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Notas da palavra-chave

Bíblia - Livro de Jeremias

Tema: Profetas maiores

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EMF 41.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

41.5 Shamai, com um olhar rancoroso:

– Tu dizes que o Messias nasceu no tempo da estrela, em Belém-Efrata?

Jesus:

– Eu o digo.

Shamai:

– Então, ele não existe mais. Não sabes, rapaz, que Herodes fez matar todos os meninos de um dia até dois anos de idade em Belém e nos arredores? Tu, que és tão sábio na Escritura, deves saber também isto: “Um grito se ouviu no alto… É Raquel, que está chorando os seus filhos.” Os vales e as colinas de Belém, que recolheram o pranto de Raquel, que estava morrendo, ficaram cheios de pranto, e as mães choravam também sobre seus filhos que foram mortos. Entre elas estava certamente também a mãe do Messias.

Jesus:

– Estás enganado, ó velho! O pranto de Raquel se transformou em hosana, porque lá onde ela deu à luz o “filho da sua dor”, a nova Raquel deu ao mundo o Benjamim do Pai celeste, o Filho da sua destra, Aquele que está destinado a reunir o povo de Deus sob o seu cetro, e livrá-lo da mais tremenda escravidão.

Shamai:

– E como, se Ele foi morto?

Jesus:

– Não leste a respeito de Elias? Ele foi arrebatado no carro de fogo. E não poderá o Senhor Deus ter salvo o seu Emanuel para que fosse o Messias do seu povo? Ele, que abriu o mar diante de Moisés, para que Israel passasse a pé seco para a sua terra, não terá podido mandar os seus anjos para salvarem o seu Filho, o seu Cristo, da ferocidade do homem? Em verdade, eu vos digo: o Cristo vive, e está entre vós, e, quando chegar a sua hora, Ele se manifestará em seu poder.

Jesus, ao dizer estas palavras, que eu sublinho, tem na voz um som que enche o espaço. Os seus olhos cintilam mais ainda e, com um gesto de império e de promessa, Ele estende o braço e a mão direita, e os abaixa, como fazendo um juramento. É um rapazinho, mas está solene como um homem.

Anotação

Jeremias 31, 15: "Assim diz o Senhor: Há um grito em Ramá, uma lamentação e um choro amargo. É Raquel que chora os seus filhos; recusa-se a ser consolada, porque os seus filhos já não existem."

Livro do Êxodo 14, 21-22: Moisés estendeu o braço sobre o mar. O Senhor expulsou o mar durante toda a noite, com um forte vento oriental; secou o mar, e as águas separaram-se. E os filhos de Israel entraram no meio do mar em seco, formando as águas um muro à sua direita e à sua esquerda,

Segundo Livro dos Reis, 2, 11-12: Estavam a caminhar e a falar, quando um carro de fogo com cavalos de fogo os separou. Depois Elias subiu ao céu num furacão. Eliseu viu-o e gritou: "Meu pai! Meu pai! O carro de Israel e os seus cavaleiros! Então deixou de o ver. Agarrou nas suas vestes e rasgou-as em dois.

EMF 49.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus começa a leitura. Diz:

– Estas coisas o Espírito Santo me faz ler para vós. No capítulo sétimo do livro de Jeremias se lê: “Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: ‘Corrigi os vossos costumes e os vossos afetos e, então, habitarei convosco neste lugar. Não vos fiqueis iludindo com as palavras vãs por vós repetidas: aqui está o Templo do Senhor, o Templo do Senhor, o Templo do Senhor. Porque, se melhorardes os vossos costumes e os vossos afetos, se fizerdes justiça entre o homem e o seu próximo, se não oprimirdes o estrangeiro, o órfão e a viúva, se não derramardes neste lugar sangue inocente, se não fordes atrás dos estrangeiros, para a vossa desventura, então Eu habitarei convosco neste lugar, na terra que Eu dei a vossos pais, por séculos e séculos’.”

Ouvi, ó vós de Israel. Eis que Eu venho esclarecer-vos sobre as palavras de luz que a vossa alma ofuscada não sabe mais ver e compreender. Ouvi. Muito pranto desce sobre a terra do povo de Deus, e choram os velhos que se lembram das glórias antigas, choram os adultos curvados pelo jugo, choram os jovens, que não têm um futuro de glória. Mas a glória da terra nada é, se comparada a uma glória, que nenhum opressor, que não seja Mamon ou a má vontade, vos podem arrebatar.

Por que chorais? Como é que o Altíssimo, que sempre foi bom para com o seu povo, agora virou o olhar para o outro lado, negando aos seus filhos de verem o seu Rosto? Não será Ele mais o Deus que abriu o mar e por ele fez passar Israel, conduzindo-o e nutrindo-o pelas areias, defendendo-o contra os inimigos, para desviar-se do caminho do Céu, assim como Ele deu a nuvem aos corpos, deu a Lei para as almas? Não será mais Ele o Deus que adoçou as águas e fez cair o maná para os que estavam extenuados? Não é Ele o Deus que vos quis estabelecer nesta terra, firmando convosco uma aliança de Pai para filhos­? Então, por que é que agora o estrangeiro vos feriu?

Muitos de vós murmuram: “Aqui está o Templo!” Não basta termos o Templo, indo rezar a Deus nele. O primeiro templo, está no coração de cada homem, onde a oração santa deve ser feita. Mas, ela não pode ser santa, se antes o coração não se emenda, como também os costumes, os afetos, as normas de justiça para com os pobres, para com os servos, para com os parentes, para com Deus.

Agora, olhai. Eu vejo ricos, de coração duro, que fazem ricas ofertas no Templo, mas que não sabem dizer ao pobre: “Irmão, eis aqui um pão e um dinheiro. Aceita-o. De coração para coração, e que a minha ajuda não te humilhe, como também para mim não cause soberba.” Eis, Eu estou vendo pessoas rezando, lamentando-se com Deus, porque não as ouve prontamente, mas que depois, com um coração de pedra, respondem “Não!” ao necessitado, que às vezes com seu sangue lhes pede: “Escutai-me.” Aí está, Eu vejo que vós chorais, porque a vossa bolsa foi espremida pelo dominador. Mas depois vós espremeis o sangue daquele que odiais, e ao esvaziar um corpo do seu sangue e de sua vida, vós não tendes horror.

Ó, vós de Israel! O tempo da Redenção chegou. Mas preparai seus caminhos em vós com a boa vontade. Sede honestos, bons, amai-vos uns aos outros. Ricos, não desprezeis; mercadores, não defraudeis; pobres, não invejeis. Sois todos de um sangue e de um Deus. Sois todos chamados a um mesmo destino. Não fecheis para vós, com os vossos pecados, o Céu que o Messias vos abrir. Tereis errado até aqui? Agora, não erreis mais. Que cesse todo erro.

A Lei que volta aos dez mandamentos iniciais é simples, boa, fácil, mas devem estar mergulhados na luz do amor. Vinde. Eu vos mostrarei quais são os amores: amor, amor, amor. Amor de Deus por vós e de vós por Deus. Amor para com o próximo. Sempre amor, porque Deus é Amor e aqueles que sabem viver o amor são filhos­ do Pai. Eu estou aqui para todos e para dar a luz de Deus a todos. Eis aqui a Palavra do Pai, que se faz alimento em vós. Vinde, provai, mudai o sangue do espírito com este alimento. Que todo veneno caia. Que toda concupiscência morra. Uma glória nova vos é oferecida, aquela eterna, e a ela virão os que fizerem da Lei de Deus assunto de um verdadeiro estudo para os seus corações. Começai pelo amor. Não existe coisa maior. Mas, quando souberdes amar, já sabereis tudo, e Deus vos amará, e o amor de Deus significa ajuda contra toda tentação.

A bênção de Deus esteja sobre aquele que volta para Ele um coração cheio de boa vontade.

Anotação

Livro de Jeremias 7, 3-7

Jer 7,3-7: Assim diz o Senhor do universo, o Deus de Israel: Melhorai os vossos caminhos e as vossas acções; eu vos farei habitar neste lugar. Não confies em palavras falsas, que dizem: "Templo do Senhor! Templo do Senhor! Este é o templo do Senhor!

