– No Céu ninguém é órfão. Lá temos Deus. Deus é tudo. Nem aqui nós somos órfãos. Porque o Pai está sempre conosco.
– Mas, Jesus, naquela bela oração que Tu me ensinaste de dia e minha mãe de noite, diz: “Pai nosso que estais nos Céus.” Nós ainda não estamos no Céu. Como, então podemos estar com Ele?
– Porque Deus está em toda parte, meu filho. Ele vela sobre o menino que nasce e sobre o velho que morre. O menino que está nascendo neste momento, no ponto mais remoto da terra, tem consigo os olhares e o amor de Deus, e os terá até à morte.
– Ainda que ele seja mau, como Doras?
– Sim. Ainda que o seja.
– Mas Deus, que é bom, como pode amá-lo, se Doras é tão mau e faz chorar ao meu velho pai?
– Deus olha para ele com desgosto e com dor. Mas, se ele se arrependesse. Ele lhe diria o que o pai da parábola disse ao filho arrependido.
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Tu deverias rezar para que ele se arrependa e…
– Oh! Não, mãe! Eu rezarei para que ele morra! –diz impetuosamente o menino.
Por mais que esta saída seja pouco… angélica, o ímpeto do menino é tão veemente e tão sincero, que os outros têm que fazer esforço para não rir.
Mas depois Maria assume de novo a sua doce seriedade de Mestra:
– Não, meu querido. Isto não deves fazer a um pecador. Deus não te ouviria e até olharia para ti com severidade. Nós devemos desejar para o próximo, ainda que ele seja muito mau, o maior bem. A vida é um bem porque dá ao homem o modo de adquirir méritos aos olhos de Deus.
– Mas, se alguém é mau, o que adquire são pecados.
– Reza-se para que ele se torne bom.
O menino fica pensando… mas não entende muito esta lição sublime (...).