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Notas da palavra-chave

O amor de Deus

Tema: Preceitos evangélicos e parábolas · Página 6 de 7

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EMF 180.3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Os nossos sentidos sempre precisam de um termo para compreenderem uma ideia. Cada um de nós, falo de nós que cremos, crê por força de fé no Altíssimo, Senhor e Criador, Deus Eterno que está no Céu. Mas todos os seres também precisam desta fé nua, virgem, incorpórea, que é suficiente para os anjos, que vêem e amam a Deus espiritualmente, compartilhando com Ele a natureza espiritual, tendo a capacidade de ver a Deus. Mas nós precisamos criar para nós uma figura de Deus, figura essa que é feita das qualidades essenciais que damos a Deus, para podermos dar, então, um nome à sua perfeição absoluta, infinita. Quanto mais a alma se concentra, mais consegue chegar à exatidão no conhecimento de Deus. Eis aqui o que eu digo: o Deus imanente. Eu não sou um filósofo. Talvez tenha usado mal a palavra. Mas, em resumo, para mim o Deus imanente é o sentir, perceber Deus em nosso espírito, sentí-lo e percebê-lo, já não mais como uma ideia abstrata, mas como uma real presença, doadora de uma fortaleza e de uma paz nova.

– Está bem. Mas como é que o sentias? Que diferença há entre sentir pela fé e sentir pela imanência? –pergunta, um pouco irônico, Iscariotes.

– Deus é segurança, rapaz. Quando tu o sentes, como diz Simão com aquela palavra que eu não entendo literalmente, mas cujo sentido eu entendo — e podes crer que o nosso mal é entender somente a letra, e não o espírito das palavras de Deus — quer dizer que consegues captar, não só o conceito da majestade terrível, mas da paternidade dulcíssima de Deus. Quer dizer que percebes o seguinte: quando todo o mundo te julgar e condenar com injustiça, Um só, Ele, o Eterno que é Pai, não te julgará, mas te absolverá e consolará. Quer dizer que sentes que, quando o mundo todo te odeiar, tu sentirás em ti um amor maior do que o mundo todo. Quer dizer que, mesmo estando segregado em um cárcere, ou em um deserto, sentirás sempre que Um te fala, e te diz: ‘Sejas santo, para que sejas como o teu Pai.’ Quer dizer que pelo amor para com este Deus Pai, que finalmente se chega a sentir tal, se aceita, se trabalha, se toma ou se deixa, sem medidas humanas, pensando somente em pagar amor com amor, em copiar ao mais próximoDeus com suas próprias ações –diz Pedro.

– Tu és um soberbo! Copiar Deus! Isso não te é permitido –sentencia Iscariotes.

– Não é soberba. O amor leva à obediência. Copiar Deus me parece um modo de obedece-lhe, pois Deus diz que nos fez à sua imagem e semelhança –replica Pedro.

– Ele nos fez. Nós não devemos ir acima disso.

– És um infeliz se pensas assim, caro rapaz. Tu te esqueces de que nós somos decaídos e que Deus quer recolocar-nos no ponto em que estávamos.

180.4

Jesus toma a palavra:

– Ainda mais do que isso, Pedro, Judas e vós todos. Ainda mais. A perfeição de Adão era ainda suscetível de crescimentopelo amor que o teria levado à imagem sempre mais exata do seu Criador. Adão, sem a mancha do pecado, teria sido como um limpidíssimo espelho de Deus. Por isso, Eu digo: “Sede perfeitos, como perfeito é o Pai que está nos Céus.” Como o Pai. Portanto, como Deus. Pedro falou muito bem. Simão falou muito bem também. Eu vos peço que vos recordeis das palavras deles e as apliqueis às vossas almas.

Detalhe

Simão, o Zelota, exprime uma das suas reflexões sobre Deus. O amor, o orgulho, a obediência e a redenção são abordados no final da nota.

EMF 185.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

O homem é “homem” e quer fazer tudo por si mesmo, sem perceber que Deus nada pede, a não ser ajudá-lo. (...) [Eles querem] "fazer tudo por si mesmos”, quando eles tinham a Mim, inclinado sobre as necessidades deles, à espera de ser chamado por eles, para ajudá-los.

