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Notas da palavra-chave

José de Betânia (servo de Simão, o Zelota)

Tema: Personagens do Evangelho tal como me foi revelado

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EMF 77.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Nada que não sejas Tu, deve entrar nos corações que têm a Ti. Fosse eu como eles! –diz Simão.

– Porém tu, bem que te apressaste em tomar posse dos teus bens, depois de teres visto o Mestre e teres sido curado –responde ironicamente Judas.

– É verdade. Eu disse e fiz isso. Mas sabes por que? Como é que podes julgar, se não sabes tudo? O meu agente recebeu ordens claras. Agora que Simão, o Zelote, está curado — e os seus inimigos não podem mais prejudicá-lo segregando-o, nem persegui-lo, porque ele agora é somente de Cristo, e não de nenhuma seita: ele tem Jesus, e basta — pode dispor de seus haveres, que um homem fiel e honesto lhe conservou. E eu, dono deles ainda por uma hora, dei ordens que fossem reformados para receber mais dinheiro na venda, e poder dizer… não, isto eu não digo.

– Os anjos o dizem por ti, Simão, e o escrevem no livro eterno –diz Jesus.

Simão olha para Jesus. E os dois olhares se encontram, um admirado, o outro abençoante.

Detalhe

O homem de negócios mencionado por Simão, o Zelote, é certamente Lázaro (ver EMV 84.4-5), que vive muito perto de Simão. Se o apóstolo também recuperou os seus bens, foi para os dar ao seu criado idoso, José de Betânia (ver também EMV 84.4-5).

EMF 198.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Põem-se todos a caminho da casa de Simão. Maria, com Jabé nos braços, Jesus, segurando pela mão João de Endor, e depois, ao redor e atrás ,estão Lázaro e Marta, os apóstolos com Maximino, Isaac, José e Timoneu.

Entram na casa, em cuja soleira o velho servo de Simão venera a Jesus e a seu patrão.

– A paz esteja contigo José, e com esta casa –diz Jesus, levantando a mão para abençoar, depois de tê-la posto sobre a cabeça já branca do velho servo.

Lázaro e Marta, depois da primeira alegria, ficaram um pouco tristes e Jesus pergunta:

– Por que, amigos?

– Porque Tu não estás conosco e porque todos vêm a Ti, menos a alma que nós quereríamos que fosse tua.

– Animai-vos com paciência, na esperança e na oração. Além disso, Eu estou convosco. Esta casa!… Esta casa não é mais do que o ninho, ao qual o Filho do Homem voará todos os dias para os queridos amigos, que estão tão perto no espaço, mas que, considerando-se sobrenaturalmente o assunto, estão infinitamente mais perto no amor. Vós estais no meu coração, e Eu estou no vosso. Pode-se estar mais perto do que estando assim? Mas, nesta tarde, estaremos juntos. Vinde sentar-vos à minha mesa.

EMF 206.1.7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Na presença dos camponeses de Jocanã, de Isaac e de muitos discípulos, das mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus e Marta, e muitos de Betânia, Jesus fala. Todos os apóstolos estão presentes. O menino, sentado em frente de Jesus, não perde uma palavra. O discurso deve ter começado há pouco, pois o povo ainda está chegando…

Diz Jesus:

– … é por causa desse temor tão forte, que Eu estou percebendo em muitos, que quero vos propor uma boa parábola. Boa, para os homens de boa vontade, desagradável, para os outros. Mas estes têm o modo de acabar com o gosto desagradável. Que se tornem eles também de boa vontade e a reprovação que a parábola suscita nas consciências, deixará de existir. (...)

[Jésus raconte la parabole des dix vierges.]

Meus caros discípulos, Eu não quero induzir-vos a tremer por causa de Deus, mas, antes, a terdes fé em sua bondade. Tanto vós que ficais, como vós que ides, pensai que, se fizerdes o que fizeram as virgens sábias, sereis chamados, não somente para fazer o cortejo ao Esposo, mas, como a jovem Ester, que foi feita rainha[3] no lugar de Vasti, sereis escolhidos e eleitos como esposas, tendo o Esposo “encontrado em vós toda graça e favor, mais do que em todos os outros.” Eu vos abençôo, a vós que ides. Levai em vós e para vossos companheiros esta minha palavra. A paz do Senhor esteja sempre convosco.

Jesus se aproxima dos camponeses, para saudá-los ainda, mas João de Endor lhe sussurra:

– Judas já está aí…

– Não importa. Acompanha-os até o carro, e faze o que Eu te disse que faças.

A multidão se dispersa lentamente. Muitos falam a Lázaro… E este se dirige a Jesus que, tendo deixado os camponeses, vem na direção dele, e diz:

– Mestre, antes que nos deixes, fala-nos ainda… Isto desejam os corações de Betânia.

