– Eu queria perguntar uma coisa….
– Qual, André?
– João me contou o milagre feito em Caná… Nós tínhamos muita esperança de que Tu fizesses um deles em Cafarnaum… e Tu disseste que não farias milagre, se antes não tivesses cumprido a Lei. Por que então o fizeste em Caná? E por que não em tua pátria?
– Toda obediência à Lei é união com Deus e, por isso, um aumento de nossa capacidade. O milagre é a prova da união com Deus, da presença benévola e consciente de Deus. Por isso Eu quis cumprir o meu dever de israelita antes de iniciar a série de prodígios.
– Mas Tu não estavas obrigado pela Lei.
– Por que? Como Filho de Deus, não. Mas, como filho da Lei,
sim. Israel, por enquanto, só me conhece como tal… E, mesmo depois, quase todo Israel me conhecerá como tal, aliás, como menos ainda. Mas Eu não quero dar escândalo a Israel e por isso obedeço a Lei.
– Tu és santo.
– A santidade não exclui a obediência. Ao contrário, a aperfeiçoa. Além de tudo mais, é preciso dar o exemplo. Que diríeis de um pai, de um irmão mais velho, de um mestre, de um sacerdote, que não desse bom exemplo?
– E então, o caso de Caná?
– Em Caná, era a alegria que à minha mãe devia ser dada. Caná é a antecipação que se deve à minha mãe. Ela é a antecipadora da Graça. Aqui Eu presto honra à Cidade santa, fazendo dela publicamente o lugar do início do meu poder de Messias. Mas lá, em Caná, Eu prestava honra à santa de Deus, à toda santa. O mundo me tem por meio dela. É justo que para ela seja feito o meu primeiro prodígio no mundo.