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Notas do tema

Jesus Cristo no Evangelho tal como me foi revelado

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EMF 173.2-7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

173.2 – A paz esteja com todos vós!

Ontem Eu falei da oração, do juramento, do jejum. Hoje quero instruir-vos sobre outras perfeições, que também são oração, confiança, sinceridade, amor, religião.

A primeira, de que hoje falo é sobre o justo uso das riquezas, a serem transformadas, pela boa vontade do servo fiel, em muitos outros tesouros no Céu. Os tesouros da terra não duram. Mas os tesouros do Céu são eternos. Vós amastes o que é vosso? Ficais tristes por terdes que morrer, e não poderdes mais cuidar de vossos bens, tendo que deixá-los? Então, transportai-os para o Céu! Vós dizeis: “No Céu não entra o que é da terra, e Tu nos ensinas que o dinheiro é a coisa mais suja da terra. Como, então poderemos transportá-lo para o Céu?” Não. Não podeis transportar as moedas, que são coisas materiais, para o Reino, onde tudo é espiritual. Mas podeis levar convosco o fruto das moedas. Quando dais a um banqueiro o vosso ouro, por que o fazes? Para que possa produzir frutos. Certamente não quereis privar-vos dele, nem mesmo momentaneamente, nem quereis que o banqueiro vo-lo entregue tal qual o recebeu. Mas vós quereis que sobre dez talentos ele vos entregue dez mais um, ou até mais. Se for assim, ficais felizes, e falais bem do banqueiro. Se não for assim, vós dizeis: “Ele é um homem honesto, mas é um tolo.” E, se acontecer que, em vez de dez mais um, ele vos entregue nove, dizendo “Eu perdi o resto”, vós o denunciais, e o colocais na cadeia.

Donde provém o fruto do dinheiro? Por acaso o banqueiro semeia o vosso dinheiro para fazê-lo crescer? Não. O fruto provém de um acertado manejo dos negócios, de tal modo que, por meio de hipotecas ou empréstimos a juros, o dinheiro aumente no ágio justo pedido em favor do ouro emprestado. Não é assim? Pois bem. Então ouvi: Deus vos dá riquezas terrenas. A alguns dá muitas, a outros dá somente aquelas de que precisam para viver, e vos diz: Agora é contigo. Eu as dei. Usa delas como meio para chegares a um fim, como o meu amor o deseja, para o teu bem. Eu as confio a ti. Não para que delas faças um mal. Pela estima que tenho por ti, por reconheceres os meus dons, faze que os teus bens frutifiquem para a verdadeira Pátria.

173.3 E está aí o método para se chegar a esse fim.

Não queirais acumular os vossos tesouros na terra, vivendo por eles, sendo cruéis, malditos pelo próximo e por Deus por causa deles. Não vale a pena. Eles estão sempre sem segurança na terra. Os ladrões sempre podem roubar-vos. O fogo pode destruir vossas casas. As doenças nas plantas e nos rebanhos podem acabar com o vosso gado e os vossos pomares. Quantas coisas perseguem os vossos bens. Ainda que eles sejam imóveis e inatacáveis, como as casas e ouro, podem estar sujeitos a se deteriorarem, como todos os seres vivos, os vegetais e os animais. Por mais que sejam estofos preciosos, estão sujeitos à desvalorização. Um raio que cai nas casas, o fogo e a água. Os ladrões, a ferrugem, a seca, os roedores, os insetos nas lavouras; a vertigem dos cavalos, as febres, os desconjuntamentos das pernas e a peste dos animais, traças e camundongos nos tecidos preciosos e nos móveis de estimação; a erosão produzida pela oxidação das vasilhas, dos lustres e grades artísticas; tudo, tudo está sujeito a deteriorização.

Mas, se vós fazeis um bem sobrenatural, de todos estes bens terrenos, logo ele fica a salvo de toda a deteriorização do tempo, dos homens e das intempéries. Fazei para vós tesouros no Céu, lá onde não entram ladrões, e onde não acontecem desventuras. Trabalhai com amor misericordioso com todas as misérias da terra. Acariciai as vossas moedas, e até beijai-as, se quiserdes, alegrando-vos com as colheitas que melhoram, com os vinhedos carregados de cachos, com as oliveiras que se inclinam sob o peso de numerosíssimas azeitonas, com as ovelhas de seios fecundos e mamas cheias. Fazei tudo isso. Mas, não de modo estéril, não de modo humano. Fazei-o com amor e admiração, com gozo e com a mentalidade sobrenatural.

“Obrigado, meu Deus pelas moedas, colheitas, plantas, pelas ovelhas, pelos negócios. Obrigado, ovelhas, plantas, prados, negócios, que me servis tão bem. Sede benditos todos, porque por tua bondade, ó Eterno, e por vossa bondade, ó coisas, é que eu posso fazer tanto bem a quem tem fome, a quem está nu, a quem não tem casa, a quem está doente, sozinho…. No ano passado eu fiz o bem por dez. Neste ano — mesmo que eu tenha dado muito em esmolas, tenho ainda mais dinheiro e minhas colheitas foram mais gordas e os meus rebanhos, mais numerosos — eu, então, darei duas, três vezes o que eu dei no ano passado. Do mesmo modo que todos, até os privados de seus próprios bens, participem da minha alegria, e gozem e bendigam comigo a Ti, Senhor Eterno.” Esta é a oração do justo. A oração unida à ação, que transporta os vossos bens para o Céu. Não só vo-los conserva para sempre, mas vos faz encontrá-los, aumentados pelos frutos santos do amor.

