EMF 170.2
O Evangelho como me foi revelado
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EMF 174.9 · Volume 3
Vós já sabeis como Eva se corrompeu, depois Adão, por meio dela. Satanás beijou os olhos da mulher e os seduziu assim, de modo que toda a aparência, até então pura, tornou-a impura, passando a despertar estranhas curiosidades. Em seguida, satanás beijou-lhe os ouvidos e os fez ficar abertos a palavras de uma ciência até então desconhecida: a dele. Também a mente de Eva quis conhecer o que não era necessário. Depois, satanás, aos olhos e à mente despertados para o Mal, mostrou o que antes não tinham visto nem compreendido, e tudo em Eva foi despertado e corrompido e a Mulher, indo ao Homem, revelou-lhe o seu segredo e persuadiu Adão a que provasse do novo belo fruto e que até agora era proibido. Beijou-o com a boca e as pupilas as quais havia então a desordem de satanás. A corrupção penetrou em Adão que viu, através dos olhos, desejando o que era proibido e o mordeu, com a companheira, caindo da grande altura em que estava, na lama.
Quando alguém está corrompido, arrasta o outro para a corrupção, a não ser que o outro seja um santo, no verdadeiro sentido da palavra.
Atentos com os vossos olhares, homens. Tanto com os olhares dos olhos como os da mente. Os olhos, uma vez corrompidos, não podem deixar de corromper o resto. Os olhos são a luz do corpo. Luz do coração é o teu pensamento. Mas, se os teus olhos não forem puros (pela sujeição dos órgãos ao pensamento, os sentidos se corrompem por um pensamento corrompido), tudo em ti ficará ofuscado, e névoas sedutoras criarão em ti fantasmas impuros. Tudo é puro naqueleque tem pensamentos e olhares puros. A luz de Deus desce como senhora onde não há obstáculos postos pelos sentidos. Mas se, por uma decisão, tu educaste os teus olhos a uma visão desordenada, tudo em ti se tornará trevas. Inutilmente olharás até para as coisas mais santas. No escuro, elas não serão mais do que trevas, e tu farás obras das trevas.
Satanás deu um beijo: numa longa nota que ocupa quatro páginas de uma folha de papel dobrada inserida numa cópia dactilografada, Maria Valtorta explica a corrupção do olho e da orelha de Eva. Foium beijo imaterial, uma lição de malícia intelectual destinada a despertar uma curiosidade inicialmente espiritual, tal como a prova proposta por Deus para confirmar Adão e Eva na graça: a obediência ao único mandamento de Deus. Esta curiosidade inicialmente espiritual degenerou depois em curiosidades substanciais que se tornaram cada vez mais pesadas e bestiais.
Depois de descrever a condição original de Eva , que conhecia Deus com justiça, se via e se conhecia na sua parte superior como filha de Deus, mas se ignorava na sua parte inferior como criatura animal, a nota continua: Satanás, sob a forma de serpente, atraiu a mulher incauta, fascinou-a como a serpente costuma fazer, transformou o seu encanto astucioso num veneno mortal que obscureceu a visão espiritual e a inteligência da mulher; depois, com lascívia e toda a espécie de insinuações, revelou a mulher a si própria. Então Eva viu-se tão poderosa como Deus, como se se tivesse livrado da marca de toda a criatura: ter de obedecer a tudo o que Deus manda e fazer apenas o que Deus permite. Depois de ter rejeitado esta marca para ser "como Deus", entrou nela a concupiscência espiritual de "poder fazer tudo". Daí nasceu o desejo intelectual de "saber tudo": o bem e sobretudo o mal que Deus a proibiu de conhecer. Pelo contrário, a Serpente encorajou-a a fazê-lo, porque só através do conhecimento pleno do bem e do mal é que Adão e ela se tornariam "como deuses", tornariam o seu sangue e a sua descendência imortais pela sua própria capacidade; chegou mesmo a oferecer-se como mestre para lhes permitir saber tudo. E Eva aceitou-o como seu mestre.
