá ganhado isto: ficar abjeto aos olhos de Deus pelo seu ódio’.”

Agora, refleti entre vós como frequentemente acontece, e como é grande a semeadura do Inimigo em vossos corações. Compreendei como é preciso vigiar, com paciência e constância, para fazer que seja pouco o joio que se misture ao trigo escolhido. O destino do joio é ser queimado. Quereis vós ser queimados, ou tornar-vos cidadãos do Reino? Pois bem. Que saibais sê-lo. O bom Deus vos dá a Palavra. O Inimigo está vigiando para torná-la nociva, porque a farinha de trigo misturada com a farinha de joio dá um pão amargo que faz mal ao estômago. Saibais, com boa vontade, se houver joio em vossa alma, separá-lo para jogá-lo fora, a fim de que não sejais indignos de Deus.

Ide, meus filhos. A paz esteja convosco.

181.4

As pessoas se afastam lentamente. No pequeno jardim ficaram os oito apóstolos com Elias, seu irmão, a mãe e o velho Isaac, que sente a alma alimentar-se, quando olha para o seu Salvador.

– Vinde ao Meu redor, e ouvi. Eu vos explico o sentido completo da parábola, que tem ainda dois aspectos, além daquele de que Eu falei à multidão.

Num sentido universal, a parábola tem esta aplicação: o campo e o mundo. A semente boa são os filhos do Reino de Deus, semeados por Deus sobre o mundo, à espera de chegarem ao seu limite, quando serão cortados pela Falcífera, e levados ao Dono do mundo, para que entrem novamente em seus celeiros. O joio são os filhos do Maligno, espalhados, por sua vez, pelo campo de Deus, com a intenção de causar tristeza ao Dono do mundo e de estragar as espigas de Deus. O Inimigo de Deus o semeou de propósito, através de um sortilégio, porque o diabo verdadeiramente desnatura o homem, até fazer dele uma criatura sua, que semeia, para tirar do caminho a outros, que ele ainda não foi capaz de tornar seus escravos. A colheita, ou melhor, a formação dos feixes e o transporte dos mesmos até os celeiros é o fim do mundo. Os que fazem essa tarefa são os anjos. Foi mandado a eles que reúnam as criaturas cortadas, e separem o trigo do joio e, como na parábola ele é queimado. Assim serão queimados no fogo eterno no Juízo Final os condenados.

O Filho do homem mandará que sejam tirados do seu Reino todos os causadores de escândalos e de iniquidades. Porque então o Reino será no Céu e na terra, e entre os cidadãos do Reino na terra estarão misturados muitos filhos do Inimigo. Estes atingirão, como foi dito[1] também pelos Profetas, a perfeição do escândalo e da abominação em todos os ministérios da terra, e darão grandes aborrecimentos aos filhos do espírito. No Reino de Deus, nos Céus, já terão sido expulsos os corruptos, porque a corrupção não entra no Céu. Agora, pois, os Anjos do Senhor e, impunhando a foice por entre as fileiras da última colheita, cortarão e separarão o trigo do joio, e jogarão este na fornalha ardente, onde há choro e ranger de dentes, mas levando consigo os justos, o trigo escolhido, para a Jerusalém Eterna, onde eles brilharão como sóis no Reino de meu e vosso Pai.

181.5

Isto, no sentido universal. Mas para vós há um outro ainda, e vem responder às perguntas que, especialmente como ontem à tarde, costumais fazer. Vós estáveis perguntando a vós mesmos: “Mas, então, no meio do grupo dos discípulos pode existir traidores?”, e tremeis de horror e de medo em vossos corações. Eles podem existir. Disso Eu estou certo.