Tende o vosso tesouro no Céu, para que tenhais o vosso coração além do perigo, pois não somente o ouro, as casas os campos e os rebanhos podem passar por desventuras, mas o vosso coração pode ser insidiado, despojado, queimado e morto pelo espírito do mundo. Se assim fizerdes, tereis vosso tesouro em vosso coração, porque tereis Deus em vós, até o feliz dia no qual estareis n’Ele.

173.4 Mas, para não diminuir o fruto da caridade, tomai cuidado em serdes caridosos, com espírito sobrenatural. Como Eu disse da oração e do jejum, assim digo da beneficência e de todas as outras boas obras que possais fazer.

Conservai o bem que fazeis longe da violação pela sensualidade do mundo, conservai-o virgem dos louvores humanos. Não profaneis a rosa perfumada pela vossa caridade e boas obras, verdadeiro turíbulo de perfumes agradáveis ao Senhor. O que profana o bem é o espírito de soberba, o desejo de serdes vistos fazendo o bem e a procura de elogios. A rosa da caridade fica contaminada e corroída pelas grandes lesmas viscosas do orgulho satisfeito, e no turíbulo caem palhas fedorentas da liteira na qual o soberbo se pavoneia, como um animal bem alimentado.

Oh! Aquelas beneficiências feitas só para dar o que falar! Pois, melhor mesmo, teria sido não fazê-las! Quem não as faz, peca por dureza de coração. E quem as faz, querendo que seja conhecida a importância que deu e o nome de quem a recebeu, está pedindo a esmola de um louvor, e peca por soberba, tornando conhecida a sua oferta, como se dissesse: “Estais vendo quanto eu posso?”; peca por falta de caridade, porque humilha o beneficiado, tornando o seu nome conhecido; e peca por avareza espiritual, querendo acumular elogios humanos… que são palhas, palhas, nada mais do que palhas Fazei que Deus e os seus anjos vos louvem.

Vós, quando derdes esmola, não fiqueis tocando a trombeta em vossa frente, para chamar a atenção dos que estão passando e para serdes elogiados, como os hipócritas que querem ser aplaudidos pelos homens e por isso só dão esmolas onde possam ser vistos por muitos. Estes já receberam a sua recompensa, e não receberão a de Deus. Não incorrais na mesma culpa e na mesma presunção. Mas, quando derdes esmola, que não saiba a vossa mão esquerda o que a direita está fazendo, porque a vossa esmola escondida e discreta há de ser. e, depois esquecei-vos dela. Não fiqueis olhando continuamente para vós mesmos, depois de terdes feito aquele ato, inchando-vos com ele, como faz o sapo, que se olha nas águas do brejo, com olhos anuviados, e vendo refletidos na água parada as nuvens, as árvores e o carro parado perto da margem, vendo-se tão pequeno, diante de todas aquelas coisas, começa a encher-se de ar, até estourar. Também a caridade que fizestes não é nada, em comparação com a infinita Caridade de Deus. E, se quisésseis tornar-vos semelhante a Ele e tornar grande a vossa pequena caridade, para igualar-se à dele, vos encheríeis do vento do orgulho, e acabaríeis perecendo.

Esquecei-vos disso. Até do ato em si mesmo, esquecei-vos. Estará sempre presente uma luz, uma voz, um mel, e vos tornará o dia luminoso, doce e feliz. Porque aquela luz será o sorriso de Deus, aquele mel será paz espiritual, que também é Deus, e aquela voz é a voz de Deus-Pai que vos dirá “Obrigado.” Ele vê o mal oculto e vê o bem escondido, e vos dará a recompensa, Eu vo-lo…

173.5 – Mestre, Tu estás mentindo, com estas palavras!

O insulto, odiento e repentino, vem lá do centro da multidão. Todos se viram para o lado de onde veio aquela voz. Cria-se uma grande confusão.

Pedro diz:

– Bem que eu te havia dito! Quando há um deles no meio… nada mais corre bem!

Do meio da multidão saem assobios e murmúrios contra o insultador. Jesus é o único que está calmo. Ele cruzou os braços sobre o peito e está de pé sobre sua pedra, vestido com sua veste azul escura e com o sol batendo-lhe no rosto.

O insultador continua, sem se preocupar com a reação da multidão:

– És um mau mestre, porque ensinas o que não praticas e…

– Cala a boca! Vai-te embora! Cria vergonha! –grita a multidão.

E diz ainda:

– Vai para os teus escribas. Para nós, o Mestre basta. Que os hipócritas fiquem com os hipócritas! Mestres falsos! Agiotas!

E continuariam, mas Jesus diz, com sua voz de trovão:

– Silêncio. Deixai que ele fale –e o povo para de gritar, mas fica cochichando suas ameaças, acompanhadas de olhares ferozes.

– Sim. Tu ensinas o que não fazes. Dizes que se deve dar esmolas sem ser vistos, e ontem, na presença do povo todo, disseste a dois pobres: “Ficai aqui, que matarei vossa fome.”

– Eu disse: “Que fiquem os dois pobrezinhos. Eles serão os hóspedes bem-vindos, e darão sabor ao nosso pão.” Nada mais. Eu não quis dizer que ia matar-lhes a fome. Quem é tão pobre, que não tenha pelo menos um pão? A alegria era oferecer-lhes uma boa amizade.

