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Notas da palavra-chave

Liberdade

Tema: O destino do Homem · Página 1 de 3

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EMF 7.7-8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A inteligência não se manifesta em todos do mesmo modo e na mesma idade. A Igreja marcou a idade de seis anos como a idade em que começa a responsabilidade das ações, porque essa é a idade na qual até um retardado é capaz de distinguir o bem do mal, pelo menos de modo rudimentar. Mas há crianças que muito antes são capazes de discernir, entender e querer, usando de uma razão já suficientemente desenvolvida. A pequena Imelde Lambertini, Rosa de Viterbo, Nellie Organ, Nennolina, vos sirvam de base (...) para crerdes que minha mãe podia pensar e falar assim. Não citei mais do que quatro nomes por acaso, no meio de milhares de santas crianças que povoam o meu Paraíso, depois de terem raciocinado como adultos sobre a terra, umas com mais, outras com menos idade.

Qual é a razão? Um dom de Deus. Portanto, Deus o pode dar na medida que quiser, a quem quiser e quando quiser. A razão é uma das coisas que mais vos tornam semelhantes a Deus, Espírito inteligente e raciocinante. A razão e a inteligência foram graças dadas por Deus ao homem no Paraíso terrestre. Quanto elas eram vivas, junto com a graça ainda intacta, operando no espírito de nossos dois Primeiros Pais!

No livro de Jesus Bar Sirac está escrito[5]: “Toda sabedoria vem do Senhor Deus, e sempre esteve com Ele, mesmo antes dos séculos.” Quanta sabedoria teriam, então, os homens, se tivessem permanecido filhos de Deus?

As lacunas em vossas inteligências são o fruto natural do vosso decaimento da graça e da honestidade. Perdendo a Graça, vós vos afastastes, por séculos, da Sabedoria. Como os meteoros, que se escondem atrás de uma nebulosidade de muitos quilômetros, a Sabedoria não chegou mais até vós com os seus nítidos fulgores, mas somente através de um nevoeiro, que as vossas prevaricações foram tornando cada vez mais graves.

Depois veio o Cristo, e vos deu a Graça, dom supremo do amor de Deus. Mas, vós sabeis guardar esta gema tão límpida e pura? Não. Quando não a destruis com a vossa vontade individual de pecado, a sujais com contínuas culpas menores, as vossas fraquezas, as vossas simpatias para com o vício, e também aquelas simpatias que não chegam ainda a ser verdadeiros casamentos com o vício septiforme, mas, são um enfraquecimento da luz da Graça e de sua atividade. Depois, tivestes séculos e séculos de cor­rupções, para enfraquecer ainda mais a magnífica luz da inteligência que Deus havia dado aos Primeiros, corrupções que se repercutem como nocivas sobre o físico e sobre a mente.

EMF 61.1-2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus subiu a um monte de cestas e cordas que está à entrada do pomar da casa da sogra de Pedro. O pomar está apinhado de gente. Também há gente junto à margem do lago, uns sentados, outros sobre os barcos que foram puxados para a terra. Parece que Ele já vinha falando por algum tempo, porque seu discurso já vai bem adiantado. Eu o ouço:

– … Certamente vós muitas vezes, em vosso coração, já tereis pensado assim. Mas não é bem assim. O Senhor não faltou à benignidade para com o seu povo, ainda que este tenha faltado à fidelidade para com Ele mil e dez mil vezes.

Ouvi esta parábola. Ela vos ajudará a entender.

Um rei tinha muitos e esplêndidos cavalos em suas estrebarias. Mas ele gostava de um deles com uma estima toda especial. Antes de possuí-lo, o rei o tinha almejado muito; depois, tendo-o adquirido, colocou-o num lugar delicioso, para onde ele se dirigia, com os olhos e o coração, só para tornar a ver aquele seu predileto, sonhando fazer dele um dia a maravilha do seu reino. E, quando o cavalo, rebelando-se contra todos os comandos, havia desobedecido e fugido para outro patrão, o rei, ainda que com dor, em seu rigor, tinha prometido ao rebelde o perdão, depois de tê-lo castigado. E, fiel a isso, mesmo de longe, velava sobre o seu predileto, mandando-lhe presentes e guardas que o conservassem com a lembrança do dono em seu coração.

