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Notas da palavra-chave

Viúva - Viúvo

Tema: Família e amigos

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EMF 42.8-10

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus diz:

– A todas as mulheres que estão sendo torturadas por alguma dor, Eu ensino a imitar Maria na sua viuvez: unindo-se a Jesus.

Aqueles que pensam que Maria não sofreu as penas do coração, estão errados. Minha mãe sofreu. Ficai sabendo disso. Santamente, porque tudo nela era santo, mas profundamente.

Aqueles que pensam que Maria amava o seu esposo com um amor tépido, visto que ele era um esposo para as coisas espirituais, e não para as carnais, estão igualmente errados. Maria amava intensamente o seu José, ao qual dedicou seis lustros (30 anos) de uma vida de fidelidade. Para Ela José foi pai, esposo, irmão, amigo e protetor.

Agora, ela se sentia sozinha, como uma vara de videira ao qual foi cortada a árvore em que se apoiava. Sua casa ficou como que ferida por um raio. Ficou dividida. Antes era uma unidade na qual os membros se sustinham um ao outro. Agora, vinha a faltar a parede mestra, sendo este o primeiro dos golpes desferido naquela Família, sinal de que dentro em breve o seu amado Jesus também a deixaria.

A vontade do Eterno, que tinha querido que ela fosse esposa e mãe, agora lhe impunha a viuvez e a entrega de seu Filho. Maria diz entre lágrimas, um dos seus sublimes “sim.” “Sim, Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.” E, para ter força naquela hora, ela Me abraça.

Sempre Maria abraçou Deus nas horas mais graves da sua vida. No Templo, quando chamada para as núpcias; em Nazaré, quando chamada para a Maternidade; ainda em Nazaré, derramando as lágrimas da viuvez; em Nazaré no suplício da separação do Filho; no Calvário, em que sofreu a tortura de Me ver morrer.

42.9

Aprendei, vós que chorais. Aprendei, vós que morreis. Aprendei, vós que viveis para morrer. Procurai merecer as palavras que Eu disse a José. Serão a vossa paz em vossa agonia. Aprendei, vós que morreis, a merecer a presença de Jesus perto de vós, para vosso conforto. Mesmo se não tiverdes merecido, ousai chamar-me para perto de vós. Eu virei. Com as mãos cheias de graça e de conforto, o coração cheio de perdão e amor, com os lábios cheios de palavras de absolvição e encorajamento.

A morte perde toda a sua aspereza, se ela acontecer nos meus braços. Crede nisso. Eu não posso abolir a morte, mas posso torná-la suave para quem morre confiando em Mim.

O Cristo disse[2] para todos vós, em sua Cruz: “Senhor, a Ti entrego o meu espírito.” Ele o disse, pensando na sua e nas vossas agonias, nos vossos terrores, nos vossos erros, nos vossos temores, nos vossos desejos de perdão. Ele o disse com o coração dilacerado, antes mesmo do golpe da lança, numa dilaceração mais espiritual do que física, para que as agonias daqueles que morrem pensando Nele, sejam amenizadas pelo Senhor e o espírito deles passe da morte à Vida, da dor ao júbilo eterno.

42.10

Esta, pequeno João, é a lição de hoje. Sê boa, e não temas. A minha paz refluirá em ti sempre, através da palavra e através da contemplação. Vem. Faz de conta que és José, que tem por travesseiro o peito de Jesus, e Maria como enfermeira. E repousa entre nós, como um menino em seu berço.

EMF 61.3.5-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus, então, ordena aos discípulos:

– Fazei que os pobres venham para a frente. Para eles Eu tenho a rica oferta de alguém que a eles se recomenda para obter o perdão de Deus.

Vêm avante três velhinhos esfarrapados, dois cegos e um encolhido; depois uma viúva com sete meninos macilentos.

Jesus os olha fixamente um por um, sorri para a viúva e especialmente para os orfãozinhos. Antes diz a João:

– Que essas pessoas sejam colocadas lá no pomar. Quero falar com elas.

