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Notas do tema

A Virgem Maria no Protévangile e no Evangelho da Infância

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EMF 27.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

27.1 Vejo ainda a casa de Nazaré e o pequeno quarto onde habitualmente Maria toma as suas refeições. Agora ela está trabalhando em uma tela branca. Pára seu trabalho para acender um candeeiro, porque a tarde vem chegando, e ela não está mais enxergando bem, com essa luz esverdeada que está entrando pela porta semi-aberta, do lado do pomar. Maria também fecha a porta.

Vejo como já está volumosa de corpo. Mas ainda muito bonita. Seu passo é sempre ligeiro, e gentis são todos os seus gestos. Não há nada daquele peso próprio da mulher, que está perto de dar à luz. Só no rosto é que ela está mudada. Agora é “a mulher.” Antes, no tempo da Anunciação, era uma jovenzinha de rosto sereno e inocente: um rosto inocente de criança. Depois, na casa de Isabel, no momento do nascimento do Batista, seu rosto já se apresentava com uma graça mais madura. Agora é um rosto sereno, mas docemente majestoso, da mulher que atingiu sua plena perfeição na maternidade.

Não faz lembrar mais a sua querida “Annunziata” de Florença, pai. Quando eu era pequena, a reconhecia ali.

Agora, o rosto está mais longo e magro, e os olhos mais pensativos e maiores. Em suma, é como Maria hoje no Céu. Porque ela retomou o aspecto e a idade do momento em que nasceu o Salvador.

A sua eterna juventude, a qual não só não conheceu a corrupção mortal, mas nem mesmo murchou com o passar dos anos. O tempo não teve ação sobre ela, a nossa rainha e mãe do Senhor, que criou o tempo. Nos tormentos da Paixão (tormentos que começaram para ela muito antes, pois eu diria que começaram desde o início da evangelização de Jesus) ela apareceu envelhecida, mas esse enve­lhecimento era como um véu colocado pela dor sobre a sua incorruptível pessoa. De fato, desde o momento em que reencontra Jesus ressuscitado, ela se torna novamente a criatura cheia de vida e perfeita, que era antes da Paixão, como se tendo beijado as Santíssimas Chagas, tivesse bebido nelas um elixir de juventude, que anulou a ação do tempo e, mais ainda do que isto, anulou a ação da dor. Também há oito dias que eu vi a descida do Espírito Santo, no dia de Pentecostes, vi Maria “extraordinariamente bela, e de repente rejuvenecida”, como escrevi, e como tinha escrito antes: “Ela parece um anjo azul.” Os anjos não conhecem velhice. São eternamente belos com eterna juventude, do eterno presente que é Deus e que eles refletem em si.

A juventude angélica de Maria, o anjo azul, se completa e atinge a idade perfeita (idade que ela levou consigo para os céus, e que conservará para sempre em seu santo corpo glorificado, quando o Espírito adorna a sua esposa, coroando-a diante dos olhos de todos) Agora ela não está mais no segredo de um quarto desconhecido pelo mundo, sendo testemunhada apenas por um arcanjo.

Quis fazer esta digressão, porque me pareceu necessária. Agora volto à descrição.

Maria, pois, tornou-se verdadeiramente “mulher”, cheia de dignidade e de graça. Até seu sorriso é diferente, por sua doçura e majestade. Como é bela!

Detalhe

Descrição física de Marie

EMF 29.2-3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

29.2 Um pouco de luar está entrando por uma fenda do teto, e parece a lâmina de alguma prata imaterial, que vai-se aproximando de Maria. A lâmina vai-se alongando, à medida que a lua vai ficando mais alta no céu e, finalmente a alcança. Agora, já está sobre a cabeça da orante, ornando-a com uma auréola de luz.

Maria levanta a cabeça, como se tivesse sido chamada por uma voz do céu, e se põe de novo de joelhos. Oh! Como é belo aqui. Maria ergue de novo a cabeça, que parece estar brilhando, à luz branca da lua, e um sorriso não humano a transfigura. Que é que ela estará vendo? Que estará ouvindo? Que estará experimentando? Somente Ela poderia dizer o que está vendo, ouvindo e o que experimentou na hora esplendorosa de sua maternidade. Eu vejo apenas a luz crescendo sempre mais, ao redor dela. Parece descer do Céu, saindo das pobres coisas que estão ao redor, e parece emanar dela mesma, ainda mais.