O Semeador espalha a boa semente. Neste caso, mais do que espalhar, poder-se-ia dizer que ele “colhe.” Porque o Mestre, que seja Eu ou que tenha sido o Batista, havia escolhido os seus discípulos. Como foi que houve extraviados? Não, mas pelo contrário, eu falei mal quando chamei os discípulos de sementes. Vós poderíeis entender-me mal. Eu vou chamá-los, então de “campo.” Tantos discípulos, tantos campos escolhidos pelo Mestre para formarem a área do Reino de Deus, os bens de Deus. Com esses o mestre se afadiga, para cultivá-los, a fim de que produzam cem por cento. Ele toma todos os cuidados. Todos. Com paciência. Com amor.Com sabedoria. Com canseiras. Com constância. Ele olha também as tendências más deles. A aridez e cobiça deles. Vê as teimosias e as fraquezas deles. Mas, fica esperando, espera sempre, e fortalece a sua esperança com a oração e a penitência porque os quer levar à perfeição.

Mas os campos estão abertos. Não são um jardim fechado, cercado por muros como uma fortaleza, do qual só o mestre é o dono, e no qual só ele pode penetrar. Estão abertos. Colocados no centro do mundo, no meio do mundo e todos podem aproximar-se deles, todos podem entrar neles. Todos e tudo. Oh! Oh! Mas não é só o joio que é a semente má semeada. O joio: este poderia ser o símbolo da leviandade amarga do espírito do mundo. Mas aí nascem, lançados pelo Inimigo, todas as outras sementes. Aí estão as urtigas. Aí as tiriricas. Aí as cuscutas. Aí os cipós-chumbo. Aí, enfim as cicutas e os tóxicos. Por quê? Por quê? Que são eles?

As urtigas: são os espíritos irritantes, indomáveis, que ferem, por uma superabundância de venenos, e causam tanto mal-estar. As tiriricas significam os parasitas que esgotam o mestre, pois só sabem rastejar e sugar, aproveitando-se do trabalho dele e prejudicando aos cheios de vontade, que certamente colheriam maiores frutos, se seu mestre não fosse perturbado e distraído pelos cuidados que dele exigem as tiriricas. Os cipós-chumbo, inertes, que só se levantam do chão, aproveitando-se do trabalho dos outros. As cuscutas são um tormento no caminho, já difícil, do mestre, e um tormento para os discípulos fiéis que o acompanham. Elas se agarram a nós, espetam, ferem, arranham, só causam desconfiança e sofrimento. Os tóxicos: são os delinquentes que estão entre os discípulos, aqueles que chegam a trair e a apagar a vida, como a cicuta e outras ervas venenosas. Por acaso, já tereis visto como elas são bonitas com as suas florzinhas, que depois se transformam em bolinhas brancas, vermelhas ou roxo azuladas? Quem diria que aquela corola estrelada, cândida ou levemente rosada, com seu coraçãozinho de ouro, quem haveria de dizer que aqueles corais de todas as formas, tão parecidos com aquelas frutinhas que são a delícia dos passarinhos e das crianças, sejam capazes de, quando maduras, dar a morte? Ninguém. Mas os inocentes aí caem. Crêem que todos são bons como eles… colhem os frutos, comem e morrem.

Acham que todos são bons como eles! Oh! que verdade que sublima o mestre e condena o seu traidor! Como? A bondade não desarma? Não torna inofensivo o querer-mal? Não. Não o torna mais assim, porque o homem, que tombou como presa do Inimigo, tornou-se insensível a tudo o que é superior. E tudo o que é superior muda de aspecto para ele. A bondade é vista como uma fraqueza, em que é permitido pisar, e refina sua má vontade, refina o desejo de degolar, como, em uma fera, só o sentir cheiro do sangue. Também o mestre é sempre um inocente, e deixa que seu traidor o envenene, porque não quer e não deixa os outros pensar que um homem seja capaz de dar a morte a quem é inocente.

