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Notas do tema

Factos sobre a vida pública de Jesus Cristo

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EMF 59.6-8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

59.6 – Não achas que estás sendo ousado ao professar-te representante de Deus? Nenhum dos Profetas ousou tanto. E Tu… Quem és, Tu que estás falando? E com ordem de quem falas?

– Os Profetas não podiam falar deles mesmos o que Eu de Mim mesmo falo. Quem sou Eu? Sou o Esperado, o Prometido, o Redentor. Já ouviste aquele que o precede dizer: “Preparai o caminho do Senhor­… Eis que o Senhor Deus vem… Como um pastor apascentará o seu rebanho, sendo também o Cordeiro da verdadeira Páscoa.” Entre vós estão aqueles que ouviram do Precursor estas palavras, e viram o céu relampejar com uma luz que descia em forma de pomba, e ouviram uma voz que falava, dizendo quem Eu era. Por ordem de quem Eu falo? Daquele que é, e que me envia.

– Tu podes estar dizendo isto, mas podes também ser um mentiroso, ou um iludido. As tuas palavras são santas, mas às vezes, Satanás tem palavras enganosas, tingidas de santidade, para induzir em erro. Nós não te conhecemos.

– Eu sou Jesus de José, da estirpe de Davi, nascido em Belém Efrata, segundo as promessas, chamado nazareno, porque minha casa é em Nazaré. Isto segundo o mundo. Segundo Deus, sou o seu Enviado. Os meus discípulos sabem disso.

– Oh! Os teus discípulos! Eles podem falar o que quiserem e o que Tu os mandas dizer.

– Um outro falará, um que não me ama, e dirá quem Eu sou. Espera aí, que Eu vou chamar um dos que estão aqui presentes.

59.7 Jesus olha para a multidão, que está espantada com esta discussão, irritada e dividida entre correntes opostas. Jesus olha para ela, procurando alguém com seus olhos de safira, e depois chama com voz forte:

– Ageu, vem para a frente. Eu te ordeno.

Há um grande murmúrio entre a multidão, que se abre, para deixar passar um homem, todo sacudido pelo tremor e sustentado por uma mulher.

– Conheces este homem?

– Sim. É o Ageu de Malaquias, aqui de Cafarnaum. É possuído por um espírito mau, que o desatina em fúrias repentinas.

– Todos vós o conheceis?

A multidão grita:

– Sim, sim.

– Poderá alguém aí dizer que ele já esteve conversando Comigo, ainda que por poucos minutos?

A multidão grita:

– Não, não, ele é quase um idiota, e não sai nunca de casa, e nunca ninguém te viu lá.

– Mulher, traze-o aqui diante de Mim.

A mulher o empurra e o arrasta, enquanto o pobre homem treme fortemente.

O arqui-sinagogo adverte a Jesus:

– Estai atento! O demônio vai atormentá-lo… e então se arroja, arranha e morde.

A multidão abre caminho, comprimindo-se contra as paredes.

Agora os dois estão frente a frente. É um momento de luta. Parece que o homem, acostumado a ficar mudo, sente dificuldade para falar, e gane, mas depois sua voz toma a forma de palavras:

– Que há entre nós e Ti, Jesus de Nazaré? Por que vieste atormentar-nos? Por que vieste exterminar-nos, Tu, Senhor do Céu e da terra? Eu sei quem és: o Santo de Deus. Ninguém, na carne, foi maior do que Tu, porque em tua carne de homem está encerrado o Espírito do eterno Vencedor. Já me venceste em…

– Cala-te! Sai deste homem. Eu te ordeno!

O homem é tomado como que de um estranho paroxismo. Ele se agita aos arrancos, como se alguém o estivesse maltratando com empurrões e safanões, grita com uma voz desumana, espuma, em seguida é jogado ao chão, do qual depois se levanta assombrado e curado.

59.8 – Ouviste? Que respondes agora? –pergunta Jesus ao seu opositor.

O homem barbudo e empertigado encolhe os ombros e, vencido, vai-se embora sem responder. O povo zomba dele e aplaude a Jesus.

– Silêncio. O lugar é sagrado! –diz Jesus, e depois ordena–: Venha a Mim o jovem a quem prometi a ajuda de Deus.

