Ir para o conteúdo

Notas do tema

As vocações e a Igreja Católica

Página 21 de 25

Conforto de leitura

Aa

EMF 203.8 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

“Venha o teu Reino assim na terra como no Céu.”

Desejai com todas as vossas forças este advento. Seria a alegria sobre toda a terra, se ele viesse. O Reino de Deus nos corações, nas famílias, entre os cidadãos, entre as nações. Sofrei, fatigai-vos, sacrificai-vos por este Reino. Seja a terra um espelho que reflita em cada um a vida dos Céus. Ele virá. Um dia tudo isso virá. Séculos e séculos de lágrimas e sangue, de erros, de perseguições, de escuridão rompida por raios de luz, que irradiam do Farol místico da minha Igreja — que, se é uma barca, que não será submersa, é também uma rocha irremovível, frente a todos os vagalhões, e alta vai conservar a Luz, a minha Luz, a Luz de Deus — aqueles séculos precederão o momento no qual a terra possuirá o Reino de Deus. E será então como o flamejar intenso de um astro que, tendo chegado ao ponto mais perfeito de sua existência, se desagrega, como uma flor descomunal dos jardins etéreos, para exalar, em palpitações rutilantes, a sua existência e o seu amor aos pés do seu Criador. Mas, que virá, virá. Depois disso, será o Reino Perfeito, feliz e eterno no Céu.

EMF 204.6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Todos os nascidos de mulher a têm.

– Mas, Tu disseste que o pecado a mata. Como pode, então, estar ela viva em nós pecadores? –pergunta Plautina.

– Vós não pecais contra a fé, pois credes que estais na Verdade. Quando conhecerdes a Verdade, se persistirdes no erro, aí estareis pecando. Igualmente, muitas coisas que para os israelitas são pecado para vós não são. Porque nenhuma lei divina vo-lo proíbe. O pecado é quando alguém, conscientemente, se rebela contra a ordem dada por Deus e diz: “Sei que o que faço é mal. Mas eu quero fazê-lo assim mesmo.” Deus é justo. Ele não pode punir a quem faz o mal, pensando que está fazendo o bem. Ele castiga a quem, tendo tido modo de conhecer o Bem e o Mal, escolhe este último, e nele persiste.

– Então, em nós a alma está viva e presente?

– Sim.

Detalhe

Jesus discute a alma com senhoras romanas que são pagãs e acreditam no Olimpo.

EMF 206.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

É preciso, junto com a humildade, ter sempre limpa a veste. É muito fácil embaçar a pureza do coração. E quem não é puro de coração não pode ver a Deus. A humildade é como uma água que lava. O humilde se dá conta logo, porque tem olhos não embaçados pelas fumaças do orgulho, de estar com suas vestes enodoadas, e corre para o Senhor, e diz: “u tirei a limpeza deste meu coração. Eu choro para limpar-me. A teus pés venho chorar. E tu, ó meu Sol, alveja com os teus benignos perdões, com os teus paternos amores, esta minha veste!”

Detalhe

Jesus conta a parábola das dez virgens e chama a atenção para o facto de elas terem roupas limpas.

EMF 206.6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Vigilância, vigilância, vigilância. Quem for imprudente, e fiar-se em si mesmo, dizendo: “Oh! Deus virá em tempo, enquanto eu estiver lúcido”, quem se põe a dormir, em vez de vigiar e for dormir, desprovido de tudo o que é necessário para poder levantar-se prontamente, ao primeiro chamado, quem deixa para o último momento o trabalho de ir prover-se do azeite da fé, ou do pavio forte da boa vontade, incorre no perigo de ter que ficar fora, quando o Esposo chegar. Vigiai, pois, com prudência, com constância, com pureza, com confiança, para estardes sempre prontos para o chamado de Deus, porque, na realidade, não sabeis quando Ele virá.

EMF 206.14 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Levantai-vos, e vamos descansar. Eu vos abençôo, ó cidadãos de Betânia, a todos vós. Eu vos abençôo e vos dou a minha paz. Eu abençôo em particular a ti, ó Lázaro, meu amigo, e a ti, Marta. Abençôo aos meus discípulos antigos e novos, que Eu mando pelo mundo para chamar, para convidar para as núpcias do Rei. Ajoelhai-vos, para que Eu vos abençoe a todos. Pedro, dize a oração que Eu vos ensinei e vem dizê-la aqui ao meu lado, de pé, porque assim há de ser feita por quem para isso foi destinado por Deus.