A concupiscência intelectual, filha da concupiscência espiritual, deu origem à concupiscência carnal. E Eva, que já tinha usado a visão e a audição para o mal, quis usar também o tato, conhecendo o fruto misterioso, o olfato, inalando a sua essência inebriante, e o paladar, mordendo a casca de um novo conhecimento para saborear o seu sabor desconhecido. Foi então que surgiu nela um apetite concupiscente para consumir completamente o que mal tinha experimentado: de facto, agora privada da graça, da sua inocência e integridade, o que era mau parecia-lhe bom, e ela já não conseguia manter a sua sensualidade sob a sujeição da razão. Ela conhecia-se a si própria, conhecia e queria que o seu companheiro o conhecesse: foi ter com ele com más intenções, levou-o a desprezar o mandamento de Deus, tentou-o a morder o que ela tinha mordido primeiro. Depois de o ter tornado semelhante a ela na luxúria e na malícia, persuadiu-o a consumir o que era proibido, porque isso lhe proporcionava um novo prazer imediato e um poder futuro de ser semelhante a Deus, criando eles próprios novos homens na terra, através de leis naturais comuns aos animais e diferentes das que Deus tinha estabelecido.
A nota conclui: As duas escadas de Satanás visam transformar o homem, este filho de Deus, num animal, e o Filho único de Deus fez do homem um pecador. A primeira desce do espírito para a carne e "conseguiu" através da queda fatal. O segundo ascendeu da carne ao espírito e "falhou" pela seguinte razão: o desígnio satânico de induzir o messias ao pecado e, assim, destruir para sempre qualquer possibilidade de regeneração do homem à sua condição de filho de Deus, serviu, graças à perfeição do Homem-Deus, para confirmar Cristo na sua graça de homem e, portanto, no seu poder de Messias, causa da salvação eterna para os descendentes redimidos de Adão.
Livro do Génesis 3, 6
Gn 3, 6 : Quando a mulher viu que o fruto da árvore era bom para comer, agradável à vista e desejável para o entendimento, tomou do fruto e comeu; deu também a seu marido, que estava com ela, e ele comeu.
EMF 180.3 · Volume 3
– Os nossos sentidos sempre precisam de um termo para compreenderem uma ideia. Cada um de nós, falo de nós que cremos, crê por força de fé no Altíssimo, Senhor e Criador, Deus Eterno que está no Céu. Mas todos os seres também precisam desta fé nua, virgem, incorpórea, que é suficiente para os anjos, que vêem e amam a Deus espiritualmente, compartilhando com Ele a natureza espiritual, tendo a capacidade de ver a Deus. Mas nós precisamos criar para nós uma figura de Deus, figura essa que é feita das qualidades essenciais que damos a Deus, para podermos dar, então, um nome à sua perfeição absoluta, infinita. Quanto mais a alma se concentra, mais consegue chegar à exatidão no conhecimento de Deus. Eis aqui o que eu digo: o Deus imanente. Eu não sou um filósofo. Talvez tenha usado mal a palavra. Mas, em resumo, para mim o Deus imanente é o sentir, perceber Deus em nosso espírito, sentí-lo e percebê-lo, já não mais como uma ideia abstrata, mas como uma real presença, doadora de uma fortaleza e de uma paz nova.
– Está bem. Mas como é que o sentias? Que diferença há entre sentir pela fé e sentir pela imanência? –pergunta, um pouco irônico, Iscariotes.
– Deus é segurança, rapaz. Quando tu o sentes, como diz Simão com aquela palavra que eu não entendo literalmente, mas cujo sentido eu entendo — e podes crer que o nosso mal é entender somente a letra, e não o espírito das palavras de Deus — quer dizer que consegues captar, não só o conceito da majestade terrível, mas da paternidade dulcíssima de Deus. Quer dizer que percebes o seguinte: quando todo o mundo te julgar e condenar com injustiça, Um só, Ele, o Eterno que é Pai, não te julgará, mas te absolverá e consolará. Quer dizer que sentes que, quando o mundo todo te odeiar, tu sentirás em ti um amor maior do que o mundo todo. Quer dizer que, mesmo estando segregado em um cárcere, ou em um deserto, sentirás sempre que Um te fala, e te diz: ‘Sejas santo, para que sejas como o teu Pai.’ Quer dizer que pelo amor para com este Deus Pai, que finalmente se chega a sentir tal, se aceita, se trabalha, se toma ou se deixa, sem medidas humanas, pensando somente em pagar amor com amor, em copiar ao mais próximoDeus com suas próprias ações –diz Pedro.