Aproxima-se o doente. Jesus o acaricia:

– Tiveste fé! Sê curado. Vai em paz e sê justo.

O jovem dá um grito. Quem sabe o que estará sentindo? Ele se prostra aos pés de Jesus e os beija, agradecendo:

– Obrigado por mim e por minha mãe!

Detalhe

Em 59.2, a mulher de Ageu, um homem possesso, ouve dizer que Cristo vai certamente curar os doentes depois de ele pregar. Ela diz então: "Ah, se Ageu viesse! Vou tentar... mas ele não vem".

Jesus prega e é interpelado por um homem, que parece duvidar que ele seja o Messias. Jesus então diz que outro vai falar e dizer quem ele é.

EMF 59.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

59.6 – Não achas que estás sendo ousado ao professar-te representante de Deus? Nenhum dos Profetas ousou tanto. E Tu… Quem és, Tu que estás falando? E com ordem de quem falas?

– Os Profetas não podiam falar deles mesmos o que Eu de Mim mesmo falo. Quem sou Eu? Sou o Esperado, o Prometido, o Redentor. Já ouviste aquele que o precede dizer: “Preparai o caminho do Senhor­… Eis que o Senhor Deus vem… Como um pastor apascentará o seu rebanho, sendo também o Cordeiro da verdadeira Páscoa.” Entre vós estão aqueles que ouviram do Precursor estas palavras, e viram o céu relampejar com uma luz que descia em forma de pomba, e ouviram uma voz que falava, dizendo quem Eu era. Por ordem de quem Eu falo? Daquele que é, e que me envia.

EMF 60.1-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

60.1 Pedro fala a Jesus:

– Mestre, eu queria pedir-te que vás à minha casa. Não tive coragem de dizer isso no sábado passado. Mas… queria que fosses.

– Em Betsaida?

– Não, aqui… na casa de minha mulher, quero dizer, a casa nativa.

– Por que tens esse desejo, Pedro?

– Ah!… por muitas razões… e, além disso, hoje me disseram que minha sogra está doente. Se quisesses curá-la, talvez te…

– Acaba de falar, Simão.

– Eu queria dizer… se Tu te aproximasses, ela acabaria… sim, em suma, Tu sabes, uma coisa é ouvir falar de alguém e outra é vê-lo e ouvi-lo e, se essa pessoa depois fica sã, então…

– Então, também o ódio se acaba, queres dizer.

– Não, ódio não. Mas Tu sabes… o povoado está dividido em muitos pareceres e ela… não sabe a quem dar razão. Vai, Jesus.

– Eu vou. Vamos. Avisarás aos que estão esperando que da tua casa falarei a eles.

60.2 Vão até uma casa baixa, mais baixa ainda do que a de Pedro em Betsaida e ainda mais próxima ao lago. Está separada deste por uma pequena faixa da margem e creio que nas borrascas as ondas ve­nham a morrer contra as paredes da casa que, se é baixa, é em compensação bem espaçosa, como se fosse habitada por mais pessoas.

Na horta-pomar, que está à frente da casa, perto do lago, nada mais há do que uma videira já velha e nodosa que se estende em uma rústica parreira e uma velha figueira que os ventos do lago curvaram em direção à casa. A fronde despenteada da árvore roça as paredes e bate contra as venejiadas das janelinhas que estão fechadas para servirem de proteção contra o sol forte que bate sobre a baixa casa. Nada mais há além desta figueira e desta videira e de um poço raso com um muro esverdeado.

– Entra, Mestre.

Algumas mulheres estão na cozinha, umas ocupadas em consertar as redes, outras em preparar a comida. Elas saúdam a Pedro e depois se inclinam confusas diante de Jesus; entretanto, olham-no de soslaio, com curiosidade.

– A paz esteja nesta casa. Como vai a doente?

– Fala, tu que és a nora mais velha –dizem três mulheres a uma que está enxugando as mãos na barra da veste.

– A febre está forte, muito forte. Nós fizemos com que o médico a visse, mas ele disse que ela está velha para sarar e que quando aquele mal dos ossos chega ao coração e dá febre, especialmente naquela idade, o doente morre. Ela não está comendo mais… Eu procuro fazer-lhe comidas boas, mesmo agora, vê Simão? Eu lhe estava preparando aquela sopa de que ela gostava tanto. Escolhi o peixe melhor que peguei com os cunhados. Mas acho que ela não vai poder comer. E depois… está tão inquieta! E se lamenta, grita, chora, pragueja…

– Tende paciência, como se fosse vossa mãe e tereis merecimento diante de Deus.