Mas Ele se torna severo, com os olhos flamejantes, quando a Ele se apresenta um dos velhinhos. Porém, não diz nada no momento.

Jesus chama Pedro e faz com que ele lhe dê a bolsa recebida pouco antes e uma outra cheia de moedas menores, esmolas diversas recolhidas entre os bons. Despeja tudo sobre o banco que está junto ao poço, conta e divide. Faz seis partes: uma delas bem grande, toda com moedas de prata; cinco menores em dimensão, com muito bronze e só uma ou outra moeda grande. (...)

61.5 Vem para a frente o terceiro velhinho, que parece o mais esfarrapado. Mas Jesus só tem agora o monte maior de moedas. E Ele chama em voz alta:

– Mulher, vem com os teus pequeninos.

A mulher, jovem e macilenta, vem para a frente, de cabeça inclinada. Parece uma galinha choca, entre a sua triste ninhada.

– Desde quando és viúva, mulher?

– Faz três anos, na lua de Tisri.

– Quantos anos tens?

– Vinte e sete.

– São todos filhos teus?

– Sim, Mestre, e… e não tenho mais nada. Tudo se acabou… como posso trabalhar, se ninguém me quer com todos estes pequeninos?

– Deus não abandona nem o verme que Ele criou. Ele não te abandonará, mulher. Onde moras?

– Perto do lago, a três estádios fora de Betsaida. Ele me disse que viesse… Meu marido morreu no lago, era pescador.

“Ele” é André, que ficou corado, e querendo desaparecer.

– Fizeste bem, André, em dizer à mulher que viesse a Mim.

André se anima e murmura:

– O homem era meu amigo, era bom, e morreu durante uma tempestade, perdendo também seu barco.

– Toma mulher. Isto te ajudará por muito tempo; depois virá outro sol no teu dia. Sê boa, educa na Lei os teus filhos e não te faltará a ajuda de Deus. Eu te abençôo, a ti e aos teus pequenos.

E os acaricia um por um com grande piedade.

A mulher vai-se com o seu tesouro apertado sobre o coração.

61.6 – E a mim? –pergunta o velhinho que ficou por último.

Jesus olha para ele, e se cala.

– Nada para mim? Não és justo! A ela deu seis vezes mais do que aos outros e a mim nada. Mas… e era mulher!

Jesus olha para ele e se cala.

– Olhai todos se está havendo justiça! Eu venho de longe, porque me disseram que aqui se dava dinheiro; depois, estou vendo aqui quem ganha demais e a mim não se dá nada. Um pobre velho que é doente! E quer que se creia Nele!…

– Velho, não te envergonhas de mentir assim? Estás com a morte atrás de ti, e mentes; procuras roubar de quem está com fome. Por que queres roubar dos irmãos a esmola que Eu recebi para distribuir com justiça?

– Mas eu…

– Cala-te! Deverias já ter compreendido pelo meu silêncio e pelo meu ato que Eu havia te conhecido; e,então, seguir o meu exemplo de silêncio. Por que queres que Eu te envergonhe?

– Eu sou pobre.

– Não. Tu és um avarento e um ladrão. Vives para o dinheiro e para a usura.

– Eu nunca emprestei com usura. Deus é minha testemunha.

– E isto não é usura, e da mais feroz, roubar de quem tem verdadeiramente necessidade? Vai. Arrepende-te. Para que Deus te perdoe.

– Eu te juro…

– Cala-te! Eu te ordeno. Foi dito: “Não jurarás em falso.” Se Eu não tivesse respeito pelos teus cabelos brancos, Eu daria uma busca em ti e em teu peito acharia uma bolsa cheia de ouro, que é o teu coração. Vai-te embora.

Mas agora o velhinho, envergonhado, vendo-se descoberto em seu segredo, vai-se embora sem que seja necessário o som de trovão que há na voz de Jesus.

A multidão o ameaça, o escarnece e o insulta como a um ladrão.