Mas o cavalo, ainda que sofrendo por estar exilado do reino, não era constante, como o rei o era, em amar e desejar o perdão completo. E, se em certos tempos era bom, em outros tempos era mau; nem o bom era maior do que o mau. Pelo contrário. Contudo, o rei tinha paciência; com censuras e carícias procurava fazer do seu cavalo mais querido um dócil amigo. Quanto mais o tempo passava, mais o animal se mostrava rebelde. Invocava o seu rei, chorava sob o chicote dos outros patrões, mas não queria ser verdadeiramente do rei. Não tinha vontade de o ser. Esgotado, oprimido e gemente, não era capaz de dizer: “Por culpa minha é que estou assim”, mas acusava ao seu rei.

Este, depois de ter tentado de tudo, recorreu a uma última prova. “Até agora, disse, eu mandei mensageiros e amigos. Agora vou mandar o meu próprio filho. Ele tem o mesmo coração meu e falará com o mesmo amor que eu, terá carícias e presentes semelhantes aos que eu tinha; aliás, ainda mais doces, porque meu filho sou eu mesmo, mas sublimado no amor.” E mandou o seu filho.

Esta é a parábola.

61.2

Agora dizei-me vós: Achais que o rei amava o seu animal preferido?

O povo responde a uma só voz:

– Infinitamente o amava.

– Podia o animal lamentar-se do seu rei, por todo o mal que sofreu, por tê-lo abandonado?

– Não, não podia –responde a multidão.

– Respondei-me ainda ao seguinte: aquele cavalo, segundo o vosso parecer, como terá recebido o filho do rei, que ia para resgatá-lo, curá-lo e levá-lo novamente para o lugar de delícias?

– Com alegria, naturalmente, com reconhecimento e afeto.

– Mas, se o filho do rei tiver dito ao cavalo: “Eu vim para isto e para fazer-te isto, mas tu precisas ser bom, obediente, cheio de boa vontade e fiel a mim”, que achais que o cavalo terá respondido?

– Oh! Não é preciso perguntar! Ele terá respondido que sabia bem o que lhe custava ser expulso do reino e que queria ser como o filho do rei dizia.

– Então, segundo vós, qual era o dever daquele cavalo?

– Ser ainda melhor do que lhe estava sendo pedido, mais afetuoso, mais dócil, para ser perdoado do mal passado, em reconhecimento pelos bens obtidos.

– E se ele não tivesse feito assim?

– Seria digno de uma morte, porque seria pior do que uma fera selvagem.

– Amigos, vós julgastes bem. Mas fazei também vós como quereríeis que o cavalo fizesse. Vós, homens, criaturas prediletas do Rei dos Céus, Deus, meu Pai e vosso; vós a quem, depois dos Profetas, foi mandado por Deus o seu próprio Filho, sede, oh! sede — eu vos conjuro pelo vosso bem e porque vos amo como só um Deus pode amar, aquele Deus que está em Mim para operar o milagre da Redenção — sede, ao menos, como vós julgais que deve ser aquele animal. Ai daquele que rebaixa a si próprio, homem, a um grau inferior ao do animal! Mas, se ainda podia haver desculpa para aqueles que até o momento presente estavam pecando — porque muito tempo e muita poeira do mundo já passaram, desde quando foi dada a Lei, e sobre esta se pousou — agora já não podeis mais. Eu vim para trazer-vos de novo a palavra de Deus. O Filho do homem está entre os homens para levá-los novamente a Deus. Segui-me. Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.

Detalhe

Parábola do cavalo amado pelo rei. O homem é a criatura amada de Deus

EMF 69.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Tudo temos em nós: o bem e o mal. Tudo levamos em nós. Sobre o bem, passa o sopro de Deus, que o acende como um turíbulo que leva agradáveis e sacros incensos. E sobre o mal, Satanás sopra e o acende com uma fogueira de um ardor feroz. Mas a vontade atenta e a oração constante são como a areia úmida sobre o ardor do inferno: ela o sufoca e domina.

