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Notas do tema

Ensino geral na EMV

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EMF 204.6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

[O homem] sente a necessidade de crer. Porque esta necessidade é mais imperiosa do que a de respirar. Até mesmo quem diz que não crê, ainda crê. Em alguma coisa ele crê. O simples fato de dizer: “Eu não creio em Deus” pressupõe alguma outra fé. Em si mesmo, talvez, em sua própria mente soberba. Mas, crer, se crê sempre. É como o pensamento. Se vós dizeis: “Eu não quero pensar”, ou então: “Eu não creio em Deus”, só por estas duas frases que dizeis, já estais mostrando que pensais que não quereis crer n’Aquele que pensais que existe, e no qual não quereis pensar.

EMF 204.6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

O pecado é quando alguém, conscientemente, se rebela contra a ordem dada por Deus e diz: “Sei que o que faço é mal. Mas eu quero fazê-lo assim mesmo.” Deus é justo. Ele não pode punir a quem faz o mal, pensando que está fazendo o bem. Ele castiga a quem, tendo tido modo de conhecer o Bem e o Mal, escolhe este último, e nele persiste.

EMF 205.3-7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Ouvi. É uma bela parábola, que vos guiará com sua luz, em muitos casos.

Um homem tinha dois filhos. O mais velho era sério, trabalhador, amoroso, obediente. O segundo era mais inteligente que o mais velho, pois este na verdade tinha pouca acuidade de espírito, e se deixava guiar para não ter que se cansar ao tomar decisões. Em compensação, porém, o mais jovem era rebelde, dado a passatempos, amante do luxo e do prazer, dissipador e preguiçoso. A inteligência é um grande dom de Deus. Mas é um dom que precisa ser usado com sabedoria. Se assim não for, ele se torna como certos remédios que, quando são mal usados, não curam, mas matam. O pai estava no seu direito e no seu dever, e o exortava sempre a levar uma vida de um modo mais ajuizado. Mas isso não adiantava nada, ao contrário, provocava da parte dele más respostas e um maior enrijecimento em suas próprias más ideias.

Afinal, um dia, depois de uma discussão mais violenta, o filho mais novo disse: “Dá-me a minha parte nos bens. Assim não precisarei mais ficar ouvindo tuas repreensões, nem os queixumes do irmão. Cada um com o que é seu e fica tudo acabado.” “Olha bem,” respondeu o pai, “que tu logo ficarás arruinado. E então, que farás? Pensa bem, que eu não irei ser injusto, procurando ficar a teu favor, e não tomarei um vintém do teu irmão para te dar.” “Não irei pedir nada. Fica certo disso. E dá-me a minha parte.”

O pai mandou avaliar as terras e os objetos de valor e, visto que o dinheiro e as jóias valiam tanto como as terras, deu ao mais velho os campos e os vinhedos, os rebanhos e as oliveiras, e ao mais novo o dinheiro e as jóias, que o jovem logo vendeu, transformando tudo em dinheiro. E, tendo feito isso, dentro de poucos dias, foi-se embora para um lugar muito distante, onde passou a viver como um ricaço, esbanjando tudo o que possuía em farras e patuscadas de toda espécie, querendo passar por filho de um rei, pois ele se envergonhava de dizer: “Eu sou um camponês”, renegando assim a condição de seu pai. Festinhas, amigos e amigas, boas vestes, vinho, jogatina…uma vida dissoluta… Bem depressa ele percebeu que o dinheiro ia diminuindo e que a miséria ia chegando. E, com a miséria, para torná-la mais penosa, sobreveio àquele lugar uma grande carestia, que acabou com o resto do dinheiro que ele ainda tinha.

205.4

Ele teria querido voltar para o pai. Mas era orgulhoso, e não quis. Foi, então, a um dos ricos do lugar, que tinha sido seu amigo nos bons tempos, e lhe suplicou: “Recebe-me entre os teus servos, lembrando-te de quando gozavas com as minhas riquezas.” Agora, vede vós como o homem é estulto! Ele prefere ir colocar-se debaixo do chicote de um patrão, a ir dizer ao seu pai “Perdoa-me! Eu errei!” Aquele jovem havia aprendido tantas coisas inúteis, com sua inteligência perspicaz, mas não tinha querido aprender aquela palavra[1] do Eclesiástico: “Como é infame aquele que abandona o seu pai, e como é maldito por Deus aquele que faz sua mãe ficar preocupada.” O rapaz era inteligente, mas não sábio.

