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Notas da palavra-chave

Lições e ensinamentos aos apóstolos

Tema: Jesus Cristo no Evangelho tal como me foi revelado · Página 1 de 6

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EMF 48.3-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

48.3 É Ele mesmo. Se ouvisses que palavras!… Ficamos com Ele o dia todo e até tarde da noite. E agora, viemos dizer-vos: “Vinde.”

– É Ele mesmo? Estais certos disso? Nós só o vimos naquele dia em que o Batista no-lo mostrou.

– É Ele, pois, não o negou.

– Qualquer um pode dizer o que lhe interessa para impor-se aos crédulos. Já não é a primeira vez… –resmunga Pedro, descontente.

– Oh! Simão. Não digas assim. Ele é o Messias! Ele sabe tudo! Ele te está ouvindo!

João ficou magoado e consternado com as palavras de Simão Pedro.

– Ora essa! O Messias! E se mostra justamente a ti, a Tiago e André! Três pobres ignorantes! Vai querer coisas bem diferentes o Messias! Ele me está ouvindo! Mas, meu pobre rapaz, os primeiros dias do sol da primavera te fizeram mal. Vamos, vem trabalhar. Será me­lhor. Deixa de histórias.

– Ele é o Messias, eu te asseguro. João Batista dizia coisas santas, mas este fala como Deus. Quem não for o Cristo, não pode dizer semelhantes palavras.

48.4 – Simão, eu não sou um jovenzinho. Eu já tenho muitos anos, sou calmo e sensato. Tu sabes disso. Eu falei pouco, mas ouvi muito nestas horas em que estivemos com o Cordeiro de Deus, e eu te digo que verdadeiramente ele não pode ser senão o Messias. Por que não acreditar? Por que não querer crer? Tu o podes fazer, porque não o ouviste. Mas eu creio. Somos pobres e ignorantes? Ele bem disse que veio para anunciar a Boa Nova do Reino de Deus, do Reino de Paz, aos pobres, aos humildes, aos pequenos, mais do que aos grandes. Ele disse: “Os grandes já têm as suas delícias. Não são delícias invejáveis, se comparadas àquelas que Eu venho trazer. Os grandes já têm seu modo de chegar a compreender, somente pela força do estudo. Mas Eu venho aos ‘pequenos’ de Israel e do mundo, àqueles que choram e esperam, àqueles que procuram a Luz e têm fome do verdadeiro Maná; não é pelos doutos que a luz e os alimentos são doados, pois o que eles dão é somente opressão, escuridão, prisão e desprezo. Eu chamo os ‘pequenos.’ Eu vim para virar o mundo de cabeça para baixo. Porque Eu abaixarei o que agora está no alto, e elevarei o que agora está sendo desprezado. Quem quer verdade e paz, quem quer vida eterna, venha a Mim. Quem ama a Luz, venha. Eu sou a Luz do mundo.” Não foi assim que Ele disse, João?

Tiago falou de modo calmo, mas comovido.

– Sim. E Ele disse ainda: “O mundo não me amará. O grande mundo, porque se corrompeu com vícios e comércios idolátricos. O mundo aliás, não me quererá. Porque, como filho das Trevas, não ama a Luz. Mas a terra não é feita só do grande mundo. Nela existem aqueles que, mesmo estando misturados com todos, do mundo não são. Há alguns que são do mundo, porque nele foram aprisionados como os peixes pela rede”: ele falou justamente assim, porque nós estávamos conversando à margem do lago e Ele apontava as redes que vinham arrastadas com os peixes para a praia. Disse mais: “Vede. Nenhum daqueles peixes queria cair na rede. Também os homens, intencionalmente, não iriam querer cair como presas de Mamon. Nem mesmo os mais malvados porque estes, pela soberba que os cega, não crêem que não tenham o direito de fazer o que fazem. O verdadeiro pecado deles é a soberba. Deste pecado nascem todos os outros. Mas aqueles que não são completamente maus, ainda mais não iriam querer ser de Mamon. Eles caem por leviandade, por um peso que os arrasta para o fundo, que é a culpa de Adão. Eu vim para tirar aquela culpa e para dar, na esperança da hora da Redenção, uma tal força aos que em Mim crerem, que será capaz de livrá-los do laço que os prende, tornando-os livres para Me seguirem: a Luz do mundo!”

Detalhe

Tiago e João de Zebedeu estão perto de Pedro e André e anunciam o Messias. Não se trata de uma verdadeira pregação, mas há um pouco disso...

