Ir para o conteúdo

Notas da palavra-chave

Jesus Cristo a pregar em Betsaida

Tema: Factos sobre a vida pública de Jesus Cristo

Conforto de leitura

Aa

EMF 50.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Paz aos homens de boa vontade. Paz e bênção às suas casas, às suas mulheres, aos seus filhos. A graça e a luz de Deus reine nelas e nos corações que nelas habitam.

Vós desejastes ouvir-me. A Palavra está falando. Fala aos honestos com alegria, fala aos desonestos com dor, fala aos santos e aos puros com deleite, fala aos pecadores com piedade. Ela não se nega. Veio para derramar-se como um rio, que irriga as terras necessitadas de água, às quais leva refrigério com suas ondas, e alimento com o seu limo.

Vós desejais saber o que se requer para ser discípulos da Palavra de Deus, do Messias que é o Verbo do Pai, que vem reunir Israel, para ouvir novamente as palavras do imutável e santo Decálogo, e se santifique com elas, purificando o homem quanto ele puder por si mesmo, para a hora da Redenção e do Reino.

Aí está. Falo aos surdos, aos cegos, aos mudos, aos leprosos, aos paralíticos, aos mortos: “Levantai-vos, ficai curados, ressurgi, caminhai, abram-se em vós os rios da luz, da palavra, do som, para que possais ver, ouvir e falar de Mim.” Mais do que aos corpos, Eu falo aos vossos espíritos. Homens de boa vontade, vinde a Mim sem temor. Se o espírito está ferido, Eu o curo. Se está doente, Eu o torno são. Se está morto, Eu o ressuscito. Eu quero só a vossa boa vontade.

Será difícil o que Eu vos estou pedindo? Não. Eu não vos imponho as centenas e centenas de preceitos dos rabinos. Eu vos digo: Guardai o Decálogo. A Lei é una e imutável. Muitos séculos se passaram desde a hora na qual essa lei foi dada bela, pura, fresca como um filho recém-nascido, como uma rosa que acaba de se abrir sobre a haste. Simples, limpa, suave para se seguir. No correr dos séculos, as culpas e as tendências a complicaram com outras leis menores, com pesos e restrições, com excessivas e penosas cláusulas. Eu vos reporto à Lei, assim como o Altíssimo a deu. Mas Eu vos peço para o vosso bem, recebei-a com o coração sincero dos verdadeiros israelitas daquele tempo.

Vós, os humildes, murmurais, mais com os corações do que com os lábios, que a maior culpa está nos homens importantes. Eu sei. No Deuteronômio se diz tudo o que deve ser feito: não era necessário nada mais. Mas não julgueis quem pede aos outros, e não a si. Vós façais tudo o que Deus diz. E sobretudo, esforçai-vos para serdes perfeitos nos dois mandamentos principais. Se amardes a Deus com todo o vosso ser, não ireis cometer pecado, que é uma dor causada a Deus. Quem ama não quer causar dor. Se amardes o próximo como a vós mesmos, não sereis mais que filhos respeitosos para com os vossos pais, esposos fiéis aos consortes, homens honestos nos negócios, sem violências com os inimigos, sem mentira nos vossos depoimentos, sem inveja de quem possui, sem concupiscência, sem luxúria para com a mulher do próximo. Não querendo fazer aos outros o que não quereríeis que fosse feito a vós, não roubaríeis, não mataríeis, não caluniaríeis, não entraríeis, como os cucos, nos ninhos dos outros.

Mas, ao contrário, Eu vos digo: “Levai à perfeição a obediência aos dois preceitos de amor: amai também os vossos inimigos.”

Oh! Como vos amará o Altíssimo, que tanto ama o homem, que se tornou inimigo Dele pela culpa de origem e por seus pecados individuais, a ponto de enviar-lhe o Redentor, o Cordeiro, que é o seu Filho­, Eu que vos falo, Eu, o Messias prometido, para remir-vos de toda culpa, se souberdes amar como Ele.

Amai. Que o amor seja para vós escada por onde, tendo-vos tornado anjos, subireis, como viu Jacó, até o Céu, ouvindo o Pai dizer a todos e a cada um: “Eu serei o teu protetor por onde andares, e te reconduzirei a esta cidade: ao Céu, ao Reino Eterno.”

A paz esteja convosco.

Detalhe

Jesus disse:

EMF 179.4-6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Saem todos, e Jesus dirigi-se para o lago, a fim de não ser esmagado pela multidão. Pedro está manobrando com cuidado, para afastar a barca até alguns metros da beira, de modo que a voz de Jesus possa ser ouvida por todos e haver um espaço entre Ele e os ouvintes.