60.3 Levai-me a ela.

– Rabi… Rabi… não sei se ela irá querer te ver. Não quer ver a ninguém. Eu nem tenho coragem de dizer-lhe: “Agora vou te trazer o Rabi.”

Jesus sorri sem perder a calma. Depois se vira para Pedro:

– Cabe a ti, Simão. Tu és homem, e o mais velho dos genros, como me disseste. Vai.

Pedro faz uma careta muito significativa mas obedece. Ele atravessa a cozinha, entra em um quarto; através da porta fechada atrás dele, eu o ouço conversar com uma mulher. Depois, põe a cabeça e uma mão fora da porta e diz:

– Vem, Mestre. Anda depressa!

E acrescenta, em voz mais baixa, só o tanto necessário para ser entendido:

– Antes que ela mude de idéia.

Jesus atravessa rápido a cozinha e abre a porta toda. De pé, à porta, Ele diz a sua doce e solene saudação:

– A paz esteja contigo.

Em seguida, entra, não obstante não tenha recebido resposta. Vai para perto da enxerga sobre a qual está estendida uma pequena mulher toda grisalha, descarnada e ofegante pela forte febre que lhe torna corado o rosto abatido.

Jesus se inclina para o pequeno leito e sorrindo para a velhinha, diz:

– Que estás sentindo?

– Eu estou morrendo!

– Não. Não estás morrendo. Podes crer que Eu te posso curar?

– E por que irias fazer isso? Não me conheces.

– Por causa de Simão, que pediu a mim… e também por causa de ti, para dar tempo à tua alma de ver e amar a Luz.

– Simão? Ele faria melhor em… Como Simão foi capaz de pensar em mim?

– Porque ele é melhor do que pensas. Eu o conheço e sei. Eu o conhe­ço e estou contente por vir atendê-lo.

– E, então, tu me curarias? Não vou mais morrer?

– Não, mulher. Por enquanto não morrerás. Podes crer em Mim?

– Creio, creio. Basta-me não morrer!

60.4 Jesus sorri ainda. E a pega pela mão. A mão enrugada e de veias inchadas desaparece na mão juvenil de Jesus que se endireita e toma aquele aspecto de quando faz um milagre; exclama:

– Sê curada! Eu quero! Levanta-te!

Solta-lhe a mão que recai sem que a velha se lamente, enquanto que antes, mesmo tendo-a Jesus pegado com muita delicadeza, só de tê-la movido já tinha sido causa de um lamento por parte da enferma.

Houve um breve tempo de silêncio. Depois a velha exclama com voz forte:

– Oh! Deus de nossos pais! Mas eu não tenho mais nada! Estou curada! Vinde! Vinde!

Acorrem as noras.

– Mas olhai! –dizia a velha–. Eu me movo, e não sinto mais dor! E não tenho mais febre! Vede como estou com saúde. E o coração não se parece mais com o martelo do ferreiro. Ah! Não vou mais morrer!

E não tem nenhuma palavra para o Senhor!

Mas Jesus não leva isso em consideração. Ele diz à mais velha das noras:

– Vesti-a para que se levante. Ela já pode levantar-se.

E vai-se encaminhando para sair.

Simão, mortificado, se vira para a sogra:

– O Mestre te curou. E não lhe dizes nada?

– Está certo! Não pensei nisso. Obrigada. Que posso fazer para mostrar-te o meu agradecimento?

– Ser boa, muito boa. Porque o Eterno foi bom para contigo. E, se não te for muito incômodo, deixa-me repousar hoje em tua casa. Percorri nesta semana todos os povoados vizinhos e cheguei ao despertar desta manhã. Estou cansado.

– Certo! Certo! Fica, sim, se assim te agrada.

Mas não existe muito entusiasmo em suas palavras.

60.5 Jesus, com Pedro, André, Tiago e João vai sentar-se no pomar.

– Mestre!…

– Que há, meu Pedro?

– Eu estou mortificado.