– Calai-vos! Se ele errou não queirais vós também errar. Ele falta com a sinceridade, é um desonesto. Vós, se o insultardes, faltais com a caridade. Ao irmão, que comete uma falta, não se insulta. Cada um tem o seu pecado. Ninguém é perfeito, a não ser Deus. Eu precisei envergonhá-lo, porque não é lícito ser ladrão e, menos ainda, ladrão que rouba dos pobres. Mas só o Pai é que sabe quanto sofri por dever fazer isso. Vós também sofrei com isso, ao verdes que um de Israel falta contra a Lei procurando defraudar o pobre e a viúva. Não sejais cobiçosos. Que o vosso tesouro seja a vossa alma, não o dinheiro. Não sejais perjuros. Que a vossa linguagem seja sincera e honesta como as vossas ações. A vida não é eterna e a hora da morte chega. Vivei de modo que na hora da morte a paz possa estar em vosso espírito. A paz de quem viveu como um justo. Ide para as vossas casas…

Detalhe

Jesus dá uma grande soma de dinheiro a uma viúva de vinte e sete anos, com sete filhos. Atrás dele está uma viúva pobre e maltrapilha.

EMF 76.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Os mortos não sofrem mais, quando foram justos. (...) Portanto, para os mortos, que precisam de orações, não é necessário estar perto dos seus ossos para dar-lhes (orações). Que são os ossos? São uma prova do poder de Deus, que com o pó criou o homem. Mas nada além disso. O animal também tem ossos. O esqueleto de todos os animais é menos perfeito que o do homem. Somente o homem, o rei da criação, tem uma posição ereta, de um rei sobre os seus súditos, com um rosto que olha para a frente e para o alto, sem precisar torcer o pecoço; para o alto, onde está a morada do Pai. Mas são sempre ossos. Pó que ao pó retorna. A Bondade eterna decidiu reconstituí-lo, no Dia eterno, para dar uma alegria ainda mais viva aos bem-aventurados. Pensai, não só os espíritos serão reunidos e se amarão como e muito mais do que sobre a terra, mas também se alegrarão por poderem ver-se de novo com aqueles aspectos que tiveram na terra: os meninos de cabelos encaracolados, e queridos como os teus, Elias, os pais e as mães com um coração e com um rosto que era todo amor, como os vossos, Levi e José. Aliás, para ti, José, será um conhecer finalmente, aqueles rostos dos quais sentias falta. Já não haverá mais órfãos, não mais viúvos entre os justos, lá em cima… O sufrágio aos mortos, se pode prestar em qualquer lugar. É a oração de um espírito pelo espírito de alguém que nos era próximo, ao Espírito perfeito que é Deus, e que está em toda parte. Oh! Santa liberdade de tudo isso que é espiritual! Não há distâncias, nem exílios, nem prisões, nem sepulcros… Nada que divida ou que acor­rente, em uma impotência penosa, aquilo que está fora e acima das correntes da carne. Vós ides, aos vossos diletos, com a melhor parte de vós mesmos. E eles, com sua melhor parte, vêm a vós. E tudo — dessa efusão de espíritos que se amam — gira ao redor do Fulcro eterno, Deus: Espírito perfeitíssimo, Criador de tudo quanto foi, é e será, amor que vos ama e vos ensina a amar…

EMF 174.19 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Eu vos digo: “Quem mandou embora a própria mulher, a não ser em caso de provada fornicação, a expõe ao adultério.” Porque, de fato, o que vai fazer, em noventa por cento dos casos, a mulher repudiada? Ela irá casar-se de novo. E quais as consequências disso? Oh! Sobre isso, quanto haveria para se dizer! Não sabeis que podeis provocar até incestos involuntários com este modo de proceder? Quantas lágrimas já se derramaram por causa de luxúria! Sim. Luxúria. Não tem outro nome. Sede sinceros. Tudo se pode superar, quando o espírito é reto. Tudo, porém serve de motivo para satisfazer-se a sensualidade, quando o espírito é luxurioso: a frigidez feminina, a lentidão dela, a incapacidade no que se refere aos serviços da casa, a língua desenfreada, o amor ao luxo, tudo isso se suporta, até as doenças, até a irascibilidade, quando os dois se amam santamente. Mas, visto que, depois de algum tempo já não se amam mais como no primeiro dia, então, começa-se a achar impossível o que é mais que possível, e se joga uma pobre mulher na rua, a caminho da perdição.