O homem a quem ele havia se dirigido, em compensação pelo muito que ele havia gozado às custas do estulto jovem, mandou este estulto ir tomar conta de seus porcos — pois lá era terra de pagãos, onde havia muitos porcos — mandou que ele fosse apascentar em suas propriedades umas manadas de porcos. Imundo, esfarrapado, fedorento e esfomeado, — pois a comida estava escassa para todos os servos, especialmente para os empregados menos classificados, como era ele, um estrangeiro e, além disso, um porqueiro que era tratado como objeto de zombaria, — ele via como os porcos se saciavam com as bolotas de carvalho, e suspirava: “Ah! Se eu pudesse, pelo menos, encher a barriga com esses frutos! Mas eles são muito amargos! Nem a fome faz com que eles pareçam bons.” E chorava, pensando nos festins feitos pouco tempo atrás, por entre risadas, cantos e danças… depois pensava nas refeições honestas, mas bem nutritivas, de sua casa, que agora estava tão longe: …Pensava nas porções que o pai imparcialmente distribuía a todos, reservando sempre o menos para si, alegre por ver o apetite sadio de seus filhos… Pensava também nas partes que eram distribuídas aos servos por aquele justo, e suspirava: “Os empregados de meu pai, até os menos classificados, têm pão em abundância, e eu fico aqui morrendo de fome…”

Um grande trabalho de reflexão, uma longa luta para acabar com aquele orgulho…

205.5

E, afinal, chegou o dia em que, tendo renascido para a humildade e para a sabedoria, ele se pôs de pé, e disse: “Eu vou voltar para o meu pai! É uma estultice minha este orgulho, que me mantém aqui preso. E por quê? Por que ficar sofrendo assim no corpo, e mais ainda no coração, quando eu posso obter o perdão e ter alívio? Eu vou voltar para o meu pai. Está dito. E, que lhe direi eu? Ah! Sim. Direi o que nasceu aqui dentro, nesta baixeza, no meio destas sujeiras, sofrendo as mordeduras da fome! E eu lhe direi: ‘Meu pai, eu pequei contra o Céu e contra ti e não sou mais digno de ser chamado teu filho; trata-me, pois, como o último dos teus empregados, mas tolera-me debaixo do teu teto. Que eu possa te ver passando…’ Eu não poderei dizer-lhe: ‘porque eu te amo’. Ele não acreditaria. Mas eu o direi com minha vida e ele compreenderá e, antes de morrer, ainda me abençoará. Oh! Isso eu espero. Porque meu pai me ama.” E, ao voltar de tarde para o povoado, ele foi despedir-se do patrão e depois, pedindo esmola pelo caminho, voltou para sua casa. Já se vêem os campos do pai… e a casa… e o pai, que estava dirigindo os trabalhos, já envelhecido, emagrecido pelos sofrimentos, mas sempre bom… O culpado, olhando aquilo que tinha sido causado por ele, parou atemorizado… mas o pai, correndo o olhar ao redor de si, o viu, e correu ao seu encontro, pois o filho ainda estava longe e, chegando perto dele, lançou-lhe os braços ao pescoço e o beijou. Somente o pai havia reconhecido naquele mendigo aviltado o seu filho, e só mesmo ele é que tinha tido um movimento de amor.

O filho, apertado entre aqueles braços, com a cabeça sobre o ombro paterno, murmura, por entre soluços: “Pai, deixa que eu me jogue aos teus pés.” “Não, meu filho! Aos pés, não! Mas sobre o meu coração, que tanto sofreu na tua ausência e que precisa reviver, ao sentir o teu calor sobre o meu peito.” E o filho, chorando ainda mais fortemente, disse: “Oh! meu pai! Eu pequei contra o Céu e contra ti, e já não sou digno de ser chamado por ti de filho. Mas, permite-me viver entre os teus servos, debaixo do teu telhado, vendo-te, comendo o teu pão, servindo-te, sentindo o teu hálito. A cada bocado de pão, a cada teu respiro, irá se reformando o meu coração, tão corrompido, e me tornarei honesto…”