181.6

Dos discípulos, que são os campos do mestre, é que vêm os inimigos. E são muitos. O primeiro é satanás. Os outros são os servos dele, isto é, os homens, as paixões, o mundo e a carne. Aí está o discípulo mais fácil de ser atingido por eles, porque ele não está completamente ao lado do Mestre, mas está em cima do muro, entre o Mestre e o mundo. Ele não sabe, não quer separar-se completamente das coisas do mundo, da carne, das paixões e do demônio, para estar completamente com quem o leva para Deus. Sobre ele o mundo e a carne, as paixões e o demônio espalham suas sementes. O ouro, o poder, a mulher, o orgulho, um medo de ser mal julgado pelo mundo e um espírito de utilitarismo. “Os grandes é que são os mais fortes. E por isso eu os sirvo, para tê-los como amigos.” E se tornam delinquentes e condenados por causa de coisas tão mesquinhas!…

Por que o Mestre, que está vendo a imperfeição do discípulo, ainda que não queira render-se a este pensamento: “Este vai ser o meu matador”, não o elimina imediatamente do meio dos discípulos? Isto vós perguntais:

Porque é inútil fazer isso.. Se o fizesse não impediria que ele continuasse seu inimigo e agora dupla e prontamente seu inimigo, pela raiva ou pela dor de ter sido descoberto, ou por ser expulso. Dor. Sim. Porque às vezes o mau discípulo não percebe que o é. É tão sutil a obra do demônio, que ele nem a percebe. Ele fica endemoninhado, sem nem suspeitar de que está sendo submetido a essa operação. Raiva. Sim. Raiva por estar sendo conhecido pelo que realmente é, quando ele não está inconsciente do trabalho de satanás, e de seus adeptos: são os homens que tentam o fraco em suas fraquezas, para tirar do mundo o santo, que, só por sua santidade, comparada às maldades deles, já os ofende. E, então, o santo ora e se abandona a Deus. “O que Tu permites se faça, seja feito”, diz ele. Somente acrescenta esta cláusula: “Contanto que sirva para o teu fim.” O santo sabe que virá a hora em que serão expulsos de suas colheitas os joios daninhos. Por quem? Pelo mesmo Deus, que não permite nada além do que é útil para o triunfo de sua vontade de amor.

181.7

– Mas, se Tu admites que sempre é satanás e os adeptos dele… parece que a responsabilidade do discípulo diminua –diz Mateus.

– Nem penses nisso. Se o Mal existe, existe também o Bem. E existe no homem o discernimento e, com ele, a liberdade.

– Tu dizes que Deus não permite nada além de tudo o que é útil para o triunfo de sua vontade de amor[2]. Portanto, também esse erro é útil, se Ele o permite, e serve para um triunfo da vontade divina

–diz Iscariotes.

– E tu argumentas, como Mateus, que isto justifica o delito do discípulo. Deus havia criado o leão sem ferocidade e a serpente sem veneno. Agora, um é feroz e a outra venenosa. Mas Deus os separou do homem por isso. Medita sobre isso e tira as conclusões.

Anotação

Nesta bela época do ano, em que as espigas de trigo se estão a formar, gostaria de sugerir uma parábola emprestada do grão de trigo. Escutem-na. A parábola do trigo e do joio é contada brevemente em Mateus 13,24-30 (ver abaixo). Na EMV 575.7, Jesus recorda esta parábola a João e a Tiago.

No fim do mês de Tebet, o trigo germinou e viu-se o verde tenro do joio que começava a crescer. No fim do mês de Tebet: início de janeiro; Shebat corresponde a janeiro/fevereiro, Adar a fevereiro/março. Ver o calendário para os meses e as explicações dadas aqui para o ano.

Vimos então que o verde não era apenas o grão, mas que havia também ervas daninhas enroladas com as suas gavinhas finas e tenazes à volta dos caules do trigo. O nome botânico do azevém é Lolium, próximo do Loglio italiano usado por Maria Valtorta. No entanto, a Vulgata utiliza a palavra Zizania (de onde provém a expressão semer la zizanie). Em latim, este termo pode ser genérico e designar uma erva daninha de acordo com o seu significado siríaco (Zizon) de onde provém. Os agrónomos chamam "ervas daninhas" a estas plantas indesejáveis e invasoras. Ver o comentário ao capítulo 181 em maria-valtorta.org(Pro e contro Maria Valtorta, La disputa tra Mir et Gregori, página 189 e seguintes).