Se realmente melhorardes os vossos caminhos e as vossas acções, se realmente respeitardes o direito entre o homem e o seu próximo, se não oprimirdes o imigrante, o órfão ou a viúva, se não derramardes o sangue dos inocentes neste lugar, se não seguirdes outros deuses para a vossa desgraça, então far-vos-ei habitar neste lugar, na terra que dei a vossos pais, desde tempos imemoriais e para sempre1.

EMF 73.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Não poderia ser que os pastores e os magos tivessem dito a verdade, a eles revelada por Deus? Por que querer crer que eles eram mentirosos?

– Porque os anos da profecia não se tinham completado. Depois percebemos… depois que o sangue, que avermelhou a água de nossos tanques e rios, nos abriu os olhos do pensamento.

– E não poderia o Altíssimo, por um excesso de amor para com o seu povo, antecipar a vinda do Salvador? Sobre o que foi que os magos basearam suas afirmações? Disseram-me que eles vinham do Oriente…

– Nos cálculos que fizeram sobre uma nova estrela.

– E não está escrito[2]: “Uma estrela nascerá de Jacó, e uma vara se levantará de Israel”? E Jacó não é o grande patriarca, e não fez ele uma parada nesta terra de Belém, que para ele era tão querida como a pupila de seus olhos, por ter aí morrido a sua querida Raquel? Além disso, não foi dito pela boca do profeta: “Um broto despontará da raiz de Jessé, e uma flor nascerá dessa raiz”? Isai, o pai de Davi nasceu aqui. O broto da estirpe, cortada perto da raiz pela usurpação dos tiranos, não é a “Virgem”, que dará à luz o Filho, não tido de homem, porque então não seria mais virgem, mas da vontade divina, onde Ele será “o Emanuel”, porque, como Filho de Deus, será Deus e levará por isso Deus entre o seu povo, como diz o seu nome? E não será anunciado, como diz a profecia, aos povos das trevas, ou seja, aos pagãos “por uma grande luz”? E a estrela vista pelos magos não poderia ser a estrela de Jacó, a grande luz das duas profecias, a de Balaão e a de Isaías? E a própria matança realizada por Herodes não faz parte das profecias? “Um grito foi ouvido no alto… É Raquel que chora os seus filhos.” Estava marcado que as lágrimas fizessem gemer os ossos de Raquel em seu sepulcro em Efrata, quando, por meio do Salvador, tivesse chegado a recompensa ao povo santo. Lágrimas que depois se transformariam em um riso celeste, como o arco-íris, que é formado pelas últimas gotas do temporal, mas diz: “Eis um tempo sereno que vos é concedido.”

– Tu és muito douto. És rabi?

– Eu sou.

– Eu estou percebendo. Há luz e verdade nas tuas palavras. Mas… oh! muitas feridas ainda sangram nesta terra de Belém por causa do verdadeiro ou do falso Messias… Eu não o aconselharia a vir mais aqui. A terra o rejeitaria, como se rejeita um enteado por causa do qual morreram os filhos verdadeiros. Mas agora… se era Ele… já está morto como os outros que foram degolados.

Anotação

Livro do Génesis 35, 15-20

Génesis 35, 15-20

Jacob chamou "Betel" ao lugar onde Deus tinha falado com ele. Montaram o acampamento e partiram de Betel. Faltava-lhes ainda percorrer alguma distância para chegar a Efrata, onde Raquel deu à luz. E o seu parto foi doloroso. Durante este parto difícil, a parteira disse-lhe: "Não tenhas medo! Ainda tens um filho! No seu último suspiro, quando estava a morrer, Raquel chamou-lhe Ben-Oni (ou seja, Filho do Luto), mas o pai chamou-lhe Benjamim (ou seja, Filho do Direito). Raquel morreu e foi enterrada no caminho de Efrata, ou seja, de Belém. Jacob ergueu uma estela sobre a sua sepultura. Esta é ainda hoje a estela que se encontra no túmulo de Raquel.

Livro dos Números 24, 15-17

Números24, 15-17: Balaão pronunciou de novo estas palavras enigmáticas: "Oráculo de Balaão, filho de Beor, oráculo do homem de olhos penetrantes, oráculo daquele que ouve as palavras de Deus, que possui a ciência do Altíssimo. Ele vê o que o Poderoso lhe faz ver, cai em êxtase e os seus olhos abrem-se. Eu vejo este herói - mas não agora - eu vejo-o - mas não de perto: Uma estrela ergue-se de Jacob, um cetro ergue-se de Israel. Quebrará os flancos de Moab, dizimará todos os filhos de Seth.

Primeiro Livro de Samuel 17, 12

1 Samuel 17,12: David era filho de um efrateu de Belém de Judá, cujo nome era Jessé e que tinha oito filhos. Nos dias de Saul, este homem era já muito velho.

Livro de Isaías

Is 7, 14: O próprio Senhor vos dará um sinal: Eis que uma virgem está grávida e dará à luz um filho, a quem porá o nome de Emanuel (isto é, Deus connosco).

Is 9, 1: Uma grande luz despontou sobre os povos que andavam nas trevas, e uma luz brilhou sobre os habitantes da terra das trevas.

Is 11, 1: Do tronco de Jessé, pai de David, brotará um ramo, e das suas raízes nascerá um rebento.

Livro de Jeremias 31, 15 :

Jer 31,15: Assim diz o Senhor: Há um grito em Ramá, uma lamentação e um choro amargo. Raquel chora os seus filhos e não quer ser consolada, porque os seus filhos já não existem.

EMF 74.7-9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Homens de Judá! Homens de Belém, ouvi! Ouvi, ó vós, mulheres da terra consagrada a Raquel! Ouvi a alguém que vem de Davi que, perseguido, sofreu, e que tornado digno de falar, fala, para dar-vos luz e conforto. Ouvi.

As pessoas param de gritar, discutir, comprar, e se ajuntam.

– É um rabi!

– Certamente vem de Jerusalém.

– Quem é?

– Que belo homem!

– Que voz!

– Que modos!

– E, além disso, se é da descendência de Davi!

– Então é nosso.

– Ouçamos, ouçamos!

Toda a praça está agora perto da escadinha, que parece um púlpito.

– No Gênesis está escrito[2]: “Eu porei inimizade entre ti e a mu­lher… esta te esmagará a cabeça, e tu armarás ciladas ao seu calca­nhar.” E está escrito ainda: “Eu multiplicarei os teus sofrimentos e as tuas gestações… e a terra produzirá abrolhos e espinhos.” Esta foi a condenação do homem, da mulher e da serpente.

Tendo vindo de longe para venerar o túmulo de Raquel, ouvi no vento da tarde, no orvalho da noite, no lamento do rouxinol pela manhã, repetir-se os soluços da antiga Raquel[3], pelas tantas bocas das mães de Belém encerradas nos sepulcros, ou nos corações. E ouvi o rugir da dor de Jacó, na dor dos viúvos, que ficaram sem suas esposas, porque a dor as matou… Eu choro convosco. Mas ouvi, ó irmãos da minha terra. Belém, terra bendita, a menor das cidades de Judá, mas a maior aos olhos de Deus e da humanidade porque berço do Salvador, como diz Miquéias[4], exatamente por ser assim, por ser destinada a ser o tabernáculo sobre o qual pousaria a Glória de Deus, o Fogo de Deus, o seu Amor encarnado, desencadeou o ódio de Satanás.

“Porei inimizade entre ti e a mulher. Ela te manterá sob o seu pé, e tu armarás ciladas ao seu calcanhar.” Que inimizade há maior do que aquela, que tem em mira os filhos, que são o coração do coração da mulher? E qual é o mais forte pé do que aquele da mãe do Salvador? Eis porque foi natural a vingança de Satanás vencido, o qual, não ao calcanhar, mas ao coração das mães, pela Mãe, ocorreu a sua insídia.

Oh! Multiplicados sofrimentos, ao perderem os filhos, depois de tê-los dado à luz! Oh! Terríveis espinhos de ter semeado e suado pela prole e serem pais sem terem mais a sua prole! Mas jubila, Belém! O teu sangue mais puro, o sangue dos inocentes, fez um caminho de fogo e de púrpura para o Messias…

74.8

A multidão, que vinha sempre mais rumorejando, desde quando Jesus falou no Salvador, e depois na mãe Dele, agora mostra um sinal mais claro de agitação.