A assembleia toda se ajoelha sobre o feno, ficando em pé somente Jesus em sua veste de linho, com toda a sua altura e beleza, e Pedro, em sua veste marrom escura, inflamado pela emoção, um pouco trêmulo e que reza, com uma voz não bonita, mas viril, recitando devagar, por medo de errar: “Pai nosso…”

Ouvem-se alguns soluços… de homem, de mulher…

Margziam está ajoelhado justamente ao lado de Maria, que está segurando suas mãozinhas juntas. Olha com um sorriso angelical para Jesus, e diz baixinho:

– Olha mãe é belo! E como é belo também o pai. Parece estarmos no Céu. Será que minha mãe está aqui vendo?

E Maria, em um sussurro, que termina com um beijo, responde:

– Sim, querido. Ela está aqui. E está aprendendo a oração.

– E eu? Também eu a aprenderei?

– Ela a sussurrará à tua alma, enquanto estiveres dormindo, e eu a repetirei durante o dia.

O menino deixa cair para trás a cabecinha morena sobre o peito de Maria e fica assim, enquanto Jesus abençoa com a solene bênção mosaica de sempre.

Detalhe

Jesus acaba de contar uma parábola. Perante uma pequena congregação, é Pedro que tem de recitar o Pai-Nosso. É isto que Jesus quer.

EMF 207.9 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Estás contente, Simão de Jonas, tu que não dizes nada e quase nem respiras mais?

– Muito… e a tal ponto que me parece que estou fora do mundo, em um lugar ainda mais santo, do que se estivesse do outro lado do véu do Templo… A tal ponto, que agora que eu te vi neste lugar, e com a luz daquele tempo, eu fico temeroso por haver-te tratado com respeito, sim, mas como uma grande mulher, sempre mulher. Agora… agora eu não terei coragem de te chamar como antes: “Maria.” Antes, eras para mim a mamãe do meu Mestre. Agora, agora que eu te vi sobre as alturas daquelas ondas celestes, que eu te vi como Rainha, eu miserável, faço assim, como um escravo que sou –e se joga no chão para beijar os pés de Maria.

Nesse momento, Jesus lhe fala:

– Simão, levanta-te. Vem cá, bem perto de Mim.

Pedro vai, então, para a esquerda de Jesus, porque Maria está à direita.

– Que é que somos agora nós? –pergunta Jesus.

– Nós? Ora, somos Jesus, Maria e Simão.

– Está bem. Mas, quantos somos?

– Três, Mestre.

– Portanto, é uma trindade. Um dia[3] no Céu à Divina Trindade veio um pensamento: “Agora chegou o tempo de o Verbo ir à terra”, e, em uma palpitação de amor, o Verbo veio à terra. Separou-se, pois do Pai e do espírito Santo. Veio trabalhar na terra. No Céu, os Dois que ficaram contemplaram as obras do Verbo e se conservaram mais unidos do que nunca, para assim unirem o Pensamento e o Amor, a fim de ajudar a Palavra que trabalha na terra. Um dia virá em que do Céu baixará esta ordem: “Já é tempo para que Tu voltes, porque tudo já se cumpriu”, e então, o Verbo voltará aos Céus, assim (e Jesus dá um passo para trás, deixando Maria e Pedro onde eles estavam) do alto dos Céus, contemplará as obras dos dois que ficaram na terra, os quais, por um movimento santo, se unirão mais do que nunca, para unirem o poder e o amor, e fazer deles um meio para que se cumpra o desejo do Verbo: A redenção do mundo através do perpétuo ensinamento de sua Igreja. E o Pai, Filho e espírito Santo farão dos seus raios uma corrente para ajuntar cada vez mais os dois que ficaram na terra: minha mãe, é o amor; e tu, o poder. Deverás, pois, tratar bem Maria como rainha, sim, mas não como um escravo. Que te parece?

– A mim me parece o que Tu quiseres. Eu estou aniquilado. Eu, ficar com o poder? Oh! Se é que eu sou o poder, então sim é que eu me devo apoiar nela! Oh! Mãe do meu Senhor, não me abandones nunca, nunca, nunca…

– Não tenhas medo. Eu te terei sempre pela mão, do mesmo modo como fazia com o meu Menino, até que Ele se tornou capaz de andar sozinho.