Havia também o joio, que se enroscava nos pés de trigo, com as suas gavinhas finas e tenazes. Entre as "ervas daninhas" que Jesus menciona mais tarde, há várias plantas com gavinhas, como a trepadeira e a cuscuta da Palestina. Compreendemos que Jesus nos pede para não as arrancarmos, com receio de arrancarmos ao mesmo tempo o bom grão.

O inimigo está atento para o tornar nocivo, porque a farinha de grão misturada com a farinha de joio faz um pão amargo, prejudicial aos intestinos. (...) Agora, todas as outras sementes foram lançadas pelo inimigo e estão a germinar: aqui estão as urtigas, a erva-dos-prados, a cuscuta, a trepadeira, a cicuta e as ervas venenosas. A cuscuta tem propriedades laxantes e a trepadeira é um purgante suave. A farinha de azevém comum, misturada em pequenas quantidades com a farinha de trigo, impede a ação das leveduras. Quanto aos problemas intestinais mencionados por Jesus, devem ser causados pela cuscuta ou pela trepadeira, ou por outro tipo de azevém que não o azevém comum, que é por vezes utilizado como planta forrageira.

Estes atingirão, como anunciam os profetas, a perfeição do escândalo e da abominação em toda a sua atividade terrena. Por exemplo: Deuteronómio 9, 27; 11, 31.36; 12, 11.

Dt 9,27: Lembra-te dos teus servos, Abraão, Isaac e Jacob; não olhes para a teimosia deste povo, para a sua maldade e para o seu pecado.

Não encontrámos nenhum versículo convincente nas outras referências dadas.

Eis, portanto, o sentido universal: Jesus já tinha comentado o sentido da parábola na sua catequese de 27 de outubro de 1943.

Podeis perguntar: "Mas pode haver traidores entre os discípulos? "Ver o capítulo anterior, em EMV 180.8. A traição de um dos discípulos de João Batista, que levou à prisão do profeta, causou grande agitação.

Todas as outras sementes foram aí lançadas pelo inimigo: urtigas, erva-dos-prados, cuscuta, trepadeira, cicuta e ervas venenosas. A cuscuta palaestina é um parasita que envolve as plantas com numerosas ventosas. Ver conhecimentos botânicos notáveis.

Já alguma vez viste como são bonitas, com as suas pequenas flores que se transformam em bolinhas brancas, vermelhas, azuis e roxas? Bolinhas vermelhas: agridoce (Solanum dulcamara). Pensa-se que as suas bagas provocam dores abdominais, vómitos e dores de cabeça. Encontram-se no sul da Eurásia.

Bolas violeta-azuladas: É o caso da corriara myrtifolia (corriara myrtifolia). Os seus frutos azul-arroxeados são apetitosos, mas provocam uma intoxicação alcoólica nas manadas que os comem. Em certas condições, podem ser fatais. No entanto, esta planta só é comum no Mediterrâneo ocidental. O mesmo pode acontecer com a briónia dióica (Bryonia dioica). Planta trepadeira com gavinhas, pode provocar dermatites de diferentes graus de irritação em contacto com a pele. A ingestão de partes da planta (bagas, raiz) provoca vómitos e diarreia, podendo ter consequências graves (delírio, cãibras, etc.). Algumas dúzias de bagas de cores atraentes são suficientes para matar uma criança.

As pessoas boas acreditam que os outros são tão bons como elas! Ah, que verdade que eleva o mestre e condena aqueles que o traem! Durante a releitura do texto datilografado pelo padre Migliorini, Maria Valtorta anotou neste ponto "Trabalhar para redimir com bondade, trabalhar sem esperanças nem ilusões, por puro desejo de cumprir ao máximo o próprio dever, trabalhar para que os outros não percebam que este é mau, para que não o odeiem... Que lição divina o Divino Mestre dá aos guias espirituais e a todos os cristãos!"