– Ora! Mais esta. És astuto, e sabes fazer-te um cordeiro!…

O velhinho se ergue, vira-se, e levantando o seu bastão, grita:

– Língua infernal, que acusas o Santo, achas talvez que sabes tudo, e que podes acusar só pelo que sabes. Como não sabes quem é Deus, e quem é este que estás insultando, assim também não sabes o que Ele faz. Somente os Anjos e o meu coração cheio de júbilo o sabem. Ouvi, ó homens, ouvi todos, e ficai sabendo se Jesus é o mentiroso e o soberbo que este lixo do Templo está querendo dizer. Ele…

– Cala a boca, Ismael! Cala-te por amor de Mim. Se Eu te fiz feliz, faze-me feliz, calando-te –pede-lhe Jesus.

– Eu te obedeço, Filho Santo. Mas deixa-me dizer ainda só isto: A benção do velho israelita fiel está sobre Aquele que, da parte de Deus, me beneficiou, e Deus a colocou sobre os meus lábios, por mim e por Sara, minha nova filha. Mas sobre tua cabeça não haverá benção. Eu não te amaldiçoo. Não quero com uma maldição sujar minha boca, que deve dizer a Deus “Acolhe-me.” Eu não fiz uso dela nem mesmo para quem me renegou, e por isso eu já recebi a recompensa divina. Mas teremos quem faça as vezes do Inocente acusado e de Ismael, amigo de Deus que o beneficia.

Um coro de gritos encerra o discurso do velho, que torna a sentar-se. E o homem sai dali, afastando-se rapidamente, indo embora, perseguido pelas ameaças.

Depois a multidão grita para Jesus:

– Continua, continua, Mestre Santo! Nós escutamos somente a Ti, e Tu nos escutas. Não àqueles malditos corvos!! Eles estão com ciúmes. Porque nós te amamos mais que eles! Mas em Ti há Santidade. Neles há maldade. Fala, fala! Estás vendo: não desejamos mais que a tua palavra. Casas, negócios? Nada disso, para que possamos ouvir-te!

Está bem. Eu vou falar. Mas não ligueis para isso. Rezai por aqueles infelizes. Perdoai, como Eu perdôo. Porque, se perdoardes as faltas dos homens, também o vosso Pai do Céu vos perdoará dos vossos pecados. Mas, se guardardes rancor e não perdoardes os homens, também o vosso Pai não vos perdoará. E todos precisam do perdão.

173.6 Eu vos estava dizendo que Deus vos dará recompensa, mesmo se vós não lhe pedirdes um prêmio pelo bem que fizestes. Mas vós não façais o bem para terdes recompensa, para terdes uma fiança no dia de amanhã. Vós não façais o bem medindo, nem retidos pelo medo, dizendo: “Depois, ainda sobrará para mim? Se não sobrar, quem é que me ajudará? Será que encontrarei quem faça por mim o que estou fazendo pelo outro? E, quando eu não tiver mais nada para dar, serei ainda amado?”

Olhai bem: Eu tenho amigos poderosos entre os ricos, e amigos entre os miseráveis da terra. Em verdade, Eu vos digo que não são os amigos poderosos os mais amados. Eu vou a eles, não por amor a Mim, ou por ser uma vantagem para Mim. Mas, sim, porque deles eu posso receber muito para quem não tem nada. Eu sou pobre. Não possuo nada. Gostaria de ter todos os tesouros do mundo e transformá-los em pães para quem está com fome, em casas para quem está sem casa, em roupas para quem está nu, em remédios para quem está doente. Vós me direis: “Mas Tu podes curar.” Sim. Isto e outras coisas Eu posso. Mas nem sempre há fé, e Eu não posso fazer o que faria e poderia fazer, se encontrasse nos corações alguma fé em Mim. Eu quereria fazer o bem também a esses que não têm fé. E, visto que eles não pedem milagre ao Filho do homem, eu quereria, de homem para homem, prestar-lhes socorro. Mas Eu não tenho nada. Por isso, estendo a mão a quem tem e peço: “Fazei-me uma caridade, em nome de Deus” Aí está porque é que tenho muitos amigos da alta sociedade. Amanhã, quando Eu não estiver mais na terra, ainda existirão os pobres, e Eu não estarei para realizar milagres aos que tem fé, nem dar esmolas e levá-los à fé. Mas, então, os meus amigos ricos terão aprendido, pois estiveram em contato comigo, como é que se faz beneficência, e os meus apóstolos terão aprendido a pedir esmolas por amor dos irmãos também pelo contato que tiveram comigo.. Assim os pobres serão sempre socorridos.

Pois bem. Ontem recebi mais do que tudo que me foi dado por todos aqueles que têm, de alguém que não tem nada.. É um amigo tão pobre como Eu. Ele me deu uma coisa que não se compra com nenhuma moeda, e me fez feliz, fazendo-me lembrar das horas serenas de minha infância e juventude, quando, cada tarde, sobre minha cabeça se impunham as mãos do Justo, e Eu ia descansar com sua bênção, que ficava guardando o meu sono. Ontem este meu amigo pobre me fez rei, com a sua bênção. Vede que o que ele me deu nenhum dos meus amigos ricos nunca me deu. Por isso, não tenhais medo. Mesmo se não tiverdes o poder do dinheiro, contanto que tenhais amor e santidade, podereis fazer o bem a quem é pobre e está cansado ou aflito.

