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Notas da palavra-chave

Ressurreição dos mortos

Tema: Elementos da vida cristã

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EMF 109.15 · Volume 2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Paz no Céu ao homem de boa vontade! Morreu. Nós o colocaremos em nosso pobre sepulcro. Ele merece esperar a ressurreição dos mortos, junto ao justo, meu pai –diz Jesus.

Detalhe

Jonas, um pastor da Natividade, morre na casa de Nazaré, ao lado de Jesus e de Maria. No seu último suspiro, Cristo retoma as suas palavras:

EMF 189.1-5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Naim devia ter uma certa importância nos tempos de Jesus. Não é uma cidade muito grande, mas bem construída, fechada dentro do seu cinturão de muros. Ela se estende por uma colina risonha, de pouca altitude, e é uma ramificação do pequeno Hermon que, do alto, domina uma planície muito fértil, que se vai alargando para a direção do noroeste[1].

Para quem vem de Endor, chega-se até aqui, depois de ter passado a vau um pequeno rio, que deve ser um afluente do Jordão. Mas daqui não se vê mais o Jordão, e nem mesmo o seu vale, porque algumas colinas o escondem, fazendo um arco, que parece um ponto de interrogação virado para leste.

Jesus para lá se dirige, por uma estrada mestra, que liga as regiões do lago ao Hermon e aos seus povoados. Atrás de Jesus vão caminhando muitos dos habitantes de Endor, conversando animadamente uns com os outros.

A distância que separa o grupo dos apóstolos dos muros já é bem reduzida: no máximo uns duzentos metros. E, já que a estrada mestra vai em linha reta, rumo a uma das portas da cidade, e como essa porta está escancarada, pois já é pleno dia, pode-se ver logo o que está acontecendo do outro lado dos muros. E é assim que Jesus, que estava conversando com os apóstolos e com o novo convertido, vê que, por entre um grande barulho de carpideiras e de semelhantes conjuntos orientais, vem chegando um cortejo fúnebre.

– Vamos lá ver, Mestre? –dizem muitos. E, do meio dos habitantes de Endor, muitos já se precipitaram para ir ver.

– Vamos nós também –diz Jesus, condescendendo.

– Oh! deve ser um rapaz, porque, olha só quantas flores e fitas estão sobre o caixão –diz Judas de Keriot a João.

– Ou então será uma virgem –responde João.

– Não. É certo que se trata de um jovenzinho, por causa das cores que eles colocaram no caixão. Além disso, faltam os mirtos… –diz Bartolomeu.

O funeral vai saindo para fora dos muros. Seja o que for que estiver no caixão, que vai sustentado no alto sobre os ombros dos portadores, é o que não se pode ver. Presume-se que lá esteja um corpo estendido, com suas faixas, e coberto com um lençol, pois pelo que as saliências revelam pode-se compreender que é o corpo de alguém que já tinha chegado ao ponto mais alto de seu crescimento, porque é um corpo do comprimento do caixão.

Ao lado do caixão, uma mulher de véu, amparada por parentas ou amigas, vai caminhando e chorando. É o único choro verdadeiro, no meio dessa comédia de choronas. E, quando uma pedra faz que um dos portadores tropece, ou um ressalto do solo faz que se sacuda o caixão, a mãe geme: “Oh! Não! Ide devagar! Sofreu tanto este meu menino!”, e levanta sua mão trêmula para acariciar a beira do caixão, — fazer mais que isso ela não pode — e, não podendo fazer nada mais, ela beija os véus ondulantes e as fitas, que o vento de vez em quando agita, e que passam rolando por aquele vulto imóvel.

– Aquela é a mãe –diz Pedro, todo compungido e já com o brilho de uma lágrima em seus olhos atentos e bons.

Mas ele não é o único que está com lágrimas nos olhos por causa daquela tristeza. Também Zelotes, André e João, e até o sempre alegre Tomé, estão com os olhos brilhando. Todos, todos mesmo, estão comovidos. Judas Iscariotes murmura:

– Se fosse eu! Oh! Pobre de minha mãe…

189.2

Jesus, cujos olhos são de uma doçura perturbadora, de tão profundos que são, vai indo para perto do caixão.