Sua veste, de um azul escuro, parece agora de um suave celeste de miosótis. Suas mãos e seu rosto parecem ficar de um azul muito delicado, como os de alguém que fosse colocado sob o foco de uma imensa safira clara. Esta cor, ainda mais tênue, me faz lembrar as cores das minhas visões do santo Paraíso, e também a cor da chegada dos Magos, uma cor que vai-se difundindo sobre as coisas e as vestes, purificando tudo, e tornando-as resplandecentes.

A luz, que se desprende sempre mais do corpo de Maria, absorve a luz da lua, e parece que ela atraia a si toda a luz do Céu. Agora ela é a depositária da Luz. É ela que deve dar esta Luz ao mundo. E esta Luz beatífica, incontrolável, imensurável, eterna e divina, está para ser dada, e se anuncia como uma luz de aurora crescendo, um coro de átomos aumentando, a maré subindo, a nuvem do incenso espalhando-se, para descer depois como uma enchente e estender-se como um véu…

O teto, cheio de fendas, teias de aranha, entulhos que em cima se estendem para a frente, estão em equilíbrio por um milagre da estática, esse teto que antes era tão enegrecido, enfumaçado e repelente, está parecendo agora o teto de uma sala real. Cada uma das grandes pedras é um bloco de prata, cada fenda é um lampejar de opalas, cada teia de aranha é um baldaquim precioso, confeccionado com prata e diamantes. Uma lagartixa grande e verde, que está dormindo em letargia entre duas pedras, parece um colar de esmeraldas esquecido por alguma rainha. Um cacho de morcegos, também em letargia, parece um precioso lampadário de ônix. O feno, que está na manjedoura de cima, já não é mais uma erva: são fios e mais fios de prata pura, que tremulam no ar com a graça de uma cabeleira solta.

A manjedoura de baixo está com sua madeira de cor escura transformada em bloco de prata brunida. As paredes estão cobertas de um brocado no qual a alvura da seda desaparece sob o bordado opalino do relevo, e o solo… o que é o solo agora? É um cristal que possui luz branca acesa em si mesmo. As saliências são como rosas de luz projetadas em homenagem ao solo; e os próprios buracos são vasos preciosos, de onde devem emanar aromas e perfumes.

29.3 A luz vai-se tornando cada vez mais forte. Ela fica insuportável para a vista. A virgem desaparece nela, como se estivesse sendo absorvida por um véu incandescente… e dele surge a mãe.

Sim. Quando a luz volta a ser suportável aos meus olhos, vejo Maria com o Filho recém-nascido nos braços. Um pequenino, todo róseo e gorducho, que agita os braços e esperneia. Tem as mãozinhas do tamanho de botões de rosa e seus pezinhos caberiam na corola de uma rosa. Ele solta vagidos com sua vozinha trêmula, como a de um cordeirinho que acaba de nascer, abrindo a boquinha, que mais parece um moranguinho selvagem, e mostrando a linguinha que bate repetidamente contra o véu palatino. Move a cabecinha loira, que me parece quase sem cabelos, essa cabecinha redonda que a mamãe sustenta na palma de sua mão, enquanto olha o Menino e o adora, chorando e rindo ao mesmo tempo, e se inclina para beijá-lo não em sua cabecinha­, mas em seu peito, onde está batendo seu coraçãozinho, batendo por nós… é nesse coração em que um dia haverá uma ferida. E Maria, com antecipação, já medica tal ferida, com seu beijo imaculado de mãe.

O boi, despertado pela claridade, levanta-se, fazendo um grande barulho com seus cascos, e muge, enquanto o burrinho vira a cabeça e urra. É a luz que os desperta, mas eu gosto de pensar que eles quiseram saudar o seu Criador, por si mesmos, mas também por todos os animais.

EMF 29.7

O Evangelho como me foi revelado

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Negando-me a quaisquer esponsais pelo voto de virgindade, eu tinha rejeitado todo prazer de concupiscência, e merecido a graça de Deus.

EMF 31.6

O Evangelho como me foi revelado

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Eu tinha todos os dons de Deus, na minha condição de imaculada. Embora não o soubesse, na minha alma esses dons eram ativos e me davam forças espirituais.

EMF 32.1-6

O Evangelho como me foi revelado

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32.1 Vejo sair de uma casinha muito modesta um casal de pessoas. De uma pequena escada externa desce uma mãe muito jovem com um menino nos braços, envolvido em um pano branco.

Reconheço esta nossa mamãe. É sempre ela, pálida e loira, elegante e tão gentil em tudo o que faz. Está vestida de branco, com um manto azul claro, no qual se envolve. Na cabeça traz um véu branco. Vai levando com todo o cuidado o seu Menino.