João toma a palavra, fala de Jesus e diz:

EMF 48.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

“Ide. Mas não vos deixeis vencer pelas primeiras palavras de escárnio. Quem quer vir Comigo, deve saber ter a cabeça erguida, diante das zombarias do mundo e das proibições dos parentes. Porque Eu estou acima do sangue e da sociedade, e triunfo sobre eles. E quem está Comigo, também triunfará eternamente.”

EMF 48.7-8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Fala, vai falando Dele, enquanto vamos indo. Onde Ele está?

– Em uma pobre casa. Deve ser de pessoas amigas.

– Mas, Ele é pobre?

– É um operário de Nazaré. Assim Ele disse.

– E de que vive agora, se não está mais trabalhando?

– Não lhe perguntamos. Talvez os parentes O estejam ajudando.

– Melhor seria levarmos peixes, pão, frutas… alguma coisa. Vamos perguntar a algum rabi, pois Ele é mais do que um rabi, mas de mãos vazias!… Os nossos rabinos não querem ser assim…

– Mas Ele quer. Não tínhamos mais do que vinte moedas, eu e o Tiago juntos, e oferecemos a Ele, como é costume fazer com os rabinos. Mas Ele não as queria. Nós, então, insistimos e Ele disse: “Deus vo-los restitua, nas bênçãos dos pobres. Vinde Comigo”, e prontamente as distribuiu aos pobrezinhos, que Ele sabia onde moravam, e a nós, que estávamos perguntando: “E para Ti, Mestre, não guardas nada?”, Ele respondeu: “A alegria de fazer a vontade de Deus e de servir à sua glória.” Nós lhe dissemos também: “Tu nos estás chamando, Mestre. Mas nós somos todos pobres. Que é que te devemos trazer?” Ele nos respondeu com um sorriso, que nos fez sentir o gosto do Paraíso: “Um grande tesouro quero de vós.” Nós Lhe dissemos: “Mas … nada temos?” E Ele respondeu: “É um tesouro de sete nomes, que até o mais pobre pode ter, mas o rei mais rico não pode possuir; vós o tendes, e Eu o quero. Ouvi os nomes deste tesouro: caridade, fé, boa vontade, reta intenção, continência, sinceridade e espírito de sacrifício. Isto Eu quero de quem me segue, só isto, e vós o tendes. Está dormindo como uma semente, sob um solo invernal, mas o sol da minha primavera o fará nascer em setêmplice espiga.” Assim Ele falou.

– Ah! Isto me assegura que é o verdadeiro Rabi, o Messias prometido. Não é duro com os pobres, não pede dinheiro… Basta isto para chamá-lo o Santo de Deus. Vamos tranqüilos.

Detalhe

Pedro pede a João que lhe fale do Messias.

EMF 49.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Sabes um pouco a Escritura? Sim? Pois bem, pensa no profeta Miquéias. Deus quer de ti aquilo que diz Miquéias. Não te pede que arranques o coração, nem que sacrifiques os afetos mais santos. Por enquanto, não te pede isto. Um dia, sem que Deus te peça, darás até a ti mesmo a Deus. Mas Ele espera que o sol e o orvalho façam de ti, que és ainda um fio de erva, uma palmeira forte e gloriosa. Por enquanto, Ele te pede isto: praticar a justiça, amar a misericórdia, e tomar todo o cuidado em seguir o teu Deus. Esforça-te para fazer isso, (...) e tu te tornarás um homem novo, o amigo de Deus e do seu Cristo.

Detalhe

Contexto: Jesus fala a Pedro, que não sabe como seguir as suas palavras e os seus ensinamentos.

Anotação

Livro de Miqueias 6, 8

Mi 6,8 : "- Homem, tu foste feito para saber o que é bom, o que o Senhor exige de ti: nada mais do que respeitar o que é justo, amar o que é fiel e aplicar-te a caminhar com o teu Deus."

EMF 55.1-2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– A estrada é longa, a noite é escura, as patrulhas romanas estão rondando pela cidade. Eu te digo: se queres, fica conosco.

– Oh! Mestre!

Tomé está feliz.

– Arranjai-lhe, vós, um lugar. E dai alguma coisa ao irmão.

Do seu, Jesus dá o pedaço de queijo que estava à sua frente. E explica a Tomé:

– Nós somos pobres, e a janta já está quase no fim. Mas quem dá, tem bom coração.

E a João, sentado ao seu lado, ele diz:

– Dá o lugar ao amigo.

João se levanta logo e vai sentar-se junto ao canto da mesa, perto do dono da casa.