– De Cafarnaum até aqui, Eu vim pensando no que vos iria dizer. Encontrei quais eram as palavras adequadas, ao relembrar os fatos desta manhã.

Vós vistes os três homens que vieram a Mim. Um veio espontaneamente, outro, porque foi convidado por Mim, e o terceiro, porque entusiasmou-se de repente. Vistes também que daqueles três Eu fiquei só com dois. Por que será? Teria Eu visto um traidor no terceiro? Em verdade, não. Vi nele alguém ainda despreparado. Pelas aparências, o que parecia mais despreparado era o que agora está aqui ao meu lado, pois tinham a intenção de sepultar o seu pai. Mas o mais despreparado era o terceiro.

Este estava tão preparado que mesmo sem saber, fez um sacrifício bem heróico. O heroísmo em seguir a Deus é sempre uma prova de forte preparação espiritual. Isto é o que explica alguns fatos surpreendentes, que acontecem ao redor de Mim. Os mais preparados para receber Cristo, seja qual for a sua casta ou cultura, costumam vir a Mim com uma prontidão e uma fé absoluta. Os menos preparados ficam observando-me, como se Eu fosse um homem que foge do comum ou então me estudam com desconfiança e curiosidade, ou ainda, me atacam e me denigrem, acusando-me de várias coisas. As diversas atitudes estão na proporção da falta de preparação dos espíritos.

No povo eleito se deveria encontrar, por toda parte, espíritos prontos para receber o Messias, em cuja espera ansiaram em desejos os Patriarcas e os Profetas, o Messias, que finalmente veio, precedido e acompanhado por todos os sinais profetizados, o Messias, cuja figura espiritual se delineia sempre mais clara, por meio de milagres visíveis nos membros e nos elementos e milagres invisíveis, realizados nas consciências dos que se convertem e nos pagãos que se voltam para o Verdadeiro Deus. Mas não é assim. Pois a prontidão em seguir o Messias é fortemente obstaculada, justamente pelos filhos deste povo, e é doloroso dizer-se, que é tanto mais, assim quanto mais se sobe às classes mais altas deste mesmo povo. Eu não digo isto para vos escandalizar. Mas sim, para induzir-vos a rezar e a refletir. Por que acontece isso? Por que os pagãos e os pecadores procuram mais o meu caminho? Por que eles acolhem mais o que Eu digo, e os outros não? É porque os filhos de Israel ficam ancorados, como ostras que produzem pérolas, no lugar em que nasceram. Porque estão saturados, empanturrados, obesos com af sabedoria deles, e não sabem abrir caminho para a minha, jogando fora o supérfluo, para dar lugar ao necessário. Os outros não têm esta escravidão. São pobres pagãos, ou pobres pecadores, ainda soltos como barcos à deriva, são pobres que não possuem tesouros próprios, mas somente fardos de êrros ou pecados, dos quais se despojam com alegria, logo que conseguem compreender o que é a Boa Nova, e sentem nela um mel fortificante muito diferente da insípida mixórdia dos seus pecados.

179.5

Ouvi, e talvez podereis compreender melhor como obter frutos diferentes de uma mesma obra.

Um semeador saiu para semear. Eram muitos campos e de diferentes qualidades. Ele tinha herdado de seu pai alguns onde havia deixado proliferar plantas espinhosas. Outros haviam sido adquiridos por ele, que os comprara do jeito em que estavam, de um dono negligente, deixando tais como eram. Outros ainda, haviam sido entrecortados por estradas, pois o homem era comodista e não queria andar muito para ir de um lugar para outro. Enfim, havia alguns, os mais próximos da casa, dos quais ele tomava cuidado, só para que dessem um aspecto agradável à frente da casa. Estes estavam limpos de pedregulhos, de espinhos, de grama e assim por diante.

O homem, pois, tomou o seu saco de grãos para ir semear grãos da melhor qualidade, e começou a semeadura. A semente caiu no terreno bom, fofo, arado, limpo e adubado, próximo à casa. Caiu também nos campos entrecortados por caminhos e trilhas, além de cortá-los, levava a sujeira da poeira árida na terra fértil. Outras sementes caíram sobre os campos, onde a inépcia do homem tinha deixado que crescessem plantas espinhosas. Agora o arado as havia revirado, e nem parecia que elas estivessem mais ali, mas estavam, porque somente o fogo é que é a radical destruição das ervas más, impedindo-as de nascer. As últimas sementes caíram nos campos comprados recentemente, e que ele tinha deixado como estavam, sem ará-los em profundidade, sem limpá-los de todas as pedras afundadas na terra, fazendo com ela um pavimento duro no qual não conseguiam agarrar-se as tenras raízes.