EMF 185.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Eu não sou “homem”, sou o Deus-Homem. Não atuo como vós atuais. Vós, quando alguém rejeitou vosso conselho ou vossa ajuda, e o vedes depois em dificuldades, ainda que não sejais tão maus para vos alegrardes com aquilo, sempre o sois para ficardes desdenhosamente indiferentes olhando para ele, sem vos comoverdes com o seu grito de ajuda

E, com este modo de proceder, vós lhe estais querendo dizer: “Quando eu queria te ajudar, tu não o quiseste? Pois agora, vira-te!” Mas Eu sou Jesus. Sou o Salvador. E, de fato, Eu salvo, Maria. Salvo sempre, mal Me invocam.

EMF 188.3-4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– És israelita? –pergunta o homem.

– Sim.

– Eu também, ou quase, ainda que não pareça. Mas estive muito tempo em outras cidades e apanhei os costumes! Que estes tolos por aí condenam. Sou melhor que os outros. Mas eles me chamam de demônio, porque eu leio muito, crio galinhas, que vendo aos romanos e sei curar por meio de ervas. Quando jovem, por causa de uma mulher, me agarrei com um romano, — naquele tempo eu estava em Cíntio — e o apunhalei. Ele morreu, eu lá perdi um olho e o que eu possuía e fui condenado ao cárcere por muitos anos… para sempre. Mas eu sabia curar, e curei a filha do guarda. Isto valeu-me a amizade dele e um pouco de liberdade. Eu usei dela para fugir. Eu fiz mal, porque o homem certamente teve que perder a vida por causa da minha fuga. Mas a liberdade parece mais bela enquanto somos prisioneiros…

– Então, não é bela depois?

– Não. É melhor o cárcere, onde estamos sós, do que o contato com homens que não nos concedem estar sós, e que estão ao redor de nós para odiar-nos…

– Tu estudaste os filósofos?

– Eu era mestre em Cíntio… Eu era prosélito…

– E agora?

– Agora sou nada. Vivo na realidade. E odeio, como fui e estou sendo odiado.

– Quem é que te odeia?

– Todos e Deus em primeiro lugar. Ela era minha mulher… e Deus permitiu que ela me traísse e arruinasse. Eu era livre e respeitado e Deus permitiu que eu me tornasse um presidiário. O abandono de Deus e a injustiça dos homens fez desaparecer Aquele e estes. Aqui não há mais nada… –E bate na cabeça e no peito–. Isto é, aqui na cabeça está o pensamento, o saber. É aqui que não há mais nada –e cospe com desprezo.

– Estás enganado. Aí tens ainda duas coisas.

– Quais?

– A lembrança e o ódio. Tira-os.

188.4

Sejas verdadeiramente vazio… e Eu te darei uma coisa nova para pôr aí.

– Que é?

– O amor.

– Ah! Ah! Ah! Tu me fazes rir. Há trinta e cinco anos que eu não ria mais, meu homem. Desde que eu tive a prova de que a mulher estava me traindo com o romano mercador de vinhos. O amor! O amor a mim! É como se eu jogasse jóias aos meus frangos! Eles morreriam de indigestão, se não conseguissem passá-las adiante junto com as fezes. Comigo é a mesma coisa. O teu amor seria para mim um peso, se eu não pudesse digeri-lo…

– Não, homem! Não digas isso!

Jesus lhe põe a mão sobre o ombro, verdadeira e manifestamente aflito.

O homem olha para Ele, com o seu único olho, e o que ele vê naquele rosto, de tão grande doçura e beleza, o faz emudecer e mudar de expressão. Do sarcasmo ele passa para uma seriedade profunda, e desta para uma verdadeira tristeza. Ele inclina a cabeça, e depois, pergunta com uma voz diferente:

– Quem és?

– Jesus de Nazaré, o Messias.

– Tu?!

– Eu. Não sabias nada sobre Mim, tu que lês tanto?

– Eu sabia… Mas não que estavas vivo, e não… oh! sobretudo eu não sabia disto! Não sabia que eras bom para com todos… assim… até com os assassinos… Perdoa tudo o que eu te disse… a respeito de Deus e do amor… Agora compreendo porque é que me queres dar o amor… Porque sem o amor o mundo é um inferno, e Tu, o Messias, queres fazer dele um paraíso.

– Um paraíso em todos os corações. Dá-me a lembrança e o ódio, que te tornam doente, e deixa que Eu ponha em teu coração o amor.

– Oh! Se eu te houvesse conhecido antes. Mas, quando eu matava, certamente não tinhas nascido… Mas depois… depois, quando fiquei livre, como livre é a serpente da floresta, eu vivi para envenenar com o meu ódio.