A mãe, que já está soluçando mais forte, porque o cortejo já está quase chegando junto ao sepulcro aberto, O afasta com violência, ao ver que Jesus procura tocar no caixão. No seu delírio, quem saberia de que ela está com medo? Ela grita:

– É meu! –e, com uns olhos de louca, olha para Jesus.

– Eu sei, mãe. É teu.

– É o meu filho único. Por que logo ele é que foi morrer, ele que era bom e querido e a minha alegria de viúva? Por quê?

Aí a multidão das carpideiras aumenta o seu choro pago, para fazerem coro com a mãe, que continua a dizer:

– Por que ele, e não eu? Não é justo que quem gerou veja perecer a sua semente. A semente precisa viver, porque senão, para que terá servido que estas vísceras se tenham rasgado para darem à luz um homem? –e bate em seu próprio ventre, feroz e desatinada.

– Não faças assim! Não chores, mãe.

Jesus a segura pelas mãos, com um forte aperto, e as prende com sua esquerda, enquanto, com a direita, toca no caixão, dizendo aos portadores:

– Parai e ponde o caixão no chão.

Os portadores obedecem, abaixando a caminha, que fica apoiada no chão por seus quatro pés.

Jesus agarra o lençol, que está cobrindo o morto e o joga para trás, deixando descoberto o cadáver. A mãe externa sua dor, gritando o nome de seu filho e parece-me que ela está dizendo:

– Daniel!

Jesus, sempre conservando as mãos maternas na sua, se endireita, mostra-se imponente, no fulgor de seus olhares como quando Ele opera seus maiores milagres, e, abaixando a mão direita, ordena, com toda a força de sua voz:

– Jovenzinho, Eu te digo: Levanta-te!

189.3

O morto, do jeito que estava enfaixado, levanta-se e se assenta sobre a caminha e chama:

– Mamãe!

Ele a chama com a voz gaguejante e assustada de uma criança espavorida.

– Ele é teu, mulher. Eu o entrego em nome de Deus. Ajuda-o a livrar-se da mortalha. E sede felizes.

E Jesus dá sinais de que vai retirar-se dali. Mas, como? A multidão o detém junto ao catre, sobre o qual está inclinada a mãe, que está enfiando os dedos por entre as faixas, para ir mais depressa, porque o lamento de seu menino continua a implorar-lhe:

– Mamãe! Mamãe!

Por fim, a mortalha foi desfeita, desfeitas foram as faixas, já a mãe e o filho podem abraçar-se, e o fazem sem dar atenção aos bálsamos que se vão colando neles, e que a mãe vai tendo que tirar do querido rosto, das queridas mãos, usando as faixas, e depois, não tendo com que revesti-lo, a mãe tira o seu próprio manto e o envolve nele, e tudo o que ela faz vai servindo ao mesmo tempo para acariciá-lo…

189.4

Jesus olha para ela… olha para este quadro de amor que se formou ao lado da caminha, que agora já não é mais fúnebre, e chora.

Judas Iscariotes vê esse pranto e pergunta:

– Por que estás chorando, Senhor?

Jesus vira o rosto para ele, e diz:

– Estou pensando em minha mãe…

O breve colóquio faz que a mulher volte ao seu Benfeitor. Ela pega pela mão o filho e o segura, porque ele está como alguém que ainda não acabou de sair de um torpor, continuando este em seus membros, e ela se ajoelha, dizendo:

– Tu também, meu filho. Vamos bendizer a este Santo, que te restituiu à vida e à tua mãe –e se inclina para beijar a veste de Jesus, enquanto a multidão dá hosanas a Deus e ao seu Messias, já conhecido como quem ele é, porque os apóstolos e os habitantes de Endor tomaram eles próprios a incumbência de dizer quem é aquele que operou o milagre.

E a multidão toda, então, exclama:

– Bendito seja o Deus de Israel. Bendito seja o Messias, que é o seu Enviado. Bendito seja Jesus, Filho de Davi. Um grande Profeta surgiu entre nós! Deus verdadeiramente veio visitar o seu povo! Aleluia! Aleluia!

189.5

Finalmente, Jesus consegue escapar daquele aperto, e entrar na cidade. A multidão o acompanha, e o persegue, exigente em seu amor.