173.7 E por isso vos digo: não vos preocupeis por receio de terdes pouco. Vós tereis sempre o necessário. Não fiquem preocupados, pensando no futuro. Ninguém sabe quanto de futuro tem ainda à sua frente. Não fiqueis pensando no que havereis de comer para sustentar-vos na vida, nem com que vos vestireis para esquentar o vosso corpo. A vida do vosso espírito é bem mais preciosa do que o ventre e os membros e vale muito mais do que o alimento e as vestes. E o vosso Pai sabe disso. Que vós também o saibais. Olhai as aves do céu: não semeiam, nem colhem, nem acumulam nos celeiros e, no entanto, não morrem de fome, porque o Pai do Céu as nutre. Vós, homens, criaturas prediletas do Pai, valeis muito mais do que elas.

Quem de vós, com toda a vossa inteligência, seria capaz de aumentar um côvado em vossa altura? Se não conseguis aumentar a vossa altura nem um palmo, como podeis pensar em mudar as vossas condições futuras, aumentando as vossas riquezas, para garantir uma longa e próspera velhice? Podeis dizer à morte “Tu só me virás buscar quando eu quiser?” Não o podeis. Para que então, viver preocupados com o amanhã? Por que ficar tristes por medo de não ter o que vestir? Olhai como crescem os lírios do campo: eles não se cansam, não fiam, nem tecem, não visitam os vendedores de tecidos para suas compras, no entanto, Eu vos asseguro que nem mesmo Salomão, com toda a sua glória, nunca se vestiu como um deles. Ora, se Deus veste assim a erva, que hoje existe e amanhã irá servir para aquecer o forno, ou para a pastagem do rebanho, terminando sempre em cinza, ou esterco, quanto mais não proverá para vós, que sois seus filhos?

Não sejais pessoas de pouca fé. Não vos angustieis, porque o futuro é incerto, nem dizei: “Quando eu ficar velho, que é que vou comer? Que é que vou beber? Com que vou me vestir?” Deixai essas preocupações para os pagãos, que não têm a sublime certeza da paternidade divina. Vós a tendes e sabeis que o Pai conhece as vossas necessidades, e vos ama. Confiai, pois, nele. Procurai primeiro as coisas verdadeiramente necessárias: a fé, a bondade, a caridade, a humildade, a misericórdia, a pureza, a justiça, a mansidão, as três e as quatro virtudes principais, e todas as outras também, de modo que possais ser amigos de Deus com direito ao seu Reino: Eu vos asseguro que tudo o mais vos será dado em acréscimo, sem que vós o peçais. Não há rico mais rico nem seguro mais seguro do que o santo. Deus está com ele. E o santo está com Deus. Para o seu corpo não pede nada e Deus o provê do necessário. Mas ele trabalha para o seu espírito, e Deus se dá a Si Mesmo a ele aqui neste mundo, e lhe dá o Paraíso, depois desta vida.

Não fiqueis sofrendo por algo que não merece o vosso sofrimento. Afligi-vos, sim, por serdes imperfeitos, mas não por terdes poucos bens terrenos. Não vos preocupeis com o dia de amanhã. O dia de amanhã pensará a por si mesmo, e vós pensareis nele quando o estiverdes vivendo. Por que pensar nele desde hoje? A vida já não está bem cheia das lembranças tristes de ontem e dos pensamentos desagradáveis de hoje, para sentirdes ainda necessidade de viver com o pesadelo do dia de amanhã? Deixai para cada dia os seus problemas! Existirão sempre mais sofrimentos, do que nós quereríamos nesta vida, sem que precisemos aumentar os sofrimentos presentes com o pensamento do futuro! Dizei sempre a grande palavra de Deus: “Hoje.” Sede seus filhos à sua semelhança. Dizei, pois com Ele: “Hoje.”

E hoje Eu vos dou a minha benção. Que ela vos acompanhe até o começo do novo hoje, isto é, amanhã, e então Eu vos darei de novo a paz em nome de Deus.

Detalhe

Durante o seu discurso, Jesus foi interrompido por um fariseu. O fariseu referia-se a uma passagem do EMV 172, em que Jesus convida o velho Ismael e a mulher Sara a partilharem o seu pão.

EMF 173.6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Olhai bem: Eu tenho amigos poderosos entre os ricos, e amigos entre os miseráveis da terra. Em verdade, Eu vos digo que não são os amigos poderosos os mais amados. Eu vou a eles, não por amor a Mim, ou por ser uma vantagem para Mim. Mas, sim, porque deles eu posso receber muito para quem não tem nada. Eu sou pobre. Não possuo nada. Gostaria de ter todos os tesouros do mundo e transformá-los em pães para quem está com fome, em casas para quem está sem casa, em roupas para quem está nu, em remédios para quem está doente. Vós me direis: “Mas Tu podes curar.” Sim. Isto e outras coisas Eu posso. Mas nem sempre há fé, e Eu não posso fazer o que faria e poderia fazer, se encontrasse nos corações alguma fé em Mim. Eu quereria fazer o bem também a esses que não têm fé. E, visto que eles não pedem milagre ao Filho do homem, eu quereria, de homem para homem, prestar-lhes socorro. Mas Eu não tenho nada. Por isso, estendo a mão a quem tem e peço: “Fazei-me uma caridade, em nome de Deus” Aí está porque é que tenho muitos amigos da alta sociedade. Amanhã, quando Eu não estiver mais na terra, ainda existirão os pobres, e Eu não estarei para realizar milagres aos que tem fé, nem dar esmolas e levá-los à fé. Mas, então, os meus amigos ricos terão aprendido, pois estiveram em contato comigo, como é que se faz beneficência, e os meus apóstolos terão aprendido a pedir esmolas por amor dos irmãos também pelo contato que tiveram comigo.. Assim os pobres serão sempre socorridos.

