83.1 O campo onde Jesus se encontra é muito fértil. Magníficos pomares, esplêndidos vinhedos com os cachos já formados e prontos para tomarem as cores do ouro e do rubi. Jesus está sentado em um pomar e come as frutas oferecidas a Ele por um camponês.
Talvez Jesus tenha falado antes, porque o homem diz:
– Matar a tua sede é para mim uma alegria, Mestre. O teu discípulo nos havia falado da tua sabedoria, mas nós ficamos admirados ao ouvir-te. Estando tão perto da Cidade Santa, costumamos ir frequentemente lá vender frutas e verduras. Depois, subimos até o Templo, para ouvirmos os rabis. Mas eles não falam como Tu, não. Voltamos de lá dizendo: “Se é assim como dizem, quem poderá salvar-se?” Tu, ao invés! Oh! Parece que ficamos com o coração aliviado! Um coração que se torna criança, mesmo permanecendo homem. Eu sou rústico… não sei explicar-me. Mas certamente Tu me entendes.
– Sim. Eu te entendo. Tu queres dizer que, com a seriedade e o conhecimento das coisas, próprios de quem é adulto, depois de teres ouvido a Palavra de Deus, sentes renascer em teu coração a simplicidade, a fé e a pureza. Parece que te tornaste uma criança sem culpa e malícia, com uma fé tão grande, como quando, guiado pela mão da tua mãe, subiste pela primeira vez ao Templo, ou como quando rezavas sobre os seus joelhos. Isto é o que queres dizer.
– Certo, sim, é isto mesmo. Felizes sois vós, que estais sempre com Ele! –diz depois a João, Simão e Judas, que, sentados sobre um muro baixo, comem figos suculentos. E termina:
– E feliz de mim, por ter-te como hóspede por uma noite.