Comete adultério quem a rejeita. Comete adultério quem se casa com ela, depois do repúdio. Somente a morte pode dissolver o matrimônio. Recordai-vos disso. Se fizestes uma escolha infeliz, arcai com as consequências, como quem tem que levar uma cruz, sendo dois infelizes, mas santos, sem criar mais infelicidade nos filhos, pois eles, inocentes, são os que mais sofrem nessas tristes situações. O amor aos filhos deveria fazer-vos meditar cem vezes e até mais, mesmo no caso da morte de um dos cônjuges. Oh! Se soubésseis contentar-vos com tudo o que tendes tido, quando Deus vos disse: “Basta isto!” Se soubésseis vós, viúvos, e vós, viúvas, ver na morte não uma diminuição, mas uma elevação à perfeição de procriadores! Ser mãe até para a mãe falecida! Ser pai até para o pai falecido! Ser duas almas em uma só, recolher o amor pelos filhos sobre os lábios gelados de um moribundo, e dizer: “Vai em paz, sem preocupação por aqueles que de ti vieram. Eu continuarei a amá-los, por ti e por mim, a amá-los duas vezes, serei para eles pai e mãe.” E a infelicidade dos órfãos não pesará sobre eles. Nem mesmo sentirão o inato ciúme do filho do cônjuge que se casou de novo, por aquele ou por aquela que toma o lugar sagrado da mãe ou do pai, que por Deus foram chamados para outra morada.

EMF 201.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Entram na sala em que Jesus, quando chegou a sua vez, também entrou. Um jovem, que estava escrevendo a um canto, levanta-se num salto ao ver José e se dobra até o chão.

– Deus esteja contigo, Zacarias. Vai depressa chamar Asrael e Jacó.

O jovem sai para voltar quase em seguida, com dois rabinos, sinagogos ou escribas, eu não sei. São dois personagens carrancudos, que depõem essa máscara só diante de José. Atrás deles, entram outros oito, menos imponentes. Eles se assentam, deixando de pé os postulantes, inclusive o de Arimateia.

– Que queres José? –pergunta o mais velho.

– Apresentar à vossa sagacidade este filho de Abraão, que completou o tempo prescrito para entrar na Lei e reger-se sozinho por ela.

– É teu parente? –e olham todos, admirados.

– Em Deus somos todos parentes. Mas o menino é órfão, e este homem, de cuja honestidade eu me faço fiador, tomou-o para si, a fim de que o seu tálamo não fique privado de descendência.

– Quem é esse homem? Que ele responda por si mesmo.

– Simão de Jonas, de Betsaida na Galileia, casado sem filhos, pescador pelo mundo, filho da Lei pelo Altíssimo.

– E tu, galileu, queres assumir essa paternidade, por quê?

– Está dito[1] na Lei que devemos amar ao órfão e à viúva. Eu o faço.

– Por acaso, poderá esse aí conhecer a Lei, a ponto de merecer que… Mas tu, menino, responde. Quem és?

– Jabé Margziam de João, das campinas de Emaús, nascido há doze anos.

– Portanto, és judeu. É permitido que um galileu cuide dele? Vamos ver o que dizem as leis.

– Mas, que é que eu sou? Um leproso, ou um amaldiçoado?

O Sangue de Pedro começa a ferver.

– Cala-te, Simão. Eu falo por ele. Eu vos disse que me faço fiador deste homem. Eu o conheço, como se fosse de minha família. O Ancião José não proporia nunca uma coisa contrária à Lei, nem às leis. Procurai examinar o menino, com justiça e presteza. O pátio está cheio de meninos, que estão esperando o exame. Não sejais lentos, pelo amor de todos.