EMF 174.2-7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A multidão põe-se em movimento, para dividir-se assim em três partes: os que estão doentes, os que são pobres e os que somente desejam a doutrina.

Mas, entre estes últimos, primeiro dois e depois três, parecem ter necessidade de alguma coisa, que não é a saúde nem o dinheiro, mas, é mais necessária do que estas coisas. Uma mulher e dois homens. Olham, olham para os apóstolos e não ousam falar. (...)

Jesus está inclinado sobre os doentes, e os hosanas da multidão festejam cada milagre. Uma mulher, que parece estar sofrendo muito, ousa puxar João pela veste, enquanto ele está conversando alegremente com André. Ele se inclina e pergunta:

– Que queres, mulher?

– Desejaria falar com o Mestre…

– Tens alguma doença? Pobre não és…

– Não tenho doença e não sou pobre. Mas estou precisando dele… porque existem doenças sem febre e misérias sem pobreza. E a minha… a minha… –e chora.

– Escuta, André. Esta mulher tem um sofrimento em seu coração e desejaria ir dizê-lo ao Mestre. Como faremos?

André olha para a mulher, e diz:

– Certamente é alguma coisa que faz sofrer ao revelar-se…

A mulher faz com a cabeça o sinal que sim. Então, André continua:

– Não chores… João, procura levá-la atrás da nossa tenda. Eu levarei o Mestre até lá.

João, com seu sorriso, pede que abram caminho para ele poder passar, enquanto André vai na direção oposta, para Jesus. Aqueles movimentos deles são observados por dois homens aflitos, e um deles parou João e o outro André e, pouco depois, tanto um como o outro estão juntos com João e com a mulher detrás do tapume de ramos que serve de parede para a tenda.

André alcança Jesus, no momento em que este está curando um aleijado, que levanta as muletas como dois troféus, ágil como um bailarino, apregoando a sua bênção. André sussurra:

– Mestre, lá atrás do nossa tenda, há três que estão chorando. Mas o mal deles é do coração, e não pode ser conhecido por outros…

– Está bem. Tenho ainda esta menina e esta mulher. Depois irei. Vai dizer-lhes que tenham fé.

André vai (...).

Os doentes já foram todos atendidos, e são eles que gritam com mais força no meio daquela multidão que aplaude ao “Filho de Davi, glória de Deus e nossa.”

Jesus vai agora para a tenda.

Judas de Keriot grita:

– Mestre, e estes?

Jesus se vira, e diz:

– Esperem onde estão. Eles também serão consolados.

Com passos rápidos, se dirige para trás do tapume, ao lugar onde estão, André e João e os sofredores.

– Primeiro, a mulher. Vem comigo entre estas sebes. Fala sem medo.

– Senhor, meu marido me abandonou por uma prostituta. Eu tenho cinco filhos, e o último está com dois anos… Minha dor é grande… penso nos filhos… Não sei se ele os quererá, ou se os deixará comigo. Os filhos homens, pelo menos o primeiro, quererá que fique com ele… e eu, que o dei a luz, não poderei mais ter a alegria de vê-lo? E, que ficarão eles pensando do pai e de mim? De um dos dois eles hão de pensar mal. E eu não gostaria que eles ficassem julgando o seu pai…

– Não chores. Eu sou o Senhor da Vida e da Morte. Teu marido não se casará com aquela mulher. Vai em paz, e continua a ser boa.

– Mas… não o vais matar? Oh! Senhor, eu o amo!

Jesus sorri:

– Eu não matarei ninguém. Mas haverá quem faça o seu trabalho. Fica sabendo que o demônio não é mais que Deus. Retornando à tua cidade, saberás que alguém matou a criatura maldosa, de tal modo, que o teu marido compreenderá o que estava fazendo e te amará com um renovado amor.

A mulher beija-lhe a mão, que Jesus pôs sobre sua cabeça, e vai embora.

174.6

Vem um dos dois homens.

– Eu tenho uma filha, Senhor. Infelizmete, ela foi a Tiberíades com algumas amigas e foi como se ela houvesse aspirado um veneno. Voltou para casa como ébria. Agora quer ir embora com um grego… e depois… Mas, por que me nasceu esta filha? Sua mãe está com tamanha dor que talvez morrerá… Eu… somente as tuas palavras, que eu ouvi no inverno passado é que ainda me impedem de matá-la. Mas, eu te confesso, o meu coração já a amaldiçoou.

– Não. Deus, que é Pai, não amaldiçoa senão um pecado completo e obstinado. Que queres de Mim?

– Que tu a faças cair em si.

– Eu não a conheço, e ela certamente não vem até Mim.

– Mas Tu podes mudar o coração dela também de longe! Sabes quem me manda a Ti? Joana de Cusa. Estava partindo para Jerusalém, quando eu fui ao seu palácio para perguntar se conhecia esse grego infame. Eu pensava que ela não o conhecesse, porque é boa, ainda que more em Tiberiades, mas, como Cusa lida com os pagãos… Não o conhece. Mas me disse: “Vai até Jesus. Ele, estando bem longe de mim, fez voltar o meu espírito e me curou da minha tuberculose com aquele gesto. Ele curará também o coração da tua filha. Eu rezarei e tu, tem fé. Eu tenho fé.” Tu estás vendo. Tem piedade, Mestre.

– Tua filha, nesta tarde, irá chorar sobre os joelhos de sua mãe, pedindo perdão. E tu também, sê bom, como a mãe: perdoa. O passado morreu.

– Sim, Mestre. Seja como Tu queres, e que sejas bendito.