– Cala-te, Mestre –diz Judas–. E vamos embora.

Mas Jesus não lhe dá ouvidos, e continua:

– … para o Messias, que a Graça de Deus Pai salvou dos tiranos, a fim de conservá-lo para a salvação do povo e…

Uma voz estridente de mulher grita:

– Cinco, cinco deles eu tinha dado à luz, e mais nenhum está em minha casa! Pobre de mim!

E grita histericamente. É o começo da algazarra.

Uma outra se revolve na poeira, rasga as vestes, mostra uma de suas mamas mutilada no bico, e grita:

– Aqui, aqui sobre esta mama é que degolaram o meu primogênito! A espada cortou-lhe o rosto, juntamente com o bico do meu seio. Oh! O meu Eliseu!

– E eu? E eu? Eis ali o meu palácio! Três túmulos em um, velados pelo pai. Marido e filhos juntos. Eis, eis!… Se aqui está o Salvador, que ele me devolva os filhos, me devolva o esposo, me salve do desespero e de Belzebu, me salve!

Todos gritam.

– Os nossos filhos, os maridos, os pais! Devolva-os, se é que está aqui!

Jesus move os braços, impondo silêncio.

– Irmãos da minha terra, Eu gostaria de devolver-vos vossos filhos em sua própria carne. Mas Eu vos digo: Sede bons, resignados, perdoai, esperai, alegrai-vos em uma esperança, jubilai em uma certeza. Logo reavereis os vossos filhos, anjos no Céu, porque o Messias está para abrir as portas dos Céus e, se fordes justos, a morte será Vida que vem e Amor que volta…

– Ah! És Tu o Messias? Dize-o em nome de Deus!

Jesus abaixa os braços, com aquele seu gesto suave, manso, que parece um abraço, e diz:

– Eu o sou!

– Fora! Fora! Então é por tua culpa!

Passa voando uma pedra, por entre assobios e escárnios.

74.9

Judas dá um belo salto… oh! se ele tivesse sido sempre assim! Coloca-se na frente do Mestre, de pé sobre o muro do terraço, o manto desdobrado, e recebe, destemido, as pedradas, e até uma que lhe sangra, e grita para o João e o Simão:

– Levai Jesus embora. Levai-o para atrás daquelas árvores. Depois eu irei. Ide, em nome do Céu!

E para a multidão:

– Cães hidrófobos! Eu sou do Templo, e ao Templo e a Roma vos denunciarei.

A multidão, por um momento, sente medo. Mas depois recomeça o apedrejamento, por sorte, inábil. E Judas, impassível o recebe, respondendo com afrontas às maldições do povo. Aliás, agarra no ar uma das pedras e a remete sobre a cabeça de um velhote, que grita, como uma pega que está sendo depenada viva. E, como estão tentando subir até o seu pedestal, ele, rápido, pega um galho seco, que está no chão (agora ele desceu do muro), e desce o galho sobre costas, cabeças, mãos, sem piedade.

Chegam as milícias e, com suas lanças, vão abrindo caminho:

– Quem és? Por que essa briga?

– Um judeu está sendo agredido por estes plebeus. Estava comigo um rabino conhecido dos sacerdotes. Ele estava falando a estes cães. E eles escaparam das correntes, e nos atacaram.

– Quem és tu?

– Judas de Keriot, que já fui do Templo, e agora sou discípulo do Rabi Jesus da Galiléia. Sou amigo do fariseu Simão, do saduceu Jocanã, do conselheiro do Sinédrio José de Arimatéia, e, enfim, isto podes conferir, de Eleazar ben Ana, o grande amigo do Procônsul.

– Irei verificar. Para onde vais?

– Vou com meu amigo para Keriot, e depois para Jerusalém.

– Vai. Nós defenderemos tuas costas.

Judas estende a mão com umas moedas para o soldado. Deve ser uma coisa ilícita… mas usual, porque o soldado as pega, rápido e cauteloso, o saúda e sorri. Judas desce do seu pódio e vai aos saltos pelo campo inculto, e alcança os companheiros.

– Estás muito ferido?

– Coisa de nada, Mestre. Depois, foi por Ti… Mas eu também bati. Devo estar todo sujo de sangue…

– Sim, na face. Aqui há um fio de água.

João molha um paninho e lava a face de Judas.

– Lamento Judas… Mas vê… também dizer a eles que éramos judeus, segundo o teu senso prático…

– São uns animais. Creio que terás ficado persuadido disso, Mestre. E que não insistirás.

– Oh! Não. Não por medo. Mas porque é inútil, por enquanto. Quando não nos querem, não os maldizemos, mas nos retiramos, rezando pelos pobres loucos, que estão morrendo de fome, e não enxergam o Pão. Vamos por este caminho remoto. Creio que podemos tomar o caminho para Hebron. Para os pastores, se os encontrarmos.

– Para levarmos mais pedradas?

– Não. Para dizer a eles: “Sou Eu”.

– Ah! Então é certo que vão bater em nós. Há trinta anos que estão sofrendo por tua causa!….

– Veremos.

E lá se vão por um pequeno bosque compacto, sombreado, fresco, e eu os perco de vista.

Detalhe

Resumo Jesus chega às ruínas da casa de Ana. Decide falar ao povo de Belém, que perdeu os seus filhos no massacre dos Inocentes.

Anotação

Livro do Génesis 3, 14-19

Gn 3, 14-19 : Então o Senhor Deus disse à serpente: "Por teres feito isto, serás amaldiçoada entre todos os animais e feras do campo. Rastejarás sobre o teu ventre e comerás pó todos os dias da tua vida. E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a descendência dela; ela te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar."

Então o Senhor Deus disse à mulher: "Multiplicarei a dor da tua gravidez; com dor terás filhos. O teu desejo será para o teu marido, e ele dominará sobre ti.

Depois disse ao homem: "Porque deste ouvidos à voz da tua mulher e comeste do fruto da árvore que te proibi, maldita seja a terra por tua causa! Comerás dele com tristeza todos os dias da tua vida. Ela dar-te-á espinhos e abrolhos por sua própria vontade, mas o teu alimento virá de lavrar os campos. Com o suor do teu rosto ganharás o teu pão, até voltares à terra de onde saíste, pois és pó e ao pó voltarás.

Livro de Jeremias 31, 15

Jer 31,15: Assim diz o Senhor: Há um grito em Ramá, uma lamentação e um choro amargo. É Raquel que chora os seus filhos e não quer ser consolada, porque os seus filhos já não existem.

Livro de Miqueias 5, 1

Mi 5,1: E tu, Belém Efrata, o mais pequeno dos clãs de Judá, de ti virá para mim aquele que há-de governar Israel. As suas origens remontam aos tempos antigos, aos dias de outrora.

EMF 211.6-8 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Não haverá mais servos de Deus em Israel? Sim, os há. Mas são “ídolos.”