Mas o pai, segurando-o sempre abraçado, o levou até onde estavam os servos, que se haviam aglomerado à distancia, e que de lá estavam observando, e lhes diz: “Depressa, trazei aqui a túnica mais bonita, os frascos com água de cheiro, dai-lhe um banho, perfumai-o, vesti-lhe a túnica, ponde-lhe sandálias novas e um anel no dedo. Depois, ide pegar um vitelo gordo, e matai-o. E que se prepare um banquete. Porque este meu filho estava morto e agora ressuscitou, estava perdido e foi reencontrado. Eu quero que agora ele também reencontre aquele seu simples amor de quando era pequeno. Que o meu amor e a festa da casa pela sua volta o façam reencontrar. Ele precisa compreender que para mim ele é sempre o querido caçula, como o era em sua longínqua infância, quando ele caminhava ao meu lado, fazendo-me ser feliz com o seu sorriso e o seu balbuciar.” E, como o patrão mandou, assim fizeram os servos.

205.6

O filho mais velho estava no campo e não estava sabendo de nada, enquanto não voltou. À tarde, voltando para casa, viu que ela estava toda iluminada, e ouviu o som dos instrumentos de música e das danças, que saía da casa. Chamou, então, um dos servos, que ia correndo muito atarefado, e lhe disse: “Que é que está acontecendo?” E o servo respondeu: “O teu irmão voltou! E teu pai fez matar o vitelo gordo, porque pôde reaver o filho com saúde, curado do seu grande mal, e mandou que se preparasse um banquete. Só estamos te esperando para começar.” Mas o primogênito, encolerizado, porque lhe parecia uma injustiça toda aquela festa para o mais jovem que, além de ser mais jovem, ainda tinha sido mau, não quis entrar, e até estava querendo afastar-se de casa.

Mas o pai, avisado disso, saiu correndo para fora, e o alcançou, tentando convencê-lo a entrar e pedindo-lhe que não tornasse amarga a sua alegria. O primogênito respondeu a seu pai: “E não queres que eu fique descontente? Tu estás fazendo uma injustiça, e tratando com desprezo ao teu primogênito. Eu, desde que pude trabalhar, sempre te servi, e isto há muitos anos. Eu nunca desobedeci a uma ordem tua, nem mesmo a um teu desejo. Eu sempre estive perto de ti e te amei por dois, para fazer-te ficar curado da ferida feita por meu irmão. E tu não me deste nem um cabrito para eu fazer uma festa com os meus amigos. E, para este, que te ofendeu, que te abandonou, que foi um preguiçoso e um esbanjador, e que agora está de volta, porque veio impelido pela fome, tu o cobres de honrarias, e matas para ele o vitelo mais bonito. Vale a pena sermos trabalhadores e sem vícios! Isto tu não devias fazer!” O pai disse-lhe, então, apertando-o contra o seu seio: “Oh! Meu filho! Poderás tu crer que eu não te amo, porque não estendi uma faixa festiva em honra de tuas boas ações? As tuas ações já são santas por si mesmas, e por elas o mundo te elogia. Mas este teu irmão, pelo contrário, precisa ser realçado na estima do mundo e em sua própria estima. Acreditarás tu que eu não te amo, só porque não te dei um prêmio visível? Mas, de manhã e de tarde, em todos os meus respiros e pensamentos, tu estás presente em meu coração e, a cada momento, eu te abençôo. Tu tens o prêmio contínuo de estares sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era justo que nos banqueteássemos e fizéssemos uma festa, por este teu irmão, que estava morto ressuscitou para o Bem, que estava perdido voltou ao nosso amor.” E o primogênito deu-se por vencido.

205.7

Assim, meus amigos, é que acontece na Casa do Pai. E quem sabe que está como o filho mais novo da parábola pense também que, se o imitar, voltando para o Pai, o Pai lhe dirá: “Não aos meus pés. Mas sobre o meu coração, que sofreu pela tua ausência, e que agora está feliz pela tua volta.” Quem está na condição de filho primogênito e sem culpa com o Pai, não seja ciumento da alegria paterna, mas participe dela, dando amor ao irmão redimido.

Anotação

Livro de Sirach 3, 16

Si 3, 16: O que abandona seu pai é como um blasfemo; o que provoca a ira de sua mãe é maldito do Senhor.