– E depois?

– E depois eu te socorrerei com a oração. Coragem, Simão. Nunca duvides do poder de Deus. Dele não duvidei eu nem José. E nem tu deves dúvidar. Deus dá sua ajuda a cada hora, desde que permaneçamos humildes e fiéis.

Detalhe

A Virgem acaba de contar a Natividade com as suas próprias palavras.

Anotação

Trindade celeste - Trindade terrestre: Para estabelecer um paralelismo entre a Trindade celeste (Pai, Filho e Espírito Santo) e a Trindade terrestre (Jesus, Maria e Pedro), a explicação deve recorrer ao expediente de atribuir a Deus pensamentos e comportamentos humanos, estabelecendo separações e reuniões entre as Pessoas divinas.

No entanto", nota Maria Valtorta numa cópia dactilografada, "não se trata de negar a união hipostática (= união das duas naturezas, divina e humana) pela qual o Verbo, estando verdadeiramente na carne do Filho de Deus e de Maria, não deixou de ser um com o Pai e, portanto, com o Amor; não deixou de ser o Santo dos Santos, porque o era pela sua natureza divina e o era na sua natureza humana, pela graça e por uma vontade perfeitíssima".

Esta nota, acompanhada dos textos deEMV 207.11 |EMV324.3 | EMV 567.17 | EMV 630.21 e EMV 634.11, bem como das notas deEMV 54.5 | EMV 68.1 | EMV 342.5 e EMV 346.5, pode também ser utilizada para interpretar corretamente as expressões que se encontram em EMV 62.2 (para me unir ao Pai) | EMV 62.4 (eu estava no Pai) | EMV 123.5 (saí do Céu) | EMV 126.1 (não a mim, mas àquele que me enviou) | EMV 126.10 | EMV 128.2 (não eu. Deus) | EMV 129.3 (Deus está no Céu. Ele adora e vai a Ele) | EMV 249.4 | EMV 254.3 (Deveis perguntar a quem os fez) | EMV 272.2 | EMV 287.6 (A Deus, não ao seu Servo) | EMV 298.6 (Não de mim, mas do Pai) | EMV 317.5 | EMV 371.6 | EMV 399.4 (Ele deixou o Pai) | EMV 452.11 | EMV 479.2 (Ele volta ao Pai) | EMV 487.9 | EMV 517.2 (Deixei uma parte da união) | EMV 534.8 (A Sabedoria deixou o Céu) | EMV600.21 (Deixei o Pai) | EMV 618.5 (Já não estou separado do Pai) | EMV 632.34 (Deixou o Céu) | EMV 637.6 (Deixei o Céu) | EMV 642.9, etc.

Por fim, é de notar o conceito expresso por Maria Valtorta no texto de EMV 474.2/3: a divindade, sempre unida hipostaticamente ao Homem Jesus, não foi em todos os momentos sensível ao Homem Redentor, que teve de chegar ao ponto de experimentar essa dor.

EMF 207.11 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Em verdade, Eu sou um com o Pai eternamente e estou unido a Deus como carne, uma vez que o Amor tenha atingido o inatingível em sua Perfeição, revestindo-se de Carne para salvar a carne. A todos esses erros quem responde é a minha vida inteira, que se sujeitou a tudo o que é comum entre os homens, exceto ao pecado. Nascido, sim, Eu sou dela. E para o vosso bem. Vós não sabeis quanto fica temperada a Justiça, desde que Ela tenha a mulher como sua colaboradora.

Detalhe

Alguns afirmarão que Jesus não teve carne verdadeira e não conheceu o sofrimento nem a morte. Negarão a sua encarnação e a sua divindade. Jesus disse então:

EMF 211.6-8 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Não haverá mais servos de Deus em Israel? Sim, os há. Mas são “ídolos.”