Aos pés da escadinha, José a espera, ao lado de um burrinho cinzento. José está todo vestido de cor marrom claro, tanto na túnica, como no manto. Ele olha para Maria, e lhe sorri. Quando Maria chega perto do burrinho, José passa a rédea do animal por baixo do braço esquerdo e segura, por um momento, o Menino, que está dormindo tranqüilo, para que Maria possa acomodar-se melhor na sela. Depois ele lhe devolve Jesus, e põem-se a caminho.

José vai ao lado de Maria, segurando sempre o animal pela rédea, e prestando atenção para que este vá sempre direito, e sem tropeçar. Maria está com Jesus no colo e, como por temor de que o frio lhe possa fazer mal, estende sobre ele um dos lados de seu manto. Os dois esposos falam pouco, mas sorriem um para o outro freqüentemente.

A estrada, que está longe de ser um modelo de estrada, vai-se estendendo pelo meio de um campo que, nesta estação do ano, está vazio. Um ou outro viajante passa pelo casal, mas são raros.

32.2 Depois, eis as casas que vão aparecendo e alguns dos muros que rodeiam as cidades. Os dois esposos entram por uma porta, começando o percurso sobre o calçamento (muito irregular) da cidade. O caminho se torna muito mais difícil, seja porque o trânsito os obriga a parar o burrinho com frequência, seja porque este dá contínuas sacudidelas sobre as pedras e os buracos, perturbando Maria e o Menino.

A estrada não é plana, é uma ladeira ainda que leve. Está apertada entre as casas altas, de portinhas estreitas e baixas, com raras janelas, que dão para a rua. No alto, o céu se mostra, com muitos retalhos do seu azul, entre uma casa e outra, ou melhor, entre um e outro terraço. Em baixo, na rua, há gente e vozerio, transeuntes que se encontram com aqueles que estão nos seus jumentos, ou com os que conduzem jumentos com carga. Outros vão indo atrás de alguma embaraçante caravana de camelos. Aum certo ponto, passa uma patrulha de legionários romanos, com grande barulho de cascos e de armas, desaparecendo atrás de um arco colocado em uma rua muito estreita e pedregosa.

José vira para a esquerda, e entra por uma rua mais larga e mais bonita. No fim desta vejo o muro de uma fortaleza, que eu já conhe­ço.

Maria apeia do burrinho, junto à porta, onde há uma espécie de posto para outros jumentos. Eu digo “posto”, porque é parecido com um barracão, ou melhor, um telheiro, onde há palha pelo chão e umas estacas com argolas onde se amarram os animais.

José dá algumas moedas a um homenzinho, que apareceu por ali, conseguindo deste modo um pouco de feno e um cântaro de água tirada de um poço velho que fica num canto, para alimentar o burrinho. Em seguida, vai ao encontro de Maria, entrando com ela no recinto do Templo.

32.3 Dirigem-se primeiro para os pórticos, onde estão aqueles que Jesus mais tarde fustigaria severamente: os vendedores de pombos e cordeiros e os cambistas. José compra dois pombinhos brancos. Não troca o dinheiro. Compreende-se que ele já tem a quantia certa.

José e Maria se dirigem a uma porta lateral, de oito degraus, como, me parece, tenham todas as portas. É como se o cubo do Templo seja erguido do solo. Esta porta tem um grande átrio, parecido com os portões de nossas casas das cidades, mas seu átrio é mais amplo e adornado. Nele se encontram à direita e à esquerda, duas espécies de altares, ou seja, duas construções retangulares, cuja finalidade, a princípio, não compreendo bem. Parecem baixas bacias, porque a parte interna é mais baixa do que a beirada externa, que fica alguns centímetros mais alta.

Aparece um sacerdote, não sei se chamado por José, ou se tendo vindo por si mesmo. Maria lhe oferece os dois pobres pombos e eu, que já sei qual a sorte que eles vão ter, viro o olhar para o outro lado. Observo os ornatos do pesado portal, do teto e do átrio. Mas parece-me ver, com o rabo do olho, o sacerdote aspergir Maria com água. Deve ser água, porque não vejo ficarem manchas em sua veste. Depois, Maria que, junto com os pombinhos tinha dado uma porção de moedas ao sacerdote (eu me tinha esquecido de dizer isso), entra com José no Templo verdadeiro e propriamente dito, acompanhada pelo sacerdote.

Eu olho para todos os lados. É um lugar cheio de adornos. Esculturas de cabeças de anjos, palmas e outros ornatos estão sobre as colunas, sobre as paredes e o teto. A luz penetra por curiosas janelas longas e estreitas, naturalmente sem vidros, abertas em diagonal sobre a parede. Suponho que seja para impedir a entrada dos aguaceiros.