– Mas fizeste também coisas boas. Não disseste que curavas por meio de ervas?

– Sim. Para que me tolerassem. Mas, quantas vezes lutei com a vontade de envenenar por meio de filtros!… Estás vendo? Eu vim me refugiar aqui porque… aqui é um lugar onde nada se sabe do mundo, e que o mundo também não conhece. É um lugar maldito. Noutros lugares eu era odiado e odiava, e tinha medo de ser reconhecido… Mas eu sou mau.

– Tens ainda uma mágoa por teres feito mal ao guarda da prisão. Não vês que tens ainda alguma bondade? Não és mau… Estás somente com uma grande ferida aberta, e ninguém a cura… A tua bondade foge dela, como o sangue das feridas. Mas, se houver quem cuide de ti e cure a tua ferida, meu pobre irmão, a tua bondade — não mais eliminada à medida que se forma — cresceria em ti…

O homem chora de cabeça inclinada, mas sem o mínimo sinal de que está chorando. Só Jesus, que vai caminhando ao lado dele, é que o vê. Mas não lhe diz mais nada.

Detalhe

Jesus está a falar com um homem zarolho que acabou de conhecer. O seu nome é Félix e está cheio de ódio a Deus e aos homens.

Anotação

Tantas vezes lutei contra o desejo de envenenar com poções!... O filtro serve para limpar um líquido das suas impurezas. Uma poção é uma bebida mágica geralmente utilizada para obter amor.

EMF 196.4-6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Minha mãe tinha feito voto de virgindade por amor. Mas tinha, sendo uma criatura perfeita, a maternidade no sangue e no espírito. Porque a mulher foi feita para ser mãe. E é até uma aberração, quando ela se faz de surda aos apelos desse instinto, que é amor de segunda potência…

Pouco a pouco, os outros foram chegando para perto.

– Que queres dizer, Senhor, quando falas de amor de segunda potência? –pergunta Judas Tadeu.

– Meu irmão, há muitos amores e de diversas potências. Há um amor de primeira potência: é o que se dá a Deus. Depois, o amor de segunda potência: é esse amor materno, ou paterno, porque, se o primeiro é todo espiritual, este é espiritual em duas partes, e carnal por uma. É verdade que no homem se mistura, sim, o sentimento afetivo humano, mas sempre predomina o superior, porque um pai e uma mãe, sadia e santamente tais, não dão somente alimento e carícias à carne de seu filho, mas também alimento e amor à mente e ao espírito dele. E, tanto é verdade o que digo que quem se dedica à infância, ainda que seja apenas para instruí-la, acaba por amá-la como sua carne.

– De fato, eu amava muito aos meus discípulos –diz João de Endor.

– Já compreendi que devias ter sido um bom mestre, ao ver como tratas Jabé.

O homem de Endor se inclina, e beija a mão de Jesus, sem dizer nada.

– Continua, por favor, a tua classificação dos amores –pede-lhe Zelotes.

– Existe o amor pela companheira: é um amor de terceira potência, porque é feito — falo sempre dos sadios e santos amores — pela metade de espírito e pela metade de carne. O homem para a esposa é um mestre e um pai, além de esposo. e a mulher, para o esposo, é um anjo e uma mãe, além de esposa. Estes são os três amores mais elevados.

196.5

– E o amor ao próximo? Não estás enganado? Ou terás esquecido dele? –pergunta Iscariotes.

Os outros olham espantados para ele e ameaçadores por causa da observação que ele fez.

Mas Jesus, placidamente, responde:

– Não, Judas. Mas presta atenção. Deus há de ser amado porque é Deus e, por isso, não há necessidade de explicação para persuadir a prestar esse amor. Ele é o que é, ou seja: o Tudo; e o homem é o nada, que se torna participante do Tudo pela alma que nele foi infundida pelo Eterno — sem a alma, o homem seria um dos muitos animais brutos, que vivem na terra, nas águas e no ar — e que deve adorá-lo por dever, e para merecer sobreviver no Tudo, isto é, para merecer fazer parte do Povo santo de Deus no Céu, cidadão da Jerusalém, que não conhecerá profanações e destruições, nunca mais.