Na carta de Jeremias aos exilados estão ditas, por entre muitas outras coisas, também estas. E sobre estas chamo a vossa atenção, porque cada palavra do livro é um ensinamento que, desde o momento em que o Espírito a faz escrever, por causa de um fato presente, ela se refere a um fato que virá no futuro. Portanto, o que está escrito é isto: “Logo que entrardes em Babilônia, vereis deuses de ouro, de prata, de pedra, de madeira… Tomai cuidado para não imitardes o modo de agir dos estrangeiros, e para não terdes medo, não temê-los… Dizei em vosso coração: ‘É preciso adorar somente a Ti, ó Senhor.’” E a carta enumera as particularidades desses ídolos, que têm uma língua feita por algum artífice, e não se podem servir dela para reprovar os seus falsos sacerdotes, que os despojam, para revestir com o ouro do ídolo as meretrizes, quando não acontece que tirem aquele ouro, que foi profanado pelo suor da prostituição, para revestir o ídolo. Estes ídolos, que a ferrugem ou as traças podem roer e que ficam limpos e bem arrumados, só se o homem lhes lavar a cara e os tornar a vestir, já que eles não podem fazer nada por si mesmos apesar de ter cetro ou machado na mão. E termina o Profeta: “Por isso, não os temais.” E continua: “Inúteis, como vasos quebrados, são estes deuses. Seus olhos estão cheios da poeira levantada pelos pés dos que entram no templo e são conservados bem fechados: como se estivessem num sepulcro, ou como quem ofendeu o rei, porque qualquer um pode despojá-los de suas vestes preciosas. Eles não vêem a luz das lâmpadas e, por isso, estão no templo como vigas, e as candeias não lhes servem senão para enfumaçá-los, enquanto as corujas, as andorinhas e outros passarinhos voam por cima da cabeça deles e a cobrem de vírgulas com os seus excrementos e os gatos nela fazem seus ninhos, com as vestes deles, e as rasgam. Por tudo isso, não devem ser temidos. São coisas mortas. Nem mesmo o ouro lhes serve para nada. É uma amostra, e se não for polido, não brilha, assim como os deuses não sentiram nada, quando alguém os fabricou. Nem o fogo conseguiu despertá-los. Eles foram comprados por preços fabulosos. E são transportados para onde o homem quer, porque são vergonhosamente fracos… Por que, então, são chamados deuses? Por que são adorados com ofertas e com uma pantomima de cerimônias falsas, não sinceras da parte de quem as faz, nem acreditadas por quem as vê. Se um mal ou um bem lhes é feito, eles permanecem inertes, são incapazes de eleger ou destronar um rei, não podem dar riquezas nem fazer o mal, não podem salvar um homem da morte, nem salvar o fraco do prepotente. Eles não têm piedade das viúvas e dos órfãos. São semelhantes às pedras da montanha…”

A carta diz mais ou menos isso.

211.7

Eis. Nós também temos ídolos, e não mais santos, nas fileiras do Senhor. E por isto é que o Mal pode levantar-se contra o Bem. O mal que suja de esterco a inteligência e o coração dos que não são mais santos e se aninha em suas falsas vestes de bondade.

Não sabem mais falar as palavras de Deus. É natural! Eles têm uma língua feita pelo homem, e falam palavras de homem, quando não falam palavras de satanás, e não sabem nada mais do que censurar os inocentes e os pobres, mas calam-se onde vêem corrupção nos poderosos. Porque todos são corruptos, e não podem acusar-se um ao outro das mesmas culpas. Ávidos são, não do Senhor, mas de Mamon, trabalham aceitando o ouro da luxúria e do delito, trocando-o, roubando-o, tomados por um frenesi, que passa por cima de todos os limites e de tudo. Toda a poeira se aninha sobre eles, fermenta sobre eles e, se eles mostram uma cara limpa, os olhos de Deus estão vendo como está sujo o seu coração. A ferrugem do ódio e o verme do pecado os rói, e eles não sabem fazer nada para se salvarem. Desfecham suas maldições, como cetros e machados, mas não sabem que eles é que estão amaldiçoados. Fechados em seus pensamentos e em sua ira, como cadáveres em seus sepulcros, ou prisioneiros em seu cárcere, lá estão, agarrando-se às barras, por medo de que alguma mão os tire de lá, porque lá dentro esses mortos são ainda alguma coisa: são múmias, não mais do que múmias com aparência humana, mas com corpo reduzido a madeira seca, enquanto que lá fora seriam objetos ultrapassados para um mundo que procura a vida, que sente necessidade da vida, como o menino sente da mãe e quer quem lhe dê vida, e não os fedores da morte.