Jesus faz um gesto, como se dissesse: “Deixa para lá.” Depois, diz:

– Não é esta a primeira nem será a última que não sinto um reconhecimento imediato. Mas Eu não peço reconhecimento. Basta-me dar às almas o modo de se salvarem. Faço o meu dever. A elas cabe fazer o delas.

– Ah! Então já houve outros assim? Onde?

– Simão curioso! Mas Eu quero te contentar, embora não goste de curiosidades inúteis. Foi em Nazaré. Lembras-te da mãe de Sara? Estava muito doente quando chegamos a Nazaré e nos disseram que a menina estava chorando. Para não fazer dela, que é boa e dócil, uma órfã e amanhã uma enteada, fui procurar a mulher… Eu queria curá-la. Mas, ainda não tinha posto os pés na casa dela, quando o seu marido e um irmão me expulsaram, dizendo: “Vai embora, vai embora! Não queremos aborrecimentos com a sinagoga.” Para eles, para muitos, Eu já sou um rebelde… mas Eu a curei do mesmo jeito… por causa de seus filhos. E à Sara, que estava na horta, Eu disse, acariciando-a: “Eu curo tua mãe. Vai para casa. Não chores mais.” E a mulher ficou curada no mesmo instante; a menina foi dizer isso a ela, e também ao pai e ao tio… E foi castigada por ter falado Comigo. Eu sei, porque a menina veio correndo atrás de Mim, quando Eu já ia deixando o povoado… Mas não importa.

– Eu faria com que ela ficasse doente de novo!

– Pedro!

Jesus está severo:

– É isso que Eu ensino a ti e aos outros? Que foi que ouviste dos meus lábios desde a primeira vez que me ouviste? De que é que Eu tenho sempre falado como primeira condição para serdes meus verdadeiros discípulos?

– É verdade, Mestre. Eu sou um verdadeiro animal. Perdoa-me. Mas… não posso suportar que não te amem!

– Ó Pedro, verás um desamor bem maior! Quantas surpresas terás, Pedro! Há pessoas que o mundo chamado “santo” despreza como publicanos, e que, ao invés, serão exemplos para o mundo, e um exemplo não seguido por aqueles que as desprezam. Há gentios que estarão entre os meus maiores fiéis. Há meretrizes que se tornam puras, por vontade e por penitência. Pecadores que se emendam…

– Escuta, que se emende um pecador… ainda pode ser. Mas uma meretriz e um publicano!…

– Tu não acreditas?

– Eu não.

– Estás errado, Simão.

60.6 Mas, eis tua sogra que está vindo a nós.

– Mestre… eu te peço que te assentes à minha mesa.

– Obrigado, mulher. Deus te recompense por isto.

Entram na cozinha e se assentam à mesa e a velha serve aos homens com grande distribuição de peixe ensopado e assado.

– Não há mais do que isso –ela se desculpa.

E, para não perder o costume, diz a Pedro:

– Os teus cunhados fazem até demais, sozinhos como ficaram, desde quando foste para Betsaida! E ao menos se prestasses a fazer mais rica a minha filha… Mas ouço dizer que freqüentemente estás ausente e que não vais pescar.

– Eu sigo o Mestre. Estive com Ele em Jerusalém e aos sábados estou com Ele. Não perco o tempo em farras.

– Mas não ganhas nada com isso. Farias melhor, já que queres ser o servo do Profeta, que venhas para cá de novo. Pelo menos aquela pobre criatura, que é a minha filha, enquanto tu ficas aí te fazendo de santo, terá os parentes que lhe matem a fome.

– Mas, não te envergonhas de falar assim diante Dele que te curou?

– Eu não o critico. Ele faz o seu trabalho. Eu critico é a ti, que vives como um mandrião. Afinal, tu não serás nunca um profeta, nem um sacerdote. És um ignorante e um pecador, és um bom para nada.

– Tens razão, porque Ele está aqui, senão…

– Simão, tua sogra te deu um ótimo conselho. Podes pescar também aqui. Pescavas também antes em Cafarnaum, pelo que ouço. Podes voltar até agora.

– E morar aqui de novo? Mas Mestre, Tu não…

– Bom, meu Pedro, se ficares aqui estarás no barco sobre o lago, ou Comigo. Por isso, para ti que diferença há entre estar ou não estar nesta casa?