O amor do homem, e especialmente o da mulher, aos filhos, é indicado como uma ordem nas palavras de Deus a Adão e Eva, depois de tê-los abençoado, vendo que havia feito “coisa boa”, naquele longínquo sexto dia, o primeiro sexto dia da criação. E Ele lhes disse: “Crescei e multiplicai-vos, enchei a terra…”

Vejo a tua não formulada objeção e respondo assim dado que na criação, antes da culpa, tudo era regulado e baseado no amor, essa multiplicação dos filhos teria sido amor, um amor santo, puro, poderoso e perfeito. E Deus o deu como primeira ordem, ao homem: “Crescei e multiplicai-vos.” Amai, pois, depois de Mim, aos vossos filhos. O amor, como agora existe, esse amor atual gerador de filhos, antes não existia. A malícia não existia e não existia a execrável fome da sensualidade. O homem amava a mulher, e a mulher ao homem, de um modo natural, não natural segundo a natureza como nós a entendemos, ou melhor, como vós homens a entendeis, mas segundo a natureza de filhos de Deus: sobrenaturalmente[3].

Que doces os primeiros dias de amor entre os dois, que eram irmãos, porque nascidos do mesmo Pai, e que, no entanto, eram esposos, e que, ao se amarem, olhavam um para o outro com os olhos inocentes de dois gêmeos no berço; e o homem sentia um amor de pai para com sua companheira “osso de seus ossos e carne de sua carne”, assim como é o filho em relação a seu pai. E a mulher conhecia a alegria de ser filha, isto é, protegida por um amor bem alto, porque sentia ter em si alguma coisa daquele maravilhoso homem que a amava, com inocência e angélico ardor, nos belos prados do Éden!

Depois, na ordem dos mandamentos dados por Deus, com um sorriso para os seus queridos pequeninos, vem aquilo que o próprio Adão, dotado pela Graça de uma inteligência, que só era menor que a de Deus, decreta, falando da companheira do homem, e nela, de todas as mulheres, o decreto do pensamento de Deus, que se refletia nítido no tenro espelho do espírito de Adão, e florescia no pensamento e na palavra: “O homem deixará seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne.”

Se não houvesse os três pilares dos três amores acima referidos, teríamos podido ter o amor ao próximo? Não. Não o teríamos podido. O amor a Deus torna Deus amigo, e ensina o amor. Quem não ama a Deus, que é bom, com toda a certeza não pode amar ao próximo que, em sua maior parte, é defeituoso. Se não houvesse amor conjugal e paternidade no mundo, não teríamos o próximo, porque os próximos são os filhos nascidos dos homens. Estás persuadido disso?

– Sim, Mestre. Eu não havia refletido.

– De fato, é difícil voltar atrás, subindo para as nascentes. O homem já está pregado, há muitos séculos e milênios, na lama, e aquelas nascentes estão bem lá nos cumes! A primeira delas é uma nascente que vem de um abismo de altura: É Deus… Mas Eu vos tomo pela mão e vos levo às nascentes. Eu sei onde elas estão…

196.6

– E os outros amores? –perguntam juntos Simão Zelotes e o homem de Endor.

– O primeiro da segunda série, é o do próximo. Na realidade, é o quarto em potência. Segue o amor à ciência. Depois vem o amor ao trabalho.

– E basta?

– E basta.

– Mas há ainda muitos outros amores! –exclama Judas Iscariotes

– Não. Há outras fomes. Mas não são amores. São desamores. São a negação de Deus e a negação do homem. Por isso, não podem ser amores, visto que são negações, e a negação é o ódio.

Detalhe

Os diferentes poderes do amor.

Anotação

Ele é Aquele que é, ou seja, o Todo; e o homem é o nada que se torna parte do Todo graças à alma que lhe é infundida pelo Eterno. "Parte" foi corrigido (de acordo com a explicação dada na nota em EMV 167.9) para "participante" numa cópia datilografada; acrescenta no final da página: "Se a alma sabe permanecer em estado de graça, assim deificada, não por identidade de substância, mas por elevação à ordem sobrenatural. "

Nota da EMV 167: "Parcela de Deus" parece ter sido alterado para parcela nascida de Deus por uma correção pouco clara de Maria Valtorta numa cópia dactilografada, à qual acrescentou a seguinte nota: A palavra "parcela" não deve ter o significado de "parte de Deus" infundida em nós, mas de "lugar do trono", "assento" infundido ou "espirado" (pelo "sopro de vida" de que fala o Génesis 2,7) por Deus, ou seja, coisa de Deus vinda de Deus para o homem. São Tomás de Aquino chama-lhe "uma capacidade de Deus" que Deus enche de si mesmo, para que todos possamos participar na sua vida divina".