32.4 Maria segue até um certo ponto, onde pára. A alguns metros há outros degraus, e acima deles há outra espécie de altar, por trás do qual, há ainda uma construção.

Percebo agora que eu achava que estivesse no Templo, mas me encontrava na parte que contorna o Templo verdadeiro e propriamente dito, isto é, o Santo, dentro do qual ninguém, a não ser os sacerdotes, acho que podem entrar. Aquilo que eu pensei que fosse o Templo não é mais do que um vestíbulo fechado, que cerca em três partes o Templo, onde está encerrado o Tabernáculo. Não sei se me expliquei bem. Mas não sou arquiteta, nem engenheira.

Maria oferece ao sacerdote o Menino, que acabou de despertar e está movendo os olhinhos inocentes ao redor de si próprio, com aquele olhar espantado dos bebês de dias. O sacerdote o toma em seus braços, e o ergue, virado para o Templo, junto àquela espécie de altar, que está acima dos degraus. O rito terminou. O Menino é restituído à mamãe, e o sacerdote se retira.

32.5 Há várias pessoas olhando, curiosas. Um velhi­nho encurvado abre caminho entre essas pessoas, mancando, e apoiando-se num bastão. Deve ter muita idade, eu diria, mais de oitenta anos. Aproxima-se de Maria, pedindo-lhe que o deixe pegar o Menino por um instante. Maria atende ao seu pedido, sorrindo.

Simeão pega o Menino e o beija. Eu sempre acreditei que ele pertencesse à classe sacerdotal, mas ao invés parecer ser apenas um simples fiel, a julgar pelas suas roupas. Jesus lhe sorri, fazendo aquela caretinha cheia de dúvidas, característica das crianças de peito. Parece que o observa com curiosidade, porque o velhinho está chorando e rindo ao mesmo tempo, e suas lágrimas fazem um verdadeiro bordado de pontinhos de luz, brilhando, enquanto vão-se insinuando por entre as rugas, enchendo de pérolas a barba longa e branca, para a qual Jesus estende as mãozinhas. É Jesus, mas é sempre um bebê, e tudo o que se move à sua frente lhe chama a atenção, e lhe dá vontade de pegar para conhecer melhor, seja lá o que for. Maria e José sorriem, e também os presentes, que elogiam a beleza do Pequenino.

Ouço as palavras do velho santo, e vejo o olhar espantado de José, o olhar comovido de Maria e também da pequena multidão, em parte admirada mas também comovida, tomada pela alegria pelas palavras do velho. No meio da pequena multidão estão alguns barbudos e enfatuados sinedritas, que balançam a cabeça, olhando para Simeão com uma compaixão zombeteira. Devem pensar que está fora de seu juízo, pela idade.

32.6 O sorriso de Maria se apaga e se transforma em uma acentuada

palidez, quando Simeão lhe anuncia sua futura dor. Por mais que ela já o saiba, esta palavra lhe aflige o espírito. Ela se aproxima ainda mais de José, em busca de conforto, apertando com sentimento o seu Menino ao seio, bebendo, como alma sequiosa, as palavras de Ana que, sendo mulher, tem piedade do sofrimento de Maria, e lhe promete que o Eterno amenizará com uma força sobrenatural, a hora de sua dor:

– Mulher­, para aquele que deu o Salvador ao seu povo, não faltará poder para mandar um anjo confortar-te no teu pranto. Nunca faltou a ajuda do Senhor às grandes mulheres de Israel, e tu és bem mais do que Judite e Jael. O nosso Deus te dará um coração de ouro puríssimo, para que possas resistir ao mar de dor, pelo qual te tornarás a maior mulher da criação, a Mãe. E tu, Menino, lembra-te de mim, na hora da tua missão.

E aqui cessa minha visão.

Anotação

Lucas 2, 22-38 : Quando se cumpriu o tempo prescrito pela Lei de Moisés para a purificação, os pais de Jesus levaram-no a Jerusalém para o apresentarem ao Senhor, como está escrito na Lei: Todo o primogénito do sexo masculino será consagrado ao Senhor. Foram também oferecer o sacrifício prescrito pela Lei do Senhor: um par de rolas ou duas pombinhas.

Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Era um homem justo e religioso que estava à espera da consolação de Israel, e o Espírito Santo estava sobre ele. O Espírito Santo tinha-lhe dito que não veria a morte enquanto não visse Cristo, o Messias do Senhor. Sob a influência do Espírito, Simeão foi ao Templo. Quando os pais apresentaram o menino Jesus, segundo o rito da Lei, Simeão recebeu-o nos braços e bendisse a Deus, dizendo

"Agora, ó soberano Mestre, podes deixar o teu servo partir em paz, segundo a tua palavra. Pois os meus olhos viram a salvação que preparaste diante dos povos: a luz que se revela às nações e dá glória ao teu povo Israel".

