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Notas da palavra-chave

Conversas entre Jesus e Maria

Tema: A vida pública de Jesus Cristo na EMV · Página 2 de 2

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EMF 204.1-3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Na paz do sábado, Jesus está descansando perto de um campo de linho todo em flor, pertencente a Lázaro. Ele está mais do que perto, eu diria que Ele está submerso no meio do linho e, sentado à beira de um sulco, absorto em seus pensamentos. Junto dele só se vê alguma silenciosa borboleta, ou alguma lagartixa rastejando e que olha para Ele com seus olhinhos de azeviche, levantando a cabecinha triangular para cima da garganta clara e palpitante. E nada mais. Nesta hora já adiantada do meio-dia, cala-se até o menor sopro de vento por entre as altas hastes.

De longe, talvez lá do jardim de Lázaro, está fazendo-se ouvir o canto de uma mulher e, junto com ele, os gritos festivos de um menino, que está brincando com algum outro. Depois, uma, duas, três vozes exclamam: “Mestre!” “Jesus!”

Jesus volta a si e se levanta. E, por mais que o linho, em seu completo crescimento, já esteja bem alto, Jesus emerge bem por cima deste mar verde e azul.

– Lá está Ele, João –grita Zelotes.

E João, por sua vez, chama:

– Mãe, o Mestre está aqui, no meio do linho.

E, enquanto Jesus vai-se aproximando do caminho que vai para as casas, eis que Maria chega perto dele.

– Que queres, mãe?

– Meu filho, chegaram pagãos com umas mulheres. Dizem que ficaram sabendo por Joana que estavas aqui. Dizem também que Te ficaram esperando durante todos estes dias, perto da fortaleza Antônia…

– Ah! Compreendi! Eu já vou. Onde estão eles?

– Na casa de Lázaro, em seu jardim. Ele é amado pelos romanos e não tem repugnância por eles, como nós temos. Ele os fez entrar, com os seus carros, no amplo jardim, para não escandalizar a ninguém.

– Está bem, mãe.

204.2

São soldados e damas romanas. Eu sei.

– E que quererão de Ti?

– Aquilo que muitos de Israel não querem: Luz.

– Mas, que pensarão sobre como és e quem és? Deus, talvez?

– Deus, do modo deles, sim. Para eles é fácil acolher a ideia de uma encarnação de um deus em carne mortal, mais do que para nós.

– Então, conseguiram crer na tua fé…

– Ainda não, minha mãe. Primeiro é preciso destruir a deles. Por enquanto, Eu sou para eles um sábio, um filósofo, como eles dizem. Mas, ou por este desejo veemente de conhecer doutrinas filosóficas, ou porque essa tendência deles para crer que é possível a encarnação de um deus, Eu sou muito ajudado a levá-los à verdadeira Fé. Podes crer, eles são mais ingênuos, em seus pensamentos, do que muitos em Israel.

– Mas, serão eles sinceros? Dizem que o Batista…

– Não. Se dependesse deles, João estaria livre e em segurança. Quem não é rebelde, é deixado sossegado. Antes, te digo, para eles o ser profeta — eles os chamam de filósofos, porque toda elevação da sabedoria para deles é sempre filosofia — é uma garantia para serem respeitados. Não fiques preocupada, minha mãe. Dali não me virá mal…

– Mas os fariseus… se souberem, que irão dizer, até de Lázaro? Tu… és Tu, e deves levar a palavra ao mundo. Mas Lázaro!… Já é tão ofendido por eles…

– Mas ele é intocável. Eles sabem que ele é protegido por Roma.

– Eu Te deixo, meu Filho. Aí vem Maximino, para levar-te aos pagãos –e Maria, que havia caminhado ao lado de Jesus durante todo aquele tempo, se retira ligeira, indo para a casa de Zelotes, enquanto Jesus entra por um portãozinho de ferro, aberto no muro do jardim, em uma parte mais afastada dele, lá onde o jardim se transforma em pomar, isto é, perto do lugar onde, mais tarde, haveria de ser sepultado Lázaro.

Lá está também Lázaro e ninguém mais:

– Mestre, tomei a liberdade de hospedá-los…

– Fizeste bem. Onde estão?

– Lá naquela sombra de buxos e loureiros. Como vês, estão afastados pelo menos uns quinhentos metros da casa.

– Está bem, está bem.

204.3

Que a luz venha a todos vós!