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Notas da palavra-chave

Riqueza espiritual

Tema: Virtudes, qualidades cristãs e qualidades humanas · Página 2 de 3

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EMF 170.6

O Evangelho como me foi revelado

Tradução em curso

Palavras-chave

EMF 173.2-4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

173.2 – A paz esteja com todos vós!

Ontem Eu falei da oração, do juramento, do jejum. Hoje quero instruir-vos sobre outras perfeições, que também são oração, confiança, sinceridade, amor, religião.

A primeira, de que hoje falo é sobre o justo uso das riquezas, a serem transformadas, pela boa vontade do servo fiel, em muitos outros tesouros no Céu. Os tesouros da terra não duram. Mas os tesouros do Céu são eternos. Vós amastes o que é vosso? Ficais tristes por terdes que morrer, e não poderdes mais cuidar de vossos bens, tendo que deixá-los? Então, transportai-os para o Céu! Vós dizeis: “No Céu não entra o que é da terra, e Tu nos ensinas que o dinheiro é a coisa mais suja da terra. Como, então poderemos transportá-lo para o Céu?” Não. Não podeis transportar as moedas, que são coisas materiais, para o Reino, onde tudo é espiritual. Mas podeis levar convosco o fruto das moedas. Quando dais a um banqueiro o vosso ouro, por que o fazes? Para que possa produzir frutos. Certamente não quereis privar-vos dele, nem mesmo momentaneamente, nem quereis que o banqueiro vo-lo entregue tal qual o recebeu. Mas vós quereis que sobre dez talentos ele vos entregue dez mais um, ou até mais. Se for assim, ficais felizes, e falais bem do banqueiro. Se não for assim, vós dizeis: “Ele é um homem honesto, mas é um tolo.” E, se acontecer que, em vez de dez mais um, ele vos entregue nove, dizendo “Eu perdi o resto”, vós o denunciais, e o colocais na cadeia.

Donde provém o fruto do dinheiro? Por acaso o banqueiro semeia o vosso dinheiro para fazê-lo crescer? Não. O fruto provém de um acertado manejo dos negócios, de tal modo que, por meio de hipotecas ou empréstimos a juros, o dinheiro aumente no ágio justo pedido em favor do ouro emprestado. Não é assim? Pois bem. Então ouvi: Deus vos dá riquezas terrenas. A alguns dá muitas, a outros dá somente aquelas de que precisam para viver, e vos diz: Agora é contigo. Eu as dei. Usa delas como meio para chegares a um fim, como o meu amor o deseja, para o teu bem. Eu as confio a ti. Não para que delas faças um mal. Pela estima que tenho por ti, por reconheceres os meus dons, faze que os teus bens frutifiquem para a verdadeira Pátria.

173.3 E está aí o método para se chegar a esse fim.

Não queirais acumular os vossos tesouros na terra, vivendo por eles, sendo cruéis, malditos pelo próximo e por Deus por causa deles. Não vale a pena. Eles estão sempre sem segurança na terra. Os ladrões sempre podem roubar-vos. O fogo pode destruir vossas casas. As doenças nas plantas e nos rebanhos podem acabar com o vosso gado e os vossos pomares. Quantas coisas perseguem os vossos bens. Ainda que eles sejam imóveis e inatacáveis, como as casas e ouro, podem estar sujeitos a se deteriorarem, como todos os seres vivos, os vegetais e os animais. Por mais que sejam estofos preciosos, estão sujeitos à desvalorização. Um raio que cai nas casas, o fogo e a água. Os ladrões, a ferrugem, a seca, os roedores, os insetos nas lavouras; a vertigem dos cavalos, as febres, os desconjuntamentos das pernas e a peste dos animais, traças e camundongos nos tecidos preciosos e nos móveis de estimação; a erosão produzida pela oxidação das vasilhas, dos lustres e grades artísticas; tudo, tudo está sujeito a deteriorização.

Mas, se vós fazeis um bem sobrenatural, de todos estes bens terrenos, logo ele fica a salvo de toda a deteriorização do tempo, dos homens e das intempéries. Fazei para vós tesouros no Céu, lá onde não entram ladrões, e onde não acontecem desventuras. Trabalhai com amor misericordioso com todas as misérias da terra. Acariciai as vossas moedas, e até beijai-as, se quiserdes, alegrando-vos com as colheitas que melhoram, com os vinhedos carregados de cachos, com as oliveiras que se inclinam sob o peso de numerosíssimas azeitonas, com as ovelhas de seios fecundos e mamas cheias. Fazei tudo isso. Mas, não de modo estéril, não de modo humano. Fazei-o com amor e admiração, com gozo e com a mentalidade sobrenatural.