Esta explicação de Maria Valtorta (e o texto deEMV 10.9) deve ser tida em conta sempre que a obra fala da alma como "parte" ou "partícula" de Deus.

Pode ser relacionado com as notas de EMV 4.6, EMV 54.5, EMV 165.4, EMV 170.4, EMV 365.16, EMV 444.4, EMV 463.4, EMV 524.7, EMV 537.11.

"Crescei e multiplicai-vos e enchei a terra... "Segundo o Génesis 1:28.

O homem amou a mulher e a mulher amou o homem, naturalmente, não naturalmente segundo a natureza como nós a entendemos, ou melhor, como vós homens a entendeis, mas segundo a natureza dos filhos de Deus: sobrenaturalmente. "Sobrenaturalmente": Maria Valtorta anota numa cópia dactilografada: sem que a desordem da malícia se una ou mesmo "se substitua" às leis ordenadas de Deus, inerentes à multiplicação e ao povoamento da terra. Acrescenta à margem: Enquanto o homem permaneceu nesta ordem, não nasceu nele o veneno da tríplice concupiscência que o tornou delirante, depois rebelde, finalmente caído.

O homem sentia o amor de um pai pela sua companheira "osso dos seus ossos e carne da sua carne", como uma criança sente pelo seu pai. Segundo o Génesis 2, 23.

"O homem deixará o seu pai e a sua mãe e unir-se-á à sua mulher, e os dois serão uma só carne. "Segundo Génesis 2, 24.

Livro do Génesis 1, 28

Gn 1, 28: Deus abençoou-os e disse-lhes: "Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a, dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os seres vivos que se movem sobre a terra".

Livro do Génesis 2, 23-24

Gn 2, 23-24 : E o homem disse: "Esta é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Esta chamar-se-á mulher, porque foi tirada do homem. Por isso, o homem deixará o seu pai e a sua mãe e unir-se-á à sua mulher, e eles serão uma só carne.

EMF 196.4.6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Há muitos amores e de diversas potências. Há um amor de primeira potência: é o que se dá a Deus. Depois, o amor de segunda potência: é esse amor materno, ou paterno, porque, se o primeiro é todo espiritual, este é espiritual em duas partes, e carnal por uma. É verdade que no homem se mistura, sim, o sentimento afetivo humano, mas sempre predomina o superior, porque um pai e uma mãe, sadia e santamente tais, não dão somente alimento e carícias à carne de seu filho, mas também alimento e amor à mente e ao espírito dele. E, tanto é verdade o que digo que quem se dedica à infância, ainda que seja apenas para instruí-la, acaba por amá-la como sua carne. (...) Existe o amor pela companheira: é um amor de terceira potência, porque é feito — falo sempre dos sadios e santos amores — pela metade de espírito e pela metade de carne. O homem para a esposa é um mestre e um pai, além de esposo. e a mulher, para o esposo, é um anjo e uma mãe, além de esposa. Estes são os três amores mais elevados. (...) O primeiro da segunda série, é o do próximo. Na realidade, é o quarto em potência. Segue o amor à ciência. Depois vem o amor ao trabalho.

Detalhe

Resumo dos diferentes poderes do amor (explicados em pormenor na presente nota).

EMF 200.3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Aglaé se separa da sacola que trazia nas costas e, em seguida se ajoelha aos pés de Jesus, em meio a uma grande explosão de choro. Ela se estende no chão, chorando, com a cabeça apoiada nos braços cruzados sobre a terra.

– Não chores assim. Já não é mais tempo disso. Tu devias chorar, quando estavas com ódio de Deus. Mas não agora que o amas e por Ele és amada.

Mas Aglaé continua a chorar…

– Não acreditas que é assim?

Sua voz está procurando um caminho, por entre os soluços:

– Eu o amo, é verdade, como sei e como posso. Mas, por mais que eu saiba e creia que Deus é Bondade, não ouso esperar de obter o seu amor. Eu pequei demais… Talvez eu o terei um dia… Mas preciso chorar muito ainda… Por enquanto, estou sozinha no meu amor. Estou sozinha… mas já não é a solidão desesperada dos anos passados. É uma solidão cheia do desejo de Deus e, por isso nem é mais desesperada… mas é tão triste, tão triste…

– Aglaé, como tu ainda conheces mal o Senhor! Este desejo dele te serve de prova de que Deus corresponde ao teu amor, de que Ele é teu amigo, que te chama e te convida, que te quer. Deus é incapaz de permanecer inerte, diante do desejo de uma criatura sua, porque aquele desejo foi inspirado àquele coração por Ele, o Criador e Senhor de toda criatura. Ele o inspirou, porque amou com um amor privilegiado a alma que agora o deseja. O desejo de Deus vem sempre antes do desejo da criatura, porque Ele é Perfeitíssimo e, por isso, o seu amor é bem mais habilidoso e abrasado do que o amor da criatura.

