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Notas do tema

Bíblia, tradição e textos sagrados - Antigo e Novo Testamento

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EMF 174.9 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Vós já sabeis como Eva se corrompeu, depois Adão, por meio dela. Satanás beijou os olhos da mulher e os seduziu assim, de modo que toda a aparência, até então pura, tornou-a impura, passando a despertar estranhas curiosidades. Em seguida, satanás beijou-lhe os ouvidos e os fez ficar abertos a palavras de uma ciência até então desconhecida: a dele. Também a mente de Eva quis conhecer o que não era necessário. Depois, satanás, aos olhos e à mente despertados para o Mal, mostrou o que antes não tinham visto nem compreendido, e tudo em Eva foi despertado e corrompido e a Mulher, indo ao Homem, revelou-lhe o seu segredo e persuadiu Adão a que provasse do novo belo fruto e que até agora era proibido. Beijou-o com a boca e as pupilas as quais havia então a desordem de satanás. A corrupção penetrou em Adão que viu, através dos olhos, desejando o que era proibido e o mordeu, com a companheira, caindo da grande altura em que estava, na lama.

Quando alguém está corrompido, arrasta o outro para a corrupção, a não ser que o outro seja um santo, no verdadeiro sentido da palavra.

Atentos com os vossos olhares, homens. Tanto com os olhares dos olhos como os da mente. Os olhos, uma vez corrompidos, não podem deixar de corromper o resto. Os olhos são a luz do corpo. Luz do coração é o teu pensamento. Mas, se os teus olhos não forem puros (pela sujeição dos órgãos ao pensamento, os sentidos se corrompem por um pensamento corrompido), tudo em ti ficará ofuscado, e névoas sedutoras criarão em ti fantasmas impuros. Tudo é puro naqueleque tem pensamentos e olhares puros. A luz de Deus desce como senhora onde não há obstáculos postos pelos sentidos. Mas se, por uma decisão, tu educaste os teus olhos a uma visão desordenada, tudo em ti se tornará trevas. Inutilmente olharás até para as coisas mais santas. No escuro, elas não serão mais do que trevas, e tu farás obras das trevas.

Anotação

Satanás deu um beijo: numa longa nota que ocupa quatro páginas de uma folha de papel dobrada inserida numa cópia dactilografada, Maria Valtorta explica a corrupção do olho e da orelha de Eva. Foium beijo imaterial, uma lição de malícia intelectual destinada a despertar uma curiosidade inicialmente espiritual, tal como a prova proposta por Deus para confirmar Adão e Eva na graça: a obediência ao único mandamento de Deus. Esta curiosidade inicialmente espiritual degenerou depois em curiosidades substanciais que se tornaram cada vez mais pesadas e bestiais.

Depois de descrever a condição original de Eva , que conhecia Deus com justiça, se via e se conhecia na sua parte superior como filha de Deus, mas se ignorava na sua parte inferior como criatura animal, a nota continua: Satanás, sob a forma de serpente, atraiu a mulher incauta, fascinou-a como a serpente costuma fazer, transformou o seu encanto astucioso num veneno mortal que obscureceu a visão espiritual e a inteligência da mulher; depois, com lascívia e toda a espécie de insinuações, revelou a mulher a si própria. Então Eva viu-se tão poderosa como Deus, como se se tivesse livrado da marca de toda a criatura: ter de obedecer a tudo o que Deus manda e fazer apenas o que Deus permite. Depois de ter rejeitado esta marca para ser "como Deus", entrou nela a concupiscência espiritual de "poder fazer tudo". Daí nasceu o desejo intelectual de "saber tudo": o bem e sobretudo o mal que Deus a proibiu de conhecer. Pelo contrário, a Serpente encorajou-a a fazê-lo, porque só através do conhecimento pleno do bem e do mal é que Adão e ela se tornariam "como deuses", tornariam o seu sangue e a sua descendência imortais pela sua própria capacidade; chegou mesmo a oferecer-se como mestre para lhes permitir saber tudo. E Eva aceitou-o como seu mestre.