Eles estão no Templo, sim, e a fumaça das lâmpadas, isto é, das honras, os enfumaça, mas a luz não desce até eles. E todas as paixões se aninham neles como passarinhos e gatos, enquanto que o fogo de sua missão não lhes dá o místico tormento de estarem sendo abrasados pelo fogo de Deus. Eles são refratários ao Amor. O fogo da caridade não os incendeia, assim como a caridade não os veste com seus áureos esplendores. A caridade para com o próximo é a forma; e a caridade que vem de Deus e do homem é a fonte. Porque Deus se afasta do homem que não ama e, por isso, essa primeira fonte para de jorrar e ao afastar o homem do homem malvado, para de jorrar também a segunda fonte. Tudo é tirado, pela Caridade, do homem sem amor. Deixam-se comprar por um preço maldito e deixam se levar para onde as vantagens e o poder querem.

Não, Não é permitido! Não existe moeda para comprar a consciência, e especialmente a dos sacerdotes e dos mestres. Não é permitido ter condescendência com as coisas fortes da terra, quando elas querem levar-nos a praticar atos contrários ao que é ordenado por Deus. Isto seria uma impotência espiritual, mas está escrito[4]: “O eunuco não entrará na assembleia do Senhor.” Se, pois, não pode fazer parte do povo de Deus quem é impotente por natureza, poderá ser ministro o que é impotente em seu espírito? Porque, em verdade Eu vos digo que muitos sacerdotes e mestres já estão atormentados por um culpável eunuquismo espiritual, já mutilados em sua virilidade espiritual. São muitos. E são demais!

211.8

Meditai. Observai. Confrontai. Vereis que temos muitos ídolos e poucos ministros do Bem que é Deus. E aí está por que é que pode acontecer que as cidades refúgios já não sejam mais refúgio. Nada mais é respeitado em Israel, e os santos morrem, porque os não santos os consideram odiosos.

Mas Eu vos convido: “Vinde.” (...) Vinde servir a Deus. O tempo está próximo. Não fiqueis despreparados para a Redenção. Fazei que a chuva caia sobre o terreno semeado. Senão, ele terá sido semeado em vão. (...) A Salvação é seguir a Voz do Senhor e crer em sua Palavra. (...) Vinde em massa para o serviço de Deus. Eu estou passando e vos chamando. Não sejais inferiores às meretrizes, às quais basta uma palavra de misericórdia, para deixarem o caminho que percorreram antes, e virem para o Caminho do Bem.

Foi-me perguntado, quando aqui cheguei: “Mas Tu, não conservas rancor de nós?” Rancor? Oh! Não. Eu conservo é amor a vós. E conservo a esperança de ver-vos nas fileiras do meu povo. Do povo que Eu conduzo para Deus, neste novo êxodo para a verdadeira Terra Prometida: para o Reino de Deus, do outro lado do Mar Vermelho das sensualidades e desertos do pecado, livres de toda espécie de escravidão, para a Terra eterna, cheia de delícias, repleta de paz…

Vinde! Este é o Amor que passa. Qualquer um pode acompanhá-lo, porque, para ser acolhidos por Ele, não se precisa mais do que de boa vontade.

Anotação

Na carta de Jeremias aos exilados, diz-se, entre outras coisas, o seguinte. Carta de Jeremias 1,1-72 (por vezes inserida em Baruc 6). O extrato bíblico é dado a seguir.

Diz: "O eunuco não entrará na congregação do Senhor". "EmDeuteronómio 23,2.

________________________________________________________________________________________________

Livro do Deuteronómio 23, 2

Dt 23,2: Aquele cujos testículos tiverem sido esmagados ou cuja uretra tiver sido cortada não entrará na assembleia de Javé.

Livro de Jeremias 1, 1-72 (por vezes transposto para o Livro de Baruc 6, 1-72) - Sobre os ídolos

Jr 1, 1-72 | Ba 6, 1-72 : Cópia da carta que Jeremias enviou aos que iam ser levados cativos para a Babilónia pelo rei dos babilónios, para lhes dizer o que Deus lhe tinha ordenado que lhes dissesse. Por causa dos pecados que cometestes perante Deus, sereis levados cativos para a Babilónia por Nabucodonosor, rei dos babilónios. Quando chegarem a Babilónia, ficarão lá durante muitos anos e por muito tempo, até sete gerações, e depois eu os tirarei de lá em paz. Mas na Babilónia verás deuses de prata, de ouro e de madeira, que se carregam aos ombros e que causam medo entre as nações. Tenham cuidado para não imitarem esses estrangeiros e não se deixarem levar pelo medo desses deuses. Quando virdes multidões de pessoas a juntarem-se diante e atrás deles e a prestar-lhes homenagem, dizei no vosso coração: "És tu, Mestre, que deves ser adorado. Porque o meu anjo está contigo e cuida da tua vida.