Evangelho de Lucas 15, 11-32

Lc 15, 11-32 : Jesus disse ainda: "Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: "Pai, dá-me a minha parte dos bens". E o pai dividiu os seus bens entre eles. Passados alguns dias, o filho mais novo juntou tudo o que tinha e partiu para um país distante, onde esbanjou a sua fortuna, levando uma vida desregrada. Já tinha gasto tudo, quando houve uma grande fome nesse país e ele começou a passar necessidade. Foi trabalhar para um habitante desse país, que o mandou tratar dos porcos nos seus campos. Ele teria gostado de encher a barriga com as vagens que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada.

Então, entrou em casa e disse para consigo: "Quantos trabalhadores do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui a passar fome! Vou levantar-me, vou ter com o meu pai e digo-lhe: "Pai, pequei contra o céu e contra ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como um dos teus trabalhadores". Levantou-se e foi ter com o pai. Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, compadecido, correu e lançou-se-lhe ao pescoço, enchendo-o de beijos. O filho disse-lhe: "Pai, pequei contra o céu e contra ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho". Mas o pai disse aos seus servos: "Trazei depressa a melhor roupa para o vestir, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés, ide buscar o vitelo gordo, matai-o, comamos e festejemos, porque o meu filho, que estava morto, reviveu; estava perdido e foi encontrado." E começaram a banquetear-se.

Mas o filho mais velho estava no campo. Quando voltou e estava perto da casa, ouviu música e danças. Chamou um dos criados e perguntou-lhe o que se passava. O servo respondeu: "O teu irmão chegou, e o teu pai matou o vitelo gordo, porque encontrou o teu irmão de boa saúde". Então o filho mais velho zangou-se e recusou-se a entrar. O pai saiu para lhe pedir. Mas ele respondeu ao pai: "Há tantos anos que estou ao teu serviço sem nunca quebrar as tuas ordens, e nunca me deste um cabrito para me banquetear com os meus amigos. Mas quando este teu filho voltou de devorar os teus bens com prostitutas, mandaste matar o vitelo gordo para ele!" O pai respondeu: "Tu, meu filho, estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Havia necessidade de festejar e de se alegrar, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida; estava perdido e foi encontrado!"""

EMF 205.3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A inteligência é um grande dom de Deus. Mas é um dom que precisa ser usado com sabedoria. Se assim não for, ele se torna como certos remédios que, quando são mal usados, não curam, mas matam.

EMF 206.2-6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

O Reino dos Céus é a casa do esposalício feito entre Deus e as almas. O Momento da entrada nele é o dia das bodas.

Agora, escutai, então. Entre nós há o costume de que as virgens acompanhem o esposo, quando ele chega, para levá-lo, entre luzes e cânticos, até à casa nupcial, junto com a sua amada esposa. Quando o cortejo deixa a casa da esposa, que vai coberta com um véu e que, comovida, sai, dirigindo-se para o seu lugar de rainha, em uma casa que não é a dela, mas que vai tornar-se dela, desde o momento em que ela se torna uma só carne com o seu esposo, o cortejo das virgens, que em sua maior parte são amigas da esposa, corre ao encontro dos dois felizes esposos, para rodeá-los com um halo de luzes.

Aconteceu, pois, que em um lugar celebraram-se esponsais. Enquanto os esposos, com os parentes e amigos, estavam sapateando na casa da esposa, dez virgens foram para o seu lugar, no vestíbulo da casa do esposo, prontas para saírem ao encontro dele, quando um longínquo som de címbalos e de cânticos estivesse avisando que os esposos já tinham saído da casa da esposa para irem para a casa do esposo. Mas o banquete na casa dos esponsais se prolongou muito, e assim chegou a noite. As virgens, como sabeis, seguram sempre as lâmpadas acesas, para não ficarem perdendo tempo no momento principal. Pois bem. Entre estas dez virgens, que deviam segurar as lâmpadas acesas e bem luzentes, havia cinco sábias e cinco estultas. As sábias, cheias de prudência, tinham-se munido de pequenos vasos cheios de azeite, para poderem alimentar suas lâmpadas, se a duração da espera fosse mais longa do que era previsível. Enquanto que as estultas se limitaram só a encher, quando muito, suas pequenas lâmpadas.

Uma hora passou, e mais outra hora. Alguns discursos, histórias e palavras jocosas foram alegrando o tempo de espera. Mas depois, não sabiam mais o que dizer, nem o que fazer. E, aborrecidas, ou também simplesmente cansadas, as dez moças resolveram sentar-se mais comodamente, com as lâmpadas acesas e bem próximas e, pouco a pouco, pegaram no sono.