O pai e a mãe do menino ficaram maravilhados com o que se dizia dele. Simeão abençoou-os e depois disse a Maria, sua mãe: "Eis que este menino vai provocar a queda e a ascensão de muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição - e a tua alma será atravessada por uma espada - e os pensamentos que saem do coração de muitos serão revelados".

Havia também uma mulher profeta, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era muito idosa; após sete anos de casamento, ficou viúva e atingiu a idade de oitenta e quatro anos. Nunca abandonava o Templo, servindo a Deus dia e noite, em jejum e oração. Nesta mesma hora, proclamava os louvores de Deus e falava do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém.

EMF 32.7-9

O Evangelho como me foi revelado

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32.7 Jesus diz:

– Nascem dois ensinamentos para todos, da descrição que fizeste.

O primeiro: Não é a um sacerdote mergulhado nos ritos, mas o espírito ausente, e, sim, a um simples fiel que a verdade se revela.

O sacerdote, sempre em contato com a Divindade, voltado a tudo que é relacionado a Deus, dedicado a tudo o que está acima da carne, deveria ter percebido logo quem era o Menino que estava sendo oferecido ao Templo, naquela manhã. Mas, para que pudesse pressentir, precisava de um espírito vivo. Não simplesmente de uma veste para cobrir um espírito, que, se não estava morto, estava muito adormecido.

O Espírito de Deus pode, se quiser, trovejar e sacudir, como um raio e um terremoto, até o espírito mais obtuso. Isto Ele pode. Mas geralmente, visto que Ele é Espírito de ordem, dado que Deus é ordem em cada uma de Suas Pessoas e em Seu modo de agir, Ele se expande e se comunica, não digo só onde há merecimento suficiente para receber a sua efusão (e nesse caso, seriam poucos os casos em que Ele se expandiria, nem mesmo tu conhecerias as suas luzes) mas, sim, onde Ele vê “boa vontade” em merecer a sua efusão.

Como se explica essa boa vontade? Tanto quanto possível, com uma vida inteira em Deus. Na fé, na obediência, na pureza, na caridade, na generosidade, na oração. Não tanto no ativismo, mas na oração. Há uma diferença menor entre a noite e o dia, do que entre o ativismo e a oração. A oração é comunhão de espírito com Deus, da qual, vós saís revigorados e decididos a serdes sempre mais d’Ele. O ativismo é um hábito qualquer, feito por diversos fins, mas sempre egoístas, deixando-vos como sois, ou melhor, vos agrava até de uma culpa de mentira e de acídia.

32.8 Simeão tinha esta boa vontade. A vida não lhe tinha poupado trabalhos e provações. Mas ele não perdeu a boa vontade. Os anos e as vicissitudes não tinham enfraquecido nem abalado a sua fé no Senhor, nas Suas promessas, e não tinham diminuido a sua boa vontade de ser sempre mais digno de Deus. Antes que os olhos de seu servo fiel se fechassem à luz do sol, na esperança de se reabrirem ao Sol de Deus rutilando nos Céus (que seriam abertos, quando Eu lá subisse, após o meu martírio) Deus lhe mandou um raio do Espírito, que o guiou ao Templo para ver a Luz do mundo.

“Movido pelo Espírito Santo”, diz o Evangelho. Oh! Se os homens soubessem que Amigo perfeito é o Espírito Santo! Que Guia, que Mestre! Se amassem e invocassem, este Amor da Santíssima Trindade, esta Luz da Luz, este Fogo do Fogo, esta Inteligência, esta Sabedoria! Muito além do necessário, eles haveriam de saber!

Escuta, Maria; escutai, meus filhos: Simeão esperou durante toda uma longa vida para “ver a Luz”para saber que a promessa de Deus estava cumprida. Mas ele nunca duvidou. Nunca disse a si mesmo: “É inútil que eu persevere em esperança e em oração.” Ele perseverou. E alcançou a graça de “ver” o que nem o sacerdote, nem os sinedritas, cheios de soberba e opacidade, viram: o Filho de Deus, o Messias, o Salvador naquele corpo infantil, que lhe dava calor e sorrisos. Ele recebeu portanto o sorriso de Deus, como primeiro prêmio de sua vida honesta e piedosa, através dos meus lábios de Menino.