– Mas, quem prova que este menino tem doze anos e que foi resgatado do Templo?

– Tu o podes provar com as escrituras. E uma busca se pode fazer. Menino, disseste que és o primogênito?

– Sim, Senhor. Podes vê-lo, porque fui consagrado ao Senhor e resgatado com os devidos dízimos.

– Vamos procurar esses apontamentos… –diz José.

– Não adianta! –respondem secamente os dois caviladores–.

Detalhe

Marziam passa no exame de maioridade.

Anotação

A Lei diz para termos amor ao órfão e à viúva. A Lei diz: Êxodo 22,21-23 | Deuteronómio 14,28-29 | Deuteronómio 16,11 | Deuteronómio 24,17-21 | Deuteronómio 26,12-13 | Deuteronómio 27,19 | Isaías 1,17.

O dever de amar e ajudar as viúvas e os órfãos é recordado várias vezes na obra de Maria Valtorta, por exemplo em EMV 229.3 e EMV 557.6.

A prescrição do Êxodo é citada textualmente em EMV 335.14.

Livro do Êxodo 22, 21-23

Ex 22, 21-23: Não afligirás a viúva nem o órfão. Se os afligirdes, eles clamarão a mim, e eu ouvirei o seu clamor; a minha cólera acender-se-á, e eu destruir-vos-ei à espada, e as vossas mulheres ficarão viúvas e os vossos filhos órfãos.

Livro do Deuteronómio 14, 28-29

Dt 14,28-29: No fim de cada terceiro ano, separarás todos os dízimos do teu produto desse ano e depositá-los-ás dentro das tuas portas. Então o levita, que não tem parte nem herança convosco, o estrangeiro, o órfão e a viúva entrarão nas vossas portas, comerão e ficarão satisfeitos, para que o Senhor vosso Deus vos abençoe em todas as obras que fizerdes com as vossas mãos.

Livro do Deuteronómio 16, 11

Dt 16, 11 : Regozijar-te-ás diante de Javé teu Deus, no lugar que Javé teu Deus escolheu para aí fazer habitar o seu nome, tu, o teu filho e a tua filha, o teu servo e a tua serva, o levita que está dentro das tuas portas, o estrangeiro, o órfão e a viúva que estão no meio de ti.

Livro do Deuteronómio 26, 12-13

Dt 26,12-13: Quando acabares de dar o dízimo de todos os dízimos da tua produção ▼ no terceiro ano, o ano do dízimo, e o deres ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para comerem dentro das tuas portas e ficarem satisfeitos, dirás diante de Javé teu Deus: "Tirei as coisas santas da minha casa e dei-as ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, segundo todos os teus preceitos que me deste; não transgredi nem me esqueci de nenhum dos teus preceitos.

Livro do Deuteronómio 27, 19

Dt 27, 19: Maldito o homem que violar os direitos do estrangeiro, do órfão e da viúva! - E todo o povo dirá: Amém!

Livro de Isaías, 1, 17

Is 1, 17: Aprendeia fazer o bem; procurai a justiça, corrigi o opressor, amparai o órfão, defendei a viúva.