Anotação

Temos tudo dentro de nós: o bem e o mal. Numa nota à segunda edição, o editor escreve: "Estas afirmações são corretas quando aplicadas à condição humana em geral. No entanto, Maria Valtorta corrigiu-as numa cópia dactilografada, de uma forma que parece mais adequada à dupla natureza humana e divina do orador: À nossa volta temos tudo: o bem e o mal. Podemos levar tudo para dentro de nós. Podemos levar tudo para dentro de nós.

EMF 77.2-3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

[Judas fala dos pastores do Presépio.]

77.2 – A propósito. Há alguns dias que eu estou com uma pergunta me queimando os lábios. Esses são amigos teus e de Deus, não é verdade? Os anjos os abençoaram com a paz do Céu, não foi? Eles permaneceram justos, contra todas as tentações, não é mesmo? Explica-me então, por que é que foram infelizes? E Ana? Foi morta por ter querido bem a Ti….

– Tu deduzes, por isso, que o meu amor e que amar a Mim traz infortúnio.

– Não… mas….

– Mas é assim. (...) Vem cá, Judas. Escuta. Tu partes de um juízo comum a muitos viventes e a muitos que viverão. Eu disse: juízo. Deveria dizer: erro. Mas, posto que o fazes sem malícia, por ignorância do que é a verdade, não é um erro, mas somente um juízo imperfeito, como o pode ser, aquele de um menino. E vós sois meninos, pobres homens! E Eu estou aqui, Mestre, para fazer de vós adultos, capazes de discernir o verdadeiro do falso, o bom do mau, o melhor do que é bom. Portanto, escutai. O que é a vida? É um tempo de espera, Eu diria é o limbo do Limbo, que Deus Pai vos dá para provar se vossa natureza é de filhos bons ou de bastardos, e para destinar-vos, conforme as vossas obras, a um futuro que não terá mais esperas nem provas. Agora, dizei-me, vós: Seria justo que alguém que teve o bem extraordinário de poder servir a Deus de uma maneira especial, possua também por toda esta vida um bem contínuo? Não vos parece que já recebeu muito, e que por isso pode dizer-se feliz, mesmo se nas coisas humanas não é feliz? Não seria injusto que aquele que já tem a luz da divina manifestação no coração e o sor­riso da consciência que o aprova, tenha também honras e bens ter­renos? E não seria até imprudente?

77.3 – Mestre, eu digo que seria até profanador. Por que colocar alegrias humanas onde Tu estás? Quando alguém tem a Ti — e estes te têm tido, eles, os únicos ricos em Israel, por terem tido a Ti há trinta anos — não deve ter nenhuma outra coisa. Não se coloca coisas humanas no Propiciatório… e o vaso consagrado só serve para os usos sagrados. Estes são consagrados, desde o dia em que viram o teu sorriso… e nada, não, nada que não sejas Tu, deve entrar nos corações que têm a Ti. Fosse eu como eles! –diz Simão.

Detalhe

Judas recorda os pastores na Natividade e a morte de Ana de Belém. Por isso, diz que o amor a Jesus traz a desgraça, e Cristo responde-lhe.

EMF 80.3-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– E, onde querias que Eu tivesse ido preparar-me, Judas?

Judas está perplexo, desorientado. Enfim, responde:

– Eu não saberia… Eu pensava… que em companhia de algum rabi… junto aos essênios… não sei.

– Podia Eu encontrar um rabi que me dissesse mais do que me dizia o Poder e a Sabedoria de Deus? Podia Eu ir em busca da ciência e da capacidade daqueles que negam a imortalidade da alma, negando a ressurreição no último dia, e negam a liberdade de ação do homem, atribuindo as virtudes e os vícios, ações santas e perversas, a um destino, que dizem ser fatal e inevitável? Eu, Verbo eterno do Pai, presente quando o Pai criou o homem, e sei de que espírito imortal e animado, de que poder de julgamento livre e capaz, o Criador dotou o homem? Ah! Não. Vós tendes um destino. Sim. Vós o tendes. Na mente de Deus que vos cria, há um destino para vós. O Pai vo-lo deseja. E é destino de amor, de paz, de glória: “a santidade de serdes seus filhos.”