206.3

Quando chegou a meia noite, ouviu-se um grito: “Eis o esposo chegando, ide-lhe ao encontro!” Àquela ordem, as dez moças se levantaram, puseram os véus e as grinaldas e correram depois para a pequena mesa, onde estavam as lâmpadas. Cinco destas já se estavam apagando. O pavio, não encontrando mais azeite, pois este se havia acabado, estava já soltando fumaça, com uns lampejos cada vez mais fracos e pronto para apagar-se, ao menor sopro de vento. Mas as outras cinco lâmpadas, alimentadas antes do sono pelas virgens prudentes, estavam com suas chamas ainda bem vivas e mais vivas ainda ficaram pela nova quantidade de azeite que colocaram sobre o pavio.

“Oh!”, imploravam as estultas, “dai-nos um pouco do vosso azeite, porque senão as nossas lâmpadas se apagam, só ao movê-las daqui. As vossas já estão bonitas…” Mas as prudentes responderam: “Fora há o vento da noite e o orvalho está caindo em grossas gotas. O azeite nunca é bastante para formar uma chama forte, capaz de resistir aos ventos e à umidade. E, se nós vos dermos do nosso, vai acontecer que nossas luzes também possam começar a vacilar. E bem triste ficaria o cortejo das virgens, sem o palpitar daquelas chamazinhas! Ide, pois, ide correndo ao vendedor mais perto, pedi, batei à porta, fazei que ele se levante para vos vender.”

E elas, apressadas, amarrotando os véus, sujando as vestes, perdendo as grinaldas, por terem que esbarrar uma na outra, correndo, procuravam seguir o conselho das companheiras.

Mas, enquanto iam indo comprar o azeite, eis que já aparecem, lá no começo da rua, o esposo e a esposa. As cinco virgens, tendo nas mãos suas lâmpadas acesas, correram ao encontro deles e, no meio delas, os esposos entraram na casa, para o fim da cerimônia, momento este em que as virgens deveriam acompanhar a esposa até a câmara nupcial. A porta, então, foi fechada, depois da entrada dos esposos, e quem fora estava, fora permaneceu. E assim para as cinco estultas que, chegadas enfim com o azeite, encontraram a porta fechada. Inutilmente bateram nela, machucando as mãos e gemendo: “Senhor, senhor abre-nos. Nós somos do cortejo das núpcias. Somos as virgens propiciatórias, escolhidas para trazer honra e fortuna ao teu tálamo.” Mas o esposo, lá do alto da casa, deixando por um momento os convidados mais íntimos, dos quais ele se despedia, enquanto a esposa entrava na câmara nupcial, disse: “Em verdade, eu vos digo que não vos conheço. Não sei quem sois. Os vossos rostos não estavam presentes ao redor da minha amada, festejando-a. Vós sois umas usurpadoras. Que sejais, pois, deixadas fora da casa das núpcias.” E as cinco estultas, chorando, foram-se embora, pelas estradas escuras, com suas lâmpadas já inúteis, com suas vestes amarrotadas, os véus rasgados, as grinaldas desmanchadas ou perdidas…

206.4

E agora, ouvi a admoestação encerrada na parábola.

Eu vos disse, no princípio, que o Reino dos Céus é casa dos esponsais feitos entre Deus e as almas. Para as núpcias celestes, são chamados todos os fiéis, porque Deus ama todos os seus filhos. Uns antes, outros depois, chegam ao momento dos esponsais, e chegar a esse momento é uma grande sorte.

Mas agora escutai ainda. Vós sabeis como as moças consideram uma honra e uma sorte serem chamadas para ficarem como servas, ao redor da esposa. Apliquemos ao nosso caso o papel dos personagens e compreendereis melhor. O esposo é Deus. A esposa é a alma de um justo que, tendo passado o período do noivado na casa do Pai, isto é, na dependência e obediência da e à doutrina de Deus vivendo segundo a justiça, é levada à casa do Esposo para as núpcias. As servas virgens são as almas dos fiéis que, segundo o exemplo deixado pela esposa, — ter sido escolhida pelo esposo por suas virtudes é sinal de que ela era um exemplo vivo de santidade — procuram chegar àquela mesma honra, santificando-se.