A concupiscência intelectual, filha da concupiscência espiritual, deu origem à concupiscência carnal. E Eva, que já tinha usado a visão e a audição para o mal, quis usar também o tato, conhecendo o fruto misterioso, o olfato, inalando a sua essência inebriante, e o paladar, mordendo a casca de um novo conhecimento para saborear o seu sabor desconhecido. Foi então que surgiu nela um apetite concupiscente para consumir completamente o que mal tinha experimentado: de facto, agora privada da graça, da sua inocência e integridade, o que era mau parecia-lhe bom, e ela já não conseguia manter a sua sensualidade sob a sujeição da razão. Ela conhecia-se a si própria, conhecia e queria que o seu companheiro o conhecesse: foi ter com ele com más intenções, levou-o a desprezar o mandamento de Deus, tentou-o a morder o que ela tinha mordido primeiro. Depois de o ter tornado semelhante a ela na luxúria e na malícia, persuadiu-o a consumir o que era proibido, porque isso lhe proporcionava um novo prazer imediato e um poder futuro de ser semelhante a Deus, criando eles próprios novos homens na terra, através de leis naturais comuns aos animais e diferentes das que Deus tinha estabelecido.

A nota conclui: As duas escadas de Satanás visam transformar o homem, este filho de Deus, num animal, e o Filho único de Deus fez do homem um pecador. A primeira desce do espírito para a carne e "conseguiu" através da queda fatal. O segundo ascendeu da carne ao espírito e "falhou" pela seguinte razão: o desígnio satânico de induzir o messias ao pecado e, assim, destruir para sempre qualquer possibilidade de regeneração do homem à sua condição de filho de Deus, serviu, graças à perfeição do Homem-Deus, para confirmar Cristo na sua graça de homem e, portanto, no seu poder de Messias, causa da salvação eterna para os descendentes redimidos de Adão.

Livro do Génesis 3, 6

Gn 3, 6 : Quando a mulher viu que o fruto da árvore era bom para comer, agradável à vista e desejável para o entendimento, tomou do fruto e comeu; deu também a seu marido, que estava com ela, e ele comeu.

EMF 174.9 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Quando alguém está corrompido, arrasta o outro para a corrupção, a não ser que o outro seja um santo, no verdadeiro sentido da palavra.

EMF 174.9 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Atentos com os vossos olhares, homens. Tanto com os olhares dos olhos como os da mente. Os olhos, uma vez corrompidos, não podem deixar de corromper o resto. Os olhos são a luz do corpo. Luz do coração é o teu pensamento. Mas, se os teus olhos não forem puros (pela sujeição dos órgãos ao pensamento, os sentidos se corrompem por um pensamento corrompido), tudo em ti ficará ofuscado, e névoas sedutoras criarão em ti fantasmas impuros. Tudo é puro naqueleque tem pensamentos e olhares puros. A luz de Deus desce como senhora onde não há obstáculos postos pelos sentidos. Mas se, por uma decisão, tu educaste os teus olhos a uma visão desordenada, tudo em ti se tornará trevas. Inutilmente olharás até para as coisas mais santas. No escuro, elas não serão mais do que trevas, e tu farás obras das trevas.

Anotação

Evangelho de Mateus 6, 22-23

Mt 6,22-23 : A lâmpada do corpo é o olho. Se o teu olho for saudável, todo o teu corpo estará na luz; mas se o teu olho for mau, todo o teu corpo estará nas trevas. Portanto, se a luz que há em ti são trevas, quão grandes serão as trevas!

Este ponto já foi referido na EMV 6.7.

EMF 174.11-15 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Diz Jesus:

– Olha e escreve. É o Evangelho da Misericórdia[3] o que Eu dou a todos, especialmente àquelas que se reconhecerem na pecadora e que convido a segui-la, na redenção.

Jesus, de pé sobre uma pedra, fala a uma grande multidão. É um lugar alpestre: uma colina solitária, entre dois vales. A colina tem o cume em forma de jugo, ou melhor, para que fique mais claro: tem forma de uma corcova de camelo, de modo que, a poucos metros do cume, há um anfiteatro natural, no qual a voz ressoa clara como numa sala de concertos bem construída. A colina está toda coberta de flores. Deve ser agora uma estação boa. As plantações nas planícies começam a ficar louras e a chegar ao ponto da foice. Ao norte, um monte alto brilha, com a sua geleira exposta ao sol. Logo abaixo, a leste, está o Mar da Galileia, que daqui parece um espelho despedaçado em numerosas escamas, das quais cada uma é uma safira acesa pelo sol. Ofusca, com o seu tremular azul e ouro, sobre o qual não se reflete senão alguma nuvem cheia de flocos, velejando por um céu muito limpo e a sombra fugidia de algum barco a vela. Atrás do lago de Genezaré, uma série de planícies, a perder de vista que, por uma leve névoa baixa (talvez a evaporação do orvalho pois ainda deve ser manhã em suas primeiras horas), pois as ervas da montanha têm ainda um ou outro diamante de orvalho aqui e ali, nos seus caules. Parece uma continuação do lago, mas com tintas semelhantes a uma opala com veios verdes e, mais, mais atrás há uma cadeia de montanhas, com uma costa caprichosa, que lembra um desenho de nuvens no céu sereno.