Depois, tendo semeado todas as sementes, voltou para casa, e disse: “Agora está tudo bem. É só esperar a colheita.”

179.6

E assim se alegrava quando, com o correr dos meses, podia ver, à frente de sua casa, o trigo que ia germinando e crescendo… oh! crescia como um tapete macio e já ia soltando espigas… Parecia um mar, amarelando e batendo espigas contra espigas, cantando hosanas ao sol. O homem dizia: “Como este campo, devem estar todos os outros. Preparemos as foices e os celeiros. Quanto pão! Quanto ouro!”

Estava feliz.

Cortou o trigo dos campos mais próximos, depois passou aos que herdou do pai, mas ele os tinha deixado virar mato. O homem ficou muito aborrecido. todos os grãos haviam nascido, porque os campos eram bons e a terra adubada pelo pai estava gorda e fértil. Mas sua fertilidade tinha sido boa também para as plantas espinhosas, que ficaram cobertas pela terra, reviradas com ela, mas não esterilizadas. Elas tinham renascido e formado um verdadeiro forro de ramagens cheias de espinhos, através das quais o trigo não tinha podido passar para cima, a não ser uma espiga aqui, outra acolá, e morreu quase todo sufocado.

O homem disse: “Eu fui negligente com este campo. Mas nos outros não havia espinheiros, e deverão estar melhores.” Passou então aos campos recentemente adquiridos. Lá seu espanto cresceu, até transformar-se em tristeza. Finas e já ressecadas, as folhas do trigo estavam espalhadas por toda parte, como feno seco. Feno seco! “Mas, como? Como foi isso?” Gemia o homem. “No entanto, aqui não há espinhos! Além disso, a semente do trigo era a mesma. Aqui também ela tinha nascido, e o trigal estava tão viçoso, que dava alegria ver! Pode-se ver ainda como suas folhas estavam bem formadas e em grande número. Por que será que aqui o trigo todo morreu sem produzir espigas?” E, com grande tristeza, pôs-se a cavar o solo, para ver se encontrava ninhos de toupeiras, ou outras pragas. Insetos e roedores, não havia nada. Mas, que quantidade de pedras! Um verdadeiro pedregal! Os campos estavam literalmente calcetados com escamas de pedras, e a pouca terra que as cobria era um engano. Oh! Se tivesse afundado mais o arado, enquanto era tempo! Oh! Se ele tivesse feito escavações, antes de aceitar aqueles campos e de comprá-los como se fossem bons! Oh! Pelo menos, depois daquele erro de adquirir o que era oferecido, sem ter-se informado da boa qualidade deles, se ele os tivesse melhorado, à custa do cansaço de seus rins! Mas agora já era tarde quaisquer queixumes eram inúteis.

O homem pôs-se de pé, arrasado, e dali foi para os campos entrecortados por pequenos caminhos, feitos para sua comodidade… E rasgou suas vestes de tristeza. Aqui não havia nada. Absolutamente nada… A terra escura do campo estava coberta por uma ligeira camada de pó branco… O homem se agachou no chão, e gemia dizendo: “Mas, por quê? Aqui não há espinhos, nem pedras, pois estes campos, antes já eram nossos. Meu avô, meu pai, eu, sempre os possuímos e, por anos e anos, os fertilizamos. Neles eu abri estradas, terei tirado alguma terra do campo, mas isso não é o que o terá feito ficar estéril assim…” Ainda estava ele chorando, quando recebeu, para sua tristeza, a resposta, dada por um cerrado bando de passarinhos esfomeados, vindos dos campospara os caminhos a procura de sementes de trigo, e outras… O campo havia-se transformado numa rede de pequenos caminhos, em cujas beiras o trigo semeado tinha caído, atraindo muitos passarinhos, que, primeiro comeram os grãos na estrada e depois os plantados no campo, até o ultimo grão.

Desse modo, a semente, igual para todos os campos, havia produzido cem por um, em outro sessenta, em outro trinta e em outro nada. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

A semente é a Palavra: é igual para todos. O lugar onde cai a semente são os vossos corações. Cada um aplique a si a parábola e compreenda. A paz esteja convosco.