– Tu és um soberbo! Copiar Deus! Isso não te é permitido –sentencia Iscariotes.
– Não é soberba. O amor leva à obediência. Copiar Deus me parece um modo de obedece-lhe, pois Deus diz que nos fez à sua imagem e semelhança –replica Pedro.
– Ele nos fez. Nós não devemos ir acima disso.
– És um infeliz se pensas assim, caro rapaz. Tu te esqueces de que nós somos decaídos e que Deus quer recolocar-nos no ponto em que estávamos.
180.4
Jesus toma a palavra:
– Ainda mais do que isso, Pedro, Judas e vós todos. Ainda mais. A perfeição de Adão era ainda suscetível de crescimentopelo amor que o teria levado à imagem sempre mais exata do seu Criador. Adão, sem a mancha do pecado, teria sido como um limpidíssimo espelho de Deus. Por isso, Eu digo: “Sede perfeitos, como perfeito é o Pai que está nos Céus.” Como o Pai. Portanto, como Deus. Pedro falou muito bem. Simão falou muito bem também. Eu vos peço que vos recordeis das palavras deles e as apliqueis às vossas almas.
Simão, o Zelota, exprime uma das suas reflexões sobre Deus. O amor, o orgulho, a obediência e a redenção são abordados no final da nota.
EMF 203.6 · Volume 3
“Pai nosso.”
Eu o chamo “Pai.” Pai, Ele é do Verbo, Pai é do Encarnado. Assim quero que o chameis, porque vós sois Um comigo, se permanecerdes em Mim. Houve um tempo em que o homem devia jogar-se de rosto no chão, para suspirar, por entre temores de espanto: “Deus!” Quem não crê em Mim e em minha palavra, ainda está neste temor paralisante… Observai no Templo. Não Deus, mas até a lembrança de Deus está escondida aos olhos dos fiéis, atrás de um tríplice véu. Separações por distância, separações por véus, tudo foi usado e aplicado para dizer a quem reza: “Tu és barro. Ele é Luz. Tu és abjecto. Ele é Santo. Tu és escravo. Ele é Rei.”
Mas agora!… Levantai-vos! Aproximai-vos! Eu sou o Sacerdote Eterno. Eu posso tomar-vos pela mão e dizer: “Vinde.” Eu posso agarrar os véus da tenda e abri-las, escancarando as portas do lugar inacessível, e até agora fechado. Fechado? Por quê? Fechado pela culpa, sim. Mas, mais fechado ainda pelo pensamento aviltado dos homens. Por que fechado, se Deus é Amor, se Deus é Pai? Eu posso, Eu devo, Eu quero levar-vos não para o pó, mas para o azul; não para longe, mas para perto; não em vestes de escravos, mas de filhos, sobre o coração de Deus. “Pai! Pai”, vós dizeis. E não vos canseis de dizer esta palavra. Não sabeis que, cada vez que a dizeis, o Céu cintila pela alegria de Deus? Não diríeis que nesta oração, feita com verdadeiro amor, já teríeis feito a oração agradável ao Senhor? “Pai! Meu Pai! dizem os pequenos a seu pai. É a palavra que aprendem a dizer primeiro: “Mãe, pai.” Vós sois os pequeninos de Deus. Eu vos gerei do velho homem que éreis e que Eu destruí com meu amor, para fazer nascer o homem novo, o cristão. Chamai, pois, com a primeira palavra que os pequeninos conhecem e falam, ao Pai Altíssimo, que está nos Céus.
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