Na carta de Jeremias aos exilados estão ditas, por entre muitas outras coisas, também estas. E sobre estas chamo a vossa atenção, porque cada palavra do livro é um ensinamento que, desde o momento em que o Espírito a faz escrever, por causa de um fato presente, ela se refere a um fato que virá no futuro. Portanto, o que está escrito é isto: “Logo que entrardes em Babilônia, vereis deuses de ouro, de prata, de pedra, de madeira… Tomai cuidado para não imitardes o modo de agir dos estrangeiros, e para não terdes medo, não temê-los… Dizei em vosso coração: ‘É preciso adorar somente a Ti, ó Senhor.’” E a carta enumera as particularidades desses ídolos, que têm uma língua feita por algum artífice, e não se podem servir dela para reprovar os seus falsos sacerdotes, que os despojam, para revestir com o ouro do ídolo as meretrizes, quando não acontece que tirem aquele ouro, que foi profanado pelo suor da prostituição, para revestir o ídolo. Estes ídolos, que a ferrugem ou as traças podem roer e que ficam limpos e bem arrumados, só se o homem lhes lavar a cara e os tornar a vestir, já que eles não podem fazer nada por si mesmos apesar de ter cetro ou machado na mão. E termina o Profeta: “Por isso, não os temais.” E continua: “Inúteis, como vasos quebrados, são estes deuses. Seus olhos estão cheios da poeira levantada pelos pés dos que entram no templo e são conservados bem fechados: como se estivessem num sepulcro, ou como quem ofendeu o rei, porque qualquer um pode despojá-los de suas vestes preciosas. Eles não vêem a luz das lâmpadas e, por isso, estão no templo como vigas, e as candeias não lhes servem senão para enfumaçá-los, enquanto as corujas, as andorinhas e outros passarinhos voam por cima da cabeça deles e a cobrem de vírgulas com os seus excrementos e os gatos nela fazem seus ninhos, com as vestes deles, e as rasgam. Por tudo isso, não devem ser temidos. São coisas mortas. Nem mesmo o ouro lhes serve para nada. É uma amostra, e se não for polido, não brilha, assim como os deuses não sentiram nada, quando alguém os fabricou. Nem o fogo conseguiu despertá-los. Eles foram comprados por preços fabulosos. E são transportados para onde o homem quer, porque são vergonhosamente fracos… Por que, então, são chamados deuses? Por que são adorados com ofertas e com uma pantomima de cerimônias falsas, não sinceras da parte de quem as faz, nem acreditadas por quem as vê. Se um mal ou um bem lhes é feito, eles permanecem inertes, são incapazes de eleger ou destronar um rei, não podem dar riquezas nem fazer o mal, não podem salvar um homem da morte, nem salvar o fraco do prepotente. Eles não têm piedade das viúvas e dos órfãos. São semelhantes às pedras da montanha…”

A carta diz mais ou menos isso.

211.7

Eis. Nós também temos ídolos, e não mais santos, nas fileiras do Senhor. E por isto é que o Mal pode levantar-se contra o Bem. O mal que suja de esterco a inteligência e o coração dos que não são mais santos e se aninha em suas falsas vestes de bondade.

Não sabem mais falar as palavras de Deus. É natural! Eles têm uma língua feita pelo homem, e falam palavras de homem, quando não falam palavras de satanás, e não sabem nada mais do que censurar os inocentes e os pobres, mas calam-se onde vêem corrupção nos poderosos. Porque todos são corruptos, e não podem acusar-se um ao outro das mesmas culpas. Ávidos são, não do Senhor, mas de Mamon, trabalham aceitando o ouro da luxúria e do delito, trocando-o, roubando-o, tomados por um frenesi, que passa por cima de todos os limites e de tudo. Toda a poeira se aninha sobre eles, fermenta sobre eles e, se eles mostram uma cara limpa, os olhos de Deus estão vendo como está sujo o seu coração. A ferrugem do ódio e o verme do pecado os rói, e eles não sabem fazer nada para se salvarem. Desfecham suas maldições, como cetros e machados, mas não sabem que eles é que estão amaldiçoados. Fechados em seus pensamentos e em sua ira, como cadáveres em seus sepulcros, ou prisioneiros em seu cárcere, lá estão, agarrando-se às barras, por medo de que alguma mão os tire de lá, porque lá dentro esses mortos são ainda alguma coisa: são múmias, não mais do que múmias com aparência humana, mas com corpo reduzido a madeira seca, enquanto que lá fora seriam objetos ultrapassados para um mundo que procura a vida, que sente necessidade da vida, como o menino sente da mãe e quer quem lhe dê vida, e não os fedores da morte.

Eles estão no Templo, sim, e a fumaça das lâmpadas, isto é, das honras, os enfumaça, mas a luz não desce até eles. E todas as paixões se aninham neles como passarinhos e gatos, enquanto que o fogo de sua missão não lhes dá o místico tormento de estarem sendo abrasados pelo fogo de Deus. Eles são refratários ao Amor. O fogo da caridade não os incendeia, assim como a caridade não os veste com seus áureos esplendores. A caridade para com o próximo é a forma; e a caridade que vem de Deus e do homem é a fonte. Porque Deus se afasta do homem que não ama e, por isso, essa primeira fonte para de jorrar e ao afastar o homem do homem malvado, para de jorrar também a segunda fonte. Tudo é tirado, pela Caridade, do homem sem amor. Deixam-se comprar por um preço maldito e deixam se levar para onde as vantagens e o poder querem.

Não, Não é permitido! Não existe moeda para comprar a consciência, e especialmente a dos sacerdotes e dos mestres. Não é permitido ter condescendência com as coisas fortes da terra, quando elas querem levar-nos a praticar atos contrários ao que é ordenado por Deus. Isto seria uma impotência espiritual, mas está escrito[4]: “O eunuco não entrará na assembleia do Senhor.” Se, pois, não pode fazer parte do povo de Deus quem é impotente por natureza, poderá ser ministro o que é impotente em seu espírito? Porque, em verdade Eu vos digo que muitos sacerdotes e mestres já estão atormentados por um culpável eunuquismo espiritual, já mutilados em sua virilidade espiritual. São muitos. E são demais!

211.8

Meditai. Observai. Confrontai. Vereis que temos muitos ídolos e poucos ministros do Bem que é Deus. E aí está por que é que pode acontecer que as cidades refúgios já não sejam mais refúgio. Nada mais é respeitado em Israel, e os santos morrem, porque os não santos os consideram odiosos.

Mas Eu vos convido: “Vinde.” (...) Vinde servir a Deus. O tempo está próximo. Não fiqueis despreparados para a Redenção. Fazei que a chuva caia sobre o terreno semeado. Senão, ele terá sido semeado em vão. (...) A Salvação é seguir a Voz do Senhor e crer em sua Palavra. (...) Vinde em massa para o serviço de Deus. Eu estou passando e vos chamando. Não sejais inferiores às meretrizes, às quais basta uma palavra de misericórdia, para deixarem o caminho que percorreram antes, e virem para o Caminho do Bem.

Foi-me perguntado, quando aqui cheguei: “Mas Tu, não conservas rancor de nós?” Rancor? Oh! Não. Eu conservo é amor a vós. E conservo a esperança de ver-vos nas fileiras do meu povo. Do povo que Eu conduzo para Deus, neste novo êxodo para a verdadeira Terra Prometida: para o Reino de Deus, do outro lado do Mar Vermelho das sensualidades e desertos do pecado, livres de toda espécie de escravidão, para a Terra eterna, cheia de delícias, repleta de paz…

Vinde! Este é o Amor que passa. Qualquer um pode acompanhá-lo, porque, para ser acolhidos por Ele, não se precisa mais do que de boa vontade.

Anotação

Na carta de Jeremias aos exilados, diz-se, entre outras coisas, o seguinte. Carta de Jeremias 1,1-72 (por vezes inserida em Baruc 6). O extrato bíblico é dado a seguir.

Diz: "O eunuco não entrará na congregação do Senhor". "EmDeuteronómio 23,2.

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Livro do Deuteronómio 23, 2

Dt 23,2: Aquele cujos testículos tiverem sido esmagados ou cuja uretra tiver sido cortada não entrará na assembleia de Javé.

Livro de Jeremias 1, 1-72 (por vezes transposto para o Livro de Baruc 6, 1-72) - Sobre os ídolos

Jr 1, 1-72 | Ba 6, 1-72 : Cópia da carta que Jeremias enviou aos que iam ser levados cativos para a Babilónia pelo rei dos babilónios, para lhes dizer o que Deus lhe tinha ordenado que lhes dissesse. Por causa dos pecados que cometestes perante Deus, sereis levados cativos para a Babilónia por Nabucodonosor, rei dos babilónios. Quando chegarem a Babilónia, ficarão lá durante muitos anos e por muito tempo, até sete gerações, e depois eu os tirarei de lá em paz. Mas na Babilónia verás deuses de prata, de ouro e de madeira, que se carregam aos ombros e que causam medo entre as nações. Tenham cuidado para não imitarem esses estrangeiros e não se deixarem levar pelo medo desses deuses. Quando virdes multidões de pessoas a juntarem-se diante e atrás deles e a prestar-lhes homenagem, dizei no vosso coração: "És tu, Mestre, que deves ser adorado. Porque o meu anjo está contigo e cuida da tua vida.