206.5

Elas estão com veste branca, limpa e nova, em brancos véus, coroadas de flores. Elas têm lâmpadas acesas nas mãos. As lâmpadas estão bem limpas, tendo um pavio alimentado com azeite do mais puro, para que não seja mal-cheiroso.

Com veste branca. A justiça firmemente praticada, produz uma veste cândida e bem depressa chegará o dia em quê será candidíssima, sem nenhuma lembrança, nem de longe, de mancha, com um candor sobrenatural, um candor angélico.

Em veste limpa. É preciso, junto com a humildade, ter sempre limpa a veste. É muito fácil embaçar a pureza do coração. E quem não é puro de coração não pode ver a Deus. A humildade é como uma água que lava. O humilde se dá conta logo, porque tem olhos não embaçados pelas fumaças do orgulho, de estar com suas vestes enodoadas, e corre para o Senhor, e diz: “u tirei a limpeza deste meu coração. Eu choro para limpar-me. A teus pés venho chorar. E tu, ó meu Sol, alveja com os teus benignos perdões, com os teus paternos amores, esta minha veste!”

Em veste nova. Oh! O frescor do coração! As crianças o possuem por um dom de Deus. Os justos o têm por dom de Deus e por sua própria vontade. E os santos o têm por dom de Deus e por sua vontade elevada até o grau de heroísmo. Mas os pecadores, com uma alma dilacerada, queimada, envenenada, emporcalhada, será que não poderão nunca mais ter uma veste nova? Oh! Sim, que podem ter. Começam a tê-la desde o momento em que olham para si mesmos com aversão, depois a aumentam, quando se decidem a mudar de vida e a aperfeiçoam quando se lavam com a penitencia, e se desintoxicam, e se medicam, e recompõem a sua pobre alma e, com a ajuda de Deus, que não nega socorro a quem lhe pede uma santa ajuda, e com a própria vontade, elevada ao super-heroismo, — porque neles o necessário não é ficar tomando conta do que eles têm, mas de reconstruir o que eles demoliram e para isso há uma dupla, tripla e sétupla fadiga — e, finalmente, com uma penitência incansável e implacável para com o eu que foi pecador, fazem voltar sua alma a um novo frescor como na infância, frescor precioso pela experiência que os faz mestres de outros, que são[1] agora como eram eles há tempo, ou seja, pecadores.

Em brancos véus. A humildade! Eu disse[2]: “Quando rezais ou fazeis penitência, procurai que o mundo não o perceba.” Nos livros sapiênciais está escrito: “Não é bom revelar o segredo do Rei.” A humildade é o véu cândido posto como defesa do bem que se faz e do bem que Deus nos concede. Não é a glória pelo amor ao privilégio que Deus concede, nem é a estulta glória humana. O dom seria imediatamente retomado. Mas é um canto interior do coração ao seu Deus: “Minha alma canta a tua grandeza, ó Senhor… porque Tu voltaste o teu olhar para a baixeza da Tua serva.”

Jesus faz uma breve pausa, e lança um olhar para sua mãe que, por debaixo do seu véu, se ruboriza e se inclina profundamente, como para compor os cabelos do menino que está sentado aos seus pés, mas, na verdade, o faz para ocultar uma sua comovida lembrança…

– Coroada de flores. A alma deve entretecer para si sua grinalda diária de atos virtuosos porque, ao conspecto do Altíssimo, não se devem apresentar coisas murchas, nem se deve estar com aspecto desmazelado. Diária, Eu disse. Porque a alma não sabe quando Deus-Esposo pode aparecer para dizer-lhe: “Vem.” Por isso não nos cansemos nunca de renovar a coroa. Não tenhais medo As flores ficam murchas. Mas as flores das coroas virtuosas não murcham. O Anjo de Deus, que cada homem tem ao seu lado, recolhe estas grinaldas de cada dia e as leva para o Céu. E lá elas servem como um trono ao novel bem-aventurado, quando ele entrar, como esposa, na casa nupcial.