32.9 Segunda lição: As palavras de Ana. Também ela, que é profetisa, vê o Messias em Mim, recém-nascido. Isto é natural, dada a sua capacidade de profecia. Mas escuta, escutai o que ela, inspirada pela fé e pela caridade, diz à minha mãe. Tirai disto luz para o vosso espírito, para que ele rejubile neste tempo de trevas, nesta festa da Luz. “A Ruem deu um Salvador não faltará o poder de dar o seu anjo para confortar o teu, o vosso pranto.”

Pensai que Deus deu-se a si mesmo, para anular a obra de satanás nos espíritos. Agora não poderá Ele vencer os satanases que vos torturam? Não poderá enxugar o vosso pranto, derrotando esses satanases e enviando-vos de novo a paz do seu Cristo? Por que não o pedir com fé? Fé verdadeira, poderosa, uma fé, diante da qual, o rigor de Deus, desprezado por vossas inúmeras culpas, caia com um sorriso, trazendo o perdão como ajuda, trazendo a sua bênção, como arco-íris sobre esta terra que está submergindo em um dilúvio de sangue procurado por vós mesmos?

Pensai: O Pai, depois de ter castigado os homens com o dilúvio, disse a Si mesmo e ao Seu patriarca: “Não amaldiçoarei mais a terra por causa dos homens, porque os sentidos e os pensamentos do coração do homem estão inclinados para o mal, desde a adolescência; portanto, não ferirei o ser vivo mais uma vez.” Ele foi fiel à Sua palavra. Não mandou mais o dilúvio. Mas vós, muitas vezes já dissestes a vós mesmos e a Deus: “Se nos salvarmos desta vez, se nos salvas, não faremos mais guerras, nunca mais.” E depois sempre continuais fazendo guerras, cada vez mais tremendas. Quantas vezes, ó homens falsos e sem respeito para com o Senhor é a vossa palavra? No entanto, Deus vos ajudaria ainda uma vez, se a grande massa dos fiéis o chamasse com fé e amor poderoso.

Escutai, ó vós todos — que, sendo muito poucos para contrabalançar os muitos que estão mantendo vivo o rigor de Deus, permanecei devotos a Ele, não obstante a hora tremenda que ameaça crescer a cada instante — e colocai as vossas aflições aos pés de Deus. Ele saberá mandar-vos o Seu anjo, como mandou o Salvador ao mundo. Não temais. Ficai unidos à Cruz. Ela sempre venceu as insídias do demônio, que, por meio da ferocidade dos homens e das tristezas da vida, procura o domínio dos homens pelo desespero, isto é, pela separação de Deus, pois não pode apoderar-se dos corações de outra maneira.

Detalhe

Maria acabou de ver a apresentação de Jesus no Templo.

EMF 34.3

O Evangelho como me foi revelado

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Emitindo um fluxo de luz mais vivo, a estrela paira sobre a pequena casa, que está do lado mais curto da pracinha. Nem os moradores da casa, nem os habitantes de Belém a vêem, porque estão dormindo, e suas casas estão fechadas; mas a estrela acelera as suas palpitações de luz, faz vibrar sua cauda, e solta ondulações luminosas mais fortes, traçando pequenos semicírculos no céu, que se ilumina todo com esta rede de astros que ela arrasta consigo, numa rede de pedras preciosas, que esplendem, tingindo nas mais indistintas cores as outras estrelas, como para comunicar-lhes uma palavra de alegria.

A casinha está toda iluminada por este fogo líquido de gemas. O teto do pequeno terraço, a escadinha de pedra escura, a pequena porta, tudo virou um bloco de pura prata, polvilhado com pó de diamantes e pérolas. Nenhum palácio real da terra jamais teve, ou terá, uma escada como esta, feita para receber a passagem dos anjos, feita para ser usada pela mãe, que é mãe de Deus. Seus pequenos pés de virgem imaculada podem pousar sobre aquele cândido esplendor, os seus pequenos pés destinados a pousar sobre os degraus do trono de Deus. Mas a virgem ainda não está sabendo de nada. Ela está velando sobre o berço de seu Filho, rezando. Sua alma tem esplendores que superam a estrela que está embelezando as coisas.