Porque a língua destes deuses foi polida por um artesão; está coberta de ouro e prata, mas são mentiras e não podem falar. Quanto a uma rapariga que gosta de enfeites, pegaram em ouro e fizeram coroas para pôr na cabeça desses deuses. Os sacerdotes chegam ao ponto de roubarem o ouro e a prata dos seus deuses e de os usarem para os seus próprios fins; até os dão às prostitutas das suas casas. Adornam esses deuses de prata, de ouro e de madeira com vestes ricas como os homens, mas eles não podem proteger-se da ferrugem nem dos vermes. Quando se vestem de púrpura, ainda têm de limpar o rosto, porque o pó da casa cobre-os densamente. Há um que segura um cetro, como um governador de província: não mata ninguém que o ofenda. Outro traz na mão uma espada ou um machado, mas não pode defender-se do inimigo ou dos ladrões. Isto mostra que eles não são deuses, por isso não os temam.

Tal como o vaso de um homem, quando se parte, torna-se inútil, o mesmo acontece com os seus deuses. Se os colocares numa casa, os seus olhos enchem-se do pó dos pés de quem entra. Tal como se fecham cuidadosamente as portas da prisão a um homem que ofendeu o rei, ou a um homem que vai ser morto, assim também os sacerdotes defendem a morada dos seus deuses com portas fortes, com trancas e ferrolhos, para que não sejam roubados pelos ladrões. Acendem lâmpadas, ainda mais do que para si próprios, e esses deuses não as vêem. São como uma das vigas da casa, e diz-se que os seus corações são comidos pelos vermes que saem do chão e os devoram, a eles e às suas roupas, sem que o sintam. Os seus rostos ficam negros com o fumo que sai da casa. Corujas, andorinhas e outras aves esvoaçam à volta dos seus corpos e cabeças, e os próprios gatos brincam da mesma maneira. Assim saberás que eles não são deuses, por isso não os temas.

O ouro com que estão cobertos para os embelezar, se alguém não tirar a ferrugem, não o fará brilhar; pois eles nem sequer sentiram nada quando foram derretidos. Esses ídolos foram comprados pelo preço mais alto, e não há neles nenhum sopro de vida. Não tendo pés, são carregados aos ombros, mostrando assim aos homens a sua vergonhosa impotência. Que aqueles que os servem sejam confundidos com eles! Se caírem no chão, não se levantarão por vontade própria; e se alguém os levantar, não se moverão por vontade própria; e se se inclinarem, não se endireitarão. As oferendas são colocadas diante deles como diante dos mortos. Os sacerdotes vendem as vítimas que lhes são oferecidas e lucram com elas; as suas mulheres salgam-nas e não dão nada aos pobres ou aos doentes. As mulheres que estão a dar à luz ou em estado de impureza tocam nos seus sacrifícios. Sabendo, pois, por estas coisas que eles não são deuses, não os temais.

E porquê chamar-lhes deuses? Porque são as mulheres que vêm trazer as suas oferendas a esses deuses de prata, de ouro e de madeira. E nos seus templos os sacerdotes sentam-se com as túnicas rasgadas, a cabeça e o rosto rapados e a cabeça descoberta. Eles bradam e gritam diante dos seus deuses, como se estivessem numa festa fúnebre. Os seus sacerdotes despojam-se das suas vestes, e eles vestem as suas mulheres e os seus filhos com elas. Quer se lhes faça mal, quer se lhes faça bem, não podem fazer nada; não podem instituir um rei nem derrubá-lo. Não podem dar riquezas, nem mesmo fazer o bem. Também não podem dar riquezas, nem mesmo uma moeda. Se alguém que lhes fez um voto não o cumprir, eles não lhes pedirão nada. Não salvarão um homem da morte; não arrebatarão o fraco da mão dos poderosos. Não darão vista ao cego, nem livrarão o aflito. Não se compadecerão da viúva, nem farão bem ao órfão. Estes ídolos de madeira, cobertos de ouro e prata, são como pedras cortadas numa montanha, e aqueles que os servem serão envergonhados. Como é que podemos acreditar ou dizer que eles são deuses?

Os próprios caldeus os desonram quando, vendo um homem que não pode falar, o apresentam a Bel, pedindo ao mudo que fale, como se o deus pudesse ouvir alguma coisa. E, apesar de se aperceberem disso, não conseguem abandonar esses ídolos, pois eles não têm sentimento. As mulheres, envoltas em cordas, vão sentar-se nos caminhos, queimando farinha grosseira; e quando uma delas, atraída por algum transeunte, dormiu com ele, censura a vizinha por não ter sido julgada digna da mesma honra e por não ter visto a sua trança de junco partida. Tudo o que se diz sobre os ídolos é mentira. Como podemos então acreditar ou dizer que eles são deuses?

Eles foram feitos por artesãos e ourives; não podem ser de outra forma que não seja a vontade dos trabalhadores. E os trabalhadores que os criaram não têm muito tempo de vida: como poderiam então as suas obras ser de longa duração? Eles não deixaram para a posteridade senão mentiras e desgraças. Quando vem a guerra, ou qualquer outra calamidade, os sacerdotes deliberam entre si sobre onde se esconderão com os seus deuses: como é que não se pode entender que estes não são deuses, que não se podem salvar da guerra ou de qualquer outra calamidade?

Esses ídolos de madeira, revestidos de ouro e prata, serão mais tarde reconhecidos como uma mentira; para todas as nações e reis será óbvio que não são deuses, mas obras de homens, e que não há nenhuma obra divina neles. Para quem, então, não seria óbvio que eles não são deuses?

Eles nunca estabelecerão um rei sobre uma terra, nem darão chuva aos homens. Não poderão julgar os seus próprios assuntos, nem proteger contra a injustiça, pois nada podem fazer, como os corvos que se interpõem entre o céu e a vossa terra. E quando o fogo cair sobre a casa desses deuses de madeira, revestidos de ouro e prata, os seus sacerdotes fugirão e salvar-se-ão; mas eles consumir-se-ão como vigas no meio das chamas. Não resistirão a um rei ou a um exército inimigo. Como é que podemos admitir ou pensar que eles são deuses?

Não escaparão aos ladrões e aos salteadores, esses deuses de madeira, cobertos de prata e de ouro. Homens mais poderosos do que eles roubarão a prata e o ouro e levarão as ricas roupas com que se cobriram, e esses deuses não poderão ajudar-se a si próprios. Assim, é melhor ser um rei que mostra a sua força, ou um vaso útil na casa que o dono usa, do que ser esses falsos deuses; ou uma porta numa casa que guarda o que está dentro, do que ser esses falsos deuses; ou um pilar de madeira na casa de um rei, do que ser esses falsos deuses. O sol, a luz e as estrelas, que são brilhantes e enviadas para o benefício dos homens, obedecem a Deus. Do mesmo modo, o relâmpago, quando aparece, é belo de se ver; o vento também sopra sobre toda a terra; e as nuvens, quando Deus lhes ordena que cubram toda a terra, fazem o que lhes é ordenado. Também o fogo, quando enviado do alto para consumir as montanhas e as florestas, faz o que lhe é ordenado. Mas os ídolos não são comparáveis, nem em beleza nem em poder, a todas estas coisas. Por isso, não devemos pensar nem dizer que são deuses, pois não podem discernir o que é justo nem fazer o bem aos homens. Sabendo, pois, que não são deuses, não os temais.

Eles não podem amaldiçoar nem abençoar os reis. Não mostram às nações sinais no céu; não brilham como o sol nem dão luz como a lua. Os animais são melhores do que eles, porque podem fugir e encontrar abrigo e ser úteis para si próprios. Por isso, não nos parece de modo algum que eles sejam deuses; por isso, não os temais.

Tal como um espantalho num campo de pepinos não te protege de nada, assim é com os seus deuses de madeira, cobertos de ouro e prata. Tal como um espinheiro num jardim, onde pousam todas as aves, ou um morto atirado para um lugar escuro, assim são os seus deuses de madeira, cobertos de ouro e de prata. Até a púrpura e o escarlate que se desvanecem sobre eles mostram que não são deuses. Eles próprios acabarão por ser devorados e tornar-se-ão uma vergonha na terra. Melhor é o homem justo que não tem ídolos, pois não teme a confusão.