A multidão está sentada, uns na relva, outros sobre grandes pedras ou estão em pé. O colégio Apostólico não está completo. Vejo Pedro e André, João e Tiago e escuto chamar os outros dois, Natanael e Filipe. Há também um outro, que não é do grupo. Talvez tenha chegado por último. Chamam-no Simão. os outros não estão aqui. A não ser que eu não os esteja enxergando por causa da grande multidão.

Faz pouco tempo que o Sermão começou. Compreendo que é o Sermão da Montanha. Mas as bem-aventuranças já foram enunciadas. Eu até diria que o sermão já está chegando ao fim, porque Jesus diz:

– Fazei isto e tereis um grande prêmio. Porque o Pai que está nos Céus é misericordioso para com os bons e sabe dar o cêntuplo por um. Por isso, Eu vos digo…

174.12

Acontece, então, um grande movimento no meio da multidão, que está apinhada no caminho para o planalto. As cabeças dos que estão mais perto de Jesus se viram, e a atenção se desvia dele. Jesus para de falar e dirige seu olhar ao mesmo lugar que os outros. Ele está belo e sério em sua veste de azul escuro, com os braços cruzados sobre o peito, e o Sol está roçando por sua cabeça, com o primeiro raio que ultrapassa o pico oriental da colina.

– Abri caminho, ó plebeus, grita uma voz irada de homem. Abri caminho para a beleza que vai passar… e então, vêm para a frente quatro janotas muito embelezados, dos quais um é certamente romano, porque está com uma toga romana, e trazem, como em triunfo, nas mãos cruzadas para formar um assento, Maria de Mágdala, que é ainda a grande pecadora.

Ela ri, com sua belíssima boca, jogando para trás a cabeça com uma cabeleira que parece de ouro, cheia de tranças e caracóis, seguros por grampos de alto preço e por uma lâmina de ouro coberta de pérolas, que lhe rodeia o alto da fronte como diadema, do qual descem cachinhos leves, para sombrear os olhos, esplendidos que se tornam ainda maiores e mais sedutores pelo engenhoso arranjo. O diadema desaparece atrás das orelhas, embaixo das tranças que descansam seu peso sobre um pescoço muito alvo e completamente descoberto. Aliás… o descoberto vai muito além do pescoço. Os ombros estão descobertos até as espáduas e o peito ainda muito mais. A veste está suspensa nos ombros por duas correntinhas de ouro. Não há mangas O conjunto está coberto, por assim dizer, por um véu cuja única função é proteger a pele do bronzeado do sol. A veste é muito leve e a mulher, atirando-se contra um ou outro dos seus adoradores, é como se se atirasse nua sobre eles. Tenho a impressão de que o romano seja o preferido, porque a ele, de preferência, é que se dirigem as risadinhas e os seus olhares, sendo quem recebe a cabeça dela no ombro.

– Já contentamos a deusa –diz o romano–. Roma serviu de cavalgadura para a nova Vênus. Lá está o Apolo que querias ver. Seduze-o, então… Mas deixa para nós também umas migalhas das tuas carícias.

Maria ri e, com um movimento rápido e provocador, pula no chão, descobrindo os pezinhos calçados de sandálias brancas com fivelas de ouro e um belo pedaço de perna. Sua veste é muito larga, feita de lã, mas leve como um véu, muito alva, presa a cintura mas muito embaixo, à altura dos quadris, com um cinturão todo feito com broches de ouro articulados. A veste cobre tudo. A mulher fica como se fosse uma flor de carne, uma flor impura que brotou, por uma obra de magia, no verde planalto, no qual há lírios e narcisos selvagens em grande quantidade.