Porque a língua destes deuses foi polida por um artesão; está coberta de ouro e prata, mas são mentiras e não podem falar. Quanto a uma rapariga que gosta de enfeites, pegaram em ouro e fizeram coroas para pôr na cabeça desses deuses. Os sacerdotes chegam ao ponto de roubarem o ouro e a prata dos seus deuses e de os usarem para os seus próprios fins; até os dão às prostitutas das suas casas. Adornam esses deuses de prata, de ouro e de madeira com vestes ricas como os homens, mas eles não podem proteger-se da ferrugem nem dos vermes. Quando se vestem de púrpura, ainda têm de limpar o rosto, porque o pó da casa cobre-os densamente. Há um que segura um cetro, como um governador de província: não mata ninguém que o ofenda. Outro traz na mão uma espada ou um machado, mas não pode defender-se do inimigo ou dos ladrões. Isto mostra que eles não são deuses, por isso não os temam.

Tal como o vaso de um homem, quando se parte, torna-se inútil, o mesmo acontece com os seus deuses. Se os colocares numa casa, os seus olhos enchem-se do pó dos pés de quem entra. Tal como se fecham cuidadosamente as portas da prisão a um homem que ofendeu o rei, ou a um homem que vai ser morto, assim também os sacerdotes defendem a morada dos seus deuses com portas fortes, com trancas e ferrolhos, para que não sejam roubados pelos ladrões. Acendem lâmpadas, ainda mais do que para si próprios, e esses deuses não as vêem. São como uma das vigas da casa, e diz-se que os seus corações são comidos pelos vermes que saem do chão e os devoram, a eles e às suas roupas, sem que o sintam. Os seus rostos ficam negros com o fumo que sai da casa. Corujas, andorinhas e outras aves esvoaçam à volta dos seus corpos e cabeças, e os próprios gatos brincam da mesma maneira. Assim saberás que eles não são deuses, por isso não os temas.

O ouro com que estão cobertos para os embelezar, se alguém não tirar a ferrugem, não o fará brilhar; pois eles nem sequer sentiram nada quando foram derretidos. Esses ídolos foram comprados pelo preço mais alto, e não há neles nenhum sopro de vida. Não tendo pés, são carregados aos ombros, mostrando assim aos homens a sua vergonhosa impotência. Que aqueles que os servem sejam confundidos com eles! Se caírem no chão, não se levantarão por vontade própria; e se alguém os levantar, não se moverão por vontade própria; e se se inclinarem, não se endireitarão. As oferendas são colocadas diante deles como diante dos mortos. Os sacerdotes vendem as vítimas que lhes são oferecidas e lucram com elas; as suas mulheres salgam-nas e não dão nada aos pobres ou aos doentes. As mulheres que estão a dar à luz ou em estado de impureza tocam nos seus sacrifícios. Sabendo, pois, por estas coisas que eles não são deuses, não os temais.

E porquê chamar-lhes deuses? Porque são as mulheres que vêm trazer as suas oferendas a esses deuses de prata, de ouro e de madeira. E nos seus templos os sacerdotes sentam-se com as túnicas rasgadas, a cabeça e o rosto rapados e a cabeça descoberta. Eles bradam e gritam diante dos seus deuses, como se estivessem numa festa fúnebre. Os seus sacerdotes despojam-se das suas vestes, e eles vestem as suas mulheres e os seus filhos com elas. Quer se lhes faça mal, quer se lhes faça bem, não podem fazer nada; não podem instituir um rei nem derrubá-lo. Não podem dar riquezas, nem mesmo fazer o bem. Também não podem dar riquezas, nem mesmo uma moeda. Se alguém que lhes fez um voto não o cumprir, eles não lhes pedirão nada. Não salvarão um homem da morte; não arrebatarão o fraco da mão dos poderosos. Não darão vista ao cego, nem livrarão o aflito. Não se compadecerão da viúva, nem farão bem ao órfão. Estes ídolos de madeira, cobertos de ouro e prata, são como pedras cortadas numa montanha, e aqueles que os servem serão envergonhados. Como é que podemos acreditar ou dizer que eles são deuses?