“Obrigado, meu Deus pelas moedas, colheitas, plantas, pelas ovelhas, pelos negócios. Obrigado, ovelhas, plantas, prados, negócios, que me servis tão bem. Sede benditos todos, porque por tua bondade, ó Eterno, e por vossa bondade, ó coisas, é que eu posso fazer tanto bem a quem tem fome, a quem está nu, a quem não tem casa, a quem está doente, sozinho…. No ano passado eu fiz o bem por dez. Neste ano — mesmo que eu tenha dado muito em esmolas, tenho ainda mais dinheiro e minhas colheitas foram mais gordas e os meus rebanhos, mais numerosos — eu, então, darei duas, três vezes o que eu dei no ano passado. Do mesmo modo que todos, até os privados de seus próprios bens, participem da minha alegria, e gozem e bendigam comigo a Ti, Senhor Eterno.” Esta é a oração do justo. A oração unida à ação, que transporta os vossos bens para o Céu. Não só vo-los conserva para sempre, mas vos faz encontrá-los, aumentados pelos frutos santos do amor.

Tende o vosso tesouro no Céu, para que tenhais o vosso coração além do perigo, pois não somente o ouro, as casas os campos e os rebanhos podem passar por desventuras, mas o vosso coração pode ser insidiado, despojado, queimado e morto pelo espírito do mundo. Se assim fizerdes, tereis vosso tesouro em vosso coração, porque tereis Deus em vós, até o feliz dia no qual estareis n’Ele.

173.4 Mas, para não diminuir o fruto da caridade, tomai cuidado em serdes caridosos, com espírito sobrenatural. Como Eu disse da oração e do jejum, assim digo da beneficência e de todas as outras boas obras que possais fazer.

Conservai o bem que fazeis longe da violação pela sensualidade do mundo, conservai-o virgem dos louvores humanos. Não profaneis a rosa perfumada pela vossa caridade e boas obras, verdadeiro turíbulo de perfumes agradáveis ao Senhor. O que profana o bem é o espírito de soberba, o desejo de serdes vistos fazendo o bem e a procura de elogios. A rosa da caridade fica contaminada e corroída pelas grandes lesmas viscosas do orgulho satisfeito, e no turíbulo caem palhas fedorentas da liteira na qual o soberbo se pavoneia, como um animal bem alimentado.

Oh! Aquelas beneficiências feitas só para dar o que falar! Pois, melhor mesmo, teria sido não fazê-las! Quem não as faz, peca por dureza de coração. E quem as faz, querendo que seja conhecida a importância que deu e o nome de quem a recebeu, está pedindo a esmola de um louvor, e peca por soberba, tornando conhecida a sua oferta, como se dissesse: “Estais vendo quanto eu posso?”; peca por falta de caridade, porque humilha o beneficiado, tornando o seu nome conhecido; e peca por avareza espiritual, querendo acumular elogios humanos… que são palhas, palhas, nada mais do que palhas Fazei que Deus e os seus anjos vos louvem.

Vós, quando derdes esmola, não fiqueis tocando a trombeta em vossa frente, para chamar a atenção dos que estão passando e para serdes elogiados, como os hipócritas que querem ser aplaudidos pelos homens e por isso só dão esmolas onde possam ser vistos por muitos. Estes já receberam a sua recompensa, e não receberão a de Deus. Não incorrais na mesma culpa e na mesma presunção. Mas, quando derdes esmola, que não saiba a vossa mão esquerda o que a direita está fazendo, porque a vossa esmola escondida e discreta há de ser. e, depois esquecei-vos dela. Não fiqueis olhando continuamente para vós mesmos, depois de terdes feito aquele ato, inchando-vos com ele, como faz o sapo, que se olha nas águas do brejo, com olhos anuviados, e vendo refletidos na água parada as nuvens, as árvores e o carro parado perto da margem, vendo-se tão pequeno, diante de todas aquelas coisas, começa a encher-se de ar, até estourar. Também a caridade que fizestes não é nada, em comparação com a infinita Caridade de Deus. E, se quisésseis tornar-vos semelhante a Ele e tornar grande a vossa pequena caridade, para igualar-se à dele, vos encheríeis do vento do orgulho, e acabaríeis perecendo.

Esquecei-vos disso. Até do ato em si mesmo, esquecei-vos. Estará sempre presente uma luz, uma voz, um mel, e vos tornará o dia luminoso, doce e feliz. Porque aquela luz será o sorriso de Deus, aquele mel será paz espiritual, que também é Deus, e aquela voz é a voz de Deus-Pai que vos dirá “Obrigado.” Ele vê o mal oculto e vê o bem escondido, e vos dará a recompensa,

EMF 173.7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Não há rico mais rico nem seguro mais seguro do que o santo. Deus está com ele. E o santo está com Deus. Para o seu corpo não pede nada e Deus o provê do necessário. Mas ele trabalha para o seu espírito, e Deus se dá a Si Mesmo a ele aqui neste mundo, e lhe dá o Paraíso, depois desta vida.