"Deus não permite que nos oponhamos ao triunfo da sua vontade amorosa mais do que é útil". Numa folha inserida na cópia dactilografada, Maria Valtorta escreveu:

"Deus deu ao homem o intelecto para compreender, a razão para se orientar como criatura razoável, a consciência para aconselhar, a lei para saber regular-se, a liberdade para merecer o que quiser merecer: Deus e a glória, ou o inferno e a condenação.

Além disso, deu-lhe a graça, ou a predestinação à graça, para que esta seja um estímulo, ou um meio, de elevar as coisas abaixo enumeradas a um nível capaz de lhe dar um santo gosto pelo sobrenatural e por Deus.

Ora, no homem inteligente, razoável, consciente, livre e, sobretudo, instruído na Fé, conhecedor do seu fim último e da Lei divina, só deve haver as acções que a Lei prescreve e que o conhecimento do fim incita a praticar, tal como a razão e a consciência as indicam como boas para todos, mesmo para os que não conhecem a religião revelada, a fim deobter a recompensa eterna que o intelecto humano, tanto mais quando é iluminado pela Graça, é infinitamente superior a todas as concepções que um crente possa imaginar.

Mas acontece por vezes que o homem, agindo contra a razão, transforma a sua liberdade num jugo da mais cruel das escravidões: a do demónio e do pecado, preferindo o Mal ao Bem.

Mesmo que Deus permita que o homem faça o que quiser por sua livre vontade, para o julgar e confirmar na graça ou para julgar que merece castigo, nada diminui a culpa do homem. Com efeito, se é verdade que o homem, sob o impulso de Deus ou sob a instigação de Satanás, pode fazer o bem ou o mal, não é menos verdade que o homem deve seguir apenas Deus e os seus convites amorosos, pois é dele que recebeu todos os dons naturais, morais e sobrenaturais capazes de o tornar filho de Deus, herdeiro do Reino."

Evangelho de Mateus 13, 23-30; 36-43

Mt 13, 23-30; Mt 13, 36-43: O que recebeu a semente em boa terra é aquele que ouve a Palavra e a compreende: dá fruto à razão de cem, ou de sessenta, ou de trinta por um." E contou-lhes outra parábola: "O Reino dos Céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo. Mas, enquanto o povo dormia, veio o seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi-se embora. Quando o pé cresceu e deu uma espiga de trigo, apareceu também o joio. Os servos do patrão foram ter com ele e disseram-lhe: "Senhor, não é este o bom trigo que semeaste no teu campo? De onde veio o joio? Ele respondeu-lhes: "Foi um inimigo que fez isto." Os servos perguntaram-lhe: "Queres que vamos lá tirá-lo?" Ele respondeu: "Não, se tirardes o joio, correis o risco de arrancar o trigo ao mesmo tempo. Deixai-os crescer juntos até ao tempo da colheita; e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: "Tirai primeiro o joio, atai-o em molhos para o queimar; quanto ao trigo, recolhei-o para o levar para o meu celeiro.""

Depois deixou as multidões e voltou para casa. Os seus discípulos aproximaram-se e disseram-lhe: "Explica-nos claramente a parábola do joio no campo. Ele respondeu-lhes: "O Filho do Homem é aquele que semeia a boa semente; o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do Reino; o joio são os filhos do Maligno. O inimigo que a semeou é o demónio; a colheita é o fim do mundo; os ceifeiros são os anjos. Tal como o joio é levado e lançado ao fogo, assim será no fim do mundo. O Filho do Homem enviará os seus anjos, que tirarão do seu reino todos os que causam tropeço e todos os que praticam o mal, e lançá-los-ão na fornalha, onde haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça!