EMF 212.5-7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

… Jesus fala na casa de Isaac. As pessoas enchem a sala e o pátio, e se comprimem também na praça, enquanto Jesus, para ser ouvido por todos, põe-se no meio da sala de tal forma, que sua voz se espalha tanto no pátio como na praça. Ele deve Ele estar tratando de algum assunto que lhe levaram por qualquer pergunta ou acontecimento. Ele diz:

– … Mas não tenhais dúvida disso. Como diz[1] Jeremias, eles reconhecerão, pelas provações, como é doloroso e amargo terem abandonado o Senhor. Para certos delitos, meus amigos, não há salitre nem potassa, que consigam tirar a nódoa que eles deixam, nem mesmo o fogo do inferno é capaz de tirar aquela nódoa. Ela é indelével.

Também aqui é necessário reconhecer a justiça das Palavras de Jeremias. Realmente, os nossos grandes de Israel parecem as jumentas selvagens das quais fala o Profeta. Acostumados com o deserto de seus corações. Porque, podeis crer, enquanto alguém estiver com Deus, ainda que seja pobre como Jó, ainda que esteja sozinho, ainda que esteja nu, nunca está sozinho, nunca é pobre, nunca está despojado, nunca é um deserto. Mas, eles tiraram Deus dos seus corações, e, por isso, se acham num árido deserto. Como as jumentas selvagens, que farejam no vento o cheiro dos machos, que aqui, no caso, pela libidinagem deles, tem o nome de poder ou dinheiro, além da luxúria verdadeira e propriamente dita, e acompanham aquele cheiro, até chegarem ao delito. Sim. Eles o acompanham, e ainda mais o acompanharão. Eles não sabem que estão, não com os pés, mas com o coração exposto às flechas de Deus, que vingará o seu delito. Como, então, não haverão de ficar confusos o rei e os príncipes, os sacerdotes e os escribas que, na verdade, disseram e dizem àquilo que nada é, ou, pior ainda, àquilo que é o pecado: “Tu és meu pai. Tu me geraste!”

Em verdade, em verdade, Eu vos digo[2] que Moisés quebrou com ira as tábuas da Lei, ao ver o povo na idolatria e, depois de subir de novo ao monte, orou, adorou e conseguiu. E isto, há muitos séculos. Mas ainda não acabou, nem acabará. Ao contrário, cresce como fermento posto na farinha a idolatria no coração dos homens. Agora, quase cada um dos homens tem o seu próprio bezerro de ouro. A terra é um matagal de ídolos, porque cada coração virou um altar e dificilmente se encontra Deus sobre ele. Quem não tem uma paixão maligna tem outra, quem não tem uma concupiscência tem uma outra com outro nome. Quem não é todo pelo ouro é todo por alguma posição, quem não é todo pela carne é todo pelo egoísmo. Quantos “eus” transformados em bezerros de ouro, não são adorados nos corações! Virá, por isso, um dia em que eles, golpeados, clamarão ao Senhor e ouvirão dele esta resposta: “Vira-te para os teus deuses. Eu não te conheço.”

Eu não te conheço. Terrível é esta palavra, quando dita por Deus a um homem. Deus criou o homem como uma raça, e conhece cada homem em particular. Quando, pois, Ele diz: “Eu não te conheço”, isso é sinal de que Ele apagou, com a força de sua vontade, aquele homem de sua lembrança. Eu não te conheço! Será Deus severo demais por proferir este veredito? Não. O homem gritou ao Céu: “Eu não te conheço!”, e o Céu respondeu ao homem: “Eu não te conheço”, com a fidelidade de um eco…

212.6

E, meditai: o homem é obrigado a conhecer a Deus por um dever de gratidão e por respeito para com a sua própria inteligência.

Por gratidão: Deus criou o homem, dando-lhe o dom inefável da vida e provendo-o do dom superinefável da graça. Perdida esta por própria culpa, o homem ouve que lhe é feita uma grande promessa: “Eu te darei de novo a Graça.” É Deus que foi ofendido, que fala assim ao seu ofensor, como se fosse ele, Deus, o culpado, obrigado a dar uma reparação. E Deus mantém a promessa. Eis que aqui estou para dar de novo a Graça ao homem. Deus não se limita a dar o sobrenatural, mas faz descer até nós sua Essência Espiritual, a fim de prover às grosseiras necessidades da carne e do sangue do homem, dá-lhe o calor do sol, o refrigério da água, os grãos dos cereais, as videiras, as árvores de todas as espécies, os animais de todas as espécies. Assim o homem recebeu de Deus todos os meios para conservar a vida. Deus é o seu Benfeitor. É preciso que lhe sejamos reconhecidos e lhe mostremos isso, esforçando-nos por conhece-lo.

Por respeito para com nossa própria razão. O mentecapto e o idiota não são gratos para com quem cuida deles, porque não compreendem os cuidados em seu verdadeiro valor, e há quem os lava ou lhes põe a comida na boca, a quem os guia ou os põe na cama, a quem os vigia para que não se exponham aos perigos. Eles ainda lhes tem ódio, porque, bestiais como são por causa de sua doença, acham ainda que aqueles cuidados são torturas. O homem que está em falta contra Deus é alguém que se desonra a si mesmo, a um ser dotado de razão. Só os idiotas e os doidos é que não conseguem distinguir o seu pai de um estranho, o benfeitor de um inimigo. Mas o homem inteligente conhece o seu pai e o seu benfeitor e se compraz em conhecê-lo sempre melhor, mesmo naquelas coisas que ele ignora, porque aconteceram antes que ele nascesse ou que recebesse os benefícios do pai ou do benfeitor. Assim deve-se fazer também com o Senhor, a fim de mostrar-lhe que somos inteligentes, e não brutos. Mas muitos em Israel são semelhantes a estes doidos que não reconhecem o seu pai e o seu benfeitor.

Jeremias pergunta a si mesmo: “Poderá, acaso, a virgem esquecer-se de seus ornamentos e uma esposa do seu cinto?” Oh! Sim. Israel está constituído por estas virgens doidas, por essas esposas impudicas, que se esquecem dos seus ornamentos honestos e da cintura para usarem ouropéis, como as meretrizes. E isso se encontra em medida sempre maior, quanto mais se sobe até às classes que deveriam ser as mestras do povo. E a reprovação de Deus, — com sua irritação e o seu pranto,— lhes é dirigida “Por que te esforças em mostrar tua boa conduta, e procurar amor, tu, que, ao contrário, ensinas as malícias e os teus modos de fazer, e fizeste que se encontrassem, nas abas das tuas vestes, o sangue dos pobres e dos inocentes?”

212.7

Amigos, a distância é um bem e é um mal. Estar muito longe dos lugares, onde com facilidade Eu falo é um mal, porque vos impede de ouvir as palavras da Vida. E vós vos queixais disso. Pois é verdade. Mas é um bem, porque vos conserva afastados dos lugares em que fermenta o pecado, onde ferve a corrupção, onde as ciladas sibilam, tramando contra Mim, estorvando-me em minha obra e insinuando dúvidas e mentiras nos corações a respeito de Mim. Mas Eu prefiro que estejais longe a que estejais corrompidos. Eu proverei à vossa formação. Vós estais vendo que Deus proveu, antes que nós nos conhecêssemos e, por isso, nos amássemos. Eu já era conhecido, antes que nós nunca nos tivéssemos visto. Isaac foi o vosso anunciador. Eu vou mandar muitos Isaques para dizer-vos as minhas palavras. E ficai sabendo também que Deus pode falar em toda parte a sós com o espírito do homem e fazê-lo crescer em sua doutrina.

