EMF 174.20 · Volume 3
O Evangelho como me foi revelado
Citação
Vós tendes uma razão e, se usais dela com justiça, Deus vos dará todas as luzes, para guiar ainda melhor a vossa razão.
Notas do tema
Conforto de leitura
EMF 174.20 · Volume 3
Vós tendes uma razão e, se usais dela com justiça, Deus vos dará todas as luzes, para guiar ainda melhor a vossa razão.
EMF 177.2 · Volume 3
«Tenho um servo doente, Senhor. Ele jaz em minha casa, no seu leito, paralisado por uma doença nos ossos e sofre terrivelmente. Os nossos médicos não o curam. Os vossos, que convidei a vir porque são males que vem dos ares corrompidos destas regiões, e vós as sabeis curar com as ervas do solo pantonoso da praia onde estagnam as águas antes de serem bebidas pelas areias do mar, se recusaram a vir. E sofro por ele, porque se trata de um servo fiel.
– Eu irei e o curarei.
– Não, Senhor. Não peço que faças tanto. Eu sou um pagão, sujeira para vós. Se os médicos hebreus temem contaminar-se ao pôr os pés em minha casa, com mais razão seria contaminação para Ti, que és divino. »
Farisaísmo por parte dos médicos judeus, que receavam contagiar-se ao visitar um romano.
EMF 179.1 · Volume 3
Diz-me Jesus, mostrando-me a correnteza do Jordão, ou melhor, a entrada do Jordão no lago de Tiberíades, no ponto em que se estende a cidade de Betsaida sobre à beira direita do rio para quem olha para o norte:
– Agora a cidade não parece mais estar a beira do lago, mas um pouco adentro, no interior. Isso desorienta os estudiosos. A explicação deve procurar-se no assoreamento do lago por este lado, devido ao humus e aos desmoronamentos depositados pelo rio durante vinte séculos e os aluviões que desceram das colinas de Betsaida. Antes, a cidade era justamente na desembocadura do rio no lago, e até as barcas mais pequenas, nas estações das águas abundantes, iam rio acima por um bom trecho, quase até a altura de Corozaim, e o rio propriamente dito servia de porto e de abrigo em ambas as margens para as barcas de Betsaida, nos dias em que havia alguma tempestade no lago. Isto não é para ti, a quem pouco importa, mas para os doutores difíceis. Agora, adiante!
EMF 180.2 · Volume 3
« Eu era rico e poderoso. Se Deus não tivesse querido me conservar para algum fim seu, eu teria perecido no desespero, ao ser perseguido e leproso. Eu teria me enfurecido contra mim próprio… Mas, ao contrário, sobre o meu desabamento completo desceu uma riqueza nova, que eu nunca antes tinha possuído: a riqueza de uma persuasão: “Deus existe!” Primeiro, Deus… Sim, eu tinha fé, eu era um fiel israelita. Mas era uma fé formal. Parecia que o prêmio da fé fosse sempre inferior às minhas virtudes. Eu me permiti até discutir com Deus, porque me julgava ainda alguma coisa sobre a terra. Simão Pedro tem razão. Eu também estava construindo uma torre de Babel com louvores a mim mesmo e com as satisfações do meu eu. Quando tudo desabou em cima de mim, e me tornei um verme esmagado pelo peso de toda esta inutilidade humana, aí eu não discuti mais com Deus, mas comigo mesmo, com este louco eu, e acabei por demolí-lo. E, quanto mais eu fazia isso, abrindo a estrada para o que eu penso ser Deus imanente em nosso ser de criaturas terrestres, aí eu adquiria uma força, uma riqueza nova. A certeza de que eu não estava só e de que Deus velava pelo homem vencido pelo homem e pelo mal.
– Segundo o teu modo de ver, que é que pensas que é Deus, quando dizes: “o Deus imanente em nosso ser de criaturas terrestres”? Que queres dizer? Eu não te compreendo, dizer isso me parece uma heresia. Deus é aquele que nós conhecemos através da Lei e dos Profetas. Não existe outro –diz, um tanto severo, Judas Iscariotes.
– Se João estivesse aqui, ele te explicaria melhor do que eu. Mas eu vou falar-te como sei. Deus é aquele que conhecemos através da Lei e dos Profetas. É verdade. Mas, em que o conhecemos? Como?
Judas de Alfeu dispara:
– Pouco e mal. Ainda que o conhecessem os Profetas, que sobre ele escreveram para nós. Nós temos de Deus uma ideia confusa que transpira dos escombros do que foi acumulado pelas seitas…
– Seitas? Mas de que estás falando? Nós não temos seitas. Nós somos filhos da Lei. Todos –diz Iscariotes, indignado e agressivo.