EMF 206.9-10 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Já tendo ido embora os nossos pobres amigos, que tinham necessidade de muito conforto em sua esperança, ou melhor, em sua certeza de que basta saber pouco para serem admitidos no Reino, de que basta um mínimo de verdades com as quais a boa vontade trabalha, Eu agora me dirijo a vós, muito menos infelizes, porque estais em condições materiais muito melhores e com maiores auxílios do Verbo. O meu amor vai a eles, só com o pensamento. Mas aqui ,a vós, o meu amor vem também com a palavra. Por isso, vós estais sendo tratados na terra como no Céu, com maiores exigências, porque a quem mais foi dado, mais dele será exigido. Eles, os nossos pobres amigos, que estão de volta às suas galés, não podem ter senão um mínimo de bens, mas têm, em compensação, um máximo de dores. Por isso são somente para eles as promessas de benignidade, já que qualquer outra coisa para eles seria supérflua. Em verdade, Eu vos digo que a vida deles é penitência e santidade e que nada mais lhes deve ser imposto. Também, em verdade Eu vos digo que, semelhantes às virgens sábias, eles não terão deixado que se apaguem suas lâmpadas, até que chegue a hora do chamado.

Deixá-la apagar-se? Não. A luz delas é todo o bem deles. Eles não podem deixá-la apagar-se.

206.10

Em verdade, Eu vos digo que, assim como Eu estou no Pai, os pobres estão em Deus. É por isso que Eu, o Verbo do Pai, quis nascer pobre, e viver pobre. Porque, entre os pobres, Eu me sinto mais próximo do Pai, que ama os pequeninos e é amado por eles com todas as suas forças. Os ricos têm muitos amigos. Os pobres vivem sozinhos. Os ricos têm muitas consolações. Os pobres não tem consolações

Os ricos têm muitos divertimentos. Os pobres só têm trabalho. Os ricos têm o dinheiro, que lhes torna tudo fácil. Os pobres, além de tudo, ainda têm que levar a cruz, que é o temor das doenças e da carestia, que para eles só trazem a fome e a morte. Mas os pobres tem Deus consigo. Ele é amigo deles. É o consolador deles. É Ele quem os consola com as esperanças do Céu, quando eles sofrem as penas do momento presente. É Ele a quem eles podem dizer — e o sabem dizer, e o dizem justamente porque são pobres, humildes e sós —: ‘Socorre-nos, ó Pai, com a tua misericórdia.’

Tudo o que Eu estou dizendo aqui nesta terra de Lázaro, meu amigo e amigo de Deus, se bem que ele seja tão rico, pode até parecer estranho. Mas Lázaro é uma exceção entre os ricos. Lázaro chegou a ter aquela virtude, muito difícil de ser encontrada na terra e ainda mais difícil de ser praticada para ensinamento dos outros. A virtude de estar livre das riquezas. Lázaro é justo. Lázaro não se ofende. Ele não pode ofender-se, porque sabe que ele é o rico-pobre e por isso não é atingido pela minha velada censura. Lázaro é justo e reconhece que no mundo dos grandes as coisas são como Eu digo. Por isso, Eu falo e digo: em verdade, em verdade, Eu vos digo que é muito mais fácil que esteja em Deus um pobre do que um rico. E, no Céu do meu e vosso Pai, muitos lugares vão ser ocupados por aqueles que na terra foram desprezados porque eram tão miúdos como grãos de poeira em que pisamos.

Os pobres conservam no coração as pérolas, que são as palavras de Deus. Elas são o seu único tesouro. Quem tem uma só riqueza toma todo o cuidado com ela. Quem tem muitas, vive aborrecido e desatento, e se torna soberbo e sensual. Por tudo isso, ele não admira com olhos humildes e cheios de amor o tesouro que Deus lhe deu, mas o confunde com outros tesouros, que são preciosos só na aparência, tesouros que são as riquezas desta terra, e fica pensando: “Já é muito o que eu faço, ao ficar ouvindo as palavras de um que é carne e ossos como eu!” E os sabores das sensualidades fazem ficar obtusa a sua capacidade de saborear o que é sobrenatural. Fortes sabores!… Sim, mas o que eles são é muito bem temperados, para misturar tudo com seu fedor e sabor de podridão…

Detalhe

Jesus fala dos camponeses de Yokhanan, que não têm nada e estão sob as ordens de um patrão cruel. A partir daí, dá uma lição sobre a pobreza e a libertação das riquezas.