Jesus pôs a mão sobre o ombro de Pedro e parece que a calma de Jesus passa para Pedro que já estava fervendo.

– Tens razão. Sempre tens razão. É assim que eu vou fazer. Mas… e estes? –e mostra João e Tiago, seus sócios.

– Não poderão vir eles também?

– Oh! O nosso pai, e principalmente a nossa mãe, estarão sempre mais felizes, se souberem que estamos Contigo, do que com eles. Eles não criarão obstáculos.

– Talvez também Zebedeu virá –diz Pedro.

– É mais que provável. E com eles outros. Viremos, Mestre. Viremos sem falta.

Detalhe

Nota: Há dois milagres neste extrato, o da sogra de Pedro e o da mãe de Sara em Nazaré (cf. 60.5).

Anotação

Mateus 8:14-15

Quando Jesus entrou em casa de Pedro, viu a sogra dele deitada na cama com febre. Ele tocou-lhe na mão e a febre deixou-a. Ela levantou-se e serviu-o. Ela levantou-se e serviu-o.

Marcos 1, 29-31

Depois de terem saído da sinagoga, foram com Tiago e João a casa de Simão e André. A sogra de Simão estava de cama com febre. Eles contaram imediatamente a Jesus sobre ela. Jesus veio, pegou-lhe na mão e levantou-a. A febre deixou-a, e ela passou a servir os outros. A febre deixou-a, e ela passou a servi-los.

Lucas 4:38-39

Jesus saiu da sinagoga e entrou em casa de Simão. A sogra de Simão estava com febre alta, e eles pediram a Jesus que fizesse alguma coisa por ela. Ele inclinou-se sobre ela, ameaçou a febre, e esta deixou-a. Imediatamente a mulher levantou-se e serviu-os.

EMF 61.1-2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus subiu a um monte de cestas e cordas que está à entrada do pomar da casa da sogra de Pedro. O pomar está apinhado de gente. Também há gente junto à margem do lago, uns sentados, outros sobre os barcos que foram puxados para a terra. Parece que Ele já vinha falando por algum tempo, porque seu discurso já vai bem adiantado. Eu o ouço:

– … Certamente vós muitas vezes, em vosso coração, já tereis pensado assim. Mas não é bem assim. O Senhor não faltou à benignidade para com o seu povo, ainda que este tenha faltado à fidelidade para com Ele mil e dez mil vezes.

Ouvi esta parábola. Ela vos ajudará a entender.

Um rei tinha muitos e esplêndidos cavalos em suas estrebarias. Mas ele gostava de um deles com uma estima toda especial. Antes de possuí-lo, o rei o tinha almejado muito; depois, tendo-o adquirido, colocou-o num lugar delicioso, para onde ele se dirigia, com os olhos e o coração, só para tornar a ver aquele seu predileto, sonhando fazer dele um dia a maravilha do seu reino. E, quando o cavalo, rebelando-se contra todos os comandos, havia desobedecido e fugido para outro patrão, o rei, ainda que com dor, em seu rigor, tinha prometido ao rebelde o perdão, depois de tê-lo castigado. E, fiel a isso, mesmo de longe, velava sobre o seu predileto, mandando-lhe presentes e guardas que o conservassem com a lembrança do dono em seu coração.

Mas o cavalo, ainda que sofrendo por estar exilado do reino, não era constante, como o rei o era, em amar e desejar o perdão completo. E, se em certos tempos era bom, em outros tempos era mau; nem o bom era maior do que o mau. Pelo contrário. Contudo, o rei tinha paciência; com censuras e carícias procurava fazer do seu cavalo mais querido um dócil amigo. Quanto mais o tempo passava, mais o animal se mostrava rebelde. Invocava o seu rei, chorava sob o chicote dos outros patrões, mas não queria ser verdadeiramente do rei. Não tinha vontade de o ser. Esgotado, oprimido e gemente, não era capaz de dizer: “Por culpa minha é que estou assim”, mas acusava ao seu rei.

Este, depois de ter tentado de tudo, recorreu a uma última prova. “Até agora, disse, eu mandei mensageiros e amigos. Agora vou mandar o meu próprio filho. Ele tem o mesmo coração meu e falará com o mesmo amor que eu, terá carícias e presentes semelhantes aos que eu tinha; aliás, ainda mais doces, porque meu filho sou eu mesmo, mas sublimado no amor.” E mandou o seu filho.