EMF 209.6-7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Nesta terra da Judeia, aqui perto de Belém de Noemi, Eu vos lembro que o amor alivia a dor e traz alegria. Olhai, vós que estais chorando, para a desolação de Noemi, depois que sua casa ficou sem homens. Ouvi suas palavras de desconsoladas despedidas a Orfa e a Rute: “Voltai daqui para a casa de vossa mãe. Que o Senhor use de misericórdia convosco, como vós usastes para com aqueles que morreram e para comigo…” Ouvi as suas cansadas insistências. Já não esperava mais nada da vida aquela que, tempos atrás, era a bela Noemi, e que agora era a trágica Noemi, esmagada pela dor, só esperava voltar aos lugares em que tinha sido feliz no tempo de sua juventude, entre o amor do marido e os beijos dos filhos, para lá morrer. Ela dizia: “Ide, ide. É inútil ficar comigo… Eu estou como morta…Minha vida já não é mais aqui, e sim, lá na outra vida, onde eles estão. Não sacrifiqueis mais a vossa juventude, ao lado de uma coisa que está morrendo. Porque realmente eu sou ‘uma coisa’. Tudo me é indiferente. Deus me tomou tudo. Eu sou uma angústia. E faria a vossa angústia… e esta me pesaria no coração. E o Senhor me pediria contas. Ele, que tanto já me feriu, porque ter-vos vivas junto de mim já morta, seria um egoísmo meu. Portanto, ide para vossas mães…”

Mas Rute ficou para consolar aquela dolorosa velhice. Rute havia compreendido que há dores sempre maiores do que a nossa, e que sua dor de jovem viúva era menor do que a da mulher que havia perdido, além do marido, os dois filhos; assim como a dor do menino órfão, que se vê obrigado a viver pedindo esmola, sem receber nunca mais as carícias, e nunca mais os bons conselhos, é bem maior do que a da mãe privada dos filhos; assim como a dor de quem, por um complexo de motivos, chega a ter ódio do gênero humano, e vê em cada homem um inimigo, que ele deve temer e do qual se defender é ainda maior do que as outras dores, porque envolve, não somente a carne, o sangue e a mente, mas até o espírito com os seus deveres e direitos sobrenaturais, e o leva a perder-se. Quantas mães sem filhos, e filhos sem mãe há neste mundo! Quantas viúvas sem prole existem, para terem piedade das velhices solitárias! Quantos há, que ficaram privados de seus amores, para se dedicarem totalmente aos infelizes, segundo a necessidade que sentem de amor, combatendo assim o ódio, dando a si mesmo, dando sempre amor à Humanidade infeliz, que está, sempre mais, sofrendo, porque está sempre odiando.

209.7

A dor é cruz, mas também é asa. O luto despoja, mas é para revestir. Levantai-vos, vós que estais chorando! Abri os olhos, saí de vossos pesadelos, saí das trevas, dos egoísmos! Olhai…O mundo é como uma terra árida e inculta, onde se chora e se morre. E ele grita: ‘Acudi-me!’ O mundo grita pela boca dos órfãos, dos doentes, dos que estão sozinhos, dos que não sabem o que fazer, e pelas bocas daqueles que uma traição ou uma crueldade tornaram prisioneiros do rancor. Ide a estes que estão gritando. Esquecei-vos dos esquecidos. Fazei a cura dos doentes! Esperai entre os desesperados. O mundo está aberto às boas vontades de servir a Deus no próximo e de conquistar o Céu: a união com Deus e a reunião com aqueles pelos quais choramos. Aqui é o campo das competições. Lá está o triunfo.

Vinde. Imitai Rute, estando ao lado de todas as dores. Dizei, vós também: “Eu estarei convosco até à morte.” E, se vos respondem essas desventuras que se julgam incuráveis: “Não me chameis Noemi, mas chamai-me Mara, porque Deus me cumulou de amarguras”, persisti. E Eu, em verdade, vos digo que um dia, pela vossa persistência nessas desventuras ainda exclamarão: “Seja bendito o Senhor, que tirou minha amargura, minha desolação, minha solidão, por obra de uma criatura, que soube fazer sua dor produzir frutos bons. Deus a abençoe para sempre, porque ela foi a minha salvadora.”

O ato bom de Rute para com Noemi, pensai nisso, deu ao mundo o Messias, porque de Davi, filho de Isaí, de Isaí, filho de Obed veio o Messias, como Obed de Booz, Booz de Salmon, Salmon de Naasson, Naasson de Aminadab, Aminadab de Aram, Aram de Esron, Esron de Farés, e eles vieram para povoar os campos de Belém, preparando os antepassados do Senhor. Todo ato bom dá origem a grandes coisas nas quais vós nem pensais. O esforço de alguém contra o seu egoísmo pode provocar uma tal onda de amor, que é capaz de subir, subir, conservando em sua pureza aquele que a provocou, até o ponto de levá-lo ao pé do altar, ao coração de Deus.