– Os filhos das leis. Não da Lei. Há uma pequena diferença. Do singular para o plural. Mas na realidade: nós somos filhos daquilo que criamos, e não daquilo que Deus nos deu –rebate Tadeu.
– As leis nasceram da Lei –diz Iscariotes.
– Também as doenças nascem de nosso corpo, e não me quererás dizer que elas sejam coisas boas –replica Tadeu.
– Mas, deixai-me saber que é que é o Deus imanente do Simão Zelotes.
O Iscariotes, não tendo podido rebater à observação de Judas de Alfeu, procura levar a questão para o ponto de partida.
Fala Simão, o Zelota.
EMF 180.3 · Volume 3
Nosso mal é entender somente a letra, e não o espírito das palavras de Deus.
EMF 181.6-7 · Volume 3
Dos discípulos, que são os campos do mestre, é que vêm os inimigos. E são muitos. O primeiro é satanás. Os outros são os servos dele, isto é, os homens, as paixões, o mundo e a carne. Aí está o discípulo mais fácil de ser atingido por eles, porque ele não está completamente ao lado do Mestre, mas está em cima do muro, entre o Mestre e o mundo. Ele não sabe, não quer separar-se completamente das coisas do mundo, da carne, das paixões e do demônio, para estar completamente com quem o leva para Deus. Sobre ele o mundo e a carne, as paixões e o demônio espalham suas sementes. O ouro, o poder, a mulher, o orgulho, um medo de ser mal julgado pelo mundo e um espírito de utilitarismo. “Os grandes é que são os mais fortes. E por isso eu os sirvo, para tê-los como amigos.” E se tornam delinquentes e condenados por causa de coisas tão mesquinhas!…
Por que o Mestre, que está vendo a imperfeição do discípulo, ainda que não queira render-se a este pensamento: “Este vai ser o meu matador”, não o elimina imediatamente do meio dos discípulos? Isto vós perguntais:
Porque é inútil fazer isso.. Se o fizesse não impediria que ele continuasse seu inimigo e agora dupla e prontamente seu inimigo, pela raiva ou pela dor de ter sido descoberto, ou por ser expulso. Dor. Sim. Porque às vezes o mau discípulo não percebe que o é. É tão sutil a obra do demônio, que ele nem a percebe. Ele fica endemoninhado, sem nem suspeitar de que está sendo submetido a essa operação. Raiva. Sim. Raiva por estar sendo conhecido pelo que realmente é, quando ele não está inconsciente do trabalho de satanás, e de seus adeptos: são os homens que tentam o fraco em suas fraquezas, para tirar do mundo o santo, que, só por sua santidade, comparada às maldades deles, já os ofende. E, então, o santo ora e se abandona a Deus. “O que Tu permites se faça, seja feito”, diz ele. Somente acrescenta esta cláusula: “Contanto que sirva para o teu fim.” O santo sabe que virá a hora em que serão expulsos de suas colheitas os joios daninhos. Por quem? Pelo mesmo Deus, que não permite nada além do que é útil para o triunfo de sua vontade de amor.
181.7
– Mas, se Tu admites que sempre é satanás e os adeptos dele… parece que a responsabilidade do discípulo diminua –diz Mateus.
– Nem penses nisso. Se o Mal existe, existe também o Bem. E existe no homem o discernimento e, com ele, a liberdade.
– Tu dizes que Deus não permite nada além de tudo o que é útil para o triunfo de sua vontade de amor[2]. Portanto, também esse erro é útil, se Ele o permite, e serve para um triunfo da vontade divina
–diz Iscariotes.
– E tu argumentas, como Mateus, que isto justifica o delito do discípulo. Deus havia criado o leão sem ferocidade e a serpente sem veneno. Agora, um é feroz e a outra venenosa. Mas Deus os separou do homem por isso. Medita sobre isso e tira as conclusões.
EMF 181.7 · Volume 3
Se o Mal existe, existe também o Bem. E existe no homem o discernimento e, com ele, a liberdade.
EMF 183.1 · Volume 3
Que dizes (...) ? Não confies demais em ti mesmo. Eu, que sou o Cristo, oro constantemente para ter força contra satanás. Serás tu mais do que Eu? O orgulho é uma fenda pela qual satanás penetra. Sê vigilante e humilde (...).
EMF 184.8 · Volume 3
Sede bons. Vivei em paz uns com os outros. Não murmureis. Não julgueis. Deus, então estará convosco.
EMF 186.4 · Volume 3
A razão natural nos diz que não devemos excitar o sangue com alimentos que conduzem a calores indignos do homem, ao qual não se nega que possa ter um amor, até carnal, mas ele deve temperá-lo sempre com o frescor da alma, que tende para o Céu, e fazer, por isso, um amor, e não uma sensualidade, daquele sentimento que une o homem à companheira, na qual ele deve ver a sua semelhante, e não uma fêmea.