Ela está mais bonita do que nunca. Sua boca, pequena e purpurina, parece um cravo brotando na brancura de dentes perfeitos. Seu rosto e seu corpo poderiam agradar ao mais incontentável pintor ou escultor, tanto por suas cores, como em suas formas. De peito amplo e de flancos na medida justa, com uma cintura flexível e equilibrada em relação aos flancos e ao peito, parece uma deusa, como disse o romano, uma deusa esculpida em um mármore levemente rosado, sobre o qual se estende o tecido leve sobre os flancos, para dali cair para frente em numerosas dobras. Tudo nela é estudado para agradar.

Jesus a olha elafixamente. Ela sustenta com arrogância aquele olhar enquanto ri e se contorce levemente pelas cócegas que lhe está fazendo o romano sobre os ombros e o seio, que estão descobertos, com um lírio apanhado entre as ervas. Maria, com uma irritação estudada, não verdadeira, torna a levantar o véu, dizendo: “Respeito ao meu candor”, o que faz que os quatro disparem em uma fragorosa risada.

Jesus continua a fixá-la. Mal o barulho das risadas termina, Jesus, como se a aparição daquela mulher tivesse reacendido as chamas do sermão, que antes já se ia acalmando para terminar, começa de novo, e não olha mais para ela. Ele olha agora para os seus ouvintes, que parecem embasbacados e escandalizados com o que aconteceu.

174.13

Jesus retoma:

– Eu disse que deveis ser fiéis à Lei, humildes, misericordiosos, que deveis amar não só os irmãos de sangue, mas também o irmão nascido do homem como vós. Eu vos disse que o perdão é mais útil do que o rancor, que a compaixão é melhor do que a inexorabilidade. Mas agora Eu vos digo que não se deve condenar se não somos isentos daquele pecado que estamos sendo levados a condenar. Não façais como os escribas e os fariseus, que são severos para com todos, mas não consigo mesmos, quando chamam de impuro o que é externo e só pode contaminar exteriormente, mas depois acolhem a impureza no mais profundo do coração.

Deus não está com os impuros. Porque a impureza corrompe o que é propriedade de Deus: a alma, e especialmente a alma dos pequenos, que são os anjos espalhados na terra. Ai daqueles que arrancam suas asas com a crueldade de feras demoníacas e derrubam estas flores do Céu na lama, fazendo-as conhecer o sabor da matéria! Ai deles!… Melhor seria que morressem queimados por um raio, do que cometerem um pecado destes!

Ai de vós, ricos e gozadores! Porque é justamente em vós que fermenta a maior impureza, para a qual o ócio e o dinheiro servem de cama e travesseiro! Agora vós estais fartos. O alimento das concupiscências vos chega até a garganta e vos sufoca. Mas havereis de ter fome. Uma fome tremenda, insaciável, sem atenuação e para sempre. Agora estais ricos. Quanto bem poderieis fazer com vossa riqueza! Mas, com ela, fazeis grande mal a vós mesmos e aos outros. Havereis de conhecer uma pobreza atroz, durante um dia que não terá fim. Agora estais rindo. Pensais que sois triunfadores. Mas as vossas lágrimas encherão os tanques da Geena para sempre.

Onde se aninha o adultério? Onde está a corrupção das jovens? Há quem tenha até duas ou três camas para o desregramento, além da sua própria de esposo. Sobre essas camas ele derrama o seu dinheiro e o vigor de um corpo dado por Deus, cheio de saúde, para trabalhar pela família e não se esgotar em sujas uniões, que o colocam abaixo de um animal imundo?

Já ouvistes o que foi dito: “Não cometas adultério.” Mas Eu vos digo que quem tiver olhado para uma mulher desejando-a, ou olhar para um homem desejando-o, ainda que fique só no desejo, já cometeu adultério em seu coração. Nenhuma razão justifica a fornicação. Nenhuma. Nem o abandono e o repúdio por parte do marido. Nem a compaixão para com a repudiada. Vós tendes uma só alma. Quando ela estava unida a uma outra por um pacto de fidelidade, seja-lhe fiel. Porque senão, o belo corpo pelo qual pecais irá convosco para as chamas intermináveis, ó almas impuras. Antes mutilar o corpo do que matá-lo para sempre, condenando-o. Voltai atrás, ó homens, ó ricos, ó latrinas dos vermes do vício! Voltai, homens, para que não causeis repugnância ao Céu…

174.14

Maria, que a princípio escutava, mostrando um rosto cheio de sedução e de ironia, de vez em quando até dando umas risadinhas de zombaria, ao fim do discurso, está com o rosto sombrio, de tanta raiva. Compreende que, sem olhar para ela, é a ela que Ele está falando. Sua ira se torna cada vez mais torva e rebelde e, por fim, ela não resiste. Envolve-se, despeitada, no seu véu e, acompanhada pelos olhares da multidão que zomba dela e pela voz de Jesus que a persegue, põe-se a correr pela encosta abaixo, deixando pedaços de suas vestes por entre os cardos e as moitas de roseiras caninas que estão à beira do caminho, e ri agora de raiva e de escárnio.