Esta é a parábola.

61.2

Agora dizei-me vós: Achais que o rei amava o seu animal preferido?

O povo responde a uma só voz:

– Infinitamente o amava.

– Podia o animal lamentar-se do seu rei, por todo o mal que sofreu, por tê-lo abandonado?

– Não, não podia –responde a multidão.

– Respondei-me ainda ao seguinte: aquele cavalo, segundo o vosso parecer, como terá recebido o filho do rei, que ia para resgatá-lo, curá-lo e levá-lo novamente para o lugar de delícias?

– Com alegria, naturalmente, com reconhecimento e afeto.

– Mas, se o filho do rei tiver dito ao cavalo: “Eu vim para isto e para fazer-te isto, mas tu precisas ser bom, obediente, cheio de boa vontade e fiel a mim”, que achais que o cavalo terá respondido?

– Oh! Não é preciso perguntar! Ele terá respondido que sabia bem o que lhe custava ser expulso do reino e que queria ser como o filho do rei dizia.

– Então, segundo vós, qual era o dever daquele cavalo?

– Ser ainda melhor do que lhe estava sendo pedido, mais afetuoso, mais dócil, para ser perdoado do mal passado, em reconhecimento pelos bens obtidos.

– E se ele não tivesse feito assim?

– Seria digno de uma morte, porque seria pior do que uma fera selvagem.

– Amigos, vós julgastes bem. Mas fazei também vós como quereríeis que o cavalo fizesse. Vós, homens, criaturas prediletas do Rei dos Céus, Deus, meu Pai e vosso; vós a quem, depois dos Profetas, foi mandado por Deus o seu próprio Filho, sede, oh! sede — eu vos conjuro pelo vosso bem e porque vos amo como só um Deus pode amar, aquele Deus que está em Mim para operar o milagre da Redenção — sede, ao menos, como vós julgais que deve ser aquele animal. Ai daquele que rebaixa a si próprio, homem, a um grau inferior ao do animal! Mas, se ainda podia haver desculpa para aqueles que até o momento presente estavam pecando — porque muito tempo e muita poeira do mundo já passaram, desde quando foi dada a Lei, e sobre esta se pousou — agora já não podeis mais. Eu vim para trazer-vos de novo a palavra de Deus. O Filho do homem está entre os homens para levá-los novamente a Deus. Segui-me. Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.

Detalhe

Parábola do cavalo amado pelo rei. O homem é a criatura amada de Deus

EMF 61.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Ai daquele que rebaixa a si próprio, homem, a um grau inferior ao do animal! Mas, se ainda podia haver desculpa para aqueles que até o momento presente estavam pecando — porque muito tempo e muita poeira do mundo já passaram, desde quando foi dada a Lei, e sobre esta se pousou — agora já não podeis mais. Eu vim para trazer-vos de novo a palavra de Deus. O Filho do homem está entre os homens para levá-los novamente a Deus. Segui-me. Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.

EMF 61.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus, então, ordena aos discípulos:

– Fazei que os pobres venham para a frente. Para eles Eu tenho a rica oferta de alguém que a eles se recomenda para obter o perdão de Deus.

Vêm avante três velhinhos esfarrapados, dois cegos e um encolhido; depois uma viúva com sete meninos macilentos.

Jesus os olha fixamente um por um, sorri para a viúva e especialmente para os orfãozinhos. Antes diz a João:

– Que essas pessoas sejam colocadas lá no pomar. Quero falar com elas.

Mas Ele se torna severo, com os olhos flamejantes, quando a Ele se apresenta um dos velhinhos. Porém, não diz nada no momento.

Jesus chama Pedro e faz com que ele lhe dê a bolsa recebida pouco antes e uma outra cheia de moedas menores, esmolas diversas recolhidas entre os bons. Despeja tudo sobre o banco que está junto ao poço, conta e divide. Faz seis partes: uma delas bem grande, toda com moedas de prata; cinco menores em dimensão, com muito bronze e só uma ou outra moeda grande. Chama os pobrezinhos doentes e lhes pergunta:

– Não tendes nada a dizer-me?

Os cegos se calam. Mas o encolhido diz:

– Que Aquele de quem vens te proteja.

E nada mais.