Não tenhais medo de que, por estardes sozinhos, isso vos possa fazer cair em erros. Não. Se não quiserdes, não sereis infiéis ao Senhor e ao seu Cristo. Afinal, quem de verdade não pode ficar longe do Messias, fique sabendo que o Messias lhe abre o coração e os braços, e lhe diz: “Vem.” Vinde, vós, que quereis vir. Permanecei, vós, que quereis ficar. Mas, pregai o Cristo, tanto uns como os outros, com uma vida honesta. Pregai contra a desonestidade, que se aninha em muitos corações. Pregai isto contra a leviandade dos muitíssimos que não sabem permanecer fiéis e que se esquecem dos seus ornamentos e cintos das almas chamadas para as núpcias com Cristo. Vós me dissestes, felizes: “Desde quando Tu vieste, nós não tivemos mais doentes nem mortos. A tua bênção nos protegeu.” Sim grande coisa é a saúde. Mas, fazei que a minha vinda de agora vos faça a todos sãos de espírito, e sempre e em tudo. Para isso, Eu vos abençôo e vos dou a minha paz, a vós e aos vossos filhos, aos campos, às casas, às messes, aos rebanhos, às árvores frutíferas. Servi-vos de tudo isso com santidade, não vivendo para essas coisas, mas por meio delas, dando o supérfluo a quem não tem e adquirindo vós assim a medida calcada das bênçãos do Pai e um lugar no Céu. Ide. Eu fico para rezar…

Anotação

Como diz Jeremias, eles verão pela provação como é doloroso e amargo ter abandonado o Senhor. Jeremias 2:19. O capítulo 2 trata da apostasia de Israel.

O rei e os príncipes, os sacerdotes e os escribas serão envergonhados, pois disseram, e ainda dizem: "Tu és meu pai. Tu me geraste! Em referência ao Salmo 2:7.

Em verdade, em verdade vos digo que Moisés quebrou as Tábuas da Lei com raiva à vista do povo idólatra, depois voltou ao monte, rezou, adorou e alcançou misericórdia. Isso passou-se há séculos. Ver o livro do Êxodo, capítulos 32 a 34.

Jeremias pergunta: "Pode a virgem esquecer-se dos seus enfeites e a mulher do seu cinto? "Jeremias 2:32.

"Porque procurais exibir a honestidade do vosso comportamento para procurardes o amor, quando ensinais a perversão e os vossos caminhos, e o sangue dos pobres e dos inocentes está nas saias das vossas vestes? "Jeremias 2:34.

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Livro de Jeremias 2, 19.32.34

Jer 2, 19: A tua impiedade castiga-te e as tuas rebeliões castigam-te! Sabei, pois, e vede como é mau e amargo que tenhais abandonado Javé, vosso Deus, e não tenhais medo de mim, - diz o Senhor Javé dos exércitos.

Jer 2,32: Porventura a virgem esquece o seu adorno, a noiva o seu cinto? E o meu povo esqueceu-se de mim durante dias sem conta!

Jr 2,34: Até nas saias das vossas vestes está o sangue dos pobres inocentes; não os apanhastes a entrar e a sair, mas matastes-os por todas estas coisas.

Livro dos Salmos 2, 7

Sl 2,7: Publicarei o decreto: Javé disse-me: Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei.

Livro do Êxodo 32-34

Êxodo 32-34: Quando o povo viu que Moisés demorava a descer da montanha, reuniu-se à volta de Aarão e disse-lhe: "Anda, faz-nos um deus que vá à nossa frente. Porque este Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu". Arão disse-lhes: "Tirai as argolas de ouro das orelhas das vossas mulheres, dos vossos filhos e das vossas filhas, e trazei-mas". Todos tiraram as argolas de ouro das orelhas e trouxeram-nas a Arão. Ele tirou-as das mãos deles, trabalhou o ouro com um cinzel e fez dele um bezerro de gesso. E disseram: "Este é o teu Deus, Israel, que te fez subir da terra do Egito. Quando Aarão viu isso, construiu um altar diante da imagem e gritou: "Amanhã haverá uma festa em honra de Javé". No dia seguinte, tendo-se levantado de manhã cedo, ofereceram holocaustos e apresentaram ofertas de paz; o povo sentou-se para comer e beber e depois levantou-se para se divertir.

Então Javé disse a Moisés: "Desce, porque o teu povo, que tiraste da terra do Egito, se portou muito mal. Desviou-se do meu caminho. Desviaram-se do caminho que eu lhes tinha ordenado e fizeram para si um bezerro de fundição, adoraram-no e ofereceram-lhe sacrifícios, dizendo: "Este é o teu Deus, Israel, que te fez subir da terra do Egito". O Senhor disse a Moisés: "Vejo que este povo é um povo de dura cerviz. 10Agora deixa-os comigo: que a minha ira arda contra eles e os consuma! Mas eu farei de ti uma grande nação.

Moisés suplicou a Javé, o seu Deus, e disse: "Por que razão, Javé, a tua ira se há-de acender contra o teu povo, que tiraste da terra do Egito com grande poder e mão forte? Porque é que os egípcios hão-de dizer: "Ele tirou-os para seu próprio mal, para os destruir nas montanhas e para os eliminar da face da terra"? Voltai do furor da vossa ira e arrependei-vos do mal que quereis fazer ao vosso povo. Lembra-te de Abraão, de Isaac e de Israel, teus servos, a quem juraste: "Multiplicarei os teus descendentes como as estrelas do céu e darei aos teus descendentes toda esta terra de que falei, e eles a possuirão para sempre".

E o Javé arrependeu-se do mal que tinha dito que ia fazer ao seu povo. Moisés regressou e desceu do monte com as duas tábuas do testemunho na mão, escritas dos dois lados; estavam escritas dos dois lados. As tábuas eram obra de Deus, e a escrita era a escrita de Deus, gravada nas tábuas. Josué ouviu o barulho do povo a gritar e disse a Moisés: "Há um grito de guerra no acampamento!" Moisés respondeu: "Não é o som de gritos de vitória nem o som de gritos de derrota; ouço a voz do povo a cantar". Quando se aproximou do acampamento, viu o bezerro e as danças. A ira de Moisés acendeu-se e, com as mãos, atirou as tábuas e quebrou-as ao pé da montanha. Depois pegou no bezerro que tinham feito, queimou-o a fogo, reduziu-o a pó, deitou o pó na água e deu-a a beber aos filhos de Israel.

Moisés perguntou a Arão: "O que é que este povo te fez para que tenhas trazido sobre ele um pecado tão grande?" Arão respondeu: "Não se acenda a ira do meu senhor! Tu mesmo sabes que este povo é inclinado para o mal. 23Disseram-me: "Faz-nos um deus que vá à nossa frente, porque esse Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu. Eu disse-lhes: "Quem tiver ouro, despoje-se dele! Deram-mo e eu deitei-o ao fogo, e dele saiu este bezerro.

Moisés viu que o povo não tinha nenhum freio, porque Aarão lhe tinha tirado todo o freio, expondo-o a ser motivo de chacota entre os seus inimigos. Então Moisés pôs-se à porta do acampamento e disse: "A mim pertencem os que são por Javé!" E todos os filhos de Levi se reuniram à volta dele. E Moisés disse-lhes: "Assim diz Javé, Deus de Israel: 'Cada um de vós ponha a sua espada ao lado do corpo e percorra o acampamento de porta em porta, matando cada um o seu irmão, cada um o seu amigo, cada um o seu parente'. Os filhos de Levi fizeram o que Moisés mandou, e cerca de três mil pessoas morreram nesse dia. Moisés disse: "Consagrai-vos hoje ao Senhor, pois cada um de vós foi contra o seu filho e contra o seu pai, para que ele vos dê hoje uma bênção".

No dia seguinte, Moisés disse ao povo: "Cometestes um grande pecado. Agora vou subir ao Javé e talvez obtenha o perdão do vosso pecado". Moisés voltou a Javé e disse: "Ah, este povo cometeu um grande pecado! Fez para si um deus de ouro. Agora perdoa-lhes o pecado; se não, apaga-me do teu livro que escreveste". O Javé disse a Moisés: "É aquele que pecou contra mim que eu apagarei do meu livro. Vai agora e conduz o povo para onde eu te disser. Eis que o meu anjo irá à tua frente, mas no dia da minha visitação castigá-los-ei pelo seu pecado". Foi assim que Javé castigou o povo, por terem feito o bezerro que Aarão tinha feito.

(Capítulo 33) O Senhor disse a Moisés: "Vai, sai daqui, tu e o povo que fizeste subir da terra do Egito; sobe à terra que prometi com juramento a Abraão, a Isaac e a Jacob, dizendo: Eu a darei aos vossos descendentes. Enviarei um anjo à tua frente e expulsarei os cananeus, os amorreus, os heteus, os perizeus, os heveus e os jebuseus. Subi a uma terra que mana leite e mel; mas eu não subirei entre vós, porque sois povo de dura cerviz, para que eu não vos destrua no caminho".