Não vejo nada mais. Mas Jesus diz:

Verás ainda.

[29 de maio de 1945]

174.15

Jesus recomeça:

– Vós estais irritados com o que aconteceu. Já há dois dias que o nosso refúgio, que está bem alto e acima da lama, está sendo perturbado pelo silvo de satanás. Aqui não é mais um refúgio e nós o vamos deixar. Mas Eu quero terminar este código do que é “mais perfeito”, aqui nesta amplidão cheia de luzes e horizontes. Aqui realmente Deus aparece em sua majestade de Criador e, vendo as suas maravilhas, podemos crer firmemente que Ele é o Senhor e não satanás. O Maligno não poderia criar nem mesmo um caule de erva. Mas Deus tudo pode. Que isso seja conforto para vós. Agora estais todos ao Sol. Isso vos faz mal. Espalhai-vos pelas encostas, onde há sombra e frescor. Tomai a vossa refeição, se o quiserdes. Eu vou falar-vos sobre o mesmo assunto. Muitos motivos fizeram que o tempo se prolongasse. Mas não vos aborreçais. Aqui estais com Deus.

A multidão grita: “Sim, sim. Contigo”, indo na direção da sombra das moitas espalhadas por todo o lado oriental, de tal modo que a parede e as ramagens formam também um abrigo contra o Sol, que já está muito quente.

Enquanto isso, Jesus fala a Pedro para desmontar sua tenda.

– Vamos embora mesmo?

– Sim.

– Vamos por que ela veio?

– Sim. Mas não o digas a ninguém, especialmente ao Zelote. Ele ficaria aflito por causa de Lázaro. Eu não posso permitir que a palavra de Deus seja feita objeto de escárnio dos pagãos…

– Entendo, entendo…

– Então entenderás também uma outra coisa.

– Qual é, Mestre?

– A necessidade de calar em certos casos. Eu confio em ti. Tu me és tão querido, mas és também tão impulsivo, que costumas sair com umas observações irritantes.

– Compreendo… Não queres isso por causa do Lázaro e de Simão.

– E por outros também.

– Pensas que estarão aqui hoje?

– Hoje, amanhã, depois de amanhã e sempre. Sempre será necessário vigiar a impulsividade do meu Simão de Jonas. Vai, vai fazer o que te mandei.

Pedro vai, chamando os companheiros para ajudá-lo.

Anotação

Este é o Evangelho da Misericórdia: é uma série de visões dadas de 12 a 14 de agosto de 1944. Estão divididas entre este capítulo e o capítulo EMV 183 deste volume, bem como o EMV 233 e parte do EMV 377. Jesus menciona-o em EMV 468.

Eu disse-vos que o perdão é mais útil do que o ressentimento, que é melhor ser solidário do que ser inexorável. Jesus explica, em EMV 234.5, que esta frase, enterrada no meio do discurso, é dita especialmente para Maria Madalena.

EMF 174.13-15 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus retoma:

– Eu disse que deveis ser fiéis à Lei, humildes, misericordiosos, que deveis amar não só os irmãos de sangue, mas também o irmão nascido do homem como vós. Eu vos disse que o perdão é mais útil do que o rancor, que a compaixão é melhor do que a inexorabilidade. Mas agora Eu vos digo que não se deve condenar se não somos isentos daquele pecado que estamos sendo levados a condenar. Não façais como os escribas e os fariseus, que são severos para com todos, mas não consigo mesmos, quando chamam de impuro o que é externo e só pode contaminar exteriormente, mas depois acolhem a impureza no mais profundo do coração.

Deus não está com os impuros. Porque a impureza corrompe o que é propriedade de Deus: a alma, e especialmente a alma dos pequenos, que são os anjos espalhados na terra. Ai daqueles que arrancam suas asas com a crueldade de feras demoníacas e derrubam estas flores do Céu na lama, fazendo-as conhecer o sabor da matéria! Ai deles!… Melhor seria que morressem queimados por um raio, do que cometerem um pecado destes!