– Assenta-te, Tomé. Come.

55.2 E depois diz a todos:

– Assim fareis sempre, amigos, pela lei da caridade. O peregrino já está protegido pela Lei de Deus. Mas agora, em meu nome, mais ainda o devereis amar. Quando alguém vos pedir um pão, um gole de água, um abrigo em nome de Deus, deveis dá-lo neste mesmo nome. E tereis de Deus a recompensa. Isto deveis fazer com todos. Também com os inimigos. E esta é a Lei nova. Até agora vos tinha sido dito: “Amai aqueles que vos amam, e odiai aos inimigos.” Eu vos digo: “Amai também aqueles que vos odeiam.” Oh! Se soubésseis como sereis amados por Deus, se amardes como Eu vos digo! Portanto, quando alguém diz: “Eu quero ser vosso companheiro a serviço do Senhor Deus verdadeiro, e seguir o seu Cordeiro”, então ele deve ser para vós mais querido do que um irmão de sangue, porque estareis unidos por um vínculo eterno: o vínculo do Cristo.

– Mas, e se depois chega um que não é sincero? E disser: “Eu quero fazer isto ou aquilo”, é fácil. Mas nem sempre a palavra corresponde à verdade –diz Pedro, um tanto irritado.

Não sei o que há, mas ele não está com o seu costumeiro humor jovial.

– Pedro, escuta. Tu falas com bom senso e com justiça. Mas, vê bem: é melhor pecar pela bondade e pela confiança do que pela desconfiança e pelo rigor. Se fizeres um benefício a um indigno, que mal te acontecerá? Nenhum. Mas, ao contrário, o prêmio de Deus estará sempre preparado para ti, enquanto que para ele haverá um desmerecimento, por ter traído a tua confiança.

– Não acontece nenhum mal? As vezes quem é indigno não se contenta só com a ingratidão, mas vai além, e chega também a prejudicar na estima, nos bens e na própria vida.

– É verdade. Mas isso diminuiria o teu merecimento? Não. Ainda que todos acreditassem nas calúnias, ainda que ficasses mais pobre do que Jó, ainda que um homem cruel te tirasse a vida, que é que seria mudado aos olhos de Deus? Nada. Aliás, haveria sim uma mudança. Mas para o teu bem. Deus uniria aos méritos de tua bondade os méritos do teu martírio intelectual, financeiro ou físico.

– Bem. Está bem! Então, será assim.

Pedro não fala mais. Ele está amuado e com a cabeça apoiada na mão.

Detalhe

Jesus fala com Tomé e depois dá-lhe uma lição sobre hospitalidade.

EMF 55.4-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

55.4 Pedro resmunga alguma coisa. Jesus ouve.

– Pedro, que tens? Ou estás calado, ou resmungas. Pareces descontente. Por que?

– Eu estou descontente. Nós somos os primeiros, e Tu não fazes um milagre para nós. Nós somos os primeiros, e Tu te sentas ao lado de um estrangeiro. Nós somos os primeiros e Tu dás encargos a ele, e não a nós. Nós somos os primeiros e… sim, é isso mesmo, e parece que somos os últimos. Por que vais esperá-los no caminho do rio? Certamente para dar a eles alguma missão. Por que a eles e não a nós?

Jesus olha para ele. Não está irado. Ao contrário, sorri, como se sorri a um rapazinho. Levanta-se, vai lentamente até Pedro, põe-lhe a mão sobre o ombro, e diz, sorrindo:

– Pedro! Pedro! És um grande velho menino!

E a André, sentado perto do irmão, diz:

– Vai para o meu lugar –assenta-se ao lado de Pedro, cingindo-o com o braço pelas costas e lhe fala, segurando-o assim contra o seu ombro:

– Pedro, está te parecendo que Eu cometo injustiça, mas não é injustiça o que faço. É, ao contrário, uma prova de que sei o que valeis. Olha bem. Quem é que precisa de provas? Aquele que ainda não está firme. Pois bem, Eu sabia que vós estáveis tão firmes Comigo, que não senti necessidade de dar-vos provas do meu poder. Aqui em Jerusalém são necessárias as provas, aqui onde o vício, a irreligião, as políticas e muitas coisas do mundo ofuscam os espíritos a ponto de eles não poderem ver a Luz que passa. Mas lá, sobre o nosso belo lago, tão puro sob um límpido céu, lá, entre pessoas honestas e desejosas do bem, não são necessárias as provas. Ali tereis os milagres. Derramarei sobre vós chuvas de graças. Mas, olha como vos tenho estimado: Eu vos tomei Comigo sem exigir provas e sem achar necessidade de vo-las dar, porque Eu sei quem sois. Queridos, tão queridos e tão fiéis a Mim.