206.6

Tem as lâmpadas acesas. E é para honrar o esposo, e para se guiarem no caminho. Como é fulgente a fé, e que doce amiga ela é! Produz uma chama brilhante, como uma estrela, uma chama que ri, porque tem segurança em sua certeza, uma chama que torna luminoso até o instrumento que a rege. Até a carne do homem, nutrido pela fé, parece, desde esta terra, tornar-se mais luminosa e espiritual e imune de uma murchidão precoce. Porque quem crê, se rege pelas palavras e pelas ordens de Deus, para chegar a possuir a Deus, que é o seu fim e, por isso, foge de toda corrupção, não sofre perturbações, nem temores, nem remorsos, e não é obrigado a nenhum esforço, para recordar-se de suas mentiras, ou para esconder suas más ações, e se conserva belo e jovem pela bela incorrupção de santo. Uma carne e um sangue, uma mente e um coração limpos de toda luxúria, para conterem o azeite da fé e para produzirem uma luz sem fumaça. Uma constante vontade para alimentar sempre esta luz. A vida de cada dia, com as suas desilusões, verificações, contatos, tentações, atritos, tende a diminuir a fé. Não. Não deve acontecer. Ide cada dia às fontes do azeite suave, do azeite espiritual, do azeite de Deus.

Lâmpada pouco alimentada pode ser apagada pelo menor vento, pode ser apagada pelo pesado orvalho da noite. A noite… A hora das trevas, do pecado e da tentação, chega para todos. É a noite para a alma. Mas, se esta se conserva a si mesma cheia de fé, não pode a chama ser apagada pelo vento do mundo, pela caligem da sensualidade.

Enfim, vigilância, vigilância, vigilância. Quem for imprudente, e fiar-se em si mesmo, dizendo: “Oh! Deus virá em tempo, enquanto eu estiver lúcido”, quem se põe a dormir, em vez de vigiar e for dormir, desprovido de tudo o que é necessário para poder levantar-se prontamente, ao primeiro chamado, quem deixa para o último momento o trabalho de ir prover-se do azeite da fé, ou do pavio forte da boa vontade, incorre no perigo de ter que ficar fora, quando o Esposo chegar. Vigiai, pois, com prudência, com constância, com pureza, com confiança, para estardes sempre prontos para o chamado de Deus, porque, na realidade, não sabeis quando Ele virá.

206.7

Meus caros discípulos, Eu não quero induzir-vos a tremer por causa de Deus, mas, antes, a terdes fé em sua bondade. Tanto vós que ficais, como vós que ides, pensai que, se fizerdes o que fizeram as virgens sábias, sereis chamados, não somente para fazer o cortejo ao Esposo, mas, como a jovem Ester, que foi feita rainha[3] no lugar de Vasti, sereis escolhidos e eleitos como esposas, tendo o Esposo “encontrado em vós toda graça e favor, mais do que em todos os outros.” Eu vos abençôo, a vós que ides. Levai em vós e para vossos companheiros esta minha palavra. A paz do Senhor esteja sempre convosco.

Anotação

Se vos comportardes como virgens prudentes, não só sereis chamadas a acompanhar o Esposo, mas, tal como a jovem Ester, que se tornou rainha em vez de Vasti, sereis escolhidas e eleitas como noivas. Vasti - Vasti significa "amada" em persa. Primeira esposa de Assuero (= Xerxes, 486-465), rei da Pérsia, que a repudiou por se ter recusado a assistir a um banquete (Ester 2, 1-18). Ester é também mencionada em EMV 136.2 e EMV 414.1.

Evangelho de Mateus 25, 1-13

Mt 25,1-13: "Então o Reino dos Céus será semelhante a dez jovens convidadas para um casamento, que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do noivo. Cinco delas eram descuidadas e cinco eram previdentes: as descuidadas levaram as suas lâmpadas sem azeite, mas as previdentes levaram frascos de azeite com as suas lâmpadas. Como o noivo se atrasou, todas adormeceram e adormeceram. A meio da noite, ouviu-se um grito: "Eis o noivo! Saiam ao seu encontro". Então, todas as donzelas acordaram e começaram a preparar as suas lâmpadas. As mais despreocupadas pediram às mais previdentes: "Dêem-nos um pouco do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão a apagar-se". As previdentes responderam: "Isso nunca será suficiente para nós e para vós; ide antes aos mercadores e comprai algum para vós". Enquanto elas iam comprar, chegou o noivo. As que estavam prontas entraram com ele na sala do casamento, e a porta fechou-se. Mais tarde, as outras raparigas entraram e disseram: "Senhor, Senhor, abre-nos a porta!" Ele respondeu-lhes: "Em verdade vos digo que não vos conheço".

Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.

