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Notas da palavra-chave

O menino Joel de Betsaida

Tema: Personagens do Evangelho tal como me foi revelado

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EMF 50.3-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Depois, Jesus se levanta, dá uns passos pelo terraço, olha o lago, sorri para uns meninos que estão brincando na rua e que lhe sorriem, olha a rua, na direção da pracinha, que fica a uns cem metros da casa. Depois desce. Vai até a cozinha:

– Mulher, vou passear à beira do lago.

Sai, e de fato vai para a beira do lago, junto dos meninos. E lhes pergunta:

– O que estais fazendo?

– Nós queríamos brincar de guerra. Mas ele não quer e, então, vamos brincar de pesca.

O “ele” que não quer é um homenzinho de corpo delgado, mas com um rosto que revela grande perspicácia. Talvez ele perceba que, delgado como é, ao fazer “a guerra”, poderia sair perdendo, e por isso, defende a paz.

Jesus aproveita o assunto para falar aos meninos:

– Ele tem razão. A guerra é um castigo de Deus para a punição dos homens, e sinal de que o homem não é mais verdadeiro filho de Deus. Quando o Altíssimo criou o mundo, fez todas as coisas: o sol, o mar, as estrelas, os rios, as plantas, os animais, mas não fez as armas. Criou o homem, e lhe deu olhos para que tivesse olhares de amor, boca para dizer palavras de amor, ouvido para ouvi-las, mãos para dar socorro e carícias, pés para correrem velozes até o irmão necessitado, e coração capaz de amar. Deu ao homem a inteligência, a palavra, os afetos, os gostos. Mas não deu o ódio. Por que? Porque o homem, criatura de Deus, devia ser amor, como Deus é Amor. Se o homem tivesse continuado a ser criatura de Deus, teria permanecido no amor, e a família humana não teria conhecido nem guerra nem morte.

– Mas ele não quer brincar de guerra, porque perde sempre (eu já tinha adivinhado isso).

Jesus sorri, e diz:

– Não é preciso não querer aquilo que nos prejudica, só porque nos prejudica. Mas é preciso não querer uma coisa, quando ela prejudica a todos. Se um, diz: “Eu não quero isto, porque vou perder”, ele é egoísta. Ao contrário, o bom filho de Deus diz: “Irmãos, eu sei que vou ganhar, mas eu vos digo: não vamos fazer isso, porque vós teríeis prejuízo.” Oh! Como esse compreendeu bem o mandamento principal! Quem sabe me dizer qual é?

Em coro, as onze bocas dizem:

– “Amarás o teu Deus com todo o teu ser e ao teu próximo como a ti mesmo.”

– Oh! Sois uns meninos muito inteligentes!

50.4 Ides todos à escola?

– Sim.

– Quem é o mais inteligente?

– Ele.

É o magrinho, que não quer brincar de guerra.

– Como te chamas?

– Joel.

– É um grande nome! Ele diz: “… o fraco diga: ‘sou forte’.” Mas forte no quê? Na lei do verdadeiro Deus, para estar entre aqueles que Ele vai julgar como santos seus, no vale da decisão final. Mas esse juízo já está perto. Não no vale da decisão, mas no monte da Redenção. Lá, entre o sol e a lua, escurecidos de horror, e as estrelas tremendo num pranto de piedade, serão julgados e separados os filhos da Luz, dos filhos das Trevas. Toda Israel saberá que o seu Deus veio. Felizes aqueles que o tiverem reconhecido. A eles mel, leite e águas claras lhes descerão aos corações, e os espinhos se tornarão rosas eternas. Quem de vós quer estar entre aqueles que vão ser julgados santos de Deus?

– Eu! Eu! Eu!

– Amareis, então, o Messias?

– Sim! Sim! A Ti! A Ti! Nós Te amamos! Nós sabemos quem és! Simão e Tiago nos disseram, e nossas mães também. Leva-nos Contigo!

– Na verdade, Eu vos levarei, se fordes bons. Nada mais de pala­vras feias, nem atitudes prepotentes, nem brigas, ou respostas más aos pais. Oração, estudo, trabalho, obediência. Eu vos amarei e virei estar convosco.

Os meninos estão todos em círculo em volta de Jesus. Parece uma corola de cores matizadas, apertada ao redor de um longo pistilo azul escuro.