Deus vos dê a paz.

Anotação

É nesta terra da Judeia, ainda perto da Belém de Noemi, que vos recordo como o amor alivia a dor e traz a alegria. Cf. o Livro de Rute, capítulo 1, 1-22.

Livro de Rute 1, 1-22

Rt 1, 1-22: No tempo em que os juízes governavam, havia fome na terra. Um homem de Belém de Judá foi com a sua mulher e os seus dois filhos viver para os campos de Moab. O nome do homem era Elimeleque, e o nome de sua mulher era Noemi, e os nomes de seus dois filhos eram Maalon e Quelon; eles eram efrateus de Belém de Judá. Foram para os campos de Moab e ali se estabeleceram.

Quando Elimeleque, marido de Noemi, morreu, ela ficou sozinha com os seus dois filhos, que tomaram mulheres moabitas, uma das quais se chamava Orfa e a outra Rute, e viveram ali cerca de dez anos. Maalon e Queljon também morreram, e a mulher ficou sem os seus dois filhos e o seu marido. Então, ela e as suas noras levantaram-se e deixaram os campos de Moab, pois tinham ouvido dizer no país de Moab que o Senhor tinha visitado o seu povo e lhe tinha dado pão. Assim, ela e as suas duas noras saíram do lugar onde se tinham instalado e puseram-se a caminho para regressar à terra de Judá. Noemi disse às suas duas noras: "Vão e voltem, cada uma para a casa de sua mãe. Que o Senhor Javé seja bondoso para convosco, como foi para os que morreram e para mim! Que o Senhor faça com que cada uma de vós encontre descanso na casa de um marido! E ela beijou-os. Eles levantaram a voz e choraram, e disseram-lhe: "Não; nós voltaremos contigo para o teu povo". Noemi disse: "Voltai, minhas filhas; por que haveríeis de vir comigo? Ainda tenho filhos no meu ventre que possam vir a ser vossos maridos? Voltem, minhas filhas, vão-se embora. Estou demasiado velha para voltar a casar. E quando eu digo: tenho esperança; quando eu fosse esta mesma noite para um marido e desse à luz filhos, esperaríeis por isso até que eles crescessem? Não, minhas filhas. É muito amargo para mim, por vossa causa, que a mão do Senhor tenha descido sobre mim. E, levantando a voz, voltaram a chorar. Então Orfa beijou a sua sogra, mas Rute agarrou-se a ela.

Noemi disse a Rute: "Eis que a tua cunhada voltou para o seu povo e para o seu deus; volta para a tua cunhada". Rute respondeu: "Não me pressiones a deixar-te, quando eu me afastar de ti. Para onde fores, irei eu; onde habitares, habitarei eu; o teu povo será o meu povo, e o teu Deus será o meu Deus; onde morreres, morrerei e serei sepultada lá. Que o Senhor seja severo comigo se outra coisa que não seja a morte me separar de ti! Vendo que Rute estava decidida a ir com ela, Noemi parou com as suas súplicas.

As duas seguiram o seu caminho até chegarem a Belém. Quando entraram em Belém, toda a cidade se comoveu com elas, e as mulheres diziam: "É esta Noemi? "20Ela respondeu-lhes: "Não me chameis Noemi, chamai-me Mara, porque o Todo-Poderoso me amargurou. Parti com as mãos cheias, e o Senhor traz-me de volta de mãos vazias. Por que me chamarias Noemi, depois de o Javé ter testemunhado contra mim e de o Todo-Poderoso me ter afligido?"

Noemi regressou, e com ela a sua nora, Rute, a moabita, que tinha vindo dos campos de Moab. Chegaram a Belém no início da colheita da cevada.