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Notas da palavra-chave

Tentações da Virgem Maria

Tema: A Virgem Maria no Evangelho tal como me foi revelado

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EMF 25.9.11

O Evangelho como me foi revelado

Citação

25.9 Também o meu José teve a sua Paixão. Ela começou em Jerusalém, quando ele percebeu o meu estado. Durou muitos dias, como aconteceu com Jesus e comigo. E não foi espiritualmente pouco dolorosa. Mas unicamente pela santidade de um justo, como era o meu esposo, é que ela ficou limitada a uma forma tão cheia de dignidade e de segredo, que ficou pouco conhecida, através dos séculos.

Oh! a nossa primeira paixão! Quem poderá falar da íntima e silenciosa intensidade dela? Quem saberá dizer qual a minha dor, ao ver que o céu ainda não me havia atendido em revelar o mistério a José?

Que ele ainda nada sabia, eu já tinha compreendido, ao vê-lo respeitoso comigo, como de costume. Se ele tivesse sabido que eu trazia em mim o Verbo de Deus, ele teria adorado o Verbo encerrado em meu ventre, com os atos de veneração que são devidos a Deus, e que ele não teria deixado de praticar, como eu também não me teria recusado a receber, não por causa de mim, mas por Aquele que estava em mim, que eu em mim trazia, assim como a Arca da aliança conti­nha­ o código escrito na pedra e os vasos de maná.

Quem pode dizer qual foi a minha luta contra o desânimo, que queria me vencer, para me persuadir de que eu havia esperado em vão no Senhor? Oh! Eu creio, que isso vinha da raiva de satanás! Eu senti a dúvida que crescia em meus ombros, e que espichava suas gar­ras geladas para aprisionar minha alma e fazê-la deixar de orar. A dúvida, que é tão perigosa e letal para o espírito. Letal, porque ela é o primeiro agente da doença mortal chamada “desespero”, e contra a qual é preciso reagir com toda a força para não perecer na alma e perder Deus.

(...) 25.11 Breves em número, mas grandes em intensidade, foram aqueles três dias do sofrimento de José. E deste meu primeiro sofrimento. Porque eu compreendia o sofrimento dele, mas não podia aliviá-lo de modo algum, por causa da obediência ao decreto de Deus, que me havia dito: “Cala-te!”

Quando, tendo chegado a Nazaré, eu o vi sair, depois de uma curta saudação, todo curvo e como se tivesse envelhecido em pouco tempo, e não voltar mais a mim, como era de costume, vos digo, filhos, que o meu coração chorou com uma dor grande e aguda. Fechada em mi­nha casa, só, naquela casa em que tudo me fazia recordar a Anunciação e a Encarnação, e onde tudo me falava de José, desposado por mim em uma virgindade imaculada, eu tive que resistir ao desconforto, às insinuações de satanás, e ficar esperando. Orando, perdoar a suspeita de José, e ao seu gesto de justo desdém para comigo.

Filhos, é preciso esperar, rezar, perdoar, para se obter que Deus intervenha em nosso favor. Vivei, vós também, o vosso sofrimento. Ele é devido às vossas culpas. Eu vos ensino como superá-lo e transformá-lo em alegria. Esperar, além de toda medida. Rezar sem desconfiança, perdoar, para serdes perdoados. O perdão de Deus será a paz que desejais, meus filhos.

EMF 35.7-8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

(..) Vós estais tão embaraçados com a vossa humanidade, que (na verdade, em vós ela ultrapassa demais ao espírito) que não podeis seguir por estas vias, sem cair; ou então, parar, desencorajados. Dizeis a vós e a quem queria fazer que vos adiantásseis, citando-vos os exemplos do Evangelho: “Jesus, Maria, José (e assim por diante todos os santos) não eram como nós. Eles eram fortes, foram logo consolados em suas dores, até nas pequenas dores que sentiram! Eles não sentiam paixões. Eram já seres fora da terra.”

Ah! Aquelas pequenas dores! Ah! Não sentiam as paixões!

35.8 A dor foi para nós a amiga fiel, e teve todos os mais variados aspectos e nomes.

As paixões… Não useis erradamente um vocábulo, chamando de “paixões” os vícios, que vos desencaminham. Chamai-os sinceramente de “vícios” e, além disso, capitais. Quanto aos vícios, não é que os ignorássemos. Nós tínhamos olhos e ouvidos, para ver e ouvir, e Satanás fazia dançar esses vícios à nossa frente, mostrando-os nas obras, com a sua imundície, ou tentando-nos com as suas insinuações. Mas a nossa vontade, inclinada a tornar-nos agradáveis a Deus, fazia com que aquela imundície e aquelas insinuações, em vez de satisfazerem o objetivo de Satanás, provocasse o contrário. Quanto mais ele trabalhava, mais nós nos refugiávamos na luz de Deus, por repugnância das trevas lamacentas, colocada diante dos nossos olhos carnais ou espirituais.

Nós não ignoramos as paixões, no sentido filosófico. Nós amamos a pátria, com a nossa pequena Nazaré, cidade que amamos mais do que qualquer outra da Palestina. Nós sentimos afeto por nossa casa, pelos parentes e amigos. Por que não haveríamos de sentir? Não nos tornamos escravos deles, porque nada nos deve possuir, a não ser Deus. Mas fizemos deles bons companheiros.

Minha mãe exultou de alegria, quando, quatro anos depois, voltou a Nazaré e pôs o pé em sua casa, podendo beijar aquelas paredes, dentro das quais o seu “sim” lhe abriu o ventre para receber o Embrião de Deus. José saudou com alegria parentes e sobrinhos, crescidos em número e idade, e se alegrou ao ver-se imediatamente lembrado pelos concidadãos, também por sua capacidade profissional. Eu próprio fui sensível às amizades e sofri, como uma crucificação moral, pela traição de Judas. Que dizer de tudo isso? Nem minha mãe, nem José preteriram a casa ou os parentes, à vontade de Deus.