Chega correndo um homem, e saúda a Jesus com uma profunda inclinação:

– Eu te peço que pares em minha casa.

– Não posso. A Páscoa me proíbe qualquer parada, além daquelas que estão marcadas.

– Daqui a pouco é o pôr-do-sol, e hoje e sexta-feira…

– É exatamente ao pôr-do-sol que Eu preciso chegar à minha etapa. Mas Eu te agradeço da mesma forma. E não me detenhas…

– Mas eu sou o sinagogo.

– E com isto queres dizer que tens este direito. Homem: bastava que Eu me atrasasse uma hora e aquela mãe não teria reavido o filho. Eu vou aonde outros infelizes me estão esperando. Não atrases com egoísmo a alegria deles. Eu virei, com certeza, outra vez e ficarei contigo em Naim mais dias. Agora, deixa-me ir.

O homem não insiste mais. E somente diz:

– Está dito. Eu fico Te esperando.

– Sim. A paz esteja contigo e com os moradores de Naim. E também à vós de Endor paz e bênção. Voltai para vossas casas. Deus vos falou por meio do milagre. Fazei que entre vós aconteçam, por força do amor, muitas ressurreições para o bem em todos os corações.

Houve um último coro de hosanas. Depois a multidão deixa Jesus ir, e Ele atravessa diagonalmente a cidade, indo sair na campina, tomando caminho para Esdrelon.

Anotação

Evangelho de Lucas 7, 11-17

Lc 7,11-17 : Jesus foi para uma cidade chamada Naim. Acompanhavam-no os seus discípulos e uma grande multidão. Chegou perto da porta da cidade, no momento em que levavam um defunto para ser sepultado; era filho único, e sua mãe era viúva. Uma grande multidão da cidade acompanhava a mulher. Quando o Senhor viu a mulher, teve compaixão dela e disse-lhe: "Não chores. Aproximou-se e tocou no caixão; os carregadores pararam e Jesus disse: "Jovem, ordeno-te que te levantes. Então o morto levantou-se e começou a falar. E Jesus devolveu-o à sua mãe. Todos ficaram aterrorizados e deram glória a Deus, dizendo: "Surgiu entre nós um grande profeta, e Deus visitou o seu povo". E esta notícia sobre Jesus espalhou-se por toda a Judeia e por toda a região.

EMF 215.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

«Ele é o nosso Mestre, é o Santo dos santos. O seu dia é passado nos trabalhos do ensinamento. Incansável, Ele vai de lugar em lugar, procurando os corações. Ele passa a noite rezando por vós. Não despreza a mesa e a amizade, mas não para a sua própria vantagem e sim, para fazer que se aproximem os que de outro modo não o fariam. Ele não rejeita os publicanos nem as meretrizes. Mas somente para redimi-los. Ele marca o seu caminho com milagres de redenção e milagres sobre as doenças. A Ele obedecem os ventos e o mar. Mas não precisa de ninguém para operar prodígios, nem de evocar espíritos para conhecer os corações.

– E como pode? Tu disseste que os ventos e o mar lhe obedecem? Mas eles são coisas sem entendimento. Como pode dar ordens a eles? –pergunta o albergador.

– Responde-me, homem: no teu parecer, é mais difícil dar ordens ao vento e ao mar, ou à morte?

– Por Javé! Mas à morte não se dão ordens! No mar se pode jogar azeite, pode-se usar contra ele as velas, pode-se, se tiver juízo, não querer andar sobre ele. Ao vento se podem opor as fechaduras das portas. Mas à morte não se dão ordens. Não há azeite que a acalme. Não há vela que, colocada em nosso barquinho, faça que ele fique tão rápido, que possa escapar da morte. E para ela não existem fechaduras. Quando ela quer vir passa, mesmo se usarmos ferrolhos. E ninguém dá ordens a esta rainha!

– E, no entanto, o mestre lhe dá ordens. Não somente quando ela já está perto. Mas até também quando ela já pegou alguém. Um moço de Naim já estava para ser entregue à boca horrível do sepulcro e Ele disse: “Eu te digo: levanta-te!”, e o jovem voltou à vida. Naim não fica nos confins do mundo. Vós podeis ir lá e ver.

– Mas assim, na presença de todos?

– Sobre a estrada, na presença de toda Naim.