Quando o povo ouviu estas duras palavras, ficou de luto e ninguém se vestiu com os seus ornamentos. Então Javé disse a Moisés: "Diz aos filhos de Israel: 'Sois um povo de dura cerviz; se eu subisse no meio de vós por um momento, destruir-vos-ia. Agora, pois, tirai os vossos enfeites de sobre vós, e eu saberei o que vos hei-de fazer." 6Os israelitas despojaram-se dos seus ornamentos no monte Horebe.

Moisés tomou a tenda e armou-a fora do acampamento, a alguma distância; chamou-lhe tenda da reunião; e todos os que procuravam o Senhor iam à tenda da reunião, que estava fora do acampamento. Quando Moisés se dirigia para a tenda, todo o povo se levantava, cada um à porta da tenda, e seguia Moisés com os olhos até ele entrar na tenda. Logo que Moisés entrou na tenda, a coluna de nuvem desceu e pôs-se à entrada da tenda, e o Senhor falou com Moisés. Quando todo o povo viu a coluna de nuvem à entrada da tenda, todo o povo se levantou e cada um se inclinou à porta da sua tenda. E o Senhor falou com Moisés face a face, como um homem fala com o seu amigo. Depois Moisés voltou para o acampamento, mas o seu servo Josué, filho de Nun, um jovem, não saiu do meio da tenda.

Moisés disse a Javé: "Tu dizes-me: Faz subir este povo, mas não me dizes quem vais enviar comigo. No entanto, disseste: 'Conheço-te pelo teu nome e encontraste graça aos meus olhos'. Agora, pois, se tenho achado graça aos teus olhos, faze-me saber os teus caminhos, para que eu te conheça e ache graça aos teus olhos. Considera que esta nação é o teu povo. O Senhor respondeu: "O meu rosto irá contigo, e eu te darei descanso". Moisés disse: "Se a tua face não vier, não nos mandes embora daqui. Como se saberá que eu e o teu povo fomos favorecidos aos teus olhos, se não fores connosco? É isto que me distinguirá, a mim e ao teu povo, de todos os povos da face da terra. O Senhor disse a Moisés: "Farei o que me pedes, pois achaste graça aos meus olhos e conheço-te pelo teu nome".

Moisés disse: "Deixa-me ver a tua glória." Respondeu o Javé: "Farei passar toda a minha bondade diante de ti, e pronunciarei o nome do Javé diante de ti; porque serei misericordioso para com quem for misericordioso, e misericordioso para com quem for misericordioso". O Senhor disse: "Não poderás ver a minha face, pois o homem não pode ver-me e viver." O Javé disse: "Aqui está um lugar perto de mim; ficarás de pé sobre a rocha. Quando a minha glória passar, eu ponho-te na cavidade da rocha e cubro-te com a minha mão até eu passar. Depois retirarei a minha mão e ver-me-ás por detrás; mas o meu rosto não será visto."

(Capítulo 34) O Senhor disse a Moisés: "Corta duas tábuas de pedra como as primeiras, e eu escreverei nelas as palavras que estavam nas primeiras tábuas que quebraste. Prepara-te para amanhã, sobe ao monte Sinai de manhã e põe-te diante de mim no cimo do monte. Que ninguém suba contigo, que ninguém seja visto em parte alguma do monte e que nem ovelhas nem bois pastem na encosta deste monte. Moisés cortou duas tábuas de pedra como as primeiras e, levantando-se de madrugada, subiu ao monte Sinai, como o Senhor lhe tinha ordenado, e tomou as duas tábuas de pedra na mão.

O Javé desceu na nuvem, pôs-se ali com ele e invocou o nome do Javé. O Javé passou diante dele e gritou: "Javé! Javé! Deus misericordioso e compassivo, lento para a cólera, rico em bondade e fidelidade, que conserva a sua graça até mil gerações, que perdoa a iniquidade, a rebelião e o pecado, mas não os deixa impunes, visitando a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos até à terceira e quarta geração!" Moisés prostrou-se imediatamente em terra e adorou, 9dizendo: "Se achei graça aos teus olhos, Senhor, permite que o Senhor ande no meio de nós, pois é um povo de dura cerviz; perdoa as nossas iniquidades e os nossos pecados e toma-nos por tua herança."

O Senhor disse: "Eis que eu faço uma aliança: na presença de todo o teu povo, farei maravilhas que nunca foram feitas em nenhuma terra nem em nenhuma nação; e todos os povos à tua volta verão a obra do Senhor, pois são terríveis as coisas que farei contigo.

Prestem atenção ao que vos ordeno hoje. Eis que expulsarei de diante de ti os amorreus, os cananeus, os heteus, os perizeus, os heveus e os jebuseus. Tende cuidado em fazer aliança com os habitantes da terra contra a qual marchais, para que não se tornem um laço no meio de vós. 13Porém, derrubareis os seus altares, quebrareis as suas colunas e derrubareis os seus aserins. Não adorarás outros deuses, pois Javé se chama Zeloso, um Deus ciumento. Por isso, não façais aliança com os habitantes da terra, para que, quando eles se prostituírem com os seus deuses e lhes oferecerem sacrifícios, não vos convidem a entrar e comais dos seus sacrifícios; para que não tomeis as suas filhas para os vossos filhos, e as suas filhas, prostituindo-se com os seus deuses, não façam com que também os vossos filhos se prostituam com os seus deuses.

Não farás deuses de metal fundido.

Observareis a Festa dos Pães Ázimos: durante sete dias comereis pães ázimos, como vos ordenei, ao tempo determinado, no mês de Abibe, pois foi no mês de Abibe que saístes do Egito.

Todo o primogénito macho dos vossos rebanhos, seja boi ou ovelha, é meu. Resgatarás o primogénito da jumenta com um cordeiro; se não o resgatares, quebrar-lhe-ás o pescoço. Resgatarás todos os primogénitos dos teus filhos, e eles não virão perante mim de mãos vazias.

Trabalharás seis dias, mas descansarás no sétimo, mesmo na lavoura e na colheita.

Celebrareis a Festa das Semanas, da primeira colheita do trigo, e a Festa da Colheita, no fim do ano.

Três vezes por ano, todos os homens comparecerão perante o Senhor Javé, Deus de Israel. Porque eu expulsarei as nações de diante de ti e alargarei as tuas fronteiras; e ninguém cobiçará a tua terra enquanto subires para te apresentares três vezes por ano diante do Senhor Javé, teu Deus.

Não oferecerás o sangue da minha vítima com pão levedado, e o sacrifício da festa da Páscoa não se conservará durante a noite até de manhã.

Trarás as primícias dos primeiros frutos da tua terra à casa de Javé, teu Deus.

Não cozerás o cabrito no leite de sua mãe.

O Javé disse a Moisés: "Escreve estas palavras, porque segundo estas palavras faço uma aliança contigo e com Israel".

Moisés esteve ali com o Javé quarenta dias e quarenta noites, sem comer pão nem beber água. E o Senhor escreveu nas tábuas as palavras da aliança, as dez palavras.

Moisés desceu do monte Sinai; Moisés tinha na mão as duas tábuas do testemunho quando desceu do monte; e Moisés não sabia que a pele do seu rosto se tinha tornado radiante quando falava com Javé. Aarão e todos os filhos de Israel viram Moisés, e eis que a pele do seu rosto brilhava, e tiveram medo de se aproximar dele. Moisés chamou-os, e Aarão e todos os chefes da congregação vieram ter com ele, e ele falou-lhes. Então todos os filhos de Israel se aproximaram, e Moisés deu-lhes todas as ordens que tinha recebido do Senhor no monte Sinai.

Quando Moisés acabou de falar com eles, cobriu o rosto com um véu. Quando Moisés chegava diante do Javé para falar com ele, tirava o véu até sair; depois saía e contava aos filhos de Israel o que lhe tinha sido ordenado. 35Quando os filhos de Israel viram o rosto de Moisés, viram que a pele do rosto de Moisés estava radiante; então Moisés voltou a pôr o véu sobre o rosto, até entrar para falar com Javé.