Ele se vira para ir embora… mas depois volta a trás:

– Perdoa, Mestre, mas estou com muito medo… A luxúria é um verdadeiro demônio! Dá-me um fio da tua veste. Eu o colocarei no travesseiro de minha filha. Enquanto ela estiver dormindo, o demônio não a tentará.

Jesus sorri, e sacode a cabeça… mas atende ao homem, dizendo-lhe:

– É para que fiques tranquilo. Mas podes crer que, quando Deus diz “Eu quero”, o diabo vai-se embora, sem que seja preciso mais nada. Quer dizer que terás isto como uma lembrança de Mim –e lhe dá um pequeno floco de suas franjas.

174.7

Vem o terceiro homem:

– Mestre, meu pai morreu. Mas nós pensávamos que ele possuísse riqueza em dinheiro. Mas nada disso encontramos. Isso ainda seria um mal menor, porque entre nós irmãos não nos falta o pão. Mas eu, sendo o primogênito, morava com meu pai. Agora os outros dois irmãos estão me acusando de ter feito desaparecer as moedas e querem mover uma ação contra mim, como se eu fosse ladrão. Tu estás vendo o meu coração. Eu não roubei nem um vintém. Meu pai guardava seu dinheiro em um cofre, dentro de uma caixinha de ferro. Quando ele morreu, abrimos a caixinha e nela nada havia. Então eles disseram: “Esta noite, enquanto estávamos dormindo, tu a apanhaste.” Não é verdade. Ajuda-me a manter a paz e a estima entre nós.

Jesus olha para ele, fitando-o bem, e sorri.

– Por que estás sorrindo, Mestre?

– Porque o culpado foi o teu pai, uma culpa de criança quando esconde o seu brinquedo, por medo de que o apanhem.

– Mas ele não era avarento. Podes crer. Ele fazia o bem.

– Eu sei… Mas já estava muito velho… São doenças de velhos. Ele queria conservar o dinheiro para vós e vos pôs em choque, por causa de um amor exagerado. Mas a caixinha está enterrada aos pés da escada da adega. Eu te digo isto, para que fiques sabendo que Eu sei. Enquanto Eu estou te falando, por um mero acaso, o teu irmão menor estava batendo no chão, com raiva, e fez que a caixa vibrasse e a descobriram, ficando eles confusos e arrependidos por te terem acusado. Volta para casa tranquilo e sê bom para com eles. Não lhes digas nada pela falta de estima deles para contigo.

– Não, Senhor. Eu nem irei agora. Eu ficarei aqui para te ouvir. Irei amanhã.

– E se ficarem com o teu dinheiro?

– Tu dizes que não devemos ser avarentos. Eu não quero ser. Basta-me que haja paz entre nós. Afinal, eu nem sabia quanto dinheiro havia na caixinha e não ficarei aflito com nenhuma notícia que me derem, mesmo que seja diferente da verdade. Penso até que aquele dinheiro podia estar perdido… Como eu teria vivido antes, viverei agora, se eles me negarem o que é meu. Basta que não me chamem de ladrão.

– Estás já bem adiantado no caminho de Deus. Segue assim, e a paz esteja contigo.

Ele também parte contente.

EMF 174.3-4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Passa Bartolomeu, já ancião e muito sério; passa Mateus e Filipe, que levam nos braços um aleijado que teria tido muito trabalho para atravessar a multidão compacta; passam os primos do Senhor amparando um mendigo quase cego e uma velha pobrezinha, que chora enquanto conta a Tiago os seus males; passa Tiago de Zebedeu com uma pobre menina nos braços, certamente doente que ele tomou da mãe, que o segue aflita, para impedir que a multidão faça algum mal a ela. (...)

Jesus está inclinado sobre os doentes, e os hosanas da multidão festejam cada milagre. (...)

André alcança Jesus, no momento em que este está curando um aleijado, que levanta as muletas como dois troféus, ágil como um bailarino, apregoando a sua bênção. André sussurra:

– Mestre, lá atrás do nossa tenda, há três que estão chorando. Mas o mal deles é do coração, e não pode ser conhecido por outros…

– Está bem. Tenho ainda esta menina e esta mulher. Depois irei. Vai dizer-lhes que tenham fé.

André vai, enquanto Jesus se inclina sobre a menina, que a mãe tomou de novo no colo.

– Como te chamas? –pergunta-lhe Jesus.

– Maria.

– E Eu, como me chamo?

– Jesus –responde a menina.

– Quem sou Eu?

– O Messias do Senhor, que veio para fazer o bem aos corpos e às almas.

– Quem te disse isto?

– A mamãe e o papai, que esperam em Ti pela minha vida.

– Vive e sê boa.

A menina, que acho ter sido doente da espinha, pois mesmo com sete anos ou mais, não se movia senão com as mãos, e toda apertada em grossas e duras faixas, das axilas até os quadris (podem-se ver as faixas, porque a mãe abriu o vestidinho da menina para mostrá-las), fica ainda assim como estava há alguns minutos. Depois tem um sobressalto, desliza do colo materno para o chão, e corre até Jesus, que está curando a mulher, cujo caso não compreendo.

Os doentes já foram todos atendidos, e são eles que gritam com mais força no meio daquela multidão que aplaude ao “Filho de Davi, glória de Deus e nossa.”