Ai de vós, ricos e gozadores! Porque é justamente em vós que fermenta a maior impureza, para a qual o ócio e o dinheiro servem de cama e travesseiro! Agora vós estais fartos. O alimento das concupiscências vos chega até a garganta e vos sufoca. Mas havereis de ter fome. Uma fome tremenda, insaciável, sem atenuação e para sempre. Agora estais ricos. Quanto bem poderieis fazer com vossa riqueza! Mas, com ela, fazeis grande mal a vós mesmos e aos outros. Havereis de conhecer uma pobreza atroz, durante um dia que não terá fim. Agora estais rindo. Pensais que sois triunfadores. Mas as vossas lágrimas encherão os tanques da Geena para sempre.

Onde se aninha o adultério? Onde está a corrupção das jovens? Há quem tenha até duas ou três camas para o desregramento, além da sua própria de esposo. Sobre essas camas ele derrama o seu dinheiro e o vigor de um corpo dado por Deus, cheio de saúde, para trabalhar pela família e não se esgotar em sujas uniões, que o colocam abaixo de um animal imundo?

Já ouvistes o que foi dito: “Não cometas adultério.” Mas Eu vos digo que quem tiver olhado para uma mulher desejando-a, ou olhar para um homem desejando-o, ainda que fique só no desejo, já cometeu adultério em seu coração. Nenhuma razão justifica a fornicação. Nenhuma. Nem o abandono e o repúdio por parte do marido. Nem a compaixão para com a repudiada. Vós tendes uma só alma. Quando ela estava unida a uma outra por um pacto de fidelidade, seja-lhe fiel. Porque senão, o belo corpo pelo qual pecais irá convosco para as chamas intermináveis, ó almas impuras. Antes mutilar o corpo do que matá-lo para sempre, condenando-o. Voltai atrás, ó homens, ó ricos, ó latrinas dos vermes do vício! Voltai, homens, para que não causeis repugnância ao Céu…

174.14

Maria, que a princípio escutava, mostrando um rosto cheio de sedução e de ironia, de vez em quando até dando umas risadinhas de zombaria, ao fim do discurso, está com o rosto sombrio, de tanta raiva. Compreende que, sem olhar para ela, é a ela que Ele está falando. Sua ira se torna cada vez mais torva e rebelde e, por fim, ela não resiste. Envolve-se, despeitada, no seu véu e, acompanhada pelos olhares da multidão que zomba dela e pela voz de Jesus que a persegue, põe-se a correr pela encosta abaixo, deixando pedaços de suas vestes por entre os cardos e as moitas de roseiras caninas que estão à beira do caminho, e ri agora de raiva e de escárnio.

Não vejo nada mais. Mas Jesus diz:

Verás ainda.

[29 de maio de 1945]

174.15

Jesus recomeça:

– Vós estais irritados com o que aconteceu. Já há dois dias que o nosso refúgio, que está bem alto e acima da lama, está sendo perturbado pelo silvo de satanás. Aqui não é mais um refúgio e nós o vamos deixar. Mas Eu quero terminar este código do que é “mais perfeito”, aqui nesta amplidão cheia de luzes e horizontes. Aqui realmente Deus aparece em sua majestade de Criador e, vendo as suas maravilhas, podemos crer firmemente que Ele é o Senhor e não satanás. O Maligno não poderia criar nem mesmo um caule de erva. Mas Deus tudo pode. Que isso seja conforto para vós. Agora estais todos ao Sol. Isso vos faz mal. Espalhai-vos pelas encostas, onde há sombra e frescor. Tomai a vossa refeição, se o quiserdes. Eu vou falar-vos sobre o mesmo assunto. Muitos motivos fizeram que o tempo se prolongasse. Mas não vos aborreçais. Aqui estais com Deus.

A multidão grita: “Sim, sim. Contigo”, indo na direção da sombra das moitas espalhadas por todo o lado oriental, de tal modo que a parede e as ramagens formam também um abrigo contra o Sol, que já está muito quente.

Anotação

Não sejais como os escribas e os fariseus: eles são severos com todos, exceto com eles próprios. Este é um prenúncio do discurso contra os escribas e os fariseus, proferido em EMV 596.14 e relatado em Mateus 23:1-36 e Lucas 11:37-53.