– A tarde está chegando. Mas é plácida e serena. Se quiserdes reunir-vos sobre os fenos ceifados, Eu vos falarei, antes de deixar este lugar amigo. Ou, então, amanhã bem cedo. Porque já chegou a hora da despedida.

– Mais tarde! Hoje mesmo! –gritam todos.

– Como quiserdes. Ide agora. Na metade da primeira vigília, Eu vos falarei.

Anotação

Se vos comportardes como virgens prudentes, não só sereis chamadas a acompanhar o Esposo, mas, tal como a jovem Ester, que se tornou rainha em vez de Vasti, sereis escolhidas e eleitas como noivas. Vasti - Vasti significa "amada" em persa. Primeira esposa de Assuero (= Xerxes, 486-465), rei da Pérsia, que a repudiou por se ter recusado a assistir a um banquete (Ester 2, 1-18). Ester é também mencionada em EMV 136.2 e EMV 414.1.

Palavras-chave

EMF 206.8-9.14-17 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

… É incansável de fato — enquanto o sol desaparece, deixando como lembrança uma vermelhidão no céu, com o primeiro, incerto e solitário trilar dos grilos, — Jesus se põe a caminho pelo meio de um prado, há pouco ceifado, e no qual as ervas cortadas, que já estão murchando, formam um tapete de uma fragrância aguda e suave. Acompanham-no os apóstolos, as Marias, Marta e Lázaro com os de sua casa, Isaac com os seus discípulos, eu diria até que com toda a Betânia. Entre os seus servos está o velhinho com a mulher, aqueles dois que, no Monte das Bem-aventuranças, acharam também um conforto para os seus dias.

Jesus para, a fim de abençoar o patriarca que, chorando, vai beijar-lhe a mão e acaricia o menino, que vai caminhando ao lado de Jesus, e dizendo-lhe:

– Feliz de ti, que o podes acompanhar sempre! É uma grande felicidade! Sobre tua cabeça está suspensa uma coroa… Oh! Feliz de ti!

Quando todos já estão em seus lugares, Jesus começa a falar (...).

[Jesus conta a parábola do rei que celebra o casamento do seu filho.]

Levantai-vos, e vamos descansar. Eu vos abençôo, ó cidadãos de Betânia, a todos vós. Eu vos abençôo e vos dou a minha paz. Eu abençôo em particular a ti, ó Lázaro, meu amigo, e a ti, Marta. Abençôo aos meus discípulos antigos e novos, que Eu mando pelo mundo para chamar, para convidar para as núpcias do Rei. Ajoelhai-vos, para que Eu vos abençoe a todos. Pedro, dize a oração que Eu vos ensinei e vem dizê-la aqui ao meu lado, de pé, porque assim há de ser feita por quem para isso foi destinado por Deus.

A assembleia toda se ajoelha sobre o feno, ficando em pé somente Jesus em sua veste de linho, com toda a sua altura e beleza, e Pedro, em sua veste marrom escura, inflamado pela emoção, um pouco trêmulo e que reza, com uma voz não bonita, mas viril, recitando devagar, por medo de errar: “Pai nosso…”

Ouvem-se alguns soluços… de homem, de mulher…

Margziam está ajoelhado justamente ao lado de Maria, que está segurando suas mãozinhas juntas. Olha com um sorriso angelical para Jesus, e diz baixinho:

– Olha mãe é belo! E como é belo também o pai. Parece estarmos no Céu. Será que minha mãe está aqui vendo?

E Maria, em um sussurro, que termina com um beijo, responde:

– Sim, querido. Ela está aqui. E está aprendendo a oração.

– E eu? Também eu a aprenderei?

– Ela a sussurrará à tua alma, enquanto estiveres dormindo, e eu a repetirei durante o dia.

O menino deixa cair para trás a cabecinha morena sobre o peito de Maria e fica assim, enquanto Jesus abençoa com a solene bênção mosaica de sempre.

Depois todos se levantam, indo cada um para a sua própria casa. Só Lázaro é que acompanha ainda Jesus, entrando com Ele na casa de Simão, para estar mais algum tempo com Ele. Entram também todos os outros. Iscariotes se coloca em um canto meio escuro, contrariado. Não tem coragem de ficar perto de Jesus, como fazem os outros…

206.15

Lázaro se congratula com Jesus. Ele diz:

– Oh! Sinto muito vê-lo partir. Mas estou mais contente do que se te tivesse visto partir anteontem!

– Por que, Lázaro?