EMF 181.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Acham que todos são bons como eles! Oh! que verdade que sublima o mestre e condena o seu traidor! Como? A bondade não desarma? Não torna inofensivo o querer-mal? Não. Não o torna mais assim, porque o homem, que tombou como presa do Inimigo, tornou-se insensível a tudo o que é superior. E tudo o que é superior muda de aspecto para ele. A bondade é vista como uma fraqueza, em que é permitido pisar, e refina sua má vontade, refina o desejo de degolar, como, em uma fera, só o sentir cheiro do sangue. Também o mestre é sempre um inocente, e deixa que seu traidor o envenene, porque não quer e não deixa os outros pensar que um homem seja capaz de dar a morte a quem é inocente.

Anotação

Os bons acreditam que os outros são tão bons como eles! Ah, que verdade que eleva o mestre e condena aquele que o trai! Durante a releitura do texto datilografado pelo padre Migliorini, Maria Valtorta anotou neste ponto "Trabalhai para redimir com bondade, trabalhai sem esperanças nem ilusões, por puro desejo de cumprir o vosso dever até ao limite, trabalhai para que os outros não se apercebam de que este é mau, para que não o odeiem... Que lição divina o Divino Mestre dá aos guias espirituais e a todos os cristãos!"

EMF 181.6-7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Dos discípulos, que são os campos do mestre, é que vêm os inimigos. E são muitos. O primeiro é satanás. Os outros são os servos dele, isto é, os homens, as paixões, o mundo e a carne. Aí está o discípulo mais fácil de ser atingido por eles, porque ele não está completamente ao lado do Mestre, mas está em cima do muro, entre o Mestre e o mundo. Ele não sabe, não quer separar-se completamente das coisas do mundo, da carne, das paixões e do demônio, para estar completamente com quem o leva para Deus. Sobre ele o mundo e a carne, as paixões e o demônio espalham suas sementes. O ouro, o poder, a mulher, o orgulho, um medo de ser mal julgado pelo mundo e um espírito de utilitarismo. “Os grandes é que são os mais fortes. E por isso eu os sirvo, para tê-los como amigos.” E se tornam delinquentes e condenados por causa de coisas tão mesquinhas!…

Por que o Mestre, que está vendo a imperfeição do discípulo, ainda que não queira render-se a este pensamento: “Este vai ser o meu matador”, não o elimina imediatamente do meio dos discípulos? Isto vós perguntais:

Porque é inútil fazer isso.. Se o fizesse não impediria que ele continuasse seu inimigo e agora dupla e prontamente seu inimigo, pela raiva ou pela dor de ter sido descoberto, ou por ser expulso. Dor. Sim. Porque às vezes o mau discípulo não percebe que o é. É tão sutil a obra do demônio, que ele nem a percebe. Ele fica endemoninhado, sem nem suspeitar de que está sendo submetido a essa operação. Raiva. Sim. Raiva por estar sendo conhecido pelo que realmente é, quando ele não está inconsciente do trabalho de satanás, e de seus adeptos: são os homens que tentam o fraco em suas fraquezas, para tirar do mundo o santo, que, só por sua santidade, comparada às maldades deles, já os ofende. E, então, o santo ora e se abandona a Deus. “O que Tu permites se faça, seja feito”, diz ele. Somente acrescenta esta cláusula: “Contanto que sirva para o teu fim.” O santo sabe que virá a hora em que serão expulsos de suas colheitas os joios daninhos. Por quem? Pelo mesmo Deus, que não permite nada além do que é útil para o triunfo de sua vontade de amor.

181.7

– Mas, se Tu admites que sempre é satanás e os adeptos dele… parece que a responsabilidade do discípulo diminua –diz Mateus.

– Nem penses nisso. Se o Mal existe, existe também o Bem. E existe no homem o discernimento e, com ele, a liberdade.

– Tu dizes que Deus não permite nada além de tudo o que é útil para o triunfo de sua vontade de amor[2]. Portanto, também esse erro é útil, se Ele o permite, e serve para um triunfo da vontade divina

–diz Iscariotes.

