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Notas da palavra-chave

Divorciado e casado novamente

Tema: A Igreja Católica

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EMF 174.19 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Também foi dito: “Quem mandou embora sua mulher dê-lhe o libelo do divórcio.” Mas isto está reprovado. Isto não vem de Deus. Deus disse a Adão: “Esta é a companheira que fiz para ti. Crescei e multiplicai-vos sobre a terra, enchei-a e tornai-a sujeita a vós.” Adão, cheio de uma inteligência superior, porque o pecado ainda não tinha ofuscado a sua razão, pois esta havia sido criada perfeita por Deus, exclamou: “Eis que finalmente aqui está o osso dos meus ossos e a carne de minha carne. Esta vai chamar-se Virago, isto é, outro eu, porque foi tirada do homem. Por isso o homem deixará pai e mãe, e os dois se tornarão uma só carne.” E, em um grande esplendor de luzes, a Eterna Luz aprovou com um sorriso a palavra de Adão, que se tornou a primeira e irrevogável lei. Agora, se pela dureza sempre crescente do homem, o homem legislador teve que estabelecer um novo código; se, pela volubilidade sempre crescente do homem, ele teve que pôr-lhe um freio, dizendo: “Se a repudiaste, não a podes mais tomar contigo”, isto não revoga a primeira e genuína lei, que nasceu no Paraíso Terrestre, e foi aprovada por Deus.

Anotação

Vamos chamar-lhe Virago. Esta palavra latina vem de vir (homem) e refere-se a uma mulher que é como um homem. Não é utilizada aqui no sentido pejorativo francês de mulher estridente.

O legislador humano é aqui Moisés.

Deuteronómio 24, 1 e 24, 3-4

Dt 24, 1: Quando um homem tomar uma mulher e se casar com ela, e ela deixar de lhe ser agradável por ter descoberto nela um defeito, escrever-lhe-á uma carta de repúdio e entregar-lha-á, expulsando-a da sua casa.

Dt 24, 3-4: Mas se o último marido não gostar dela e lhe escrever uma carta de divórcio e lha der e a mandar embora da sua casa, ou se o último marido que a tomou por mulher morrer, 4 então o primeiro marido que a mandou embora não poderá divorciar-se dela.Porque é uma abominação diante do Senhor, e não pecarás na terra que o Senhor teu Deus te dá em herança.

Livro do Génesis 1, 28 e 2, 22-24

Gn 1, 28 : Deus abençoou-os e disse-lhes: "Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a. Sede chefes dos peixes da terra. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os seres vivos que se deslocam sobre a terra.

Gn 2, 22-24 : Com a costela que tinha tirado do homem, modelou uma mulher e trouxe-a ao homem. O homem disse: "Desta vez, esta é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Chamar-lhe-ão Ishsha, a mulher que veio de Ish, o homem. Por esta razão, o homem deixará o seu pai e a sua mãe e unir-se-á à sua mulher, e os dois serão um só.

Evangelho de Mateus 5, 31-32

Mt 5,31-32: Também foi dito: "Se alguém mandar embora a sua mulher, dê-lhe a certidão de divórcio. Eu, porém, digo-vos que todo o homem que repudia a sua mulher, a não ser em caso de união ilegítima, a induz em adultério; e se alguém casar com uma mulher repudiada, é adúltero.

EMF 174.19 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Eu vos digo: “Quem mandou embora a própria mulher, a não ser em caso de provada fornicação, a expõe ao adultério.” Porque, de fato, o que vai fazer, em noventa por cento dos casos, a mulher repudiada? Ela irá casar-se de novo. E quais as consequências disso? Oh! Sobre isso, quanto haveria para se dizer! Não sabeis que podeis provocar até incestos involuntários com este modo de proceder? Quantas lágrimas já se derramaram por causa de luxúria! Sim. Luxúria. Não tem outro nome. Sede sinceros. Tudo se pode superar, quando o espírito é reto. Tudo, porém serve de motivo para satisfazer-se a sensualidade, quando o espírito é luxurioso: a frigidez feminina, a lentidão dela, a incapacidade no que se refere aos serviços da casa, a língua desenfreada, o amor ao luxo, tudo isso se suporta, até as doenças, até a irascibilidade, quando os dois se amam santamente. Mas, visto que, depois de algum tempo já não se amam mais como no primeiro dia, então, começa-se a achar impossível o que é mais que possível, e se joga uma pobre mulher na rua, a caminho da perdição.

Comete adultério quem a rejeita. Comete adultério quem se casa com ela, depois do repúdio. Somente a morte pode dissolver o matrimônio. Recordai-vos disso. Se fizestes uma escolha infeliz, arcai com as consequências, como quem tem que levar uma cruz, sendo dois infelizes, mas santos, sem criar mais infelicidade nos filhos, pois eles, inocentes, são os que mais sofrem nessas tristes situações. O amor aos filhos deveria fazer-vos meditar cem vezes e até mais, mesmo no caso da morte de um dos cônjuges. Oh! Se soubésseis contentar-vos com tudo o que tendes tido, quando Deus vos disse: “Basta isto!” Se soubésseis vós, viúvos, e vós, viúvas, ver na morte não uma diminuição, mas uma elevação à perfeição de procriadores! Ser mãe até para a mãe falecida! Ser pai até para o pai falecido! Ser duas almas em uma só, recolher o amor pelos filhos sobre os lábios gelados de um moribundo, e dizer: “Vai em paz, sem preocupação por aqueles que de ti vieram. Eu continuarei a amá-los, por ti e por mim, a amá-los duas vezes, serei para eles pai e mãe.” E a infelicidade dos órfãos não pesará sobre eles. Nem mesmo sentirão o inato ciúme do filho do cônjuge que se casou de novo, por aquele ou por aquela que toma o lugar sagrado da mãe ou do pai, que por Deus foram chamados para outra morada.