Detalhe

A estrela guiou os Magos até à Sagrada Família. Parou em frente à estalagem onde estavam hospedados a Mãe de Deus e o seu Filho. A luz da estrela é muito intensa. Maria escreveu que "o seu globo assemelha-se a uma enorme safira, iluminada por dentro por um sol; dele emerge um rasto luminoso em que predomina um azul celeste, mas em que se misturam os louros dos topázios, os verdes das esmeraldas, o brilho iridescente das opalas, os clarões sanguíneos dos rubis e o brilho suave das ametistas. Todas as pedras preciosas da terra se encontram neste rasto que percorre o céu num movimento rápido e ondulante como se estivesse vivo. Mas a cor predominante que parece chover do globo da estrela é o tom celeste da safira clara que pinta de azul prateado as casas, as ruas e o chão de Belém, berço do Salvador. "

EMF 35.10-11

O Evangelho como me foi revelado

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A última visão, pois eu quero falar dela e deixar de falar de outros assuntos que são tão inúteis, e o mundo não quer ouvir a verdade que lhe interessa, é uma visão que ilumina um ponto particular, citado duas vezes no Evangelho de Mateus, numa frase repetida duas vezes: “Levanta, pega o Menino e sua mãe, e foge para o Egito.” “Levanta, pega o Menino e a mãe Dele, e volta para a terra de Israel.” E, como viste, Maria estava sozinha com o Menino no quarto.

A virgindade de Maria após o parto e a castidade de José são muito combatidas, por aqueles que, por serem lama podre, não admitem que alguém possa ser asa e luz. São infelizes, com coração tão corrompido, com mente que se prostituiu tanto à carne, que se tornaram incapazes de pensar que alguém como eles possa respeitar a mulher, ver nela a alma e não a carne, elevando-se a si mesmos, vivendo em uma atmosfera sobrenatural, apetecendo-se de Deus, e não da carne.

Pois bem. Aos negadores do belo, a estes vermes, incapazes de se tornarem borboletas, a estes répteis cobertos pela baba de sua libidinagem, incapazes de compreender a beleza de um lírio, a estes Eu digo que Maria foi e permaneceu virgem, e que só sua alma foi casada com José, como o seu espírito se uniu unicamente ao Espírito de Deus e, por obra Dele, ela concebeu o seu Único Filho: Eu, Jesus Cristo, Unigênito de Deus e de Maria.

Isto não é uma tradição que floresceu mais tarde, por um amoroso respeito para com a Bem-Aventurada, que foi minha mãe. Mas é uma verdade que, desde os primeiros tempos, foi conhecida.

Mateus não nasceu séculos depois. Ele foi contemporâneo de Maria. Mateus não era um pobre ignorante, que tivesse vivido nas selvas, com facilidade de acreditar em qualquer história. Era um fiscal da receita, como diríeis hoje, ou um cobrador de gabelas, como naquele tempo dizíamos. Ele sabia ver, ouvir, compreender, separar o verdadeiro do falso. Mateus não ouviu as coisas por meio de terceiros. Mas ele as recolheu dos lábios de Maria, à qual o seu amor pelo Mestre e pela verdade o havia levado a fazer perguntas.

Não posso chegar a pensar que esses negadores da inviolabilidade de Maria pensem que ela tenha podido mentir. Os meus próprios parentes a teriam podido desmentir, se ela tivesse tido outros filhos, pois Tiago, Judas, Simão e José eram condiscípulos de Mateus. Por isso seria fácil confrontar as versões, se outras houvessem. Mateus nunca diz: “Levanta e pega tua mulher”; ele diz: “Pega a mãe Dele.” Antes diz: “Virgem desposada a José”, “José, seu esposo”.

35.11

Não me venham dizer que isso era um modo de falar dos hebreus, como se dizer a palavra “mulher” já fosse uma infâmia. Não, negadores da Pureza. Desde as primeiras palavras do Livro[1], se lê: “… e se unirá à sua mulher”. Ela é chamada “companheira”, até o momento da consumação sexual do casamento; mas depois é chamada “mulher”, em diversas passagens e em diversos capítulos. E assim acontece com as esposas dos filhos de Adão. É assim que Sara é chamada “mulher” de Abraão: “Sara, tua mulher”; e: “Toma tua mulher e as tuas duas filhas” foi dito a Ló. E no livro de Rute está escrito: “A moabita, mulher de Maalon.” E no primeiro livro dos Reis está dito: “Elcana teve duas mulheres”; e, ainda mais: “depois, Elcana conheceu sua mulher Ana”; e ainda: “Eli abençoou Elcana e a mulher dele.” E sempre no livro dos Reis foi dito: “Bate-Seba, mulher de Urias, o heteu, tornou-se mulher de Davi, e lhe deu um filho.” O que se lê no livro azul de Tobias, aquilo que a Igreja canta para vós nas vossas núpcias, para aconselhar-vos a serem santos no matrimônio? Lê-se: “Ora, quando Tobias chegou, com a mulher e com o filho…”; e ainda: “Tobias conseguiu fugir com o filho e com a sua mulher.”