Pedro se acalma:

– Perdoa-me, Jesus.

– Sim, Eu te perdôo, porque o teu amuo é amor. Mas, não tenhas mais inveja, Simão de Jonas. Sabes o que é o coração do teu Jesus? Já viste o mar, o verdadeiro mar? Sim? Pois bem, o meu coração é bem mais vasto do que o grande mar. Nele há lugar para todos. Para toda a humanidade. E o pequenino encontra lugar, como o maior dos grandes. O pecador encontra amor, como o inocente. A eles Eu dou uma missão. Com toda a certeza. Queres probir-me de dá-la? Eu é que vos escolhi. Não fostes vós. Portanto, Eu sou livre para julgar como empregar-vos. E, se a estes Eu os deixo aqui com uma missão — que pode também ser uma prova, como pode ser uma misericórdia o lapso de tempo concedido ao Iscariotes — podes tu reprovar-me? Sabes se para ti não estarei reservando uma maior? E não é a mais bela aquela de ouvires Eu te dizer: “Tu virás Comigo”?

– É verdade, é verdade! Eu sou um animal! Perdão…

– Sim. Tens todo o perdão. Oh! Pedro!… Mas Eu vos peço a todos: não fiqueis mais discutindo sobre merecimentos e postos. Eu teria podido nascer rei. Nasci pobre, em uma estrebaria. Teria podido ser rico. Vivi do trabalho e agora da caridade. Contudo, crede-o, amigos, não há ninguém maior aos olhos de Deus do que Eu. Do que Eu, que estou aqui como servo do homem.

– Servo Tu? Nunca.

– Por que, Pedro?

– Porque eu é que serei o teu servo.

– Ainda que tu me servisses, como uma mãe serve ao seu filhinho, Eu vim para servir ao homem. Para ele Eu serei o Salvador. Que serviço existe igual a este?

– Oh! Mestre! Tu nos explicas tudo. E o que nos parecia escuro, logo se torna claro.

– Estás contente agora, Pedro?

55.5 Então, deixa-me acabar de falar com Tomé.

Detalhe

Jesus deu uma missão a Tomé, que tinha acabado de se juntar ao grupo apostólico, e Pedro resmungou.

EMF 58.3-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

58.3 Jesus interpela o seu apóstolo:

– Vai ser boa a pesca?

– O tempo está favorável. A água está calma, e a lua vai ser clara. Os peixes emergirão das profundezas e a minha rede os arrastará consigo.

– Iremos sozinhos?

– Oh! Mestre! Como queres que façamos, com este sistema de redes, se ficarmos sozinhos?

– Eu nunca pesquei e espero que tu me ensines.

Jesus vai descendo muito devagar em direção ao lago e pára à margem da areia grossa e pedregosa, junto ao barco.

– Vê, Mestre: é assim que se faz. Eu saio ao lado do barco de Tiago, filho de Zebedeu e vamos assim, um ao lado do outro até o ponto bom para a pesca. Depois se desce a rede. Nós costumamos segurar uma ponta. Tu a queres segurar, me disseste isto.

– Sim, se me disseres o que devo fazer.

– Oh! Basta tomar cuidado com a descida. Que a rede vá descendo devagar e sem fazer nós. Devagar, porque estaremos em áreas de pesca e qualquer movimento muito brusco pode espantar os peixes. E sem nós, para que a rede não fique fechada, pois ela deve ir sendo aberta como uma bolsa, ou como um véu, se te agrada assim, que vai sendo enchida pelo vento. Depois, quando a rede já foi toda descida, iremos remando devagar, ou iremos com a vela, conforme for necessário, fazendo um semicírculo sobre o lago; quando o vibrar da estaca de segurança nos disser que a pesca foi boa, dirigiremos o barco para a terra e lá perto da beira içaremos a rede; não antes, para não nos arriscarmos a ver escapar a presa, nem depois para não estragar os peixes nem as redes sobre as pedras. Neste ponto é preciso ter olhos atentos porque os barcos devem estar muito próximos para que de um se possa recolher a ponta da rede dada pelo outro, mas sem se bater para não esmagar o saco cheio de peixes.