Jesus lhe põe a esmola na mão sã. O homem lhe diz:

– Que Deus te recompense. Mas, mais do que isto, eu de Ti queria a cura.

– Tu não a pediste.

– Sou pobre, um verme que os grandes pisam, não ousava esperar que Tu tivesses piedade de um mendigo.

– Eu sou a Piedade que se inclina sobre toda miséria que clama por Mim. Não rejeito ninguém. Não peço mais do que amor e fé, para dizer: “Eu vou te atender.”

– Oh! Meu Senhor! Eu creio! Eu te amo! Salva-me, então! Cura o teu servo!

Jesus põe a mão sobre aquele dorso curvado e a faz deslizar como que acariciando-o; diz então:

– Quero que sejas curado.

O homem se endireita, ágil e íntegro, com palavras de bênçãos infinitas.

Detalhe

Curar um corcunda.

EMF 61.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus dá a esmola aos cegos, e espera um momento para despedi-los…depois os deixa ir.

Chama os velhos. Dá ao primeiro uma esmola e o conforta ajudando-o a pôr na cinta as moedas.

Jesus se interessa piedoso pelas desventuras do segundo, que lhe conta a doença de uma filha:

– Só tenho essa! E agora ela está mor­rendo. Que será de mim? Oh! Se Tu pudesses ir lá! Ela não pode vir, não se mantém em pé. Queria… Mas não pode. Mestre, Senhor, Jesus, tem piedade de nós!

– Onde moras, pai?

– Em Corozaim. Pergunta por Isaque de Jonas, chamado o Adulto. Irás mesmo? Não te vais esquecer da minha desventura? E curarás a minha filha?

– Podes crer que Eu a possa curar?

– Oh! Se eu creio! Por isso é que Te estou falando dela.

– Vai para casa, pai. Tua filha estará à porta para te saudar.

– Mas ela está de cama e não pode levantar-se há três… Ah! Compreendi! Oh! Obrigado, Rabi! Bendito és Tu e Aquele que Te enviou! Louvor a Deus e ao seu Messias!

O velho vai chorando, coxeando, o mais rápido que pode. Mas quando já está quase saindo do pomar, ele diz:

– Mestre, mas irás assim mesmo à minha pobre casa? Isaque Te espera para beijar-te os pés, lavá-los com suas lágrimas e oferecer-te o pão do amor. Vai Jesus, eu falarei de Ti aos da cidade.

– Irei. Vai em paz e sê feliz.

Detalhe

Cura da filha de um velho, que já não podia andar. O seu nome era Isaac de Jonas.

EMF 61.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

61.6 – E a mim? –pergunta o velhinho que ficou por último.

Jesus olha para ele, e se cala.

– Nada para mim? Não és justo! A ela deu seis vezes mais do que aos outros e a mim nada. Mas… e era mulher!

Jesus olha para ele e se cala.

– Olhai todos se está havendo justiça! Eu venho de longe, porque me disseram que aqui se dava dinheiro; depois, estou vendo aqui quem ganha demais e a mim não se dá nada. Um pobre velho que é doente! E quer que se creia Nele!…

– Velho, não te envergonhas de mentir assim? Estás com a morte atrás de ti, e mentes; procuras roubar de quem está com fome. Por que queres roubar dos irmãos a esmola que Eu recebi para distribuir com justiça?

– Mas eu…

– Cala-te! Deverias já ter compreendido pelo meu silêncio e pelo meu ato que Eu havia te conhecido; e,então, seguir o meu exemplo de silêncio. Por que queres que Eu te envergonhe?

– Eu sou pobre.

– Não. Tu és um avarento e um ladrão. Vives para o dinheiro e para a usura.

– Eu nunca emprestei com usura. Deus é minha testemunha.

– E isto não é usura, e da mais feroz, roubar de quem tem verdadeiramente necessidade? Vai. Arrepende-te. Para que Deus te perdoe.

– Eu te juro…

– Cala-te! Eu te ordeno. Foi dito: “Não jurarás em falso.” Se Eu não tivesse respeito pelos teus cabelos brancos, Eu daria uma busca em ti e em teu peito acharia uma bolsa cheia de ouro, que é o teu coração. Vai-te embora.