Nos Evangelhos, isto é, nos tempos de Cristo, nos quais se escrevia relativamente àqueles tempos antigos em linguagem moderna, não havendo, portanto necessidade de se pensar em erros de transcrições, foi dito pelo próprio Mateus no cap. 22: “… o primeiro, tendo-a tomado por mulher, morreu e deixou a mulher ao irmão.” Marcos, no cap. 10: “Quem repudia a mulher…” Lucas chama Isabel de mulher­ de Zacarias, quatro vezes em seguida, e no oitavo capítulo diz: “Joana, mulher de Cusa.”

Como estais vendo, não era este nome um vocábulo proscrito para quem estava nos caminhos do Senhor, um vocábulo imundo que não era digno de ser proferido e, muito menos, escrito onde se trata de Deus e das suas admiráveis obras. O anjo, dizendo: “o Menino e a mãe Dele”, vos demonstra que Maria foi mãe verdadeira, mas não foi mulher de José. Ela permaneceu sempre: a virgem desposada a José.

Este é o último ensinamento destas visões. É uma auréola que resplende sobre a cabeça de Maria e de José. A virgem imaculada. O homem justo e casto. Os dois lírios entre os quais eu cresci, ouvindo só fragrâncias de pureza.

Detalhe

Mateus 2, 13 : Depois de terem partido, o anjo do Senhor apareceu a José em sonho e disse-lhe: "Levanta-te, toma o menino e a sua mãe e foge para o Egito. Fica lá até eu te dizer, porque Herodes vai procurar o menino para o destruir.

Mateus 2, 19-20: Depois da morte de Herodes, o anjo do Senhor apareceu a José em sonho no Egito e disse: "Levanta-te, toma o menino e a sua mãe e parte para a terra de Israel, porque os que procuravam a vida do menino já morreram.

EMF 51.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Eu vos digo que acima da terra está o céu, acima dos interesses do mundo está a causa de Deus. Precisais mudar vosso modo de pensar. Quando souberdes fazer isso, sereis perfeitos.

– Mas… e tua mãe?

– Judas, ninguém melhor do que ela teria o direito de me chamar de volta aos meus deveres de Filho, segundo a luz da terra, ou seja, ao meu dever de trabalhar para ela, a fim de atender às suas necessidades materiais, ao meu dever de assistência e conforto, ficando sempre perto da mãe. Mas ela não me pede nada disso. Desde que me teve, ela sabia que teria que me perder, para depois encontrar-me de novo, e de um modo muito mais amplo do que o do pequeno círculo da família. Desde então, ela vem-se preparando para isso. Esta vontade absoluta de se doar a Deus não é novidade no seu sangue. Sua mãe a ofereceu ao Templo, antes que ela sorrisse à luz. Ela se doou a Deus, e me contou isso inúmeras vezes quando, tinha-me junto ao seu coração, nas longas tardes de inverno, ou nas claras noites de verão cheias de estrelas, falando-me da sua infância santa, desde as primeiras luzes da sua aurora no mundo. Doou-se a Deus ainda mais, quando me teve, para que eu estivesse aqui a caminho da missão que me vem de Deus. Em uma certa hora, todos me deixarão; talvez por poucos minutos, mas a covardia se apoderará de todos, e pensareis que teria sido me­lhor­ para vossa segurança, se nunca me tivésseis conhecido. Mas ela, que compreendeu e que sabe, Ela estará sempre comigo. Vós tornareis a ser meus por meio dela. Com a força de sua segura e amorosa fé, ela vos atrairá a si, e depois vos tornará a atrair para Mim, porque Eu estou na mãe, e ela está em Mim, e Nós em Deus. Isto Eu queria que compreendêsseis, todos vós, parentes segundo o mundo, amigos e filhos segundo o sobrenatural. Tu e os outros, não sabeis quem é minha mãe. Mas, se o soubésseis, não a criticaríeis em vosso coração por não saber ter-me subjugado a ela, mas a veneraríeis como a amiga mais íntima de Deus, a poderosa que tudo pode no coração do Eterno Pai, e sobre o Filho do seu coração. Certamente Eu irei a Caná. Quero fazê-la feliz. Compreendereis melhor depois desta hora.

EMF 68.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Qual o teu Nome?

– Jesus de José de Jacó, da estirpe de Davi, e de Maria de Joaquim, da estirpe de Davi, e de Ana de Arão, Maria, a Virgem desposada no Templo, porque era órfã, pelo Sumo Sacerdote, segundo a lei de Israel.