– Porque me parecias estar muito triste e cansado… Não falavas nada e pouco sorrias…Ontem e hoje te tornaste o meu santo e doce Mestre e isto me dá muita alegria…

– Eu o era, mesmo estando calado…

– Tu o eras. Mas Tu és serenidade e palavra. Nós queremos isto de Ti. É nestas fontes que bebemos a nossa força. E agora estas fontes pareciam estar secas. Nossa sede nos estava atormentando. Tu estás vendo como até os pagãos ficaram espantados e vieram procurá-las…

Iscariotes, do qual se havia aproximado João de Zebedeu, se atreve a perguntar:

– É isso. Já também a mim me haviam feito esta pergunta. Porque eu estava junto à fortaleza Antônia, esperando ver-te.

– Tu sabias onde Eu estava, responde Jesus curtamente.

– Eu sabia. Mas eu pensava que não terias decepcionado a quem Te estava esperando. Também os romanos ficaram decepcionados. Não sei por que fizeste assim…

– E és tu que me fazes esta pergunta? Não estarás tu a par das intenções do Sinédrio, dos fariseus e de outros ainda, a meu respeito?

– Por quê? Terias tido medo?

– Medo não. Náusea.

206.16

No ano passado, quando Eu estava sozinho, um só contra todo mundo, que nem mesmo sabia se Eu era um Profeta, Eu mostrei que não tinha medo. E tu foste uma conquista daquela minha coragem. Eu fiz que se ouvisse a minha voz contra todo mundo que urrava contra Mim; fiz ouvir a voz de Deus a um povo que se tinha esquecido dela; purifiquei a Casa de Deus das sujeiras materiais que estavam nela, não esperando que pudesse limpá-la das bem mais graves sujeiras morais que se tinham aninhado nela, porque Eu não ignoro o futuro dos homens, mas para cumprir o meu dever, pelo zelo da Casa do Senhor Eterno, transformada em uma praça barulhenta de revendedores, usurários e ladrões e para sacudir do torpor aqueles que muitos séculos de desleixo sacerdotal tinham feito cair num letargo espiritual. Foi o toque de recolher para o meu povo, a fim de levá-lo para Deus. Este ano Eu voltei.. E pude ver que o Templo é sempre o mesmo… E que está pior ainda. Já não é mais uma espelunca de ladrões, mas um lugar de conspiração. Depois se tornará sede do delito, depois um lupanar e finalmente, será destruído por uma força maior que a de Sansão, esmagando uma casta indigna de ser chamada santa. É inútil falar naquele lugar, no qual, eu peço que te lembres, foi-me proibido falar. Povo desleal! Povo envenenado em seus chefes, povo que ousa interditar que a Palavra de Deus fale em sua Casa! Foi-me proibido. Eu me calei por amor aos pequeninos. Não é ainda a hora de me matarem. Muitos precisam de Mim, e os meus apóstolos ainda não estão fortes para receberem em seus braços a minha prole: o Mundo. Não chores, mãe, perdoa, tu que és boa, a necessidade que teu Filho tem de falar a Verdade, que Eu sou, a quem quer ou pode iludir-se… Eu me calo… Mas, ai daqueles por causa dos quais Deus se cala!… Ó mãe, ó Margziam, não choreis!… Isto Eu vos peço. Ninguém chore.

Mas, na realidade todos mais ou menos estão chorando e com muita dor.

Judas, pálido como um morto, em sua veste amarela e vermelha com listras, ainda se atreve a falar com uma voz choramingante e ridícula:

– Podes crer, Mestre, que eu estou assombrado e entristecido… Não sei o que queres dizer… Eu não estou sabendo de nada… É verdade que eu não vi nenhum do Templo. Eu rompi relacionamento com todos… Mas, se Tu estás dizendo, deve ser verdade…

– Judas, não viste nem Sadoc?

Judas inclina a cabeça, murmurando:

– É um amigo… Como tal eu o vi. E não como um dos do Templo…

206.17

Jesus não lhe dá resposta. Mas vira-se para Isaac e para João de Endor, aos quais faz ainda recomendações sobre o trabalho deles.

Entretanto, as mulheres estão confortando Maria, que está chorando, e ao menino, que também chora, ao ver Maria chorar.

Até Lázaro e os apóstolos estão entristecidos. Mas Jesus vai até eles. Ele retomou o seu doce sorriso e, enquanto abraça a mãe e acaricia o menino, diz:

– E agora Eu vos saúdo, a vós que ficais. Porque amanhã cedo nós partiremos. Adeus, Lázaro. Adeus, Maximino. José, Eu te agradeço por toda cortesia feita à minha mãe e às discípulas enquanto aguardavam por mim. Agradeço por tudo. Adeus, Lázaro, abençoa também à Marta em meu nome. Logo Eu voltarei. Vem, minha mãe, vamos descansar. E tu também, Maria e Salomé, se é que vós também quereis ir.

– Com certeza, nós iremos –dizem as duas Marias.

– Então, para a cama. A paz esteja com todos. Deus esteja convosco!

Jesus faz um gesto de bênção e sai, segurando pela mão o menino e abraçado com sua mãe…

A permanência em Betânia terminou.