EMF 174.7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Vem o terceiro homem:

– Mestre, meu pai morreu. Mas nós pensávamos que ele possuísse riqueza em dinheiro. Mas nada disso encontramos. Isso ainda seria um mal menor, porque entre nós irmãos não nos falta o pão. Mas eu, sendo o primogênito, morava com meu pai. Agora os outros dois irmãos estão me acusando de ter feito desaparecer as moedas e querem mover uma ação contra mim, como se eu fosse ladrão. Tu estás vendo o meu coração. Eu não roubei nem um vintém. Meu pai guardava seu dinheiro em um cofre, dentro de uma caixinha de ferro. Quando ele morreu, abrimos a caixinha e nela nada havia. Então eles disseram: “Esta noite, enquanto estávamos dormindo, tu a apanhaste.” Não é verdade. Ajuda-me a manter a paz e a estima entre nós.

Jesus olha para ele, fitando-o bem, e sorri.

– Por que estás sorrindo, Mestre?

– Porque o culpado foi o teu pai, uma culpa de criança quando esconde o seu brinquedo, por medo de que o apanhem.

– Mas ele não era avarento. Podes crer. Ele fazia o bem.

– Eu sei… Mas já estava muito velho… São doenças de velhos. Ele queria conservar o dinheiro para vós e vos pôs em choque, por causa de um amor exagerado. Mas a caixinha está enterrada aos pés da escada da adega. Eu te digo isto, para que fiques sabendo que Eu sei. Enquanto Eu estou te falando, por um mero acaso, o teu irmão menor estava batendo no chão, com raiva, e fez que a caixa vibrasse e a descobriram, ficando eles confusos e arrependidos por te terem acusado. Volta para casa tranquilo e sê bom para com eles. Não lhes digas nada pela falta de estima deles para contigo.

– Não, Senhor. Eu nem irei agora. Eu ficarei aqui para te ouvir. Irei amanhã.

– E se ficarem com o teu dinheiro?

– Tu dizes que não devemos ser avarentos. Eu não quero ser. Basta-me que haja paz entre nós. Afinal, eu nem sabia quanto dinheiro havia na caixinha e não ficarei aflito com nenhuma notícia que me derem, mesmo que seja diferente da verdade. Penso até que aquele dinheiro podia estar perdido… Como eu teria vivido antes, viverei agora, se eles me negarem o que é meu. Basta que não me chamem de ladrão.

– Estás já bem adiantado no caminho de Deus. Segue assim, e a paz esteja contigo.

Ele também parte contente.

EMF 174.8-10 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– A paz esteja convosco.

Quando Eu vos explico os caminhos do Senhor é para que os sigais. Poderíeis vós, ao mesmo tempo, ir à direita e à esquerda? Não poderíeis. Porque, se tomais um, deveis abandonar o outro. Mesmo que se tratasse de dois caminhos próximos um do outro, poderíeis insistir em caminhar com um pé em um e o outro pé no outro, mas acabaríeis cansando-vos ou errando, ainda que se tratasse de uma aposta. Contudo, entre o caminho de Deus e o de satanás existe uma grande distância, que torna sempre maior, justamente como aqueles dois caminhos que desembocam aqui, mas que, a cada passo, ao descer para o vale, ficam sempre mais longe um do outro, porque um vai para Cafarnaum e o outro para Ptolomaida.

A vida é assim, desliza lá do alto, entre o passado e o futuro, entre o mal e o bem. No centro está o homem, com a sua vontade e o seu livre arbítrio. Nas extremidades, de um lado está Deus e o Céu; do outro, está satanás e o Inferno. O homem pode escolher. Ninguém o obriga. Não se diga “satanás tenta”, como desculpa para as descidas pelo caminho de baixo. Também Deus tenta, com o seu amor que é bem forte; com as suas palavras, que são bem santas; com as suas promessas, que são bem sedutoras! Por que, então, deixar-se tentar só por um dos dois e logo por aquele que nenhum merecimento tem para ser escutado? As palavras, as promessas, o amor de Deus não serão suficientes para neutralizar o veneno de satanás?

Olhai bem como isto depõe contra vós. Quando alguém é física e fortemente são, não é imune aos contágios, mas os supera com facilidade. Contudo, se alguém está doente e, portanto, enfraquecido, perecerá quase com certeza, se alguma nova infecção lhe sobrevier e, ainda que ele sobreviva a ela, estará mais doente do que antes, porque não tem, em seu sangue, a força para destruir os germes infecciosos, completamente. O mesmo se diga para a parte superior. Se alguém é moral e espiritualmente são e forte, sabe que não está isento da tentação, mas o mal não criará raízes nele. Quando ouço alguém dizer: “Eu me aproximei disto e daquilo, lendo algo ou procurando convencer alguém do bem que tinha o mal na mente e no coração, ou no livro lido, isso penetrou em mim.” Concluo: “Demonstra assim que já tinhas preparado o terreno favorável para aquela penetração. Isso demonstra que és um fraco, sem energia moral e espiritual. Porque até de nossos inimigos devemos tirar algum bem. Observando os erros deles, devemos aprender a não cair nos mesmos. O homem inteligente não se torna joguete da primeira doutrina que ouve. O homem saturado de uma doutrina encontrar em si mesmo lugar para outras. Isto explica a dificuldade para persuadir pessoas que estão convictas de outras doutrinas a seguirem a verdadeira Doutrina. Mas se tu me dizes que mudas de pensamento, ao menor sopro de vento, Eu vejo que estás cheio do vazio, tens a tua fortaleza espiritual cheia de fendas, os diques do teu pensamento estão furados em mil pontos e por eles estão saindo as águas boas e entrando as contaminadas, e tu ficas tão pasmado e apático, que nem te dás conta do que está acontecendo, nem tomas providências. És um infeliz.”