Mas agora o velhinho, envergonhado, vendo-se descoberto em seu segredo, vai-se embora sem que seja necessário o som de trovão que há na voz de Jesus.

A multidão o ameaça, o escarnece e o insulta como a um ladrão.

– Calai-vos! Se ele errou não queirais vós também errar. Ele falta com a sinceridade, é um desonesto. Vós, se o insultardes, faltais com a caridade. Ao irmão, que comete uma falta, não se insulta. Cada um tem o seu pecado. Ninguém é perfeito, a não ser Deus. Eu precisei envergonhá-lo, porque não é lícito ser ladrão e, menos ainda, ladrão que rouba dos pobres. Mas só o Pai é que sabe quanto sofri por dever fazer isso. Vós também sofrei com isso, ao verdes que um de Israel falta contra a Lei procurando defraudar o pobre e a viúva. Não sejais cobiçosos. Que o vosso tesouro seja a vossa alma, não o dinheiro. Não sejais perjuros. Que a vossa linguagem seja sincera e honesta como as vossas ações. A vida não é eterna e a hora da morte chega. Vivei de modo que na hora da morte a paz possa estar em vosso espírito. A paz de quem viveu como um justo. Ide para as vossas casas…

Detalhe

Jesus acaba de dar uma bolsa a uma viúva e aos seus sete filhos necessitados. O que resta é um velho maltrapilho.

Anotação

Levítico 19, 12: Não jurarás pelo meu nome, mentindo, pois profanarias o nome do teu Deus. Eu sou Javé.

EMF 61.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Piedade, Senhor! Este meu filho é mudo, por causa de um demônio que o maltrata.

– E este meu irmão é semelhante a um animal imundo: ele se revolve na lama e come excrementos. E um espírito maligno o arrasta; ele, mesmo sem querer, faz coisas imundas.

Jesus se dirige para o grupo que o está implorando. Ele ergue os braços e ordena:

– Sai deles. Deixai a Deus as suas criaturas.

Entre gritos e barulho, os dois infelizes ficam curados. As mulheres que os conduziam prostram-se dando louvores a Deus.

– Ide para as vossas casas e sede reconhecidos a Deus. A paz esteja com todos. Ide.

A multidão vai-se, comentando os fatos. Os quatro discípulos colocam-se ao redor do Mestre.

– Amigos, em verdade Eu vos digo que em Israel estão todos os pecados, e os demônios aí fizeram sua morada. E não são possessões só aquelas que tornam mudos os lábios e levam os homens a viver como animais comendo sujeiras. Mas as mais verdadeiras e numerosas são aquelas que tornam os corações mudos para a honestidade e para o amor, fazendo deles um antro de vícios imundos. Oh! Meu Pai!

Jesus, abatido, se assenta.

– Estás cansado, Mestre?

– Cansado não, meu João. Mas desolado pelo estado dos corações e pela pouca vontade de se emendarem. Eu vim… mas o homem… o homem… oh! Meu Pai!…

– Mestre, eu Te amo, nós todos Te amamos.

– Eu sei disso. Mas sois tão poucos… e meu desejo de salvar é tão grande!

Jesus abraça João e mantém a cabeça dele sobre a sua. Está triste. Pedro, André, Tiago, ao redor Dele, olham-no com amor e tristeza.

E a visão cessa assim.

EMF 62.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Nós gostaríamos de rezar como Tu rezas.

– Eu vos ensinarei a rezar também. Eu vos ensinarei a mais santa das orações. Mas, para que ela não seja uma fórmula vazia sobre os vossos lábios, Eu quero que o vosso coração tenha já em si pelo menos um mínimo de santidade, de luz, de sabedoria… Por isso é que Eu vos instruo. Depois Eu vos ensinarei a santa oração.

Anotação

Objeção levantada: "Jesus rezou o Pai-Nosso com Maria, na noite da despedida, em Nazaré".

Maria anota numa cópia dactilografada: "Se alguém pode fazer ou fez objecções ao Pai-Nosso rezado por Jesus e Maria na noite da despedida (em 44.3), que tome em consideração esta resposta. Maria não precisava de estar preparada para a oração de Cristo. Os apóstolos sim. É por isso que Jesus rezou o Pai-Nosso com Maria antes dos discípulos, porque ela era cheia de graça, de luz e de sabedoria, ao contrário dos discípulos."