58.4 Eu confio em Ti, Mestre, pois este é o nosso pão. Olhos na rede, para que não se arrebente com as sacudidas. Os peixes defendem a sua liberdade com fortes golpes de cauda e se forem muitos… Tu entendes… São pequenos animais, mas reunidos em dez, em cem, em mil, tornam-se fortes como o Leviatã.

– É como acontece com as culpas, Pedro. Sendo a primeira, aindanão é irreparável. Mas, se alguém não toma cuidado, não limitando-se àquela, vai acumulando, acumulando… acabará acontecendo que aquela pequena culpa, talvez uma simples omissão, uma simples fraqueza, vai se tornando sempre maior, passe a ser um hábito, e se transforme em um vício capital. Às vezes, começa-se por um olhar concupiscente e se termina por um adultério consumado. Às vezes, por uma falta de caridade de palavras contra um parente, acaba-se por uma violência contra o próximo. Ai de quem começa e deixa que as culpas aumentem de peso, por seu número! Tornam-se perigosas e prepotentes como a própria Serpente infernal e arrastam para o abismo da Geena.

– Falas bem, Mestre… Mas, somos tão fracos!

– Advertência e oração para ser fortes e obter ajuda e uma firme vontade de não pecar. Depois, uma grande confiança na amorosa justiça do Pai.

EMF 69.2-3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) É verdade que o suicidar é o mesmo que matar. A vida, tanto a própria, como a dos outros, é um dom de Deus, e só a Deus, que no-la deu, está reservado o direito de tirá-la. Quem se mata, confessa sua soberba e a soberba é abominada por Deus.

– Confessa sua soberba? Eu diria que o seu desespero.

– E que é desespero, senão soberba? Pensa bem, Judas. Por que é que uma pessoa se desespera? É, ou porque as desventuras recrudescem sobre ela e essa pessoa quer vencê-las sozinha e não consegue, ou então porque ela é culpada e julga que Deus não pode perdoá-la. No primeiro e no segundo caso, não é talvez a soberba que está prevalecendo? A pessoa, que quer agir sozinha, não tem a humildade de estender a mão ao Pai e dizer-lhe: “Eu não posso, mas Tu podes. Ajuda-me, que de Ti eu tudo espero.” Aquela outra pessoa que diz: “Deus não pode me perdoar”, fala assim porque quer medir a Deus por si mesma e sabe que alguém, ofendido como aquele a quem ela ofendeu, não poderia perdoá-la. Ou seja, é soberba também aqui. O humilde se compadece e perdoa, mesmo se sofre pela ofensa recebida. O soberbo não perdoa. É soberbo porque não sabe inclinar a cabeça e dizer: “Pai, eu pequei, perdoa ao teu pobre filho culpado.” Mas não sabes, Judas, que tudo será perdoado pelo Pai se for pedido o perdão com um coração sincero e contrito, humilde e cheio de boa vontade de renovação no bem?

– Mas certos delitos não são perdoados. Não podem ser perdoados.

– És tu quem diz isso. E assim será, se o homem assim quiser. Mas em verdade, oh!, em verdade Eu te digo que, mesmo depois do delito dos delitos, se o culpado corresse aos pés do Pai — Ele se chama Pai para isso, Judas, e é um Pai de perfeição infinita — e chorando lhe suplicasse o perdão, oferecendo-se à expiação, mas sem desespero, o Pai lhe daria o modo de expiar para poder merecer o perdão e salvar sua alma.

69.3 – Então, Tu dizes que os homens que a Escritura cita, e que suicidaram, fizeram mal.

– Não é lícito fazer violência contra ninguém, nem contra si mesmo. Fizeram mal. Em seu relativo conhecimento do bem, em certos casos eles terão tido ainda a misericóridia de Deus. Mas, desde quando o Verbo tiver esclarecido toda a verdade e dado força aos espíritos com o seu Espírito, desde então, não haverá mais perdão para quem morre em desespero. Nem no momento do juízo particular, nem depois de muitos séculos na Geena, no dia do Juízo final, nem nunca. Será isso uma dureza de Deus? Não: é justiça. Deus dirá: “Tu julgaste, tu, criatura dotada de razão e de ciência sobrenatural, criada livre­ por Mim, tu julgaste seguir o caminho que escolheste, e disseste: ‘Deus não me perdoa. Estou separado Dele para sempre. Julgo que devo por mim mesmo aplicar-me justiça pelo meu delito. Saio da vida para fugir dos remorsos’, sem pensar que os remorsos não te teriam mais atingido, se tu tivesses vindo ao meu seio paterno. E, como tu mesmo te julgaste, que te advenha; Eu não violento a liberdade que te dei.”