Por isso, sabei escolher o bom entre os dois caminhos e prosseguir, resistindo, resistindo, resistindo aos aliciamentos da sensualidade, do mundo, da ciência e do demônio. A meia fé, os comprometimentos, os pactos entre os opostos, deixai-os para os homens do mundo. Não deviam existir nem mesmo entre os homens honestos. Mas vós, pelo menos vós, ó homens de Deus, não os tenhais. Nem com Deus, nem com Mamon podeis fazer esses pecar, porém façam nem convosco mesmos, porque não teriam valor. As vossas ações mescladas do que é bom com o que não é bom, não teriam nenhum valor. As ações completamente boas viriam a ser depois anuladas pelas não boas. As más vos levariam diretamente aos braços do inimigo. Não as façais, pois. Mas, sede leais no vosso serviço.

Ninguém pode servir a dois senhores que pensem diferentemente. Ou amará a um para odiar o outro, ou vice-versa. Não podeis ser igualmente de Deus e de Mamon. O espírito de Deus não pode conciliar com o espírito do mundo. Um sobe, o outro desce. Um santifica, o outro corrompe. Se estais corrompidos, como podereis agir com pureza? A sensualidade se acende nos corrompidos e, atrás da sensualidade, as outras fomes.

174.9

Vós já sabeis como Eva se corrompeu, depois Adão, por meio dela. Satanás beijou[1] os olhos da mulher e os seduziu assim, de modo que toda a aparência, até então pura, tornou-a impura, passando a despertar estranhas curiosidades. Em seguida, satanás beijou-lhe os ouvidos e os fez ficar abertos a palavras de uma ciência até então desconhecida: a dele. Também a mente de Eva quis conhecer o que não era necessário. Depois, satanás, aos olhos e à mente despertados para o Mal, mostrou o que antes não tinham visto nem compreendido, e tudo em Eva foi despertado e corrompido e a Mulher, indo ao Homem, revelou-lhe o seu segredo e persuadiu Adão a que provasse do novo belo fruto e que até agora era proibido. Beijou-o com a boca e as pupilas as quais havia então a desordem de satanás. A corrupção penetrou em Adão que viu, através dos olhos, desejando o que era proibido e o mordeu, com a companheira, caindo da grande altura em que estava, na lama.

Quando alguém está corrompido, arrasta o outro para a corrupção, a não ser que o outro seja um santo, no verdadeiro sentido da palavra.

Atentos com os vossos olhares, homens. Tanto com os olhares dos olhos como os da mente. Os olhos, uma vez corrompidos, não podem deixar de corromper o resto. Os olhos são a luz do corpo. Luz do coração é o teu pensamento. Mas, se os teus olhos não forem puros (pela sujeição dos órgãos ao pensamento, os sentidos se corrompem por um pensamento corrompido), tudo em ti ficará ofuscado, e névoas sedutoras criarão em ti fantasmas impuros. Tudo é puro naqueleque tem pensamentos e olhares puros. A luz de Deus desce como senhora onde não há obstáculos postos pelos sentidos. Mas se, por uma decisão, tu educaste os teus olhos a uma visão desordenada, tudo em ti se tornará trevas. Inutilmente olharás até para as coisas mais santas. No escuro, elas não serão mais do que trevas, e tu farás obras das trevas.

174.10

Por isso, filhos de Deus, guardai-vos contra vós mesmos. Vigiai-vos atentamente contra todas as tentações. Que sejamos tentados não é mal. O atleta se prepara para a vitória pela luta. Mal é ser vencidos por sermos despreparados e desatentos. Eu sei que tudo serve para tentar. Eu sei que a defesa enerva. Eu sei que a luta cansa. Mas coragem! Pensai no que podeis adquirir com estas coisas! Por uma hora de prazer, seja lá de que qualidade for, quereis perder uma eternidade de paz? Que é que vos deixa o prazer da carne, do ouro e do pensamento? Nada. Que é que adquiris, repudiando-os? Tudo. Eu falo a pecadores, porque o homem é pecador. Pois bem, dizei-me a verdade: depois de terdes satisfeito a sensualidade ou o orgulho, ou a avareza, vos sentistes mais viçosos, mais contentes, mais seguros? Na hora que vem depois daquela satisfação — e que é sempre uma hora de reflexão —, sereis mesmo, sinceramente, felizes? Eu não provei esse pão da sensualidade. Mas Eu respondo por vós: “Não! Paixão, descontentamento, incerteza, náusea, medo, inquietação. Eis o suco espremido da hora passada.” Mas Eu vos peço. Mesmo se digo “Nunca façais isto”, também vos digo: “Não sejais inexoráveis com os que erram.” Recordai-vos que sois todos irmãos, feitos de carne e de alma. Pensai que muitas são as causas pelas quais alguém é induzido a pecar. Sede misericordiosos para com os pecadores e com bondade levantai-os e conduzi-os a Deus, mostrando que o caminho por eles percorrido é cheio de perigos da carne, da mente e do espírito. Fazei isto, e recebereis um grande prêmio. Porque o Pai que está nos Céus é misericordioso com os bons, sabendo dar o cêntuplo por um. Por isso Eu vos digo…

(E aqui Jesus me diz que devo copiar a visão ditado, de 12 de agosto de 1944, B 961, da 35ª linha até o fim , isto é, até a partida de Madalena: “e ri de raiva e de escárnio.” Depois continuará o que vem em seguida, naturalmente omitindo[2] este parêntesis).

Detalhe

Esta é a primeira pregação de Cristo na MTS 174. São três no total.