Livro de Ester 2, 1-18

Ester 2, 1-18: Depois disto, quando a cólera do rei Assuero se acalmou, lembrou-se de Vasti, do que ela tinha feito e da decisão que tinha sido tomada a seu respeito. Então os servos do rei, que estavam de serviço com ele, disseram: "Que o rei nomeie oficiais em todas as províncias do seu reino para reunirem todas as donzelas, virgens e de boa aparência, em Susã, a capital, na casa das mulheres, sob a supervisão de Egeu, o eunuco do rei e guardião das mulheres, que providenciará a sua preparação; e que a donzela que agradar ao rei se torne rainha no lugar de Vasti. " O rei concordou e assim o fez.

Em Susã, a capital, havia um judeu chamado Mardoqueu, filho de Jair, filho de Semei, filho de Cis, da raça de Benjamim, que tinha sido levado de Jerusalém entre os cativos deportados com Jeconias, rei de Judá, por Nabucodonosor, rei da Babilónia. Ele criou Edissa, que é Ester, filha de seu tio, pois ela não tinha pai nem mãe. Era uma rapariga bonita e de rosto gracioso; quando o pai e a mãe morreram, Mardoqueu adoptou-a como sua filha.

Quando a ordem do rei e o seu édito foram publicados e um grande número de raparigas se reuniram em Susã, a capital, sob a supervisão de Egeu, Ester também foi tomada e levada para a casa do rei, sob a supervisão de Egeu, o guardião das mulheres. A jovem agradou-lhe e conquistou a sua simpatia; ele apressou-se a fornecer-lhe o necessário para a sua higiene e subsistência, a dar-lhe sete jovens escolhidas da casa do rei, e fê-la passar algum tempo com elas no melhor apartamento da casa das mulheres. Ester não falou do seu povo nem do seu nascimento, porque Mardoqueu a tinha proibido de falar deles. Todos os dias Mardoqueu passeava pelo pátio da casa das mulheres para ver como estava Ester e como era tratada.

E quando chegou o momento de cada rapariga ir ter com o rei Assuero, depois de ter passado doze meses a fazer o que era prescrito para as mulheres - e este era o tempo da sua purificação: durante seis meses purificavam-se com óleo de mirra, e durante seis meses com as especiarias e perfumes usados entre as mulheres - e a rapariga ia ter com o rei, era-lhe permitido levar consigo o que quisesse para ir da casa das mulheres para a casa do rei. Foi para lá ao fim da tarde e, na manhã seguinte, foi para a segunda casa das mulheres, sob a supervisão de Susagaz, o eunuco do rei e guardião das concubinas. Só voltava para junto do rei se este a quisesse e se a chamasse pelo nome.

Quando chegou a sua vez de ir ter com o rei, Ester, filha de Abiail, tio de Mardoqueu, que a tinha adotado como filha, não pediu mais do que aquilo que lhe tinha sido indicado por Egeu, eunuco do rei e guarda das mulheres; mas Ester agradou a todos os que a viram. Ester foi levada para a casa real do rei Assuero no décimo mês, o mês de Tebete, no sétimo ano do seu reinado. O rei amava Ester mais do que qualquer outra mulher, e ela ganhou mais favor e simpatia junto dele do que qualquer outra jovem. Pôs-lhe a coroa real na cabeça e nomeou-a rainha em lugar de Vasti. O rei deu um grande banquete a todos os seus príncipes e servos, o banquete de Ester; deu descanso às províncias e esbanjou generosamente.

EMF 206.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

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O Reino dos Céus é casa dos esponsais feitos entre Deus e as almas. Para as núpcias celestes, são chamados todos os fiéis, porque Deus ama todos os seus filhos. Uns antes, outros depois, chegam ao momento dos esponsais, e chegar a esse momento é uma grande sorte.

EMF 206.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

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É preciso, junto com a humildade, ter sempre limpa a veste. É muito fácil embaçar a pureza do coração. E quem não é puro de coração não pode ver a Deus. A humildade é como uma água que lava. O humilde se dá conta logo, porque tem olhos não embaçados pelas fumaças do orgulho, de estar com suas vestes enodoadas, e corre para o Senhor, e diz: “u tirei a limpeza deste meu coração. Eu choro para limpar-me. A teus pés venho chorar. E tu, ó meu Sol, alveja com os teus benignos perdões, com os teus paternos amores, esta minha veste!”

Detalhe

Jesus conta a parábola das dez virgens e chama a atenção para o facto de elas terem roupas limpas.