Há dois dias que o nosso refúgio, no alto da lama, é perturbado pelos assobios de Satanás. Ontem foi a interrupção de um escriba, hoje é a de Maria Madalena.

Evangelho de Mateus 23, 1-5

Mt 23, 1-5: Então Jesus falou ao povo e aos seus discípulos: "Os escribas e os fariseus sentam-se na cadeira de Moisés. Fazei, pois, e observai tudo o que eles vos dizem; mas não imiteis as suas obras, porque dizem e não fazem. Eles atam fardos pesados e difíceis de suportar e põem-nos aos ombros dos homens, mas estes não os querem levantar.

Evangelho de Mateus 23, 25-26

Mt 23,25-26 : "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque limpais o exterior do copo e do prato, enquanto o interior está cheio de cobiça e intemperança. Fariseu cego, limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo.

Evangelho de Lucas 11, 37-46

Lc 11, 37-46 : Enquanto falava, um fariseu convidou-o para jantar em sua casa. O fariseu ficou espantado ao ver que ele não se tinha lavado antes do jantar. O Senhor disse-lhe: "Vós, fariseus, limpais o exterior do copo e do prato, mas no vosso interior tudo está cheio de cobiça e de iniquidade. Não foi aquele que fez o exterior que fez também o interior? Mas dai esmola segundo as vossas posses, e tudo ficará limpo para vós. Mas ai de vós, fariseus, que dais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as hortaliças e não tendes respeito pela justiça e pelo amor de Deus! Era isso que deveríeis ter feito, e não esquecer o resto. Ai de vós, fariseus, que gostais dos primeiros lugares nas sinagogas e das saudações nas praças públicas! Ai de vós, porque sois como sepulturas invisíveis, sobre as quais as pessoas caminham sem o saber! "

Então, um dos doutores da Lei tomou a palavra e disse-lhe: "Mestre, quando dizes essas coisas, estás a insultar-nos a nós também. "Jesus respondeu: "E ai de vós também, doutores da Lei, porque colocais fardos difíceis de suportar sobre os homens e vós próprios não lhes tocais com um dedo!

Evangelho de Mateus 18, 6

Mt 18,6: Mas quem fizer tropeçar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que lhe atassem ao pescoço uma mó de moinho e o lançassem no fundo do mar.

Evangelho de Marcos 9, 41

Mc 9,41: E qualquer que fizer tropeçar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe atasse ao pescoço uma mó de moinho e o lançassem ao mar.

Evangelho de Lucas 17, 1-2

Lc 17,1-2 : Jesus disse aos seus discípulos: "É impossível que não aconteçam escândalos, mas ai daquele que os provoca! 2Melhor lhe seria que lhe pendurassem ao pescoço uma mó de moinho e o lançassem ao mar, do que escandalizar um destes pequeninos.

Livro do Êxodo 20, 14

Ex 20, 14: Não cometerás adultério.

Livro do Deuteronómio 5, 18

Dt 5, 18 : Não cobiçarás a mulher do teu próximo. Não cobiçarás a casa do teu próximo, nem o seu campo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem nada que pertença ao teu próximo.

Livro do Levítico 18, 20

Lv 18, 20: Não deves ter relações com a mulher do teu próximo, para te contaminares com ela.

Livro de Job 31, 9-12 :

Job 31, 9-12 : Se o meu coração se deixou seduzir por uma mulher, se vigiei à porta do meu vizinho, que a minha mulher se torne a pedra de moinho para outro, que os estranhos a desonrem! Pois este é um crime horrível, que os juízes castigam; um fogo que consome até à ruína, que teria destruído todos os meus bens.

Evangelho de Mateus 5, 27-28 :

Mt 5, 27-28 : Ouvistes que foi dito: "Não cometerás adultério". "Eu, porém, digo-vos que todo aquele que olhar para uma mulher com cobiça, já cometeu adultério com ela no seu coração.

EMF 174.13 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Eu disse que deveis ser fiéis à Lei, humildes, misericordiosos, que deveis amar não só os irmãos de sangue, mas também o irmão nascido do homem como vós. Eu vos disse que o perdão é mais útil do que o rancor, que a compaixão é melhor do que a inexorabilidade. Mas agora Eu vos digo que não se deve condenar se não somos isentos daquele pecado que estamos sendo levados a condenar. Não façais como os escribas e os fariseus, que são severos para com todos, mas não consigo mesmos, quando chamam de impuro o que é externo e só pode contaminar exteriormente, mas depois acolhem a impureza no mais profundo do coração.

