EMF 34.3-4
O Evangelho como me foi revelado
Citação
34.3 Vejo que a noite vai-se tornando mais clara pela luz das estrelas que descem do céu; são tão belas no céu do Oriente, tão vivas e grandes, que até parecem estar perto de nós, e que nos será fácil alcançá-las e tocar com a mão essas flores que brilham no veludo do firmamento. Elevando o olhar, tento compreender qual será a fonte deste aumento de luz. É uma estrela, de grandeza extraordinária, que a faz parecer uma pequena lua, que vem avançando pelo céu de Belém. As outras estrelas parecem eclipsar-se, abrindo caminho para ela, como servas diante de sua rainha que vai passando, pois a tal ponto ela as supera em brilho, que as faz desaparecer! Do corpo da estrela, que parece uma grande safira clara e acesa por um sol que está no seu interior, sai uma esteira de luz, na qual fundem-se o loiro dos topázios, o verde das esmeraldas, o leitoso das opalas, o sanguíneo fulgor dos rubis e o suave cintilar das ametistas, com a cor predominante da safira. Todas as pedras preciosas da terra estão naquela esteira de luz, que vem varrendo o céu, num movimento veloz e ondulante, como se fosse viva. Mas a cor que predomina é a que desce do corpo da estrela: uma cor celeste de safira clara, que tinge de prata azulada as casas, as ruas e o chão de Belém, berço do Salvador. Já não é mais a pobre cidade, que para nós era menos importante do que um povoado rural. Agora, é uma fantástica cidade dos contos de fada, na qual tudo é de prata. Até a água das fontes e dos tanques parece de diamante líquido.
Emitindo um fluxo de luz mais vivo, a estrela paira sobre a pequena casa, que está do lado mais curto da pracinha. Nem os moradores da casa, nem os habitantes de Belém a vêem, porque estão dormindo, e suas casas estão fechadas; mas a estrela acelera as suas palpitações de luz, faz vibrar sua cauda, e solta ondulações luminosas mais fortes, traçando pequenos semicírculos no céu, que se ilumina todo com esta rede de astros que ela arrasta consigo, numa rede de pedras preciosas, que esplendem, tingindo nas mais indistintas cores as outras estrelas, como para comunicar-lhes uma palavra de alegria.
A casinha está toda iluminada por este fogo líquido de gemas. O teto do pequeno terraço, a escadinha de pedra escura, a pequena porta, tudo virou um bloco de pura prata, polvilhado com pó de diamantes e pérolas. Nenhum palácio real da terra jamais teve, ou terá, uma escada como esta, feita para receber a passagem dos anjos, feita para ser usada pela mãe, que é mãe de Deus. Seus pequenos pés de virgem imaculada podem pousar sobre aquele cândido esplendor, os seus pequenos pés destinados a pousar sobre os degraus do trono de Deus. Mas a virgem ainda não está sabendo de nada. Ela está velando sobre o berço de seu Filho, rezando. Sua alma tem esplendores que superam a estrela que está embelezando as coisas.
34.4 Da rua mestra, vem chegando uma cavalgada. Cavalos arreados ou conduzidos a mão, dromedários e camelos, montados ou carregados com suas cargas. O barulho dos cascos faz um rumor como o da água, quando cai sobre as pedras de um riacho. Reunidos na praça, todos param. A cavalgada, vista sob a luz da estrela, é fantástica em seu esplendor. Os ornamentos de primeira classe sobre as cavalgaduras, as vestes dos cavaleiros, o seu aspecto, as bagagens, tudo está brilhando, unindo e reavivando, o esplendor do metal, do couro, da seda, das pedras preciosas, dos pelos, ao brilho da estrela. Os olhos também cintilam, as bocas se enchem de riso, porque um outro esplendor brilhou nos corações: o esplendor de uma alegria sobrenatural.
Detalhe
Maria acaba de descrever Belém a meio da noite, reconhecendo em particular a estalagem onde está alojada a Sagrada Família. Depois vê a estrela que guiou os Reis Magos.