– Mas, como Deus pode amar-me, se eu sou lama?

– Não fiques procurando entender isso com a tua inteligência. É um abismo de misericórdia, incompreensível para a mente humana. Mas onde a inteligência do homem não pode compreender, compreende a inteligência do amor, o amor do espírito. Este compreende e penetra firmemente no mistério que é Deus e no mistério dos relacionamentos da alma com Deus. Entra, Eu te digo. Entra, porque Deus o quer.

– Oh! não, Senhor! Tudo o que me disseste[1] em Hebron se realizou.

Tu me salvaste, como o teu Nome diz. Tu procuraste a mim pobre alma perdida. Tu deste a vida a esta alma que eu trazia morta em mim. Tu me disseste que, se eu tivesse te procurado teria te encontrado. E foi verdade. Tu me disseste que estás por toda parte, onde o homem está precisando de médico e de remédio. E é verdade tudo, tudo o que disseste à pobre Aglaé, desde aquelas palavras daquela manhã de junho, até as outras ditas em Águas Belas…

– Então, deves crer também nestas.

– Sim, eu creio, eu creio. Mas, Tu me dirás: “Eu te perdôo!”

– Eu te perdôo em nome de Deus e de Jesus.

– Obrigada…

Detalhe

Aglaia, uma antiga pecadora, encontra-se com o Senhor e chora diante dele. Jesus toma a palavra e diz-lhe que não chore.

Anotação

Tudo o que me disseste em Hebron tornou-se realidade. Em EMV 77.

EMF 204.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Só há um único e verdadeiro Deus.

– Então, Ele fica lá em cima sozinho no seu Olimpo? E que é que Ele faz, se está sozinho?

– Ele se basta a Si mesmo, e se ocupa com todas as coisas que existem na criação. Eu te disse antes: até no zumbido do mosquito Deus está presente. Não duvides, Ele não se aborrece. Ele não é um pobre homem, dono de um imenso império, mas que se sente odiado e no qual vive tremendo. Ele é o Amor, e vive amando. Sua vida é um contínuo Amor. Ele se basta a Si mesmo, porque é infinito e poderosíssimo, é a Perfeição. Mas, tantas são as coisas criadas que vivem por sua contínua vontade, que Ele não tem tempo para aborrecer-se. O aborrecimento é o fruto do ócio e do vício. No Céu do verdadeiro Deus não há ócio, nem vício. Mas, dentro de pouco tempo, Ele terá, além dos Anjos, que agora o servem, um povo de justos, que se alegram nele e esse povo sempre se irá tornando mais numeroso, com os que crerem no verdadeiro Deus, nos tempos futuros.

– Os Anjos seriam os gênios? –pergunta Lídia.

– Não. São seres espirituais, como é Deus que os criou.

– E os gênios, então, que é que são?

– Do modo que vós os imaginais, são mentira. Eles não existem, do modo que os imaginais. Mas, por essa necessidade instintiva do homem de procurar a verdade, — e isto por um estímulo da alma, que está viva e presente até nos pagãos e que neles está sofrendo, porque está decepcionada em seus desejos, porque está esfomeada em sua saudade do Deus Verdadeiro, de quem só ela se recorda, no corpo em que ela mora e que é guiado por uma mente pagã, — vós também percebestes que o homem não é somente carne, mas que ao seu corpo perecível está unida alguma coisa imortal. Também o perceberam as cidades e as nações. Por isso é que credes, e sentis a necessidade de crer nos “gênios.” E dais a vós mesmos um gênio individual, o da família, o da cidade, o das nações. Vós tendes o “gênio de Roma.” Tendes o “gênio do imperador.” E os adorais como a divindades menores. Entrai na verdadeira fé. Tereis o conhecimento e a amizade do vosso anjo, ao qual deveis veneração, mas não adoração. Só Deus deve ser adorado.