– E tu argumentas, como Mateus, que isto justifica o delito do discípulo. Deus havia criado o leão sem ferocidade e a serpente sem veneno. Agora, um é feroz e a outra venenosa. Mas Deus os separou do homem por isso. Medita sobre isso e tira as conclusões.

EMF 182.2 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Ele vai diretamente acariciar um pastorzinho, que está no centro de um grande grupo de ovelhas lanudas e berrantes. Ele lhe pergunta:

– Elas são tuas?

Jesus sabe muito bem que elas não são do rapazinho, mas quer fazê-lo falar.

– Não, Senhor. Eu trabalho com aqueles lá. E estes rebanhos são de muitos donos. Nós estamos todos reunidos por causa dos bandidos.

– Como te chamas?

– Zacarias, filho de Isaac. Mas meu pai morreu, e eu estou trabalhando, porque minha mãe tem outros três mais novos do que eu.

– Faz muito tempo que ele morreu?

– Há três anos, Senhor… e eu não sei mais rir, porque a mamãe está sempre chorando, e eu não tenho mais quem me acaricie… Eu sou o primeiro filho, e a morte de meu pai fez que eu me tornasse homem, quando eu era ainda menino… Eu não tenho que chorar, mas ganhar… Mas é difícil!

De fato, até agora mesmo as lágrimas estão descendo sobre aquele rostinho sério demais para a idade que tem.

Os pastores se aproximam e os apóstolos também. Agora é um grupo de homens, no meio de um mover-se de ovelhas.

– Não estás sem pai, Zacarias. Tu tens um Pai Santo, que está no Céu, e que te ama sempre, se fores bom, e o teu pai não cessou de te amar, pois ele está no seio de Abraão. Precisas crer nisto. E, por causa dessa fé, precisas ser sempre melhor.

Jesus fala com doçura e acaricia o menino.

Detalhe

Um caso real de uma criança que perdeu o pai há três anos e que agora cuida de rebanhos de ovelhas.

EMF 182.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Este rebanho vos ensina uma grande, ou até muitas grandes virtudes. Ele é manso e obediente. Ele se contenta com pouco e agradece pelo que recebe. Ele sabe amar e ser reconhecido para com quem cuida dele e o ama. Fazei vós também a mesma coisa, dizendo: “Deus é o nosso Pastor, e nós somos as ovelhas do seu rebanho. Os olhos dele estão sobre nós. Ele nos guarda e nos concede, não o que é uma fonte de vícios, mas o que é necessário para a vida.”

Detalhe

Jesus fala de um rebanho de ovelhas.

EMF 182.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Amai-vos uns aos outros, e amai este menino. Cada um de vós deve sentir-se um pouco como pai deste órfão. A presença de um menino entre vós sirva para moderar todos os vossos atos com o freio santo do respeito para com a criança. E a vossa presença junto a ele sirva para substituir o pai que a morte lhe tirou. É preciso amar ao próximo. Este pequeno é para vós o próximo que Deus vos confia de um modo especial. Educai-o para que seja bom e cheio de fé, para que seja honesto e sem vícios. Ele é muito mais do que uma destas ovelhas. Pois bem. Se vós tomais cuidado delas, porque são do patrão, que vos castigaria se deixásseis que elas se perdessem, quanto mais deveis tomar cuidado desta alma que Deus vos confia, em nome dele e do pai morto. A condição de órfão em que ele está é bem triste. Não a torneis ainda mais pesada, querendo aproveitar-vos de sua condição de pequenino só para fazê-lo trabalhar. Pensai que Deus está vendo os atos e as lágrimas de cada homem, e toma nota de tudo para premiar e para punir.

E tu, menino, lembra-te de que não estás nunca sozinho. Deus te vê e a alma do teu pai também. Quando alguma coisa te perturbar, ou te aconselhar a fazer o mal, dize assim: “Não. Não quero ser órfão para sempre.” E tu o serias, se condenasses o teu coração, pecando.

Detalhe

Jesus fala a uns pastores que estão a cuidar de um jovem órfão.