Os próprios caldeus os desonram quando, vendo um homem que não pode falar, o apresentam a Bel, pedindo ao mudo que fale, como se o deus pudesse ouvir alguma coisa. E, apesar de se aperceberem disso, não conseguem abandonar esses ídolos, pois eles não têm sentimento. As mulheres, envoltas em cordas, vão sentar-se nos caminhos, queimando farinha grosseira; e quando uma delas, atraída por algum transeunte, dormiu com ele, censura a vizinha por não ter sido julgada digna da mesma honra e por não ter visto a sua trança de junco partida. Tudo o que se diz sobre os ídolos é mentira. Como podemos então acreditar ou dizer que eles são deuses?

Eles foram feitos por artesãos e ourives; não podem ser de outra forma que não seja a vontade dos trabalhadores. E os trabalhadores que os criaram não têm muito tempo de vida: como poderiam então as suas obras ser de longa duração? Eles não deixaram para a posteridade senão mentiras e desgraças. Quando vem a guerra, ou qualquer outra calamidade, os sacerdotes deliberam entre si sobre onde se esconderão com os seus deuses: como é que não se pode entender que estes não são deuses, que não se podem salvar da guerra ou de qualquer outra calamidade?

Esses ídolos de madeira, revestidos de ouro e prata, serão mais tarde reconhecidos como uma mentira; para todas as nações e reis será óbvio que não são deuses, mas obras de homens, e que não há nenhuma obra divina neles. Para quem, então, não seria óbvio que eles não são deuses?

Eles nunca estabelecerão um rei sobre uma terra, nem darão chuva aos homens. Não poderão julgar os seus próprios assuntos, nem proteger contra a injustiça, pois nada podem fazer, como os corvos que se interpõem entre o céu e a vossa terra. E quando o fogo cair sobre a casa desses deuses de madeira, revestidos de ouro e prata, os seus sacerdotes fugirão e salvar-se-ão; mas eles consumir-se-ão como vigas no meio das chamas. Não resistirão a um rei ou a um exército inimigo. Como é que podemos admitir ou pensar que eles são deuses?

Não escaparão aos ladrões e aos salteadores, esses deuses de madeira, cobertos de prata e de ouro. Homens mais poderosos do que eles roubarão a prata e o ouro e levarão as ricas roupas com que se cobriram, e esses deuses não poderão ajudar-se a si próprios. Assim, é melhor ser um rei que mostra a sua força, ou um vaso útil na casa que o dono usa, do que ser esses falsos deuses; ou uma porta numa casa que guarda o que está dentro, do que ser esses falsos deuses; ou um pilar de madeira na casa de um rei, do que ser esses falsos deuses. O sol, a luz e as estrelas, que são brilhantes e enviadas para o benefício dos homens, obedecem a Deus. Do mesmo modo, o relâmpago, quando aparece, é belo de se ver; o vento também sopra sobre toda a terra; e as nuvens, quando Deus lhes ordena que cubram toda a terra, fazem o que lhes é ordenado. Também o fogo, quando enviado do alto para consumir as montanhas e as florestas, faz o que lhe é ordenado. Mas os ídolos não são comparáveis, nem em beleza nem em poder, a todas estas coisas. Por isso, não devemos pensar nem dizer que são deuses, pois não podem discernir o que é justo nem fazer o bem aos homens. Sabendo, pois, que não são deuses, não os temais.

Eles não podem amaldiçoar nem abençoar os reis. Não mostram às nações sinais no céu; não brilham como o sol nem dão luz como a lua. Os animais são melhores do que eles, porque podem fugir e encontrar abrigo e ser úteis para si próprios. Por isso, não nos parece de modo algum que eles sejam deuses; por isso, não os temais.

Tal como um espantalho num campo de pepinos não te protege de nada, assim é com os seus deuses de madeira, cobertos de ouro e prata. Tal como um espinheiro num jardim, onde pousam todas as aves, ou um morto atirado para um lugar escuro, assim são os seus deuses de madeira, cobertos de ouro e de prata. Até a púrpura e o escarlate que se desvanecem sobre eles mostram que não são deuses. Eles próprios acabarão por ser devorados e tornar-se-ão uma vergonha na terra. Melhor é o homem justo que não tem ídolos, pois não teme a confusão.