Este é o destino que, estando presente na mente divina, desde o momento em que do barro foi feito Adão, estará presente até a criação da alma do último homem. Mas o Pai não usa de violência para convosco em vossa condição de rei. O rei, se está na prisão, não é mais rei, é um rejeitado. Vós sois reis, porque sois livres em vosso pequeno reino individual. Em vosso eu. Nele podeis fazer o que quiserdes, como quiserdes.

80.4

À frente e nos confins do vosso pequeno reino, tendes um Rei amigo, e duas potências inimigas. O Amigo vos mostra as regras por Ele dadas para fazer felizes os que são seus. Ele vo-las mostra. E vos diz: “Ei-las. Com estas é certa a eterna vitória.” Ele, o Sábio e Santo, vo-las mostra, para que possais, se o quiserdes, praticá-las e, ter a glória eterna. As duas potências inimigas são satanás e a carne. Por carne, entendo a vossa e a do mundo, ou seja, as pompas e seduções do mundo, isto é, a riqueza, as festas, as honras, os poderes que do mundo e no mundo se tem, e que nem sempre são obtidos honestamente, e menos ainda sabe usar honestamente, se, por um complexo de causas, o homem chega a possuí-los.

Satanás, mestre da carne e do mundo, fala também pelo mundo e pela carne. Ele também tem as suas regras… Oh! Se as tem! E, como o eu está enfaixado pela carne, e a carne se inclina para a carne, como os fragmentos de ferro se inclinam para o ímã, e, visto que o canto do Sedutor é mais doce do que o gorjeio do rouxinol enamorado, sob os raios da lua e o perfume dos roseirais, é mais fácil andar em direção à estas regras, inclinar-se para estas potências, dizer-lhes: “Considero-vos amigas. Entrai.” Entrai… Já vistes um aliado que se conserve sempre honesto, sem pedir cem por um pela ajuda dada?

Assim fazem essas potências. Entram… E tornam-se donas. Donas? Não, tiranas. Elas vos amarram, ó homens, ao banco de sua galera, lá vos acorrentam, não vos deixam mais erguer o pescoço sob o seu jugo, e o chicote delas vos fere até o sangue, se delas procurardes fugir. Ou deixar-se ferir, até virar um amontoado de carne despedaçada, tão inútil, como carne, a ponto de ser repelida por seus pés cruéis, ou morrer debaixo deles.

Se sabeis entregar-vos a um tal martírio, eis então que passa a Misericórdia, a Única que pode ainda ter piedade daquela repugnante miséria, da qual o mundo, um dos seus donos, agora tem nojo, e sobre a qual o outro dono, satanás, dirige suas flechas de vingança. E a Misericórdia, a Única que passa, se inclina, a recolhe, a medica, a cura e lhe diz: “Vem. Não temas. Não olhes para ti mesmo. As tuas feridas não são mais do que cicatrizes, mas são tantas, que te causariam horror, a ponto de te desfigurarem. Mas Eu não olho para elas, olho para a tua vontade. Por essa boa vontade é que estás assim marcada. Por isso, Eu te digo: te amo. Vem Comigo”, e a leva para o seu Reino. Agora podeis compreender que a Misericórdia e o Rei amigo são uma mesma pessoa. Encontrais de novo as regras que Ele vos tinha mostrado e que vós não quisestes seguir. Agora o quereis… e alcançais a paz da consciência primeiro, e a paz com Deus depois.

Dizei-me, agora. Este destino foi imposto por Um só a todos, ou foi escolhido, cada um por si?

– Foi escolhido por cada um.

– Estás julgando bem, Simão. Podia Eu dirigir-me aos negadores da bem-aventurada ressurreição e do dom de Deus para que fossem meus formadores?

Detalhe

Ensinamento mais abrangente sobre o destino do homem, a sua liberdade e o seu livre arbítrio.