EMF 174.13 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Eu disse que deveis ser fiéis à Lei, humildes, misericordiosos, que deveis amar não só os irmãos de sangue, mas também o irmão nascido do homem como vós. Eu vos disse que o perdão é mais útil do que o rancor, que a compaixão é melhor do que a inexorabilidade. Mas agora Eu vos digo que não se deve condenar se não somos isentos daquele pecado que estamos sendo levados a condenar. Não façais como os escribas e os fariseus, que são severos para com todos, mas não consigo mesmos, quando chamam de impuro o que é externo e só pode contaminar exteriormente, mas depois acolhem a impureza no mais profundo do coração.

Deus não está com os impuros. Porque a impureza corrompe o que é propriedade de Deus: a alma, e especialmente a alma dos pequenos, que são os anjos espalhados na terra. Ai daqueles que arrancam suas asas com a crueldade de feras demoníacas e derrubam estas flores do Céu na lama, fazendo-as conhecer o sabor da matéria! Ai deles!… Melhor seria que morressem queimados por um raio, do que cometerem um pecado destes!

Ai de vós, ricos e gozadores! Porque é justamente em vós que fermenta a maior impureza, para a qual o ócio e o dinheiro servem de cama e travesseiro! Agora vós estais fartos. O alimento das concupiscências vos chega até a garganta e vos sufoca. Mas havereis de ter fome. Uma fome tremenda, insaciável, sem atenuação e para sempre. Agora estais ricos. Quanto bem poderieis fazer com vossa riqueza! Mas, com ela, fazeis grande mal a vós mesmos e aos outros. Havereis de conhecer uma pobreza atroz, durante um dia que não terá fim. Agora estais rindo. Pensais que sois triunfadores. Mas as vossas lágrimas encherão os tanques da Geena para sempre.

Onde se aninha o adultério? Onde está a corrupção das jovens? Há quem tenha até duas ou três camas para o desregramento, além da sua própria de esposo. Sobre essas camas ele derrama o seu dinheiro e o vigor de um corpo dado por Deus, cheio de saúde, para trabalhar pela família e não se esgotar em sujas uniões, que o colocam abaixo de um animal imundo?

Já ouvistes o que foi dito: “Não cometas adultério.” Mas Eu vos digo que quem tiver olhado para uma mulher desejando-a, ou olhar para um homem desejando-o, ainda que fique só no desejo, já cometeu adultério em seu coração. Nenhuma razão justifica a fornicação. Nenhuma. Nem o abandono e o repúdio por parte do marido. Nem a compaixão para com a repudiada. Vós tendes uma só alma. Quando ela estava unida a uma outra por um pacto de fidelidade, seja-lhe fiel. Porque senão, o belo corpo pelo qual pecais irá convosco para as chamas intermináveis, ó almas impuras. Antes mutilar o corpo do que matá-lo para sempre, condenando-o. Voltai atrás, ó homens, ó ricos, ó latrinas dos vermes do vício! Voltai, homens, para que não causeis repugnância ao Céu…

EMF 174.13 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

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Deus não está com os impuros. Porque a impureza corrompe o que é propriedade de Deus: a alma, e especialmente a alma dos pequenos, que são os anjos espalhados na terra. Ai daqueles que arrancam suas asas com a crueldade de feras demoníacas e derrubam estas flores do Céu na lama, fazendo-as conhecer o sabor da matéria! Ai deles!… Melhor seria que morressem queimados por um raio, do que cometerem um pecado destes!

EMF 174.13 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

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Ai de vós, ricos e gozadores! Porque é justamente em vós que fermenta a maior impureza, para a qual o ócio e o dinheiro servem de cama e travesseiro! Agora vós estais fartos. O alimento das concupiscências vos chega até a garganta e vos sufoca. Mas havereis de ter fome. Uma fome tremenda, insaciável, sem atenuação e para sempre. Agora estais ricos. Quanto bem poderieis fazer com vossa riqueza! Mas, com ela, fazeis grande mal a vós mesmos e aos outros. Havereis de conhecer uma pobreza atroz, durante um dia que não terá fim. Agora estais rindo. Pensais que sois triunfadores. Mas as vossas lágrimas encherão os tanques da Geena para sempre.