Isto dirá o Eterno ao suicida. Pensa nisso, Judas. A vida é um dom e deve ser amada. Mas que dom é? Um dom santo. E, então, que ela seja amada santamente. A vida dura, enquanto a carne aguenta. Depois começa a grande Vida, a Vida eterna. De bem-aventurança para os justos e de maldição para os não-justos. A vida é uma meta ou um meio? É um meio. Serve para chegar ao fim, que é a eternidade. E, então, damos à vida o tanto que lhe sirva para durar e para servir o espírito em sua conquista. Continência da carne em todos os seus apetites, em todos. Continência da mente em todos os seus desejos, em todos. Continência do coração em todas as paixões do que é humano. Ilimitado, ao invés, há de ser o ímpeto pelas paixões que são do Céu: o amor a Deus e ao próximo, a vontade de servir a Deus e ao próximo, a obediência à Palavra divina, o heroísmo no bem e na virtude.

EMF 70.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Eu quero que vos ameis sem preferências, ajudando-vos reciprocamente, suportando-vos um ao outro. Ninguém é perfeito, João. Nem os jovens, nem os velhos. Mas, se tiverdes boa vontade, chegareis à perfeição, e o que faltar, Eu colocarei em vós. Vós sois como os filhos de uma santa família. Dentro dela há muitos caráteres diferentes. Um é forte, outro é calmo, outro é corajoso, outro é tímido, um é impulsivo, outro é muito cauteloso. Se todos fossem iguais, seríeis uma força em um caráter e deficiências em todos os outros. Enquanto que, como estais, formais uma união perfeita, porque vos completais mutuamente. O amor vos une, vos deve unir, o amor por causa de Deus.

– E por Ti, Jesus.

– Primeiro por causa de Deus, e depois por amor ao seu Cristo.

EMF 77.2-3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

[Judas fala dos pastores do Presépio.]

77.2 – A propósito. Há alguns dias que eu estou com uma pergunta me queimando os lábios. Esses são amigos teus e de Deus, não é verdade? Os anjos os abençoaram com a paz do Céu, não foi? Eles permaneceram justos, contra todas as tentações, não é mesmo? Explica-me então, por que é que foram infelizes? E Ana? Foi morta por ter querido bem a Ti….

– Tu deduzes, por isso, que o meu amor e que amar a Mim traz infortúnio.

– Não… mas….

– Mas é assim. (...) Vem cá, Judas. Escuta. Tu partes de um juízo comum a muitos viventes e a muitos que viverão. Eu disse: juízo. Deveria dizer: erro. Mas, posto que o fazes sem malícia, por ignorância do que é a verdade, não é um erro, mas somente um juízo imperfeito, como o pode ser, aquele de um menino. E vós sois meninos, pobres homens! E Eu estou aqui, Mestre, para fazer de vós adultos, capazes de discernir o verdadeiro do falso, o bom do mau, o melhor do que é bom. Portanto, escutai. O que é a vida? É um tempo de espera, Eu diria é o limbo do Limbo, que Deus Pai vos dá para provar se vossa natureza é de filhos bons ou de bastardos, e para destinar-vos, conforme as vossas obras, a um futuro que não terá mais esperas nem provas. Agora, dizei-me, vós: Seria justo que alguém que teve o bem extraordinário de poder servir a Deus de uma maneira especial, possua também por toda esta vida um bem contínuo? Não vos parece que já recebeu muito, e que por isso pode dizer-se feliz, mesmo se nas coisas humanas não é feliz? Não seria injusto que aquele que já tem a luz da divina manifestação no coração e o sor­riso da consciência que o aprova, tenha também honras e bens ter­renos? E não seria até imprudente?

77.3 – Mestre, eu digo que seria até profanador. Por que colocar alegrias humanas onde Tu estás? Quando alguém tem a Ti — e estes te têm tido, eles, os únicos ricos em Israel, por terem tido a Ti há trinta anos — não deve ter nenhuma outra coisa. Não se coloca coisas humanas no Propiciatório… e o vaso consagrado só serve para os usos sagrados. Estes são consagrados, desde o dia em que viram o teu sorriso… e nada, não, nada que não sejas Tu, deve entrar nos corações que têm a Ti. Fosse eu como eles! –diz Simão.

Detalhe

Judas recorda os pastores na Natividade e a morte de Ana de Belém. Por isso, diz que o amor a Jesus traz a desgraça, e Cristo responde-lhe.