Anotação

Evangelho de Lucas 12, 48

Lc 12, 48 : A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, mais será exigido.

EMF 212.2 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Mas Cristo se refugia nos corações fiéis e de lá olha, de lá fala, de lá abençoa a Humanidade, e depois… e depois se dá a esses corações e eles atingem o Céu com sua bem-aventurança, ainda que permaneçam aqui, mas incendiando-se, até terem com isto um delicioso tormento em todo o seu ser: nos sentidos e nos órgãos, nos sentimentos e no pensamento e, finalmente, no espírito… Lágrimas e sorrisos, gemidos e canto, o desfalecimento e até uma pressa de viver são os nossos companheiros, mais do que companheiros, são o nosso próprio ser, porque, como os ossos estão na carne, e as veias e os nervos por baixo da epiderme, e tudo faz um só homem, assim, igualmente, todas essas coisas incendiadas, nascidas por ter-se dado Jesus a nós, estão em nós, na nossa pobre humanidade. E, que somos nós, naqueles momentos que não poderiam durar para sempre, porque, se durassem mais do que aquele tanto, morreríamos queimados e despedaçados? Nós não somos mais homens. Não somos mais os animais dotados de razão, que vivem sobre a terra.. Somos, somos, ó Senhor! Deixa que eu o diga uma vez, não por soberba, mas para cantar as tuas glórias, porque o teu olhar me queima, e me faz delirar…E, então, nos tornamos serafins. E por que de mim não saem chamas e ardores sensíveis para as pessoas e a matéria, assim como é nas aparições dos condenados? Por que, se é verdade que o fogo do inferno é tão forte, que, só um reflexo, saído de um condenado, pode queimar a madeira e derreter os metais, que não será o teu fogo, ó Deus, que tens tudo o que há de infinito e perfeito?

Não morremos de febre, não nos queimamos com ela, não nos consumimos de febre pelos males da carne. Tu é que és nossa febre, ó Amor. E com este nos queimamos, com este morremos, com este nos consumimos, com este e por este se dilaceram as fibras do coração, que não pode resistir a tudo isso. Mas, eu disse mal, porque o amor é um delírio, o amor é uma cascata que arrebenta os diques, e desce derrubando tudo o que não é ele, o amor é um apinhar-se de sensações, todas elas verdadeiras, na mente, todas presentes, mas nossa mão não pode transcrevê-las, de tão rápida que é a mente em traduzir o pensamento e os sentimentos que o coração experimenta. Não é verdade que morremos. Nós vivemos. E de uma vida decuplicada. De uma vida dupla, vivendo como homens e como bem-aventurados: a vida da terra e a vida do Céu. Alcança-se e se supera, Oh! disso estou certa, uma vida sem defeitos, sem diminuições nem limitações que Tu, Pai, Filho e Espírito Santo, Tu, Deus Criador, Uno e Trino, tinhas dado a Adão, como um prelúdio da vida depois da assunção a Ti, para gozar no Céu, depois de uma tranquila passagem do Paraíso Terrestre para o Celeste, e uma passagem feita nos amorosos braços dos anjos, assim como foi o doce sono e o doce surgir de Maria ao Céu, para ir a Ti, a Ti, a Ti! Vivemos a verdadeira vida.

E depois nos encontramos aqui e nos envergonhamos de ter andado por tantos outros lugares, e dizemos: “Senhor, eu não sou digno de tudo isso. Perdoa, Senhor”, e batemos no peito, porque aterrorizados pelo temor de termos tido soberba, e descemos um véu mais espesso sobre o esplendor que, se não continua a chamejar de novo, com um ardor poderoso, por ter dó do nosso ser limitado, recolhe-se, porém, ao centro do nosso coração, pronto a reinflamar-se poderoso para um novo momento de bem-aventurança querida por Deus. Desce-se o véu sobre o Sacrário, onde está Deus ardente em seus fogos, em suas luzes, em seus amores… e extenuados e também regenerados, recomeçamos a andar como…embriagados por um vinho forte e suave, que não torna obtusa a nossa razão, mas nos preserva de ter olhos e pensamentos para o que não seja o Senhor, Tu, meu Jesus, anel de união entre a nossa miséria e a Divindade, meio de redenção para a nossa culpa, Criador de felicidade para a nossa alma, Tu, Filho que, com tuas mãos feridas, colocas as nossas mãos entre as mãos espirituais do Pai e do Espírito, para que estejamos em Vós, agora e sempre. Amém.